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Chamado Missionário: Como Saber se Você Está Ouvindo Deus?

Muitas vezes, o despertador toca às 4h30 da manhã, o café está no fogo, os pássaros começam a cantar no quintal e o nosso coração queima por uma única coisa: fazer a obra de Deus. Mas, entre o desejo de ir e o “ide” de fato, existe um abismo onde muitos missionários — iniciantes e veteranos — acabam tropeçando.

Pastor Peniel Dourado e Mina A Dourado

Ao longo de anos de estrada, observando famílias, igrejas e projetos na Bolívia, no Paraguai e em tantos outros lugares, eu cheguei a uma conclusão crítica. O maior erro de quem quer entrar no ritmo da vida em missões não é a falta de dinheiro, de apoio logístico ou de formação teológica. O maior erro é não se preparar espiritualmente para ouvir a voz de Deus.

Infelizmente este é um assunto que mais sou indagado porque aqueles que estão ativamente fazendo a obra de Deus; missionários no campo transcultural, pastores, irmaos em geral repetem a mesma frase: “Como é ouvir a voz de Deus?”

Como fica o entendimento daqueles que ainda não aprenderam ouvir a voz de Deus sobre o texto: “E, estando Pedro meditando naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te, pois, desce e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei” (Atos 10:19-20) Sim, esta foi uma palavra específica dada pelo próprio Deus ao apóstolo Pedro.

Alguém pode dizer que o Espírito de Deus só falava aos apostolo desta forma e não a outros cristãos. Mas em Atos 8:29 está escrito: “E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro” Aqui temos mais uma palavra específica a um servo que estava em plena missão.

Fazer missão não é simplesmente fazer um curso, arrumar as malas e aplicar uma técnica do outro lado da fronteira. Estamos tratando de algo espiritual. Se Deus é o dono da obra, Ele é quem dá as coordenadas para a sua obra. Por que ir para Moçambique se o Dono da obra te quer no Peru? Por que insistir em uma metrópole se Ele te chama para o interior?

No vídeo abaixo, eu compartilho como Deus me ensinou a discernir as Suas instruções específicas. Eu conto como fui questionado por escolher a Bolívia em vez de países mais “prósperos” como o Japão ou os Estados Unidos. Afinal, quem é o seu Deus? É o Deus que apenas te manda para onde há conforto, ou o Deus que te envia também para onde não há nenhum conforto? E poderia ser o contrário, mas o que realmente importa é viver a direção de Deus.

Assista o vídeo abaixo e você vai entender por que o resultado imediato não pode ser o seu guia. Filipe saiu de um avivamento em Samaria para uma estrada deserta por obediência. Existe lógica nesta ação para um evangelista?

Abraão esperou 25 anos para o cumprimento da promesa. O Deus todo poderoso não poderia dar o seu filho no ano seguinte? Sim, Abraão ouviu Deus falar e esperou o tempo imposto pelo próprio Deus.

Se você sente que o seu chamado precisa de uma direção clara, ou se você está cansado de “bater cabeça” sem ouvir a voz do Senhor, este vídeo é para você. Eu espero que você assista e abra seu coração a palavra de Deus

Dê o play agora e descubra como alinhar o seu ouvido ao coração do Pai!


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Além das Fronteiras: A Logística da Sobrevivência Transcultural

O campo missionário transcultural é, sem dúvida, um dos cenários mais fascinantes e, ao mesmo tempo, mais desafiadores para o homem e a mulher de Deus. Quando o chamado de Deus nos empurra para além da nossa cultura, do nosso conforto e da nossa lógica organizacional, somos forçados a encarar uma realidade que os relatórios de campo raramente conseguem traduzir em números: a nossa própria fragilidade.

Atuar na Bolívia, Peru, Paraguai, sertão nordestino, na Amazônia ou em qualquer fronteira cultural não é apenas uma mudança de CEP; é a entrada em um novo terreno, outra casa cultural, onde tudo o que você sabia sobre comunicação, valores e relacionamentos precisa ser reconstruído do zero.

Família missionária: Pr Peniel, Mina, Deborah (18) e Samuel (10)

Muitas vezes, o missionário chega ao campo focado na geografia, mas o verdadeiro desafio é a demografia da alma. O campo transcultural exige que você deixe de ser o centro. Você chega como um especialista, mas precisa aprender a ser um servo aprendiz. Como Paulo bem definiu em 1 Coríntios 9:22, o segredo não está em impor a nossa cultura, mas em “fazer-se tudo para com todos”. Isso exige uma humildade que dói no ego, uma paciência que testa o limite e uma disposição constante para ser o “estrangeiro” que ninguém entende de primeira.

