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Chamado Missionário: Como Saber se Você Está Ouvindo Deus?

Muitas vezes, o despertador toca às 4h30 da manhã, o café está no fogo, os pássaros começam a cantar no quintal e o nosso coração queima por uma única coisa: fazer a obra de Deus. Mas, entre o desejo de ir e o “ide” de fato, existe um abismo onde muitos missionários — iniciantes e veteranos — acabam tropeçando.

Pastor Peniel Dourado e Mina A Dourado

Ao longo de anos de estrada, observando famílias, igrejas e projetos na Bolívia, no Paraguai e em tantos outros lugares, eu cheguei a uma conclusão crítica. O maior erro de quem quer entrar no ritmo da vida em missões não é a falta de dinheiro, de apoio logístico ou de formação teológica. O maior erro é não se preparar espiritualmente para ouvir a voz de Deus.

Infelizmente este é um assunto que mais sou indagado porque aqueles que estão ativamente fazendo a obra de Deus; missionários no campo transcultural, pastores, irmaos em geral repetem a mesma frase: “Como é ouvir a voz de Deus?”

Como fica o entendimento daqueles que ainda não aprenderam ouvir a voz de Deus sobre o texto: “E, estando Pedro meditando naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te, pois, desce e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei” (Atos 10:19-20) Sim, esta foi uma palavra específica dada pelo próprio Deus ao apóstolo Pedro.

Alguém pode dizer que o Espírito de Deus só falava aos apostolo desta forma e não a outros cristãos. Mas em Atos 8:29 está escrito: “E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro” Aqui temos mais uma palavra específica a um servo que estava em plena missão.

Fazer missão não é simplesmente fazer um curso, arrumar as malas e aplicar uma técnica do outro lado da fronteira. Estamos tratando de algo espiritual. Se Deus é o dono da obra, Ele é quem dá as coordenadas para a sua obra. Por que ir para Moçambique se o Dono da obra te quer no Peru? Por que insistir em uma metrópole se Ele te chama para o interior?

No vídeo abaixo, eu compartilho como Deus me ensinou a discernir as Suas instruções específicas. Eu conto como fui questionado por escolher a Bolívia em vez de países mais “prósperos” como o Japão ou os Estados Unidos. Afinal, quem é o seu Deus? É o Deus que apenas te manda para onde há conforto, ou o Deus que te envia também para onde não há nenhum conforto? E poderia ser o contrário, mas o que realmente importa é viver a direção de Deus.

Assista o vídeo abaixo e você vai entender por que o resultado imediato não pode ser o seu guia. Filipe saiu de um avivamento em Samaria para uma estrada deserta por obediência. Existe lógica nesta ação para um evangelista?

Abraão esperou 25 anos para o cumprimento da promesa. O Deus todo poderoso não poderia dar o seu filho no ano seguinte? Sim, Abraão ouviu Deus falar e esperou o tempo imposto pelo próprio Deus.

Se você sente que o seu chamado precisa de uma direção clara, ou se você está cansado de “bater cabeça” sem ouvir a voz do Senhor, este vídeo é para você. Eu espero que você assista e abra seu coração a palavra de Deus

Dê o play agora e descubra como alinhar o seu ouvido ao coração do Pai!


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Chamado Missionário e Ansiedade: O Que Fazer?

A ansiedade antes de ir ao campo missionário é mais comum do que muitos imaginam. Quem já recebeu um chamado de Deus sabe que, junto com a alegria de servir, surgem também dúvidas, inseguranças e muitos “e se…”. E isso não significa falta de fé — significa que você é humano.

Neste conteúdo, você vai perceber que até missionários experientes passaram por momentos intensos de preocupação. Situações como deixar tudo para trás, enfrentar o desconhecido, lidar com desafios financeiros e cuidar da família fazem parte da caminhada. A grande diferença não está em não sentir ansiedade, mas em como lidar com ela.

A mensagem central é clara: a ansiedade não pode te paralisar. Quando ela cresce sem controle, pode impedir você de avançar no propósito de Deus. Mas, quando levada ao Senhor em oração, ela pode se transformar em um instrumento para fortalecer sua fé e te levar a depender mais da direção divina.

Ao longo do relato, você verá testemunhos reais de provisão, direção e cuidado de Deus em momentos críticos. Em meio à falta de recursos e incertezas, foi na oração e na confiança nas promessas que surgiram ideias, estratégias e soluções inesperadas. Deus não apenas sustenta — Ele também orienta.

Se você está se preparando para o campo missionário ou sente que Deus está te chamando, essa mensagem vai te encorajar a dar passos com fé, mesmo em meio às dúvidas. Lembre-se: Deus não espera perfeição emocional, mas confiança no coração.

👉 Assista ao vídeo completo logo abaixo para entender melhor esses princípios e se fortalecer espiritualmente.
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Além das Fronteiras: A Logística da Sobrevivência Transcultural

O campo missionário transcultural é, sem dúvida, um dos cenários mais fascinantes e, ao mesmo tempo, mais desafiadores para o homem e a mulher de Deus. Quando o chamado de Deus nos empurra para além da nossa cultura, do nosso conforto e da nossa lógica organizacional, somos forçados a encarar uma realidade que os relatórios de campo raramente conseguem traduzir em números: a nossa própria fragilidade.

Atuar na Bolívia, Peru, Paraguai, sertão nordestino, na Amazônia ou em qualquer fronteira cultural não é apenas uma mudança de CEP; é a entrada em um novo terreno, outra casa cultural, onde tudo o que você sabia sobre comunicação, valores e relacionamentos precisa ser reconstruído do zero.

Família missionária: Pr Peniel, Mina, Deborah (18) e Samuel (10)

Muitas vezes, o missionário chega ao campo focado na geografia, mas o verdadeiro desafio é a demografia da alma. O campo transcultural exige que você deixe de ser o centro. Você chega como um especialista, mas precisa aprender a ser um servo aprendiz. Como Paulo bem definiu em 1 Coríntios 9:22, o segredo não está em impor a nossa cultura, mas em “fazer-se tudo para com todos”. Isso exige uma humildade que dói no ego, uma paciência que testa o limite e uma disposição constante para ser o “estrangeiro” que ninguém entende de primeira.

O Choque da Realidade e a Barreira do Silêncio

O primeiro grande obstáculo que enfrentamos no campo é o choque cultural. Ele não avisa quando chega; manifesta-se na comida que o seu corpo rejeita, nos horários que não fazem sentido para a sua mente e na linguagem corporal que você interpreta errado. Já vi muitos missionários que não desistiram do chamado, mas se cansaram diante do choque de cultura.

O erro fatal aqui é confundir adaptação com perda de identidade. Adaptar-se não é deixar de ser quem você é; é a forma mais alta de amor e encarnação do Evangelho. Jesus não ficou no Céu enviando manuais de como ser salvo; Ele se encarnou, falou nossa língua e viveu nossa rotina. Se queremos alcançar um povo, precisamos baixar nossas defesas e aprender a viver como eles. Não deixamos de ser o que somos, mas nos adaptamos.

Pr Peniel Dourado no albergue no Paraguai

Somado a isso, temos o desafio da comunicação. Dominar um idioma vai muito além de decorar vocabulário. É entender o peso das pausas, o significado dos provérbios locais e a alma por trás das palavras. Falar sem ser compreendido gera uma frustração profunda, um sentimento de inutilidade que pode paralisar o obreiro mais fervoroso que deseja, de todo o coração, compartilhar Cristo.

É nesse silêncio forçado que aprendemos a depender menos da nossa eloquência e mais do Espírito Santo. Como diz em Zacarias 4:6, o avanço não é por força ou violência intelectual, mas pelo Espírito. Se a língua trava, a vida precisa falar mais alto. E, em momentos assim, damos maior valor à Palavra escrita, que pode alcançar vidas que estão do outro lado do muro do idioma.

