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Vencendo as dificuldade no Campo de Missões Transcultural?

Eu sei que o medo de muitos que pensam em Missões é o desamparo financeiro. É a sombra da escassez que assusta. É verdade que os testemunhos do mover de Deus são muitos e inspiram aos que amam fazer missões a se dedicar ao serviço missionário, mas infelizmente, há também muitos que se sentem desamparados no campo transcultural, e isso acaba desanimando muita gente.

Por isso, eu selecionei alguns trechos do meu Diário Missionário que aos poucos vou retirando dos meus cadernos e escrevendo aqui no blog. São relatos do agir de Deus provendo necessidades no campo missionário. Os registros são de entre 2 de fevereiro de 2009 e 18 de junho de 2012.

Missionários Peniel e Mina (2024)

Meu desejo é que você, ao ler, tenha sua fé edificada e a confiança no nosso Deus fortalecida.


Fevereiro de 2009: A Conta Certa

Eu estava muito preocupado com nossas finanças. A proprietária da casa que usamos como Base de Apoio nos alertava sobre um novo aumento. O aluguel subia, mas nosso recurso não acompanhava. Fiquei angustiado, de fato.

Acordei bem cedo e fui orar. Durante a oração eu recebi uma Palavra do Senhor Jesus: “Soma as ofertas de dezembro de 2008 e as ofertas de janeiro de 2009”.

Peniel, Mina e Deborah (2009)

Pulei da cama e peguei o pequeno caderno onde anoto as ofertas das reuniões. Em dezembro de 2008, haviam entrado B$ 784,5 Pesos Bolivianos. Em janeiro de 2009, o valor era exatamente o mesmo: B$ 784,5 Pesos Bolivianos.

Não era pelo valor em si que me chamou a atenção, mas pela precisão das entradas em meses diferentes. Este era o grande detalhes que o Senhor Jesus estava mos mostrando. Eu não tinha visto, mas o Senhor sabia das entradas e me mostrou que em dezembro de 2008 entrou exatamente o mesmo valor que janeiro de 2009.

Querido irmão, até os centavos eram iguais. Meu coração explodiu vendo aquela caderno em minhas mãos. O Senhor estava falando comigo. A Palavra do Espírito de Deus ao meu coração era: “PENIEL, TUA FINANÇA ESTÁ NAS MINHAS MÃOS!

Junho de 2009: A Visão Dada por Deus

Naquele dia, eu estava sem dinheiro e fui procurar um caixa eletrônico. Não havia nada na minha conta. Eu precisava fazer compras para casa, mas não tinha como. Enquanto andava, recebi uma mensagem do meu irmão dizendo que havia feito um depósito.

Fui ao supermercado. Coloquei as mercadorias no carrinho e usei o cartão. Deus me fez meditar nesta simples ação. Eu não tinha visto o dinheiro ali nas minhas mãos, mas confiei no saldo que sabia que tinha em minha conta. Na nossa vida espiritual, precisamos confiar que o “saldo” de Deus é sempre positivo.

Evangelismo na comunidade japonesa de Bolívia (2010)

Então, em outra ocasião eu caminhava pela rua e uma visão invadiu meu coração. Eu não sei dizer como eu vi aquelo, mas eu vi, mesmo estando andando pelas ruas de Santa Cruz de la Sierra: Na visão eu chegada em meu quarto e observei que estava abarrotado de dinheiro. Não era dinheiro sobre a mesa, mas do chão ao teto. Era simplesmente algo fora de cogitação algo que eu estava vendo. Foi algo impressionante.

Mas eu sei que era o Senhor me falando das riquezas de Deus, que são muito maiores do que podemos imaginar, fora da nossa imaginação. E aquele quarto era justamente o meu lugar de oração!

Quando colocamos Deus como nossa fonte e vivemos Seus projetos o Senhor nos leva a usar os Seus recursos para que a obra seja feita. O recurso de Deus é muito maior que um quarto cheio de notas de dinheiro. Ele é dono do ouro e da prata. E aquilo que o próprio dinheiro não pode comprar Ele tem.

Dezembro de 2009: O Dobro da Renda

Nossa renda estava apertada. O aluguel, a manutenção, os gastos do trabalho, as viagens, o envio de materiais… Nosso aluguel consumia 50% de toda a nossa renda do mês. Estávamos quase sem conseguir manter as despesas básicas, quem dirá o trabalho missionário!

Começamos a orar e a apresentar a Jesus a situação. Em poucos dias, Deus abriu as portas. Ele levantou novos mantenedores, e passamos a receber o dobro do que entrara até então! Glória a Deus! Já podíamos fazer planos para desenvolver o que Ele havia colocado em nosso coração.

Família missionária: Pr Peniel, Mina, Deborah (18) e Samuel (10)

Fico alegre com cada irmão que nos ajuda. Mas há duas colaboradoras que me deixam profundamente feliz. Uma do sul do Brasil, que trabalha como babá e envia R$ 15,00 todo mês. Sei que ela tem uma vida de luta, mas o Senhor a move a ser parte no trabalho que fazemos.

A outra irmã, em São Paulo, é uma senhora que vende marmita em construções. Ela nos envia R$ 50,00 mensais. Mesmo com suas dificuldades, ela envia sua “participação”. Louvamos a Deus por cada participante! O suor de cada um está presente em cada frete, cada passagem e cada folheto. Deus está vendo tudo isso!

Agosto de 2010: O Socorro Chega de Longe

O ano de 2010 tem sido um ano de muitas atividades e oportunidades no campo. Com a ampliação do trabalho, os gastos também aumentam.

O trabalho estava prestes a parar! Mas Deus moveu vidas de todos os lados para nos socorrer. Recebemos R$ 50,00 de um pastor em São Paulo e R$ 300,00 de outro irmão. Para completar a bênção, uma irmã do Nordeste nos enviou R$ 690,00.

Este projeto é do Senhor, não é meu! Eu sempre soube que Deus abençoa cada irmão que participa. Antes de ser o missionário no campo, eu tive a oportunidade apoiar outros missionários de nossa congregação e um missionário na África. Eu investia meu tempo, meu esforço e meu suor para ser parte no trabalho deles.

Hoje, Deus nos levantou como missionários, e Ele levanta pastores e irmãos para estarem ao nosso lado. Glória a Deus!

Dezembro de 2010: Provisão no Final do Ano

O final do ano sempre traz uma preocupação no serviço missionário. Todos viajam, pensam em Natal e Ano Novo, e poucos se lembram da Obra. Já passamos por momentos de grande dificuldade, inclusive no Natal de 2008, quando não tínhamos o que comer e Deus nos enviou um frango grande para nossa ceia de Natal.

Mas em 2010, estávamos preocupados novamente. “Senhor, tem misericórdia de nossas vidas”, era a nossa oração. Estávamos completamente sem dinheiro para avançar e até mesmo para comprar o alimento.

Trabalho evangelístico na região central de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia (2011)

Mas Deus é poderoso! Recebemos a primeira oferta de R$ 450,00 de um irmão. Outro nos enviou R$ 520,00. E, para finalizar, veio uma oferta de R$ 1.400,00! Amados, só podemos louvar ao Senhor! Em poucos dias, o Senhor derramou Sua bênção sobre nossas vidas.

Conseguimos pagar água, luz, aluguel, fazer as compras e garantir o recurso para o nosso final de ano. Louvado seja o Senhor Jesus. Eu escrevo cada testemunho em meu Diário Missionário e o meu coração se enche de alegria. Não tanto pelo dinheiro, mas pela provisão. O dinheiro amanhã acaba novamente, mas ver Deus agindo ao nosso favor enche o meu coração da confiança no nosso Deus, pois Ele que nos enviou a este lugar é o mesmo que nos sustenta.

Abril de 2011: O Milagre Antes da Oração

Em abril, realizamos o primeiro impacto na cidade de Potosí, a segunda cidade mais alta do mundo. Vimos ali um povo com o coração partido pela opressão e paganismo. O que mais nos tocou foi o povo correndo para buscar um Novo Testamento na feira. Vimos a sede por Deus.

A viagem, porém, foi difícil: bloqueios na estrada, um deslizamento de terra e eu com dengue. Mas tudo começou com um milagre.

Eu não tinha dinheiro para ir a Potosí. Entrei no quarto para orar e expor meu desejo. Enquanto orava, meu celular tocou. Era um número estrangeiro. Eu atendi, e um irmão me pediu: “Pega caneta e papel”. Ele ditou os números. “Vá ao Western Union, pois enviei U$ 250 dólares americanos para você.”

Eu estava maravilhado. Antes mesmo de eu orar, o Senhor já estava provendo o recurso! Glória a Deus!

Julho de 2011: O Desejo e a Resposta

Novamente, o Senhor operou um milagre para nossa viagem a Oruro. Pode parecer repetitivo, mas isso é o mover de Deus!

Falamos aos evangelistas que nos ajudariam para que orassem, pois não tínhamos dinheiro, mas o desejo de alcançar aquela cidade ardia. Convido homens de Deus, cheios do Espírito, mas que muitas vezes não têm o recurso para a viagem. E como o projeto é meu, eu arco com os gastos.

Trabalho de impacto evangelístico na região da Ramada, Santa Cruz de la Sierra – Bolívia

Mais uma vez, como em abril, eu orava em meu quarto e meu celular tocou. Anotei os números, e o irmão me dizia que enviava U$ 300 dólares americanos. Uma resposta direta de Deus.

Este irmão não sabia da viagem. Não havíamos dito nada. Mas o SENHOR moveu o coração do Seu servo para enviar a oferta e, assim, tivemos condições de realizar o trabalho em Oruro.

Outubro de 2011: A Crise e a Generosidade

Recebemos a visita de minha irmã Rebeca e meu cunhado, Pastor Ebenezer, que vieram do Equador com seu veículo para nos apoiar nos trabalhos nas feiras de Santa Cruz de la Sierra.

Justamente nesse mês, entramos numa crise terrível financeira. O recurso que havia chegado era apenas para pagar aluguel, água e luz. Eu estaria pagando minhas contas e ficaria completamente sem dinheiro.

