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A Mão de Deus nas Pequenas Coisas: Nossas Bases de Missão na Bolívia

É sempre uma alegria imensa compartilhar com vocês tudo que Deus tem feito através das nossas vidas. Mas, sabe, existe algo maravilhoso na vida com Deus: ver a Sua mão não só nas grandes conquistas, mas também nos pequenos detalhes da vida.

Não me refiro apenas às grandes vitórias na vida missionária, mas também nas pequenas escolhas e diante dos passos mais simples que damos. E é sobre isso que quero falar hoje, contando os primeiros alugueis na Bolívia. Algo simples, mas em tudo a mão de Deus.

Peniel e Mina em Bolívia

Quem se importa com aluguel de casa, certo? A maioria das histórias simplesmente diz: “Fomos para tal cidade e alugamos uma casa.” Ninguém fala como foi o processo de conseguir a casa. Não é interessante. Mas o segredo, amados, está em anotar cada dificuldade e cada ação de Deus na nossa vida. Eu sou daqueles que gosta de anotar o agir de Deus para não esquecer dos detalhes do agir de Deus.

Hoje, quando eu olho para trás, eu vejo a simplicidade de alugar uma casa, mas, acima de tudo, eu posso ver a mão de Deus cuidando de nós.


Deus da Revelação

Antes de partirmos do Paraguai para a Bolívia, mergulhamos em um intenso período de oração. Primeiro, buscamos a orientação divina sobre a nação. Deus havia nos dito que sairíamos do Paraguai para outro país, mas não qual.

Mina e eu nos trancávamos, orávamos juntos, clamando ao Senhor por uma palavra específica. Durante esse tempo, o Senhor nos mostrou a Bolívia. Foi uma revelação muito forte, não havia como duvidar. Se Ele havia falado sobre o país, com certeza também falaria sobre a cidade, afinal, a Bolívia tem muitas!

Não queríamos ser levados pela “circunstância” ou pelo “vento das circunstâncias”, mas sim caminhar na direção exata de Deus. Continuamos orando, e o Senhor nos revelou: Santa Cruz de la Sierra.

Mesmo sem conhecer a cidade — eu não fazia ideia do seu tamanho, da sua formação ou dimensão, só sabia que muitos jovens iam para lá estudar Medicina —, eu disse à Mina: “Se Deus revelou a nação e a cidade, Ele pode revelar onde está a nossa casa!”

No meio da oração, o Espírito de Deus falou claramente ao meu coração: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” Guardamos essa palavra. Ela seria nosso mapa para as decisões futuras.

Peniel e Mina

O Desvio em Quijarro: Confiança x Aconselhamento

Tomamos a decisão de ir para Santa Cruz. Mas, nesse período, Mina descobriu que estava grávida de dois meses. Por uma questão de segurança e facilidade com médicos e hospitais, meu pai e minha sogra nos aconselharam a ficar na região de fronteira com o Brasil por um tempo.

Aceitamos o conselho para tranquilizá-los e fomos para Quijarro, na fronteira boliviana. Fomos muito bem recebidos pelo Pastor Roberto da Igreja Quadrangular da cidade de Quijarro, que nos deu um quarto enquanto buscávamos nossa própria casa.

O pastor Roberto estava fazendo missões na Bolívia a quatro anos. Eu o conhecia da região de fronteira com o Paraguai desde 1996 quando tivemos os primeiros anos no Paraguai. E encontrar o pastor Roberto em Quijarro foi realmente uma grande benção a nossas vidas.

Região de fronteira entre o Brasil e Bolívia (2006)

Mas, os dias de busca por uma casa foram exaustivos. O calor era extremo, chegando a 47 graus, com muita poeira e mosquitos. Muitas das casas pareciam “fornos” sem nenhuma sombra. Quijarro está na região do Pantanal Boliviano e é uma fronteira extremamente quente.

Um dia, exaustos de tanto andar, paramos o carro debaixo de uma árvore em frente a uma praça em Quijarro. Estávamos tomando tereré gelado para refrescar e estávamos nitidamente desanimados. Foi quando lembramos de um pequeno detalhe: não havíamos orado sobre a nossa nova casa!

Eu disse à Mina: “Saímos do Paraguai por revelação, e prometemos a Deus que tudo o que conquistássemos seria por meio da oração. Vamos orar por esta casa agora mesmo!”

Eu e Mina na cidade de Puerto Suarez, Bolívia

Ali, debaixo daquela árvore, começamos a orar e a detalhar tudo o que desejávamos: uma casa com muita sombra, cercada por árvores, com uma boa varanda, que fosse fresca, segura, com um proprietário tranquilo e, claro, que tivéssemos condições de pagar sem dificuldade.

Seria pedir muito? Temos o direito de orar e pedir o que quisermos? Nosso Deus é poderoso para nos atender? Minha Bíblia garante: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22). Sendo assim, essas eram as características do nosso futuro lar, e nós, sob a sombra daquela árvore, clamávamos ao Senhor Jesus.


O Milagre da Primeira Casa

Depois de orarmos veio ao nosso coração buscar também em Puerto Suárez, que fica a cerca de 10 km de Quijarro. Entrando na cidade, parei em frente a um estúdio fotográfico e perguntei ao proprietário se ele sabia de alguma casa para alugar.

Ele olhou para mim e disse: “Eu tenho uma casa para alugar. Se quiser, posso te mostrar.”

Ficamos animados e fomos ver. Não era longe: apenas três quadras. Quando chegamos, a casa tinha varanda, várias árvores ao redor, era fresca e o aluguel era o valor que podíamos pagar.

Nossa primeira casa em Bolívia – Puerto Suarez

Amados, depois de orarmos ao Senhor, a primeira pessoa que abordamos em Puerto Suárez nos apresentou a casa que alugaríamos e onde ficamos por um ano. O Senhor Jesus nos deu a casa na primeira tentativa! A residência era exatamente como havíamos clamado em oração.

