Muitas vezes pensamos no campo missionário de forma romantizada. Imaginamos praças cheias, pessoas abertas e resultados imediatos. Mas a realidade é bem diferente, especialmente em regiões frias e culturalmente reservadas. Quero compartilhar um pouco da minha experiência no Sul do Brasil, onde o frio e a cultura testam diariamente a perseverança do missionário.
No Nordeste, eu estava acostumado com cultos em praças, ruas cheias e um povo caloroso, sempre disposto a conversar. Mas aqui, quando chega o inverno, as ruas ficam vazias. O frio e a chuva afastam as pessoas do convívio público. Se eu tentasse repetir os mesmos métodos que davam certo no Nordeste, o resultado seria frustração e desânimo.
O desânimo é uma das maiores batalhas no campo missionário. Ele pode surgir por falta de resultados, pelo choque cultural, pelas diferenças climáticas ou até pela frieza das pessoas. Muitas vezes, não é apenas o clima que esfria, mas também o coração das pessoas, mais reservadas e distantes. Isso contrasta muito com o calor humano do Nordeste, onde todos estão sempre juntos.
Diante disso, precisei aprender a me adaptar. Quando os cultos de rua não funcionaram, passamos a realizar reuniões dentro das casas. De forma simples, com um violão, oração e leitura da Bíblia, vimos portas se abrirem. As próprias pessoas começaram a nos convidar. Descobri que quando o missionário se adapta, novas oportunidades surgem.
O perigo é romantizar a missão. Já vi irmãos chegarem cheios de entusiasmo, mas sem preparo. Depois de pouco tempo, o frio, a solidão e a falta de resultados os fizeram parar. Até Elias, um grande profeta, passou pelo desânimo e pediu para morrer (1 Reis 19:4). Isso mostra que todos estamos sujeitos a desanimar.
Mas a Palavra nos dá direção: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9). O segredo é não desistir. O desânimo virá, mas precisamos lembrar que Deus nos colocou no campo e Ele mesmo nos dará forças para permanecer.
O missionário não pode romantizar o chamado, mas deve se preparar, adaptar-se e seguir firme. A colheita pode parecer distante, mas no tempo certo virá. O importante é não parar.
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