Conversei com Mina para orarmos ao Senhor. Dias depois, um irmão nos enviou R$ 750,00. Meu coração estava explodindo na presença do Senhor. Quem envia R$ 750,00 assim, sem mais nem menos, se não é o Senhor? Quem tem a capacidade de tirar esse valor do bolso e doar a um trabalho missionário com o qual não tem relação? Amado, é Deus quem faz isso!

Em seguida, outro irmão enviou mais R$ 550,00. Glória a Deus! Aproveitamos o carro do Ebenezer para fazer o trabalho em todos os lugares. Às vezes, me pergunto: “Por que tem que ser assim? Não poderíamos ter um recurso mais estável?” Por que as coisas devem acontecer sempre com “muita adrinalina”?

Mas a resposta no meu coração é: “Eu nunca perdi por esperar no Senhor, e o próprio Deus quer que dependamos d’Ele.” Este é o alvo: Dependencia! Nós estamos sempre querendo ser independentes de Deus. Isso tem sido desde o Jardim do Edem até os dias atuais. Nós queremos fugir de Deus e agir por conta própria.

Janeiro de 2012: O Alerta na Provisão

Em uma viagem ao Paraguai para rever a família, aproveitei para pregar nas ruas da fronteira. Eu estava com fortes dores de cabeça e precisei fazer um exame de vista. A conta ficou em mais de R$ 600,00. Parcelamos no cartão, mas eu não queria voltar à Bolívia com dívidas. Pedi misericórdia ao Senhor.

Eu havia pregado na Igreja Siloé e, no dia seguinte, visitei o irmão Luciano, um fazendeiro de férias na fronteira. Ele e sua esposa Cristiane nos ouviram falar sobre missões. Ele me procurou e estendeu a mão com várias notas em Real. Eu agradeci, coloquei no bolso e orei por ele. Quando olhei, eram R$ 1.000,00!

Pr Peniel e Pr Fabrício pregando a Palavra na região da Nueva Feria, Bairro Lindo – Santa Cruz de la Sierra, Bolívia (2012)

Olhei para aquele dinheiro com temor. Eu havia pregado no domingo sobre corrupção. O Senhor me dizia: “Sou Eu que supro as tuas necessidades, mas teme, porque EU cobro!” Louvei a Deus pela provisão, mas também pelo alerta: CUIDADO!

Mas, ali estava eu. Orava por provisão e o Senhor me deu o recurso que precisava e sobrou para outros gastos. Deus é fiel!

Junho de 2012: O Mover pela Palavra Escrita

Estive orando, angustiado com a redução de recursos e o fechamento de portas de igrejas que antes nos ajudavam e agora estavam parando. Minha oração era: SENHOR, ABRE CORAÇÕES PARA APOIAR O TRABALHO!

Eu havia recebido mensagens de evangelistas precisando de material. Eles iriam pregar nas províncias com megafones, mas sem material para distribuição. Nossa visão é colocar a Palavra Escrita nas mãos desses homens.

Enquanto orava, o Senhor falou fortemente: CONFIA EM MIM! A paz me inundou. Fui verificar minha conta: havia uma oferta de R$ 20,00. Fiquei alegre pela oferta enviada. Era pouco, mas Deus havia tocado o coração de alguém para nos ajudar. Enquanto eu orava, Deus movia um servo. Depois, outro depósito: R$ 100,00. Glória a Deus!

Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Eu fiquei pensando sobre este mover de Deus. Estamos na crise orando para Deus tocar os corações e o Senhor assim tem feito. Seja R$20,00 Reais ou mesmo R$100,00, mas eu estava vendo Deus agir.

Então, continuei orando ao Senhor. Minha sede era ver o agir de Deus, a mão de Deus ao nosso favor. Já nem me importava com as ofertas se estavam vendo ao não, mas realmente eu queria ver a mão de Deus.

Assim, sai do meu quarto de oração e voltei à internet, e havia mais um depósito: R$ 500,00! Desta vez, da irmã Zenilda, de Brasília. Ela me disse que havia acumulado ofertas e conseguiu depositar aquele valor. DEUS É FIEL!

Nossa vida e este projeto estão nas mãos do Senhor. Não pensávamos nesta nação, mas Ele nos enviou e Ele nos sustenta. Os homens podem desprezar a Obra Missionária, esquecer nosso nome em suas listas, mas Aquele que rege todas as coisas é Fiel. Nosso alvo não é buscar placas de ferro, mas fazer a vontade dAquele que nos alistou.

“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (2 Timóteo 2:4)

Apenas Confie no Senhor Jesus

Amado irmão, que o Senhor Jesus inunde seu coração na confiança que vem dos céus.

O que Deus tem feito até agora apenas nos mostra cada dia que Ele é a nossa Fonte e não falha. Ele provê o dinheiro, os meiso de transporte, o aluguel, o material evangelístico e, acima de tudo, a paz em meio à crise. Eu creio que ver a mão de Deus suprindo é muito maior que a própria provisão em si.

Não importa o lugar onde você pretende trabalhar, se o povo tem dinheiro ou não: confie nAquele que move corações para suprir o que é necessário. A obra é d’Ele, e Ele mesmo a sustentará.

Continue conosco! Em breve, colocaremos mais dos testemunhos do meu Diário Missionário que ainda estão em meus cadernos ao nosso blog. E se você não quiser perder nenhuma das próximas postagens basta assinar nosso blog. A assinatura é gratuita.

Eu também te animo a acompanhar nossos vídeos no canal do YouTube. Eu tenho postado nosso dia a dia no campo missionário, testemunho, reflexões sobre missões e outros.

CLIQUE AQUI para acessar nosso último Vlog Missões postado. Nesses vídeos eu simplesmente gravo meu dia a dia no campo de missões e procuro transmitir a vida prática de missões com o alvo de te fazer crescer no conhecimento missionário

Um forte abraço e que o Senhor te abençoe

A Mão de Deus nas Pequenas Coisas: Nossas Bases de Missão na Bolívia

É sempre uma alegria imensa compartilhar com vocês tudo que Deus tem feito através das nossas vidas. Mas, sabe, existe algo maravilhoso na vida com Deus: ver a Sua mão não só nas grandes conquistas, mas também nos pequenos detalhes da vida.

Não me refiro apenas às grandes vitórias na vida missionária, mas também nas pequenas escolhas e diante dos passos mais simples que damos. E é sobre isso que quero falar hoje, contando os primeiros alugueis na Bolívia. Algo simples, mas em tudo a mão de Deus.

Peniel e Mina em Bolívia

Quem se importa com aluguel de casa, certo? A maioria das histórias simplesmente diz: “Fomos para tal cidade e alugamos uma casa.” Ninguém fala como foi o processo de conseguir a casa. Não é interessante. Mas o segredo, amados, está em anotar cada dificuldade e cada ação de Deus na nossa vida. Eu sou daqueles que gosta de anotar o agir de Deus para não esquecer dos detalhes do agir de Deus.

Hoje, quando eu olho para trás, eu vejo a simplicidade de alugar uma casa, mas, acima de tudo, eu posso ver a mão de Deus cuidando de nós.


Deus da Revelação

Antes de partirmos do Paraguai para a Bolívia, mergulhamos em um intenso período de oração. Primeiro, buscamos a orientação divina sobre a nação. Deus havia nos dito que sairíamos do Paraguai para outro país, mas não qual.

Mina e eu nos trancávamos, orávamos juntos, clamando ao Senhor por uma palavra específica. Durante esse tempo, o Senhor nos mostrou a Bolívia. Foi uma revelação muito forte, não havia como duvidar. Se Ele havia falado sobre o país, com certeza também falaria sobre a cidade, afinal, a Bolívia tem muitas!

Não queríamos ser levados pela “circunstância” ou pelo “vento das circunstâncias”, mas sim caminhar na direção exata de Deus. Continuamos orando, e o Senhor nos revelou: Santa Cruz de la Sierra.

Mesmo sem conhecer a cidade — eu não fazia ideia do seu tamanho, da sua formação ou dimensão, só sabia que muitos jovens iam para lá estudar Medicina —, eu disse à Mina: “Se Deus revelou a nação e a cidade, Ele pode revelar onde está a nossa casa!”

No meio da oração, o Espírito de Deus falou claramente ao meu coração: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” Guardamos essa palavra. Ela seria nosso mapa para as decisões futuras.

Peniel e Mina

O Desvio em Quijarro: Confiança x Aconselhamento

Tomamos a decisão de ir para Santa Cruz. Mas, nesse período, Mina descobriu que estava grávida de dois meses. Por uma questão de segurança e facilidade com médicos e hospitais, meu pai e minha sogra nos aconselharam a ficar na região de fronteira com o Brasil por um tempo.

Aceitamos o conselho para tranquilizá-los e fomos para Quijarro, na fronteira boliviana. Fomos muito bem recebidos pelo Pastor Roberto da Igreja Quadrangular da cidade de Quijarro, que nos deu um quarto enquanto buscávamos nossa própria casa.

O pastor Roberto estava fazendo missões na Bolívia a quatro anos. Eu o conhecia da região de fronteira com o Paraguai desde 1996 quando tivemos os primeiros anos no Paraguai. E encontrar o pastor Roberto em Quijarro foi realmente uma grande benção a nossas vidas.

Região de fronteira entre o Brasil e Bolívia (2006)

Mas, os dias de busca por uma casa foram exaustivos. O calor era extremo, chegando a 47 graus, com muita poeira e mosquitos. Muitas das casas pareciam “fornos” sem nenhuma sombra. Quijarro está na região do Pantanal Boliviano e é uma fronteira extremamente quente.

Um dia, exaustos de tanto andar, paramos o carro debaixo de uma árvore em frente a uma praça em Quijarro. Estávamos tomando tereré gelado para refrescar e estávamos nitidamente desanimados. Foi quando lembramos de um pequeno detalhe: não havíamos orado sobre a nossa nova casa!

Eu disse à Mina: “Saímos do Paraguai por revelação, e prometemos a Deus que tudo o que conquistássemos seria por meio da oração. Vamos orar por esta casa agora mesmo!”