Nosso coração foi inundado pelo amor de Deus. Vimos o cuidado do Senhor Jesus com nossas vidas, pois oramos e as portas se abriram naquele mesmo instante. Apresentamos nossa necessidade a Deus, e Ele nos atendeu prontamente.

O mais importante em tudo isso não é apenas obter a solução para um problema, mas sim ver Deus resolvendo-o. Quando você vê Deus à frente, você está vendo o Provedor que cuida de cada detalhe.


A Casa em Santa Cruz

O tempo passou. Débora nasceu, e chegou a hora de ir para Santa Cruz de la Sierra. Peguei um trem e fui à cidade, hospedando-me na casa do Pastor Gessé de Oliveira, um missionário da igreja Quadrangular que já vivia em Bolívia a mais de dez anos.

Pastor Peniel, Mina e Deborah no trem indo de Puerto Suarez a Santa Cruz de la Sierra – 16 horas de viagem

O Pastor Gessé me aconselhou a buscar casa na periferia da cidade, como no Plan 3000 ou El Quior, pois, segundo ele, o lugar que eu queria — o Segundo Anel — era muito caro. Ele estava certo: as casas eram caríssimas. Mas eu tinha uma Palavra de Deus.

Para quem não sabe, Santa Cruz é organizada por anéis: avenidas circulares. O Primeiro Anel é central, o Segundo é logo depois. Quanto maior o número, mais periférico. O Segundo Anel era, sim, na região central.

Ainda que o Pastor Gesse, com boas intenções, me levasse para a periferia, eu decidi buscar a palavra de Deus. O Senhor havia dito Segundo Anel!

A cidade anilhada de Santa Cruz de la Sierra

Procurei em jornais e andei pela região. Os aluguéis eram altíssimos. Encontrei uma casa próxima ao Terceiro Anel, com um proprietário cristão. Ele ficou feliz por eu ser missionário, me deu a chave e disse que a casa era minha. Tentei pagar adiantado, mas ele recusou. Eu confiei naquele homem e em sua palavra. Então eu voltei para a fronteira e preparei a mudança.

Dias depois, quando chegamos em Santa Cruz, com Débora de 4 meses, a nossa mudança ainda no vagão do trem, liguei para o proprietário da casa. Ele me disse que não alugaria mais, pois havia vendido a casa naquele mesmo dia.

Naquele momento, olhando para Mina e para a pequena Débora, o desespero bateu, mas a voz do Senhor me veio à mente: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” O Senhor me disse segundo anel e o que eu estava fazendo no terceiro anel? Eu havia me metido em um problema por desobediencia.


A Casa de Dois Andares

Deixei Mina na casa do Pastor Gessé de Oliveira e saí em busca de uma casa. Desta vez, resoluto por seguir o que o Senhor Jesus havia mostrado, circulei no jornal apenas os anúncios próximos ao Segundo Anel.

Lembrei-me de que, enquanto procurávamos, Mina me disse: “Peniel, e se Deus nos der uma casa de dois andares? Queria fazer culto embaixo e morarmos em cima, com nosso quarto independente.” Eu ri, falando que seria um milagre pelo preço, mas que acreditava em Deus.

Eu só poderia pagar no máximo 150 dólares e o preço das casas era de 450 dólares. Um casa onde o quarto fosse em cima custaria algo como 750 dólares por mês. Os preços dos alugueis em Santa Cruz de la Sierra são em dólares e muito alto. É impressionante isso!

Mas Deus nos deu a casa. Entrei em contato com a proprietária, e quando ela me apresentou o lugar, era exatamente uma casa de dois andares! Na parte de cima, o quarto com banheiro, e na parte de baixo, um espaço amplo que usamos para os cultos e o trabalho que o Senhor nos havia confiado.

Moramos ali por sete anos. Foi um lugar estratégico e central para o início do serviço de missões e, posteriormente, para o programa de apoio evangelístico.

Culto na varanda de nossa casa com os jovens da Misión Siloé (2009)

A Terceira Casa: Um Endereço Revelado

Sete anos depois, Mina queria outra casa. Ela estava grávida do Samuel e estava preocupada em nascer o bebê e ter que subir e descer as escadas pelo lado de fora da casa. Os ventos fortes e frios de Santa Cruz são bem complicados e pensávamos em todos esses detalhes.

Assim, o alvo era uma casa mais segura e com a escada de acesso ao quarto por dentro. Mas nós não tínhamos recursos para a mudança, então, começamos a orar.

Deus comeceu agir poderosamente e nós sem esperar começamos a receber ofertas de várias igrejas. Guardei o dinheiro e disse à Mina: “Se é hora de mudar, é agora, com o recurso que temos.”

Família Missionária na Base de Apoio do 8 anel, Remanso

Dias de busca se passaram sem sucesso. Lembrei-me dos milagres anteriores e decidi parar e clamar. Entrei no quarto e fui orar ao Senhor por uma saída. Então o Senhor me disse de forma fortíssima: A sua casa está na mesma avenida onde você mora, a Avenida Banzer, no Oitavo Anel, do lado esquerdo.” Não havia dúvida. Estava buscando uma palavra e o Senhor nos deu sua palavra naquela momento em oração.

Então eu pedi uma confirmação do Senhor quanto aquela orientação. Pedi a Deus que fosse Mina que encontrasse aquela casa e não eu. Fiquei quieto, não disse nada para Mina quanto a palavra que o Senhor me deu e guardei a palavra. Não queria ser soprado pela circunstancia, mas viver o agir de Deus e queria ver a mão de Deus.

