Algo que realmente enche o meu coração é o desejo de compartilhar com vocês tudo aquilo que o Senhor tem feito e continua fazendo através das nossas vidas.
Quando ainda estávamos no Paraguai, até o ano de 2005, eu e minha esposa buscávamos uma direção de Deus para nossas vidas. Nosso alvo era permanecer no Paraguai. Não queríamos ir para outra nação. Nosso desejo era continuar ali, pregando o Evangelho, ganhando vidas, porque víamos a grande necessidade daquela nação em ser alcançada pela mensagem do Evangelho. Esse desejo ardia no nosso coração.

Durante esse tempo, trabalhávamos intensamente. Eu atuava nos presídios e minha esposa me ajudava com o trabalho nas aldeias. Fazíamos cultos nas casas e tínhamos um trabalho muito ativo. Queríamos ver a igreja crescer, desenvolver o ministério nas prisões de outras cidades, expandir o trabalho de rádio que já tínhamos. A igreja estava crescendo, especialmente entre os jovens.
Acreditávamos que o nosso chamado era ali, que Deus nos havia levado ao Paraguai para fazer aquela obra florescer.
Mas então, um dia, um pastor veio à nossa casa. Eu o convidei para almoçar. Enquanto minha esposa preparava a comida, ele nos chamou para conversar. Abriu o livro de Isaías e começou a ler. Eu fiquei me perguntando qual era o propósito daquilo. Então ele parou, olhou para nós e disse: “Não criem raízes aqui. O Senhor manda dizer que vai tirar vocês daqui e levar para outra nação.”
Confesso que era tudo o que eu não queria ouvir naquele momento. Meu desejo era que Deus dissesse que estava feliz com o que fazíamos e que o trabalho ali cresceria muito. Mas foi o contrário. O Senhor nos disse que nos tiraria do Paraguai e colocaria em nossas mãos um trabalho que cresceria e se expandiria.
O pastor disse ainda que eu precisaria viajar de avião de um lado para outro para atender esse trabalho e que Deus colocaria um povo sedento sob nossos cuidados — e que via muitas crianças também.

Guardei aquela palavra no coração, mesmo sem querer aceitar. Minha esposa me perguntou o que eu achava, e eu disse: “Se for de Deus, vai se cumprir. Mas por enquanto, seguimos trabalhando aqui.”
Pouco tempo depois, talvez uma ou duas semanas, um jovem apareceu em nossa casa, tremendo e suando frio. Disse que estava passando por perto e que Deus havia lhe dado uma palavra para mim. Ele contou que estava indo entregar um pacote para outro pastor e, ao orar, ouviu Deus mandá-lo ir até minha casa.
Ao hesitar, começou a tremer e suar frio. Pediu perdão ao Senhor, voltou e veio entregar a mensagem: “Deus manda dizer que vai te tirar deste lugar e te levar para outra nação, onde colocará uma obra nas tuas mãos, e ela crescerá.”
Era exatamente a mesma palavra que o pastor havia nos dado dias antes. Mais ou menos um mês depois, uma irmã estava em nossa casa. Oramos antes de levá-la à rodoviária. Durante a oração, ela também falou as mesmas palavras que o jovem e o pastor haviam dito.
Amado, nossa ida para a Bolívia — e o início do Programa de Apoio Evangelístico — não foi um plano pessoal. Não nasceu no nosso coração. Eu, sinceramente, nunca desejei isso. Apesar de, desde 1998, já trabalhar com literatura no Paraguai ao lado do meu cunhado, esse chamado missionário específico nunca foi algo que eu desejei ou planejei. Fomos, literalmente, empurrados por Deus para dentro desse projeto.

