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Intercessão Espiritual: A Chave para Missões Frutíferas

Você já sentiu que, às vezes, parece que está pregando para as paredes ou que suas orações batem no teto e voltam? Não é impressão sua: existe um ‘bloqueio de sinal’ espiritual tentando te parar. Mas a boa notícia é que a estratégia para vencer esse jogo já foi revelada.

No texto de hoje, vou expor — com base em algumas experiências reais que tivemos na Bolívia e, o mais importante, no que diz as Escrituras sobre o assunto e quero usar o que o profeta Daniel declarou.

Querido missionário, saiba que a oração é o seu maior trunfo para fazer missões e é o maio eficiênte para quebrar as barreiras que impedem o agir de Deus no campo de missões.

Pastor Peniel e Mina

O Poder da Intercessão e a Oposição Espiritual

Satanás se opõe às orações do povo de Deus mais do que a qualquer outra prática espiritual, pois conhece o poder e os resultados que se manifestam quando a Igreja decide clamar de forma unida por uma causa específica.

O apóstolo Paulo deixa claro que nossa luta não é meramente humana, mas espiritual, travada contra forças malignas que atuam nas regiões espirituais (Efésios 6:12). Por isso, a oração perseverante torna-se uma arma essencial na batalha espiritual, fortalecendo a Igreja e abrindo caminhos para a ação de Deus.

No campo missionário, ao entrar em um novo ambiente cultural, o obreiro frequentemente se depara com pessoas que vivem debaixo de opressões espirituais e influências malignas. Praticamente todo o ambiente está viciado pela influência maligna justamente pela falta da presença da Palavra de Deus.

Nessas realidades, o inimigo fará todo o possível para proteger suas fortalezas espirituais e manter vidas presas à cegueira espiritual, conforme Paulo afirma que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos (2 Coríntios 4:4).

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Contudo, o missionário representa uma ameaça real às forças das trevas, pois não atua em sua própria autoridade, mas na autoridade que lhe foi concedida por Deus. Em Cristo, ele foi capacitado para triunfar sobre todo poder inimigo. A autoridade espiritual do missionário está firmada na vitória de Cristo sobre os principados e potestades (Colossenses 2:15).

Assim, o missionário no campo transcultural atua como um verdadeiro embaixador do Reino de Deus, chamado para cumprir fielmente as ordens do Rei. Paulo descreve essa missão ao afirmar: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2 Coríntios 5:20).

Algum tempo atrás eu estava lendo um livro do Irmão André, observei que ele realizava as chamadas “viagens de reconhecimento”. Antes de atuar em uma localidade, ele a visitava para observar a movimentação do povo, as barreiras e as influências espirituais. Somente após retornar à base é que ele passava à etapa seguinte: orar especificamente pelos problemas que havia presenciado.

Estátua da Virgen de Socavon em Oruro – Bolívia

Experiência em Oruro, Bolívia

Eu mesmo apliquei essa estratégia pela primeira vez no ano de 2010 quando fomos visitar a cidade de Oruro, na Bolívia. Nas duas primeiras visitas, notei que o povo não reagia à exposição da Palavra. Ninguém pedia oração quando estávamos nas ruas pregando, não solicitava folhetos ou sequer reclamava do som do nosso megafone. A impressão era de que estávamos invisíveis.

Em três situações diferentes, obreiros de igrejas distintas me repetiram exatamente a mesma frase: “Pastor Peniel, ajude-nos, pois estamos cansados.” Era a mesma expressão, dita com o mesmo tom de voz. Quando ouvi essa frase pela terceira vez, meu coração bateu mais forte, e o Espírito de Deus me sinalizou que algo profundo e sério estava acontecendo no meio da igreja local da cidade de Oruro independente da denominação.

Fernando Sanches pregando na cidade de Oruro – Bolívia (2010)

Diante disso, retornei a Santa Cruz de la Sierra e entrei em contato com diversos líderes de grupos de intercessão na Bolívia, no Brasil e na Argentina. Alguns nomes já estavam em meu coração, e compartilhei com cada um deles a situação espiritual que a cidade de Oruro enfrentava. Nós mesmos nos entregamos à oração por aquela região, conscientes de que desejávamos ver resultados, mas sabendo que a batalha espiritual não seria fácil e que o inimigo não cederia terreno sem resistência.

Eram verdadeiros guerreiros de oração, que passaram a clamar por nossas vidas, pelo avanço do evangelismo e pelos habitantes de Oruro. E o resultado foi marcante: no terceiro trabalho de impacto que realizamos, mal conseguíamos pregar nas praças, pois as pessoas se formavam em filas pedindo oração. Muitos entregaram suas vidas a Cristo, enquanto outros se reconciliaram com o Senhor. Foi, sem dúvida, uma experiência impressionante e profundamente transformadora.

O Exemplo do Profeta Daniel

No livro do profeta Daniel, vemos claramente essa oposição maligna ao agir de Deus. O Espírito Santo deseja operar e transformar vidas, mas haverá resistência espiritual. Daniel ainda era jovem quando foi levado cativo para a Babilônia, em 605 a.C., mas Deus transformou o cativeiro em uma oportunidade para que ele ocupasse uma posição-chave no maior império da época.

Assim, Daniel foi usado por Deus por meio do dom de interpretação de sonhos, dom esse que, mais tarde, se manifestaria também em visões tão detalhadas sobre o futuro que muitos chegaram a questionar a autenticidade de seu livro. Ainda assim, a precisão dessas revelações confirma a ação soberana de Deus ao longo da história.

Grupo de evangelismo em Bolívia. Na foto, sainde de Cochabamba a Oruro (2010)

No primeiro ano do governo de Dario, Daniel compreendeu, pelas Escrituras do profeta Jeremias, uma revelação específica a respeito do tempo determinado para Jerusalém (Jeremias 25:13). Ao discernir as implicações espirituais dessa palavra, ele iniciou sua conhecida oração de intercessão. Daniel começou confessando seus próprios pecados — mesmo sendo reconhecido como um homem fiel entre os judeus — e passou a clamar pelo perdão e pela restauração de todo o povo.

“Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém […] ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto” (Dn 9:16-17).

Sua súplica tornou-se ainda mais intensa: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes…” (v. 19). Aqui aprendendo não apenas que devemos orar, mas como orar por uma determinada região.

Enquanto Daniel permanecia em oração, Deus enviou o anjo Gabriel, que revelou como o reino das trevas se opõe aos santos:

“Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras […] Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me” (Dn 10:12-13).