Dias depois, Mina abriu o computador na sala de nossa casa e disse: “Peniel, estou vendo uma casa com o valor que podemos pagar, e que tem o que oramos!” Ela me mostrou as fotos: casa nova, piso lindo, tubulações e elétrica novas. Eram exatamente os detalhes que orávamos!

Perguntei: “Onde fica?” Ela respondeu: “No Oitavo Anel, lado esquerdo, no bairro Remanso.”

Mina, Deborah e Samuel na praça do Ramanso, Santa Cruz de la Sierra – Bolívia

Era a região exata que Deus havia mostrado! “Coincidentemente”, tempos antes, Mina havia olhado para o Remanso, ao visitarmos um amigo que morava naquele bairro, e dito: “Que lugar lindo! Imagina Deus nos dar uma casa aqui?” Andamos pela praça daquele lugar com muito desejo de um dia morar naquele bairro.

Fechamos o contrato rapidamente. Essa foi nossa segunda base em Santa Cruz, onde moramos por mais de sete anos. Um lugar de descanso e estratégico até nossa saída da Bolívia.

O Deus que Ouve as Orações

A casa anterior era muito velha. O piso era ruim, o encanamento e a fiação da casa eram velhos. Tivemos muitos problemas nos batanheiros tanto do quato de cima quanto no quarto de baixo e tivemos que refazer muita coisa.

Além de tudo isso a proprietária era bem complicada de lidar. Eu pagava adiantado, mas mesmo assim sempre que podia ela vinha nos pertubar por qualquer coisa.

Oramos ao Senhor não apenas pela escada que fosse dentro de nossa casa, mas que a casa fosse nova. Também oramos para que o Senhor colocasse uma proprietária que não pertubasse nossa vida. Amados, o Senhor Jesus nos deu justamente como pedíamos.

Eu vi a proprietária daquela casa apenas algumas vezes. A primeira quando tive que assinar o contrato, depois ela veio para ver alguns problemas que tinha no teto e no final apenas vi a proprietária para entregar a casa. Até nisso nós vimos a mão de Deus


O Deus das Pequenas Coisas

Amados, é muito fácil contar testemunhos de grandes vitórias, mas o mais lindo é ver a mão de Deus nas pequenas coisas. Deus é o Deus que está presente em cada detalhe de nossa vida e o glorificamos.

Se você parar, analisar o seu dia a dia e permitir que Ele participe das suas escolhas, verá a provisão d’Ele até mesmo no momento de alugar uma casa. Ele se importa com a sua vida, suas necessidades e até com o seu endereço.

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” – Salmos 23:1

Se o nosso Pastor é o Deus Todo-Poderoso, por que duvidar que Ele suprirá a necessidade do nosso lar? Confie na Palavra d’Ele, mesmo quando o conselho dos mais experientes sugere o contrário!

Um abraço, Deus abençoe, e até o nosso próximo Diário Missionário.

Nossos Vídeos Missionários

Eu tenho alguns vídeos onde mostro a primiera casa alugada em Santa Cruz e a segunda. Os links eu deixo abaixo

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro a primeira casa. É um vlog gravado em 2017 e eu fala de nossa chegada em Santa Cruz de la Sierra, pois na época já havia se passado 10 anos que fazíamos missões em Bolívia

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro nossa segunda casa. Desta vez o vídeo foi gravado em 2021 e eu estava entregando a casa ao proprietário

CLIQUE AQUI para assistir um vídeo gravado em 2025 quando novamente voltei a nossa antiga Base de Apoio. A pedido dos meus filhos eu retornei ao bairro Remanso para gravar a antiga praça, a casa e o bairro

Quase fomos esfaqueados pregando nas ruas da Bolívia

Eu realmente estou gostando muito da idéia de colocar nossas experiências de missões aqui em nosso blog. Abri uma categoria chamada Diário Missionário onde eu vou buscar postar pela manhã daquilo que temos vivido e vivemos no campo missionário.

Eu quero agradecer a participação dos assinantes do nosso blog fazendo perguntas, enviando sugestões sobre o que escrever. Muito obrigado mesmo pela participação de vocês.

Peniel e Mina

Ele queria me esfaquear

Alguns dias atrás, alguém me perguntou sobre as minhas experiências pregando nas ruas, especialmente na Bolívia, e se eu já tinha enfrentado algum problema com pessoas violentas.

A verdade é que sim, já tive algumas dificuldades, mas elas foram insignificantes perto dos grandes momentos em que vi pessoas sendo tocadas pela Palavra de Deus e entregando seu coração a Ele.

Mas, minha primeira experiência foi em Santa Cruz de la Sierra. Eu estava com o irmão Joel Apodaca, um jovem paraguaio que foi à Bolívia para me ajudar no trabalho. Eu não lembro bem a data de quando Joel nos visitou pela primeira vez, mas creio que foi em 2012. E naquele tempo passamos muito tempo evangelizando em feiras, praças e na frente de universidades, distribuindo literatura e pregando a Palavra.

Na foto eu estou com Mina, Deborah e Joel Apodaca em 11 de Maio de 2012 – SCZ, Bolívia

Havia um local que gostávamos de frequentar: uma passarela sobre a linha férrea, em frente a um grande mercado chamado Nova Feira do bairro Lindo próximo ao quarto anel. Subíamos na passarela e a usávamos como nosso púlpito. Enquanto um de nós pregava usando um megafone, o outro distribuía literatura.

Como eu disse, o número de pessoas impactadas pela Palavra de Deus ali foi tão grande que não se compara aos incidentes que tivemos. As pessoas raramente param para ouvir, mas eu sei que elas escutam enquanto caminham apressadas de um lado para o outro. Muitas vezes vidas impactadas pelas Palavra saiam entre a multidão em lágrimas e nós orávamos por elas.

