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Intercessão Espiritual: A Chave para Missões Frutíferas

Você já sentiu que, às vezes, parece que está pregando para as paredes ou que suas orações batem no teto e voltam? Não é impressão sua: existe um ‘bloqueio de sinal’ espiritual tentando te parar. Mas a boa notícia é que a estratégia para vencer esse jogo já foi revelada.

No texto de hoje, vou expor — com base em algumas experiências reais que tivemos na Bolívia e, o mais importante, no que diz as Escrituras sobre o assunto e quero usar o que o profeta Daniel declarou.

Querido missionário, saiba que a oração é o seu maior trunfo para fazer missões e é o maio eficiênte para quebrar as barreiras que impedem o agir de Deus no campo de missões.

Pastor Peniel e Mina

O Poder da Intercessão e a Oposição Espiritual

Satanás se opõe às orações do povo de Deus mais do que a qualquer outra prática espiritual, pois conhece o poder e os resultados que se manifestam quando a Igreja decide clamar de forma unida por uma causa específica.

O apóstolo Paulo deixa claro que nossa luta não é meramente humana, mas espiritual, travada contra forças malignas que atuam nas regiões espirituais (Efésios 6:12). Por isso, a oração perseverante torna-se uma arma essencial na batalha espiritual, fortalecendo a Igreja e abrindo caminhos para a ação de Deus.

No campo missionário, ao entrar em um novo ambiente cultural, o obreiro frequentemente se depara com pessoas que vivem debaixo de opressões espirituais e influências malignas. Praticamente todo o ambiente está viciado pela influência maligna justamente pela falta da presença da Palavra de Deus.

Nessas realidades, o inimigo fará todo o possível para proteger suas fortalezas espirituais e manter vidas presas à cegueira espiritual, conforme Paulo afirma que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos (2 Coríntios 4:4).

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Contudo, o missionário representa uma ameaça real às forças das trevas, pois não atua em sua própria autoridade, mas na autoridade que lhe foi concedida por Deus. Em Cristo, ele foi capacitado para triunfar sobre todo poder inimigo. A autoridade espiritual do missionário está firmada na vitória de Cristo sobre os principados e potestades (Colossenses 2:15).

Assim, o missionário no campo transcultural atua como um verdadeiro embaixador do Reino de Deus, chamado para cumprir fielmente as ordens do Rei. Paulo descreve essa missão ao afirmar: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2 Coríntios 5:20).

Algum tempo atrás eu estava lendo um livro do Irmão André, observei que ele realizava as chamadas “viagens de reconhecimento”. Antes de atuar em uma localidade, ele a visitava para observar a movimentação do povo, as barreiras e as influências espirituais. Somente após retornar à base é que ele passava à etapa seguinte: orar especificamente pelos problemas que havia presenciado.

Estátua da Virgen de Socavon em Oruro – Bolívia

Experiência em Oruro, Bolívia

Eu mesmo apliquei essa estratégia pela primeira vez no ano de 2010 quando fomos visitar a cidade de Oruro, na Bolívia. Nas duas primeiras visitas, notei que o povo não reagia à exposição da Palavra. Ninguém pedia oração quando estávamos nas ruas pregando, não solicitava folhetos ou sequer reclamava do som do nosso megafone. A impressão era de que estávamos invisíveis.

Em três situações diferentes, obreiros de igrejas distintas me repetiram exatamente a mesma frase: “Pastor Peniel, ajude-nos, pois estamos cansados.” Era a mesma expressão, dita com o mesmo tom de voz. Quando ouvi essa frase pela terceira vez, meu coração bateu mais forte, e o Espírito de Deus me sinalizou que algo profundo e sério estava acontecendo no meio da igreja local da cidade de Oruro independente da denominação.

