Um Chamado Além da Vontade

A vida cristã muitas vezes nos desafia a sair da nossa zona de conforto e abraçar o que Deus nos pede, mesmo que não seja o que planejamos. Este texto oferece um olhar sincero sobre a jornada de fé de um missionário, mostrando que o chamado divino nem sempre coincide com os nossos desejos.


Nem sempre, na obra de missões, você tem a oportunidade de fazer aquilo que quer. Eu sei que muitas pessoas estão sempre buscando algo que lhes seja agradável, pelo menos aos olhos. Existem aqueles que gostam de pregar na rua, aqueles que gostam de fazer o trabalho no presídio e aqueles que gostam de atuar no hospital. Há uma grande diferença entre gostar de pregar na rua e ter o chamado de Deus para isso, assim como há uma diferença entre gostar de fazer o trabalho nos hospitais e ter o chamado para o serviço de evangelismo ali.

Peniel Dourado e Mina

São situações totalmente distintas, mas existem coisas que Deus nos chama para fazer, mesmo que não gostemos delas. Você pode ser chamado para fazer missões em um determinado país sem gostar daquele lugar, ou para realizar um trabalho específico sem gostar dele. Já comentei que, quando fui para a Bolívia, não era algo que eu tinha em mente. Foi algo que Deus falou conosco, um processo no qual Ele se comunicou comigo e com minha esposa. Portanto, não era uma questão de eu gostar da Bolívia.

Já tive situações em que queria muito fazer missões na África, mas não era porque eu tinha essa vontade que eu tinha o chamado de Deus para lá. Eu sempre pensei em fazer o trabalho de evangelismo na rua, levando o evangelho às pessoas. Queria que alguém me apoiasse com materiais para que eu pudesse estar na rua, fazendo o trabalho evangelístico. Mas um processo do chamado começou, e Deus falou conosco sobre a necessidade de apoiar outros evangelistas.

Viagem a Bolívia no mês de julho 2025

Eu quero deixar claro que nunca desejei, pensei ou planejei este projeto de apoio. Nunca me sentei com minha esposa e pensamos: “Vamos fazer isso, será melhor para nossa vida missionária” ou “Vamos trabalhar com literatura porque é interessante e as pessoas nos ajudarão”. Não, esse momento nunca existiu. O que aconteceu foi que Deus começou a falar conosco para que conseguíssemos literatura e apoiássemos outras pessoas.

A primeira visão que tínhamos era de fazer evangelismo, mas fomos para a Bolívia para abrir uma igreja. Foi nesse momento que Deus nos falou para deixar essa visão de lado e focar no evangelismo. Eu sempre gostei de trabalhar com uma visão de longo prazo. Comecei a desenvolver a ideia de formar um grupo para evangelizar toda a Bolívia, e depois seguir para outros países da América Latina e até o mundo. Conheci outros evangelistas com visões parecidas e comecei a gostar e a desenvolver a visão de como fazer, manter e organizar esse trabalho.

Foi então que Deus começou a nos falar sobre apoiar evangelistas, algo que não queríamos escutar ou fazer. Não tinha nada a ver com os meus planos. Quando minha esposa e eu começamos a ouvir a voz de Deus e a ponderar o que Ele estava nos entregando, foi algo muito forte. As pessoas podem pensar que nos sentamos e planejamos o projeto, mas foi justamente o contrário. Quando Deus começou a falar sobre literatura, nós refletimos sobre o quão difícil é trabalhar com isso.

As pessoas que conhecíamos nesse meio tinham recursos financeiros, e nossa pergunta era: “Como vamos fazer isso se não temos dinheiro?” Já era difícil nos mantermos financeiramente, imagina manter um projeto missionário. No campo, já era uma luta pagar o aluguel, a comida e as contas. O trabalho que fazíamos não exigia tanto dinheiro; bastava o valor da passagem de ônibus. Agora, Deus estava nos chamando para um trabalho que requeria recursos financeiros, e já estávamos passando por dificuldades.

Comecei a orar, e ficamos preocupados, mas sabíamos que era Deus nos chamando para fazer aquele trabalho. Quero deixar esta lição para você: nem sempre você fará o que quer. Creio que Deus opera em nós “o querer e o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Foi exatamente isso que comecei a clamar ao Senhor: “Deus, se é a tua vontade, opere em nós o querer e o efetuar”. E a primeira coisa que Ele fez foi nos levar a um ambiente onde começamos a amar e a entender o impacto do serviço de apoio evangelístico. Foi tremendo.

Você está nesse ambiente onde entende o impacto do serviço. Hoje, eu sei que muitos evangelistas, ao receberem o material, glorificam o Senhor sem saber o peso e o custo que é para o material chegar às mãos deles. Eu louvo ao Senhor porque, ao ver esses evangelistas recebendo os materiais com alegria, lembro-me de quando Deus me fez passar por essa mesma situação, com o coração cheio de vontade de alcançar almas. Eu recebia o material gratuitamente, fazia o evangelismo e pedia mais, e tinha alguém na retaguarda me apoiando.

Hoje, esse “alguém” sou eu, e este é o trabalho que Deus me colocou para fazer. Eu não queria, e não é um trabalho agradável, que empolgue as pessoas. Mas eu sei que Deus nos colocou para fazê-lo, e nós estamos fazendo. Amém.


A maior força não está em fazer o que amamos, mas em amar o que somos chamados a fazer.


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