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Quase fomos esfaqueados pregando nas ruas da Bolívia

Eu realmente estou gostando muito da idéia de colocar nossas experiências de missões aqui em nosso blog. Abri uma categoria chamada Diário Missionário onde eu vou buscar postar pela manhã daquilo que temos vivido e vivemos no campo missionário.

Eu quero agradecer a participação dos assinantes do nosso blog fazendo perguntas, enviando sugestões sobre o que escrever. Muito obrigado mesmo pela participação de vocês.

Peniel e Mina

Ele queria me esfaquear

Alguns dias atrás, alguém me perguntou sobre as minhas experiências pregando nas ruas, especialmente na Bolívia, e se eu já tinha enfrentado algum problema com pessoas violentas.

A verdade é que sim, já tive algumas dificuldades, mas elas foram insignificantes perto dos grandes momentos em que vi pessoas sendo tocadas pela Palavra de Deus e entregando seu coração a Ele.

Mas, minha primeira experiência foi em Santa Cruz de la Sierra. Eu estava com o irmão Joel Apodaca, um jovem paraguaio que foi à Bolívia para me ajudar no trabalho. Eu não lembro bem a data de quando Joel nos visitou pela primeira vez, mas creio que foi em 2012. E naquele tempo passamos muito tempo evangelizando em feiras, praças e na frente de universidades, distribuindo literatura e pregando a Palavra.

Na foto eu estou com Mina, Deborah e Joel Apodaca em 11 de Maio de 2012 – SCZ, Bolívia

Havia um local que gostávamos de frequentar: uma passarela sobre a linha férrea, em frente a um grande mercado chamado Nova Feira do bairro Lindo próximo ao quarto anel. Subíamos na passarela e a usávamos como nosso púlpito. Enquanto um de nós pregava usando um megafone, o outro distribuía literatura.

Como eu disse, o número de pessoas impactadas pela Palavra de Deus ali foi tão grande que não se compara aos incidentes que tivemos. As pessoas raramente param para ouvir, mas eu sei que elas escutam enquanto caminham apressadas de um lado para o outro. Muitas vezes vidas impactadas pelas Palavra saiam entre a multidão em lágrimas e nós orávamos por elas.

Pregando na passarela na Nueva Feria do Bairro Lindo

Certo dia, enquanto eu pregava, olhei para a multidão e vi um homem que me observava atentamente. O olhar dele não era de quem estava sendo tocado pela Palavra. Eu vi ódio em seus olhos. Ele estava com muita raiva de nós. Acredito que ele percebeu que eu o notei. Ele se afastou, retornou, e ficava me encarando, rangendo os dentes. Sua atitude não era normal; era uma opressão maligna.

Continuei pregando, enquanto Joel distribuía os folhetos. Pessoas se aproximavam, faziam perguntas e pediam oração. Então eu decidi trocar de posição com Joel: ele pegou o megafone e eu desci para a escadaria da passarela para distribuir a literatura. Foi então que vi o homem lá embaixo. Ele subia a escada e vinha em minha direção, rangendo os dentes, com ódio no olhar. Era literal, não um exagero.

Enquanto ele subia, eu me mantive calmo, pois não havia medo em meu coração. Eu sabia que a glória de Senhor Jesus estava ali. Quando ele se aproximou, levantou a camisa e puxou uma faca. Eu o encarei e perguntei: “Jovem, o que você está fazendo com essa faca?”. Ele me olhou, rangendo os dentes, e era nítido que aquele homem estava cheio de demônios. Então, estendi a mão e ordenei: “Em nome de Jesus, me dá essa faca.”

Então, ele tirou a faca que estava dentro de sua calça e me entregou o cabo da faca. Ao pegá-la, notei que havia sangue na lâmina, como se tivesse sido usada recentemente. Coloquei a faca para trás e, com a outra mão, toquei o peito daquele jovem e disse: “Em nome de Jesus, espírito maligno, sai dele!”

Naquele mesmo instante, o jovem caiu de joelhos na escada, como se as forças de suas pernas tivessem sumido. Começamos a repreender os demônios em Nome de Jesus, e os demônos falavam: “Viemos de um inferno do outro lado“. Eu ouvi que o jovem repetia esta frase várias vezes.

