A Fé e o Poder de Deus no Campo Missionário

Sabe aquela sensação de cansaço na batalha espiritual, como se você estivesse lutando contra o vento no campo de missões? A boa notícia é que você não precisa carregar esse peso sozinho. Deus não quer que você viva implorando para que Ele faça algo que já te deu autoridade para resolver!

O segredo para o avanço do projeto missionário não reside na força humana, mas no posicionamento em Cristo. Quer entender por que o inimigo recua quando o missionário descobre sua verdadeira identidade em Deus?

Eu espero que você reserve um tempo para ler este artigo. Que seus olhos espirituais sejam abertos para o extraordinário recurso que já está à sua disposição.

Pr Peniel Dourado na Base de Apoio em Bolívia (2019)

Em primeiro lugar, precisamos compreender que o missionário não deve limitar-se a orar para que Deus “faça algo” contra as forças malignas que operam no campo. Agir assim pode ser um desperdício de um tempo precioso, pois a responsabilidade da ação foi delegada a nós.

O missionário é enviado para tomar uma atitude contra as forças malignas do já dominam o campo, pois ele carrega a autoridade legal dada por Cristo para estabelecer o Reino onde o domínio das trevas impera há gerações. Como o próprio Senhor afirmou: “Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lucas 10:19).

O missionário chega ao campo como uma semente viva da Igreja e, como parte do Corpo de Cristo, não deve apenas clamar por intervenção divina; ele deve exercer o governo espiritual que lhe pertence sobre cada tribo, língua e nação. Afinal, fomos resgatados para uma nova jurisdição: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13).

Pastor Peniel, Pedro Javier e Fernando em Santa Cruz de la Sierra (2013)

Nossa missão não é passiva. Se o inimigo tenta barrar o avanço do Evangelho, a instrução bíblica não é pedir que Deus o resista, mas que nós o façamos: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Deus não quer que você fique rogando a Ele para que você possa resistir, mas o Espírito de Deus já nos disse que nós deveríamos resistir.

Quando o missionário compreende que sua posição é uma extensão da autoridade de Cristo na terra, ele deixa de ser um espectador da batalha espiritual no campo e passa a ser um agente de libertação nas nações.

A Autoridade do Menor Missionário no Front

A Palavra de Deus é clara: todo cristão tem o dever de lidar diretamente com o adversário que tenta dominar o campo. Ao chegar em solo missionário, você encontrará resistências espirituais estabelecidas, e sua função, como embaixador de Cristo, é confrontá-las. Afinal, a nossa luta não é contra pessoas, mas contra forças espirituais (Efésios 6:12).

Não existe hierarquia de poder quando o assunto é o Nome de Jesus. O servo mais simples, servindo em uma pequena congregação no interior, possui tanta autoridade sobre as trevas quanto o líder de uma megaigreja. A autoridade não emana do cargo, mas do Nome que está acima de todo nome.

Recordo-me das palavras do evangelista Reinhard Bonnke, que afirmava com convicção: a fé necessária para realizar uma campanha para um milhão de pessoas é exatamente a mesma fé que um evangelista emprega para pregar a apenas cem pessoas. Embora o Senhor distribua talentos em proporções distintas a cada servo, conforme Sua soberana vontade, o critério de recompensa e a fonte do poder permanecem inalterados.

Independentemente do tamanho do campo ou do número de talentos, a promessa de aprovação é a mesma para quem é diligente. Como nos ensina a Parábola dos Talentos:

“Disse-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21).

O que importa para o Reino não é a visibilidade do palco, mas a fidelidade no posicionamento. Se você for fiel no exercício da autoridade onde está hoje, o Senhor mesmo expandirá o seu território. E se não houver expansão o importante é ser bom servo e fiel.

Evangelismo na cidade de Montero, Bolívia (2013)

As circunstâncias podem variar, mas a natureza da fé permanece constante. Como ensinou o Mestre: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar” (Mateus 17:20). O tamanho do desafio não altera o poder da ferramenta que você tem em mãos.

O Deus que opera milagres em grandes multidões é o mesmo que sustenta o obreiro no anonimato, pois tudo é d’Ele e tudo provém d’Ele. Ele é a fonte única de toda autoridade espiritual. Diante disso, sua responsabilidade não é colocar os olhos em grandes obras, mas posicionar-se em autoridade e cumprir com zelo a missão que lhe foi confiada no lugar onde o Senhor te colocou.