Em meu canal no YouTube, tenho alguns vídeos onde falo sobre choque cultural. No primeiro, abordo o choque cultural em missões nacionais; esse vídeo foi gravado no estado de Alagoas. Para acessar o vídeo, [CLIQUE AQUI]. O segundo vídeo gravei na região de fronteira com a Bolívia e falo sobre o choque cultural reverso. Se você nunca ouviu falar no assunto, eu o animo a clicar e assistir: [CLIQUE AQUI].

Amar missões é abraçar o desafio de ser um eterno aprendiz do Reino. Não deixe que as barreiras culturais paralisem o fogo que Deus acendeu em seu coração; use cada dificuldade como um degrau para uma dependência mais profunda do Pai.

Convido você a caminhar conosco nessa jornada! Inscreva-se em nosso canal no YouTube, acompanhe nossas postagens e vamos, juntos, entender o agir de Deus para alcançar as nações. O campo é grande, os desafios são reais, mas a nossa paixão pelas almas deve ser ainda maior!

O Desafio dos Povos Não Alcançados Hoje

É fácil cair na ilusão de que a Grande Comissão está quase cumprida, especialmente quando observamos a realidade de nossas grandes cidades no Brasil. Embora tenhamos igrejas em cada esquina e uma abundância de recursos, a verdade é que existem cidades inteiras, e vastas regiões, onde o Evangelho mal chegou ou não chegou de maneira efetiva.

Olhe para a sua igreja: talvez ela esteja repleta de líderes talentosos, evangelistas fervorosos, ensinadores da Palavra e pastores dedicados. Isso é uma grande bênção! Contudo, precisamos lembrar que, em muitas outras regiões aqui mesmo na América do sul, eu posso falar do Paraguai e da Bolívia, não há obreiros suficientes, e a colheita está se perdendo.

Missionários Peniel e Mina (2024)

Jesus nos alertou: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mateus 9:37-38). Saber disso não queima o seu coração?

Sim, ao nosso redor pode haver muitos trabalhos locais abençoados, projetos sociais maravilhosos e programas evangelísticos bem-sucedidos. Mas não podemos parar aí. Devemos ampliar nossa visão missionária.

Enquanto desfrutamos da luz, ainda há povos na Terra onde o nome de Jesus jamais foi mencionado. São milhões de pessoas que nunca tiveram a chance de ouvir a mensagem de salvação.

A Bíblia nos questiona diretamente sobre essa urgência: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Romanos 10:14).

Nosso conforto não pode ser a nossa fronteira. Somos chamados a sair. Que a visão da Missão Inacabada nos mobilize para que o nome de Cristo seja conhecido por todos os povos, cumprindo a profecia de que Ele será a luz dos gentios: “Eu o farei luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até aos confins da terra” (Isaías 49:6). O Senhor conta conosco!

E a Palavra de Deus é cristalina: a missão continua e é urgente. O próprio Jesus fez uma declaração que define o cronograma escatológico da Igreja:

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. E então virá o fim.” (Mateus 24:14)

Isso significa que a volta gloriosa de Cristo está diretamente ligada à pregação eficaz do Evangelho entre todos os povos, tribos e línguas. Não podemos ficar parados.

Uma irmã evangelista preparando-se para a distribuição da Palavra de Deus escrita na região alta de Bolívia

O cumprimento da profecia depende da nossa ação! Que essa urgência nos mova a cumprir nossa parte na história da redenção.

Deus ama todas as culturas

A diversidade humana que vemos no mundo — as diferentes raças, culturas e línguas — não é um acidente do acaso. Pelo contrário, ela é uma parte essencial e gloriosa do plano divino para alcançar o homem perdido.

As Escrituras afirmam claramente a origem dessa unidade na diversidade: “De um só fez toda a raça dos homens para habitar sobre toda a face da terra” (Atos 17:26). Deus é o Criador de cada grupo étnico e Se alegra em cada expressão cultural.

A missão não visa apagar essas diferenças, mas redimi-las. Nossa visão final, prometida em Apocalipse, é poderosa: no céu, veremos “povos, tribos, línguas e nações” adorando juntos (Apocalipse 5:9). Deus não deseja uma uniformidade cultural; Ele anseia por uma adoração multicolorida, multilinguística e multicultural.

Nosso trabalho missionário é, portanto, buscar a glória de Cristo em cada sotaque e em cada tradição, para que a Igreja se torne a imagem completa dessa riqueza celestial. É uma festa de diversidade que honra o Criador!

Unidade espiritual — missão transcultural

A verdadeira força da Igreja reside em sua unidade, mas é crucial entender onde essa união não é fundamentada em uma só cultura. Nossa igreja não é unida por hábitos, roupas ou estilo musical; esses são apenas traços culturais. A nossa unidade é forjada no essencial: no Espírito Santo, como afirma a Palavra: “Há um só corpo e um só Espírito” (Efésios 4:4).

Essa unidade espiritual, porém, não nos permite ficar parados. Pelo contrário, ela nos impele a cruzar barreiras e ir em direção ao mundo. O modelo para essa travessia é o próprio Cristo.

Ele cruzou a maior barreira que existia: a distância entre o Criador e a criatura. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Jesus esvaziou-Se, adotou nossa fragilidade e falou nossa língua. Se Jesus, sendo Deus, se fez homem para nos alcançar, nós, a Sua Igreja, devemos seguir Seu exemplo, atravessando as fronteiras culturais, sociais e geográficas para levar a Sua mensagem. somos chamados a sair de nossas zonas de conforto para alcançar outros.

Palavra de Deus chegando ao povo de La Paz, Bolívia

Missão é por povos — não só por países

Jesus foi específico em Seu mandato missionário. Ele não disse apenas “países”, mas sim “fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19), e a palavra original utilizada foi ethne: grupos étnicos e culturais. Isso muda tudo em nosso planejamento!

Precisamos entender que a Missão Inacabada não está apenas em lugares distantes; existem povos e grupos étnicos não alcançados até mesmo dentro de países de maioria cristã, inclusive no Brasil.

Nossa tarefa não se limita a cidades ou fronteiras políticas, mas à etnia, para que o Reino de Deus seja manifestado em “toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9). O ethne é o alvo de Deus.

A distância cultural importa

Não se engane: quanto maior a diferença cultural entre o missionário e o povo que ele deseja alcançar, maior e mais complexo é o desafio. Ir para outro país, com um idioma e uma visão de mundo totalmente distintos, exige mais do que paixão; exige uma renúncia profunda.

É por isso que o Apóstolo Paulo nos deu o modelo definitivo de adaptação missionária, declarando: “Fiz-me tudo para com todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Missões de verdade exigem humildade para ouvir, disposição para aprender, serviço genuíno e um amor incondicional.

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

A urgência é imensa. A Palavra de Deus questiona nossa inação: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14). Deus continua, sim, levantando homens e mulheres para serem missionários transculturais — pessoas dispostas a abandonar o conforto e a cruzar essas distâncias em obediência. A questão é: estamos dispostos a enviá-los e sustentá-los, para que a mensagem chegue? também apoiadores, mantenedores, enviadores e intercessores.

Conclusão

A missão não terminou. Há povos sem Bíblia, sem igreja e sem esperança. Nós somos parte da resposta de Deus.

“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
(João 20:21)

Que nossa resposta seja: Eis-me aqui, envia-me.

Bênção para as Nações: O Nosso Papel na Obra Missionária

Quando Deus chama alguém, Ele não está apenas escrevendo uma história pessoal — Ele está movendo a história da humanidade. Com Abraão, Deus abriu um capítulo que ecoa até hoje na vida da Igreja e na nossa missão no mundo.

Se você ama missões, vai ver aqui as raízes do nosso chamado!

