Arquivo da tag: Grande Comissão

O Desafio dos Povos Não Alcançados Hoje

É fácil cair na ilusão de que a Grande Comissão está quase cumprida, especialmente quando observamos a realidade de nossas grandes cidades no Brasil. Embora tenhamos igrejas em cada esquina e uma abundância de recursos, a verdade é que existem cidades inteiras, e vastas regiões, onde o Evangelho mal chegou ou não chegou de maneira efetiva.

Olhe para a sua igreja: talvez ela esteja repleta de líderes talentosos, evangelistas fervorosos, ensinadores da Palavra e pastores dedicados. Isso é uma grande bênção! Contudo, precisamos lembrar que, em muitas outras regiões aqui mesmo na América do sul, eu posso falar do Paraguai e da Bolívia, não há obreiros suficientes, e a colheita está se perdendo.

Missionários Peniel e Mina (2024)

Jesus nos alertou: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mateus 9:37-38). Saber disso não queima o seu coração?

Sim, ao nosso redor pode haver muitos trabalhos locais abençoados, projetos sociais maravilhosos e programas evangelísticos bem-sucedidos. Mas não podemos parar aí. Devemos ampliar nossa visão missionária.

Enquanto desfrutamos da luz, ainda há povos na Terra onde o nome de Jesus jamais foi mencionado. São milhões de pessoas que nunca tiveram a chance de ouvir a mensagem de salvação.

A Bíblia nos questiona diretamente sobre essa urgência: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Romanos 10:14).

Nosso conforto não pode ser a nossa fronteira. Somos chamados a sair. Que a visão da Missão Inacabada nos mobilize para que o nome de Cristo seja conhecido por todos os povos, cumprindo a profecia de que Ele será a luz dos gentios: “Eu o farei luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até aos confins da terra” (Isaías 49:6). O Senhor conta conosco!

E a Palavra de Deus é cristalina: a missão continua e é urgente. O próprio Jesus fez uma declaração que define o cronograma escatológico da Igreja:

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. E então virá o fim.” (Mateus 24:14)

Isso significa que a volta gloriosa de Cristo está diretamente ligada à pregação eficaz do Evangelho entre todos os povos, tribos e línguas. Não podemos ficar parados.

Uma irmã evangelista preparando-se para a distribuição da Palavra de Deus escrita na região alta de Bolívia

O cumprimento da profecia depende da nossa ação! Que essa urgência nos mova a cumprir nossa parte na história da redenção.

Deus ama todas as culturas

A diversidade humana que vemos no mundo — as diferentes raças, culturas e línguas — não é um acidente do acaso. Pelo contrário, ela é uma parte essencial e gloriosa do plano divino para alcançar o homem perdido.

As Escrituras afirmam claramente a origem dessa unidade na diversidade: “De um só fez toda a raça dos homens para habitar sobre toda a face da terra” (Atos 17:26). Deus é o Criador de cada grupo étnico e Se alegra em cada expressão cultural.

A missão não visa apagar essas diferenças, mas redimi-las. Nossa visão final, prometida em Apocalipse, é poderosa: no céu, veremos “povos, tribos, línguas e nações” adorando juntos (Apocalipse 5:9). Deus não deseja uma uniformidade cultural; Ele anseia por uma adoração multicolorida, multilinguística e multicultural.

Nosso trabalho missionário é, portanto, buscar a glória de Cristo em cada sotaque e em cada tradição, para que a Igreja se torne a imagem completa dessa riqueza celestial. É uma festa de diversidade que honra o Criador!

Unidade espiritual — missão transcultural

A verdadeira força da Igreja reside em sua unidade, mas é crucial entender onde essa união não é fundamentada em uma só cultura. Nossa igreja não é unida por hábitos, roupas ou estilo musical; esses são apenas traços culturais. A nossa unidade é forjada no essencial: no Espírito Santo, como afirma a Palavra: “Há um só corpo e um só Espírito” (Efésios 4:4).

Essa unidade espiritual, porém, não nos permite ficar parados. Pelo contrário, ela nos impele a cruzar barreiras e ir em direção ao mundo. O modelo para essa travessia é o próprio Cristo.

Ele cruzou a maior barreira que existia: a distância entre o Criador e a criatura. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Jesus esvaziou-Se, adotou nossa fragilidade e falou nossa língua. Se Jesus, sendo Deus, se fez homem para nos alcançar, nós, a Sua Igreja, devemos seguir Seu exemplo, atravessando as fronteiras culturais, sociais e geográficas para levar a Sua mensagem. somos chamados a sair de nossas zonas de conforto para alcançar outros.