Eu e Mina na cidade de Puerto Suarez, Bolívia

Ali, debaixo daquela árvore, começamos a orar e a detalhar tudo o que desejávamos: uma casa com muita sombra, cercada por árvores, com uma boa varanda, que fosse fresca, segura, com um proprietário tranquilo e, claro, que tivéssemos condições de pagar sem dificuldade.

Seria pedir muito? Temos o direito de orar e pedir o que quisermos? Nosso Deus é poderoso para nos atender? Minha Bíblia garante: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22). Sendo assim, essas eram as características do nosso futuro lar, e nós, sob a sombra daquela árvore, clamávamos ao Senhor Jesus.


O Milagre da Primeira Casa

Depois de orarmos veio ao nosso coração buscar também em Puerto Suárez, que fica a cerca de 10 km de Quijarro. Entrando na cidade, parei em frente a um estúdio fotográfico e perguntei ao proprietário se ele sabia de alguma casa para alugar.

Ele olhou para mim e disse: “Eu tenho uma casa para alugar. Se quiser, posso te mostrar.”

Ficamos animados e fomos ver. Não era longe: apenas três quadras. Quando chegamos, a casa tinha varanda, várias árvores ao redor, era fresca e o aluguel era o valor que podíamos pagar.

Nossa primeira casa em Bolívia – Puerto Suarez

Amados, depois de orarmos ao Senhor, a primeira pessoa que abordamos em Puerto Suárez nos apresentou a casa que alugaríamos e onde ficamos por um ano. O Senhor Jesus nos deu a casa na primeira tentativa! A residência era exatamente como havíamos clamado em oração.

Nosso coração foi inundado pelo amor de Deus. Vimos o cuidado do Senhor Jesus com nossas vidas, pois oramos e as portas se abriram naquele mesmo instante. Apresentamos nossa necessidade a Deus, e Ele nos atendeu prontamente.

O mais importante em tudo isso não é apenas obter a solução para um problema, mas sim ver Deus resolvendo-o. Quando você vê Deus à frente, você está vendo o Provedor que cuida de cada detalhe.


A Casa em Santa Cruz

O tempo passou. Débora nasceu, e chegou a hora de ir para Santa Cruz de la Sierra. Peguei um trem e fui à cidade, hospedando-me na casa do Pastor Gessé de Oliveira, um missionário da igreja Quadrangular que já vivia em Bolívia a mais de dez anos.

Pastor Peniel, Mina e Deborah no trem indo de Puerto Suarez a Santa Cruz de la Sierra – 16 horas de viagem

O Pastor Gessé me aconselhou a buscar casa na periferia da cidade, como no Plan 3000 ou El Quior, pois, segundo ele, o lugar que eu queria — o Segundo Anel — era muito caro. Ele estava certo: as casas eram caríssimas. Mas eu tinha uma Palavra de Deus.

Para quem não sabe, Santa Cruz é organizada por anéis: avenidas circulares. O Primeiro Anel é central, o Segundo é logo depois. Quanto maior o número, mais periférico. O Segundo Anel era, sim, na região central.

Ainda que o Pastor Gesse, com boas intenções, me levasse para a periferia, eu decidi buscar a palavra de Deus. O Senhor havia dito Segundo Anel!

A cidade anilhada de Santa Cruz de la Sierra

Procurei em jornais e andei pela região. Os aluguéis eram altíssimos. Encontrei uma casa próxima ao Terceiro Anel, com um proprietário cristão. Ele ficou feliz por eu ser missionário, me deu a chave e disse que a casa era minha. Tentei pagar adiantado, mas ele recusou. Eu confiei naquele homem e em sua palavra. Então eu voltei para a fronteira e preparei a mudança.

Dias depois, quando chegamos em Santa Cruz, com Débora de 4 meses, a nossa mudança ainda no vagão do trem, liguei para o proprietário da casa. Ele me disse que não alugaria mais, pois havia vendido a casa naquele mesmo dia.

Naquele momento, olhando para Mina e para a pequena Débora, o desespero bateu, mas a voz do Senhor me veio à mente: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” O Senhor me disse segundo anel e o que eu estava fazendo no terceiro anel? Eu havia me metido em um problema por desobediencia.


A Casa de Dois Andares

Deixei Mina na casa do Pastor Gessé de Oliveira e saí em busca de uma casa. Desta vez, resoluto por seguir o que o Senhor Jesus havia mostrado, circulei no jornal apenas os anúncios próximos ao Segundo Anel.

Lembrei-me de que, enquanto procurávamos, Mina me disse: “Peniel, e se Deus nos der uma casa de dois andares? Queria fazer culto embaixo e morarmos em cima, com nosso quarto independente.” Eu ri, falando que seria um milagre pelo preço, mas que acreditava em Deus.

Eu só poderia pagar no máximo 150 dólares e o preço das casas era de 450 dólares. Um casa onde o quarto fosse em cima custaria algo como 750 dólares por mês. Os preços dos alugueis em Santa Cruz de la Sierra são em dólares e muito alto. É impressionante isso!

Mas Deus nos deu a casa. Entrei em contato com a proprietária, e quando ela me apresentou o lugar, era exatamente uma casa de dois andares! Na parte de cima, o quarto com banheiro, e na parte de baixo, um espaço amplo que usamos para os cultos e o trabalho que o Senhor nos havia confiado.

Moramos ali por sete anos. Foi um lugar estratégico e central para o início do serviço de missões e, posteriormente, para o programa de apoio evangelístico.

Culto na varanda de nossa casa com os jovens da Misión Siloé (2009)

A Terceira Casa: Um Endereço Revelado

Sete anos depois, Mina queria outra casa. Ela estava grávida do Samuel e estava preocupada em nascer o bebê e ter que subir e descer as escadas pelo lado de fora da casa. Os ventos fortes e frios de Santa Cruz são bem complicados e pensávamos em todos esses detalhes.

Assim, o alvo era uma casa mais segura e com a escada de acesso ao quarto por dentro. Mas nós não tínhamos recursos para a mudança, então, começamos a orar.

Deus comeceu agir poderosamente e nós sem esperar começamos a receber ofertas de várias igrejas. Guardei o dinheiro e disse à Mina: “Se é hora de mudar, é agora, com o recurso que temos.”

Família Missionária na Base de Apoio do 8 anel, Remanso

Dias de busca se passaram sem sucesso. Lembrei-me dos milagres anteriores e decidi parar e clamar. Entrei no quarto e fui orar ao Senhor por uma saída. Então o Senhor me disse de forma fortíssima: A sua casa está na mesma avenida onde você mora, a Avenida Banzer, no Oitavo Anel, do lado esquerdo.” Não havia dúvida. Estava buscando uma palavra e o Senhor nos deu sua palavra naquela momento em oração.

Então eu pedi uma confirmação do Senhor quanto aquela orientação. Pedi a Deus que fosse Mina que encontrasse aquela casa e não eu. Fiquei quieto, não disse nada para Mina quanto a palavra que o Senhor me deu e guardei a palavra. Não queria ser soprado pela circunstancia, mas viver o agir de Deus e queria ver a mão de Deus.

Dias depois, Mina abriu o computador na sala de nossa casa e disse: “Peniel, estou vendo uma casa com o valor que podemos pagar, e que tem o que oramos!” Ela me mostrou as fotos: casa nova, piso lindo, tubulações e elétrica novas. Eram exatamente os detalhes que orávamos!

Perguntei: “Onde fica?” Ela respondeu: “No Oitavo Anel, lado esquerdo, no bairro Remanso.”

Mina, Deborah e Samuel na praça do Ramanso, Santa Cruz de la Sierra – Bolívia

Era a região exata que Deus havia mostrado! “Coincidentemente”, tempos antes, Mina havia olhado para o Remanso, ao visitarmos um amigo que morava naquele bairro, e dito: “Que lugar lindo! Imagina Deus nos dar uma casa aqui?” Andamos pela praça daquele lugar com muito desejo de um dia morar naquele bairro.

Fechamos o contrato rapidamente. Essa foi nossa segunda base em Santa Cruz, onde moramos por mais de sete anos. Um lugar de descanso e estratégico até nossa saída da Bolívia.

O Deus que Ouve as Orações

A casa anterior era muito velha. O piso era ruim, o encanamento e a fiação da casa eram velhos. Tivemos muitos problemas nos batanheiros tanto do quato de cima quanto no quarto de baixo e tivemos que refazer muita coisa.

Além de tudo isso a proprietária era bem complicada de lidar. Eu pagava adiantado, mas mesmo assim sempre que podia ela vinha nos pertubar por qualquer coisa.

Oramos ao Senhor não apenas pela escada que fosse dentro de nossa casa, mas que a casa fosse nova. Também oramos para que o Senhor colocasse uma proprietária que não pertubasse nossa vida. Amados, o Senhor Jesus nos deu justamente como pedíamos.

Eu vi a proprietária daquela casa apenas algumas vezes. A primeira quando tive que assinar o contrato, depois ela veio para ver alguns problemas que tinha no teto e no final apenas vi a proprietária para entregar a casa. Até nisso nós vimos a mão de Deus


O Deus das Pequenas Coisas

Amados, é muito fácil contar testemunhos de grandes vitórias, mas o mais lindo é ver a mão de Deus nas pequenas coisas. Deus é o Deus que está presente em cada detalhe de nossa vida e o glorificamos.

Se você parar, analisar o seu dia a dia e permitir que Ele participe das suas escolhas, verá a provisão d’Ele até mesmo no momento de alugar uma casa. Ele se importa com a sua vida, suas necessidades e até com o seu endereço.

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” – Salmos 23:1

Se o nosso Pastor é o Deus Todo-Poderoso, por que duvidar que Ele suprirá a necessidade do nosso lar? Confie na Palavra d’Ele, mesmo quando o conselho dos mais experientes sugere o contrário!

Um abraço, Deus abençoe, e até o nosso próximo Diário Missionário.