Família missionária: Pr Peniel, Mina, Deborah (18) e Samuel (10)

Deus chama Abraão e inaugura um novo caminho

Quando Deus disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3), Ele não estava apenas fazendo uma promessa familiar. Ali começava um plano global, eterno e redentor. Mesmo com a humanidade caída e os povos espalhados, Deus nunca perdeu de vista Seu propósito: alcançar indivíduos e nações.

Com Abraão, Deus iniciou um novo caminho. Ele escolheu uma nação — não para excluir outras, mas para usá-la como vitrine da Sua graça, santidade, fidelidade e poder. O Senhor Se apresentaria como o Deus de Israel, guiando aquele povo, moldando sua vida espiritual e social, formando sua identidade e protegendo-o diante dos inimigos. Não se tratava da grandeza humana de Abraão, mas do Deus que decidiu Se associar a ele e à sua descendência.

Essa identificação foi tão profunda que, quando Israel pecou ao pé do Sinai, Moisés pôde interceder com ousadia (Êxodo 32:11-14). Deus havia unido Seu nome ao povo. Ele caminharia com Israel para revelar ao mundo quem Ele é.

Peniel, Mina, Deborah e a missionária Simone no evangelismo em Bolívia (2014)

Israel: chamado para ser luz

Quando Deus declarou: “Em ti serão benditas todas as nações”, Ele apontava diretamente para Cristo, o Descendente prometido (Gálatas 3:8). Jesus — descendente de Abraão e Davi — é a bênção final, o Salvador que alcança povos, línguas e gerações.

Antes da vinda de Cristo, Deus usou Israel como sinal vivo de Sua justiça, misericórdia, paciência e santidade. Por meio daquele povo, Deus revelou Sua glória e atraiu as nações para Si.

As leis dadas a Israel influenciaram civilizações inteiras e ainda moldam sistemas legais no mundo. Como diz Deuteronômio 4:6: “Guardai-os, pois, e observai-os; porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento aos olhos dos povos.” Através desse povo, princípios de moralidade, adoração e convivência foram apresentados à humanidade.

Mesmo quando Israel falhou — e falhou muitas vezes — o propósito de Deus permaneceu firme. No tempo certo, Cristo veio, cumprindo a promessa e abrindo o caminho para que todas as nações O adorassem.


Somos parte dessa história

Hoje, nós — a Igreja de Cristo — continuamos essa promessa viva. Somos herdeiros do chamado missionário que começou com Abraão, avançou a Israel e chegou a nós como igreja de Cristo. Deus ainda alcança povos e etnias em toda a terra. Ele nos abençoa para que sejamos bênção.

E há uma diferença fundamental entre Israel e nós: nosso chamado não é para trair o mundo, mas para ir ao mundo. Não esperamos que os perdidos venham; nós vamos até eles. Pecadores raramente entram espontaneamente em templos ou programas cristãos. Eles encontram transformação quando o Evangelho os alcança onde estão.

Por isso Jesus ordenou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). O movimento de ir é nosso; a obra e a glória são d’Ele.

Nossa história é escrita com o propósito de Deus em ação: alcançar os que ainda não ouviram sobre Cristo. Nossa vida é resposta ao chamado original: “…e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2).

Então, a pergunta que ecoa hoje é: estamos disponíveis para esse plano eterno? Que nossa obediência e nosso coração missionário anunciem ao mundo: o Deus que chama, cumpre.

Como renovar suas forças no campo transcultural?

Essa pergunta ecoa na mente de muitos missionários quando as barreiras do campo parecem intransponíveis. A resposta curta? Em Cristo, você pode. Mas não entenda isso como uma frase de autoajuda. Se o que você faz nasceu no coração de Deus, Ele mesmo garantirá os recursos e o tempo certo para tudo acontecer.

Como diz 2 Coríntios 9:8, Deus é poderoso para fazer abundar toda a graça, garantindo que você tenha o suficiente para toda boa obra. O segredo não é a sua força, mas a sua conexão.

Pastor Peniel e Mina na cidade de Corumbá, MS – Brasil (2014)

O perigo de confiar apenas em recursos humanos

Muitos missionários buscam renovar suas forças em fontes humanas, confiando excessivamente em estratégias, logística ou preparo antropológico para fundamentar seu trabalho no campo transcultural. Embora essas ferramentas sejam importantes para o desenvolvimento do trabalho missionário transcultural, o profeta Zacarias (4:6) nos recorda uma verdade fundamental:

“Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

Este texto é crucial para a missão, pois as barreiras que o missionário enfrentará não são rompidas apenas por técnicas ou intelecto, mas pela ação direta do Espírito Santo, pois da mesma forma o nosso inimigo é espiritual.

As Escrituras não nos ensinam a buscar força em nossa própria capacidade. Somos animados a nos capacitar como um reconhecimento ao chamado, mas o verdadeiro segredo da perseverança e da vitória no campo de missões transcultural reside exclusivamente no Senhor Jesus.

Se há alguém na Bíblia que poderíamos considerar plenamente capacitado para as nações, esse alguém era o apóstolo Paulo. No entanto, o próprio Senhor lhe disse em 2 Coríntios 12:9: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Nigel, nosso atual coordenador geral de Bolívia e no centro o irmão Norman que ajuda a transportar os materiais

Portanto, ainda que o preparo seja necessário, ele não é o protagonista. A verdadeira vitória no campo missionário não provém do domínio humano, mas do agir do Espírito de Deus que opera através de nós.

Como nos exorta Efésios 6:10: “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder”. No campo missionário, quando dependemos apenas de recursos humanos, o esgotamento é inevitável. Mas, quando descansamos na força divina, tornamo-nos resilientes contra qualquer oposição.

Será que conseguirei desenvolver este projeto?”, muitos missionários se questionam ao colidirem com as barreiras do campo. A resposta é que, em Cristo, você pode.

Eu não estou trazando apenas uma mensagem de pensamento positivo superficial; o que estou dizendo aqui é uma verdade eterna: se o seu trabalho nasce no coração do Senhor, ele será realizado pelo poder do Senhor Jesus. No tempo d’Ele, sob as condições d’Ele e com os recursos que Ele mesmo providenciará você fará. Você vai avançar, simplesmente porque o Senhor disse que você iria.

A promessa em 2 Coríntios 9:8 é o nosso combustível: “Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça”. Por isso, não dê lugar a pensamentos de desistência ou insuficiência. Se foi o próprio Deus quem o enviou, não diga que você não tem condições; afinal, o Criador do universo não erra ao posicionar Seus filhos e se Ele te colocou nesta posição é porque você fará no poder que vem d’Ele.

A sua resistência não depende do “braço de carne” ou do esforço humano, mas da unção que o separou para este propósito. Lembre-se de Sansão: sua força descomunal não estava em sua genética ou em seu porte físico, mas era uma manifestação direta do Espírito de Deus sobre a vida dele (Juízes 14:6). No campo missionário, a lógica é a mesma: sua capacidade não vem de você, mas dAquele que o chamou.

Pastor Peniel e Pr Ebenezer pregando em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia (2014)

O erro de Sansão foi esquecer a origem de sua força. Ao afastar-se da direção divina, descobriu-se impotente. Juízes 16:20 traz um alerta solene: “Mas não sabia que o Senhor se havia retirado dele”. Ao perder a presença de Deus, Sansão perdeu também sua visão.

Técnica sem unção leva à exaustão

Da mesma forma, querido missionário, sem a presença do Senhor Jesus, sua força torna-se limitada e seu intelecto insuficiente. Como diz o Salmo 127:1: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. A técnica sem a unção é apenas esforço humano fadado à exaustão.

Portanto, permaneça na dependência do Senhor Jesus. A eficácia no campo missionário não depende do quanto você se sente forte com o seu próprio conhecimento, recursos e capacidades, mas do quanto você está conectado à Videira verdadeira. Como disse Jesus em João 15:5: “Sem mim nada podeis fazer”. Que o projeto de missões não seja apenas uma boa ideia, mas uma visão dada por Deus.

