A comunicação é uma ferramenta essencial para o serviço missionário. É preocupante quando encontramos missionários que não sabem usar ferramentas básicas como e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Isso não significa que sejam menos espirituais, mas mostra a necessidade urgente de se atualizarem. A tecnologia é uma aliada poderosa na expansão do Reino de Deus.

Antigamente, as Secretarias de Missões recebiam cartas com algumas fotos, preparando informativos que eram impressos e enviados a milhares de irmãos. Foram dias valiosos. Eu mesmo fui edificado por esses boletins. Mas hoje, com a internet, podemos alcançar muito mais pessoas com muito menos custo. Basta saber usar os meios disponíveis.
As agências missionárias estão informatizadas. Muitas secretarias apenas fazem download de imagens postadas em redes sociais ou recebem os informativos por e-mail e repassam à igreja. Porém, se o missionário não sabe sequer ligar um computador, tudo isso se torna inútil. A Bíblia nos encoraja a sermos sábios no uso das oportunidades (Efésios 5:15-16). Usar bem os meios modernos é redimir o tempo.
Quando cheguei à Bolívia, trouxe comigo um pequeno grupo de intercessores. Mas o Senhor me desafiou a expandir essa rede. Precisamos de igrejas e irmãos intercedendo, não só por mim, mas por todos os obreiros e pela salvação da nação boliviana. A Palavra nos exorta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Em uma terra onde o paganismo ainda domina, a oração é nossa arma.
Recentemente, irmãos que trabalham conosco em Impactos Evangelísticos pediram oração antes de irem a um povoado sem igreja. Ali, a adoração à “Pachamama” é forte, e muitos acreditam que o derramamento de sangue alimenta a deusa.
Essa crença diabólica sustenta linchamentos, sacrifícios e violência. Durante a pregação, nossos irmãos Elvis e Oswaldo foram ameaçados de morte. A população gritava queimar os jovens. Graças a Deus, as autoridades intervieram e eles foram expulsos, mas saíram com vida. Quantos já não tiveram esse final?

Durante uma pregação em Punata, no departamento de Cochabamba, um homem com facão veio até mim gritando para que eu parasse de falar. Ameaçou cortar minha cabeça. Fiquei firme, repreendi no nome de Jesus e, sem explicação, ele foi embora. Em momentos como esse, quando não há nenhuma autoridade por perto, o que nos sustenta? A intercessão dos santos (2 Coríntios 1:11).
Se o missionário não comunica essas realidades, como os irmãos saberão como orar? Como sustentarão em oração a obra missionária se não souberem dos desafios enfrentados? O próprio apóstolo Paulo pedia orações e mantinha contato com as igrejas por cartas (Romanos 15:30-31).
Cada missionário que chega à Bolívia traz, mesmo que invisivelmente, um grupo de intercessores. Eles são como colunas espirituais que sustentam o avanço do Evangelho. Eu vejo no rosto dos jovens que caminham pelas ruas, deixando seus sonhos e profissões do outro lado da fronteira, o amor de Deus por esta nação.
Com o tempo, o missionário que era carregado por uma pequena maleta, agora precisa de um caminhão – não de bagagem, mas de contatos! Cada novo intercessor é um guerreiro na batalha espiritual. Quem é sábio sabe ampliar esse exército. Como diz Provérbios 11:14: “Na multidão de conselheiros há segurança”.
Por isso, deixo meu conselho a quem se prepara para o campo: aprenda a usar os meios de comunicação. Use-os com sabedoria. Amplie sua rede de oração. Compartilhe o que Deus está fazendo. Não esconda o milagre. A comunicação não é apenas ferramenta – é parte do chamado missionário.
Peniel N Dourado