Palavra de Deus chegando ao povo de La Paz, Bolívia

Missão é por povos — não só por países

Jesus foi específico em Seu mandato missionário. Ele não disse apenas “países”, mas sim “fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19), e a palavra original utilizada foi ethne: grupos étnicos e culturais. Isso muda tudo em nosso planejamento!

Precisamos entender que a Missão Inacabada não está apenas em lugares distantes; existem povos e grupos étnicos não alcançados até mesmo dentro de países de maioria cristã, inclusive no Brasil.

Nossa tarefa não se limita a cidades ou fronteiras políticas, mas à etnia, para que o Reino de Deus seja manifestado em “toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9). O ethne é o alvo de Deus.

A distância cultural importa

Não se engane: quanto maior a diferença cultural entre o missionário e o povo que ele deseja alcançar, maior e mais complexo é o desafio. Ir para outro país, com um idioma e uma visão de mundo totalmente distintos, exige mais do que paixão; exige uma renúncia profunda.

É por isso que o Apóstolo Paulo nos deu o modelo definitivo de adaptação missionária, declarando: “Fiz-me tudo para com todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Missões de verdade exigem humildade para ouvir, disposição para aprender, serviço genuíno e um amor incondicional.

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

A urgência é imensa. A Palavra de Deus questiona nossa inação: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14). Deus continua, sim, levantando homens e mulheres para serem missionários transculturais — pessoas dispostas a abandonar o conforto e a cruzar essas distâncias em obediência. A questão é: estamos dispostos a enviá-los e sustentá-los, para que a mensagem chegue? também apoiadores, mantenedores, enviadores e intercessores.

Conclusão

A missão não terminou. Há povos sem Bíblia, sem igreja e sem esperança. Nós somos parte da resposta de Deus.

“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
(João 20:21)

Que nossa resposta seja: Eis-me aqui, envia-me.

A Visão Que Vai Além do Mapa: Olhe as almas!

Quando você pensa em “missões”, o que vem à sua cabeça? Provavelmente, um mapa com pontos vermelhos e linhas de fronteira, certo? É natural. Vivemos olhando para o mundo através de mapas políticos, divisões geográficas e aquelas estatísticas que mostram onde o Evangelho já chegou.

Mas, preciso te dizer: essa não é a perspectiva de Deus!

O princípio que rege a missão é fundamental e totalmente diferente: Deus olha o mundo com um amor apaixonado pelos povos!

Peniel N Dourado nos Andes de Bolívia

O Amor Maior Que Todas as Fronteiras

O que move o coração do Pai não são os traços que desenhamos no papel. É a alma de cada ser humano. O Seu amor é a motivação máxima de toda a história, como lemos em João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira...” Esse amor é dirigido a cada pessoa, criada por Ele em sua singularidade.

É esse amor que revela um contraste que precisa nos chocar: por um lado, temos nações e grupos onde a Igreja floresce; por outro, temos grupos de pessoas inteiros — centenas, às vezes milhares — que vivem sem nenhuma luz da Salvação.

Nosso chamado é claro, direto e inadiável. Como embaixadores de Cristo, nossa missão é ir a esses lugares! Fomos ordenados por Ele: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). A ordem é sair!

A Beleza da Diversidade Criada

Olhe ao redor: Deus é o maior celebrador da diversidade. Ele nos fez únicos e não nos chamou para sermos cópias uns dos outros. Ele nos chamou para sermos d’Ele, com nossas culturas, línguas e identidades distintas. Desde Gênesis 9:1, o plano sempre foi que a Sua glória enchesse a Terra, sendo refletida em cada etnia.

Porém, essa visão gloriosa sempre teve um obstáculo.

O Perigo das “Missões Fáceis”

A ironia da história de Babel é que o povo quis criar um projeto humano, centrado no homem, para evitar a dispersão (Gênesis 11:4).

Infelizmente, esse mesmo “espírito de conforto” tenta hoje nos convencer a fazer missões “sem cruz”. Queremos o resultado sem o sacrifício, sem a dolorosa, mas necessária, renúncia de descer à cultura do outro. É o desejo de levar o Evangelho sem nos envolvermos de verdade com a realidade e a língua do próximo.