O anjo Gabriel ainda revelou a Daniel que a batalha espiritual continuaria, agora envolvendo o chamado “príncipe da Grécia”. Ele explica que o “príncipe do reino da Pérsia” não era um governante humano, mas uma força espiritual maligna que atuava por trás daquele império, influenciando seu desenvolvimento, suas decisões e todo o ambiente espiritual da nação (Daniel 10:13; Daniel 10:20).

Essa revelação deixa claro que, por trás dos impérios humanos, existe uma atuação espiritual invisível, mas real. A própria Escritura afirma que nossa luta não é contra pessoas, mas contra principados, potestades e forças espirituais do mal que operam nas regiões celestiais (Efésios 6:12).

Pastor Peniel Dourado fazendo a distribuição da Palavra de Deus escrita em Oruro, Bolívia

Ao olharmos para o cenário político de nossa nação e as demais nações, precisamos compreender que essa realidade espiritual infelizmente não mudou. Os principados continuam atuando, governando e influenciando povos e nações. Maus governos, administrações corruptas, leis perversas e uma sociedade cada vez mais inclinada ao pecado são reflexos dessa influência espiritual maligna. O apóstolo Paulo afirma que o mundo jaz sob influência espiritual contrária a Deus, sendo guiado por poderes que atuam na desobediência (Efésios 2:2).

Além disso, Paulo declara que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos, impedindo que percebam a luz do evangelho (2 Coríntios 4:4). Essa cegueira espiritual contribui para a normalização da injustiça, da perversidade e da rejeição aos princípios de Deus, revelando a ação contínua de principados e demônios sobre sistemas, culturas e governos.

A cegueira espiritual faz com que cristãos fracos e sem discernimento aceitem a perversidade exposta por seus governantes. Muitos acabam votando e até defendendo governos corruptos, sem perceber as consequências espirituais de suas escolhas apenas olhando como uma participação cívica.

É importante lembrar que o voto dado pelo cristão deve ser consciênte e não apenas emocional, pois poderá ser usado por Satanás como uma forma de levar crentes enfraquecidos e desinformados a concederem legalidade à sua atuação maligna na região neutralizando suas orações.

Quando um crente vota e passa a apoiar determinado governo que trazem a bandeira satânica, ele acaba, de alguma forma, participando das decisões, da corrupção e das ações demoníacas associadas ao principado que atua naquela região. Essa participação nem sempre é consciente, mas revela falta de discernimento espiritual e de compreensão do conflito invisível que existe por trás das estruturas humanas.

Essa é uma das razões pelas quais muitas autoridades tentam limitar ao máximo a presença de missionários para não gerar influência. O missionário traz uma visão externa, livre de alianças locais, e carrega consigo a intercessão de homens e mulheres comprometidos com a oração. Sua presença atrai um verdadeiro mover de intercessão do povo de Deus, que enfraquece a atuação dos principados espirituais no local onde o trabalho missionário acontece.

Pastor Peniel Dourado e alguns dos evangelistas na cidade de Oruro, Bolívia

Voltando ao exemplo do profeta Daniel, vemos que anjos caídos resistiram ao mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, porque Satanás não queria que a oração de Daniel fosse respondida. Foi necessário que o arcanjo Miguel viesse em auxílio de Gabriel. Daniel permaneceu em jejum e oração por vinte e um dias — exatamente o tempo da batalha espiritual necessária para que as forças de Deus prevalecessem.

Você percebe que uma verdadeira guerra por território espiritual foi desencadeada por causa da oração de um homem de Deus? Se Daniel tivesse se levantado para fazer política ou tentado mudar aquela realidade usando apenas armas humanas, que resultado teria alcançado? Provavelmente muito pouco.

Em vez disso, ele fez aquilo que todo homem e toda mulher de Deus podem fazer para gerar transformação real: orou, buscou a Deus e confiou na ação divina, que é a única capaz de produzir resultados verdadeiros no ambiente em que estamos inseridos.

Antes de Ir ao Campo, Dobre os Joelhos

Diante de tudo isso, entendemos que o verdadeiro campo de batalha das missões não começa nas ruas, mas no secreto da oração. Antes de estratégias e planos, existe um confronto invisível que só é vencido por homens e mulheres dispostos a dobrar os joelhos diante de Deus.

Daniel nos ensina que uma pessoa comprometida com jejum, oração e humilhação pode mover realidades espirituais e impactar cidades inteiras. A resposta divina pode parecer tardia aos olhos humanos, mas nunca chega atrasada. Desde o primeiro dia, Deus ouve o clamor sincero.

O desafio permanece: temos confiado apenas em métodos ou sustentado o avanço do Reino com intercessão perseverante? Se desejamos territórios transformados, igrejas fortalecidas e vidas restauradas, precisamos começar onde Daniel começou.

Video Sobre Missões

Eu vou colocar logo abaixo um vídeo onde eu conto sobre nossa experiência na cidade de Oruro. Assista e não deixe de compartilhar

Eu espero que você assista o video que eu coloquei logo acima. E também tenho uma playlist com vários outros testemunhos sobre a vida em missões. Se você quiser acessar a playlist CLIQUE AQUI

Deus te abençoe e continue orando por nossas vidas

Por que muitos projetos missionários não avançam?

Você já teve uma ideia de um projeto missionário que parecia extraordinária, mas que, com o tempo, acabou ficando pelo caminho?

No campo missionário, isso acontece com mais frequência do que muitos imaginam. Grandes projetos começam com entusiasmo, mas poucos permanecem firmes quando surgem os desafios do caminho.

Pr Peniel Dourado e irmão Rogerio no Maranhão

Foi ao rever o vídeo gravado com o irmão Rogério que percebi lições profundas e extremamente práticas para quem deseja iniciar ou fortalecer um projeto missionário. São princípios simples, porém decisivos, que fazem toda a diferença na caminhada.

Por isso, se você sente um chamado para missões, recomendo que assista a esse vídeo com atenção — mais de uma vez.

Ao rever o conteúdo, identifiquei alguns pontos de extrema importância. Se o seu desejo é desenvolver um projeto missionário no campo, aconselho que assista ao vídeo pelo menos três vezes e faça suas próprias anotações.

A cada vez que você assiste, novos detalhes se tornam claros, especialmente quando aprendemos com alguém que vive a realidade do campo diariamente.

O primeiro ponto que destaco é a visão de trabalho.

O missionário precisa ter uma visão dada por Deus, e não apenas uma boa ideia. Ideias podem ser abandonadas ao longo da caminhada, mas uma visão que nasce no coração por direção divina permanece firme, mesmo em meio às lutas.

A visão é como um filho que começa a ser gerado dentro de nós.

Certo pastor fez uma comparação muito esclarecedora ao relacionar a visão com o que Deus fez com Maria. O Senhor lhe deu a Palavra, e aquela promessa começou a crescer em seu interior até se tornar realidade.