Depois de repreendermos, o jovem voltou a si. O olhar já não era de possesso e me respondia normalmente. Perguntei seu nome para anotá-lo em nosso caderno de oração, pois eu queria visita-lo posteriormente, mas ele se levantou, disse que precisava ir, porque uma moça do outro lado da passarela o chamava. Eu olhei e realmente uma mulher gritava seu nome. Então ele se levantou e foi embora com aquela moça. Nunca mais o vi.

Nós seguimos pregando a evangelho no mesmo lugar e no final daquele dia, tirei uma foto com a faca (foto abaixo). Levamos ela para casa e a enterramos no quintal, pois não queríamos ficar com aquela faca suja de sangue.

A faca que tomamos do jovem durante o evangelismo

Não conto esta história para dizer que somos melhores que ninguém. Aprouve a Deus nos livrar e também nos dar tamanha ousadia para não ter medo, pois realmente eu não tive medo naquela ocasião. Eu sei que foi o mover de Deus em nossas vidas.


O Livramento Divino na Feira de Punata

Outra situação que passei foi na cidade de Punata, uma pequena cidade próximo a Cochabamba, Bolívia. Estávamos com um grupo de evangelistas, em uma praça onde acontecia uma feira. Havia muitas pessoas, e nós escolhemos um ponto estratégico para pregar. Enquanto um de nós pregava, os outros distribuíam literatura.

Pregamos a manhã toda, e foi uma bênção. Muitas pessoas pediram oração e entregaram suas vidas a Jesus. No meio-dia, fomos almoçar. Depois, resolvi voltar para a feira, pois sabia que nesse horário, entre meio-dia e duas da tarde, os compradores diminuíam e ficavam mais os vendedores com suas famílias, um ótimo momento para evangelizar.

Praça em Punata, Bolívia, onde fizemos o evangelismo

Liguei o megafone, coloquei uma música e comecei a pregar. No meio da multidão, vi um homem vindo em nossa direção com um olhar de ódio. Ele tirou um facão e começou a bramir, como se estivesse cortando o ar. As pessoas ao redor pararam para ver o que estava acontecendo.

Quando ele chegou a uns 30 metros de mim, parei de pregar e apenas coloquei a música. Ele continuou se aproximando, e quando estava a cerca de 10 metros, gritou: “Eu vou arrancar a sua cabeça! Hoje eu vou te matar!“.

Eu me mantive no mesmo lugar com o megafone na mão e olhava aquele homem. Por um momento, olhei ao redor para ver se os irmãos não estavam por perto, pois eles tinham ido lavar as mãos do outro lado da praça.

Então, eu me vi sozinho naquele momento, mas não senti medo. Mais uma vez eu posso dizer que foi o poder do Senhor que agiu e não algo natural para não temer naquele momento.

Olhei para o homem e comecei a repreender. Eu dizia: “Eu te repreendo em nome do Senhor Jesus” Quando ele chegou a uns 3 metros de mim, o homem parou, baixou o facão, olhou para mim por um tempo, e simplesmente virou e foi embora no meio da multidão.

Os irmãos chegaram correndo e me perguntaram o que havia acontecido. Eles queriam ir atrás do homem, mas eu disse para continuarmos nosso trabalho.

Aqui alguns da nossa equipe de trabalho: Russel (centro), Fernando à direita e quem tirou a foto foi o irmão Max Arapa

A Importância de Servir a Deus

Já passei por outras situações parecidas, mas eu creio que as duas situações acima foram as mais impactantes. Mas também passamos por ameaças de indígenas guaranís no Paraguai que estavam armados com revolveres que disseram que nos atacariam à noite.

Nós estávamos ali para realizar um culto na aldeia guaraní no Paraguai, mas havia uma briga entre indígenas locais com outros indígenas de outras aldeias por madeira.

No meio daquela confusão eles nos ameaçaram. Nós estávamos com um grupo da Jocum da base de Porto Velho e faziam muito frio. Como já era noite, decidimos ficar até o outro dia, mas eu posso dizer que aquela noite foi muito longa.

Nós fizemos uma fogueira, cantamos, oramos e forçadamente fizemos uma vigilha até o amanhecer, pois ninguém queria dormir com medo de levar um tiro.