Pregando na passarela na Nueva Feria do Bairro Lindo

Certo dia, enquanto eu pregava, olhei para a multidão e vi um homem que me observava atentamente. O olhar dele não era de quem estava sendo tocado pela Palavra. Eu vi ódio em seus olhos. Ele estava com muita raiva de nós. Acredito que ele percebeu que eu o notei. Ele se afastou, retornou, e ficava me encarando, rangendo os dentes. Sua atitude não era normal; era uma opressão maligna.

Continuei pregando, enquanto Joel distribuía os folhetos. Pessoas se aproximavam, faziam perguntas e pediam oração. Então eu decidi trocar de posição com Joel: ele pegou o megafone e eu desci para a escadaria da passarela para distribuir a literatura. Foi então que vi o homem lá embaixo. Ele subia a escada e vinha em minha direção, rangendo os dentes, com ódio no olhar. Era literal, não um exagero.

Enquanto ele subia, eu me mantive calmo, pois não havia medo em meu coração. Eu sabia que a glória de Senhor Jesus estava ali. Quando ele se aproximou, levantou a camisa e puxou uma faca. Eu o encarei e perguntei: “Jovem, o que você está fazendo com essa faca?”. Ele me olhou, rangendo os dentes, e era nítido que aquele homem estava cheio de demônios. Então, estendi a mão e ordenei: “Em nome de Jesus, me dá essa faca.”

Então, ele tirou a faca que estava dentro de sua calça e me entregou o cabo da faca. Ao pegá-la, notei que havia sangue na lâmina, como se tivesse sido usada recentemente. Coloquei a faca para trás e, com a outra mão, toquei o peito daquele jovem e disse: “Em nome de Jesus, espírito maligno, sai dele!”

Naquele mesmo instante, o jovem caiu de joelhos na escada, como se as forças de suas pernas tivessem sumido. Começamos a repreender os demônios em Nome de Jesus, e os demônos falavam: “Viemos de um inferno do outro lado“. Eu ouvi que o jovem repetia esta frase várias vezes.

Depois de repreendermos, o jovem voltou a si. O olhar já não era de possesso e me respondia normalmente. Perguntei seu nome para anotá-lo em nosso caderno de oração, pois eu queria visita-lo posteriormente, mas ele se levantou, disse que precisava ir, porque uma moça do outro lado da passarela o chamava. Eu olhei e realmente uma mulher gritava seu nome. Então ele se levantou e foi embora com aquela moça. Nunca mais o vi.

Nós seguimos pregando a evangelho no mesmo lugar e no final daquele dia, tirei uma foto com a faca (foto abaixo). Levamos ela para casa e a enterramos no quintal, pois não queríamos ficar com aquela faca suja de sangue.

A faca que tomamos do jovem durante o evangelismo

Não conto esta história para dizer que somos melhores que ninguém. Aprouve a Deus nos livrar e também nos dar tamanha ousadia para não ter medo, pois realmente eu não tive medo naquela ocasião. Eu sei que foi o mover de Deus em nossas vidas.


O Livramento Divino na Feira de Punata

Outra situação que passei foi na cidade de Punata, uma pequena cidade próximo a Cochabamba, Bolívia. Estávamos com um grupo de evangelistas, em uma praça onde acontecia uma feira. Havia muitas pessoas, e nós escolhemos um ponto estratégico para pregar. Enquanto um de nós pregava, os outros distribuíam literatura.

Pregamos a manhã toda, e foi uma bênção. Muitas pessoas pediram oração e entregaram suas vidas a Jesus. No meio-dia, fomos almoçar. Depois, resolvi voltar para a feira, pois sabia que nesse horário, entre meio-dia e duas da tarde, os compradores diminuíam e ficavam mais os vendedores com suas famílias, um ótimo momento para evangelizar.

Praça em Punata, Bolívia, onde fizemos o evangelismo

Liguei o megafone, coloquei uma música e comecei a pregar. No meio da multidão, vi um homem vindo em nossa direção com um olhar de ódio. Ele tirou um facão e começou a bramir, como se estivesse cortando o ar. As pessoas ao redor pararam para ver o que estava acontecendo.

Quando ele chegou a uns 30 metros de mim, parei de pregar e apenas coloquei a música. Ele continuou se aproximando, e quando estava a cerca de 10 metros, gritou: “Eu vou arrancar a sua cabeça! Hoje eu vou te matar!“.

Eu me mantive no mesmo lugar com o megafone na mão e olhava aquele homem. Por um momento, olhei ao redor para ver se os irmãos não estavam por perto, pois eles tinham ido lavar as mãos do outro lado da praça.

Então, eu me vi sozinho naquele momento, mas não senti medo. Mais uma vez eu posso dizer que foi o poder do Senhor que agiu e não algo natural para não temer naquele momento.

Olhei para o homem e comecei a repreender. Eu dizia: “Eu te repreendo em nome do Senhor Jesus” Quando ele chegou a uns 3 metros de mim, o homem parou, baixou o facão, olhou para mim por um tempo, e simplesmente virou e foi embora no meio da multidão.

Os irmãos chegaram correndo e me perguntaram o que havia acontecido. Eles queriam ir atrás do homem, mas eu disse para continuarmos nosso trabalho.

Aqui alguns da nossa equipe de trabalho: Russel (centro), Fernando à direita e quem tirou a foto foi o irmão Max Arapa

A Importância de Servir a Deus

Já passei por outras situações parecidas, mas eu creio que as duas situações acima foram as mais impactantes. Mas também passamos por ameaças de indígenas guaranís no Paraguai que estavam armados com revolveres que disseram que nos atacariam à noite.

Nós estávamos ali para realizar um culto na aldeia guaraní no Paraguai, mas havia uma briga entre indígenas locais com outros indígenas de outras aldeias por madeira.