O Choque da Realidade e a Barreira do Silêncio

O primeiro grande obstáculo que enfrentamos no campo é o choque cultural. Ele não avisa quando chega; manifesta-se na comida que o seu corpo rejeita, nos horários que não fazem sentido para a sua mente e na linguagem corporal que você interpreta errado. Já vi muitos missionários que não desistiram do chamado, mas se cansaram diante do choque de cultura.

O erro fatal aqui é confundir adaptação com perda de identidade. Adaptar-se não é deixar de ser quem você é; é a forma mais alta de amor e encarnação do Evangelho. Jesus não ficou no Céu enviando manuais de como ser salvo; Ele se encarnou, falou nossa língua e viveu nossa rotina. Se queremos alcançar um povo, precisamos baixar nossas defesas e aprender a viver como eles. Não deixamos de ser o que somos, mas nos adaptamos.

Pr Peniel Dourado no albergue no Paraguai

Somado a isso, temos o desafio da comunicação. Dominar um idioma vai muito além de decorar vocabulário. É entender o peso das pausas, o significado dos provérbios locais e a alma por trás das palavras. Falar sem ser compreendido gera uma frustração profunda, um sentimento de inutilidade que pode paralisar o obreiro mais fervoroso que deseja, de todo o coração, compartilhar Cristo.

É nesse silêncio forçado que aprendemos a depender menos da nossa eloquência e mais do Espírito Santo. Como diz em Zacarias 4:6, o avanço não é por força ou violência intelectual, mas pelo Espírito. Se a língua trava, a vida precisa falar mais alto. E, em momentos assim, damos maior valor à Palavra escrita, que pode alcançar vidas que estão do outro lado do muro do idioma.

Em meu canal no YouTube, tenho alguns vídeos onde falo sobre choque cultural. No primeiro, abordo o choque cultural em missões nacionais; esse vídeo foi gravado no estado de Alagoas. Para acessar o vídeo, [CLIQUE AQUI]. O segundo vídeo gravei na região de fronteira com a Bolívia e falo sobre o choque cultural reverso. Se você nunca ouviu falar no assunto, eu o animo a clicar e assistir: [CLIQUE AQUI].

Amar missões é abraçar o desafio de ser um eterno aprendiz do Reino. Não deixe que as barreiras culturais paralisem o fogo que Deus acendeu em seu coração; use cada dificuldade como um degrau para uma dependência mais profunda do Pai.

Convido você a caminhar conosco nessa jornada! Inscreva-se em nosso canal no YouTube, acompanhe nossas postagens e vamos, juntos, entender o agir de Deus para alcançar as nações. O campo é grande, os desafios são reais, mas a nossa paixão pelas almas deve ser ainda maior!

Equilíbrio e Poder: O Segredo para Avançar em Missões

Parece que um dos maiores desafios para a Igreja hoje é manter o equilíbrio. No campo missionário, lidamos com situações extremas e, se não tivermos cuidado, podemos pegar qualquer assunto bíblico e levá-lo a um extremo prejudicial. O que deveria ser uma ferramenta de libertação acaba se tornando um peso ou, pior, uma heresia.

Missionários Peniel e Mina (2024)

Nosso chamado é andar pelo meio da estrada, com os pés no chão e o espírito alerta. Tenho visto pessoas não se preparando para o serviço de missões, pois receberam um chamado, buscam o poder de Deus e creem que o próprio Deus é poderoso para agir quando chegar no campo de missões. Eu creio que Deus é poderoso, mas colocar sobre Deus as responsabilidades que é nossa da preparação é desaquilíbrio.

Por outro lado, não podemos permitir que o medo do fanatismo nos roube as ferramentas que o próprio Deus colocou em nossas mãos. No campo de missões, a batalha é prioritariamente espiritual, e não se vence uma guerra espiritual com estratégias meramente humanas. Temos recursos do Alto para romper barreiras que a logística comum não alcança.

Infelizmente, sempre haverá aqueles que perdem o equilíbrio no meio do caminho, mas o desvio deles não pode determinar o nosso ritmo. Se nos deixarmos paralisar pelo receio de sermos confundidos com os “fanáticos”, quem perde é a própria Obra de Missões. Sem o exercício da autoridade bíblica, o avanço no campo estagna e as almas continuam cativas.