E novamente em Bolívia, eu passei por outra situação, mas foi com um irmão que estava conosco pregando. Ele foi confrontado por um grupo de mais de 15 homens que se dispersaram após ele repreendê-los no nome do Senhor.

Eram pessoas que lidavam com feitiçaria em um pequeno povoado na região dos Andes de Bolívia, mas quando viram em nossa direção o irmão que pregava repreendeu em nome do Senhor Jesus e todos foram dispersados. Em todas essas ocasiões, Deus nos deu graça e misericórdia, e fomos livrados.

Mas é importante entender que, se você está em missões, pode enfrentar adversidades. Se o nosso mestre, Jesus, foi crucificado, e se o apóstolo Paulo foi preso e açoitado, nós também poderemos sofrer e isso não é porque estamos fora de diração de Deus.

A Palavra de Deus diz que devemos completar o sofrimento de Cristo. Em Colossenses 1:24 o apóstolo Paulo diz:“Regozijo-me agora no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja.” Eu sei que as pessoas não gostam muito de pensar sobre esses assuntos, mas fazem parte da nossa vida Cristã.

“Por amor de Cristo, somos loucos, mas vocês são sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados. Até agora, estamos famintos, sedentos, mal vestidos, esbofeteados e sem-teto. Nós nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.” (1 Coríntios 4:10-13)

Bem, quero finalizar meu Diário Missionário de hoje. Para mim é uma benção recordar o que o Senhor fez e continua fazendo. Digo a você que é por amor a Cristo que suportamos todas as coisas, pois o nosso trabalho não é em vão. Nos livramentos, ou não, nas muitas dificuldades, ou não, o que realmente importa é que o propósito de Cristo em nós seja cumprido.

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Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Peniel N Dourado

“Deus, onde está nossa casa?” / Testemunho Missionário

Deus, onde esta nossa casa? / Testemunho

O missionário vai ao campo e está preocupado com documentações, onde os filhos vão estudar, onde iniciar o trabalho, como iniciar o trabalho e etc. Se você tem uma família com certeza uma casa para começar está no topo da lista das preocupações.

No período que Deus nos falava sobre Bolívia nós tivemos muitas outras orientações específicas e muitas não tínhamos nem mesmo ideia de como viriam a acontecer em nossos vidas. Mas, com o mover de Deus nos trazendo à Bolívia e falando tantas coisas eu lembrei de uma petição que havia feito ao Senhor alguns anos atrás. O Senhor havia dito que seria meu guia e mantenedor, assim eu roguei ao Senhor para que coisas simples da vida ELE também fosse meu guia e mantenedor.

Algo que o Senhor colocou em meu coração é que melhor do que você ter a solução de um problema é ver Deus solucionando o problema. Esta frase sempre vem ao meu coração e traz fortalecimento. Ter um problema resolvido é uma coisa; o próprio Deus resolvendo teus problemas é outra coisa. Eu prefiro ter meus problemas resolvidos por Deus.

Ainda no Paraguai eu procurava apresentar a Deus minhas preocupações. À minha frente havia um caminho desconhecido, não tínhamos dinheiro, não tínhamos ninguém por nós, “apenas” Deus nos enviando. E se Deus estava nos enviando ELE seria minha fonte dos recursos que não tínhamos, a fonte de conhecimento dos detalhes da vida que me esperada no campo de missões.

Bem, só posso dizer que me alegro pela vida que o Senhor me tem dado. Me alegro por não ter todo o conhecimento, as recursos, pois assim o próprio Deus vem sendo minha fonte de conhecimento e do recurso necessário para o cumprimento da Obra que ELE mesmo nos tem dado.

Abaixo deixo um vídeo onde conto o testemunho como o Senhor nos falou sobre nossa casa em Bolívia.

MAIORES DETALHES…..