Nossos Vídeos Missionários

Eu tenho alguns vídeos onde mostro a primiera casa alugada em Santa Cruz e a segunda. Os links eu deixo abaixo

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro a primeira casa. É um vlog gravado em 2017 e eu fala de nossa chegada em Santa Cruz de la Sierra, pois na época já havia se passado 10 anos que fazíamos missões em Bolívia

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro nossa segunda casa. Desta vez o vídeo foi gravado em 2021 e eu estava entregando a casa ao proprietário

CLIQUE AQUI para assistir um vídeo gravado em 2025 quando novamente voltei a nossa antiga Base de Apoio. A pedido dos meus filhos eu retornei ao bairro Remanso para gravar a antiga praça, a casa e o bairro

Contêineres com literaturas evangelísticas

Vamos com um pouco mais do Diário Missionário? Hoje eu quero compartilhar uma forte mudança no meu trabalho em missões. Por muito tempo o nosso trabalho era estar na linha de frente, no calor da rua, contato direto com outros evangelistas, mas o Senhor tinha algo muito diferente planejado para mim e desejo compartilhar este processo com você.


O Evangelismo e o Serviço de Apoio

Por muito tempo, eu fazia o pedido de material e ele vinha por meio da missão chamada Vetome na Bolívia. Os irmãos de lá cuidavam de toda a documentação, armazenamento e solicitação do material. Eles sempre me mantinham informado: “Peniel, o container está para chegar”, “A documentação já foi dada entrada”. E assim nós trabalhávamos de forma conjunta.

Material evangelístico chegando em Bolívia (2012)

Inicialmente, uma pequena quantidade do material vinha para o nosso trabalho. Depois ampliamos para um terço do contêiner e com o tempo, ampliamos nosso projeto e a solicitação, passando a receber a metade do container de 40 pés. O trabalho de apoio naquela época estava crescendo rapidamente.

Foi aí que comecei a ter alguns problemas com os irmãos da Vetome. Na prática, eles estavam fazendo a importação e todo o processo, mas a quantidade de importação começou a aumentar. Antes eles importavam a cada dois ou três anos e agora tinha que fazer toda ano e em algumas ocasições tiveram que fazer duas importações anuais.

Enquanto isso, o número de evangelistas que apoiávamos só crescia. Na época eu estava orando ao Senhor para continuar com o trabalho de rua, que eu realizava diariamente com o grupo de evangelismo. Todos os dias eu pegava meu megafone, minha mochila e saía com alguns irmãos para o trabalho de impacto pelas feiras de Santa Cruz de la Sierra.

Peniel, missionário Welder e Deborah na região do Los Pozos, Santa Cruz – Bolívia

Muitas vezes, eu conseguia recursos para pagar a passagem, a alimentação dos evangelistas e, em vários casos, até o alojamento desses irmãos quanto íamos a outras cidades ou em outros departamento. O trabalho era praticamente diário e o único dia que não estávamos nas ruas era aos domingos.

Fiz esse trabalho por vários anos. Era muito impactante! A gente via o mover de Deus, e eu, no serviço evangelístico, tinha o contato direto com as pessoas nas ruas. Era algo que me empolgava muito e não tinha desejo algum de parar com este serviço.

Grupo de evangelismo na região da Ramada de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Os contêineres em meu Caminho

Um dia, porém, o Senhor começou a falar comigo para que eu parasse com o trabalho de rua e me dedicasse integralmente ao serviço de apoio. Sinceramente, eu não queria parar. Eu achava que daria para continuar com os trabalhos de impacto e, ao mesmo tempo, realizar o apoio.

O que eu não estava entendendo era que o Senhor estava me entregando um trabalho com uma escala muito maior quanto a quantidade de material e evangelistas, assim eu precisaria dedicar muito mais tempo a este novo trabalho.

Um dia, depois de fazer compras em um mercado, eu estava na avenida esperando meu ônibus, e passou bem ao meu lado uma carreta com um container de 40 pés. Fiquei olhando para aquela imensa caixa de ferro e algo ardeu no meu coração. Pensei: “E se você começar a trazer containers e mais containers como este para o serviço de apoio, como vai ficar o trabalho de evangelismo?”

Contêiner de 40 pés chegando em Bolívia

Enquanto a carreta passava, eu não conseguia esconder a emoção. Enquanto eu pensava na possibilidade de dedicar mais tempo ao apoio o Espírito de Deus começou falar em meu coração, dizendo: “Chegará o tempo em que você estará trazendo trazendo containers com materiais impressos para o evangelismo. Você precisa dedicar-se a este trabalho.”

Eu, por natureza, queria fazer o trabalho rápido, alcançar vidas, ver o resultado imediato, distribuir a literatura e estar presente em todo o processo. O grande problema é que isso não é escalável. Se você vai trabalhar com uma pequena quantidade de material, tudo bem, mas se você pretende ampliar o apoio, alcançando e sustentando muito mais evangelistas, você precisa concentrar sua atenção.


A Plantadeira Gigante

Era justamente isso que Deus estava me dizendo: “Peniel, concentre-se no apoio. Aquela palavra era muito forte. O Senhor Jesus começou a mostrar que colocaria esse trabalho em minhas mãos e que seria escalável. Eu lembrei de quando o Senhor havia falado dentro do meu quarto anos atrás que colocaria muito material impresso em minhas mãos. Eu estava vivendo um verdadeiro turbilhão do agir de Deus.

Na época, eu não tinha ideia de como isso aconteceria. Eu não tinha conhecimento em importação, não sabia como lidar com as empresas, nem de onde conseguir recursos para pagar fretes e documentações. Era Deus falando comigo no meio da rua, ministrando ao meu coração, e eu sem ter a mínima noção da logística e de como fazer o trabalho

Peniel Dourado distribuindo a Palavra de Deus escrita em uma feira de roupas (2010)

Em outro dia, passei em frente a uma loja de materiais agrícolas e vi uma plantadeira enorme no pátio. Pensei: “Como aquela máquina trabalha tão devagar, sem velocidade, mas consegue plantar uma quantidade imensa de sementes em uma área enorme em poucas horas?”

O Espírito Santo começou a falar ao meu coração, dizendo: “Peniel, seu trabalho será como essa plantadeira. Você vai trabalhar de modo mais lento, mas serão milhares e milhares de vidas alcançadas.” Eu não via beleza na máquina, mas ela é uma ferramenta poderosa para plantar muitas sementes em uma área gigantesca.

Peniel Dourado e um contêiner de 40 pés, Bolívia

O Espírito Santo continuava: “Seu trabalho será como essa plantadeira. Você andará devagar, mas a quantidade de sementes alcançada será enorme.”

Obs.: Se você quiser saber o que é uma plantadeira clique aqui


A Expansão Atual do Projeto

Hoje, nosso trabalho mudou drasticamente. Saímos de Santa Cruz de la Sierra — onde minha casa era nossa base de apoio na Bolívia — e fomos em janeiro de 2021 a Corumbá, região de fronteira com Bolívia, onde ficamos um ano, dedicando-me a abrir pontos de apoio em outras regiões, como o Paraguai e o Brasil.

Obs.: Se você tiver interesse de assistir os vídeos gravados em 2021 quando estivemos na região de fronteira, nossa viagem ao Acre, Paraguai, Bahia, Pernambuco, as primeiras viagem a Aracaju clique aqui

Em janeiro de 2022, chegamos ao Paraguai, assumindo a Missão Siloé, um trabalho missionário aberto pelos meus pais. Atualmente, o trabalho local que eu faço é mais pastoral (cultos, discipulado, Escola Bíblica Dominical). No entanto, em relação com o Programa de Apoio Evangelístico, nosso foco agora é justamente abrirBases de Apoio na América do Sul.

Liderança da região nordeste do Brasil

Fazemos a solicitação dos materiais que chegam à Bolívia em quantidades enormes. Da mesma forma, estamos trabalhando na solicitação de materiais para a nossa Base de Apoio no Nordeste do Brasil e para a segunda Base de Apoio em São Luís do Maranhão.

Sei que o trabalho não vai parar. Precisamos avançar ao norte do Brasil, ter uma base na região centro-oeste e também no sul do Brasil. Em cada região, precisamos de um ponto para receber esse grande volume de material e facilitar a distribuição pelos irmãos locais.


Expandindo o Apoio Evangelístico

Continuamos trabalhando na expansão para outras nações da América do Sul, mantendo o alvo de avançar ao Uruguai, à Argentina, ao Peru e aos demais países.

Peço que você ore por nós, para que Deus coloque bons obreiros em nosso caminho. Com eles, teremos um alcance gigantesco da Palavra de Deus. E que Ele nos dê sabedoria para identificar os maus obreiros — aqueles que, pela arrogância e coração endurecido, tentam frear o desenvolvimento do trabalho.

Contêineres chegando na Base de Apoio em Aracaju

Nosso objetivo é inundar a América do Sul com a Palavra de Deus. Eu creio no agir do nosso Deus e que Ele continuará abrindo as portas! Nós temos uma ordem e devemos obedecer.

Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. – Marcos 16:15

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Deus te abençoe

Por que apoiamos evangelistas?

A gente nunca sabe para onde o Senhor Jesus vai nos levar nesta vida em missões. Às vezes, o caminho que Deus traça para nós é totalmente diferente do que imaginamos. O que realmente importa é nossa disposição em cumprir o chamado do Mestre

Peniel Dourado e Mina

Um trabalho que eu nunca pensei em fazer

Muitos me perguntam por que eu comecei a apoiar evangelistas e a trabalhar com literatura. Confesso que eu jamais me imaginei fazendo esse tipo de trabalho. Afinal, quem hoje em dia se importa com evangelistas? E quem ainda usa folhetos? Eu pensava exatamente assim.

Via meu tio, que é médico, dedicando-se há anos à distribuição de folhetos, livretos e Bíblias, mas nunca tive o desejo de fazer o mesmo. Ele tem mais recursos financeiros, então eu achava que ele só fazia isso porque podia. Para mim, a ideia de trabalhar com literatura parecia extremamente complicada.

Por um bom tempo, eu tive o mesmo pensamento de muita gente: quem faz isso ou tem algum interesse financeiro, vendendo o material e lucrando com a distribuição, ou está sendo pago por alguma missão, ou faz porque tem recursos para fazer. Nunca conectei este trabalho com uma visão dada por Deus.

