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Hora de avançar ou hora de conquistar em Missões?

Moisés recebeu a ordem do Senhor: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede. Assim passamos o ribeiro de Zerede” (Deuteronômio 2:13). O povo estava organizado dentro de suas divisões tribais, com cada um em sua tenda, e o tabernáculo bem posicionado no centro do acampamento — o lugar de adoração, onde o culto ao Senhor deveria ser constante (Êxodo 40:34-38).

Por onde caminhavam, a presença de Deus os guiava através da nuvem, e quando ela parava, eles acampavam, montavam suas tendas e erigiam o tabernáculo. Havia ordem, havia rotina. Mas também havia o perigo de se acomodar na dificuldade. Como nós, Israel se acostumou à travessia árdua e às limitações impostas por Deus, como comprar água e alimento ao invés de tomar posse das terras (Deuteronômio 2:6).

Peniel N Dourado

De repente, a voz do Senhor irrompe novamente: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede.” Mais de três milhões de pessoas, entre homens, mulheres e crianças, tiveram de deixar sua zona de conforto. Deus estava mais uma vez interrompendo a rotina. Ele é um Deus que se move, e nos chama a nos mover segundo o propósito d’Ele (Números 9:15-23).

Ainda que o povo desejasse conquistar terras, a ordem naquele momento era apenas atravessar. Eles estavam em trânsito, não em conquista. Em outras palavras, Deus os estava levando a avançar, mesmo sem tomar posse. A lição aqui é clara: nem todo avanço é sinônimo de conquista imediata. O crescimento espiritual também passa por estágios de transição, onde aprendemos, amadurecemos e nos fortalecemos para os dias de luta.

Situações como essas podem gerar frustração. Mas é necessário entender que atravessar terras sem conquistar nada ainda é avanço. Estar em movimento na direção do propósito de Deus é melhor do que estacionar fora do tempo. Experiência e crescimento exigem investimento pessoal, sacrifício e fé (Romanos 5:3-4).

Avançando e conquistando em missões

Recentemente, passamos por uma experiência semelhante. Deixamos o Paraguai com forte desejo de realizar a obra que Deus havia nos confiado. No entanto, ficamos por oito meses na fronteira, sem conseguir iniciar efetivamente o trabalho missionário. Agora em Santa Cruz de la Sierra, cruzamos novos limites e ansiamos pela conquista. Mas o sentimento ainda é de preparação, de avanço sem posse.

Então, mais uma vez, a ordem divina se faz ouvir: “Levantai-vos, parti e passai o ribeiro de Arnom” (Deuteronômio 2:24). A diferença dessa nova direção está na promessa: “Eis que entreguei nas tuas mãos a Seom, rei dos amorreus, e a sua terra; começa a possuí-la, e entra em guerra com ele.” Aqui não se trata apenas de caminhar, mas de tomar posse. Deus anuncia o tempo da batalha e da conquista.

Discernir entre o tempo de avançar e o tempo de conquistar é crucial para não repetir os erros da geração anterior. Trinta e oito anos antes, Deus havia dado a ordem de tomar posse da terra: “Eis que o Senhor teu Deus te deu esta terra; sobe e possui-a, como te falou o Senhor Deus de teus pais; não temas, nem te assustes” (Deuteronômio 1:21).

Mas naquela ocasião, o povo vacilou. Após dois anos de milagres e provisão no deserto, preferiram enviar espias. O relatório dos espias, embora começasse com boas notícias, foi contaminado pelo medo: “Maior e mais alto é este povo do que nós, as cidades são grandes e fortificadas até aos céus; e também vimos ali filhos dos gigantes” (Deuteronômio 1:28). O resultado? Quarenta anos de deserto e a morte de uma geração inteira (Deuteronômio 2:14).

Se não discernimos os tempos, corremos o risco de perder o momento da conquista. Arnom representa essa virada espiritual: o tempo da espada, do escudo, do confronto com os gigantes. Mas é também o tempo de promessas sendo cumpridas, de inimigos sendo entregues nas nossas mãos. Afinal, não há vitórias sem lutas. Foi diante de Golias que Davi deixou de ser um simples pastor para se tornar herói nacional (1 Samuel 17:45-51).

Lutas não são sinais de fracasso, mas sim de avanço. O próprio Senhor nos prepara para a batalha: “Neste dia começarei a pôr o teu terror e o teu temor sobre os povos que estão debaixo de todo o céu” (Deuteronômio 2:25).

Considere, portanto, esses dois momentos distintos que o Senhor nos permite viver. O primeiro é o tempo de Zerede — quando apenas avançamos, mesmo sem tomar posse. O segundo é o tempo de Arnom — onde conquistamos, lutamos e herdamos o que o Senhor prometeu.

Discernir entre esses tempos é viver com sabedoria, fé e obediência. E viver assim é alcançar vitória.

Peniel N Dourado

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