O vídeo acima foi bem resumido. Se você tiver interessado de ter maiores detalhes sobre nossos primeiros dias em Santa Cruz de la Sierra é só CLICAR AQUI

Em nosso canal no Youtube abrimos uma Playlist com o título Testemunho Missões. Nesta lista de vídeo estamos inserindo vários de nossos testemunhos de como Deus falou conosco sobre Bolívia, como Deus nos chamou ao serviço de missões, sobre o Programa de Apoio Evangelístico e etc. Creio que você será abençoado com cada testemunho. Para acessar CLIQUE AQUI

Também quero te animar a se inscrever em nosso canal. Durante este mês de novembro de 2018 estamos postando nas quartas feiras novos testemunhos. E para você não perder nenhum é só fazer a inscrição e ativar notificações. Para inscrever CLIQUE AQUI

Um forte abraço e que o Senhor Jesus te abençoe poderosamente

Pastor Peniel Nogueira Dourado

Quando Deus Responde com o Silêncio

Desde a adolescência, aprendi que Deus ouve orações. Em um momento de dúvidas sobre o futuro, ministério e até meu relacionamento com Mina, entrei em meu quarto e apresentei cinco petições específicas ao Senhor. Naquela mesma tarde, sem contar nada a ninguém, uma missionária orou conosco em casa. Durante a oração, Deus a usou para responder exatamente aos cinco pedidos. Foi uma confirmação clara: Deus responde orações (Jeremias 33:3).

Mais tarde, ao sair do quartel para servir a Deus em tempo integral, fiquei sem recursos. Necessitava de roupas e, após orar por um valor exato, recebi de um pastor exatamente o que pedi, sem que eu tivesse comentado com ninguém. Essa experiência confirmou o que Jesus ensinou: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22).

Viver pela fé não significa apenas viver sem salário, mas depender totalmente de Deus, confiar em Sua provisão e soberania. Muitos vivem sem salário, mas não vivem pela fé. A verdadeira fé é uma vida fundamentada na confiança plena no Senhor, mesmo quando Ele permanece em silêncio.

Deus nem sempre diz “sim”. Ele também diz “não”, como no caso de Davi. O rei desejava construir o templo para Deus, mas o Senhor recusou: “Tu não edificarás a casa, mas teu filho… esse edificará” (2 Crônicas 6:9). Embora a intenção de Davi fosse nobre, Deus tinha seus próprios propósitos. Isso nos lembra que Ele é soberano (Isaías 55:8-9).

Quando chegamos à Bolívia, em julho de 2006, esperávamos que os milagres que nos trouxeram até ali continuassem. Contudo, após meses de oração, jejum e expectativa, o que ouvimos de Deus foi silêncio. Sabíamos que Ele nos havia enviado, mas Sua voz parecia distante. Ainda assim, confiamos.

Essa fase me ensinou algo profundo: Deus não nos deve explicações. Ele é Senhor. Nossa missão é confiar mesmo quando não compreendemos. “Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5:7).

Abraão, Ana, Isabel — todos esperaram pela promessa. Se queremos receber o “Isaque”, o “Samuel” ou o “João Batista” de nossas vidas, precisamos esperar o tempo de Deus e rejeitar as soluções humanas (Gênesis 16 e 21). Não podemos confundir necessidade legítima com desejos carnais. Muitos clamam como o povo no deserto, influenciado pelos incrédulos entre eles, desejando carne ao invés do maná (Números 11:4-34). O resultado foi morte e julgamento.

Tiago também nos adverte: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4:3). E Jesus alertou: “Não sabeis o que pedis” (Marcos 10:38). Portanto, precisamos aprender a orar com sabedoria e pureza de coração.

Durante a instabilidade política na Bolívia em 2008, presenciei líderes religiosos incentivando o ódio em nome da fé. Em vez disso, ensinei que devemos orar pelas autoridades: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus” (Romanos 13:1). A igreja deve interceder, não incitar o caos. Minha posição incomodou alguns, mas não me arrependo.

Concluo com Romanos 8:26: “…não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Devemos aprender a andar no Espírito. Deus é Todo-Poderoso para responder, mas também é Soberano para agir sem dar explicações.

Uma vez, em meio à crise, clamei em lágrimas: “Deus, o que eu vim fazer aqui na Bolívia?” Ao abrir os olhos, vi no colchão a etiqueta com a palavra “EMBAIXADOR”. Era Deus, em Seu jeito silencioso, dizendo: “Você é meu representante aqui.”

Peniel N Dourado

O Preço da Missão: Injustiças, Provações e a Fidelidade à Chamada

Quem deseja fazer missões precisa estar preparado para enfrentar adversidades. Em muitos casos, ao sair do seu país, o missionário passa a viver como estrangeiro em terras que não são suas. A Palavra de Deus nos orienta: “Não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9). No entanto, o mundo que não conhece a Deus, também não conhece esse mandamento.