Ponto de Apoio em Bolívia

É importante deixar claro que o Apoio Evangelístico é um trabalho que exige um investimento significativo de tempo, dinheiro e esforço. Há gastos constantes com fretes, viagens e documentação.

Além disso, não é um projeto de missões que atrai a maioria das pessoas. É difícil encontrar alguém realmente animado com este tipo de serviço e, consequentemente, é um desafio enorme conseguir apoio financeiro.

Quando pensamos em missões, a sustentabilidade é um ponto-chave. E manter um projeto como este é, sem dúvida, muito complicado.


O chamado para a Bolívia

O tempo passou e o Senhor nos chamou para uma nova jornada: o trabalho missionário na Bolívia. Eu e minha esposa partimos com o objetivo de abrir igrejas, batizar e discipular pessoas. Naquele momento, não passava pela nossa cabeça trabalhar com literatura ou dar suporte a evangelistas. Meu desejo era outro: ter um programa de rádio de qualidade, fazer cultos em casa e me dedicar plenamente ao trabalho pastoral.

Com esse foco, começamos a evangelizar e a convidar pessoas para os nossos cultos caseiros, discipulando cada uma delas. Era um trabalho pastoral bem tradicional. A oportunidade de ter uma emissora de rádio surgiu quando uma irmã nos ofereceu uma estação AM e FM que estava desativada.

Era o meu sonho se tornando realidade! No entanto, assim que me preparei para dar o próximo passo e avançar com o trabalho com a emissora de rádio, o Espírito de Deus tocou profundamente meu coração, revelando que aquele não era o caminho.

Pastor Peniel e Mina

À medida que o tempo avançava, a voz do Espírito Santo se tornava mais forte, inquietando meu coração com direções claras sobre o que fazer e, principalmente, o que evitar. A maior surpresa era perceber que muitos dos meus planos e projetos mais entusiasmados eram barrados por Deus, me convidando a uma confiança maior em Seus desígnios.

Eu estava certo de que Deus me havia enviado à Bolívia, mas me sentia completamente perdido sobre o que Ele queria que eu fizesse. Essa incerteza gerava uma angústia profunda. Eu pregava, distribuía os folhetos nas ruas, mas uma inquietação me consumia. Minhas orações eram um clamor por direção: “Senhor, é isso mesmo que o Senhor espera de mim?”

Foi nesse período que aprendi uma lição valiosa: em momentos de incerteza, o que devemos fazer é nos lançar à oração. Não há como avançar sozinho. É preciso orar e esperar o tempo de Deus, confiando que Ele nos dará a resposta no momento certo.


Uma resposta em oração

Muitas noites, eu me via tão angustiado que me trancava no quarto para orar e buscar a presença de Deus. Eu só queria uma resposta. Uma dessas noites, perdi completamente o sono. Saí do quarto de madrugada, andei pela sala e comecei a orar. Foi ali, andando de um lado para o outro, que o Senhor começou a falar muito forte comigo.

Abri a Bíblia e comecei a ler. Enquanto eu lia o Espírito Santo me confirmou: o desejo de Deus era que levássemos folhetos para a Bolívia e apoiássemos os evangelistas de lá. No dia seguinte, quando contei a minha esposa, ela me lembrou que estávamos em uma grande dificuldade financeira. Não fazia sentido usar o pouco dinheiro que tínhamos para gastar com fretes e viagens. E ela tinha toda a razão.

Missionária Mina durante o evangelismo

Não tínhamos recursos. Estávamos em um lugar onde Deus nos queria, mas sem dinheiro nem para nos mantermos, quanto mais para fazer a obra. Como eu poderia me levantar e fazer algo para o qual não tínhamos condições?


Uma palavra de fé

Ainda assim, lembro perfeitamente o que eu disse à minha esposa: “Mina, eu não sei como Deus vai fazer para que a gente desenvolva esse trabalho. Só sei que Ele vai, porque foi Ele quem nos disse que faríamos.”

Hoje, ao me lembrar daquelas palavras, eu mesmo fico impactado. No campo missionário, existem momentos em que fazemos e falamos coisas que não vêm da nossa própria força, mas da força do Senhor. Aquele momento foi, sem dúvida, um desses.

Como chefe da família e servo de Deus, eu estava dando aquela declaração para a minha companheira, a minha esposa. Eu precisava que a minha família acreditasse em mim, e sabia que, se eu voltasse atrás, isso abalaria a nossa relação e a confiança nas próximas decisões.

Mas aquela convicção não veio de mim ou da minha sabedoria. Aquela palavra firme veio do próprio Senhor Jesus.


O Senhor da Obra

O tempo passou e começamos a realizar o trabalho, mesmo sem ter dinheiro. Deus abriu as portas, e o material impresso para a evangelização não parava de chegar. Para a nossa surpresa, novos evangelistas apareciam a cada dia. Nosso alvo era ir às ruas e alcançar as almas, mas o que Deus estava nos enviando eram, na verdade, os próprios evangelistas.

Contêiner de 40 pés chegando em Bolívia

Eu orava com o coração aflito, pedindo condições para alcançar toda a Bolívia com a Palavra de Deus. Foi quando o Senhor me respondeu com clareza: “Eu levantarei um exército para esta obra”. Naquele momento, compreendi que não seria capaz de realizar um trabalho tão grandioso sozinho.

Seguimos desenvolvendo a obra que o Senhor nos confiou, mesmo sem um centavo no bolso. Muitas pessoas dizem que é impossível fazer missões sem apoio financeiro, mas Deus provava o contrário a cada dia, operando milagres para que o nosso objetivo fosse alcançado.

Então, um dia, a voz do Senhor Jesus falou claramente dentro do meu próprio quarto: “Eu colocarei muito material em suas mãos e trarei os evangelistas, e você os apoiará”. A palavra foi tão forte e poderosa que não tive a menor dúvida de que vinha diretamente de Deus. Não foi uma revelação e muito menos um sonho. Eu ouvi a voz dentro do meu quarto!

Deus ama esta obra

Deus usou irmãos que vieram à nossa casa para nos trazer revelações. Ele nos deu sonhos e visões sobre esta obra. O Senhor Jesus tem nos mostrado, acima de tudo, o quanto Ele ama este trabalho. É por isso que Satanás levanta tantas pessoas irresponsáveis para colocar no meio deste serviço, pois os que agem com frieza e irresponsabilidade tratam com descaso aquilo que Deus ama.

Começamos a notar que aqueles que evangelizam com literatura recebem os maiores ataques de quem está dentro da igreja, e não de quem está fora. Um evangelista não se abala tanto com a crítica das pessoas que não convertidas, mas as perseguições daqueles que deveriam apoiar, os próprios cristãos, fazem com que muitos percam o ânimo.

Avançando e conquistando em missões
Materiais chegando no Ponto de Apoio em Santa Cruz de la Sierra, Bolivia (Julho 2025)

Foi assim que começamos a apoiar, não só com materiais impressos, mas também com encorajamento. Eu comecei a fazer vídeos e a escrever sobre o evangelismo com literatura. Nossa casa, além de ser um Ponto de Apoio na distribuição de materiais impressos, se tornou um lugar de ânimo para aqueles que se dedicam à evangelização com literatura.

Muitas vezes evangelistas chegavam às 14:00 horas em minha casa e saiam às 20:00 horas. Nós tínhamos todo uma tarde conversando da obra de Deus, do evangelismo, alcançar almas e muitos outros assuntos.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza: nós fazemos isso porque o Senhor nos mandou. A obra só é feita porque Deus nos ordenou, e sabemos que Ele ama esta obra. Essa é a nossa convicção: o Senhor está conosco, e esta obra pertence a Ele. O dono do ouro e da prata é quem nos sustenta e nos dá condições de avançar.

Os Resultados

Começamos a levar toneladas de materiais impressos para a Bolívia. Hoje, já contamos com doze Pontos de Apoio no país, atendendo não só o interior, mas também as fronteiras com o Peru, a Argentina e o Brasil.

Em 2021, expandimos a obra para o Brasil. Iniciamos uma Base de Apoio em Aracaju, Sergipe, onde toneladas de materiais impressos continuam a chegar. Já estabelecemos doze Pontos de Apoio, dando suporte a evangelistas em quase todo o Nordeste, com um alcance que já ultrapassa cem cidades na região.

Dois contêineres chegando em Aracaju com materiais evangelístico (2025)

Este ano, nosso foco é expandir para o Maranhão, com o objetivo de avançar com o apoio ao norte do Brasil, começando pelo Pará. A nova Base de Apoio do Maranhão também dará suporte aos estados do Piauí, Amapá e a parte do Ceará.

O nosso grande objetivo é avançar por toda a América do Sul. E, quando o Senhor Jesus abrir as portas, também expandiremos para a Europa. É um objetivo pelo qual oro há muitos anos.


“Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” Zacarias 4:6.

Vídeos sobre Missões

Se você quer ver de perto como o Programa de Apoio Evangelístico está em pleno desenvolvimento, eu criei uma playlist especial, com vídeos que mostram a jornada, os desafios e as vitórias do nosso trabalho.

Assista agora: Link da sua playlist do YouTube

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Quase fomos esfaqueados pregando nas ruas da Bolívia

Eu realmente estou gostando muito da idéia de colocar nossas experiências de missões aqui em nosso blog. Abri uma categoria chamada Diário Missionário onde eu vou buscar postar pela manhã daquilo que temos vivido e vivemos no campo missionário.

Eu quero agradecer a participação dos assinantes do nosso blog fazendo perguntas, enviando sugestões sobre o que escrever. Muito obrigado mesmo pela participação de vocês.

Peniel e Mina

Ele queria me esfaquear

Alguns dias atrás, alguém me perguntou sobre as minhas experiências pregando nas ruas, especialmente na Bolívia, e se eu já tinha enfrentado algum problema com pessoas violentas.

A verdade é que sim, já tive algumas dificuldades, mas elas foram insignificantes perto dos grandes momentos em que vi pessoas sendo tocadas pela Palavra de Deus e entregando seu coração a Ele.