Fernando Sanches pregando na cidade de Oruro – Bolívia (2010)

Diante disso, retornei a Santa Cruz de la Sierra e entrei em contato com diversos líderes de grupos de intercessão na Bolívia, no Brasil e na Argentina. Alguns nomes já estavam em meu coração, e compartilhei com cada um deles a situação espiritual que a cidade de Oruro enfrentava. Nós mesmos nos entregamos à oração por aquela região, conscientes de que desejávamos ver resultados, mas sabendo que a batalha espiritual não seria fácil e que o inimigo não cederia terreno sem resistência.

Eram verdadeiros guerreiros de oração, que passaram a clamar por nossas vidas, pelo avanço do evangelismo e pelos habitantes de Oruro. E o resultado foi marcante: no terceiro trabalho de impacto que realizamos, mal conseguíamos pregar nas praças, pois as pessoas se formavam em filas pedindo oração. Muitos entregaram suas vidas a Cristo, enquanto outros se reconciliaram com o Senhor. Foi, sem dúvida, uma experiência impressionante e profundamente transformadora.

O Exemplo do Profeta Daniel

No livro do profeta Daniel, vemos claramente essa oposição maligna ao agir de Deus. O Espírito Santo deseja operar e transformar vidas, mas haverá resistência espiritual. Daniel ainda era jovem quando foi levado cativo para a Babilônia, em 605 a.C., mas Deus transformou o cativeiro em uma oportunidade para que ele ocupasse uma posição-chave no maior império da época.

Assim, Daniel foi usado por Deus por meio do dom de interpretação de sonhos, dom esse que, mais tarde, se manifestaria também em visões tão detalhadas sobre o futuro que muitos chegaram a questionar a autenticidade de seu livro. Ainda assim, a precisão dessas revelações confirma a ação soberana de Deus ao longo da história.

Grupo de evangelismo em Bolívia. Na foto, sainde de Cochabamba a Oruro (2010)

No primeiro ano do governo de Dario, Daniel compreendeu, pelas Escrituras do profeta Jeremias, uma revelação específica a respeito do tempo determinado para Jerusalém (Jeremias 25:13). Ao discernir as implicações espirituais dessa palavra, ele iniciou sua conhecida oração de intercessão. Daniel começou confessando seus próprios pecados — mesmo sendo reconhecido como um homem fiel entre os judeus — e passou a clamar pelo perdão e pela restauração de todo o povo.

“Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém […] ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto” (Dn 9:16-17).

Sua súplica tornou-se ainda mais intensa: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes…” (v. 19). Aqui aprendendo não apenas que devemos orar, mas como orar por uma determinada região.

Enquanto Daniel permanecia em oração, Deus enviou o anjo Gabriel, que revelou como o reino das trevas se opõe aos santos:

“Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras […] Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me” (Dn 10:12-13).

O anjo Gabriel ainda revelou a Daniel que a batalha espiritual continuaria, agora envolvendo o chamado “príncipe da Grécia”. Ele explica que o “príncipe do reino da Pérsia” não era um governante humano, mas uma força espiritual maligna que atuava por trás daquele império, influenciando seu desenvolvimento, suas decisões e todo o ambiente espiritual da nação (Daniel 10:13; Daniel 10:20).

Essa revelação deixa claro que, por trás dos impérios humanos, existe uma atuação espiritual invisível, mas real. A própria Escritura afirma que nossa luta não é contra pessoas, mas contra principados, potestades e forças espirituais do mal que operam nas regiões celestiais (Efésios 6:12).

Pastor Peniel Dourado fazendo a distribuição da Palavra de Deus escrita em Oruro, Bolívia

Ao olharmos para o cenário político de nossa nação e as demais nações, precisamos compreender que essa realidade espiritual infelizmente não mudou. Os principados continuam atuando, governando e influenciando povos e nações. Maus governos, administrações corruptas, leis perversas e uma sociedade cada vez mais inclinada ao pecado são reflexos dessa influência espiritual maligna. O apóstolo Paulo afirma que o mundo jaz sob influência espiritual contrária a Deus, sendo guiado por poderes que atuam na desobediência (Efésios 2:2).