Apegue-se à promessa que o Senhor Jesus te deu. Em Isaías 40:31 diz: “Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças…” Quando você recebe uma orientação do Senhor Jesus para o desenvolvimento de um trabalho específico você deve ficar firma na orietação dada, pois o poder de Deus flui da obediencia.

Podemos concluir que, o poder que há neste mundo é superior às forças que dominam o mundo e está investido no Nome de Jesus Cristo, conquistado na cruz e confiado à Igreja que tem a missão de levar o evangelho a todos os povo.

Pastor Peniel na cidade de San Julian, Bolívia (Set 2014)

Portanto, viva na presença do Senhor Jesus com ousadia e exercite a autoridade que Ele mesmo lhe concedeu no campo missionário onde o colocou. A autoridade é de Cristo, mas é dada a você para que o serviço seja feito pelo poder do Espírito e para a glória do Senhor Jesus.

Assim, o fortalecimento vem do próprio Senhor Jesus que é nossa fonte de todo poder e condições. Sem Ele não podemos fazer a obra que nos foi confiada de levar o evangelho de salvação aos povos

A Missão de Deus: O Coração Bíblico para as Nações

Sabe quando olhamos para a Bíblia e percebemos que ela não é apenas um livro de histórias, mas um mapa do coração de Deus? Pois é. Se existe algo que pulsa no centro das Escrituras, é a Missão de Deus.

Deus não é um Deus distante, sentado em um trono observando a humanidade; Ele é um Deus que vai atrás das vidas perdidas, que chama, que envia, que ama cada pecador. E quando entendemos isso… nossa maneira de enxergar missões muda completamente.

Vamos caminhar juntos por essa verdade: a missão não nasceu na igreja. A missão nasceu em Deus.

Peniel e Mina. Pôr do sol à beira do Rio Paraguai, Corumbá, fronteira com Bolívia

Deus é o autor e iniciador da missão

Antes de qualquer estratégia missionária, antes de qualquer organização ou estrutura, existe Deus — e o Seu caráter amoroso é a fonte da missão. Missões não nasceram de um planejamento humano ou de uma necessidade social; elas fluem da própria natureza divina.

Deus é um Deus que busca, que envia, que se revela e que chama pessoas para cooperarem com Seus propósitos eternos. Desde antes da fundação do mundo, Ele já tinha um plano perfeito para redimir a humanidade caída, e esse plano começa, continua e termina no Seu amor eterno e imutável.

Como Paulo declara, fomos escolhidos “antes da fundação do mundo” para caminhar segundo Seu propósito e graça (Efésios 1:4-5). Nada do que Deus faz é improviso; a missão não é reação ao pecado, mas expressão do Seu coração eterno, que sempre desejou reconciliar consigo todas as coisas e alcançar cada povo, tribo e nação com Sua graça transformadora.

A Bíblia deixa isso claro: “Porque Deus amou o mundo…” (João 3:16). Esse amor não é um sentimento distante ou abstrato — é prático, sacrificial e movido por profunda compaixão. É um amor que atravessa fronteiras, alcança culturas, transforma vidas e nos convida a participar da missão divina de levar esperança e salvação a todas as nações.


Israel: escolhido para participar da missão

Quando Deus escolheu Israel, não foi para que se tornasse um povo isolado, fechado em si mesmo ou se considerasse superior aos demais. Pelo contrário, o propósito da escolha sempre foi missão. Desde o chamado de Abraão, Deus já deixava claro que Seu plano não era formar um povo exclusivo, mas levantar um instrumento para alcançar todas as nações com Sua graça e Sua luz.

Assim lemos: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3). Essa promessa não era apenas um privilégio; era uma responsabilidade. Israel foi chamado para ser um espelho do caráter divino diante do mundo, vivendo de tal forma que outros povos pudessem conhecer o Deus verdadeiro através de seu testemunho.

A eleição de Israel nunca foi para exclusão, mas para inclusão. Deus escolheu um povo para, por meio dele, alcançar todos os povos. O coração de Deus sempre pulsou por cada nação, e Seu propósito continua o mesmo até hoje.

Mina e Samuel com os folhetos em nossa base de apoio em Bolívia (2018)

A igreja: chamada para ser missionária

Da mesma forma, a igreja existe para cumprir esse propósito eterno de Deus. Missões não são apenas uma atividade entre tantas outras dentro da comunidade cristã, nem um departamento restrito a alguns irmãos mais entusiasmados.

Missões são a identidade da igreja. Nós não fazemos missões simplesmente porque queremos — fazemos porque somos povo enviado pelo próprio Deus. Somos igreja porque fomos chamados, transformados e comissionados para participar da obra redentora que o Senhor está conduzindo na história.

Fomos chamados para anunciar Cristo com paixão, amar povos e culturas com sensibilidade, e participar ativamente da redenção que Deus está realizando no mundo. Isso significa olhar para além das nossas paredes, além das nossas agendas e além das nossas fronteiras. Onde há pessoas, há campo missionário. Onde há dor, há oportunidade de graça. Onde há povos ainda não alcançados, há uma convocação divina ecoando no coração da igreja para o alcance.

Jesus não deixou dúvidas sobre isso quando declarou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Sua ordem não foi opcional, nem limitada a uma época específica. O ministério intercultural não é um acessório do crente — é o coração, a essência e o propósito da igreja. Existimos para adorar a Cristo e torná-Lo conhecido entre todos os povos.


Obediência ao Chamado

A participação humana no plano divino sempre passou pela obediência. Desde o início, Deus deixou claro que a bênção caminha junto com a submissão. Assim como o Senhor disse a Israel: “Se diligentemente ouvirdes a minha voz… virei sobre vós todas estas bênçãos” (Deuteronômio 28:1-2).

Quando obedecemos de coração, não estamos apenas cumprindo uma ordem; estamos respondendo ao amor e ao chamado de Deus, tornando-nos parceiros na Sua obra eterna.

Com o presbítero Assis em Aracaju, líder da Base de Apoio Nordeste (2024)

A obediência não nos limita — ela nos conduz ao propósito. Como Jesus afirmou: “Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lucas 11:28). E o apóstolo Tiago reforça: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes” (Tiago 1:22). Não existe missão sem entrega, nem fruto sem submissão. Cada ato de obediência nos aproxima mais do coração de Deus e do que Ele deseja realizar entre as nações.


Conclusão

Deus não tem favoritos entre povos ou culturas. Ele ama todas as nações e chama Sua igreja para enxergar como Ele vê, amar como Ele ama e ir onde Ele envia.

A missão não começa quando atravessamos uma fronteira. Ela começa quando entendemos o coração de Deus.

“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas.” (Salmos 96:3)

Se o coração de Deus bate pelas nações… o nosso deve bater também.

O Desafio da Obediência no Chamado

Sabe aquela pergunta que sempre volta quando alguém sente o coração arder por missões? “Mas… e o dinheiro?” Pois é. Hoje vamos conversar justamente sobre isso. De forma simples, direta e verdadeira — como quem senta na sala com você, olha nos olhos e diz: “Eu já passei por aí também.”

Deus tem colocado uma visão no nosso coração — e é lindo ver que essa mesma visão tem alcançado o seu. O desejo de ver a obra avançar não nasce em nós mesmo, mas nasce no coração de Deus. E por isso peço: continue orando por nós.

Pastor Peniel apresentando o projeto em São Luis do Maranhão (2025)

Hoje enquanto levava os meninos ao colégio e faculdade, pensei em escrever sobre um assunto que vira e mexe chega até mim: a questão financeira no chamado missionário.
A pergunta costuma ser sempre a mesma: “Pastor, eu quero fazer missões… mas quem vai manter? Quem vai pagar as contas?

1. A Primeira Prova do Chamado

Deus sempre prova uma pessoa antes de colocá-la na obra missionária. Eu olho para a Bíblia e vejo isso e se você está na obra de missões e não passou por nenhuma prova algo está errado. Mas sabe porque o Senhor Jesus prova? Sabe quem deve saber o resultado? Não é o seu pastor. Não é o pai, a mãe, o esposo ou a esposa. Não, querido irmão. A prova vem para mostrar a você quem quem foi ou não foi aprovado. Você é o alvo do prova.

