“Pastor Peniel, a missão é com adrenalina ou sem adrenalina?” Esta era a pergunta de um missionário que esteve conosco aqui em Bolívia e antes de uma viagem, ou uma atividade ele me abordava com esta pergunta. Na realidade, o que o missionário queria saber era se poderia haver imprevisto ou não.
E eu respondia que seria uma missão com adrenalina os trabalhos que a possibilidade de imprevistos eram quase 100% e as missões “sobre controle” seriam as sem adrenalina. Mas quem pode garantir?

A questão não é garantir uma missão sem imprevisto, pois realmente não temos controle sobre as circunstâncias. Oramos, confiamos que o SENHOR está conosco, mas os momentos de adversidades eles vêm. O mais importante não é a ausência das adversidades, mas estar preparados para enfrentar as adversidades quando presentes.
SITUAÇÕES INESPERADAS
Iniciamos o trabalho de trazer materiais para Bolívia em 2007. Muitas vezes tivemos que trazer de São Paulo, pois tínhamos dificuldades em receber em Bolívia. Em uma ocasião tivemos que viajar até a cidade de Ribeirão Pires, São Paulo, carregar um Gol com literatura e levar à cidade de Santos e, só assim trazer a Bolívia. Tínhamos muitas barreiras, haviam muitas dificuldades. E não pense que tínhamos dinheiro sobrando, pois contávamos os recursos para pagar gasolina e os pedágios.
Mas durante a viagem a São Paulo eu dirigia o carro, enquanto meu cunhado, pastor Ebenezer, descansava no banco do passageiro. De repente o motor parou e eu não pude fazer mais nada a não ser encostar o carro.
A bomba de água falhou não refrigerando o motor e gerando uma série de problemas. De uma viagem tranquilo, agradável, tomando tereré, nós agora estávamos empurrando o carro enquanto minha irmã Rebeca conduzia o veículo à beira do asfalto.
Dormimos uma noite na borracharia de um posto de gasolina, ou tentamos dormir, pois a cada dez minutos chegava um caminhão pra arrumar alguma coisa. Nossa alimentação era bolachas com refrigerante. Nossa missão agora estava repleta de adrenalina. Tudo era “com muita emoção”.
Abaixo vou deixar um vídeos editamos anos atrás onde eu mostro um pouco esta missão com “muita adrenalina”
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ADRENALINA NAS PARALISAÇÕES
Eu tenho alguns vídeos mostrando situações difíceis nos bloqueios políticos em Bolívia. Acredito que o primeiro bloqueio que enfrentamos e, posso assim dizer sem dúvida, um dos piores, foi o bloqueio dos professores em Sucre.
Eu estava com dengue (acreditava ser apenas uma gripe, mas era dengue) e arrastava um carrinho com várias caixas com literatura sem falar em minha mochila que estava super pesada.
Desta viagem não tenho vídeos, mas nunca vou esquecer da viagem feita a Potosí e ficamos bloqueados na cidade de Sucre. Andamos vários quilômetros à pe, tínhamos fome e estava muito frio. E para completar eu estava com o corpo dolorido e com muita febre por causa da dengue.
A questão da altura sufocava a todos nós e, no meu caso, era bem pior porque, como dito, me queimava em febre e tinha dificuldade de respirar por causa da altura. Só Jesus para nos dar vitória naquela dia. Eu posso dizer que realmente não foi nada fácil. Mas louvamos ao SENHOR por cumprir a missão.

O segundo pior bloqueio foi na cidade de Cochabmaba e mais uma vez estávamos com várias caixas com literatura, nossas mochilas e megafone. Esta fui a última viagem que levei os materiais comigo. Agora enviamos os materiais aos irmãos da cidade onde vamos trabalhar e levamos apenas o necessário à viagem.
Mas, chegando em Cochabamba às 4:00 horas da manhã e fazia muito frio. O ônibus parou e o motorista nos disse que havia bloqueio. Ele também nos deu a bela notícia que a temperatura externa era de uns -5 graus e nos aconselhou ficar no ônibus até amanhecer e esquentar um pouco mais.
Mas quando olhava para fora do ônibus víamos centenas que passavam por nós à pé em direção ao centro da cidade. O missionário Gabriel se animou em pregar a Palavra ao povo. Saímos do ônibus e subimos em uma pilha de tijolos fazendo-os de púlpito. Estava tão frio que não queríamos encostar no megafone, pois parecia uma pedra de gelo. E ali ficamos até o sol sair com mais força. O trabalho foi uma benção.
Depois tivemos que caminhar juntamento com o povo em direção ao centro da cidade. Andamos, aproximadamente, dez quilômetros com as literaturas, mochilas e megafones. Por estar a cidade de Cochabamba aos 2500 metros acima do nível do mar levemente sentimos a altura e uma dor constante na cabeça que começou bem leve e foi agravando.
Louvo a Deus por estar ao lado de verdadeiros guerreiros, pois se estivéssemos com gente centrada em passar bem com certeza as palavras de murmuração fluiriam ali mesmo. Ninguém reclamava, mas apenas seguíamos em direção ao objetivo da missão
Abaixo vou deixar o vídeo da viagem, mesmo que não mostramos no vídeo a paralisação ( vídeo editado em 2010). Vendo a foto na vídeo abaixo onde estávamos animados com os megafones não se pode imaginar o quanto sofremos este dia para pregar a Palavra de Deus.
CAPA DO VÍDEO: Esquerda para direira – Eu, Miguel, David e missionário Gabriel Janeir
Tenho editado pelo menos mais dois vídeos mostrando um pouco do trabalho que fazemos, assim como as paralisações que enfrentamos.
Neste vídeo tínhamos como missão levar materiais aos evangelistas que estão trabalhando na cidade de La Paz e, inesperadamente, nos deparamos com mais um bloqueio. Estava muito frio e tivemos que andar alguns quilômetros até transpor o bloqueio.
Outra situação que passamos foi quando recebemos a visita dos irmãos da Agencia Missionária Jerusalém os quais me acompanharam em uma viagem a Cochabamba, La Paz e Oruro.
Também tínhamos o alvo de chegar a Potosí, mas não foi possível também por bloqueio na região de Potosí. Mas chegando em Cochabamba nos deparamos com mais um bloqueio que nos obrigou andar bastante pela periferia da cidade até passarmos os bloqueio e conseguirmos chegar ao terminal de ônibus
Entre os muitos bloqueios que já passei o que mais me chocou foi o que vivi na região da ponte de Pailon. Houve confronto entre a policia e os manifestantes, bombas, motos foram queimadas, gente machucada e presas.
O meu objetivo era trazer para Santa Cruz de la Sierra algumas caixas com folhetos e chegar o mais rápido em casa, mas as coisas nem sempre sai como queremos. CLIQUE AQUI para assistir o video do bloqueio em Pailon Continue lendo Missão com adrenalina ou sem adrenalina?




