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Quando Deus Responde com o Silêncio

Desde a adolescência, aprendi que Deus ouve orações. Em um momento de dúvidas sobre o futuro, ministério e até meu relacionamento com Mina, entrei em meu quarto e apresentei cinco petições específicas ao Senhor. Naquela mesma tarde, sem contar nada a ninguém, uma missionária orou conosco em casa. Durante a oração, Deus a usou para responder exatamente aos cinco pedidos. Foi uma confirmação clara: Deus responde orações (Jeremias 33:3).

Mais tarde, ao sair do quartel para servir a Deus em tempo integral, fiquei sem recursos. Necessitava de roupas e, após orar por um valor exato, recebi de um pastor exatamente o que pedi, sem que eu tivesse comentado com ninguém. Essa experiência confirmou o que Jesus ensinou: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22).

Viver pela fé não significa apenas viver sem salário, mas depender totalmente de Deus, confiar em Sua provisão e soberania. Muitos vivem sem salário, mas não vivem pela fé. A verdadeira fé é uma vida fundamentada na confiança plena no Senhor, mesmo quando Ele permanece em silêncio.

Deus nem sempre diz “sim”. Ele também diz “não”, como no caso de Davi. O rei desejava construir o templo para Deus, mas o Senhor recusou: “Tu não edificarás a casa, mas teu filho… esse edificará” (2 Crônicas 6:9). Embora a intenção de Davi fosse nobre, Deus tinha seus próprios propósitos. Isso nos lembra que Ele é soberano (Isaías 55:8-9).

Quando chegamos à Bolívia, em julho de 2006, esperávamos que os milagres que nos trouxeram até ali continuassem. Contudo, após meses de oração, jejum e expectativa, o que ouvimos de Deus foi silêncio. Sabíamos que Ele nos havia enviado, mas Sua voz parecia distante. Ainda assim, confiamos.

Essa fase me ensinou algo profundo: Deus não nos deve explicações. Ele é Senhor. Nossa missão é confiar mesmo quando não compreendemos. “Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5:7).

Abraão, Ana, Isabel — todos esperaram pela promessa. Se queremos receber o “Isaque”, o “Samuel” ou o “João Batista” de nossas vidas, precisamos esperar o tempo de Deus e rejeitar as soluções humanas (Gênesis 16 e 21). Não podemos confundir necessidade legítima com desejos carnais. Muitos clamam como o povo no deserto, influenciado pelos incrédulos entre eles, desejando carne ao invés do maná (Números 11:4-34). O resultado foi morte e julgamento.

Tiago também nos adverte: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4:3). E Jesus alertou: “Não sabeis o que pedis” (Marcos 10:38). Portanto, precisamos aprender a orar com sabedoria e pureza de coração.

Durante a instabilidade política na Bolívia em 2008, presenciei líderes religiosos incentivando o ódio em nome da fé. Em vez disso, ensinei que devemos orar pelas autoridades: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus” (Romanos 13:1). A igreja deve interceder, não incitar o caos. Minha posição incomodou alguns, mas não me arrependo.

Concluo com Romanos 8:26: “…não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Devemos aprender a andar no Espírito. Deus é Todo-Poderoso para responder, mas também é Soberano para agir sem dar explicações.

Uma vez, em meio à crise, clamei em lágrimas: “Deus, o que eu vim fazer aqui na Bolívia?” Ao abrir os olhos, vi no colchão a etiqueta com a palavra “EMBAIXADOR”. Era Deus, em Seu jeito silencioso, dizendo: “Você é meu representante aqui.”

Peniel N Dourado