Primeiramente quero dizer que estamos bem e sempre fazendo a Obra do SENHOR. Dia 21 de julho de 2006 chegávamos em Bolívia para fazer missões. Louvo a Deus pela oportunidade de crescer no campo missionário, pois em janeiro de 1995 meus pais chegavam ao Paraguai para fazer missões. Na época eu tinha apenas 15 anos. Meus pais e três dos meus irmãos ainda estão no Paraguai onde estão até hoje servindo ao SENHOR. E eu e minha companheira cumprimos 9 anos somente em Bolívia. Para mim é um grande privilégio entregar a vida ao serviço missionário.
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O trabalho está de forma intensa. Ainda temos como alvo identificar e apoiar evangelistas que estão nas regiões andinas. Mas não tiramos nossas mãos das regiões baixas. Mesmo com poucas condições estamos enviando materiais para evangelistas que estão na região leste de Bolívia, cidades do departamento de Beni, assim como o sul boliviano. A moeda brasileira tem desvalorizado muito encurtando nosso recurso para atender tantos pedidos.
Pastor Peniel e Mina 2006
Enquanto isso, cada vez mais novos evangelistas são cadastrados no Programa de Apoio. Vivemos o milagre de Deus aqui!
FOTOS – Algumas fotos de evangelismo realizado pela Base de Apoio
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Neste final de julho tivemos a visita de missionários do Brasil, região de Minas Gerais, os quais participaram um pouco de nossa rotina de trabalho aqui em Bolívia. Foram apenas 15 dias, mas procuramos aproveitar ao máximo o tempo.
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E falando de rotina, bem, sempre postamos fotos das viagens e editamos vídeos. Mas como em qualquer viagem pode-se haver imprevistos. Aqui convivemos com os bloqueios. São manifestações cívicas, políticas, estudantis e outras que visa chamar a atenção do governo para suas reivindicações. E nós terminamos provando um pouco das consequências. Quero nesta carta relatar alguns detalhes das experiências que tivemos fazendo o trabalho missionário e conviver com os bloqueios aqui em Bolívia.
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FOTO – Eu (esquerda) e os irmão da Missão Jerusalém na cidade de Minero, Bolívia
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FAZENDO MISSÕES ENTRE BLOQUEIOS
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Saímos de Santa Cruz de la Sierra com destino a cidade de Cochabamba, Bolívia. Eu faço minhas pesquisas de praxe, seja pela internet ou mesmo no terminal de ônibus buscando saber se há bloqueios pelas estradas. Já passamos tanto desconforto nas estradas de Bolívia que buscar saber se há ou não esses bloqueios já passou a ser rotina. Já ficamos em outras ocasiões dois, três, quatro ou mais dias trancados sem poder seguir viagem por causa dos bloqueios. O duro é a falta de água, comida, em muitos lugares os mosquitos e em outros o forte frio.
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Passando o bloqueio em Cochabamba, Bolívia
Eu estava ciente dos conflitos dos mineiros do Departamento de Potosi que manifestavam em La Paz e na região de Potosi, mas realmente não sabia nada sobre os taxistas de Cochabamba os quais fecharam todas as entradas e saídas da cidade. Aproximando da cidade, o motorista para o ônibus e nos avisa do bloqueio. Recebemos ordens de sair do veículo, retirar as malas e continuar a viagem à pé. Eu disse ao motorista que havia perguntado sobre o bloqueio e ele me responde dizendo que também não sabia, pois, segundo ele, o sindicato dos taxistas decidiu realizar o bloqueio pela madrugada. Eu desconfiava que era mentira, pois os sindicatos enviam aviso ao departamento de transito antes de realizarem os bloqueios. Bem, mentira ou não, nós estávamos a pé à quilômetros de Cochabamba.