Além disso, Paulo declara que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos, impedindo que percebam a luz do evangelho (2 Coríntios 4:4). Essa cegueira espiritual contribui para a normalização da injustiça, da perversidade e da rejeição aos princípios de Deus, revelando a ação contínua de principados e demônios sobre sistemas, culturas e governos.

A cegueira espiritual faz com que cristãos fracos e sem discernimento aceitem a perversidade exposta por seus governantes. Muitos acabam votando e até defendendo governos corruptos, sem perceber as consequências espirituais de suas escolhas apenas olhando como uma participação cívica.

É importante lembrar que o voto dado pelo cristão deve ser consciênte e não apenas emocional, pois poderá ser usado por Satanás como uma forma de levar crentes enfraquecidos e desinformados a concederem legalidade à sua atuação maligna na região neutralizando suas orações.

Quando um crente vota e passa a apoiar determinado governo que trazem a bandeira satânica, ele acaba, de alguma forma, participando das decisões, da corrupção e das ações demoníacas associadas ao principado que atua naquela região. Essa participação nem sempre é consciente, mas revela falta de discernimento espiritual e de compreensão do conflito invisível que existe por trás das estruturas humanas.

Essa é uma das razões pelas quais muitas autoridades tentam limitar ao máximo a presença de missionários para não gerar influência. O missionário traz uma visão externa, livre de alianças locais, e carrega consigo a intercessão de homens e mulheres comprometidos com a oração. Sua presença atrai um verdadeiro mover de intercessão do povo de Deus, que enfraquece a atuação dos principados espirituais no local onde o trabalho missionário acontece.

Pastor Peniel Dourado e alguns dos evangelistas na cidade de Oruro, Bolívia

Voltando ao exemplo do profeta Daniel, vemos que anjos caídos resistiram ao mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, porque Satanás não queria que a oração de Daniel fosse respondida. Foi necessário que o arcanjo Miguel viesse em auxílio de Gabriel. Daniel permaneceu em jejum e oração por vinte e um dias — exatamente o tempo da batalha espiritual necessária para que as forças de Deus prevalecessem.

Você percebe que uma verdadeira guerra por território espiritual foi desencadeada por causa da oração de um homem de Deus? Se Daniel tivesse se levantado para fazer política ou tentado mudar aquela realidade usando apenas armas humanas, que resultado teria alcançado? Provavelmente muito pouco.

Em vez disso, ele fez aquilo que todo homem e toda mulher de Deus podem fazer para gerar transformação real: orou, buscou a Deus e confiou na ação divina, que é a única capaz de produzir resultados verdadeiros no ambiente em que estamos inseridos.

Antes de Ir ao Campo, Dobre os Joelhos

Diante de tudo isso, entendemos que o verdadeiro campo de batalha das missões não começa nas ruas, mas no secreto da oração. Antes de estratégias e planos, existe um confronto invisível que só é vencido por homens e mulheres dispostos a dobrar os joelhos diante de Deus.

Daniel nos ensina que uma pessoa comprometida com jejum, oração e humilhação pode mover realidades espirituais e impactar cidades inteiras. A resposta divina pode parecer tardia aos olhos humanos, mas nunca chega atrasada. Desde o primeiro dia, Deus ouve o clamor sincero.

O desafio permanece: temos confiado apenas em métodos ou sustentado o avanço do Reino com intercessão perseverante? Se desejamos territórios transformados, igrejas fortalecidas e vidas restauradas, precisamos começar onde Daniel começou.

Video Sobre Missões

Eu vou colocar logo abaixo um vídeo onde eu conto sobre nossa experiência na cidade de Oruro. Assista e não deixe de compartilhar

Eu espero que você assista o video que eu coloquei logo acima. E também tenho uma playlist com vários outros testemunhos sobre a vida em missões. Se você quiser acessar a playlist CLIQUE AQUI

Deus te abençoe e continue orando por nossas vidas

A Fé e o Poder de Deus no Campo Missionário

Sabe aquela sensação de cansaço na batalha espiritual, como se você estivesse lutando contra o vento no campo de missões? A boa notícia é que você não precisa carregar esse peso sozinho. Deus não quer que você viva implorando para que Ele faça algo que já te deu autoridade para resolver!

