Se você já se perguntou por que o Programa de Apoio Evangelístico não faz o apoio diretamente aos líderes das igrejas? Bem, esta é uma pergunta que eu recebo frequentemente no projeto que desenvolvemos.
Neste post eu vou contar um pouco do que temos passado e o nosso posicionamento no Programa de Apoio Evangelístico quanto apoiar diretamente evangelistas.
Entregar o Material para quem?
O maior conflito que o Programa de Apoio Evangelístico enfrenta é a resistência da liderança quanto à distribuição dos materiais impressos que a nós é confiado.
Muitos insistem que estamos equivocados. Eles defendem que não deveríamos entregar a literatura diretamente aos evangelistas, mas sim distribuí-la exclusivamente nas igrejas.
A ideia que propõem é: em vez de abrirmos nossos próprios Pontos de Apoio regionais, deveríamos usar as igrejas locais como base. Nesse cenário, o pastor atuaria como líder, distribuindo o material como bem entendesse.
Não temos problema com quem pensa diferente, afinal, somos livres para pensar o que quiser. No entanto, não aceitamos imposições. Eu sou o responsável pelo projeto, e eu responderei por ele — tanto diante de Deus quanto dos homens.
É por isso que a visão e o método devem ser claros e inegociáveis. Não podemos abrir mão de uma estratégia que provou ser eficaz para adotar outra que gera desperdício, especialmente quando a Bíblia nos lembra: “Pois cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12).
A nossa escolha, neste caso a distribuição direta aos evangelistas, é uma decisão que tomamos de forma pensada, visando garantir que o material evangelístico impresso possa chegar ao seu destino e maximize o alcance do evangelho, em fidelidade à prestação de contas que o Senhor exige de nós.
As Muitas Acusações no Apoio
Essa resistência nos gerou muitas acusações sérias na caminhada. Na Bolívia, um pastor que morava na região de fronteira com a Argentina ficou tão revoltado conosco que disse que nosso projeto era “usado pelo maligno”. Segundo ele, se fôssemos um projeto de Deus, entregaríamos todo o material nas mãos dos pastores locais, e eles repassariam aos irmãos de suas próprias igrejas.
Em Santa Cruz de la Sierra, uma igreja convocou uma reunião ministerial só para debater o assunto. Fomos acusados de querer “arrebanhar” os crentes evangelistas das congregações deles. Eles diziam que nosso real motivo era ganhar o coração desses irmãos para, depois, chamá-los para a nossa base e montar uma grande igreja. Alguns chegaram a vir a minha casa e me perguntar pessoalmente sobre minhas motivações.
Outros líderes nos acusaram de procurar evangelistas com a intenção de cobrar dinheiro deles, após “fidelizá-los”. Apesar de eu pagar todos os custos, trabalhar pelos fretes e não cobrar nada de ninguém, as acusações continuaram.
Amados, o tempo que passei na Bolívia foi marcado por acusações de todos os tipos, vindas majoritariamente da liderança insatisfeita com nosso apoio direto. Lembro-me de três jovens que foram disciplinados por aceitarem os folhetos e livretos gratuitos que distribuíamos; a liderança exigia que eles comprassem o material na livraria da própria igreja.
Tivemos ainda o caso de um líder que montou uma gráfica na igreja e proibiu os membros de receberem qualquer material nosso de forma gratuita. Ele chegou a ameaçar de exclusão por rebeldia quem pegasse nossos materiais.
Eu poderia passar horas contando outras situações semelhantes.
Como iniciamos o Programa de Apoio
Você precisa saber: quando começamos o Programa de Apoio Evangelístico na Bolívia, em 2007, nosso alvo era, sim, apoiar as igrejas. Esse modelo já vinha do Paraguai desde 1998.
No Paraguai, contactamos igrejas e missões que imprimiam o material. Trouxemos literatura em português, espanhol e guarani. Nossa intenção era mobilizar as igrejas para o serviço evangelístico. Quem liderava esse esforço não era eu, mas meu cunhado, Pastor Ebenezer.
Ele participou de reuniões de convenção, ministeriais e de líderes, explicando o projeto e visitando muitas igrejas. O esforço de trazer o material dos Estados Unidos era imenso.
O Desperdício de Material e Tempo
Qual foi o resultado? Colocávamos o material nas mãos da liderança tanto do Brasil como do Paraguai, mas só uma pequena porcentagem era utilizada.
Claro, existiam pastores que eram evangelistas conscientes. Recebiam o material, realizavam o evangelismo, repassavam aos irmãos e incentivavam o trabalho. Contudo, esse grupo era muito pequeno.