No meio daquela confusão eles nos ameaçaram. Nós estávamos com um grupo da Jocum da base de Porto Velho e faziam muito frio. Como já era noite, decidimos ficar até o outro dia, mas eu posso dizer que aquela noite foi muito longa.

Nós fizemos uma fogueira, cantamos, oramos e forçadamente fizemos uma vigilha até o amanhecer, pois ninguém queria dormir com medo de levar um tiro.

E novamente em Bolívia, eu passei por outra situação, mas foi com um irmão que estava conosco pregando. Ele foi confrontado por um grupo de mais de 15 homens que se dispersaram após ele repreendê-los no nome do Senhor.

Eram pessoas que lidavam com feitiçaria em um pequeno povoado na região dos Andes de Bolívia, mas quando viram em nossa direção o irmão que pregava repreendeu em nome do Senhor Jesus e todos foram dispersados. Em todas essas ocasiões, Deus nos deu graça e misericórdia, e fomos livrados.

Mas é importante entender que, se você está em missões, pode enfrentar adversidades. Se o nosso mestre, Jesus, foi crucificado, e se o apóstolo Paulo foi preso e açoitado, nós também poderemos sofrer e isso não é porque estamos fora de diração de Deus.

A Palavra de Deus diz que devemos completar o sofrimento de Cristo. Em Colossenses 1:24 o apóstolo Paulo diz:“Regozijo-me agora no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja.” Eu sei que as pessoas não gostam muito de pensar sobre esses assuntos, mas fazem parte da nossa vida Cristã.

Por amor de Cristo, somos loucos, mas vocês são sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados. Até agora, estamos famintos, sedentos, mal vestidos, esbofeteados e sem-teto. Nós nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.” (1 Coríntios 4:10-13)

Bem, quero finalizar meu Diário Missionário de hoje. Para mim é uma benção recordar o que o Senhor fez e continua fazendo. Digo a você que é por amor a Cristo que suportamos todas as coisas, pois o nosso trabalho não é em vão. Nos livramentos, ou não, nas muitas dificuldades, ou não, o que realmente importa é que o propósito de Cristo em nós seja cumprido.

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Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Peniel N Dourado

📦 Quando Deus Paga o Frete: Milagres na Logística Missionária

Eu estava vendo minhas fotos antigas e relembrando mais uma situação que passamos onde vimos a mãos de Deus no desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico. E este testemunho eu quero registrar em nosso Diário Missionário de hoje.

Quero lembrar que você pode assinar o nosso blog para que quando eu tiver um post muito importante estarei enviando o link em seu e-mail para você não perca os assuntos mais interessantes do nosso blog.

No Programa de Apoio enfrentamos muitos desafios para dar andamento ao trabalho. Um dos maiores é o frete. Transportar material da base até os pontos de apoio não é simples nem barato, mas essencial para a continuidade da obra.

Quero compartilhar uma experiência de alguns anos atrás, quando estávamos iniciando o Programa de Apoio Evangelístico na Bolívia. Eu creio que esta situação foi no ano de 2012. O material havia acabado em Bolívia e enfrentávamos dificuldades para receber a segunda remessa fazendo o processo de importação por Bolívia.

Diante disso, fiz pedidos de material pela região de fronteira do Brasil com Bolívia. O Brasil estava recebendo contêineres com frequência, então tivemos a ideia de trazer o material de São Paulo até Corumbá (MS), na fronteira, e depois atravessá-lo para o lado boliviano, conduzindo até Santa Cruz de la Sierra.

O contêiner chegou ao Brasil com quase 3 toneladas de material impresso. Fui até Corumbá e, com a ajuda de lideranças locais, conseguimos um galpão para armazenar tudo. Um pastor, que também era sócio de uma empresa de ônibus e caminhões, cedeu espaço em seu depósito e pallets para não deixarmos o material no chão.

Materiais evangelístico chegando na Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra (2012)

O próximo desafio era passar as caixas para a Bolívia. As autoridades aduaneiras exigiam documentação de importação e exportação, o que dificultava muito, já que se tratava de doação. Alguém nos orientou a transportar aos poucos — 100 ou 150 caixas por vez — o que tornava a travessia possível.

Com a ajuda do irmão Nigel Mercado, coordenador na Bolívia, começamos esse processo. Algumas vezes os policiais compreendiam nossa situação e liberavam a passagem. Em certa ocasião, um deles pediu uma Bíblia. Naquele momento Nigel só tinha livretos, mas depois os irmãos compraram uma Bíblia e entregaram ao policial. Essa atitude abriu portas para continuarmos atravessando o material até completar as 3 toneladas.

Outro obstáculo foi o frete de São Paulo até a fronteira. Eu havia falado com várias empresas e o valor estava muito alto, algo impensável para nós. Oramos, pedimos ajuda a várias igrejas e irmãos, até que Deus moveu o coração de uma pessoa que pagou integralmente esse transporte. Se eu não estou enganado o valor chegada aos R$10.000 Reais, ou mais. Mas graças a Deus que as portas foram abertas.

Ainda faltava levar o material da fronteira até Santa Cruz, uma distância de 580 km. Conversei com caminhoneiros e irmãos da região, mas os custos eram também altos. Uma irmã evangelista se dispôs a ajudar, cobrando apenas 250 dólares. Eu não tinha o valor e levei essa necessidade em oração.

Enquanto orava em meu quarto em Santa Cruz de la Sierra, recebi uma ligação de um irmão do Equador. Ele me enviou exatamente 250 dólares pelo Western Union. Com esse recurso, conseguimos pagar o frete, e o material finalmente chegou a Santa Cruz de la Sierra.