Depois de entender que Deus queria nos tirar do Paraguai, o grande dilema era: “Para onde iremos?” Eu não sabia se era Moçambique, Angola, Peru, França… não fazia ideia. Então comecei um período de oração intensa, sozinho no meu quarto, todos os dias. Conforme eu orava, Deus foi colocando no meu coração o desejo de passar adiante todas as responsabilidades que eu tinha: o trabalho no presídio, o programa de rádio, a igreja. Fiz isso aos poucos.
Depois de cerca de um mês de oração e preparação, certo dia, enquanto orava, Deus falou claramente ao meu coração: “Você vai para a Bolívia.” Pulei de alegria, literalmente, dentro do quarto. Mas logo me lembrei que minha esposa havia dito, meses antes, ao conhecer a fronteira com a Bolívia: “Esse aqui é o último lugar do planeta Terra onde eu quero morar.”
Fiquei apreensivo. Fui até a cozinha, onde ela estava cozinhando, e disse: “Mina, o Senhor me falou que é para irmos para a Bolívia.” Ela me olhou e disse: “Você tem certeza que foi Deus?” Respondi: “Tenho.” E ela disse: “Se foi Deus quem falou, então é para lá que nós vamos.”
Aquilo foi uma confirmação tremenda para mim. Depois disso, começamos a orar juntos, buscando a direção de Deus sobre qual cidade na Bolívia deveríamos ir. Durante a oração, o Senhor nos revelou: “Santa Cruz de la Sierra.” Sinceramente eu e Mina não escolhemos a cidade de Santa Cruz de la Sierra e nem mesmo conhecíamos a cidade, mas o próprio Deus nos mostrou a cidade de Santa Cruz.

Ficou muito claro. Ninguém podia tirar isso do nosso coração. E orando mais ainda, Deus disse: “A tua casa está próxima ao segundo anel.” Hoje é fácil ver na internet que Santa Cruz é formada por anéis — avenidas circulares que organizam a cidade. Na época, sem internet em casa, não sabíamos disso. Mas confiamos.
Havia ainda um grande desafio: a questão financeira. Quem nos sustentaria na Bolívia? Oramos muito. Fomos a uma chácara para buscar a Deus e, durante a oração, o Senhor falou claramente: “Vende tudo e vai.”
Vendemos tudo: carro, móveis, roupas, livros. Ficamos só com algumas malas. Fomos à Bolívia pela primeira vez, conhecemos a fronteira, e foi ali que descobrimos que minha esposa estava grávida de dois meses da nossa filha Débora. A preocupação aumentou, mas a fé permaneceu.
Retornamos ao Paraguai, organizamos as documentações e voltamos à Bolívia. Ficamos um tempo na fronteira por conta da gravidez. Era quente, seco, cheio de fumaça, mas sabíamos que estávamos no centro da vontade de Deus.

Na fronteira, começamos a ter os primeiros contatos com o povo boliviano, com os quechuas, aymaras, e começamos a aprender sobre aquela nova cultura. Em oração, eu dizia ao Senhor: “Eu não amo esse povo. Tu me trouxeste para cá, mas eu não os amo.” E Deus respondeu: “Eu vou te ensinar a amar esse povo.” E foi exatamente isso que Ele fez.
Hoje, mesmo estando de volta ao Paraguai, ainda estamos ligados à Bolívia, ao projeto que nasceu ali, e amamos aquela nação profundamente.
Mesmo sem ter sustento, Deus começou a mover pastores. Um deles veio visitar e disse: “Deus tocou no nosso coração para apoiar o seu ministério.” E assim começou nosso sustento. Outros pastores vieram depois, cada um oferecendo uma ajuda mensal. Deus foi confirmando que era Ele quem sustentaria a obra.
O Programa de Apoio Evangelístico não nasceu no meu coração. Foi Deus quem plantou, desenvolveu e tem sustentado. Já são mais de 15 anos de trabalho, muitos evangelistas apoiados, toneladas de literatura enviadas para vários países, e muitas portas ainda abertas — Peru, Chile, Argentina, Brasil.
Temos limitações: falta de obreiros e falta de recursos. Mas cremos que Deus, no tempo certo, enviará os recursos e os trabalhadores certos. Porque a obra é Dele.
Quero finalizar este testemunho dizendo que, na obra de missões, muitas vezes somos enviados para lugares onde não queremos ir. Deus nos chama para fazer coisas que nunca planejamos e realizar uma obra mesmo quando não temos capacidade ou recursos financeiros.
Mas a capacidade vem do Senhor Jesus, assim como os recursos para realizar o trabalho. Se mantivermos o coração firme Nele, entendendo que Ele é o Senhor da obra missionária e das nossas vidas, grandes coisas acontecerão, pois tudo é dEle, por Ele e para Ele, para sempre.
Basta confiar e deixar Deus agir. Mesmo em meio às lutas, provações e privações, o propósito do Senhor será cumprido, e em tudo, Jesus será glorificado.
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