É você quem Deus trata, molda, confronta e convence: “Eu estou aqui porque Deus me chamou — e não pelo dinheiro.” Da mesma forma é você saberá com todas as letras que você foi reprovado por causa do dinheiro.

A maioria das pessoas olha para o trabalho missionário com a mentalidade comum do mundo: trabalha-se para ganhar, e quanto maior a oportunidade, maior o ganho. Então, quando alguém vê um missionário deixando emprego, estabilidade e oportunidades, imagina: “Ele deve ter encontrado uma forma melhor de viver.

Pastor Peniel Dourado

Você já viu alguém simplesmente deixar um emprego para ganhar cinco vezes menos por nada? Alguém faz isso? Não. As pessoas mudam até de cidade por um emprego que dará uma renda melhor. Este é o natural da vida e não estou dizendo que é errado. As coisas funcionam assim mesmo.

Mas na obra de missões a frequencia é diferente. Geralmente existe uma perca gigandesca por se entregar ao serviço de missões. A reda cai, o padrão de vida vai lá pra baixo, o churrasco do final de semana desaparece e o carro é trocado por uma biscicleta.

E não quero dizer que será sempre assim e nesta mesma ordem, mas as provas virão.

2. Quando Deus Chama, Ele Prova

É como com Abraão. Deus deu a ele uma promessa — e depois provou essa promessa por 25 anos. Chamado funciona do mesmo jeito. Deus chama, fala, confirma… mas o recurso não aparece. E então você precisa decidir: Vou obedecer mesmo sem ver? Vou dar o passo mesmo sem ter?

Abaão recebeu a promessa de Deus que teria um filho quando tinha 75 anos de idade (Gênesis 12:4). O nascimento do filho da promessa veio quando Abraão tinha 100 anos de idade (Gênesis 21:5). Foram 25 anos esperando Deus cumprir o que havia prometido. Você já parou para pensar o que passou Abraão nesses 25 anos?

Recebendo materiais em Bolívia (julho 2025)

Querido irmão, muita gente não entra na obra porque olha para o chamado e pergunta: “Quem vai manter?” E quando não vê a resposta imediatamente, volta para trás. Mas não se engane: o reino de Deus não para porque alguém disse “não”. Uma palavra poderosa que o Senhor Jesus tem ministrado ao meu coração nos últimos anos é que para cada pessoa que recusa o chamado, Deus tem “sete mil” prontas — e normalmente melhores preparadas do que nós.

Eu uso este “cálculo” com base no texto de 1 Reis 19:18 onde o Deus diz a Elias “conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que não o beijou.” Se você acho que é grande coisa e que o Reino de Deus vai parar porque você diz não, saiba que existe sete mil na fila.

E por que eu digo que os sete mil são melhores que você? A base que temos é de 1 Co 1:27-28, que diz: “(27)Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. (28) Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo e as desprezadas, as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se glorie diante dele

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

Assim, Deus escolheu você sem nenhum conhecimento, o fraco entre muitos, o insignificante da turma, o que não era nada para que você não se glorie pelo que o Espírito de Deus vai fazer através de você.

3. Deus Escolhe Diferente do Mundo

O mundo, em sua lógica humana e corporativa, escolhe o melhor, o mais capacitado, o mais experiente. A sociedade valoriza o currículo impecável, o histórico de sucessos comprovados e a autossuficiência.

Deus faz o contrário, e essa é a essência revolucionária do Evangelho. Ele escolhe o menor, o improvável, o que não tem condição nenhuma — justamente para mostrar que o poder é d’Ele e que a glória pertence somente a Ele.

O Apóstolo Paulo sintetiza essa estratégia divina de forma poderosa:

“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.” (1 Coríntios 1:27)

Deus usa os vasos de barro, os imperfeitos, os humildes, para que, ao manifestar-se o poder, fique claro que a “excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7). A escolha não se baseia na nossa capacidade, mas na fidelidade do Senhor Jesus a sua própria Palavra.

Eu e minha família no campo de missões (2015)

Apesar da generosidade e paciência de Deus, o chamado exige uma resposta. Se a pessoa inicialmente chamada se recusa ou se sente indigna e se esquiva persistentemente (como fez Moisés inicialmente), Deus, em Sua soberania, tem mais sete mil.

Essa perspectiva nos leva à humildade, reconhecendo que sim, sempre haverá alguém melhor que nós aos olhos do mundo. No entanto, o que importa é estarmos disponíveis e dependermos Daquele que garante: A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)

4. O Segundo Estágio: A Prova da Renúncia

Ao nos engajarmos na obra de Deus e testemunharmos as portas se abrindo, uma prova crucial se apresenta: a necessidade de abrir mão daquilo que Deus mesmo nos deu.

Veja o exemplo de Filipe, o Evangelista. Ele estava em Samaria, no meio de um grande avivamento, onde milagres e salvação aconteciam por todos os lados. É o sonho de qualquer evangelista! Contudo, o anjo do Senhor chega com uma ordem inesperada: “Levanta-te, e vai para o caminho que desce de Jerusalém para Gaza; este é deserto” (Atos 8:26).

Tem algum sentido isso? Não fazia sentido. Por que abandonar um sucesso evidente por um deserto isolado? A resposta é que missão não é sobre sentido; é sobre obediência. Muitos falham neste estágio. Quando Deus diz “deixa isso”, muitos respondem “não”. E, novamente, Deus levanta outro para prosseguir.

E se você estivesse no lugar de Abraão? Após 25 anos de espera, quando finalmente tinha Isaque, o filho da promessa, o Senhor o testa com a ordem mais dolorosa: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto” (Gênesis 22:2). Abrir mão da promessa, do futuro, é um sacrifício imenso.

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Não seria essa resistência em entregar o “nosso Isaque” o motivo pelo qual o campo missionário tem tão poucos obreiros? Acredito que a seleção divina é realmente dura e poucos a superam.

Muitos dizem “não” ao Senhor e ao chamado por causa de um relacionamento amoroso, ou por não quererem abrir mão da casa que levou anos para ser conquistada, pela vaga no emprego, faculdade; Já encontrei quem se recusou a ir ao campo por ter lutado anos para alcançar o pastorado, argumentando que, no campo, qualquer um é chamado de missionário — um cooperador, um diácono, e assim por diante. Essa vaidade de título se torna uma barreira.

Desta forma, a seleção divina avança. Os homens dizem “não”, mas a Obra de Deus não para. A fila dos dispostos caminha, pois, como em Israel, sempre haverá um remanescente fiel:

“Mas deixarei ficar em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.” (1 Reis 19:18)

O propósito do Senhor se cumpre, independentemente dos nossos “nãos”.

5. O Estágio da Maturidade

A caminhada de fé nos ensina que, à medida que avançamos na jornada e no serviço, o padrão de exigência de Deus se eleva. Veja o exemplo de Abraão. Depois de tantos anos caminhando com Deus, já em idade avançada, o Senhor lhe faz uma demanda crucial: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1). Por quê?

Porque, ao atingirmos essa fase de maturidade espiritual e de serviço, há muitas pessoas observando: filhos, netos, novos obreiros e os irmãos da igreja. Um único erro de quem deveria ser exemplo terá um impacto grande demais, com consequências difíceis de corrigir posteriormente.

É como um navio em manobra final para atracar no porto: qualquer erro de cálculo no fim da jornada causa um acidente enorme. Assim, de quem já tem um bom tempo de serviço missionário ou na Obra de Deus, é exigido o “sê perfeito”.

Observamos que muitos são cortados precocemente das fileiras de liderança para que o raio de sua influência não cresça o suficiente a ponto de gerar um estrago maior ao Reino.