O segredo para o avanço do projeto missionário não reside na força humana, mas no posicionamento em Cristo. Quer entender por que o inimigo recua quando o missionário descobre sua verdadeira identidade em Deus?

Eu espero que você reserve um tempo para ler este artigo. Que seus olhos espirituais sejam abertos para o extraordinário recurso que já está à sua disposição.

Pr Peniel Dourado na Base de Apoio em Bolívia (2019)

Em primeiro lugar, precisamos compreender que o missionário não deve limitar-se a orar para que Deus “faça algo” contra as forças malignas que operam no campo. Agir assim pode ser um desperdício de um tempo precioso, pois a responsabilidade da ação foi delegada a nós.

O missionário é enviado para tomar uma atitude contra as forças malignas do já dominam o campo, pois ele carrega a autoridade legal dada por Cristo para estabelecer o Reino onde o domínio das trevas impera há gerações. Como o próprio Senhor afirmou: “Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lucas 10:19).

O missionário chega ao campo como uma semente viva da Igreja e, como parte do Corpo de Cristo, não deve apenas clamar por intervenção divina; ele deve exercer o governo espiritual que lhe pertence sobre cada tribo, língua e nação. Afinal, fomos resgatados para uma nova jurisdição: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13).

Pastor Peniel, Pedro Javier e Fernando em Santa Cruz de la Sierra (2013)

Nossa missão não é passiva. Se o inimigo tenta barrar o avanço do Evangelho, a instrução bíblica não é pedir que Deus o resista, mas que nós o façamos: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Deus não quer que você fique rogando a Ele para que você possa resistir, mas o Espírito de Deus já nos disse que nós deveríamos resistir.

Quando o missionário compreende que sua posição é uma extensão da autoridade de Cristo na terra, ele deixa de ser um espectador da batalha espiritual no campo e passa a ser um agente de libertação nas nações.

A Autoridade do Menor Missionário no Front

A Palavra de Deus é clara: todo cristão tem o dever de lidar diretamente com o adversário que tenta dominar o campo. Ao chegar em solo missionário, você encontrará resistências espirituais estabelecidas, e sua função, como embaixador de Cristo, é confrontá-las. Afinal, a nossa luta não é contra pessoas, mas contra forças espirituais (Efésios 6:12).

Não existe hierarquia de poder quando o assunto é o Nome de Jesus. O servo mais simples, servindo em uma pequena congregação no interior, possui tanta autoridade sobre as trevas quanto o líder de uma megaigreja. A autoridade não emana do cargo, mas do Nome que está acima de todo nome.

Recordo-me das palavras do evangelista Reinhard Bonnke, que afirmava com convicção: a fé necessária para realizar uma campanha para um milhão de pessoas é exatamente a mesma fé que um evangelista emprega para pregar a apenas cem pessoas. Embora o Senhor distribua talentos em proporções distintas a cada servo, conforme Sua soberana vontade, o critério de recompensa e a fonte do poder permanecem inalterados.

Independentemente do tamanho do campo ou do número de talentos, a promessa de aprovação é a mesma para quem é diligente. Como nos ensina a Parábola dos Talentos:

“Disse-lhe o seu senhor: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:21).

O que importa para o Reino não é a visibilidade do palco, mas a fidelidade no posicionamento. Se você for fiel no exercício da autoridade onde está hoje, o Senhor mesmo expandirá o seu território. E se não houver expansão o importante é ser bom servo e fiel.

Evangelismo na cidade de Montero, Bolívia (2013)

As circunstâncias podem variar, mas a natureza da fé permanece constante. Como ensinou o Mestre: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar” (Mateus 17:20). O tamanho do desafio não altera o poder da ferramenta que você tem em mãos.