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Descemos do ônibus aproximadamente às 6:00 horas da manhã e fazia um frio de 5º C. Antes de sair de Santa Cruz eu havia dito aos irmãos da Missão Jerusalém que me acompanhavam na viagem a levar apenas uma mochila, justamente pensando nos bloqueios. E foi uma benção ter apenas uma mochila, pois tivemos que andar muito para passar as regiões fechadas pelos taxistas. Eu tinha pena das famílias com crianças e muitas malas ter que deixar o ônibus sem ao menos saber como chegar ao destino. Mesmo que, acredito que conviver com esses bloqueios gera um pouco experiência e a expectativa de que poderá acontecer. Mas o povo boliviano, como os demais da America Latina, não se previne e nem se prepara. Ninguém pensa em levar algumas bolachas ou água reserva. Sempre todos enfrentam a situação como se fosse a primeira vez.
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FOTO – (direita para esquerda ) Irmão Nigel, Pastor Elias Felix e irmão Mauro.
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Eu estava revivendo a mesma situação de 2010 quando eu estava com mais quatro evangelistas indo à cidade de Oruro e ao chegar a Cochabamba os mesmos taxistas haviam bloqueados. Nós andamos mais de dez quilômetros e pela minha falta de experiência eu levava uma bolsa inadequada de um lado, megafone do outro e várias caixas com literatura; e o frio era de -2 ºC. Olhei para o missionário Gabriel Janeir e observei que tinha uma mochila confortável e apenas um megafone. Mesmo ele tendo menos tempo em Bolívia, tinha de sobra experiências nas viagens por toda nação boliviana enfrentando muitas vezes situações semelhantes.
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Mas, ao descer do ônibus eu liguei para um dos evangelistas que apoiamos com as literaturas e que mora próximo da região onde estávamos parados. O irmão Nigel é de família quéchua e mora na cidade de Sacaba, uma das cidades satélites de Cochabamba. Não muito tempo depois veio o jovem Nigel sorridente, alegre por nos encontrar. Insistiu que fossemos a sua casa, pois queria nos preparar chá com pão. Desta forma, tivemos a oportunidade de conhecer os familiares do nosso querido irmão Nigel Mercado e escutar de sua mãe sobre as muitas orações feitas ao SENHOR rogando por um filho envolvido na Obra missionária. Que benção!
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Na rodoviária de Cochabamba
Nossa viagem não tinha terminado. Ainda tínhamos que chegar à região central de Cochabamba. Mas como passar os bloqueios dos taxistas? Nigel se prontificou a nos ajudar e disse que conhecia outros caminhos, assim como taxistas que nos levasse. Entramos na cidade de Sacaba e finalmente conseguimos um táxi que nos levaria o mais próximo da cidade de Cochabamba. O taxista nos levou por regiões periféricas, ruas de terra, pó e pedra. Entramos em uma estrada de terra e bem estreita em uma região de Cochabamba que já não havia casas, mas o fluxo de carro e de gente a pé era bem grande para uma região deserta. Era nítido que não havia muitas opções para se chegar a cidade e precisávamos mesmo passar por aquela região.
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Ainda estava longe da cidade quando o taxista parou. Outros carros, caminhões e até ônibus estavam parados na mesma estrada sem poder seguir viagem. Sem mais opções, deveríamos seguir a jornada a pé. Passamos por um veículo e dentro havia uma senhora grávida. O esposo estava mais a frente buscando meios de passar, mas era impossível. Além dos caminhões e ônibus que queriam ir havia muitos outros veículos que tentaram voltar e todos ficaram presos na estreita estrada de terra. Em outros bloqueios aos menos os veículos de emergência eram permitidos passar, mas quando a situação foge o controle a falta de bom senso e amor ao próximo passa bem longe.
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FOTO – Aqui estou com os irmão da Missão Jerusalém durante a caminhada para transpor o bloqueio
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Depois de andar muito conseguimos chegar ao terminal de ônibus da cidade de Cochabamba. Compramos as passagens, mas não tínhamos certeza se haveria saída em direção a La Paz. As ruas de Cochabamba estavam com pouquíssimos veículos circulando. A feira em frente do terminal, região da Cancha, geralmente é super lotada, mas por causa dos bloqueios estava vazia. Agora eu pensava em uma opção para dormir em Cochabamba, caso os bloqueios não fossem levantados até à tarde.