Base de Apoio em Santa Cruz, Bolívia (2012)

Compartilho essa história porque até hoje enfrentamos lutas semelhantes. Às vezes a dificuldade é o frete, outras vezes o recurso para viagens ou para manter a obra em andamento. Os custos no Brasil, por exemplo, são muito altos — pedágios, impostos e transporte interno chegam a ser mais caros do que viajar para fora do país.

Mesmo assim, desde 2021 quando decidimos avançar com o projeto no Brasil o Senhor tem nos sustentado. Hoje temos uma base em Aracaju, atendendo boa parte do Nordeste, e estamos iniciando outra em São Luís do Maranhão. Já enviamos mais de uma tonelada de material para lá e oramos para que logo possamos enviar o primeiro contêiner com 10 toneladas, alcançando também a região Norte do Brasil — onde os desafios são ainda maiores devido às condições precárias das estradas e ao custo do transporte.

Mas cremos que o Deus que nos mandou realizar este trabalho é o mesmo que levanta pessoas para sustentá-lo. Não foi uma ideia nossa, foi o Senhor quem nos chamou, e Ele tem suprido cada necessidade no tempo certo.

Agradeço a cada irmão que tem colaborado e intercedido por este projeto. Seguimos avançando, certos de que tudo acontece no tempo do Senhor.

Amém? Continue orando por nós.

Peniel N Dourado

Chamado para a Bolívia: Como Deus nos levou ao campo

Algo que realmente enche o meu coração é o desejo de compartilhar com vocês tudo aquilo que o Senhor tem feito e continua fazendo através das nossas vidas.

Quando ainda estávamos no Paraguai, até o ano de 2005, eu e minha esposa buscávamos uma direção de Deus para nossas vidas. Nosso alvo era permanecer no Paraguai. Não queríamos ir para outra nação. Nosso desejo era continuar ali, pregando o Evangelho, ganhando vidas, porque víamos a grande necessidade daquela nação em ser alcançada pela mensagem do Evangelho. Esse desejo ardia no nosso coração.

Peniel, Mina e Deborah

Durante esse tempo, trabalhávamos intensamente. Eu atuava nos presídios e minha esposa me ajudava com o trabalho nas aldeias. Fazíamos cultos nas casas e tínhamos um trabalho muito ativo. Queríamos ver a igreja crescer, desenvolver o ministério nas prisões de outras cidades, expandir o trabalho de rádio que já tínhamos. A igreja estava crescendo, especialmente entre os jovens.

Acreditávamos que o nosso chamado era ali, que Deus nos havia levado ao Paraguai para fazer aquela obra florescer.

Mas então, um dia, um pastor veio à nossa casa. Eu o convidei para almoçar. Enquanto minha esposa preparava a comida, ele nos chamou para conversar. Abriu o livro de Isaías e começou a ler. Eu fiquei me perguntando qual era o propósito daquilo. Então ele parou, olhou para nós e disse: “Não criem raízes aqui. O Senhor manda dizer que vai tirar vocês daqui e levar para outra nação.”

Confesso que era tudo o que eu não queria ouvir naquele momento. Meu desejo era que Deus dissesse que estava feliz com o que fazíamos e que o trabalho ali cresceria muito. Mas foi o contrário. O Senhor nos disse que nos tiraria do Paraguai e colocaria em nossas mãos um trabalho que cresceria e se expandiria.

O pastor disse ainda que eu precisaria viajar de avião de um lado para outro para atender esse trabalho e que Deus colocaria um povo sedento sob nossos cuidados — e que via muitas crianças também.

Peniel Dourado e Mina nos primeiros dias em Bolívia

Guardei aquela palavra no coração, mesmo sem querer aceitar. Minha esposa me perguntou o que eu achava, e eu disse: “Se for de Deus, vai se cumprir. Mas por enquanto, seguimos trabalhando aqui.”

Pouco tempo depois, talvez uma ou duas semanas, um jovem apareceu em nossa casa, tremendo e suando frio. Disse que estava passando por perto e que Deus havia lhe dado uma palavra para mim. Ele contou que estava indo entregar um pacote para outro pastor e, ao orar, ouviu Deus mandá-lo ir até minha casa.

Ao hesitar, começou a tremer e suar frio. Pediu perdão ao Senhor, voltou e veio entregar a mensagem: “Deus manda dizer que vai te tirar deste lugar e te levar para outra nação, onde colocará uma obra nas tuas mãos, e ela crescerá.”

Era exatamente a mesma palavra que o pastor havia nos dado dias antes. Mais ou menos um mês depois, uma irmã estava em nossa casa. Oramos antes de levá-la à rodoviária. Durante a oração, ela também falou as mesmas palavras que o jovem e o pastor haviam dito.

Amado, nossa ida para a Bolívia — e o início do Programa de Apoio Evangelístico — não foi um plano pessoal. Não nasceu no nosso coração. Eu, sinceramente, nunca desejei isso. Apesar de, desde 1998, já trabalhar com literatura no Paraguai ao lado do meu cunhado, esse chamado missionário específico nunca foi algo que eu desejei ou planejei. Fomos, literalmente, empurrados por Deus para dentro desse projeto.

Na região de fronteira entre Brasil e Paraguai dentro de um barco no rio Paraguai

Depois de entender que Deus queria nos tirar do Paraguai, o grande dilema era: “Para onde iremos?” Eu não sabia se era Moçambique, Angola, Peru, França… não fazia ideia. Então comecei um período de oração intensa, sozinho no meu quarto, todos os dias. Conforme eu orava, Deus foi colocando no meu coração o desejo de passar adiante todas as responsabilidades que eu tinha: o trabalho no presídio, o programa de rádio, a igreja. Fiz isso aos poucos.

Depois de cerca de um mês de oração e preparação, certo dia, enquanto orava, Deus falou claramente ao meu coração: “Você vai para a Bolívia.” Pulei de alegria, literalmente, dentro do quarto. Mas logo me lembrei que minha esposa havia dito, meses antes, ao conhecer a fronteira com a Bolívia: “Esse aqui é o último lugar do planeta Terra onde eu quero morar.”

