Por que apoiamos evangelistas?

A gente nunca sabe para onde o Senhor Jesus vai nos levar nesta vida em missões. Às vezes, o caminho que Deus traça para nós é totalmente diferente do que imaginamos. O que realmente importa é nossa disposição em cumprir o chamado do Mestre

Peniel Dourado e Mina

Um trabalho que eu nunca pensei em fazer

Muitos me perguntam por que eu comecei a apoiar evangelistas e a trabalhar com literatura. Confesso que eu jamais me imaginei fazendo esse tipo de trabalho. Afinal, quem hoje em dia se importa com evangelistas? E quem ainda usa folhetos? Eu pensava exatamente assim.

Via meu tio, que é médico, dedicando-se há anos à distribuição de folhetos, livretos e Bíblias, mas nunca tive o desejo de fazer o mesmo. Ele tem mais recursos financeiros, então eu achava que ele só fazia isso porque podia. Para mim, a ideia de trabalhar com literatura parecia extremamente complicada.

Por um bom tempo, eu tive o mesmo pensamento de muita gente: quem faz isso ou tem algum interesse financeiro, vendendo o material e lucrando com a distribuição, ou está sendo pago por alguma missão, ou faz porque tem recursos para fazer. Nunca conectei este trabalho com uma visão dada por Deus.

Ponto de Apoio em Bolívia

É importante deixar claro que o Apoio Evangelístico é um trabalho que exige um investimento significativo de tempo, dinheiro e esforço. Há gastos constantes com fretes, viagens e documentação.

Além disso, não é um projeto de missões que atrai a maioria das pessoas. É difícil encontrar alguém realmente animado com este tipo de serviço e, consequentemente, é um desafio enorme conseguir apoio financeiro.

Quando pensamos em missões, a sustentabilidade é um ponto-chave. E manter um projeto como este é, sem dúvida, muito complicado.


O chamado para a Bolívia

O tempo passou e o Senhor nos chamou para uma nova jornada: o trabalho missionário na Bolívia. Eu e minha esposa partimos com o objetivo de abrir igrejas, batizar e discipular pessoas. Naquele momento, não passava pela nossa cabeça trabalhar com literatura ou dar suporte a evangelistas. Meu desejo era outro: ter um programa de rádio de qualidade, fazer cultos em casa e me dedicar plenamente ao trabalho pastoral.

Com esse foco, começamos a evangelizar e a convidar pessoas para os nossos cultos caseiros, discipulando cada uma delas. Era um trabalho pastoral bem tradicional. A oportunidade de ter uma emissora de rádio surgiu quando uma irmã nos ofereceu uma estação AM e FM que estava desativada.

Era o meu sonho se tornando realidade! No entanto, assim que me preparei para dar o próximo passo e avançar com o trabalho com a emissora de rádio, o Espírito de Deus tocou profundamente meu coração, revelando que aquele não era o caminho.

Pastor Peniel e Mina

À medida que o tempo avançava, a voz do Espírito Santo se tornava mais forte, inquietando meu coração com direções claras sobre o que fazer e, principalmente, o que evitar. A maior surpresa era perceber que muitos dos meus planos e projetos mais entusiasmados eram barrados por Deus, me convidando a uma confiança maior em Seus desígnios.

Eu estava certo de que Deus me havia enviado à Bolívia, mas me sentia completamente perdido sobre o que Ele queria que eu fizesse. Essa incerteza gerava uma angústia profunda. Eu pregava, distribuía os folhetos nas ruas, mas uma inquietação me consumia. Minhas orações eram um clamor por direção: “Senhor, é isso mesmo que o Senhor espera de mim?”

Foi nesse período que aprendi uma lição valiosa: em momentos de incerteza, o que devemos fazer é nos lançar à oração. Não há como avançar sozinho. É preciso orar e esperar o tempo de Deus, confiando que Ele nos dará a resposta no momento certo.


Uma resposta em oração

Muitas noites, eu me via tão angustiado que me trancava no quarto para orar e buscar a presença de Deus. Eu só queria uma resposta. Uma dessas noites, perdi completamente o sono. Saí do quarto de madrugada, andei pela sala e comecei a orar. Foi ali, andando de um lado para o outro, que o Senhor começou a falar muito forte comigo.

Abri a Bíblia e comecei a ler. Enquanto eu lia o Espírito Santo me confirmou: o desejo de Deus era que levássemos folhetos para a Bolívia e apoiássemos os evangelistas de lá. No dia seguinte, quando contei a minha esposa, ela me lembrou que estávamos em uma grande dificuldade financeira. Não fazia sentido usar o pouco dinheiro que tínhamos para gastar com fretes e viagens. E ela tinha toda a razão.

Missionária Mina durante o evangelismo

Não tínhamos recursos. Estávamos em um lugar onde Deus nos queria, mas sem dinheiro nem para nos mantermos, quanto mais para fazer a obra. Como eu poderia me levantar e fazer algo para o qual não tínhamos condições?


Uma palavra de fé

Ainda assim, lembro perfeitamente o que eu disse à minha esposa: “Mina, eu não sei como Deus vai fazer para que a gente desenvolva esse trabalho. Só sei que Ele vai, porque foi Ele quem nos disse que faríamos.”