Mas o Evangelho da Glória exige que o povo de Deus atravesse fronteiras.

Jesus, O Maior Missionário da História

O nosso modelo é perfeito: Jesus! Ele não nos enviou a mensagem por um emissário distante. O próprio Deus deixou a glória do Céu e Se encarnou. Ele Se fez homem, falou a nossa língua e viveu a nossa experiência humana. Que exemplo de sacrifício e de penetração cultural!

Seguindo Seu exemplo, o Apóstolo Paulo cruzou incansavelmente culturas e línguas, declarando que se fez “tudo para todos, para por todos os meios salvar alguns” (1 Coríntios 9:22).

Nosso chamado é o mesmo. Temos que cruzar fronteiras. Não apenas as linhas visíveis do mapa, mas as invisíveis: as barreiras de preconceito, de conforto e, principalmente, de comodidade. Precisamos levar a mensagem da cruz, que pode parecer loucura para alguns, mas é o poder de Deus para nós (1 Coríntios 1:18).

Seu Próximo Passo: Um Olhar de Envio

Que o amor de Deus pelos povos inspire você a ir além do mapa e focar no Seu coração! Não fique apenas na teoria.

A questão central não é mais: “Será que ainda há povos não alcançados?”

A pergunta que ecoa em nosso espírito e exige uma resposta de ação é: “Quem Deus quer enviar através de mim?”

Você já conhece o mapa; agora, comprometa-se com o coração Dele.


Desafio Prático: Identifique uma barreira (seja ela cultural, social ou pessoal) que tem te impedido de compartilhar o Evangelho ativamente. Ore e trace um plano prático para começar a derrubá-la nesta semana, lembrando-se de que a ordem é “Ide”.

O Poder do Apoio Evangelístico Local na Bolívia

Você já se perguntou o que significa ser uma ferramenta de Deus em um lugar de grande necessidade? A evangelização não se limita a um único evento, mas a um trabalho contínuo e dedicado. Conheça a história de como o apoio evangelístico local está transformando a cidade de Oruro, na Bolívia, e o que isso pode ensinar a você sobre o poder da colaboração na obra de Deus.

Evangelista levando a Palavra de Deus escrita em Oruro, Bolívia

Este é o Mercado Cantuta, em Oruro, na Bolívia. Muitas vezes, viajamos de Santa Cruz de la Sierra até aqui para levar a Palavra de Deus a esse povo. No entanto, o que são algumas atividades evangelísticas esporádicas diante de tanta necessidade?

A Palavra de Deus é clara em dizer que a Seara é grande, mas poucos são os ceifeiros. “E disse-lhes: A seara é realmente grande, mas os ceifeiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie ceifeiros para a sua seara” (Lucas 10:2).

Louvamos a Deus porque o melhor resultado na evangelização acontece quando os missionários locais estão constantemente realizando o trabalho. É por isso que, hoje, temos um ponto de apoio evangelístico em Oruro, servindo a evangelistas que não atuam apenas no Mercado Cantuta, mas também na grande feira da Firmino Lopez, nos hospitais, nos pequenos mercados das periferias, nas casas e em muitos outros lugares.

O líder local, além de atender a cidade de Oruro, tem levado a mensagem aos povoados, alcançando regiões onde ainda não existe uma igreja pregando o Evangelho. E a Palavra de Deus é como um tesouro que não deve ser guardado, mas compartilhado. “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Romanos 10:14). Essa iniciativa garante que a mensagem de salvação chegue a lugares remotos, onde a luz do Evangelho ainda não brilhou.

O evangelismo local é a estratégia mais eficaz para a grande comissão. Não se trata de uma única pessoa com um microfone, mas de um corpo de crentes unidos, cada um com uma função, trabalhando juntos para um propósito maior. É o exemplo perfeito da igreja como o corpo de Cristo. “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (1 Coríntios 12:27).

Que o Senhor Jesus continue nos concedendo grandes oportunidades para alcançar vidas em toda a América do Sul. A evangelização em Oruro nos ensina uma lição valiosa: a missão não é um ato isolado, mas uma vida dedicada a servir, capacitar e multiplicar o trabalho, permitindo que o Reino de Deus se expanda de forma orgânica e constante.


Desafio prático: Comece a orar hoje mesmo para que Deus levante e fortaleça os evangelistas locais em sua própria cidade e em outras nações. A oração é a força motriz de toda a obra evangelística.