O Deus que opera milagres em grandes multidões é o mesmo que sustenta o obreiro no anonimato, pois tudo é d’Ele e tudo provém d’Ele. Ele é a fonte única de toda autoridade espiritual. Diante disso, sua responsabilidade não é colocar os olhos em grandes obras, mas posicionar-se em autoridade e cumprir com zelo a missão que lhe foi confiada no lugar onde o Senhor te colocou.

Frequentemente, caímos no erro de acreditar que apenas “especialistas” ou pessoas com uma fé fora do comum possuem poder. Isso é um mito! Jesus conferiu autoridade a todo o Seu Corpo, sem exceção. Ele nos garantiu: “Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios…” (Marcos 16:17). A diferença não está na quantidade de poder recebida, mas em quem se apropria e exercita a autoridade dada.

Enquanto alguns vivem plenamente a autoridade de Cristo, exercitam e crescem nessa autoridade, outros preferem acreditar que ela é um privilégio de poucos, esquecendo-se de que o Pai nos deu o Seu Espírito sem medida (João 3:34).

No ano de 2013, o Senhor Jesus nos revelou que alcançaríamos toda a nação da Bolívia através do Programa de Apoio Evangelístico, e que esse trabalho em breve se estenderia a outras nações. Naquela época, a realidade parecia contradizer a promessa: eu não tinha sequer o que comer e enfrentava sérias crises financeiras. Lembro-me de evangelistas solicitando materiais em outras cidades e eu não ter condições mínimas de enviá-los.

Evangelismo na Siete Calles – Santa Cruz de la Sierra, Bolívia (2013)

Naturalmente, pensei que Deus estaria trabalhando em minha fé para me dar algo que eu ainda não possuía; eu esperava ansiosamente pela provisão divina. No entanto, o que Deus me deu foi algo muito mais sólido: a Sua Palavra. Ele afirmou que nós faríamos. Compreendi que não era uma questão de eu ter condições humanas ou não, mas de crer no que o Senhor havia dito. Paulo expressou essa mesma dependência quando escreveu:

“E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).

Se Deus disse que eu alcançaria a Bolívia e depois estenderia o projeto a outras nações, meu papel era crer e me posicionar em autoridade, mesmo sem recurso algum. Aprendemos com as Escrituras que o poder de Deus se aperfeiçoa justamente na nossa fraqueza (2 Coríntios 12:9). O posicionamento de fé deve preceder a provisão, pois a nossa confiança não repousa em evidências fisícas, contas bancárias, na solução visível, mas na fidelidade dAquele que nos chamou. Afinal, como apóstolo Paulo também nos encoraja:

“Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32).

Quando os missionários finalmente crerem que possuem a força de Deus, a autoridade de Cristo e o poder sobrenatural do Espírito Santo, o trabalho transcultural alcançará um novo nível de excelência e resultados extraordinários.

Jesus já venceu Satanás de forma definitiva na cruz, expondo-o ao desprezo público (Colossenses 2:15). Agora, cabe à Sua Igreja estender essa vitória até os confins da terra, ocupando os espaços através da autoridade que nos foi delegada. Porque maior é Aquele que está em vós do que aquele que está no mundo (1 João 4:4).

Tiago 4:7 afirma: “Resisti ao diabo e ele fugirá de vós”. No original, “fugir” significa “correr aterrorizado”. Quando você, missionário, exerce sua autoridade no Nome de Jesus, o inimigo bate em retirada. Ele não tem medo da sua cultura, do seu conhecimento, quantos idiomas você fala ou se você fez algum curso de missões, mas treme diante do Nome que você representa. No campo, os demônios temem e tremem enquanto exercitamos a autoridade dada por Deus.

O diabo não respeita o seu cansaço, ele respeita a sua legalidade. No campo missionário, sua maior arma não é o domínio perfeito do idioma ou o seu vasto conhecimento missiológico, mas a consciência inabalável de Quem você representa. Como embaixador de Cristo, sua eficácia depende da compreensão de que você carrega o selo e a autoridade do Rei que o enviou.

