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Esperar em Deus e agir no tempo certo da promessa

Esperar nunca é fácil, mas a vida cristã nos ensina que há momentos em que precisamos aguardar com paciência e outros em que devemos agir pela fé. A Palavra de Deus nos mostra que tanto a espera quanto a ação precisam estar firmadas n’Ele.


Quando nós temos como objetivo estar aos pés de Jesus, passam-se os anos e permanecemos firmes, porque estamos firmados n’Ele, em Jesus Cristo.

As coisas acontecem, tantas situações envolvem as famílias e os irmãos, mas é interessante sabermos que, estando firmados na verdade que é Cristo, nós vencemos. Glória a Deus!

Pastor Francisco Lemuel Ajala Dourado ( Pr Douradinho)

Tem uma palavra que o Senhor colocou em meu coração e eu quero compartilhar com a igreja. É uma palavra conhecida, algo que é o beabá da nossa vida de fé. Vamos encontrá-la na carta de Paulo aos Tessalonicenses. Há uma expressão que ele repete duas vezes e isso me chamou a atenção.

Primeira Carta aos Tessalonicenses, capítulo 3, verso 1:

“Pelo que, não podendo esperar mais, de boa mente quisemos deixar-nos ficar sós em Atenas. E enviamos Timóteo, nosso irmão, ministro de Deus e nosso cooperador no Evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé.”

E no verso 5:

“Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil.”

Glória ao nome santo do Senhor!

Quando eu li estas palavras, fiquei impressionado. Paulo, servo de Deus, homem de testemunho e exemplo de fé, disse: “Não podendo esperar mais”. Esse mesmo apóstolo chegou a dizer: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” (1 Co 11:1). Quem fala assim não é vazio, não é sem fundamento. Ele tinha uma bagagem enorme de vida com Deus.

Paulo nos ensina que o tempo de espera tem limite. Fomos educados a esperar, a ter paciência. Quando minha filha Nahara era pequena, às vezes ficava impaciente. A Esther colocava um hino infantil que repetia: “Tenho que esperar, tenho que esperar…”. Isso ajudava. Mas esperar não é fácil. Se vamos ao banco e vemos uma fila grande, muitas vezes desistimos.

Na vida, há limites de espera. A gestante espera 37 a 42 semanas. Chega um ponto em que o marido começa a se preocupar e tomar providências. Em viagens também é assim: o avião não vai ficar esperando sua boa vontade para decolar. O tempo de espera tem limite.

E quando esse limite termina, precisamos agir. A Bíblia nos mostra isso em Gênesis 42. Havia fome em Canaã e Jacó disse a seus filhos:

“Por que estais olhando uns para os outros? Eis que tenho ouvido que há mantimento no Egito. Descei até lá e comprai-nos trigo, para que vivamos e não morramos.”

Eles estavam inertes, mas Jacó tomou uma decisão. Assim é na vida: há momentos em que precisamos agir, e o Espírito Santo nos dá discernimento.

Provérbios 13:12 diz:

“A esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida.”

Esperar por muito tempo pode nos desanimar. É nesse momento que o inimigo tenta aproveitar a fraqueza. Foi assim com Abraão e Sara em Gênesis 16. Deus havia prometido um filho, mas, cansados de esperar, eles precipitaram-se e geraram Ismael. Até hoje vemos as consequências dessa escolha.

Outro exemplo está em Êxodo 32. Moisés demorava no monte, e o povo cansou de esperar. Fizeram um bezerro de ouro. Toda precipitação fora da vontade de Deus gera prejuízo.

Também vemos isso em 1 Samuel 13. Saul esperou sete dias, mas Samuel não chegava. Então ofereceu sacrifício que não lhe competia. Resultado: foi reprovado.

Irmãos, quando Deus promete, devemos esperar no tempo dele. Ele não mente. Ele cumpre sua palavra. Às vezes, ele age de repente. Em Atos 2, de repente veio um vento impetuoso e todos foram cheios do Espírito Santo.

Esperar também se aplica às coisas espirituais. Quando eu tinha 9 anos, fui batizado com o Espírito Santo. Depois, na adolescência, relaxei e perdi essa experiência por um tempo. Passei anos buscando, jejuando, orando, até que o Senhor me renovou poderosamente. Foi preciso esperar, mas valeu a pena.

Me lembro também do meu pai. Ele buscou muito tempo o batismo no Espírito Santo, mas não recebeu. Mesmo assim, foi um homem cheio de dons e da graça de Deus. O Senhor o consolou, mostrando que o prêmio maior — a salvação — já era dele.

Assim aprendemos: esperar faz parte da vida cristã. Às vezes precisamos agir como Jacó e tomar providências. Outras vezes precisamos simplesmente permanecer firmes, mesmo sem ver nada, confiando que Deus agirá.

Seja qual for sua situação, não desanime. Não se precipite. Não tome decisões erradas. O Espírito Santo nos ajuda a esperar, a suportar e a agir no momento certo.

Que o Senhor fortaleça os nossos corações para permanecermos firmes em toda espera.