Discípulos no Campo Missionário

O evangelista intercultural (missionário) tem o objetivo de ganhar almas no campo gerando discípulos de Cristo Jesus. Mas o trabalho precisa ter continuidade e para isso é importante pensar em levantar outros que tenham a mesma visão no campo missionário. Ou seja, é precisa gerar obreiros locais, nativos para a progressão da obra.

E compreendemos esta realidade o propósito central do cristão é fazer discípulos, segundo a Grande Comissão, e fazer discípulos “à todas as nações” (Mt 28.16-20). E se estamos trabalhando pensando apenas em nossa cidades, nossa comunidade, nosso país, os que falam nossa lingua, então erramos o alvo quanto a Grande Comissão.

Eu creio em uma ordem a ser estabelecida. Se você ainda não pode atuar em outro bairro, então comece em seu próprio barrio. Se você não pode desenvolver o trabalho em outra cidade, então faça na sua prórpia cidade. Mas quando você tiver oportundiade, a porta aberta para expandir, faça! E se não aproveitar este momento o trabalho começa a inchar.

É no inchaço da obra local que provêm os problemas de relacionamento, briga por melhores posições, oportunidades privilegiadas e etc. O grupo que foi criado para expandir agora adoece. E aqui não estou falando de um trabalho específico, um projeto específico, mas aqui é para qualquer atividade na igreja. 

Agora, voltando a Grande Comissão, o que muitos esquecem é que a palavra NAÇÃO no texto quer dizer etnias. Quando Jesus se direcionou aos judeus e ordenou ir ao mundo, ir às nações não estava falando de países, mas estava falando de etnias. Lembre-se que o conceito de nação que eu e você temos hoje nasceu no século XVI. 

Outro ponto interessante dentro do nosso contexto atual é que cada missionário tem uma visão específica de atuação. E mesmo que você faça da melhor forma possível um nativo fará muito melhor que você. Assim, a visão que você tem ele deve ser transmitida no campo de missões aos nativos para que o trabalho tenha uma progressão. Se você como missionário se acha bom no que você faz o nativo fará muito melhor pelo simples fato de ser nativo. 

Mas, como fazer discípulos no campo missionário? Para começar, precisamos levar em conta que um discípulo é primordialmente um aprendiz, alguém que está em processo de formação. Neste processo de formação este deverá ter os cuidados necessários para um verdadeiro e produtivo crescimento.

Em primeiro lugar, o discípulo deve ser discípulo de Jesus, ou seja, deve ser alguém que nasceu de novo, alguém que sabe escutar a voz do Mestre, ter uma verdadeira vivência com Cristo. Antes de querer aprender algo sobre um projeto em desenvolvimento é precisa aprender a andar com o Mestre.

O apóstolo Paulo reconhece isto quando, escrevendo aos crentes na Galácia, lhes diz: “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4.19). O apóstolo Paulo primeiramente lutava, trabalhava, gemia para que Cristo seja formado naquele povo.

Não tem como colocar alguém à frente de um trabalho se não tem uma conversão verdadeira. Com certeza haverá sérias consequências no desenvolvimento do trabalho se houver pessoas sem capacidade espiritual à frente de um serviço que é espiritual. Antes dessas pessoas aprenderem ouvir você como missionários no campo elas devem saber ouvir Cristo Jesus. 

Finalizo dizendo que o trabalho que Deus te Deus deve haver uma progressão. Você deve pensar e orar a Deus para que o Senhor levante no campo pessoas que possam dar a progressão ao trabalho que o Senhor deu para você desenvolver. 

E fique certo que um nativo no desenvolvimento do trabalho no campo estará gerando outro que possam continuar desenvolvendo o trabalho de forma adaptada às dificuldades e necessidades e, de forma geral, multiplicando os resultados.

Quero deixar um vídeo onde eu falo um pouco sobre o assunto. Espero que você assista

Eu envio periodicamente e-mails com muitas dicas sobre a vida prática em missões. Se você tiver interesse é só fazer o cadastro pelo link que vou colocar logo abaixo. Lembre-se o que o cadastro é gratuito

CLIQUE AQUI para fazer o cadastro gratuito

Um forte abraço e que o Senhor Jesus te abençoe

Você entende o que são etnias em missões?

Você entende o que são etnias nas missões?