Fiquei apreensivo. Fui até a cozinha, onde ela estava cozinhando, e disse: “Mina, o Senhor me falou que é para irmos para a Bolívia.” Ela me olhou e disse: “Você tem certeza que foi Deus?” Respondi: “Tenho.” E ela disse: “Se foi Deus quem falou, então é para lá que nós vamos.”

Aquilo foi uma confirmação tremenda para mim. Depois disso, começamos a orar juntos, buscando a direção de Deus sobre qual cidade na Bolívia deveríamos ir. Durante a oração, o Senhor nos revelou: “Santa Cruz de la Sierra.” Sinceramente eu e Mina não escolhemos a cidade de Santa Cruz de la Sierra e nem mesmo conhecíamos a cidade, mas o próprio Deus nos mostrou a cidade de Santa Cruz.

Região de fronteira entre o Brasil e Bolívia (2006)

Ficou muito claro. Ninguém podia tirar isso do nosso coração. E orando mais ainda, Deus disse: “A tua casa está próxima ao segundo anel.” Hoje é fácil ver na internet que Santa Cruz é formada por anéis — avenidas circulares que organizam a cidade. Na época, sem internet em casa, não sabíamos disso. Mas confiamos.

Havia ainda um grande desafio: a questão financeira. Quem nos sustentaria na Bolívia? Oramos muito. Fomos a uma chácara para buscar a Deus e, durante a oração, o Senhor falou claramente: “Vende tudo e vai.”

Vendemos tudo: carro, móveis, roupas, livros. Ficamos só com algumas malas. Fomos à Bolívia pela primeira vez, conhecemos a fronteira, e foi ali que descobrimos que minha esposa estava grávida de dois meses da nossa filha Débora. A preocupação aumentou, mas a fé permaneceu.

Retornamos ao Paraguai, organizamos as documentações e voltamos à Bolívia. Ficamos um tempo na fronteira por conta da gravidez. Era quente, seco, cheio de fumaça, mas sabíamos que estávamos no centro da vontade de Deus.

Peniel e Mina cantando no culto na Base de Apoio em Bolívia

Na fronteira, começamos a ter os primeiros contatos com o povo boliviano, com os quechuas, aymaras, e começamos a aprender sobre aquela nova cultura. Em oração, eu dizia ao Senhor: “Eu não amo esse povo. Tu me trouxeste para cá, mas eu não os amo.” E Deus respondeu: “Eu vou te ensinar a amar esse povo.” E foi exatamente isso que Ele fez.

Hoje, mesmo estando de volta ao Paraguai, ainda estamos ligados à Bolívia, ao projeto que nasceu ali, e amamos aquela nação profundamente.

Mesmo sem ter sustento, Deus começou a mover pastores. Um deles veio visitar e disse: “Deus tocou no nosso coração para apoiar o seu ministério.” E assim começou nosso sustento. Outros pastores vieram depois, cada um oferecendo uma ajuda mensal. Deus foi confirmando que era Ele quem sustentaria a obra.

O Programa de Apoio Evangelístico não nasceu no meu coração. Foi Deus quem plantou, desenvolveu e tem sustentado. Já são mais de 15 anos de trabalho, muitos evangelistas apoiados, toneladas de literatura enviadas para vários países, e muitas portas ainda abertas — Peru, Chile, Argentina, Brasil.

Pastor Peniel, Mina e a pequena Deborah

Temos limitações: falta de obreiros e falta de recursos. Mas cremos que Deus, no tempo certo, enviará os recursos e os trabalhadores certos. Porque a obra é Dele.

Quero finalizar este testemunho dizendo que, na obra de missões, muitas vezes somos enviados para lugares onde não queremos ir. Deus nos chama para fazer coisas que nunca planejamos e realizar uma obra mesmo quando não temos capacidade ou recursos financeiros.

Mas a capacidade vem do Senhor Jesus, assim como os recursos para realizar o trabalho. Se mantivermos o coração firme Nele, entendendo que Ele é o Senhor da obra missionária e das nossas vidas, grandes coisas acontecerão, pois tudo é dEle, por Ele e para Ele, para sempre.

Basta confiar e deixar Deus agir. Mesmo em meio às lutas, provações e privações, o propósito do Senhor será cumprido, e em tudo, Jesus será glorificado.

Nossos Videos Sobre Missões

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Chamado de Deus para missões

Antes de começar a falar sobre o chamado para missões eu quero responder algumas perguntas que me fizeram sobre este assunto. Eu tenho em meu canal no Youtube algumas vídeos com respostas e colocado logo abaixo:

CLIQUE AQUI – Como ser um missionário (a)?

CLIQUE AQUI – Como sei que sou chamado a missões?

CLIQUE AQUI – E se ninguém acredita no meu chamado?

No final deste post eu vou colocar um vídeo com o meu testemunho de como o Senhor trabalhou em minha vida para me trazer ao serviço de missões.

Mas, falando do Chamado de Deus a missões…

Em nossa jornada com Deus existe o momento em que o Senhor te dar a oportunidade de servir na sua Obra de forma mais intensa. Este chamado de Deus deve ser percebido como uma grande oportunidade e não como uma obrigação imposta.

A Palavra de Deus impactando e atraindo ao serviço missões torna o momento indeletavel na vida do cristão. Você é atraído pelo Espírito de Deus, pelo amor às almas, o profundo desejo de anunciar Cristo aos perdidos e todo o processo do chamado ao serviço de missões é um grande privilégio dado por Deus.

decisão de se lançar ao serviço, aos cuidados do Mestre muitas vezes vem em momentos de grandes oportunidades pessoais. É justamente neste instante que o chamar de Deus deve ser percebido como uma grande oportunidade e nunca como uma obrigação, uma carga que é imposta.

