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Como superar o choque cultural e o desânimo no Campo Missionário

Você já passou por situações em que tudo parecia estar contra você? Frio intenso, ruas vazias e a sensação de que ninguém está disposto a ouvir? Pois é, hoje quero compartilhar um pouco dessa realidade missionária no Sul, onde o clima e a cultura testam nossa perseverança.


A realidade do frio no campo missionário

Aqui no Sul, diferente do Nordeste onde cresci, a vida acontece de outra forma. No Nordeste era comum fazermos cultos ao ar livre, em praças cheias de gente. Mas aqui, no frio, as ruas ficam desertas. As pessoas se recolhem em suas casas e não há como repetir os métodos que deram certo em outros lugares.

O missionário precisa aprender a se adaptar. Não adianta romantizar o campo. O frio é real, o vento corta, a chuva desanima e, se não houver preparo, o resultado pode ser a paralisia ministerial.

A minha pergunta é: Como realizar o trabalho de evangelismo nesta região onde o frio expulsa as pessoas das ruas e praças?


O perigo do desânimo

No campo missionário, o desânimo pode surgir de várias formas:

  • Falta de resultados visíveis.
  • Choque cultural.
  • Diferença no estilo de vida das pessoas locais.
  • Barreiras climáticas que limitam a ação evangelística.

Muitas vezes, a frieza não é só do clima, mas também das próprias pessoas, que são mais reservadas. Isso contrasta com o calor humano do Nordeste, onde todos querem estar juntos o tempo todo. No Sul ou em países frios, como Bolívia, Estados Unidos e regiões da Europa, a reserva cultural pode trazer solidão e desânimo ao missionário.


A necessidade de adaptação

Quando vi que os cultos de rua não funcionavam, busquei alternativas. Passamos a realizar reuniões dentro das casas. Um grupo pequeno, uma oração simples, um louvor com violão — e ali o coração das pessoas se abria. Esse método deu muito certo e até hoje continua sendo usado, porque aproxima as pessoas e quebra barreiras culturais.

Aprendi que o segredo é não desistir, mas adaptar. O missionário não pode ficar preso a métodos, mas precisa estar atento ao ambiente, ao clima e à cultura para alcançar vidas.


Um alerta contra a romantização

Muitos chegam ao campo missionário com uma visão romantizada:
“Vai ser lindo, vou pregar em praças lotadas, todos vão me ouvir.”
Mas a realidade é outra. O campo exige preparo, pés no chão e coragem para enfrentar frustrações. O romantismo sem preparo pode gerar desistência rápida.

Até Elias, um grande profeta, desanimou e pediu para morrer (1 Reis 19:4). Mas Deus o renovou, mostrando que o desânimo é humano, e que a perseverança vem da dependência do Senhor.


Conclusão

O apóstolo Paulo nos lembra:

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9).

Se Deus nos chama para lugares difíceis, Ele mesmo nos capacita a permanecer. O segredo é adaptar, perseverar e não desistir. Que possamos seguir firmes, sem romantizar o campo, mas vivendo pela fé e confiando que, no tempo certo, a colheita virá.

Nossos Videos sobre Missões

Eu gravei um video onde eu falo um pouco mais sobre este assunto. Eu vou colocar o vídeo logo abaixo e te animo a assistir

Quero te animar a se inscrever no canal onde falamos sobre a vida prática em missões

As adversidades na vida do missionário

AS ADVERSIDADES NA VIDA DO MISSIONÁRIO

A foto ao lado foi no ano de 2009 próximo a cidade de San José de Chiquitos, Bolívia. Esta foi a primeira experiência que tivemos em bloqueio na Bolívia. Eu e Mina estramos pela primeira vez em território boliviano depois de um bom período na região de fronteira agindo problemas pessoais e documentos.

A estrada da fronteira até Santa Cruz de la Sierra era de areia, muita pedra e bem conhecida por estourar pneus. Eu não sabia e mesmo fazendo perguntas ninguém me informou que a estrada é praticamente desprovida de postos de gasolina ou borracharia. Na época quase todos viajavam de trem e dificilmente alguém colocava um carro naquela estrada.

Chegamos próximo a cidade de San José de Chiquitos a uns 250 km da fronteira e tivemos problemas com o carro. Ficamos cinco dias hospedados na igreja Assembleia de Deus enquanto nosso veículo estava na oficina. Quando conseguimos nos livrar da oficina mecânica lembro de sair da cidade de San José de Chiquito e tudo que queríamos era voltar à região de fronteira. Não tínhamos roupas, o dinheiro estava quase acabando, assim como a paciência diante tanta tribulação. Andamos cerca de duas horas na estrada e nos deparamos com o bloqueio.

PELA PRIMEIRA VEZ EM UM BLOQUEIO
Parei o carro e vi uma fila enorme de ônibus parados. Mulheres, crianças, pessoas idosas se abrigavam do sol forte, mesmo estando muito frio. Eu fiquei sabendo que algumas pessoas já não tinham água e provavelmente muitos não tinham o que comer. E as crianças? E aquelas crianças sem água e sem alimento na estrada? Alguém chegou e disse que às vezes os bloqueios levam dias e a situação passa a ser caótica.