No campo missionário, sentimos na pele a acepção, o preconceito, o desprezo e a injustiça. Muitas vezes, direitos se tornam concessões e pedir justiça parece clamar no deserto. Lembro-me bem de quando cheguei a Santa Cruz de La Sierra. Peguei um táxi no terminal de ônibus até a casa de um irmão. O motorista, ao perceber que eu era brasileiro, me cobrou quatro vezes o valor normal. Como no Brasil o táxi é caro, achei o preço justo. Mas ao contar ao irmão anfitrião, ele ficou perplexo. Foi meu primeiro choque com a realidade de ser estrangeiro.

No Paraguai, quando dávamos entrada no visto de permanência, os funcionários da migração retinham os passaportes e pediam dinheiro constantemente, alegando diversos motivos, sem nunca finalizarem o processo. Já na Bolívia, recebíamos uma lista de documentos, mas sem endereços. Quando procurávamos informações, éramos direcionados de um lugar a outro e, por fim, nos cobravam até 10 dólares apenas por informar o caminho. Nessas horas, a única saída era orar: “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Salmos 55:22).

No entanto, mais difícil do que as injustiças do mundo são aquelas que vêm dos que se dizem cristãos. A obra missionária desperta emoções, move igrejas e estimula contribuições. Mas também se torna, infelizmente, um ambiente fértil para injustiças. Quando nossa família saiu do Ceará, em 1995, rumo ao Paraguai, vendemos tudo e fomos buscar apoio em igrejas. Algumas nos acolheram bem, outras, infelizmente, abusaram da confiança. Em campanhas de missões, os valores ofertados pelos irmãos nem sempre chegavam em nossas mãos. Certa vez, recebemos apenas R$ 50,00 de oferta. Um irmão nos abordou e disse que ele mesmo havia doado R$ 300,00 naquela noite. “A falsa balança é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (Provérbios 11:1).

Também fomos testados em nossa integridade. Enquanto buscávamos uma casa para morar, ficamos hospedados na casa de um pastor. Após nos mudarmos, ele nos visitou e disse que havíamos sido observados, pois alguns visitantes causavam confusões e até semeavam divisão. Ele nos parabenizou e disse que sua igreja sempre estaria de portas abertas para nós. Por outro lado, em outra igreja, a esposa de um pastor reagiu com receio ao saber que alugaríamos uma casa perto da congregação. Temia que fôssemos “roubar” seus membros. Dói ser julgado sem sequer ter agido. Mas a Palavra nos ensina: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (João 7:24).

Fazer missões exige preparo para enfrentar o pior. O missionário é a ponta de uma grande estrutura: igrejas, secretarias, associações e agências. Mas muitas vezes essa estrutura está comprometida. Igrejas perdem o foco missionário, agências se tornam fraudulentas, e missionários acabam dependendo de contratos, como quem precisa da justiça dos homens para garantir o sustento. Isso é triste. O evangelho deve ser motivado pelo amor, não por cláusulas contratuais.

“Vi debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade” (Eclesiastes 3:16). O chamado de Deus é sublime: levar a salvação aos perdidos, alcançar os que vivem sem esperança. Isso vale qualquer sacrifício. Mas enfrentar injustiças dentro da própria casa de fé pode ser o golpe mais doloroso. Missionários fiéis, que largaram tudo, enfrentam calúnias e abandono. Já vi homens e mulheres com potencial extraordinário serem vencidos pela dor da injustiça e voltarem atrás.

Um exemplo marcante foi o de um missionário do Espírito Santo, que veio com sua família para a Bolívia. A secretaria de sua igreja não calculou os custos, e o visto custava mil dólares. Ele foi acusado de superfaturamento. Chorava ao contar a história. “Maldito aquele que fizer injustiça ao estrangeiro, ao órfão e à viúva” (Deuteronômio 27:19).

A força para suportar tudo isso está em manter os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé (Hebreus 12:2). A justiça verdadeira virá do Senhor, que conhece os corações. E um dia Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mateus 25:23).

Por  –  Peniel N Dourado