Da mesma forma acontece com o missionário e o projeto de missões. Deus entrega a Palavra, ela cresce com o tempo e jamais é abandonada por quem realmente recebeu essa visão.

Quando alguém se apoia apenas em uma “brilhante ideia” para trabalhar em missões, muitas vezes, diante das primeiras dificuldades, essa ideia acaba sendo deixada de lado.

Mas quando existe visão, existe perseverança, fidelidade e disposição para continuar, mesmo quando os resultados ainda não aparecem.

O segundo ponto é fazer primeiro com o que se tem.

O irmão Rogério iniciou o trabalho usando os recursos que estavam ao seu alcance. Ele investiu do próprio bolso até onde pôde, sem esperar condições ideais.

Em seguida, avançou para o terceiro ponto, que é o envolvimento. Pessoas se unindo à visão, caminhando juntas e sustentando a obra. Eu acredito que a maior parte de quem iniciar um projeto de missões fica justamente aqui.

Por isso, assista ao vídeo com atenção.

Permita-se aprender com a experiência de quem já está no campo há mais de quatro anos, servindo fielmente na obra do Senhor Jesus.

Talvez ali esteja a resposta que você precisa para dar o próximo passo.

Se você ama missões e deseja aprender com quem vive a realidade do campo, assista ao vídeo, inscreva-se no canal e compartilhe com outros que também carregam esse chamado no coração.

O segredo para não cansar no campo missionário

Sabe aquele segredo de bastidor que ninguém conta, mas que define se um projeto decola ou fica pelo caminho? Recentemente, em São Luís do Maranhão, caminhei com o irmão Rogério e gravamos algo que é puro “ouro” para quem ama missões.

Se você quer entender alguns pontos cruciais do desenvolvimento do projeto de missões no campo, você precisa conferir o que está no vídeo logo abaixo.

Passei alguns dias em São Luís acompanhando o trabalho incrível que o irmão Rogério desenvolve com o evangelismo local e o serviço de apoio aos evangelistas com os materiais impresso. Entre uma rua e outra, conversamos sobre o que realmente faz a engrenagem de missões girar: orientação divina, visão de trabalho, manutenção, voluntariado e desenvolvimento estratégico.

O vídeo acima de 38 minutos tem muita instrução prática ao desenvolvimento do projeto. Nele, abordamos sobre assuntos que, geralmente, ficam restritos apenas às conversas entre missionários. São pontos vitais que podem transformar o desenvolvimento do trabalho no campo.

O Rogério não é nenhum iniciante. Ele já está na estrada há mais de quatro anos no evangelismo com literatura e apoio local. Mas o grande “segredo” não foi o tempo de serviço, e sim o que ele aprendeu na prática: o esforço solitário tem um limite curto.

No começo, como muitos de nós, ele tentava fazer tudo com os próprios recursos, usando o próprio dinheiro, mas logo percebeu que o segredo do crescimento não é ser um super herói individual, mas saber envolver pessoas que abraçam a mesma visão.

Sabe por que muitos projetos missionários morrem cedo? Pela barreira da centralização. Começar com o que você tem no bolso é louvável, mas insistir em fazer tudo sozinho é limitar o avanço do Reino. Quando o projeto cresce, os custos sobem e a demanda aperta; se o missionário não tiver ajudadores, ele cansa, esgota e, infelizmente, para.

A obra de Deus não foi feita para ser um fardo pesado em um ombro só. Se a visão é grande, o time também precisa ser. Envolver parceiros e voluntários não é apenas estratégia de gestão, é maturidade espiritual. É entender que o Reino se constrói no coletivo.

Pr Peniel Dourado e irmão Rogerio no Maranhão

Assim, querido irmão, não deixe o seu chamado morrer no cansaço do isolamento. O Reino de Deus não precisa de super-heróis exaustos, mas de servos que saibam caminhar juntos. Como diz o livro de Provérbios:

“Onde não há conselho os projetos saem vãos, mas na multidão de conselheiros se estabelecem.” (Provérbios 15:22)

O seu desafio hoje é: quem você pode envolver para somar forças e trabalhar junto com você? Como o próprio Rogério destaca no vídeo, quem tenta fazer tudo sozinho acaba se desalinhando do propósito de Deus.

O Senhor nos dá a visão, mas Ele espera que saibamos compartilhar essa missão. Envolver outros não é apenas uma estratégia de gestão, é um princípio bíblico de corpo.

Assista ao vídeo e me conte nos comentários: qual desses pontos de bastidores mais chamou sua atenção? Se este conteúdo abriu seus olhos, não guarde para você. Compartilhe com quem também tem o coração ardendo por missões!

Lembre-se: “É melhor serem dois do que um… Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro” (Eclesiastes 4:9-10). O Reino não é feito de heróis solitários, mas de servos que caminham juntos.

O Desafio da Obediência no Chamado

Sabe aquela pergunta que sempre volta quando alguém sente o coração arder por missões? “Mas… e o dinheiro?” Pois é. Hoje vamos conversar justamente sobre isso. De forma simples, direta e verdadeira — como quem senta na sala com você, olha nos olhos e diz: “Eu já passei por aí também.”

Deus tem colocado uma visão no nosso coração — e é lindo ver que essa mesma visão tem alcançado o seu. O desejo de ver a obra avançar não nasce em nós mesmo, mas nasce no coração de Deus. E por isso peço: continue orando por nós.

Pastor Peniel apresentando o projeto em São Luis do Maranhão (2025)

Hoje enquanto levava os meninos ao colégio e faculdade, pensei em escrever sobre um assunto que vira e mexe chega até mim: a questão financeira no chamado missionário.
A pergunta costuma ser sempre a mesma: “Pastor, eu quero fazer missões… mas quem vai manter? Quem vai pagar as contas?

1. A Primeira Prova do Chamado

Deus sempre prova uma pessoa antes de colocá-la na obra missionária. Eu olho para a Bíblia e vejo isso e se você está na obra de missões e não passou por nenhuma prova algo está errado. Mas sabe porque o Senhor Jesus prova? Sabe quem deve saber o resultado? Não é o seu pastor. Não é o pai, a mãe, o esposo ou a esposa. Não, querido irmão. A prova vem para mostrar a você quem quem foi ou não foi aprovado. Você é o alvo do prova.

É você quem Deus trata, molda, confronta e convence: “Eu estou aqui porque Deus me chamou — e não pelo dinheiro.” Da mesma forma é você saberá com todas as letras que você foi reprovado por causa do dinheiro.