Precisamos caminhar no centro da vontade de Deus, com a preparação para enfrentarmos o campo transcultural, a Bíblia em uma mão e o poder do Espírito na outra. O equilíbrio não é ausência de poder espiritual, é fogo controlado para o propósito certo. Como Paulo instruiu o jovem obreiro em 2 Timóteo 1:7, “porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”. É essa moderação, unida ao poder, que nos fará chegar onde ninguém mais chegou vivendo o propósito de Deus.

Observo no meio da igreja que muitas vezes, perdemos tempo discutindo o que seriam as “obras maiores” que Jesus mencionou, enquanto ainda nem começamos a fazer as obras básicas que Ele nos mandopu realizar.

No evangelismo prático, precisamos dessa autoridade para romper barreiras geográficas e espirituais, mas sempre com a humildade de quem sabe que o poder vem d’Ele e para Ele. O equilíbrio é a nossa maior proteção. Se quisermos alcançar as nações e ver resultados reais no avanço do Reino, precisamos de poder com ordem, e fé com doutrina.

Querido missionário, mantenha seu coração focado no Mestre e suas mãos prontas para o trabalho. Não se deixe levar por ventos de doutrina que inflamam o ego, mas também não abra mão do que Jesus colocou em suas mãos para subjugar as tempestades da vida mediante o poder de Deus.

“E estes sinais seguirão aos que crerem…” (Marcos 16:17). O poder de Cristo para o cumprimento do propósito está à disposição do que crê, mas lembre-se de que Deus não fará por você o que você deve fazer para que a obra seja feita.

O segredo para não cansar no campo missionário

Sabe aquele segredo de bastidor que ninguém conta, mas que define se um projeto decola ou fica pelo caminho? Recentemente, em São Luís do Maranhão, caminhei com o irmão Rogério e gravamos algo que é puro “ouro” para quem ama missões.

Se você quer entender alguns pontos cruciais do desenvolvimento do projeto de missões no campo, você precisa conferir o que está no vídeo logo abaixo.

Passei alguns dias em São Luís acompanhando o trabalho incrível que o irmão Rogério desenvolve com o evangelismo local e o serviço de apoio aos evangelistas com os materiais impresso. Entre uma rua e outra, conversamos sobre o que realmente faz a engrenagem de missões girar: orientação divina, visão de trabalho, manutenção, voluntariado e desenvolvimento estratégico.

O vídeo acima de 38 minutos tem muita instrução prática ao desenvolvimento do projeto. Nele, abordamos sobre assuntos que, geralmente, ficam restritos apenas às conversas entre missionários. São pontos vitais que podem transformar o desenvolvimento do trabalho no campo.

O Rogério não é nenhum iniciante. Ele já está na estrada há mais de quatro anos no evangelismo com literatura e apoio local. Mas o grande “segredo” não foi o tempo de serviço, e sim o que ele aprendeu na prática: o esforço solitário tem um limite curto.

No começo, como muitos de nós, ele tentava fazer tudo com os próprios recursos, usando o próprio dinheiro, mas logo percebeu que o segredo do crescimento não é ser um super herói individual, mas saber envolver pessoas que abraçam a mesma visão.

Sabe por que muitos projetos missionários morrem cedo? Pela barreira da centralização. Começar com o que você tem no bolso é louvável, mas insistir em fazer tudo sozinho é limitar o avanço do Reino. Quando o projeto cresce, os custos sobem e a demanda aperta; se o missionário não tiver ajudadores, ele cansa, esgota e, infelizmente, para.

A obra de Deus não foi feita para ser um fardo pesado em um ombro só. Se a visão é grande, o time também precisa ser. Envolver parceiros e voluntários não é apenas estratégia de gestão, é maturidade espiritual. É entender que o Reino se constrói no coletivo.

Pr Peniel Dourado e irmão Rogerio no Maranhão

Assim, querido irmão, não deixe o seu chamado morrer no cansaço do isolamento. O Reino de Deus não precisa de super-heróis exaustos, mas de servos que saibam caminhar juntos. Como diz o livro de Provérbios:

“Onde não há conselho os projetos saem vãos, mas na multidão de conselheiros se estabelecem.” (Provérbios 15:22)

O seu desafio hoje é: quem você pode envolver para somar forças e trabalhar junto com você? Como o próprio Rogério destaca no vídeo, quem tenta fazer tudo sozinho acaba se desalinhando do propósito de Deus.

O Senhor nos dá a visão, mas Ele espera que saibamos compartilhar essa missão. Envolver outros não é apenas uma estratégia de gestão, é um princípio bíblico de corpo.

Assista ao vídeo e me conte nos comentários: qual desses pontos de bastidores mais chamou sua atenção? Se este conteúdo abriu seus olhos, não guarde para você. Compartilhe com quem também tem o coração ardendo por missões!