Amém!


por Francisco Lemuel Ajala Dourado no templo da Missão Siloé, no dia 30 de agosto de 2025.

Hora de avançar ou hora de conquistar em Missões?

Moisés recebeu a ordem do Senhor: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede. Assim passamos o ribeiro de Zerede” (Deuteronômio 2:13). O povo estava organizado dentro de suas divisões tribais, com cada um em sua tenda, e o tabernáculo bem posicionado no centro do acampamento — o lugar de adoração, onde o culto ao Senhor deveria ser constante (Êxodo 40:34-38).

Por onde caminhavam, a presença de Deus os guiava através da nuvem, e quando ela parava, eles acampavam, montavam suas tendas e erigiam o tabernáculo. Havia ordem, havia rotina. Mas também havia o perigo de se acomodar na dificuldade. Como nós, Israel se acostumou à travessia árdua e às limitações impostas por Deus, como comprar água e alimento ao invés de tomar posse das terras (Deuteronômio 2:6).

Peniel N Dourado

De repente, a voz do Senhor irrompe novamente: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede.” Mais de três milhões de pessoas, entre homens, mulheres e crianças, tiveram de deixar sua zona de conforto. Deus estava mais uma vez interrompendo a rotina. Ele é um Deus que se move, e nos chama a nos mover segundo o propósito d’Ele (Números 9:15-23).

Ainda que o povo desejasse conquistar terras, a ordem naquele momento era apenas atravessar. Eles estavam em trânsito, não em conquista. Em outras palavras, Deus os estava levando a avançar, mesmo sem tomar posse. A lição aqui é clara: nem todo avanço é sinônimo de conquista imediata. O crescimento espiritual também passa por estágios de transição, onde aprendemos, amadurecemos e nos fortalecemos para os dias de luta.

Situações como essas podem gerar frustração. Mas é necessário entender que atravessar terras sem conquistar nada ainda é avanço. Estar em movimento na direção do propósito de Deus é melhor do que estacionar fora do tempo. Experiência e crescimento exigem investimento pessoal, sacrifício e fé (Romanos 5:3-4).

Avançando e conquistando em missões

Recentemente, passamos por uma experiência semelhante. Deixamos o Paraguai com forte desejo de realizar a obra que Deus havia nos confiado. No entanto, ficamos por oito meses na fronteira, sem conseguir iniciar efetivamente o trabalho missionário. Agora em Santa Cruz de la Sierra, cruzamos novos limites e ansiamos pela conquista. Mas o sentimento ainda é de preparação, de avanço sem posse.

Então, mais uma vez, a ordem divina se faz ouvir: “Levantai-vos, parti e passai o ribeiro de Arnom” (Deuteronômio 2:24). A diferença dessa nova direção está na promessa: “Eis que entreguei nas tuas mãos a Seom, rei dos amorreus, e a sua terra; começa a possuí-la, e entra em guerra com ele.” Aqui não se trata apenas de caminhar, mas de tomar posse. Deus anuncia o tempo da batalha e da conquista.

Discernir entre o tempo de avançar e o tempo de conquistar é crucial para não repetir os erros da geração anterior. Trinta e oito anos antes, Deus havia dado a ordem de tomar posse da terra: “Eis que o Senhor teu Deus te deu esta terra; sobe e possui-a, como te falou o Senhor Deus de teus pais; não temas, nem te assustes” (Deuteronômio 1:21).

Mas naquela ocasião, o povo vacilou. Após dois anos de milagres e provisão no deserto, preferiram enviar espias. O relatório dos espias, embora começasse com boas notícias, foi contaminado pelo medo: “Maior e mais alto é este povo do que nós, as cidades são grandes e fortificadas até aos céus; e também vimos ali filhos dos gigantes” (Deuteronômio 1:28). O resultado? Quarenta anos de deserto e a morte de uma geração inteira (Deuteronômio 2:14).

Se não discernimos os tempos, corremos o risco de perder o momento da conquista. Arnom representa essa virada espiritual: o tempo da espada, do escudo, do confronto com os gigantes. Mas é também o tempo de promessas sendo cumpridas, de inimigos sendo entregues nas nossas mãos. Afinal, não há vitórias sem lutas. Foi diante de Golias que Davi deixou de ser um simples pastor para se tornar herói nacional (1 Samuel 17:45-51).

Lutas não são sinais de fracasso, mas sim de avanço. O próprio Senhor nos prepara para a batalha: “Neste dia começarei a pôr o teu terror e o teu temor sobre os povos que estão debaixo de todo o céu” (Deuteronômio 2:25).

Considere, portanto, esses dois momentos distintos que o Senhor nos permite viver. O primeiro é o tempo de Zerede — quando apenas avançamos, mesmo sem tomar posse. O segundo é o tempo de Arnom — onde conquistamos, lutamos e herdamos o que o Senhor prometeu.

Discernir entre esses tempos é viver com sabedoria, fé e obediência. E viver assim é alcançar vitória.

Peniel N Dourado

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