No final, o resultado do evangelismo era mínimo e a perda de material, enorme. Se entregávamos dez caixas a uma igreja, ao retornar meses depois, 50% desse material estava parado, jogado e esquecido no depósito.
As pessoas esquecem que a igreja atua de muitas formas. Muitas nem sequer têm um grupo de evangelismo ativo! Estão focadas em outras áreas, levando o evangelho de outras maneiras, sem ser no trabalho de impacto na rua, feira ou mercado. E, infelizmente, dependendo da região, o número de grupos evangelísticos ativos é muito menor do que imaginamos. Levar materiais às igrejas resultava em uma perda massiva.
A Mudança de Rota: A Bolívia e a Frustração
Na Bolívia, tentei o mesmo modelo do Paraguai. Procurei as lideranças, coletei endereços e telefones de pastores e congregações, e comecei a contactar um por um.
Preparava pacotes com quatro caixas (cada uma com 500 livretos), fechava, e contactava os pastores. Na época, sem recursos, tentava ao menos que pagassem o frete. A maioria nem isso queria. Para os que alegavam não ter condições, eu levantava recursos com pastores no Brasil para pagar o frete. Meses depois, ao pedir informações sobre o trabalho, eles não me davam retorno.
Alguns pastores eram sinceros e me diziam abertamente que ninguém em suas igrejas queria “distribuir papel” (esta é a expressão usada) na rua. Outros me aconselhavam, dizendo que eu era um missionário novo, que os tempos eram outros e que a forma de alcançar pessoas havia mudado.
Querido irmão, eu lutava para conseguir a literatura e pagar o frete, entregar os materiais gratuitamente, mas recebia como pagamente a desmotivação, e ao insistir, descobria que o material estava guardado no depósito da igreja.
Conheci uma missão na Bolívia que fazia o mesmo trabalho, mas em escala muito maior, trazendo contêineres dos EUA. O líder enviava 100, 200 ou 300 caixas para as igrejas sedes, com o objetivo de que elas mobilizassem os membros ao evangelismo usando o material de evangelismo.
O problema persistia: levar o material de um lado para outro tem custo, e muito dos pastores não se interessavam em gastar nenhum centavo com o evangelismo ou mesmo em envolver membros para levar caixas às congregações. Conclusão: mesmo chegando nas congregações, a maior parte do material ficava parado. As pessoas não eram motivadas, e a literatura não chegava às mãos de ninguém.
Encontrando os Evangelistas
Nesse período de frustração com a liderança das igrejas, comecei a encontrar os verdadeiros evangelistas nas feiras, mercados, nos hospitais e nos lugares onde o povo estava.
Esses irmãos iam para a rua pelo amor ao serviço, e não por interesse, pagamento ou cargo na igreja. Tinham suas profissões e meios de ganhar a vida, mas tiravam tempo para estar nas ruas, levando a Palavra. O grande custo deles era justamente a literatura.
Pense bem: eles paravam o trabalho secular para evangelizar (perdendo tempo/dinheiro) e ainda gastavam recursos próprios com alimentação, passagens e, o mais pesado de tudo, a compra do material impresso. Quem faz evangelismo constante sabe o quanto isso pesa.
Quando esses evangelistas souberam que eu tinha material, eles começaram a vir. Batiam na minha porta às 4h da manhã, de dia, à tarde, à noite. Meu celular tocava sem parar. Era sempre um evangelista pedindo apoio com material.
Eu entregava duas ou três caixas e pedia apenas que me dessem informações e fotos do trabalho.
O resultado? O evangelista dava as fotos, dizia onde estava evangelizando, a quantidade de material usado e, ao terminar, mandava a mensagem: “Pastor Peniel, terminamos, tem mais material para o nosso trabalho?”. Amado, o meu alvo de ter gente trabalhando e alcançar vidas multiplicou e meus problemas terminaram.
Essa foi a virada de chave no nosso projeto de missões! Eu estava desmotivado após mais de dez anos de “dor de cabeça”, recebendo falsas acusações, trabalhar para não alcançar o alvo, mas quando abri os olhos para o apoio direto aos evangelistas, parei de dar material à liderança e foquei totalmente nos evangelistas.
A Estratégia do Impacto e Crescimento Constante
O primeiro desafio foi: como encontrar esses evangelistas? Não queria entrar em igrejas perguntando quem estava evangelizando, pois isso geraria mais problemas. E até tentei fazer no começo e tive alguns problemas, mas foi suficiente para parar o mais rápido possível.