Etnia é um assunto de extrema importância para quem deseja fazer missões. Mas, infelizmente, muitas igrejas que apoiam ou enviam missionários quase nunca tratam desse tema. Pela falta de vivência no campo, elas não preparam seus obreiros para alcançar diferentes grupos étnicos. Em muitas conferências missionárias, esse assunto nem sequer aparece — e isso afeta diretamente os resultados da obra missionária a longo prazo.

Eu cresci envolvido com missões e, mesmo assim, quase não ouvia ninguém falar sobre etnias. Lembro de um grupo da Jocum que visitou nossa igreja e tocou nesse tema com entusiasmo, mas sem aprofundamento. A verdade é que falar de etnias acaba confrontando a visão tradicional de “ir às nações”, como se o termo “nações” fosse apenas político e geográfico.

Hoje eu entendo que, infelizmente, esse confronto gera debates desnecessários dentro da igreja. E digo “desnecessários” porque raramente esses debates têm a intenção de estudar o assunto. Muitas vezes são apenas discussões superficiais que não geram transformação nem preparo.

Aprendendo com os erros no campo

Se você está lendo até aqui, acredito que você tem sede de aprender. E quero deixar claro: eu não tenho todas as respostas. Continuo estudando e aprendendo todos os dias, com livros, sites, blogs, vídeos, conversas com outros missionários… E muito do que sei hoje nasceu dos problemas que enfrentei aqui na Bolívia.

Sim, eu cometi muitos erros. Fiz escolhas equivocadas por não entender bem o campo onde estava. E quando um missionário erra, ele precisa parar, refazer passos, consertar rotas — e às vezes o dano é tão grande que afeta toda a equipe e até o futuro do projeto. Há casos de ministérios que chegaram ao fim não porque o tempo acabou, mas porque faltou sabedoria e preparo.

E isso é sério: recursos, ofertas e anos de esforço de igrejas e voluntários acabam sendo desperdiçados. E mais: isso pode se tornar um caso de negligência diante de Deus. Afinal, a responsabilidade que carregamos como enviados do Senhor é enorme (1 Coríntios 4:2).

A ordem de Jesus não foi ir às “nações” como entendemos hoje

Se você fizer uma rápida pesquisa, verá que o conceito moderno de “nação” surgiu no século XVI. Ou seja, Jesus não nos mandou ir aos Estados modernos, mas sim aos grupos étnicos. Em Mateus 28:19, quando Ele diz: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações…”, o termo original em grego é ethnos, que significa etnia.

Naquela época, era inconcebível para um judeu se misturar com outros povos. Os gentios só podiam se aproximar mediante um sistema de regras. Mas Jesus quebra esse padrão. A ordem é clara: ir até eles, sem exigir que eles venham até nós ou que se adaptem primeiro à nossa cultura.

Quem deve mudar sou eu

Por isso, o verdadeiro evangelista intercultural entende que quem deve se adaptar é ele. Paulo resumiu isso dizendo: “Fiz-me tudo para com todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Esse é o coração da missão: amar, servir e aprender a cultura do outro, com humildade e disposição.

A missão da igreja é centrífuga, não centrípeta

Já escrevi antes sobre isso. A missão da igreja deve ser centrífuga: um movimento de dentro para fora. Quanto mais cheia do Espírito, mais ela se move para alcançar os de fora — os esquecidos, os que nunca ouviram, os povos não alcançados.

Peniel N Dourado

Mas quando a igreja está dominada por religiosidade, seu movimento se torna centrípeto: tudo gira em torno de si mesma. Israel, no Antigo Testamento, tinha essa postura. Deus atraía os povos a Israel, mas agora, com o envio do Espírito Santo em Atos 1:8, a ordem é clara: “serão minhas testemunhas… até os confins da terra.”

A igreja não pode mais ficar esperando. Se não estamos indo, devemos estar enviando.

Etnias estão por toda parte

Quando falamos em “ir às nações”, precisamos lembrar: estamos falando de etnias, não apenas países. E elas estão tanto fora como dentro do nosso território. Muitas vezes o campo está ao nosso lado — um povo indígena, uma comunidade de imigrantes, um grupo isolado na cidade. E se não formos com sensibilidade e preparo, falharemos em apresentar Cristo com eficácia.

Uma convocação para aprender e compartilhar

Eu editei um vídeo que está logo abaixo para te ajudar a aprofundar nesse tema. Assista com atenção. A falta de compreensão sobre etnias tem travado o avanço de muitas frentes missionárias. E isso pode mudar — se você se dispuser a aprender e a ensinar outros.

