Expectativas Reais
O que gera expectativa? Em missões, é muito comum as pessoas criarem expectativas erradas. Lembro de um irmão que veio de São Paulo. Ele tinha visto uma reportagem sobre nosso trabalho com os indígenas e estava muito empolgado. Chegamos no caminhão que ia para a aldeia, e logo vimos a realidade. Tinha um indígena bêbado que começou a nos acusar de roubar madeira. A confusão foi tão grande que ele puxou uma faca! O caminhão parou, nós pulamos e saímos correndo.
O irmão ficou assustado, morrendo de medo dos indígenas. Acabou que ele não quis mais voltar e nós tivemos que seguir o trabalho sozinhos. O que aconteceu com ele? Ele criou uma expectativa errada, a de um mochileiro que ia tirar fotos e viver uma aventura legal. Mas o campo missionário não é assim.
Outra vez, estávamos na Bolívia, indo para o Peru. A gente passou um perrengue enorme: passamos fome, tivemos problemas com a imigração e quase perdemos o ônibus. Um irmão que estava com a gente perguntou como eu aguentava passar por aquilo calado. Eu respondi: “A gente tem que focar na missão, ir lá e resolver”.
Seja realista. Não espere que o deserto seja um lugar legal; vai ser calor e não terá água. Não se iluda com lugares frios achando que é igual aos filmes. Frio é frio, e muitos missionários não saem nem de casa quando chegam nesses lugares porque a expectativa era falsa.
A primeira dica que eu dou para você é: não crie uma expectativa irreal. Você vai se frustrar. Você está colocando o pé no campo do inimigo, e tudo pode acontecer.
Dependência de Deus, não do Homem
Outra coisa que leva à frustração é a dependência excessiva de outras pessoas, a confiança exagerada no homem. Vejo muitos missionários no campo que confiam 100% em seu pastor ou em uma agência para a manutenção do projeto. Minha pergunta é: e se o seu pastor começar a falhar no envio do recurso? Isso pode acontecer, e você precisa estar preparado.
Se você recebeu o chamado de Deus, a responsabilidade do trabalho é sua. Você pode receber apoio da sua igreja, mas não pode colocar toda a sua confiança nisso. Os homens falham. A manutenção de um projeto tem que estar nas suas mãos, em sua responsabilidade. Eu, por exemplo, sempre busco ter três ou quatro alternativas de apoio, pois sou o responsável pelo trabalho que o Senhor colocou em minhas mãos.
Tenho 45 anos e me lancei no serviço de missões aos 19. Uma coisa que aprendi é que os projetos estão sempre crescendo, e eu gasto uma boa parte do meu tempo buscando novas parcerias e divulgando o trabalho. Por que? Porque a obra cresce, e preciso envolver mais gente. Não confie em uma única pessoa ou igreja. Isso cria uma expectativa falsa e leva à frustração.
A Comunicação é Essencial
Por fim, a terceira causa de frustração é a falta de comunicação. Às vezes, o mantenedor pensa que você está trabalhando com um projeto, mas você está em outro. A falta de comunicação pode gerar mal-entendidos e levar ao fim do apoio.
Eu procuro ser muito claro sobre o meu trabalho. Digo que sou pastor de uma igreja no Paraguai e que meu trabalho é esse e aquele. Digo que estou à frente do Programa de Apoio Evangelístico, e mostro o que fazemos. Essa comunicação clara e constante evita problemas.
O missionário, quando está no campo, fica concentrado em fazer o trabalho e, muitas vezes, esquece que precisa munir os mantenedores na retaguarda com informações. Se você não fizer isso, o apoio vai parar. A maioria das pessoas para de ajudar depois de três meses, no máximo seis. Depois de um ano, você está sozinho. A comunicação em missões é vital.
“O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” (Provérbios 16:9)
Nossa jornada é cheia de incertezas, mas a certeza de que Deus nos guia é o que nos sustenta. Seja realista, confie em Deus e comunique-se de forma clara. Esses três pilares vão te manter firme no campo, mesmo quando as expectativas se chocam com a dura realidade.
Descubra mais sobre Peniel Dourado
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.