Mas, minha primeira experiência foi em Santa Cruz de la Sierra. Eu estava com o irmão Joel Apodaca, um jovem paraguaio que foi à Bolívia para me ajudar no trabalho. Eu não lembro bem a data de quando Joel nos visitou pela primeira vez, mas creio que foi em 2012. E naquele tempo passamos muito tempo evangelizando em feiras, praças e na frente de universidades, distribuindo literatura e pregando a Palavra.

Na foto eu estou com Mina, Deborah e Joel Apodaca em 11 de Maio de 2012 – SCZ, Bolívia

Havia um local que gostávamos de frequentar: uma passarela sobre a linha férrea, em frente a um grande mercado chamado Nova Feira do bairro Lindo próximo ao quarto anel. Subíamos na passarela e a usávamos como nosso púlpito. Enquanto um de nós pregava usando um megafone, o outro distribuía literatura.

Como eu disse, o número de pessoas impactadas pela Palavra de Deus ali foi tão grande que não se compara aos incidentes que tivemos. As pessoas raramente param para ouvir, mas eu sei que elas escutam enquanto caminham apressadas de um lado para o outro. Muitas vezes vidas impactadas pelas Palavra saiam entre a multidão em lágrimas e nós orávamos por elas.

Pregando na passarela na Nueva Feria do Bairro Lindo

Certo dia, enquanto eu pregava, olhei para a multidão e vi um homem que me observava atentamente. O olhar dele não era de quem estava sendo tocado pela Palavra. Eu vi ódio em seus olhos. Ele estava com muita raiva de nós. Acredito que ele percebeu que eu o notei. Ele se afastou, retornou, e ficava me encarando, rangendo os dentes. Sua atitude não era normal; era uma opressão maligna.

Continuei pregando, enquanto Joel distribuía os folhetos. Pessoas se aproximavam, faziam perguntas e pediam oração. Então eu decidi trocar de posição com Joel: ele pegou o megafone e eu desci para a escadaria da passarela para distribuir a literatura. Foi então que vi o homem lá embaixo. Ele subia a escada e vinha em minha direção, rangendo os dentes, com ódio no olhar. Era literal, não um exagero.

Enquanto ele subia, eu me mantive calmo, pois não havia medo em meu coração. Eu sabia que a glória de Senhor Jesus estava ali. Quando ele se aproximou, levantou a camisa e puxou uma faca. Eu o encarei e perguntei: “Jovem, o que você está fazendo com essa faca?”. Ele me olhou, rangendo os dentes, e era nítido que aquele homem estava cheio de demônios. Então, estendi a mão e ordenei: “Em nome de Jesus, me dá essa faca.”

Então, ele tirou a faca que estava dentro de sua calça e me entregou o cabo da faca. Ao pegá-la, notei que havia sangue na lâmina, como se tivesse sido usada recentemente. Coloquei a faca para trás e, com a outra mão, toquei o peito daquele jovem e disse: “Em nome de Jesus, espírito maligno, sai dele!”

Naquele mesmo instante, o jovem caiu de joelhos na escada, como se as forças de suas pernas tivessem sumido. Começamos a repreender os demônios em Nome de Jesus, e os demônos falavam: “Viemos de um inferno do outro lado“. Eu ouvi que o jovem repetia esta frase várias vezes.

Depois de repreendermos, o jovem voltou a si. O olhar já não era de possesso e me respondia normalmente. Perguntei seu nome para anotá-lo em nosso caderno de oração, pois eu queria visita-lo posteriormente, mas ele se levantou, disse que precisava ir, porque uma moça do outro lado da passarela o chamava. Eu olhei e realmente uma mulher gritava seu nome. Então ele se levantou e foi embora com aquela moça. Nunca mais o vi.

Nós seguimos pregando a evangelho no mesmo lugar e no final daquele dia, tirei uma foto com a faca (foto abaixo). Levamos ela para casa e a enterramos no quintal, pois não queríamos ficar com aquela faca suja de sangue.

A faca que tomamos do jovem durante o evangelismo

Não conto esta história para dizer que somos melhores que ninguém. Aprouve a Deus nos livrar e também nos dar tamanha ousadia para não ter medo, pois realmente eu não tive medo naquela ocasião. Eu sei que foi o mover de Deus em nossas vidas.


O Livramento Divino na Feira de Punata

Outra situação que passei foi na cidade de Punata, uma pequena cidade próximo a Cochabamba, Bolívia. Estávamos com um grupo de evangelistas, em uma praça onde acontecia uma feira. Havia muitas pessoas, e nós escolhemos um ponto estratégico para pregar. Enquanto um de nós pregava, os outros distribuíam literatura.

Pregamos a manhã toda, e foi uma bênção. Muitas pessoas pediram oração e entregaram suas vidas a Jesus. No meio-dia, fomos almoçar. Depois, resolvi voltar para a feira, pois sabia que nesse horário, entre meio-dia e duas da tarde, os compradores diminuíam e ficavam mais os vendedores com suas famílias, um ótimo momento para evangelizar.

Praça em Punata, Bolívia, onde fizemos o evangelismo

Liguei o megafone, coloquei uma música e comecei a pregar. No meio da multidão, vi um homem vindo em nossa direção com um olhar de ódio. Ele tirou um facão e começou a bramir, como se estivesse cortando o ar. As pessoas ao redor pararam para ver o que estava acontecendo.

Quando ele chegou a uns 30 metros de mim, parei de pregar e apenas coloquei a música. Ele continuou se aproximando, e quando estava a cerca de 10 metros, gritou: “Eu vou arrancar a sua cabeça! Hoje eu vou te matar!“.

Eu me mantive no mesmo lugar com o megafone na mão e olhava aquele homem. Por um momento, olhei ao redor para ver se os irmãos não estavam por perto, pois eles tinham ido lavar as mãos do outro lado da praça.

Então, eu me vi sozinho naquele momento, mas não senti medo. Mais uma vez eu posso dizer que foi o poder do Senhor que agiu e não algo natural para não temer naquele momento.

Olhei para o homem e comecei a repreender. Eu dizia: “Eu te repreendo em nome do Senhor Jesus” Quando ele chegou a uns 3 metros de mim, o homem parou, baixou o facão, olhou para mim por um tempo, e simplesmente virou e foi embora no meio da multidão.

Os irmãos chegaram correndo e me perguntaram o que havia acontecido. Eles queriam ir atrás do homem, mas eu disse para continuarmos nosso trabalho.

Aqui alguns da nossa equipe de trabalho: Russel (centro), Fernando à direita e quem tirou a foto foi o irmão Max Arapa

A Importância de Servir a Deus

Já passei por outras situações parecidas, mas eu creio que as duas situações acima foram as mais impactantes. Mas também passamos por ameaças de indígenas guaranís no Paraguai que estavam armados com revolveres que disseram que nos atacariam à noite.

Nós estávamos ali para realizar um culto na aldeia guaraní no Paraguai, mas havia uma briga entre indígenas locais com outros indígenas de outras aldeias por madeira.

No meio daquela confusão eles nos ameaçaram. Nós estávamos com um grupo da Jocum da base de Porto Velho e faziam muito frio. Como já era noite, decidimos ficar até o outro dia, mas eu posso dizer que aquela noite foi muito longa.

Nós fizemos uma fogueira, cantamos, oramos e forçadamente fizemos uma vigilha até o amanhecer, pois ninguém queria dormir com medo de levar um tiro.

E novamente em Bolívia, eu passei por outra situação, mas foi com um irmão que estava conosco pregando. Ele foi confrontado por um grupo de mais de 15 homens que se dispersaram após ele repreendê-los no nome do Senhor.

Eram pessoas que lidavam com feitiçaria em um pequeno povoado na região dos Andes de Bolívia, mas quando viram em nossa direção o irmão que pregava repreendeu em nome do Senhor Jesus e todos foram dispersados. Em todas essas ocasiões, Deus nos deu graça e misericórdia, e fomos livrados.

Mas é importante entender que, se você está em missões, pode enfrentar adversidades. Se o nosso mestre, Jesus, foi crucificado, e se o apóstolo Paulo foi preso e açoitado, nós também poderemos sofrer e isso não é porque estamos fora de diração de Deus.

A Palavra de Deus diz que devemos completar o sofrimento de Cristo. Em Colossenses 1:24 o apóstolo Paulo diz:“Regozijo-me agora no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja.” Eu sei que as pessoas não gostam muito de pensar sobre esses assuntos, mas fazem parte da nossa vida Cristã.

Por amor de Cristo, somos loucos, mas vocês são sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados. Até agora, estamos famintos, sedentos, mal vestidos, esbofeteados e sem-teto. Nós nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.” (1 Coríntios 4:10-13)

Bem, quero finalizar meu Diário Missionário de hoje. Para mim é uma benção recordar o que o Senhor fez e continua fazendo. Digo a você que é por amor a Cristo que suportamos todas as coisas, pois o nosso trabalho não é em vão. Nos livramentos, ou não, nas muitas dificuldades, ou não, o que realmente importa é que o propósito de Cristo em nós seja cumprido.

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Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Peniel N Dourado

📦 Quando Deus Paga o Frete: Milagres na Logística Missionária

Eu estava vendo minhas fotos antigas e relembrando mais uma situação que passamos onde vimos a mãos de Deus no desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico. E este testemunho eu quero registrar em nosso Diário Missionário de hoje.

Quero lembrar que você pode assinar o nosso blog para que quando eu tiver um post muito importante estarei enviando o link em seu e-mail para você não perca os assuntos mais interessantes do nosso blog.

No Programa de Apoio enfrentamos muitos desafios para dar andamento ao trabalho. Um dos maiores é o frete. Transportar material da base até os pontos de apoio não é simples nem barato, mas essencial para a continuidade da obra.

Quero compartilhar uma experiência de alguns anos atrás, quando estávamos iniciando o Programa de Apoio Evangelístico na Bolívia. Eu creio que esta situação foi no ano de 2012. O material havia acabado em Bolívia e enfrentávamos dificuldades para receber a segunda remessa fazendo o processo de importação por Bolívia.