As Escrituras estão repletas de exemplos onde a desobediência, mesmo em atos aparentemente pequenos, resultou na perda de grandes promessas ou posições:

  • Esaú foi cortado por menosprezar seu direito de primogenitura, vendendo-o por um simples prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34).
  • Moisés bateu na rocha em vez de apenas falar com ela, conforme a ordem divina, e por essa razão não pôde entrar na Terra Prometida (Números 20:10-12).
  • Sansão perdeu sua força sobrenatural por quebrar seu voto de nazireado, permitindo que seu cabelo fosse cortado (Juízes 16:17-21).
  • Saul perdeu seu trono e sua dinastia por oferecer um holocausto que não lhe cabia e por não destruir totalmente os amalequitas, sendo desobediente à voz de Deus (1 Samuel 13:13-14).

Às vezes, refletimos sobre a dureza de Deus. Aos nossos olhos, Ele poderia ter deixado passar o “pequeno escorregão” de Moisés, considerando tudo o que ele já havia feito. Mas, quais seriam as consequências de fechar os olhos e permitir que um líder de tamanha importância estabelecesse um precedente de desobediência? E como ficaria a figura de Cristo naquela rocha? O padrão divino é sempre a santidade e a obediência completa.

No período da maturidade, nossa voz mais forte são nossas ações e nosso exemplo. A palavra de Deus para nós hoje é a mesma que Ele deu ao ancião Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1).


Pense nisso:

O chamado para a missão nunca começa com a garantia de recursos; ele começa com a fidelidade ao Senhor.

Quando nossa vida se mantém firme e obediente a Deus, os recursos vêm, pois o próprio Deus é o Fiel a sua Palavra e o Mantenedor de Sua obra. A provisão divina segue a obediência.

Esta verdade nos traz segurança, conforme prometido em Sua Palavra: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:24).

Sabemos que a vida em missões é desafiadora, e talvez você tenha sido confrontado por este texto hoje. Mas confie: se Deus chamou você, Ele mesmo cuidará de cada passo do caminho, garantindo que Sua obra seja cumprida.

O Desafio da Obediência no Chamado

Eu tenho um vídeo em nosso canal no Youtube onde fiz um vlog mostrando meu dia a dia no campo de missões e fala sobre este assunto. Se você estiver interessado poderá assistir clicando no link – CLIQUE AQUI

Capa do vídeo no Youtube

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Deus te abençoe

Não Abandone Seu Chamado: Missão é Compromisso de Vida

Que alegria iniciar o dia compartilhando mais uma Reflexão Missionária!

Aqui no blog, você acompanha de perto nossa vida de missões, o mover de Deus e as direções que Ele tem nos dado no campo transcultural. Se você não quer perder nenhum artigo — e nem o que está por vir —, tenho um convite:

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Peniel N Dourado

A LUTA POR UMA DIREÇÃO CLARA

Atualmente, aqui no Paraguai, estamos no período da Semana de Oração que antecede a Santa Ceia. É um tempo poderoso onde suspendemos outras atividades noturnas para nos reunir, orar e buscar intensamente a presença de Deus.

Esta semana, em especial, meu foco tem sido orar por uma direção clara para o nosso trabalho, principalmente em relação ao Programa de Apoio Evangelístico. (Quem nos acompanha sabe o peso que sentimos e a importância desse projeto!).

Continue lendo para entender o que Deus tem falado conosco neste período de busca…”

Visitando a Missão por Compaixão no Paraguai

Em 2004, eu já estava no Paraguai, e meu desejo era fazer missões aqui mesmo, pois víamos a necessidade e a Missão Siloé estava em crescimento. Eu queria ganhar almas aqui no Paraguai e participar no crescimento da igreja. Mas foi nesse período que Deus começou a nos falar que deveríamos sair do Paraguai e ir para a Bolívia.

A palavra que Deus nos deu foi que Ele nos levaria a outra nação e colocaria uma obra em nossas mãos. Posteriormente, Deus começou a falar muitas coisas sobre esse projeto, sobre crescimento e expansão, dizendo que iríamos desenvolvê-lo em toda a Bolívia, e é o que estamos fazendo agora. O Senhor também falou que iríamos desenvolver esse projeto em outras nações, e estamos nesse processo.

Sou sincero em dizer que muitas vezes tentei parar este trabalho. Desanimei com a falta de apoio, pois você sabe que o Programa de Apoio Evangelístico tem como alvo ajudar os evangelistas, conseguir e entregar literatura nas mãos de quem está trabalhando: irmãos que vão para hospitais, presídios, ruas e praças. E, sinceramente, falando com toda a franqueza a você que lê este blog, pouca gente se importa com os evangelistas dentro das igrejas.

Com o irmão Nigel Mercado em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Tenho notado algo preocupante no contato com algumas lideranças (e é fundamental frisar que este não é um comportamento generalizado): A solicitação de nossos materiais acontece, mas, em muitos casos, o objetivo não é o evangelismo em si, nem o apoio genuíno aos evangelistas.

Percebemos que o foco se desvia. O material, que deveria ser uma ferramenta de expansão do Reino, torna-se, muitas vezes, um instrumento para ‘política interna’ ou autopromoção. Essa postura demonstra uma profunda irresponsabilidade com a obra que é do Senhor Jesus, e é algo que nos causa grande tristeza.

Nos muitos anos de trabalho, passei por isso várias vezes: líderes que entram em contato, mas não estão preocupados com os evangelistas. Nisso, você acha que é fácil manter um projeto como este? Acha que é fácil conseguir recursos para pagar o frete? Acha que é fácil conseguir recurso para manter as nossas viagens? Não, não é fácil. Digo isso com toda a propriedade.

Mas, enquanto as dificuldades continuavam nos passos que dávamos em Bolívia, o projeto também continuava crescendo. Os dias iam passando, o número de evangelistas na Bolívia crescia, o número de pessoas necessitadas de apoio, e a gente via essas pessoas com o coração ardendo pelo desejo de fazer um trabalho evangelístico.

Posso dizer isso porque trabalhei muitos anos ao lado desses evangelistas. São pessoas que têm um coração realmente queimando pela obra de Deus e o desejo de ganhar almas.

vangelista recebendo a Palavra de Deus escrita em Bolívia

Conheci pessoas que usaram o dinheiro do mês para investir no trabalho evangelístico. Eu não faria isso e não aconselho ninguém, mas sei que essa pessoa o fez porque o próprio Senhor a orientou. E Deus fez milagres para mantê-la durante aquele mês.

Conheci um pastor com um coração entregue ao evangelismo. Ele tinha um veículo e o vendeu para fazer um trabalho de impacto na região onde nasceu, na Bolívia, onde não havia muitas igrejas. O desejo dele era dar oportunidade àquele povo de ouvir o evangelho. O nível de evangelismo de que estou falando é um nível de entrega.

Diante da dificuldade de conseguir recursos para manter todo este trabalho, o número de evangelistas crescia, e eu me desanimava. Eu orava ao Senhor: “Senhor, o que eu faço? Dá-me uma revelação. Mostra o que Tu queres que eu faça.” Essa era a minha oração.

Muitas vezes, entrei no meu quarto para buscar uma revelação do Senhor, uma palavra de Deus em relação ao projeto. Mas confesso que eu queria ouvir uma voz de Deus, queria ouvir Deus falando que o tempo daquele projeto havia terminado.

Líder do Ponto de Apoio em Potosi, Bolívia

O problema é que, quando eu entrava no meu quarto e começava a clamar a Deus, o Espírito Santo falava ao meu coração: “Vá e faça o que eu te mandei fazer“. Parece até estranho eu dizer que era um problema, mas a realidade era que eu queria ouvir outra coisas do Senhor Jesus.

Nestes dias que tem passado aqui no Paraguai durante a semana de oração na Missão Siloé eu tenho feito a mesma oração: “Senhor, dá-me uma revelação.” Então, eu estava na igreja orando e fiz essa oração. Eu orei, saí da igreja, vim para casa e fomos dormir.