Que você possa começar este ano de forma diferente. Em vez de suplicar: “Senhor, repreenda o inimigo”, tome a posição que o Senhor já lhe entregou e use a sua própria voz. O comando foi delegado a você! Em Nome de Jesus, declare com firmeza: “Em Nome de Jesus, eu exerço autoridade sobre este lugar!”.

Vá e faça o que Ele lhe mandou fazer. Não se detenha olhando para as suas próprias limitações, pois a provisão e as condições não residem em você, mas dAquele que o comissionou.

Deus o estabeleceu nesse território como um embaixador do Céu. Portanto, não peça que o Rei faça o que Ele já lhe capacitou para realizar; levante-se e exerça plenamente a autoridade que lhe foi outorgada por Cristo.

“Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lucas 10:19)

A Guerra Invisível: Discernindo a Batalha Espiritual nas Missões

A vida, dia após dia, nos apresenta desafios que tentam nos prender aos pensamentos negativos. E se isso já é verdade na rotina comum, imagina no campo missionário? Quem serve em missões sabe: as lutas são ainda maiores. Mas Deus não nos chamou para sermos derrotados. Ele nos deu armas espirituais poderosas para vencer! (2 Coríntios 10:4).

Pastor Peniel N Dourado

Essa capacitação espiritual não é apenas para quem está em outra nação, mas também para aquele irmão que, com fidelidade, serve em sua igreja local. O apóstolo Paulo nos lembra que “não temos que lutar contra carne e sangue, mas contra principados e potestades” (Efésios 6:12). Nossa guerra é espiritual, invisível, mas real.

As histórias do Antigo Testamento não são fábulas. São relatos reais de homens e mulheres que venceram pela fé (Hebreus 11). O inimigo, ontem como hoje, tem como alvo roubar, matar e destruir (João 10:10). Por isso, precisamos discernir suas ações e resistir com autoridade espiritual.

O profeta Eliseu enxergou além das aparências. Ao olhar para Hazael, viu destruição (2 Reis 8:12). De forma parecida, missionários precisam desenvolver sensibilidade espiritual. É fácil se impressionar com culturas ricas ou lugares belos, mas o servo de Deus não se guia pelo que vê, e sim pelo que o Espírito revela (1 Coríntios 2:14-16).

Pastor Peniel pregando nas ruas de Bolívia

Um missionário brasileiro testemunhou isso ao caminhar pelas ruas da Suíça. Encantado com a organização e a beleza, logo discerniu o peso espiritual daquele lugar: um espírito de suicídio pairava sobre o povo. A aparência era de paraíso, mas havia um inferno escondido na alma das pessoas.

O inimigo não age só aos sábados à noite. De segunda a domingo, ele continua destruindo vidas. Satanás não respeita status, cor ou classe social. Mesmo nas nações desenvolvidas, muitos estão perecendo sem nunca ouvir o Evangelho.

O Dr. Francisco Gamelim, da Missão Filadélfia, entendia isso. Em suas férias, evangelizava em países da Europa, onde muitos rejeitavam o evangelho. Mesmo sendo advertido por guardas, ele voltava com novos materiais e continuava a missão. Um dia, diante do trono de Deus, essas pessoas saberão que alguém teve coragem de levar-lhes a Palavra da Verdade.

É fato: estamos em guerra. Mas não estamos desamparados. O Salmo 23 nos garante que o Senhor nos conduz a pastos verdejantes. E em Mateus 28:18, Jesus afirma: “Todo poder me é dado no céu e na terra.” Ele já venceu! Na cruz, Cristo despojou os principados e potestades (Colossenses 2:14-15). Agora, somos mais que vencedores (Romanos 8:37).

Se você está calado, temendo represálias ou distraído com o mundo, desperte! Deus não nos chamou para esconder a luz debaixo da cama (Mateus 5:15), mas para brilhar em meio às trevas.

A autoridade está sobre você. A vitória é do Senhor. Levante-se e lute! Seja sensível ao mover espiritual ao seu redor. Enxergue como Eliseu, combata como Paulo, insista como Dr. Gamelim. O Espírito Santo está contigo!