O Processo de Aculturação no Campo de Missões

Nosso objetivo através de nossas postagens é gerar ferramentas para você se preparar ao campo de missões. Algo interessante que acontece com qualquer um que sai de seu ambiente cultural e é inserido em outra cultura é entrar em em processo de aculturação. Esse processo pode sofrer resistência por parte do missionário ou não, tudo vai depender de como é visto esse processo.

Em primeiro lugar vamos procurar saber o que é aculturação. Em um dicionário qualquer vamos encontrar que é o “processo de modificação cultural de indivíduo, grupo ou povo que se adapta a outra cultura ou dela retira traços significativos.” 

Em uma publicação do Wikipédia encontrei que “segundo o historiador francês Nathan Watchel, aculturação é todo fenômeno de interação social que resulta do contato entre duas culturas, e não somente da sobreposição de uma cultura a outra. Já Alfredo Bosi, em Dialética da colonização, afirma que esse fenômeno provém do contato entre sociedades distintas e pode ocorrer em diferentes períodos históricos, dependendo apenas da existência do contato entre culturas diversas, constituindo-se, assim, um processo de sujeição social. A maioria dos autores acredita que a aculturação é sempre um fenômeno de imposição cultural.” – veja mais no site 

É importante observar que no contato de duas culturas diversas é iniciado um processo de “sujeição social”, ou seja, uma cultura com o passar do tempo vai suprimindo a outra. E tendo o conhecimento dessa verdade é importante o missionário ter a maior ciência possível do campo de missões para que ele não fira a cultura alheia impondo sua própria cultura, ou, o que pode acontecer também, aos que estão atuando entre culturas dominantes, venha ser neutralizado não podendo exercer seu trabalho.

O equilíbrio e a consciência de sua posição diante de Deus e dos homens, a firmeza na chamado e a base firme no poder transformador do evangelho em qualquer meio cultural é de suma importância.

O EVANGELISTA INTERCULTURAL

Para mim esta é a melhor definição de um missionário: Ele é um evangelista intercultural, ou seja, transpõe barreiras culturais para pregar o evangelho sem gerar domínio e se deixar dominar pela cultura alheia. Um missionário preparado está consciente do novo ambiente em que está inserido, das diferenças entre os povos e o conhecimento que Deus reconhece essas diferenças, do cuidado com o etnocentrismo encrustado em sua própria cultura pelo pecado e o firme propósito de transmitir Cristo Jesus e a mensagem de salvação contextualizando sempre e nunca caindo no erro do sincretismo.   

O processo de aculturação deve ocorrer de forma pensada e intencional com o alvo de gerar conexão com o povo nativo. Para isso é necessário estudar o campo de missões antes ir e iniciar qualquer atividade, quando no campo de missões ter o devido contato com o povo nativo o maior tempo possível, compreender suas dificuldades, suas aspirações, o que acreditam ser de valor e etc.

O erro mais frequente de missionários em meio culturas diferentes é isolar-se do povo nativo ou ter maior contato com o povo de sua mesma comunidade e, no nosso caso, a comunidade brasileira. Este último é o mais comum e gera um distanciamento do missionário com o povo nativo levando o evangelista intercultural brasileiro morar anos no campo missionário e não aprender a língua nativa, não ter conhecimento nenhum dos hábitos alimentares, os valores culturais e etc.

Mas, por que é tão necessário a aculturação por parte do missionário? O motivo é o Evangelho. Sim, o evangelho deve ser transmitido ao povo nativo e para que você possa alcançar o povo você deve saber falar a linguem local. Existe dois tipos de linguem de um povo: A primeira é o idioma e a segunda linguem de um povo é a cosmovisão.

Você pode até saber falar o idioma do povo local, mas se não compreender a cosmovisão do povo certamente não compreenderá o povo nativo de forma mais aproximada e também o evangelista intercultural será mal interpretado, ou seja, não compreendido pelos nativos. Tudo isso te leva a falta de conexão e não havendo conexão não haverá transmissão do evangelho, a falta de aceitação do evangelho.

Este é o motivo de muitos bons obreiros que fazem trabalhos maravilhosos em determinadas regiões do Brasil, mas quando vão fazer a obra em outras regiões com distâncias culturais maiores não conseguem fazer nada fazem nada.

Eu posso ser mais específico com este exemplo? Bem, tenho visto obreiros que abriram dezenas de igrejas no Brasil, mas vieram a Bolívia e não fizeram nada. Passaram mais de 10 anos no campo tentando de um lado para outro, deram suas vidas, lutaram, usaram todas as ferramentas que aprenderam em regiões como Rio de Janeiro e São Paulo, mas aqui não tiveram nenhum resultado.

Normalmente vão embora dizendo que o povo é muito duro e saem duvidando do seu chamado. Bem, eu não vou dizer que nenhum povo de qualquer lugar é fácil de alcançar, mas eu posso dizer que não é porque você foi chamado por Deus que Deus esqueceu que deu a você a capacidade de estudar, aprender, ter estratégias de avanço no campo de missões.

Muitos foram chamados, sim, mas pecaram na preparação para ir ao campo e, enquanto no campo, não buscaram obter conhecimento para desenvolver o trabalho que Deus lhes confiou.

Eu vou deixar um vídeo logo abaixo falando um pouco mais sobre o assunto. Espero que você assista com atenção.


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