Ao chegar a tarde tivemos a boa notícia que os bloqueios foram levantados. Durante o almoço acompanhamos pela televisão conflitos entre policiais e os que protestavam. Em determinadas regiões da cidade o cenário era de guerra com paos, pedras, pneus queimados espalhados pela rua. Mas logo a situação foi controlada e as saídas da cidade liberadas.
Em frente ao terminal de ônibus de Cochabamba, Bolivia com os irmãos da Missão Jerusalém.
Conseguimos viajar a La Paz e depois a Oruro. Em cada região, seja em Cochabamba, La Paz e Oruro estivemos em contato com evangelistas e líderes de grupos de evangelismo. A necessidade em La Paz e Cochabamba ainda é grande, mesmo que aos poucos podemos ver o mover de Deus em abrir portas para o evangelismo. Mas continuamos em oração, pois precisamos de contatos que desenvolvam o trabalho de forma constante alcançando o povo de forma massiva. Sei que a hora vai chegar!
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Acreditei ter deixado na cidade de Cochabamba as situações desagradáveis dos bloqueios, mas a realidade era outra. Em Oruro liguei para o pastor Francisco da cidade de Potosi que nos esperava para o culto de sábado. Ele havia dito que convidaria irmãos das congregações, assim como obreiros do campo. Seria uma verdadeira festa. Eu comentei ao pastor Francisco que estaria com o pastor Elias Felix do Brasil, presidente da Missão Jerusalém e que tem muita experiência em missões. Creio que não é com muita frequência que um grupo de missionário visita a região, então o pastor Francisco nos falou de uma festa. Como o pastor Elias não fala bem o espanhol eu deveria traduzir. Fiquei imaginando a falta de ar em pregar aos 4200 metros acima de nível do mar e ria sozinho somente em pensar o pastor tentar pregar no mesmo ritmo acelerado que prega no Brasil. Com certeza estava ansioso para ver como seria aquela pregação.
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Mas por telefone o pastor Francisco me diz que a cidade estava bloqueada a mais de um mês e que os cívicos abririam apenas alguns dias para a entrada de mercadoria à cidade. Justamente aquele dia era o último dia com entrada à cidade e depois seria bloqueada novamente. O próprio pastor nos aconselhou a não viajar a Potosi.
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Assim, sem condições de fazer mais nada, pegamos o ônibus voltando a Santa Cruz de la Sierra.
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FOTOS – Veja as demais fotos postadas em meu Facebook dos trabalhos realizados juntamente com os irmãos da Missão Jerusalém em Bolívia.
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PEDIDO DE ORAÇÃO
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Quero finalizar rogando suas orações pela região andina de Bolívia. São poucas as igrejas, pouca presença de missionários, pouquíssimos evangelistas e nós mesmo lutamos e oramos para encontrar evangelistas que estejam em atividades constantes. Este ano de 2015 novas portas foram abertas em Cochabamba. Em La Paz temos contato com missionários brasileiros, mas realmente oramos por nativos, aymaras, que preguem a Palavra de Deus em aymara e faça derramar a Palavra escrita nas feiras campesinas. Nesta viagem nos alegramos com o grupo de jovens evangelistas da igreja Asamblea de Dios Filadelfia e oramos que eles sigam adiante. Ainda não temos evangelistas cadastrados em Potosi, Sucre e Tarija. E eu estou falando das capitais sem falar do mar de necessidade que são as pequenas cidades, vilas e povoados por toda região alta de Bolívia.
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O clima, a cultura, a extrema pobreza e dificuldade de locomoção são fortes barreiras que impedem a chegada e permanência de missionários na região.
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Também rogo vossas orações, pois precisamos urgente um veículo para fazer o trabalho. Não falo de um veículo para nós, pois em julho deste ano fizemos nove anos em Bolívia e já temos viajado a quase toda nação usando os meios coletivos. Aprendi a fazer a obra com o que temos, mas realmente sentimos o trabalho desenvolvendo vagarosamente , pois com o crescimento o frete e nossa locomoção tem se tornado caro e muitas regiões ficamos sem poder atender pela falta de um veículo. Não quero falar de valores, pois realmente os veículos aqui estão caríssimos, mas a Obra é do SENHOR, assim como o ouro e a prata. Então, ore por esta causa e se puder nos ajudar, contribua.