Hoje, ao me lembrar daquelas palavras, eu mesmo fico impactado. No campo missionário, existem momentos em que fazemos e falamos coisas que não vêm da nossa própria força, mas da força do Senhor. Aquele momento foi, sem dúvida, um desses.

Como chefe da família e servo de Deus, eu estava dando aquela declaração para a minha companheira, a minha esposa. Eu precisava que a minha família acreditasse em mim, e sabia que, se eu voltasse atrás, isso abalaria a nossa relação e a confiança nas próximas decisões.

Mas aquela convicção não veio de mim ou da minha sabedoria. Aquela palavra firme veio do próprio Senhor Jesus.


O Senhor da Obra

O tempo passou e começamos a realizar o trabalho, mesmo sem ter dinheiro. Deus abriu as portas, e o material impresso para a evangelização não parava de chegar. Para a nossa surpresa, novos evangelistas apareciam a cada dia. Nosso alvo era ir às ruas e alcançar as almas, mas o que Deus estava nos enviando eram, na verdade, os próprios evangelistas.

Contêiner de 40 pés chegando em Bolívia

Eu orava com o coração aflito, pedindo condições para alcançar toda a Bolívia com a Palavra de Deus. Foi quando o Senhor me respondeu com clareza: “Eu levantarei um exército para esta obra”. Naquele momento, compreendi que não seria capaz de realizar um trabalho tão grandioso sozinho.

Seguimos desenvolvendo a obra que o Senhor nos confiou, mesmo sem um centavo no bolso. Muitas pessoas dizem que é impossível fazer missões sem apoio financeiro, mas Deus provava o contrário a cada dia, operando milagres para que o nosso objetivo fosse alcançado.

Então, um dia, a voz do Senhor Jesus falou claramente dentro do meu próprio quarto: “Eu colocarei muito material em suas mãos e trarei os evangelistas, e você os apoiará”. A palavra foi tão forte e poderosa que não tive a menor dúvida de que vinha diretamente de Deus. Não foi uma revelação e muito menos um sonho. Eu ouvi a voz dentro do meu quarto!

Deus ama esta obra

Deus usou irmãos que vieram à nossa casa para nos trazer revelações. Ele nos deu sonhos e visões sobre esta obra. O Senhor Jesus tem nos mostrado, acima de tudo, o quanto Ele ama este trabalho. É por isso que Satanás levanta tantas pessoas irresponsáveis para colocar no meio deste serviço, pois os que agem com frieza e irresponsabilidade tratam com descaso aquilo que Deus ama.

Começamos a notar que aqueles que evangelizam com literatura recebem os maiores ataques de quem está dentro da igreja, e não de quem está fora. Um evangelista não se abala tanto com a crítica das pessoas que não convertidas, mas as perseguições daqueles que deveriam apoiar, os próprios cristãos, fazem com que muitos percam o ânimo.

Avançando e conquistando em missões
Materiais chegando no Ponto de Apoio em Santa Cruz de la Sierra, Bolivia (Julho 2025)

Foi assim que começamos a apoiar, não só com materiais impressos, mas também com encorajamento. Eu comecei a fazer vídeos e a escrever sobre o evangelismo com literatura. Nossa casa, além de ser um Ponto de Apoio na distribuição de materiais impressos, se tornou um lugar de ânimo para aqueles que se dedicam à evangelização com literatura.

Muitas vezes evangelistas chegavam às 14:00 horas em minha casa e saiam às 20:00 horas. Nós tínhamos todo uma tarde conversando da obra de Deus, do evangelismo, alcançar almas e muitos outros assuntos.

Uma coisa eu posso dizer com toda a certeza: nós fazemos isso porque o Senhor nos mandou. A obra só é feita porque Deus nos ordenou, e sabemos que Ele ama esta obra. Essa é a nossa convicção: o Senhor está conosco, e esta obra pertence a Ele. O dono do ouro e da prata é quem nos sustenta e nos dá condições de avançar.

Os Resultados

Começamos a levar toneladas de materiais impressos para a Bolívia. Hoje, já contamos com doze Pontos de Apoio no país, atendendo não só o interior, mas também as fronteiras com o Peru, a Argentina e o Brasil.

Em 2021, expandimos a obra para o Brasil. Iniciamos uma Base de Apoio em Aracaju, Sergipe, onde toneladas de materiais impressos continuam a chegar. Já estabelecemos doze Pontos de Apoio, dando suporte a evangelistas em quase todo o Nordeste, com um alcance que já ultrapassa cem cidades na região.

Dois contêineres chegando em Aracaju com materiais evangelístico (2025)

Este ano, nosso foco é expandir para o Maranhão, com o objetivo de avançar com o apoio ao norte do Brasil, começando pelo Pará. A nova Base de Apoio do Maranhão também dará suporte aos estados do Piauí, Amapá e a parte do Ceará.

O nosso grande objetivo é avançar por toda a América do Sul. E, quando o Senhor Jesus abrir as portas, também expandiremos para a Europa. É um objetivo pelo qual oro há muitos anos.


“Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” Zacarias 4:6.

Vídeos sobre Missões

Se você quer ver de perto como o Programa de Apoio Evangelístico está em pleno desenvolvimento, eu criei uma playlist especial, com vídeos que mostram a jornada, os desafios e as vitórias do nosso trabalho.

Assista agora: Link da sua playlist do YouTube

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