A ordem de Jesus é para as etnias, não para os países
Na Grande Comissão está clara a ordem de evangelizar todas as etnias. Jesus nunca falou em evangelizar nações no sentido político, como hoje entendemos. A expressão usada por Cristo em Mateus 28:19 é “panta ta ethné”, que significa literalmente “todos os povos” ou “todas as etnias”.
O desejo de Jesus sempre foi que o mundo fosse alcançado pelo evangelho, e o caminho apontado por Ele foi através das etnias, não dos países delimitados por fronteiras modernas.
A Igreja Primitiva também enfrentou dificuldades culturais
Jesus enviou Sua Igreja para fazer discípulos entre todas as etnias. Mas essa ordem foi dada a um povo acostumado a se fechar em sua própria cultura: os judeus. Isso tornou a missão um grande desafio.

A Igreja Primitiva demorou cerca de dez anos trabalhando quase exclusivamente entre os judeus. Foi necessário o Espírito Santo intervir diretamente, revelando ao apóstolo Pedro que o evangelho também era para os gentios (Atos 10). Mesmo assim, Pedro teve dificuldade em sair do círculo cultural.
Neste contexto, Deus levantou o apóstolo Paulo – alguém preparado e disposto a alcançar os outros povos. A missão não podia parar (Atos 13:2-3).
A confusão entre etnias e nações políticas
Hoje, muitos ainda têm dificuldade em cumprir a missão, porque pensam em termos políticos: países, bandeiras e governos. Quando olhamos o mapa-múndi, vemos nações, mas quando Deus olha, Ele vê etnias.
Falar de “missões” virou sinônimo de “ir a uma nação”, em vez de “alcançar um povo específico”. Fala-se de abrir igrejas em outros países, mas raramente se pensa em formar obreiros nativos entre um grupo étnico.
Etnias são parte do plano original de Deus
O conceito de “nação” como conhecemos surgiu no século XVI, mas as etnias sempre existiram. Elas fazem parte da criação divina. O plano de Deus sempre foi multietnico.
Por isso, a Grande Comissão diz:
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações (etnias)…” (Mateus 28:19)
E o próprio Jesus afirma:
“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações (etnias). E então virá o fim.” (Mateus 24:14)
O risco de uma igreja presa à estrutura do Estado
Muitas igrejas estão presas ao sistema político, funcionando mais como empresas legalizadas do que como o Corpo vivo de Cristo. A liderança muitas vezes diz: “Não podemos fazer isso porque são as leis da nação.” Mas a Igreja não pode ser limitada pelas fronteiras humanas.
Jesus disse:
“Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)
É possível existir uma “empresa-igreja” reconhecida pelo governo, mas isso não é sinônimo de Reino de Deus. Só quem nasce da água e do Espírito entra nesse Reino (João 3:5).

A missão é com as etnias, não com os governos
O verdadeiro missionário é enviado para testemunhar entre as etnias, gerar transformação pela cultura do Reino e formar discípulos. A Igreja de Cristo nasce, cresce e se multiplica entre os povos, não entre os estados nacionais.
Se a Igreja cresce apenas dentro das exigências políticas de uma nação, ela se torna refém da cultura dominante e perde sua identidade. Por isso, precisamos voltar ao plano original: discipular etnias.
Um alerta para a igreja moderna
É duro dizer, mas muitos projetos missionários estão sendo tomados por interesses humanos, naturais e carnais. Por quê? Porque ignoram a ordem de Jesus.
A Igreja continua se preparando para ir às nações políticas, quando o chamado de Jesus foi para ir às etnias.
“E sereis minhas testemunhas… até os confins da terra.” (Atos 1:8)
Região Aymara no Altiplano da Bolívia
Nosso trabalho missionário entre os povos Aymaras é um exemplo de como alcançar etnias é diferente de simplesmente plantar igrejas em um país. Cada povo tem sua cultura, idioma, costumes e forma única de receber o evangelho.