Quando o relógio tocou pela manhã e levantei cedo, assim que abri os olhos, o Senhor me deu novamente uma palavra que havia falado comigo a muitos anos atrás. O Senhor me mostra a situação de Maria. Quando o anjo Gabriel falou com Maria, deu uma palavra específica para o que ela deveria fazer. O anjo disse que ela ficaria grávida e que a criança que nasceria seria o Salvador. A tarefa dela era ser mãe.

Neto (centro) é o baterista da Missão Siloé. E na ponta direita Samuel

Qual a diferença da missão de Maria para a missão das outras mulheres? A missão dela era ser mãe do Salvador. O anjo disse: “Você será a mãe do Salvador”. Sabemos que ela não teve relação com José para engravidar, mas ela seria mãe. A diferença de Maria para as outras mulheres que engravidaram foi nenhuma, mas o peso de ser mão do Salvador do mundo era gigante.

Maria passou pelas mesmas que todas as mulheres que ficam grávidas. O ventre de Maria cresceu, e a criança desenvolvia da mesma forma que as demais pessoas. Quando a criança nasceu, nasceu do mesmo modo que todas as crianças vieram a este mundo. O menino Jesus teve que tomar o leite do seio de Maria, assim como todas as crianças precisam se alimentar do leite materno.

Algo específico, porém, tinha Maria: a palavra de Deus dada a ela lá atrás. O anjo veio, falou que ela ficaria grávida e depois não voltou para dizer o óbvio. O anjo não voltou para dizer que a criança cresceria no ventre. O anjo não voltou quando o menino Jesus estava sujo porque fez suas necessidades.

Essa é muitas vezes a palavra que Deus me dá. O Espírito Santo tem me dito: “Não é porque você não está recebendo uma palavra específica neste momento da minha parte para a missão que confiei em suas mãos, que você não sabe da responsabilidade que tem.”

Final do culto na Missão Siloé, Paraguai

Eu fico imaginando se Maria simplesmente levantasse um dia e dissesse: “Deus, esse filho é Teu e eu não quero mais cuidar dessa criança. Arranja agora outra mulher para que possa cuidar dela“. Por mais que sabemos que Jesus é Filho de Deus, mas como homem continuava sendo filho de Maria e ela sua mãe.

Eu poderia dizer que Maria seria uma mãe louca se simplesmente se levantasse e falasse que não ia mais cuidar daquela criança. Sei que existem muitas mães loucas, assim como existem muitos pastores, missionários, evangelístas loucos que abandonam “a criança” que o Senhor os confiou.

Na Missão por Compaixão, ouvimos tantas histórias, algumas bem tristes. Histórias de mulheres que, prestes a dar à luz, queriam abortar de todas as formas. São “mães loucas” que encontramos em todos os lugares, em países ricos e pobres, na Bolívia, no Brasil, no Paraguai, no mundo inteiro.

Mas esse não era o caso de Maria, pois até o último momento, estava ao pé da cruz, vendo a situação do seu Senhor. E da mesma forma compreendemos que um projeto nasce no coração do missionário assim como uma criança nasce no ventre de uma mãe. E quando vejo um projeto em andamento, passando lutas e dificuldades, sendo abandonado por aquele que o gerou, o que estou vendo são “mães loucas”, missionários, abandonando seus filhos espirituais.

Com meu irmão Tiago (esquerda), o pastor Davi Dayan (centro) e um dos casais mais antigos da Misión Siloé, irmã Sonia e irmão Diogo

Para um missionário, um projeto de missões é como um filho que nasce no mais profundo do seu ser. Não é apenas uma ideia: é uma semente plantada pelo Espírito Santo em seu coração.

Foi assim que nasceu a visão do Programa de Apoio Evangelístico. Deus nos deu uma Palavra, prometendo colocar esta obra em nossas mãos quando ainda estávamos no Paraguai. Naquela época, o nome ainda não existia; havia apenas a clareza do trabalho que precisava ser feito.

E essa clareza nos guia até hoje. Cuidamos intensamente de um ponto fundamental: manter o foco na visão do projeto, e não na criação de uma instituição. Não temos a intenção de transformar o Programa de Apoio Evangelístico em uma empresa ou entidade burocrática; nosso único alvo é fazer prosperar a visão de trabalho que o Senhor nos confiou.

Não somos contra a organização legal ou a constituição de uma missão que cumpra os requisitos da lei. No entanto, quando tratamos a obra de Deus—seja o projeto missionário ou a igreja— apenas no nível de uma empresa, corremos o risco de agir como ‘mães loucas’ com o verdadeiro filho que nos foi confiado.

E voltando ao período de oração onde eu buscava uma resposta do Senhor Jesus, o Espírito de Deus me disse:”Eu já te dei a palavra. Eu já te disse o que você tem que fazer. Vá fazendo aquilo que você deve fazer neste exato momento“. Amém?

Espero que você que está no campo de missões e está lendo este post, não seja uma “mãe louca”. Pode ser que chegará o momento em que Deus vai te tirar da frente desse projeto e te levar para outro lugar. Isso muitas vezes acontece.

Mas assim como um pai e uma mãe têm que abrir a porta para que o seu filho saia de casa, esse momento vai acontecer em que o seu filho terá capacidade suficiente de se manter, de ter a maturidade suficiente de estar longe de você e de manter a visão que você deu a ele. Não seja como uma mãe louca que abandona seu filho antes dele ter condições de andar sozinho.

Nigel, nosso atual coordenador geral de Bolívia e no centro o irmão Norman que ajuda a transportar os materiais

A visão que Deus te deu, você deve passar para este seu “filho espiritual”. E o “filho” aqui é o seu projeto missionário em desenvolvimento. Se você deixar sozinho antes do tempo outros virão com visões carnais para distanciar do propósito pelo qual foi criado.

No tempo certo o seu “filho” terá a maturidade suficiente de manter a visão que Deus te deu, dará condições para que esse projeto possa se distanciar de você de forma madura e se manter na visão que você mesmo recebeu.

Sabe, querido missionário, pode ser que o anjo de Deus não venha novamente para te falar sobre o trabalho que você está fazendo, você não terá mais visitações sobrenaturais para te mostrar detalhes do trabalho, mas fique certo de que a responsabilidade que foi dada a você já foi colocada sobre a sua vida e sobre este trabalho o Senhor pedirá conta.

Deus te abençoe e até o nosso próximo post aqui em nosso Diário Missionário.

Nossos Videos Sobre Missões

CLIQUE AQUI para acessar vídeos onde eu falo sobre a vida prática do campo de missões. Os temas dos vídeos muitas vezes são tirado das conversas com outros missionários ou de situações vividas no campo de missões. O objetivo é trazer a vida prática do campo missionário a você

CLIQUE AQUI para acessar vídeos com informativos em vídeos relacionado ao Programa de Apoio Evangelístico, mostro o andamento do trabalho nas regiões onde estamos atuando e outros.

CLIQUE AQUI para acessar nossos Vlogs Missões. Os vlogs são vídeos gravados do nosso dia a dia. Muitas vezes eu simplesmente gravo o nosso dia no campo, ou uma viagem em missões ou qualquer outra situação de forma aleatória. Mas sempre queremos que você possa aprender um pouco mais sobre a vida em missões também através de nossos vlogs.

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Contêineres com literaturas evangelísticas

Vamos com um pouco mais do Diário Missionário? Hoje eu quero compartilhar uma forte mudança no meu trabalho em missões. Por muito tempo o nosso trabalho era estar na linha de frente, no calor da rua, contato direto com outros evangelistas, mas o Senhor tinha algo muito diferente planejado para mim e desejo compartilhar este processo com você.