Lembre-se: “É melhor serem dois do que um… Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro” (Eclesiastes 4:9-10). O Reino não é feito de heróis solitários, mas de servos que caminham juntos.

📦 Quando Deus Paga o Frete: Milagres na Logística Missionária

Eu estava vendo minhas fotos antigas e relembrando mais uma situação que passamos onde vimos a mãos de Deus no desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico. E este testemunho eu quero registrar em nosso Diário Missionário de hoje.

Quero lembrar que você pode assinar o nosso blog para que quando eu tiver um post muito importante estarei enviando o link em seu e-mail para você não perca os assuntos mais interessantes do nosso blog.

No Programa de Apoio enfrentamos muitos desafios para dar andamento ao trabalho. Um dos maiores é o frete. Transportar material da base até os pontos de apoio não é simples nem barato, mas essencial para a continuidade da obra.

Quero compartilhar uma experiência de alguns anos atrás, quando estávamos iniciando o Programa de Apoio Evangelístico na Bolívia. Eu creio que esta situação foi no ano de 2012. O material havia acabado em Bolívia e enfrentávamos dificuldades para receber a segunda remessa fazendo o processo de importação por Bolívia.

Diante disso, fiz pedidos de material pela região de fronteira do Brasil com Bolívia. O Brasil estava recebendo contêineres com frequência, então tivemos a ideia de trazer o material de São Paulo até Corumbá (MS), na fronteira, e depois atravessá-lo para o lado boliviano, conduzindo até Santa Cruz de la Sierra.

O contêiner chegou ao Brasil com quase 3 toneladas de material impresso. Fui até Corumbá e, com a ajuda de lideranças locais, conseguimos um galpão para armazenar tudo. Um pastor, que também era sócio de uma empresa de ônibus e caminhões, cedeu espaço em seu depósito e pallets para não deixarmos o material no chão.

Materiais evangelístico chegando na Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra (2012)

O próximo desafio era passar as caixas para a Bolívia. As autoridades aduaneiras exigiam documentação de importação e exportação, o que dificultava muito, já que se tratava de doação. Alguém nos orientou a transportar aos poucos — 100 ou 150 caixas por vez — o que tornava a travessia possível.

Com a ajuda do irmão Nigel Mercado, coordenador na Bolívia, começamos esse processo. Algumas vezes os policiais compreendiam nossa situação e liberavam a passagem. Em certa ocasião, um deles pediu uma Bíblia. Naquele momento Nigel só tinha livretos, mas depois os irmãos compraram uma Bíblia e entregaram ao policial. Essa atitude abriu portas para continuarmos atravessando o material até completar as 3 toneladas.

Outro obstáculo foi o frete de São Paulo até a fronteira. Eu havia falado com várias empresas e o valor estava muito alto, algo impensável para nós. Oramos, pedimos ajuda a várias igrejas e irmãos, até que Deus moveu o coração de uma pessoa que pagou integralmente esse transporte. Se eu não estou enganado o valor chegada aos R$10.000 Reais, ou mais. Mas graças a Deus que as portas foram abertas.

Ainda faltava levar o material da fronteira até Santa Cruz, uma distância de 580 km. Conversei com caminhoneiros e irmãos da região, mas os custos eram também altos. Uma irmã evangelista se dispôs a ajudar, cobrando apenas 250 dólares. Eu não tinha o valor e levei essa necessidade em oração.

Enquanto orava em meu quarto em Santa Cruz de la Sierra, recebi uma ligação de um irmão do Equador. Ele me enviou exatamente 250 dólares pelo Western Union. Com esse recurso, conseguimos pagar o frete, e o material finalmente chegou a Santa Cruz de la Sierra.

Base de Apoio em Santa Cruz, Bolívia (2012)

Compartilho essa história porque até hoje enfrentamos lutas semelhantes. Às vezes a dificuldade é o frete, outras vezes o recurso para viagens ou para manter a obra em andamento. Os custos no Brasil, por exemplo, são muito altos — pedágios, impostos e transporte interno chegam a ser mais caros do que viajar para fora do país.

Mesmo assim, desde 2021 quando decidimos avançar com o projeto no Brasil o Senhor tem nos sustentado. Hoje temos uma base em Aracaju, atendendo boa parte do Nordeste, e estamos iniciando outra em São Luís do Maranhão. Já enviamos mais de uma tonelada de material para lá e oramos para que logo possamos enviar o primeiro contêiner com 10 toneladas, alcançando também a região Norte do Brasil — onde os desafios são ainda maiores devido às condições precárias das estradas e ao custo do transporte.

