Em 1994, moramos em uma pequena cidade no interior do Ceará. Meu pai havia sido enviado para lá para pastorear uma igreja local e, naquela época, conhecemos uma figura muito interessante: o proprietário de uma fábrica na região. Todos sabiam que ele era um homem de grandes posses, um homem rico. No entanto, ele vivia de uma forma intrigante: dirigia um carro bem velhinho, vestia calças sempre sujas e usava apenas chinelos de dedo muito simples.
Não cabe a mim julgar as motivações dele para viver assim, mas o fato é que ele tinha plena consciência dos recursos que possuía e, simplesmente, decidia não usá-los. Ele tinha a provisão, mas vivia como se não a tivesse.
Infelizmente, essa é a imagem exata de muitos que fazem missões hoje. Deus nos entregou recursos espirituais, dons e ferramentas para a expansão do Seu Reino, mas muitos decidem não utilizá-los para realizar a obra que lhes foi confiada.
O apóstolo Paulo nos lembra que não somos desamparados: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19). Se Ele é o que supre as necessidades, é para que o trabalho avance segundo as condições do Reino.
Não podemos viver como administradores que escondem as preciosas riquezas do Reino. O apóstolo Paulo foi muito carinhoso, mas firme ao exortar Timóteo: “Não desprezes o dom que há em ti” (1Timóteo 4:14). Essa mesma palavra ecoa para nós hoje! Precisamos de coragem para colocar em uso tudo o que o Senhor depositou em nossas mãos — seja o conhecimento bíblico, nossa influência ou os recursos financeiros. Afinal, tudo isso nos foi dado com um propósito claro: fazer com que o Evangelho alcance lugares onde ainda não chegou.
Jesus nos prometeu que a verdade nos libertaria (João8:32), mas o profeta Oseias nos deixou um alerta sério: o povo de Deus perece quando lhe falta o conhecimento. Entenda, meu irmão, que muitas vezes o sofrimento e a estagnação na obra missionária acontecem apenas porque ignoramos as ferramentas que já possuímos. Seja por falta de instrução ou por hesitação em tomar a decisão de agir, não podemos deixar parado o que Deus já colocou à disposição da Igreja. Vamos usar o que temos para que a missão seja plenamente cumprida!
Ter não é o mesmo que usufruir
Pare e pense: de que adianta o perdão de Deus estar disponível se o pecador ainda não o conhece? Na cruz, Cristo Jesus derramou Seu sangue para quitar nossa dívida de uma vez por todas. A Palavra é clara em Efésios 1:7: “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”.
Paulo vai além em Colossenses 2:13-14, dizendo que Deus cancelou o escrito de dívida que era contra nós, removendo-o inteiramente e encravando-o na cruz. Entenda: a conta foi paga! Mas aqui está a tragédia: de que serve essa bênção se o homem continua vivendo sob o domínio das trevas por pura ignorância ou decisão própria?
Tudo o que o pecador precisa é aceitar e tomar posse dessa nova vida. Mas, para que ele tome posse, ele precisa saber da verdade. E é exatamente aqui que eu e você entramos com o serviço de missões! Em 2 Coríntios 5:19, lemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e — preste atenção nisso — nos confiou a palavra da reconciliação. Ele nos entregou a missão de levar esse recibo de quitação ao mundo.
Da mesma forma, meu querido irmão, o missionário que ignora sua posição espiritual dificilmente viverá a plenitude do Reino. Precisamos entender que Deus nos deu Sua Palavra e levantou ensinadores com um propósito claro: abrir nossos olhos para quem realmente somos e para o que já possuímos em Cristo. Como Paulo escreveu aos Efésios, o Senhor já nos “abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios1:3). A herança já é sua!
Entenda uma coisa: o conhecimento só gera libertação quando se torna consciência e é colocado em prática. Não permita que a obra de Deus pare em suas mãos e não aceite viver abaixo do que Ele planejou por falta de instrução ou por hesitar em dar o passo de fé. Lembre-se do que Paulo ensinou sobre a nossa responsabilidade no campo: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6). Deus dá o crescimento, mas Ele espera que a gente esteja lá para plantar e regar!
Se Deus disse que vai fazer, Ele cumprirá! Mas Ele espera que você coloque os pés na terra que Ele te deu. Apenas saber que o Senhor quer e pode agir não é o suficiente para ver resultados no campo de missões; é preciso agir com base na palavra que Ele te deu. Lembre-se da recomendação apostólica: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” (Colossenses 3:23). Quando o conhecimento encontra a obediência, o campo missionário floresce!
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