Diante disso, fiz pedidos de material pela região de fronteira do Brasil com Bolívia. O Brasil estava recebendo contêineres com frequência, então tivemos a ideia de trazer o material de São Paulo até Corumbá (MS), na fronteira, e depois atravessá-lo para o lado boliviano, conduzindo até Santa Cruz de la Sierra.

O contêiner chegou ao Brasil com quase 3 toneladas de material impresso. Fui até Corumbá e, com a ajuda de lideranças locais, conseguimos um galpão para armazenar tudo. Um pastor, que também era sócio de uma empresa de ônibus e caminhões, cedeu espaço em seu depósito e pallets para não deixarmos o material no chão.

Materiais evangelístico chegando na Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra (2012)

O próximo desafio era passar as caixas para a Bolívia. As autoridades aduaneiras exigiam documentação de importação e exportação, o que dificultava muito, já que se tratava de doação. Alguém nos orientou a transportar aos poucos — 100 ou 150 caixas por vez — o que tornava a travessia possível.

Com a ajuda do irmão Nigel Mercado, coordenador na Bolívia, começamos esse processo. Algumas vezes os policiais compreendiam nossa situação e liberavam a passagem. Em certa ocasião, um deles pediu uma Bíblia. Naquele momento Nigel só tinha livretos, mas depois os irmãos compraram uma Bíblia e entregaram ao policial. Essa atitude abriu portas para continuarmos atravessando o material até completar as 3 toneladas.

Outro obstáculo foi o frete de São Paulo até a fronteira. Eu havia falado com várias empresas e o valor estava muito alto, algo impensável para nós. Oramos, pedimos ajuda a várias igrejas e irmãos, até que Deus moveu o coração de uma pessoa que pagou integralmente esse transporte. Se eu não estou enganado o valor chegada aos R$10.000 Reais, ou mais. Mas graças a Deus que as portas foram abertas.

Ainda faltava levar o material da fronteira até Santa Cruz, uma distância de 580 km. Conversei com caminhoneiros e irmãos da região, mas os custos eram também altos. Uma irmã evangelista se dispôs a ajudar, cobrando apenas 250 dólares. Eu não tinha o valor e levei essa necessidade em oração.

Enquanto orava em meu quarto em Santa Cruz de la Sierra, recebi uma ligação de um irmão do Equador. Ele me enviou exatamente 250 dólares pelo Western Union. Com esse recurso, conseguimos pagar o frete, e o material finalmente chegou a Santa Cruz de la Sierra.

Base de Apoio em Santa Cruz, Bolívia (2012)

Compartilho essa história porque até hoje enfrentamos lutas semelhantes. Às vezes a dificuldade é o frete, outras vezes o recurso para viagens ou para manter a obra em andamento. Os custos no Brasil, por exemplo, são muito altos — pedágios, impostos e transporte interno chegam a ser mais caros do que viajar para fora do país.

Mesmo assim, desde 2021 quando decidimos avançar com o projeto no Brasil o Senhor tem nos sustentado. Hoje temos uma base em Aracaju, atendendo boa parte do Nordeste, e estamos iniciando outra em São Luís do Maranhão. Já enviamos mais de uma tonelada de material para lá e oramos para que logo possamos enviar o primeiro contêiner com 10 toneladas, alcançando também a região Norte do Brasil — onde os desafios são ainda maiores devido às condições precárias das estradas e ao custo do transporte.

Mas cremos que o Deus que nos mandou realizar este trabalho é o mesmo que levanta pessoas para sustentá-lo. Não foi uma ideia nossa, foi o Senhor quem nos chamou, e Ele tem suprido cada necessidade no tempo certo.

Agradeço a cada irmão que tem colaborado e intercedido por este projeto. Seguimos avançando, certos de que tudo acontece no tempo do Senhor.

Amém? Continue orando por nós.

Peniel N Dourado

Um chamado para a obediência: confie no plano de Deus

O Início de uma Missão

Desde janeiro de 2022, assumimos a Missão Siloé no Paraguai. É um trabalho que amamos, pois vimos a fundação dele através dos meus pais, que foram enviados para cá em 1994. Eles vieram para o Paraguai para fazer missões, e esse trabalho missionário começou, praticamente, em nossa casa.

Era a nossa família, e algumas outras pessoas participavam. Dias atrás, eu estava conversando com meu pai, e ele estava lembrando de como a Missão Siloé surgiu. Eu era adolescente, e meus irmãos também. Naquela época, cada um estava frequentando uma igreja diferente, e meu pai ficou preocupado com essa situação.

Missão Siloé, Paraguai (1996)

O objetivo inicial da missão que nos enviou era que ficássemos um ano na fronteira, em Pedro Juan Caballero, e depois seríamos enviados para a Espanha. No entanto, o Senhor já havia nos falado que deveríamos ficar aqui, pois este seria o nosso lugar. Meu pai me contou algo que eu não lembrava: um grupo de jovens jogadores de futebol veio ao nosso culto em casa, a convite da minha irmã. Foi assim que a Missão Siloé praticamente começou.


O Crescimento e o Retorno

Mais tarde, meu pai alugou um salão, e algumas famílias começaram a se congregar. Começamos a trabalhar com essas famílias, evangelizando e alcançando novas pessoas. Iniciamos o trabalho com muita simplicidade, mas posso dizer que o vi crescer e participei ativamente. É um trabalho pelo qual tenho muito amor.

Em 2021, o Senhor começou a falar conosco sobre voltar ao Paraguai. Eu estava na Bolívia e deveria retornar para assumir a Missão Siloé como pastor. Fiquei muito feliz. Não pela situação, pois o trabalho havia sido praticamente fechado durante a pandemia, mas pela oportunidade de voltar e dar continuidade a algo que meus pais iniciaram.

Missão Siloé no Paraguai (1997)

Um Projeto que Nasceu no Coração de Deus

Desde que assumi a igreja, muitas pessoas me perguntam se eu iria parar com o Programa de Apoio Evangelístico, já que pastorear uma igreja demanda tempo. Sempre respondi a esses irmãos que não vamos parar. Você pode me perguntar: “Por que não para com esse projeto ou coloca outra pessoa à frente?”

Os primeiros passos do Programa de Apoio Evangelístico (2009)

A resposta é que Deus tem falado muito comigo e com minha esposa sobre este trabalho. O Programa de Apoio Evangelístico não é um projeto que nasceu no meu coração; eu não tive a intenção de criá-lo. Na verdade, é um projeto que nasceu no coração de Deus. Costumo dizer que fui “empurrado” para dentro dele.

Já contei no blog que eu não tinha o objetivo de ir para a Bolívia. Deus simplesmente nos revelou a cidade de Santa Cruz de La Sierra e falou de forma muito forte que deveríamos ir para lá.

Quando comecei o trabalho de apoio na Bolívia, foi a mesma coisa. Eu não tinha dinheiro, influência, recursos, nem meios para levar esse trabalho adiante. No dia em que Deus me falou sobre levar e trazer literatura para apoiar os evangelistas, eu estava juntando moedas para comprar comida. Minha esposa me perguntou como faríamos isso, se tínhamos dificuldade até para nos manter.

Lembro-me de ter dito a ela: “Eu não sei como Deus vai fazer, só sei que Ele está dizendo que faremos esse trabalho.”


A Confirmação Divina

Como eu já disse, todo esse projeto não foi uma ideia minha. O Senhor nos falou que eu não deveria abrir uma igreja em Santa Cruz, embora tivéssemos ido para a Bolívia com esse objetivo. Chegando lá, Ele disse: “Você não vai abrir uma igreja. Você vai trabalhar no evangelismo, vai trazer literatura e apoiar os evangelistas.”

Materiais em nossa Base de Apoio em Bolívia (2013)

Isso me impactou profundamente. Tocou meu coração e meu ego. Eu estava acostumado a pregar e dar estudos, e agora tudo o que eu e minha esposa fazíamos era distribuir folhetos nas ruas. Isso Deus usou para tratar com meu ego. Eu orava e dizia: “Deus, sou pastor, posso ensinar a Palavra, e o Senhor me coloca para distribuir folhetos?”


A Voz da Revelação

Deus nos deu muitas revelações sobre este projeto. Ele usou pessoas para nos trazer palavras de profecia que falavam de uma realidade que não estávamos vivendo. Eram coisas que eu nem imaginava que iriam acontecer, mas Deus estava falando conosco.

Quero concluir com uma experiência muito forte. Eu estava dormindo em casa, amanhecendo, e acordei com uma voz dentro do meu quarto. A voz dizia: “Peniel, eu vou colocar muito material nas suas mãos, e você vai apoiar os evangelistas. Eu vou trazer os evangelistas, e você vai apoiá-los.”

A voz era tão forte que eu simplesmente saltei da cama. Era como a voz de um sargento dando ordens à tropa. Fiquei sentado, escutando. O mais intrigante era que eu não sentia medo. Sabia que era o Senhor falando comigo. Não foi um sonho, eu realmente escutei aquela voz. Fiquei admirado por minha esposa e filha não terem acordado, pois a voz era muito alta.

O material para o projeto tem vindo de forma milagrosa. Manter este trabalho, que é difícil de as pessoas compreenderem e valorizarem, é um desafio. Viajar, pagar passagens e fretes altos, e lidar com documentações são custos elevados. Além disso, é difícil conseguir apoio, pois muitos não valorizam o evangelismo de rua e a literatura.

Peniel, Mina e Deborah no evangelismo em Bolívia (2011)

Eu sei que foi Deus quem falou conosco, é Ele quem traz o material e os evangelistas. O mesmo Deus que provê o material e os evangelistas é quem nos dá condições de fazer o trabalho.


A Confirmação Final

A revelação não parou por aí. A voz continuou falando, mas eu só entendi a parte sobre os evangelistas. O restante permaneceu ininteligível. Fiquei um bom tempo intrigado, sem entender o que a voz dizia. Fui orar, e o Espírito Santo falou comigo: “O que você ouviu e entendeu, já deve colocar em prática. O que você não entendeu, no tempo de Deus, Ele te revelará. A Palavra já te foi dada.”