A maioria das pessoas olha para o trabalho missionário com a mentalidade comum do mundo: trabalha-se para ganhar, e quanto maior a oportunidade, maior o ganho. Então, quando alguém vê um missionário deixando emprego, estabilidade e oportunidades, imagina: “Ele deve ter encontrado uma forma melhor de viver.

Pastor Peniel Dourado

Você já viu alguém simplesmente deixar um emprego para ganhar cinco vezes menos por nada? Alguém faz isso? Não. As pessoas mudam até de cidade por um emprego que dará uma renda melhor. Este é o natural da vida e não estou dizendo que é errado. As coisas funcionam assim mesmo.

Mas na obra de missões a frequencia é diferente. Geralmente existe uma perca gigandesca por se entregar ao serviço de missões. A reda cai, o padrão de vida vai lá pra baixo, o churrasco do final de semana desaparece e o carro é trocado por uma biscicleta.

E não quero dizer que será sempre assim e nesta mesma ordem, mas as provas virão.

2. Quando Deus Chama, Ele Prova

É como com Abraão. Deus deu a ele uma promessa — e depois provou essa promessa por 25 anos. Chamado funciona do mesmo jeito. Deus chama, fala, confirma… mas o recurso não aparece. E então você precisa decidir: Vou obedecer mesmo sem ver? Vou dar o passo mesmo sem ter?

Abaão recebeu a promessa de Deus que teria um filho quando tinha 75 anos de idade (Gênesis 12:4). O nascimento do filho da promessa veio quando Abraão tinha 100 anos de idade (Gênesis 21:5). Foram 25 anos esperando Deus cumprir o que havia prometido. Você já parou para pensar o que passou Abraão nesses 25 anos?

Recebendo materiais em Bolívia (julho 2025)

Querido irmão, muita gente não entra na obra porque olha para o chamado e pergunta: “Quem vai manter?” E quando não vê a resposta imediatamente, volta para trás. Mas não se engane: o reino de Deus não para porque alguém disse “não”. Uma palavra poderosa que o Senhor Jesus tem ministrado ao meu coração nos últimos anos é que para cada pessoa que recusa o chamado, Deus tem “sete mil” prontas — e normalmente melhores preparadas do que nós.

Eu uso este “cálculo” com base no texto de 1 Reis 19:18 onde o Deus diz a Elias “conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que não o beijou.” Se você acho que é grande coisa e que o Reino de Deus vai parar porque você diz não, saiba que existe sete mil na fila.

E por que eu digo que os sete mil são melhores que você? A base que temos é de 1 Co 1:27-28, que diz: “(27)Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. (28) Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo e as desprezadas, as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se glorie diante dele

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

Assim, Deus escolheu você sem nenhum conhecimento, o fraco entre muitos, o insignificante da turma, o que não era nada para que você não se glorie pelo que o Espírito de Deus vai fazer através de você.

3. Deus Escolhe Diferente do Mundo

O mundo, em sua lógica humana e corporativa, escolhe o melhor, o mais capacitado, o mais experiente. A sociedade valoriza o currículo impecável, o histórico de sucessos comprovados e a autossuficiência.

Deus faz o contrário, e essa é a essência revolucionária do Evangelho. Ele escolhe o menor, o improvável, o que não tem condição nenhuma — justamente para mostrar que o poder é d’Ele e que a glória pertence somente a Ele.

O Apóstolo Paulo sintetiza essa estratégia divina de forma poderosa:

“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.” (1 Coríntios 1:27)

Deus usa os vasos de barro, os imperfeitos, os humildes, para que, ao manifestar-se o poder, fique claro que a “excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7). A escolha não se baseia na nossa capacidade, mas na fidelidade do Senhor Jesus a sua própria Palavra.

Eu e minha família no campo de missões (2015)

Apesar da generosidade e paciência de Deus, o chamado exige uma resposta. Se a pessoa inicialmente chamada se recusa ou se sente indigna e se esquiva persistentemente (como fez Moisés inicialmente), Deus, em Sua soberania, tem mais sete mil.

Essa perspectiva nos leva à humildade, reconhecendo que sim, sempre haverá alguém melhor que nós aos olhos do mundo. No entanto, o que importa é estarmos disponíveis e dependermos Daquele que garante: A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)

4. O Segundo Estágio: A Prova da Renúncia

Ao nos engajarmos na obra de Deus e testemunharmos as portas se abrindo, uma prova crucial se apresenta: a necessidade de abrir mão daquilo que Deus mesmo nos deu.

Veja o exemplo de Filipe, o Evangelista. Ele estava em Samaria, no meio de um grande avivamento, onde milagres e salvação aconteciam por todos os lados. É o sonho de qualquer evangelista! Contudo, o anjo do Senhor chega com uma ordem inesperada: “Levanta-te, e vai para o caminho que desce de Jerusalém para Gaza; este é deserto” (Atos 8:26).

Tem algum sentido isso? Não fazia sentido. Por que abandonar um sucesso evidente por um deserto isolado? A resposta é que missão não é sobre sentido; é sobre obediência. Muitos falham neste estágio. Quando Deus diz “deixa isso”, muitos respondem “não”. E, novamente, Deus levanta outro para prosseguir.

E se você estivesse no lugar de Abraão? Após 25 anos de espera, quando finalmente tinha Isaque, o filho da promessa, o Senhor o testa com a ordem mais dolorosa: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto” (Gênesis 22:2). Abrir mão da promessa, do futuro, é um sacrifício imenso.

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Não seria essa resistência em entregar o “nosso Isaque” o motivo pelo qual o campo missionário tem tão poucos obreiros? Acredito que a seleção divina é realmente dura e poucos a superam.

Muitos dizem “não” ao Senhor e ao chamado por causa de um relacionamento amoroso, ou por não quererem abrir mão da casa que levou anos para ser conquistada, pela vaga no emprego, faculdade; Já encontrei quem se recusou a ir ao campo por ter lutado anos para alcançar o pastorado, argumentando que, no campo, qualquer um é chamado de missionário — um cooperador, um diácono, e assim por diante. Essa vaidade de título se torna uma barreira.

Desta forma, a seleção divina avança. Os homens dizem “não”, mas a Obra de Deus não para. A fila dos dispostos caminha, pois, como em Israel, sempre haverá um remanescente fiel:

“Mas deixarei ficar em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.” (1 Reis 19:18)

O propósito do Senhor se cumpre, independentemente dos nossos “nãos”.

5. O Estágio da Maturidade

A caminhada de fé nos ensina que, à medida que avançamos na jornada e no serviço, o padrão de exigência de Deus se eleva. Veja o exemplo de Abraão. Depois de tantos anos caminhando com Deus, já em idade avançada, o Senhor lhe faz uma demanda crucial: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1). Por quê?