Eu posso dizer que fui impactado pela Palavra do Senhor. Fui alcançado por ELE, traído ao seu serviço e pela sua graça fui inserido nesta Obra Santa. Resumo tudo como um grande privilégio.

Eu gravei um vídeo contanto um pouco do meu testemunho de como o Senhor me chamou a missões. O vídeo foi gravado em nossa Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Vou inserir logo abaixo e minha oração é que você seja edificado pelo Espírito de Deus e impulsionado a amar cada dia mais e mais o serviço de missões.

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Fé e obediência: quando a Palavra te alcança

Fazer missões é enfrentar situações fora do comum. Para permanecer, é necessário ter uma força também fora do comum. Essa força vem da fé que nasce ao ouvirmos a voz de Deus. É pela Palavra que somos fortalecidos e capacitados para obedecer ao chamado, vencer as barreiras e cumprir o que nos foi ordenado (Isaías 40:29-31).

Como está escrito: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10:17). Sem fé, não se pode agradar a Deus, nem realizar nada no campo missionário (Hebreus 11:6). Em momentos de pressão e lutas, minha oração é simples: “Senhor Jesus, estou aqui porque tua Palavra me alcançou. Ajuda-me!”. E repito isso muitas vezes, porque a Palavra que nos envia é também a que nos sustenta (João 15:5).

Peniel Dourado e Mina

Só fé explica por que um irmão permanece anos pregando em presídios. Só fé explica por que alguém deixa o conforto urbano para viver entre ribeirinhos da Amazônia ou nos Andes bolivianos. Quando a Palavra nos alcança, a fé é gerada, e por essa fé vivemos: “O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

Nós estamos na Bolívia porque a Palavra nos alcançou e cremos nela. Tudo começou em 2004, quando recebi alguns pastores que estavam se mudando de São Paulo. Não eram da minha denominação, mas os ajudei. Um deles, certo dia, nos chamou à mesa, leu um texto profético e orou. Deus o usou para nos dizer que não deveríamos criar raízes no Paraguai, pois Ele nos levaria para outra nação.

Reagi com incredulidade. Meu julgamento foi que a profecia era carnal. Mas, pouco tempo depois, outro jovem evangelista confirmou a mesma palavra. E novamente rejeitei. Não por falta de fé, mas porque não queria sair do Paraguai, onde estava envolvido com evangelismo, rádio e presídios desde 1995.

Mas disse ao Senhor que, se uma terceira pessoa falasse a mesma coisa, eu consideraria. Em 2006, Deus enviou a terceira, a quarta, a quinta… Comecei a ouvir a mesma Palavra em diferentes lugares. Fui vencido. O peso espiritual se intensificou. Não conseguia mais evangelizar, pregar na rádio ou continuar com as atividades ministeriais. Entrei no quarto para orar, e ali permaneci por dias, talvez mais de um mês. Gemia. Não havia palavras, apenas sede da voz de Deus.

Peniel e Mina próximo a Chochis, Bolívia

E um dia, no secreto, o Espírito Santo falou: “Bolívia”. Nunca tinha pesquisado sobre o país. Apenas conhecia a fronteira em Corumbá (MS). Não tivemos tempo para planos, nem para saber custos ou condições econômicas. Diante de Deus, respondemos: “Sim”.

Senti um peso insuportável antes da resposta. Tudo parecia perder o sentido: a rádio, os cultos, a igreja. Lia livros e devocionais sem conseguir pregar. Meu único alimento era a oração e o clamor. Mas quando ouvi “Bolívia”, respondi “Sim”. E minha esposa, grávida, também disse “Sim”. Então oramos, e Deus revelou: Santa Cruz de la Sierra.

A Palavra nos alcançou. A fé veio. A certeza era tão profunda que sabíamos que não havia lugar mais seguro para estar. E entendemos: fé também é fidelidade (Tiago 2:17). Deus disse para irmos à Bolívia, então ser fiel significava permanecer. Muitos abandonam o campo não por falta de poder, mas por falta de fidelidade à Palavra.

Alguns repetem: “Deus me enviou”. Mas estão mais interessados em conforto do que em obedecer. Querem “comer o melhor da terra” (Isaías 1:19) esquecendo que esse versículo tem condição: obediência. Se você quiser vencer, mantenha os olhos fixos na Palavra. Pedro afundou quando tirou os olhos de Jesus (Mateus 14:30).

Por causa da Palavra que nos alcançou, vendemos tudo. Vendi meu carro. Antes de vendê-lo, tentei ir à Santa Cruz, mas o motor fundiu. Vendemos móveis para consertar. Depois, vendemos o carro para seguir viagem. Chegamos em Santa Cruz e alugamos uma casa. Tínhamos apenas um colchão, um fogão, um botijão e algumas malas. Mas tínhamos a Palavra.

Houve oposição da família. Era esperado: país desconhecido, gravidez, nenhuma estrutura. Mas a Palavra era nossa rocha. Como em Daniel 3:17-18, aprendemos a dizer: “Se Deus nos livrar, amém. Se não, também não negaremos”. Fé autêntica não depende do resultado. É fidelidade à voz que nos alcançou.

Se você diz ter fé, saiba que será provado. Como os que enfrentaram a cova dos leões, a fornalha, ou as arenas romanas (Hebreus 11:36-38). A Palavra que te chamou é soberana. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).

Finalizo com um encorajamento: você que serve ao Senhor onde quer que esteja, saiba que foi Jesus quem te colocou aí. Não despreze o chamado. “Em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus” (Atos 20:24). Que a Palavra que te alcançou seja sua motivação todos os dias.

Peniel N Dourado