Fazer a Obra do Senhor exige sabedoria, temor e orientação de Deus. Quando se trata de liderar uma igreja local, é importante entender que há uma diferença entre ser o pastor e substituir temporariamente o pastor. Quem assume interinamente não deve ter como objetivo mudar estruturas ou práticas da igreja, mas sim manter o bom andamento da obra (1 Coríntios 14:40).
Esse princípio vale também para qualquer função no Reino: dirigente de congregação, líder de missões, evangelismo ou jovens. O maior cuidado de um líder é preparar substitutos fiéis e humildes (2 Timóteo 2:2). Quando isso não acontece, a ausência de um líder pode gerar caos espiritual.
Na secretaria de missões, por exemplo, é necessário compreender que ela é uma ponte entre a igreja e o campo missionário. Se estiver desconectada da realidade do missionário, torna-se uma estrutura vazia. Por isso, a palavra-chave para atuar em qualquer área missionária é visão. E não apenas uma visão física, mas espiritual — ver com os olhos e com o coração (Efésios 1:18).
A Bíblia nos dá exemplos de líderes que agiram com sabedoria. Neemias, ao chegar a Jerusalém para reconstruir os muros, não saiu impondo mudanças. Ele esperou, observou e buscou o tempo certo para agir (Neemias 2:11-13). Jesus também agiu com prudência. Antes de purificar o templo, Ele primeiro entrou, observou tudo e apenas no dia seguinte tomou atitudes (Marcos 11:11,15-17). Isso nos ensina que nem todo início deve ser marcado por mudanças radicais. Esperar o tempo de Deus é sinal de sabedoria (Eclesiastes 3:1).
Lembre-se: a Obra não é nossa, é do Senhor, e um dia prestaremos contas (Romanos 14:12). Por isso, o zelo e a prudência são essenciais. Neemias não contou imediatamente o que Deus havia colocado em seu coração. Ele foi discreto, pois sabia que falar fora do tempo pode atrair oposição antes da hora certa (Neemias 2:12). Nem tudo precisa ser revelado de imediato. Há momentos em que até o silêncio é uma estratégia divina (Miquéias 7:5).
Uma palavra de Deus é como uma semente. Ela precisa de tempo para germinar, crescer e frutificar (Marcos 4:26-29). A precipitação pode destruir um plano divino antes mesmo que ele amadureça. Quando Deus nos fala, é preciso discernir o momento certo de compartilhar ou agir.
Compartilho aqui uma experiência pessoal: em 2006, em Puerto Suárez (Bolívia), o Senhor me deu uma palavra clara sobre campanhas evangelísticas. No entanto, comentei antecipadamente com pessoas, fiz planos antes do tempo, e isso gerou frustrações. A obra de Deus se cumpriu, mas não da forma que eu imaginava. Aprendi que a humildade e o tempo são essenciais para que a semente cresça no tempo certo de Deus.
Neemias saiu à noite pela “porta do vale” (Neemias 2:13). Isso fala de humildade. Prefiro um trabalho constante e duradouro a um início com “fogos de artifício” que não dura. Muitos missionários chegam ao campo cheios de alarde, mas em pouco tempo estão de volta, frustrados. A sabedoria está em começar com humildade e perseverança (Provérbios 16:18).
Certa vez, um pastor visitou nossa base missionária e, após uma semana conosco, decidiu apoiar nosso trabalho. Ele havia recebido a direção de Deus três meses antes, mas esperou, orou e agiu com sabedoria. Diferente de muitos que prometem apoio, mas não vêm pela “porta do vale” — vêm com promessas vazias e depois desaparecem sem sequer demonstrar arrependimento.
A grande pergunta é: como temos feito a Obra do Senhor? Com sabedoria? Com visão? Com temor? A Palavra nos lembra: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10). É esse temor que nos guia a tomar decisões com prudência e que garante que nossa obra seja aceita por Deus.
Sigamos construindo o Reino com temor, visão e sabedoria, lembrando que a Obra é do Senhor, e a Ele prestaremos contas.
Peniel N Dourado