Porque, ao atingirmos essa fase de maturidade espiritual e de serviço, há muitas pessoas observando: filhos, netos, novos obreiros e os irmãos da igreja. Um único erro de quem deveria ser exemplo terá um impacto grande demais, com consequências difíceis de corrigir posteriormente.

É como um navio em manobra final para atracar no porto: qualquer erro de cálculo no fim da jornada causa um acidente enorme. Assim, de quem já tem um bom tempo de serviço missionário ou na Obra de Deus, é exigido o “sê perfeito”.

Observamos que muitos são cortados precocemente das fileiras de liderança para que o raio de sua influência não cresça o suficiente a ponto de gerar um estrago maior ao Reino.

As Escrituras estão repletas de exemplos onde a desobediência, mesmo em atos aparentemente pequenos, resultou na perda de grandes promessas ou posições:

  • Esaú foi cortado por menosprezar seu direito de primogenitura, vendendo-o por um simples prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34).
  • Moisés bateu na rocha em vez de apenas falar com ela, conforme a ordem divina, e por essa razão não pôde entrar na Terra Prometida (Números 20:10-12).
  • Sansão perdeu sua força sobrenatural por quebrar seu voto de nazireado, permitindo que seu cabelo fosse cortado (Juízes 16:17-21).
  • Saul perdeu seu trono e sua dinastia por oferecer um holocausto que não lhe cabia e por não destruir totalmente os amalequitas, sendo desobediente à voz de Deus (1 Samuel 13:13-14).

Às vezes, refletimos sobre a dureza de Deus. Aos nossos olhos, Ele poderia ter deixado passar o “pequeno escorregão” de Moisés, considerando tudo o que ele já havia feito. Mas, quais seriam as consequências de fechar os olhos e permitir que um líder de tamanha importância estabelecesse um precedente de desobediência? E como ficaria a figura de Cristo naquela rocha? O padrão divino é sempre a santidade e a obediência completa.

No período da maturidade, nossa voz mais forte são nossas ações e nosso exemplo. A palavra de Deus para nós hoje é a mesma que Ele deu ao ancião Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1).


Pense nisso:

O chamado para a missão nunca começa com a garantia de recursos; ele começa com a fidelidade ao Senhor.

Quando nossa vida se mantém firme e obediente a Deus, os recursos vêm, pois o próprio Deus é o Fiel a sua Palavra e o Mantenedor de Sua obra. A provisão divina segue a obediência.

Esta verdade nos traz segurança, conforme prometido em Sua Palavra: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:24).

Sabemos que a vida em missões é desafiadora, e talvez você tenha sido confrontado por este texto hoje. Mas confie: se Deus chamou você, Ele mesmo cuidará de cada passo do caminho, garantindo que Sua obra seja cumprida.

O Desafio da Obediência no Chamado

Eu tenho um vídeo em nosso canal no Youtube onde fiz um vlog mostrando meu dia a dia no campo de missões e fala sobre este assunto. Se você estiver interessado poderá assistir clicando no link – CLIQUE AQUI

Capa do vídeo no Youtube

Não esqueça de se escrever em nosso canal e acompanhar nossos vídeos que postamos periodicamente.

Deus te abençoe

Obediência: A Chave para a Missão Transcultural Eficaz

Para um missionário no campo transcultural, o chamado é uma jornada permanente na confiança e permanência na palavra que lhe foi dada pelo Senhor Jesus para o chamado, a constante dependência da direção do Espírito de Deus aos passos dados.

Diariamente, somos confrontados com a necessidade de nos rendermos à vontade de Deus, deixando de lado nossas próprias preferências, estratégias e lógicas. Deus nos leva a caminhos novos nunca antes trilhados. E essa rendição total à Sua direção é a base para um ministério eficaz e duradouro no serviço de missões.

Peniel e Mina. Pôr do sol à beira do Rio Paraguai, Corumbá, fronteira com Bolívia

Afinal, por que chamamos a Cristo de “Senhor, Senhor”, se não fazemos o que Ele diz? O missionário é chamado para fazer a vontade do Senhor Jesus e não sua própria vontade. A Palavra de Deus nos questiona diretamente sobre a autenticidade de nossa fé e nosso chamado. A autoridade de Cristo sobre nossas vidas não é apenas uma declaração verbal; é uma prática diária de obediência. Isso se aplica de forma intensa à vida do missionário, que deve estar submetido à soberania de Deus em cada passo, em cada decisão.

A obra missionária é do Senhor Jesus e nós somos seus servos. Ele é o verdadeiro dono de tudo o que se faz na obra e é dEle que devemos buscar respostas para nossas dúvidas e orintações aos nossos possos passos. Quais são tuas dúvidas: Onde fazer missões? O que fazer no campo de missões? Onde servir? Até quando servir? O Dono da obra tem respsota para cada uma de nossas dúvidas.

O livro de Atos nos mostra claramente isso. A grande expansão da igreja primitiva não aconteceu por estratégias humanas geniais, mas sim por uma obediência radical ao Espírito Santo. Em Atos 13:2, vemos que o Espírito Santo, por Sua própria vontade, separou Barnabé e Saulo para a obra missionária. A iniciativa e o envio partiram d’Ele.

Isso nos lembra que o Espírito Santo é o agente principal da missão. Ele usa Suas ferramentas para que o escolhido vá e desenvolva um trabalho. A experiência do apóstolo Paulo é um exemplo perfeito. Em sua segunda viagem missionária, ele desejava pregar na Ásia, mas o Espírito Santo o impediu, como relata Atos 16:6-7. Não era que a Ásia não precisasse do evangelho, mas Deus tinha um lugar específico para Paulo.

Ele foi direcionado a ir para a Macedônia, atendendo ao chamado do “homem macedônio” através de uma visão (Atos 16:9). Se Paulo tivesse insistido em seus próprios planos, a evangelização da Europa, que mudou o rumo da história, poderia ter sido adiada ou tomada por outro.

Evangelismo em Punata, Bolívia

A lição para nós, missionários transculturais, é clara: não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se Deus nos coloca em uma posição específica, Ele deseja que fiquemos ali e produzamos frutos no lugar específico onde Ele nos colocou. Não é nosso desejo, nossa lógica ou nossa busca por um apoio “mais fácil” que deve nos guiar.

O chamado de Deus pode nos levar a lugares onde o apoio financeiro é escasso, a cultura é desafiadora ou o estilo de vida é menos confortável. No entanto, é a obediência à Sua voz que garante nosso sucesso espiritual, independentemente das circunstâncias externas.