Frequentemente, caímos no erro de acreditar que apenas “especialistas” ou pessoas com uma fé fora do comum possuem poder. Isso é um mito! Jesus conferiu autoridade a todo o Seu Corpo, sem exceção. Ele nos garantiu: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios…” (Marcos 16:17). A diferença não está na quantidade de poder recebida, mas em quem se apropria e exercita a autoridade dada.

Enquanto alguns vivem plenamente a autoridade de Cristo, exercitam e crescem nessa autoridade, outros preferem acreditar que ela é um privilégio de poucos, esquecendo-se de que o Pai nos deu o Seu Espírito sem medida (João 3:34).

No ano de 2013, o Senhor Jesus nos revelou que alcançaríamos toda a nação da Bolívia através do Programa de Apoio Evangelístico, e que esse trabalho em breve se estenderia a outras nações. Naquela época, a realidade parecia contradizer a promessa: eu não tinha sequer o que comer e enfrentava sérias crises financeiras. Lembro-me de evangelistas solicitando materiais em outras cidades e eu não ter condições mínimas de enviá-los.

Evangelismo na Siete Calles – Santa Cruz de la Sierra, Bolívia (2013)

Naturalmente, pensei que Deus estaria trabalhando em minha fé para me dar algo que eu ainda não possuía; eu esperava ansiosamente pela provisão divina. No entanto, o que Deus me deu foi algo muito mais sólido: a Sua Palavra. Ele afirmou que nós faríamos. Compreendi que não era uma questão de eu ter condições humanas ou não, mas de crer no que o Senhor havia dito. Paulo expressou essa mesma dependência quando escreveu:

“E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).

Se Deus disse que eu alcançaria a Bolívia e depois estenderia o projeto a outras nações, meu papel era crer e me posicionar em autoridade, mesmo sem recurso algum. Aprendemos com as Escrituras que o poder de Deus se aperfeiçoa justamente na nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9). O posicionamento de fé deve preceder a provisão, pois a nossa confiança não repousa em evidências fisícas, contas bancárias, na solução visível, mas na fidelidade dAquele que nos chamou. Afinal, como apóstolo Paulo também nos encoraja:

“Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32).

Quando os missionários finalmente crerem que possuem a força de Deus, a autoridade de Cristo e o poder sobrenatural do Espírito Santo, o trabalho transcultural alcançará um novo nível de excelência e resultados extraordinários.

Jesus já venceu Satanás de forma definitiva na cruz, expondo-o ao desprezo público (Colossenses 2:15). Agora, cabe à Sua Igreja estender essa vitória até os confins da terra, ocupando os espaços através da autoridade que nos foi delegada. Porque maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo (1 João 4:4).

Tiago 4:7 afirma: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós”. No original, “fugir” significa “correr aterrorizado”. Quando você, missionário, exerce sua autoridade no Nome de Jesus, o inimigo bate em retirada. Ele não tem medo da sua cultura, do seu conhecimento, quantos idiomas você fala ou se você fez algum curso de missões, mas treme diante do Nome que você representa. No campo, os demônios temem e tremem enquanto exercitamos a autoridade dada por Deus.

O diabo não respeita o seu cansaço, ele respeita a sua legalidade. No campo missionário, sua maior arma não é o domínio perfeito do idioma ou o seu vasto conhecimento missiológico, mas a consciência inabalável de Quem você representa. Como embaixador de Cristo, sua eficácia depende da compreensão de que você carrega o selo e a autoridade do Rei que o enviou.

Que você possa começar este ano de forma diferente. Em vez de suplicar: “Senhor, repreenda o inimigo”, tome a posição que o Senhor já lhe entregou e use a sua própria voz. O comando foi delegado a você! Em Nome de Jesus, declare com firmeza: “Em Nome de Jesus, eu exerço autoridade sobre este lugar!”.

Vá e faça o que Ele lhe mandou fazer. Não se detenha olhando para as suas próprias limitações, pois a provisão e as condições não residem em você, mas dAquele que o comissionou.

Deus o estabeleceu nesse território como um embaixador do Céu. Portanto, não peça que o Rei faça o que Ele já lhe capacitou para realizar; levante-se e exerça plenamente a autoridade que lhe foi outorgada por Cristo.

“Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19)


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