Então eu comecei a orar por uma orientação e o Senhor Jesus nos deu a tática do serviço de impacto. Íamos a feiras grandes com um grupo: uns distribuíam a literatura, outros usavam o megafone, faziam evangelismo pessoal. Anotávamos o nome e telefone de quem entregava a vida a Jesus. Em cada feira, encontrávamos evangelistas no meio da multidão.
O processo mais interessante foi o evangelista apresentar nosso trabalho a outro. Enquanto muitas das lideranças das igrejas não queriam nos apresentar a outros líderes, nem mesmo aos evangelistas de sua própria igreja, o ambiente evangelístico era totalmente diferente.
No campo, no hospital, ou nas ruas, se um evangelista conhecia outro, mesmo de ministério diferente, ele apresentava nosso projeto para que o colega também tivesse acesso ao material. Mesmo sendo de ministério diferente os evangelistas se ajudavam no serviço.
Não havia esse sentimento denominacional de ajudar apenas quem era da mesma igreja ou do mesmo grupo evangelístico. Quando o Programa de Apoio Evangelístico chegou a esse nível, o projeto virou uma bola de neve na Bolívia. O crescimento do número de evangelistas apoiados foi muito grande.
Cada caixa que vem dos Estados Unidos custa em média cerca de 30 dólares (multiplicando por R$ 5,50, são R$ 165). Dez caixas valem R$ 1.650,00 – esse é o valor em Real de 10 caixas que muitas vezes eram esquecidas nos depósitos das igrejas. Este valor de 30 dólares é a oferta de homens e mulheres de Deus que acreditam no evangelismo, ofertam ao Senhor e querem o resultado.
Nós não podemos aceitar que essa oferta fique guardada ou mofe esquecida em algum lugar. Ao direcionar o material diretamente ao evangelista, o resultado veio como esperávamos: a perda de material foi quase zero.
Perdemos material apenas por acidentes (chuva em transportadora, ar-condicionado pingando no bagageiro de ônibus). Por isso, hoje embalamos tudo em plástico na Bolívia: para evitar acidentes, e não o desperdício proposital da liderança.
Bases de Apoio e a Resolução de Problemas
Sei que alguns podem ler e pensar: “Comigo seria diferente, Pastor Peniel.” Mas já estamos caminhando para quase 30 anos de experiência neste serviço, desde 1998. Tivemos os mesmos resultados na Bolívia, no Peru e em vários lugares no Brasil.
A proposta do programa é não ter perda de material. Cada caixa em nossas mãos deve chegar à mão do evangelista, que, guiado pelo Espírito Santo, levará a Palavra ao pecador.
Então, por que nós não simplesmente não entregamos aos pastores? Por que não enviamos as caixas às lideranças e que elas mesmo desevolvam o trabalho? Por causa da alta taxa de perda e desperdício que a experiência nos mostrou durante esses 27 anos de trabalho de apoio.
Atualmente, trabalhamos com Bases de Apoio. O líder da Base é um evangelistas, e deve ter visão e disposição para resolver problemas quanto ao apoio aos evangelistas, pois tudo tem muita dificuldade.
O líder de Base forma os Pontos de Apoio. Cada Ponto de Apoio tem um líder evangelista à frente que identifica outros evangelistas locais e entrega o material a eles. Fica responsável por entregar, fiscalizar e coletar as informações do trabalho feito.
A maior tentação desses líderes é justamente entregar o material às igrejas. Quando descobrimos isso, simplesmente cortamos o líder e o Ponto de Apoio. O material deve ser entregue aos evangelistas. Se agirmos assim, teremos bom resultado.
A Obra é do Senhor
Amados, a nossa prioridade é que a Palavra de Deus chegue à mão do pecador. Apoiar o evangelista gratuitamente é o nosso maior alvo, pois fazendo chegar os materiais nas mãos certas certamente colheremos o resultado das almas sendo alcançadas pela mensagem de salvação.
Algo que aprendi é que Deus ama este trabalho. O Espírito de Deus move o coração de centenas de pessoas para que sejam voluntários de alguma forma e que o alvo seja alcançado.
Satanás sabendo do amor de Deus neste serviço também colocará aqueles que têm como deus o seu ventre, os quais pensam apenas em seus próprios interesses não importando se haverá ou não resultado no alcance de almas.
A promessa que o Senhor Jesus tem nos dado é que colocaria homens fiéis em nosso caminho e nos daria capacidade de identificar os meus obreiros para que o mais rápido possível fossem cortados e não tragam resultados negativos para o serviço.
Deus é fiel e Ele tem feito e continuará fazendo
Vídeos Sobre o Projeto
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Temos uma playlist completa que detalha a visão e os desafios do Programa de Apoio Evangelístico. Descubra por que a estratégia de apoiar os evangelistas funciona!
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