A Missão Construída sobre a Rocha

A raiz do problema de muitos que se desviam do chamado é a falta de um alicerce firme. Jesus nos alerta sobre isso em Lucas 6:47-48. Ele compara aquele que ouve Suas palavras e as pratica a um homem que constrói sua casa sobre a rocha. Para o missionário, a rocha é a Palavra e a direção específica de Deus.

Nossa vida e nosso ministério devem ser edificados sobre essa rocha, cavando fundo para que as tempestades não nos abalem. A vontade de Deus não pode ser negociada. Se Ele o chamou para ser um evangelista, seu foco deve ser o evangelismo, e não o pastorado. E o oposto também é verdade. Cada ministério tem sua especificidade e sua ordem, como descrito em Efésios 4:11, que fala sobre os cinco ministérios.

Batismo na Misión Siloé no Paraguai

O homem que ouve a palavra e a pratica está construindo sua vida sobre a vontade de Deus. Quando as tempestades vêm – a escassez, a solidão, a oposição cultural ou a falta de resultados imediatos –, a sua casa não cai, pois ela tem um alicerce inabalável que é a Palavra de Cristo refletindo a vontade de Cristo Jesus.

No entanto, aquele que ouve a voz de Deus, mas não a pratica, constrói sua casa sobre a areia. Ele se baseia em sua própria lógica, nos argumentos dos outros e em tudo o que parece ser mais fácil ou mais lucrativo. Certamente esse tipo de trabalho cairá.

Muitas vezes, a voz de Deus nos direciona a lugares que, humanamente, não fazem sentido. Podemos ser chamados a trabalhar em um país com poucas igrejas de apoio, ou em uma cidade com uma cultura extremamente fechada ao evangelho. Nesse momento, a tentação é grande de ouvirmos nossos próprios argumentos: “Senhor, as igrejas brasileiras não apoiam missionários na Europa!”, ou “É um lugar difícil de trabalhar!”.

Quando cedemos a esses argumentos e construímos nossa missão em cima de nossa própria lógica, estamos construindo sobre a areia. O trabalho até pode parecer que está dando certo por um tempo, mas quando a tempestade da dificuldade chega, tudo desanda.

Querido amigo missionário, a vida em missões não é sobre o que “dá certo” segundo os padrões do mundo, mas sobre a obediência incondicional àquele que nos chamou. João batista teve uma vida de preparação e desenvolvou o seu ministério em apenas seis meses. Mas esta foi a vontade de Deus.

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

A melhor cidade, o melhor país, o tempo certo de permanência no campo, o melhor trabalho para você é onde Deus te manda. O missionário constrói sua vida sobre a Palavra de Deus, que é o alicerce firme para o serviço de missões.

A tempestade da vida vem para todos, tanto para aqueles que estão na vontade de Deus quanto para os que não estão. A diferença é o que acontece depois que ela passa. O que construiu sobre a rocha permanece de pé, enquanto o que construiu sobre a areia vê sua obra destruída.

Seja Firme no Chamado

A vitória na missão transcultural não está em seguir as “fórmulas de sucesso” ou em buscar o caminho mais fácil. A vitória está em ser fiel à Palavra que Deus lhe deu. A obediência radical, mesmo quando não entendemos o porquê, é a maior prova de amor e fé que podemos dar ao nosso Senhor.

Ele nos conhece e tem um plano perfeito para cada um de nós, como afirma Jeremias 29:11. Nosso papel é estar com o coração aberto e os ouvidos atentos para ouvir Sua voz e seguir Suas ordens. O caminho pode ser difícil e solitário, mas a certeza de que estamos no centro da vontade de Deus é o que nos sustenta e nos garante que a nossa obra não será em vão (1 Coríntios 15:58).

Fique firme no chamado que você recebeu. A sua recompensa não está na visibilidade, no conforto ou na estabilidade, mas na glória de ouvir um dia: “Muito bem, servo bom e fiel” (Mateus 25:23).

Nossos Vídeos sobre Missões

Em nosso canal no YouTube, abordamos temas práticos sobre a vida no campo missionário. Para complementar o assunto deste post, incluímos um vídeo abaixo. Assista e inscreva-se em nosso canal!

O que é Ser Missionário? O Chamado que Transforma Vidas!

Sei que a palavra “missionário” pode soar um pouco distante para alguns. A gente logo pensa naquelas fotos de pessoas em lugares remotos, com vestimentas diferentes e comidas estranhas. Ser missionário é muito mais do que isso. Fazer missões é viver o chamado de Deus para uma Obra específica dada pelo Senhor Jesus.

Peniel N Dourado

Ser Missionário é Viver a Grande Comissão

Quando Jesus ascendeu aos céus, ele nos deixou uma missão clara: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28:19-20).

A palavra “nações” neste versículo é éthnos no grego original, que significa povos ou etnias. É importante lembrar que o conceito de nação que temos hoje surgiu muito tempo depois. A ordem do Mestre, portanto, é que a Igreja vá a todos os povos e etnias que ainda não receberam o evangelho.

A Igreja tem a obrigação de desenvolver o serviço evangelístico local. Aqueles que mobilizam o Corpo de Cristo para o evangelismo recebem o Ministério Evangelístico, conforme apontado em Efésios 4:11. No entanto, além do evangelismo local, a Igreja deve ir a outros povos e etnias, como descrito na ordem de Mateus 28:19.

Assim, ser missionário é responder a essa ordem de avançar com o serviço evangelístico além do limite cultural em que se vive. Não é uma opção para um grupo seleto de “super-crentes”, mas um chamado para todos os que foram alcançados por Ele. Aqueles que são chamados para ir devem ir, e aqueles que ficam devem orar e financiar os que estão na linha de frente.

Mais que uma Viagem, um Estilo de Vida

Ser um missionário não se resume a fazer uma viagem, desenvolver um impacto evangelístico no final de semana. É, antes de tudo, uma vida entregue a ordem recebida. É viver com intencionalidade o serviço confiado no lugar apontado por Deus. O missionário é alguém que:

  • Ora sem cessar: Intercede pelas nações e pelos perdidos.
  • Aprende e ensina a Palavra: Vive e prega o evangelho com ousadia.
  • Serve ao próximo: Pratica o amor de Cristo em ações concretas.

Deus busca corações completamente entregados ao serviço de alcançar almas em lugares onde as vidas não estão tendo a oportunidade de ouvir falar de Cristo.

A Urgência do Chamado

Em um mundo onde milhões ainda não ouviram falar do amor de Deus, a urgência é real. A Seara é grande, mas os trabalhadores ainda são poucos, como o próprio Jesus nos lembra em Lucas 10:2.