Meu objetivo aqui não é gerar polêmica, mas trazer clareza. Se este conteúdo te ajudou, compartilhe. Queremos ver mais missionários capacitados, preparados, conscientes da missão que o Senhor nos confiou.

Missões às Etnias: O Alvo Real da Grande Comissão

A ordem de Jesus é para as etnias, não para os países

Na Grande Comissão está clara a ordem de evangelizar todas as etnias. Jesus nunca falou em evangelizar nações no sentido político, como hoje entendemos. A expressão usada por Cristo em Mateus 28:19 é “panta ta ethné”, que significa literalmente “todos os povos” ou “todas as etnias”.

O desejo de Jesus sempre foi que o mundo fosse alcançado pelo evangelho, e o caminho apontado por Ele foi através das etnias, não dos países delimitados por fronteiras modernas.


A Igreja Primitiva também enfrentou dificuldades culturais

Jesus enviou Sua Igreja para fazer discípulos entre todas as etnias. Mas essa ordem foi dada a um povo acostumado a se fechar em sua própria cultura: os judeus. Isso tornou a missão um grande desafio.

Peniel N Dourado

A Igreja Primitiva demorou cerca de dez anos trabalhando quase exclusivamente entre os judeus. Foi necessário o Espírito Santo intervir diretamente, revelando ao apóstolo Pedro que o evangelho também era para os gentios (Atos 10). Mesmo assim, Pedro teve dificuldade em sair do círculo cultural.

Neste contexto, Deus levantou o apóstolo Paulo – alguém preparado e disposto a alcançar os outros povos. A missão não podia parar (Atos 13:2-3).


A confusão entre etnias e nações políticas

Hoje, muitos ainda têm dificuldade em cumprir a missão, porque pensam em termos políticos: países, bandeiras e governos. Quando olhamos o mapa-múndi, vemos nações, mas quando Deus olha, Ele vê etnias.

Falar de “missões” virou sinônimo de “ir a uma nação”, em vez de “alcançar um povo específico”. Fala-se de abrir igrejas em outros países, mas raramente se pensa em formar obreiros nativos entre um grupo étnico.


Etnias são parte do plano original de Deus

O conceito de “nação” como conhecemos surgiu no século XVI, mas as etnias sempre existiram. Elas fazem parte da criação divina. O plano de Deus sempre foi multietnico.

Por isso, a Grande Comissão diz:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações (etnias)…” (Mateus 28:19)

E o próprio Jesus afirma:

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações (etnias). E então virá o fim.” (Mateus 24:14)


O risco de uma igreja presa à estrutura do Estado

Muitas igrejas estão presas ao sistema político, funcionando mais como empresas legalizadas do que como o Corpo vivo de Cristo. A liderança muitas vezes diz: “Não podemos fazer isso porque são as leis da nação.” Mas a Igreja não pode ser limitada pelas fronteiras humanas.

Jesus disse:

“Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)

É possível existir uma “empresa-igreja” reconhecida pelo governo, mas isso não é sinônimo de Reino de Deus. Só quem nasce da água e do Espírito entra nesse Reino (João 3:5).

Peniel N Dourado

A missão é com as etnias, não com os governos

O verdadeiro missionário é enviado para testemunhar entre as etnias, gerar transformação pela cultura do Reino e formar discípulos. A Igreja de Cristo nasce, cresce e se multiplica entre os povos, não entre os estados nacionais.

Se a Igreja cresce apenas dentro das exigências políticas de uma nação, ela se torna refém da cultura dominante e perde sua identidade. Por isso, precisamos voltar ao plano original: discipular etnias.


Um alerta para a igreja moderna

É duro dizer, mas muitos projetos missionários estão sendo tomados por interesses humanos, naturais e carnais. Por quê? Porque ignoram a ordem de Jesus.

A Igreja continua se preparando para ir às nações políticas, quando o chamado de Jesus foi para ir às etnias.

“E sereis minhas testemunhas… até os confins da terra.” (Atos 1:8)


Região Aymara no Altiplano da Bolívia

Nosso trabalho missionário entre os povos Aymaras é um exemplo de como alcançar etnias é diferente de simplesmente plantar igrejas em um país. Cada povo tem sua cultura, idioma, costumes e forma única de receber o evangelho.