Mas cremos que o Deus que nos mandou realizar este trabalho é o mesmo que levanta pessoas para sustentá-lo. Não foi uma ideia nossa, foi o Senhor quem nos chamou, e Ele tem suprido cada necessidade no tempo certo.

Agradeço a cada irmão que tem colaborado e intercedido por este projeto. Seguimos avançando, certos de que tudo acontece no tempo do Senhor.

Amém? Continue orando por nós.

Peniel N Dourado

Como Fazer a Obra de Deus com Sabedoria e Temor

Fazer a Obra do Senhor exige sabedoria, temor e orientação de Deus. Quando se trata de liderar uma igreja local, é importante entender que há uma diferença entre ser o pastor e substituir temporariamente o pastor. Quem assume interinamente não deve ter como objetivo mudar estruturas ou práticas da igreja, mas sim manter o bom andamento da obra (1 Coríntios 14:40).

Esse princípio vale também para qualquer função no Reino: dirigente de congregação, líder de missões, evangelismo ou jovens. O maior cuidado de um líder é preparar substitutos fiéis e humildes (2 Timóteo 2:2). Quando isso não acontece, a ausência de um líder pode gerar caos espiritual.

Na secretaria de missões, por exemplo, é necessário compreender que ela é uma ponte entre a igreja e o campo missionário. Se estiver desconectada da realidade do missionário, torna-se uma estrutura vazia. Por isso, a palavra-chave para atuar em qualquer área missionária é visão. E não apenas uma visão física, mas espiritual — ver com os olhos e com o coração (Efésios 1:18).

A Bíblia nos dá exemplos de líderes que agiram com sabedoria. Neemias, ao chegar a Jerusalém para reconstruir os muros, não saiu impondo mudanças. Ele esperou, observou e buscou o tempo certo para agir (Neemias 2:11-13). Jesus também agiu com prudência. Antes de purificar o templo, Ele primeiro entrou, observou tudo e apenas no dia seguinte tomou atitudes (Marcos 11:11,15-17). Isso nos ensina que nem todo início deve ser marcado por mudanças radicais. Esperar o tempo de Deus é sinal de sabedoria (Eclesiastes 3:1).

Lembre-se: a Obra não é nossa, é do Senhor, e um dia prestaremos contas (Romanos 14:12). Por isso, o zelo e a prudência são essenciais. Neemias não contou imediatamente o que Deus havia colocado em seu coração. Ele foi discreto, pois sabia que falar fora do tempo pode atrair oposição antes da hora certa (Neemias 2:12). Nem tudo precisa ser revelado de imediato. Há momentos em que até o silêncio é uma estratégia divina (Miquéias 7:5).

Uma palavra de Deus é como uma semente. Ela precisa de tempo para germinar, crescer e frutificar (Marcos 4:26-29). A precipitação pode destruir um plano divino antes mesmo que ele amadureça. Quando Deus nos fala, é preciso discernir o momento certo de compartilhar ou agir.

Compartilho aqui uma experiência pessoal: em 2006, em Puerto Suárez (Bolívia), o Senhor me deu uma palavra clara sobre campanhas evangelísticas. No entanto, comentei antecipadamente com pessoas, fiz planos antes do tempo, e isso gerou frustrações. A obra de Deus se cumpriu, mas não da forma que eu imaginava. Aprendi que a humildade e o tempo são essenciais para que a semente cresça no tempo certo de Deus.

Neemias saiu à noite pela “porta do vale” (Neemias 2:13). Isso fala de humildade. Prefiro um trabalho constante e duradouro a um início com “fogos de artifício” que não dura. Muitos missionários chegam ao campo cheios de alarde, mas em pouco tempo estão de volta, frustrados. A sabedoria está em começar com humildade e perseverança (Provérbios 16:18).

Certa vez, um pastor visitou nossa base missionária e, após uma semana conosco, decidiu apoiar nosso trabalho. Ele havia recebido a direção de Deus três meses antes, mas esperou, orou e agiu com sabedoria. Diferente de muitos que prometem apoio, mas não vêm pela “porta do vale” — vêm com promessas vazias e depois desaparecem sem sequer demonstrar arrependimento.

A grande pergunta é: como temos feito a Obra do Senhor? Com sabedoria? Com visão? Com temor? A Palavra nos lembra: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10). É esse temor que nos guia a tomar decisões com prudência e que garante que nossa obra seja aceita por Deus.

Sigamos construindo o Reino com temor, visão e sabedoria, lembrando que a Obra é do Senhor, e a Ele prestaremos contas.

Peniel N Dourado