Você pode se perguntar: “Mas como posso ajudar?” A resposta é simples: comece por onde você está.

  • Se envolva na sua igreja local. Participe nos trabalhos da Secretaria de Missões de sua igreja.
  • Ore pelos missionários no campo. Sua intercessão é um suporte vital.
  • Considere se tornar um parceiro missionário. A sua oferta é sua participação no serviço de missões. É seu tempo, seu suor, seu conhecimento entregue ao serviço de missões.

Essa é uma das formas de você ir para o campo de missões. O apoio de parceiros é o combustível que nos mantém ativos e atuantes.


Como Conseguir ir para o Campo de Missões?

Depois que o coração entende a urgência e o chamado, a pergunta natural é: “Como eu posso ir?”. O processo pode parecer complexo, mas com a orientação certa e a direção de Deus, ele se torna um caminho de fé e aprendizado.

A primeira coisa é se capacitar. O preparo teológico e prático é essencial, assim como o desenvolvimento de habilidades de relacionamento e adaptação cultural. O trabalho transcultural exige mais do que boa vontade, exige preparo.

Se você sente que o Senhor está te chamando para missões, não guarde isso para si. Ore, converse com sua liderança e pesquise sobre agências que podem te ajudar a dar os próximos passos.

Quer saber mais sobre como se tornar um missionário transcultural? Conheça o Programa de Apoio Evangelístico e descubra como você pode ser enviado!

Video Sobre Missões

Neste vídeo, compartilho como o Senhor Jesus guiou meus pais ao Paraguai e, anos depois, me levou em uma experiência transformadora de missões na Bolívia.

🌍 Clique para assistir e embarcar nesta jornada conosco: Assista ao vídeo agora!

E se você ama ouvir sobre a vida em missões, inscreva-se em nosso canal do YouTube para não perder nenhum dos nossos próximos vídeos!

Deus te abençoe!

O Desafio de Anunciar o Evangelho: O Papel da Contextualização em Missões

Hoje, quero falar sobre um dos maiores desafios que enfrentamos no campo missionário transcultural: a contextualização da mensagem do evangelho. Você já parou para pensar como podemos levar a Palavra de Deus a pessoas de culturas totalmente diferentes da nossa, sem que a mensagem perca seu poder e significado?

Peniel Dourado na cidade de Charagua, Bolívia (2012)

O Que É Contextualização em Missões?

Muitos podem pensar que contextualizar é mudar a Bíblia para adaptar a realidade do povo nativo, mas a verdade é que é exatamente o contrário. Contextualizar é transmitir a mensagem de salvação de uma forma que a pessoa do outro lado compreenda.

O objetivo não é adaptar a Palavra à cultura, mas sim apresentar a Palavra de forma que ela dialogue com aquela cultura, sem que o sentido original se perca.

Em ambientes culturais diferentes uma determinada ideia pode não ser a mesma que entendemos. Em vez de traduzir aquela situação literalmente, precisamos explicar o conceito e as consequências, usando metáforas e histórias que façam sentido para para o nativo. Assim teremos o mesmo evangelho, a mesma verdade, mas contada de uma forma que chegue ao coração.

“E, assim, para os judeus, tornei-me como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob a lei, como se estivesse sob a lei — embora eu mesmo não esteja — para ganhar os que vivem sob a lei. Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei — embora eu não esteja livre da lei de Deus, mas sob a lei de Cristo — a fim de ganhar os que estão sem lei.” (1 Coríntios 9:20-21)

Paulo nos mostra que a flexibilidade na forma de comunicar é crucial para que a mensagem de Cristo seja compreendida. Ele não mudou o evangelho, mas se adaptou à realidade de quem o ouvia para que a Palavra fosse eficaz.

Por Que a Contextualização é Essencial?

Se não contextualizarmos, corremos o risco de sermos mal compreendidos. A Palavra de Deus não deve ser um conceito distante ou culturalmente estranho. Ela precisa ser algo vivo, prático e que responda às perguntas e necessidades daquela comunidade.

  • Evita sincretismo: Ao entender a cultura, podemos separar o que é cultural do que é bíblico, evitando a mistura de crenças.
  • Torna a mensagem relevante: Quando a pessoa vê que o evangelho fala sobre seus problemas e esperanças, ela se abre para a transformação.
  • Quebra barreiras culturais: A contextualização é a chave para romper as barreiras invisíveis que separam as pessoas do evangelho.

Seja Parte da Missão!

A contextualização exige sensibilidade, estudo e, acima de tudo, oração. Por isso, a presença de missionários no campo é tão urgente. Eles são os embaixadores que se dedicam a entender outras culturas para que o evangelho possa fluir.

Ore por nós e pelos trabalhos que desenvolvemos no campo de missões. Apresento o Programa de Apoio Evangelístico que é o projeto de missões que avançamos na América do Sul e também a Missão Siloé que é o trabalho missionário que lideramos desde 2022 no Paraguai.

Vídeos Sobre Missões

E aí, quer mergulhar ainda mais no universo das missões? A vida no campo é cheia de desafios e também de bênçãos, e para te ajudar nessa jornada, preparei algo especial.

Temos uma super playlist com mais de 90 vídeos cheios de dicas práticas para você que tem o chamado missionário no coração. Lá, você vai encontrar informações valiosas sobre o dia a dia, preparo, desafios culturais e muito mais.

Não perca tempo! Clique no botão abaixo e comece a se preparar para a sua missão.

Muito obrigado por sua presença em nosso blog. Se você quiser receber as principais informações em seu email basta assinar nosso blog.

Deus vos abençoe

Quer Ir ao Campo? Veja Como se Preparar Para Missões

Se você está lendo este post, é porque algo dentro de você pulsa quando o assunto é missões. Antes de tudo, quero te agradecer por acompanhar nossas postagens. É um privilégio poder compartilhar o que temos aprendido no campo com irmãos e irmãs que também amam a obra missionária.

Mas agora eu te pergunto: você realmente quer ir ao campo missionário? Quer ser um missionário? Deseja anunciar Jesus Cristo entre os povos, além das fronteiras do seu país? Então, eu quero compartilhar com você algumas instruções práticas e essenciais.

Na cidade de Seabra, Bahia

1. Busque a direção de Deus

Pode parecer repetitivo, mas é necessário repetir: antes de qualquer decisão, ore e busque a direção de Deus.

Missões não começa com uma decisão humana, mas com um chamado divino. É possível que você escolha um lugar e vá por vontade própria, mas é algo completamente diferente quando Deus te envia para um lugar específico. O impacto espiritual e a autoridade no campo são muito maiores quando você vai enviado pelo Senhor.