Naquele mesmo dia, à tarde, fui à casa de um missionário uruguaio e contei a ele o que havia acontecido. Ele orou e me disse exatamente a mesma coisa que o Espírito Santo havia me falado. Ali compreendi que Deus estava confirmando Sua Palavra. O que entendi, devo colocar em prática. O que não entendi, Ele me fará entender no tempo certo.

Com tudo isso, com tantas palavras e revelações, você acha que vou parar com esse trabalho? Hoje, só tenho duas opções: continuar fazendo o que Deus me mandou e ser obediente, ou parar e desobedecer ao Senhor. Tomei a decisão de ser obediente e continuar.


Gratidão e o Futuro

Agradeço a você que ora e oferta por essa obra. Em outra oportunidade, posso escrever mais sobre a questão das ofertas, que são um sinal especial de Deus para nós. Não é por acaso que você envia uma oferta a cada mês.

Agradeço a você que acompanha este blog e se interessa pelo que escrevemos. Gosto de escrever sobre o que Deus faz, pois isso edifica o meu próprio coração. Um abraço!

Ore por nós e pelo Programa de Apoio Evangelístico, para que Deus continue abrindo portas e nos permitindo alcançar milhares de vidas com a Sua Palavra. Deus te abençoe!

Chamado para a Bolívia: Como Deus nos levou ao campo

Algo que realmente enche o meu coração é o desejo de compartilhar com vocês tudo aquilo que o Senhor tem feito e continua fazendo através das nossas vidas.

Quando ainda estávamos no Paraguai, até o ano de 2005, eu e minha esposa buscávamos uma direção de Deus para nossas vidas. Nosso alvo era permanecer no Paraguai. Não queríamos ir para outra nação. Nosso desejo era continuar ali, pregando o Evangelho, ganhando vidas, porque víamos a grande necessidade daquela nação em ser alcançada pela mensagem do Evangelho. Esse desejo ardia no nosso coração.

Peniel, Mina e Deborah

Durante esse tempo, trabalhávamos intensamente. Eu atuava nos presídios e minha esposa me ajudava com o trabalho nas aldeias. Fazíamos cultos nas casas e tínhamos um trabalho muito ativo. Queríamos ver a igreja crescer, desenvolver o ministério nas prisões de outras cidades, expandir o trabalho de rádio que já tínhamos. A igreja estava crescendo, especialmente entre os jovens.

Acreditávamos que o nosso chamado era ali, que Deus nos havia levado ao Paraguai para fazer aquela obra florescer.

Mas então, um dia, um pastor veio à nossa casa. Eu o convidei para almoçar. Enquanto minha esposa preparava a comida, ele nos chamou para conversar. Abriu o livro de Isaías e começou a ler. Eu fiquei me perguntando qual era o propósito daquilo. Então ele parou, olhou para nós e disse: “Não criem raízes aqui. O Senhor manda dizer que vai tirar vocês daqui e levar para outra nação.”

Confesso que era tudo o que eu não queria ouvir naquele momento. Meu desejo era que Deus dissesse que estava feliz com o que fazíamos e que o trabalho ali cresceria muito. Mas foi o contrário. O Senhor nos disse que nos tiraria do Paraguai e colocaria em nossas mãos um trabalho que cresceria e se expandiria.

O pastor disse ainda que eu precisaria viajar de avião de um lado para outro para atender esse trabalho e que Deus colocaria um povo sedento sob nossos cuidados — e que via muitas crianças também.

Peniel Dourado e Mina nos primeiros dias em Bolívia

Guardei aquela palavra no coração, mesmo sem querer aceitar. Minha esposa me perguntou o que eu achava, e eu disse: “Se for de Deus, vai se cumprir. Mas por enquanto, seguimos trabalhando aqui.”

Pouco tempo depois, talvez uma ou duas semanas, um jovem apareceu em nossa casa, tremendo e suando frio. Disse que estava passando por perto e que Deus havia lhe dado uma palavra para mim. Ele contou que estava indo entregar um pacote para outro pastor e, ao orar, ouviu Deus mandá-lo ir até minha casa.

Ao hesitar, começou a tremer e suar frio. Pediu perdão ao Senhor, voltou e veio entregar a mensagem: “Deus manda dizer que vai te tirar deste lugar e te levar para outra nação, onde colocará uma obra nas tuas mãos, e ela crescerá.”

Era exatamente a mesma palavra que o pastor havia nos dado dias antes. Mais ou menos um mês depois, uma irmã estava em nossa casa. Oramos antes de levá-la à rodoviária. Durante a oração, ela também falou as mesmas palavras que o jovem e o pastor haviam dito.

Amado, nossa ida para a Bolívia — e o início do Programa de Apoio Evangelístico — não foi um plano pessoal. Não nasceu no nosso coração. Eu, sinceramente, nunca desejei isso. Apesar de, desde 1998, já trabalhar com literatura no Paraguai ao lado do meu cunhado, esse chamado missionário específico nunca foi algo que eu desejei ou planejei. Fomos, literalmente, empurrados por Deus para dentro desse projeto.

Na região de fronteira entre Brasil e Paraguai dentro de um barco no rio Paraguai

Depois de entender que Deus queria nos tirar do Paraguai, o grande dilema era: “Para onde iremos?” Eu não sabia se era Moçambique, Angola, Peru, França… não fazia ideia. Então comecei um período de oração intensa, sozinho no meu quarto, todos os dias. Conforme eu orava, Deus foi colocando no meu coração o desejo de passar adiante todas as responsabilidades que eu tinha: o trabalho no presídio, o programa de rádio, a igreja. Fiz isso aos poucos.

Depois de cerca de um mês de oração e preparação, certo dia, enquanto orava, Deus falou claramente ao meu coração: “Você vai para a Bolívia.” Pulei de alegria, literalmente, dentro do quarto. Mas logo me lembrei que minha esposa havia dito, meses antes, ao conhecer a fronteira com a Bolívia: “Esse aqui é o último lugar do planeta Terra onde eu quero morar.”

Fiquei apreensivo. Fui até a cozinha, onde ela estava cozinhando, e disse: “Mina, o Senhor me falou que é para irmos para a Bolívia.” Ela me olhou e disse: “Você tem certeza que foi Deus?” Respondi: “Tenho.” E ela disse: “Se foi Deus quem falou, então é para lá que nós vamos.”

Aquilo foi uma confirmação tremenda para mim. Depois disso, começamos a orar juntos, buscando a direção de Deus sobre qual cidade na Bolívia deveríamos ir. Durante a oração, o Senhor nos revelou: “Santa Cruz de la Sierra.” Sinceramente eu e Mina não escolhemos a cidade de Santa Cruz de la Sierra e nem mesmo conhecíamos a cidade, mas o próprio Deus nos mostrou a cidade de Santa Cruz.

Região de fronteira entre o Brasil e Bolívia (2006)

Ficou muito claro. Ninguém podia tirar isso do nosso coração. E orando mais ainda, Deus disse: “A tua casa está próxima ao segundo anel.” Hoje é fácil ver na internet que Santa Cruz é formada por anéis — avenidas circulares que organizam a cidade. Na época, sem internet em casa, não sabíamos disso. Mas confiamos.

Havia ainda um grande desafio: a questão financeira. Quem nos sustentaria na Bolívia? Oramos muito. Fomos a uma chácara para buscar a Deus e, durante a oração, o Senhor falou claramente: “Vende tudo e vai.”

Vendemos tudo: carro, móveis, roupas, livros. Ficamos só com algumas malas. Fomos à Bolívia pela primeira vez, conhecemos a fronteira, e foi ali que descobrimos que minha esposa estava grávida de dois meses da nossa filha Débora. A preocupação aumentou, mas a fé permaneceu.

Retornamos ao Paraguai, organizamos as documentações e voltamos à Bolívia. Ficamos um tempo na fronteira por conta da gravidez. Era quente, seco, cheio de fumaça, mas sabíamos que estávamos no centro da vontade de Deus.

Peniel e Mina cantando no culto na Base de Apoio em Bolívia

Na fronteira, começamos a ter os primeiros contatos com o povo boliviano, com os quechuas, aymaras, e começamos a aprender sobre aquela nova cultura. Em oração, eu dizia ao Senhor: “Eu não amo esse povo. Tu me trouxeste para cá, mas eu não os amo.” E Deus respondeu: “Eu vou te ensinar a amar esse povo.” E foi exatamente isso que Ele fez.

Hoje, mesmo estando de volta ao Paraguai, ainda estamos ligados à Bolívia, ao projeto que nasceu ali, e amamos aquela nação profundamente.

Mesmo sem ter sustento, Deus começou a mover pastores. Um deles veio visitar e disse: “Deus tocou no nosso coração para apoiar o seu ministério.” E assim começou nosso sustento. Outros pastores vieram depois, cada um oferecendo uma ajuda mensal. Deus foi confirmando que era Ele quem sustentaria a obra.

O Programa de Apoio Evangelístico não nasceu no meu coração. Foi Deus quem plantou, desenvolveu e tem sustentado. Já são mais de 15 anos de trabalho, muitos evangelistas apoiados, toneladas de literatura enviadas para vários países, e muitas portas ainda abertas — Peru, Chile, Argentina, Brasil.

Pastor Peniel, Mina e a pequena Deborah

Temos limitações: falta de obreiros e falta de recursos. Mas cremos que Deus, no tempo certo, enviará os recursos e os trabalhadores certos. Porque a obra é Dele.

Quero finalizar este testemunho dizendo que, na obra de missões, muitas vezes somos enviados para lugares onde não queremos ir. Deus nos chama para fazer coisas que nunca planejamos e realizar uma obra mesmo quando não temos capacidade ou recursos financeiros.

Mas a capacidade vem do Senhor Jesus, assim como os recursos para realizar o trabalho. Se mantivermos o coração firme Nele, entendendo que Ele é o Senhor da obra missionária e das nossas vidas, grandes coisas acontecerão, pois tudo é dEle, por Ele e para Ele, para sempre.

Basta confiar e deixar Deus agir. Mesmo em meio às lutas, provações e privações, o propósito do Senhor será cumprido, e em tudo, Jesus será glorificado.

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