O Evangelismo e o Serviço de Apoio

Por muito tempo, eu fazia o pedido de material e ele vinha por meio da missão chamada Vetome na Bolívia. Os irmãos de lá cuidavam de toda a documentação, armazenamento e solicitação do material. Eles sempre me mantinham informado: “Peniel, o container está para chegar”, “A documentação já foi dada entrada”. E assim nós trabalhávamos de forma conjunta.

Material evangelístico chegando em Bolívia (2012)

Inicialmente, uma pequena quantidade do material vinha para o nosso trabalho. Depois ampliamos para um terço do contêiner e com o tempo, ampliamos nosso projeto e a solicitação, passando a receber a metade do container de 40 pés. O trabalho de apoio naquela época estava crescendo rapidamente.

Foi aí que comecei a ter alguns problemas com os irmãos da Vetome. Na prática, eles estavam fazendo a importação e todo o processo, mas a quantidade de importação começou a aumentar. Antes eles importavam a cada dois ou três anos e agora tinha que fazer toda ano e em algumas ocasições tiveram que fazer duas importações anuais.

Enquanto isso, o número de evangelistas que apoiávamos só crescia. Na época eu estava orando ao Senhor para continuar com o trabalho de rua, que eu realizava diariamente com o grupo de evangelismo. Todos os dias eu pegava meu megafone, minha mochila e saía com alguns irmãos para o trabalho de impacto pelas feiras de Santa Cruz de la Sierra.

Peniel, missionário Welder e Deborah na região do Los Pozos, Santa Cruz – Bolívia

Muitas vezes, eu conseguia recursos para pagar a passagem, a alimentação dos evangelistas e, em vários casos, até o alojamento desses irmãos quanto íamos a outras cidades ou em outros departamento. O trabalho era praticamente diário e o único dia que não estávamos nas ruas era aos domingos.

Fiz esse trabalho por vários anos. Era muito impactante! A gente via o mover de Deus, e eu, no serviço evangelístico, tinha o contato direto com as pessoas nas ruas. Era algo que me empolgava muito e não tinha desejo algum de parar com este serviço.

Grupo de evangelismo na região da Ramada de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Os contêineres em meu Caminho

Um dia, porém, o Senhor começou a falar comigo para que eu parasse com o trabalho de rua e me dedicasse integralmente ao serviço de apoio. Sinceramente, eu não queria parar. Eu achava que daria para continuar com os trabalhos de impacto e, ao mesmo tempo, realizar o apoio.

O que eu não estava entendendo era que o Senhor estava me entregando um trabalho com uma escala muito maior quanto a quantidade de material e evangelistas, assim eu precisaria dedicar muito mais tempo a este novo trabalho.

Um dia, depois de fazer compras em um mercado, eu estava na avenida esperando meu ônibus, e passou bem ao meu lado uma carreta com um container de 40 pés. Fiquei olhando para aquela imensa caixa de ferro e algo ardeu no meu coração. Pensei: “E se você começar a trazer containers e mais containers como este para o serviço de apoio, como vai ficar o trabalho de evangelismo?”

Contêiner de 40 pés chegando em Bolívia

Enquanto a carreta passava, eu não conseguia esconder a emoção. Enquanto eu pensava na possibilidade de dedicar mais tempo ao apoio o Espírito de Deus começou falar em meu coração, dizendo: “Chegará o tempo em que você estará trazendo trazendo containers com materiais impressos para o evangelismo. Você precisa dedicar-se a este trabalho.”

Eu, por natureza, queria fazer o trabalho rápido, alcançar vidas, ver o resultado imediato, distribuir a literatura e estar presente em todo o processo. O grande problema é que isso não é escalável. Se você vai trabalhar com uma pequena quantidade de material, tudo bem, mas se você pretende ampliar o apoio, alcançando e sustentando muito mais evangelistas, você precisa concentrar sua atenção.


A Plantadeira Gigante

Era justamente isso que Deus estava me dizendo: “Peniel, concentre-se no apoio. Aquela palavra era muito forte. O Senhor Jesus começou a mostrar que colocaria esse trabalho em minhas mãos e que seria escalável. Eu lembrei de quando o Senhor havia falado dentro do meu quarto anos atrás que colocaria muito material impresso em minhas mãos. Eu estava vivendo um verdadeiro turbilhão do agir de Deus.

Na época, eu não tinha ideia de como isso aconteceria. Eu não tinha conhecimento em importação, não sabia como lidar com as empresas, nem de onde conseguir recursos para pagar fretes e documentações. Era Deus falando comigo no meio da rua, ministrando ao meu coração, e eu sem ter a mínima noção da logística e de como fazer o trabalho

Peniel Dourado distribuindo a Palavra de Deus escrita em uma feira de roupas (2010)

Em outro dia, passei em frente a uma loja de materiais agrícolas e vi uma plantadeira enorme no pátio. Pensei: “Como aquela máquina trabalha tão devagar, sem velocidade, mas consegue plantar uma quantidade imensa de sementes em uma área enorme em poucas horas?”

O Espírito Santo começou a falar ao meu coração, dizendo: “Peniel, seu trabalho será como essa plantadeira. Você vai trabalhar de modo mais lento, mas serão milhares e milhares de vidas alcançadas.” Eu não via beleza na máquina, mas ela é uma ferramenta poderosa para plantar muitas sementes em uma área gigantesca.

Peniel Dourado e um contêiner de 40 pés, Bolívia

O Espírito Santo continuava: “Seu trabalho será como essa plantadeira. Você andará devagar, mas a quantidade de sementes alcançada será enorme.”

Obs.: Se você quiser saber o que é uma plantadeira clique aqui


A Expansão Atual do Projeto

Hoje, nosso trabalho mudou drasticamente. Saímos de Santa Cruz de la Sierra — onde minha casa era nossa base de apoio na Bolívia — e fomos em janeiro de 2021 a Corumbá, região de fronteira com Bolívia, onde ficamos um ano, dedicando-me a abrir pontos de apoio em outras regiões, como o Paraguai e o Brasil.

Obs.: Se você tiver interesse de assistir os vídeos gravados em 2021 quando estivemos na região de fronteira, nossa viagem ao Acre, Paraguai, Bahia, Pernambuco, as primeiras viagem a Aracaju clique aqui

Em janeiro de 2022, chegamos ao Paraguai, assumindo a Missão Siloé, um trabalho missionário aberto pelos meus pais. Atualmente, o trabalho local que eu faço é mais pastoral (cultos, discipulado, Escola Bíblica Dominical). No entanto, em relação com o Programa de Apoio Evangelístico, nosso foco agora é justamente abrirBases de Apoio na América do Sul.

Liderança da região nordeste do Brasil

Fazemos a solicitação dos materiais que chegam à Bolívia em quantidades enormes. Da mesma forma, estamos trabalhando na solicitação de materiais para a nossa Base de Apoio no Nordeste do Brasil e para a segunda Base de Apoio em São Luís do Maranhão.

Sei que o trabalho não vai parar. Precisamos avançar ao norte do Brasil, ter uma base na região centro-oeste e também no sul do Brasil. Em cada região, precisamos de um ponto para receber esse grande volume de material e facilitar a distribuição pelos irmãos locais.


Expandindo o Apoio Evangelístico

Continuamos trabalhando na expansão para outras nações da América do Sul, mantendo o alvo de avançar ao Uruguai, à Argentina, ao Peru e aos demais países.

Peço que você ore por nós, para que Deus coloque bons obreiros em nosso caminho. Com eles, teremos um alcance gigantesco da Palavra de Deus. E que Ele nos dê sabedoria para identificar os maus obreiros — aqueles que, pela arrogância e coração endurecido, tentam frear o desenvolvimento do trabalho.

Contêineres chegando na Base de Apoio em Aracaju

Nosso objetivo é inundar a América do Sul com a Palavra de Deus. Eu creio no agir do nosso Deus e que Ele continuará abrindo as portas! Nós temos uma ordem e devemos obedecer.

Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. – Marcos 16:15

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