2. Saiba o que você vai fazer

Muitas pessoas vão para o campo sem clareza sobre o que farão. É claro que Deus também trabalha com passos de fé, mas se você tiver uma palavra específica sobre o que Ele quer que você faça, isso vai te sustentar nos dias difíceis.

Você pode ir como evangelista, discipulador, plantador de igrejas, educador ou em outras funções que cooperem com o avanço do Reino. Pergunte ao Senhor: “O que exatamente o Senhor quer que eu faça?”

Eu em Mina em nossa primeira base de apoio em Bolívia recebendo materiais da Irlanda (2011)

3. Conheça o campo missionário

Agora que você está com o chamado confirmado e sabe o que vai fazer, chegou a hora de estudar sobre o campo:

  • Aprenda sobre a cultura local.
  • Estude a língua.
  • Compreenda a cosmovisão do povo.

A cosmovisão é a forma como um povo enxerga o mundo, a vida e até a espiritualidade. É como uma segunda linguagem e, como missionário, você precisa aprender a se comunicar nesse “idioma”.

Se você não sabe muito sobre esse tema, recomendo que assista à nossa playlist no YouTube sobre cosmovisão e vida missionária. Lá eu compartilho experiências práticas que vão te ajudar a entender melhor como se preparar para o campo.

👉 CLIQUE AQUI para acessar a playlist

Na playlist que está no link acima nós temos mais de 90 vídeos dando dicas sobre a vida prática em missões.

4. Viva uma vida de oração

A preparação missionária não se limita a estudos e estratégias. Você precisa desenvolver uma vida profunda de oração. Missões é um campo espiritual, e você vai enfrentar batalhas que exigem discernimento e força espiritual.

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará.” — Salmos 37:5

Ore diariamente, se consagre, jejue, e aprenda a ouvir a voz do Espírito Santo. Isso será a base da sua caminhada no campo.

5. Espere o tempo de Deus

Lembre-se: o tempo de Deus não é o nosso tempo. Talvez você esteja pronto agora, mas ainda não é o momento de ir. Deus está te preparando — ou preparando o campo para te receber.

“Há tempo para todo propósito debaixo do céu.” — Eclesiastes 3:1

Não se apresse. Enquanto espera, continue se preparando: estude, ore, sirva em sua igreja local, e cresça espiritualmente.

O Caminho Para o Campo Missionário Começa Aqui

Todo missionário começa do mesmo ponto: o lugar da rendição. O chamado não nasce apenas de um desejo pessoal, mas de uma resposta à voz de Deus. Por isso, o primeiro passo não é fazer as malas, mas buscar a direção do Senhor.

“O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.”
(Provérbios 16:9)

Durante o evangelismo em uma das feiras de Bolívia (2016)

1. Busque a direção de Deus

Antes de tudo, entre em oração. Fique em silêncio diante de Deus. Pergunte: “Senhor, o que o Senhor quer de mim?”.

A obra missionária não pode ser motivada por empolgação emocional. É necessário ouvir claramente a voz do Espírito Santo. Jesus foi guiado pelo Espírito até mesmo ao deserto (Lucas 4:1). Quanto mais nós, servos, precisamos ser guiados para cada passo.

2. Tenha uma vida de oração constante

A oração é o combustível do missionário. Não é possível sustentar a vida no campo se a intimidade com Deus estiver enfraquecida. Orar não é um hábito religioso; é a base da sobrevivência espiritual.

“Orai sem cessar.”
(1 Tessalonicenses 5:17)

Ore por direção, por clareza, por provisão, por discernimento — e, acima de tudo, ore para que a vontade de Deus prevaleça sobre seus planos.

Pastor Peniel N Dourado

3. Renda-se totalmente à vontade do Senhor Jesus

Muitos querem servir, mas ainda mantêm o controle da própria vida. Ser missionário é render-se completamente. É dizer como o profeta Isaías:

“Eis-me aqui, envia-me a mim.”
(Isaías 6:8)

Rendição é mais do que aceitar o chamado. É viver para o chamado, mesmo quando ele leva por caminhos difíceis.

4. Vá para onde ELE enviar

O verdadeiro missionário não escolhe o destino. Ele apenas obedece. O campo pode ser urbano, ribeirinho, estrangeiro ou até mesmo dentro da própria nação — mas o coração missionário diz: “Senhor, envia-me para onde quiseres”.

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
(Marcos 16:15)


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Deus te abençoe poderosamente

Como Se Tornar um Missionário: Primeiros Passos na Fé

Se você clicou neste post, é provável que Deus já esteja falando com você. Ter interesse em missões não é uma simples curiosidade — é um sinal de que seu coração está começando a arder pela obra missionária. E isso, meu amigo, já é um ótimo começo.

Vivemos dias em que poucos se interessam por missões. Muitos nem sequer consideram a possibilidade de se tornarem missionários. Quando eu era mais jovem, também resisti a essa ideia. Eu não queria depender de ofertas, não queria viver sob a incerteza financeira — mas Deus tratou isso em mim. Porque, no fundo, eu queria muito fazer a obra dEle.

Peniel N Dourado, Mina A Dourado, Deborah (18) e Samuel (10)

O primeiro passo: oração e entrega

Se você sente esse chamado, comece orando. Converse com o Senhor Jesus sobre isso. Ele mesmo disse:

“A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara.”
(Lucas 10:2)

Peça a direção do Espírito Santo. E aqui vai um conselho importante: aprenda a ouvir a voz de Deus, e não do seu coração. A Bíblia nos orienta:

“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.”
(Provérbios 3:5)

A voz do coração pode nos enganar. A voz do Espírito Santo é segura e fiel. Ouvir Deus exige tempo, silêncio, leitura da Palavra e sensibilidade espiritual.

Peniel Dourado – Na região do altiplano de Bolívia

Deixe Deus guiar seus passos

Ser missionário não é apenas uma decisão racional. É uma resposta à vontade de Deus. Talvez Ele o leve a lugares que você jamais imaginou. Talvez os primeiros passos pareçam sem sentido, mas confie.

O salmista declarou:

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará.”
(Salmo 37:5)

Foi assim que começou o Programa de Apoio Evangelístico. No início, parecia pequeno demais. Hoje, temos o privilégio de apoiar evangelistas com folhetos gratuitos e recursos, sem cobrar nada. Fazemos isso porque cremos que muitos precisam apenas de um incentivo para começar.


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Neste vídeo eu falo um pouco sobre como ser um missionário. No canal, você também encontra reflexões bíblicas, relatos do nosso dia a dia no campo, instruções práticas sobre a vida missionária e muito mais. Inscreva-se e caminhe conosco!