Sinceramente a experiência do bloqueio em San José parecia um pesadelo e eu acreditava ser algo único em minha caminhada como missionário em Bolívia. Aquelas situações desastrosas no campo de missões que passamos, tiramos algumas fotos e depois contamos o resto da vida nos púlpitos dos cultos de missões. A questão é que não viemos à Bolívia em uma viagem missionária a curto prazo, mas nós viemos para ficar. As problemáticas de Bolívia agora também nos pertenciam.

POR QUE AS ADVERSIDADES?
Para um missionário existe um importante motivo de se viver e suportar as adversidades. Sim, viver e suportar e não ser destruído, pois as adversidades vêm para construção na vida do missionário e não destruição.

Em nossos dias existem pessoas dentro das igrejas que não acreditam que alguém possa sofrer situações adversas por amor a Cristo. Como alguém pode está no campo missionário, longe da família, longe dos amigos, longe da igreja, passar tantas dificuldades, enfrentar tantas adversidades e suportar pelo Chamado? E não estou falando apenas dos que estão no campo missionário, mas de qualquer cristão verdadeiro, pois esta palavra é para todo aquele que é cristão, todo aquele que deseja viver uma vida piedosa, pois “todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12). Você poderá ser perseguido por pessoas ou por circunstancias adversas. Mas, qual o segredo para suportar?

Aos que desejam fazer missões devem colocar os valores da eternidade em mira. Quando as pressões das adversidades oprimem o crente olha para mais além da adversidade. A falência é real, a falta de dinheiro, a perda do emprego é real, mas Jesus disse: Eu sou… a verdade (João 14:6). A perseguição da família, a perseguição dos governos humanos, a perseguição imposta pelos homens é real, mas Jesus é a verdade. A fome é real, a falta de água é real, não ter um lugar para morar é real, mas Jesus é a verdade.  O crente verdadeiro tem seus olhos na verdade que é Jesus Cristo, pois Cristo, e somente Jesus Cristo é a verdade e a verdade te leva à eternidade com Deus.

Isso tudo parece muita teoria, não é? Sinceramente, eu não gosto de muita teoria e muito menos de teorias quanto à missões. Mas isso não são meras teorias; vivemos justamente isso cada dia. No campo de missões ou você coloca seus olhos na Palavra de Deus e vive pela Palavra, ou você não faz absolutamente nada. Os dias passam, os anos, e você não constrói nada para a eternidade.

A adversidade vem justamente para provar a Palavra que um dia foi dado àquele que se diz enviado por Deus. Quando olhamos para a Palavra cremos e investimos nela. Assim, e só assim, a vitória certamente vem.

VLOG SOBRE O ASSUNTO

Editei um vlog em julho de 2017 onde mostrei um pouco de nossa rotina no serviço de apoio em Bolívia, assim como a cidade de Santa Cruz de la Sierra. Neste vlog também falei sobre a importância de se viver a Palavra de Deus no serviço de missões. Quando você tiver tempo não deixe de assistir, pois certamente você será edificado.

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PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO

Se me permite, quero finalizar falando um pouco sobre o Programa de Participação. Além de nos dedicarmos ao ensino sobre o serviço de missões através dos vídeos, dos posts em nosso blog, o projeto missionário que lideramos, o Programa de Apoio Evangelístico, segue em frente alcançando milhares de vidas com a Palavra de Deus. E se estamos aqui no campo com certeza existe um exército levantado por Deus de homens e mulheres que amam missões e estão conosco através do Programa de Participação.

Família missionária….. ( Mina, Deborah Yuiko, Samuel Yuuki e Pr Peniel Dourado )

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o Programa de Participação é só clicar no link ao lado onde colocamos mais informações e um vídeo com maiores detalhes –  CLIQUE AQUI

Um forte abraço e que o Senhor Jesus te abençoe

Pastor Peniel Dourado

 

COMUNICAÇÃO E INTERCESSÃO NA MISSÃO

A comunicação é uma ferramenta essencial para o serviço missionário. É preocupante quando encontramos missionários que não sabem usar ferramentas básicas como e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Isso não significa que sejam menos espirituais, mas mostra a necessidade urgente de se atualizarem. A tecnologia é uma aliada poderosa na expansão do Reino de Deus.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Antigamente, as Secretarias de Missões recebiam cartas com algumas fotos, preparando informativos que eram impressos e enviados a milhares de irmãos. Foram dias valiosos. Eu mesmo fui edificado por esses boletins. Mas hoje, com a internet, podemos alcançar muito mais pessoas com muito menos custo. Basta saber usar os meios disponíveis.

As agências missionárias estão informatizadas. Muitas secretarias apenas fazem download de imagens postadas em redes sociais ou recebem os informativos por e-mail e repassam à igreja. Porém, se o missionário não sabe sequer ligar um computador, tudo isso se torna inútil. A Bíblia nos encoraja a sermos sábios no uso das oportunidades (Efésios 5:15-16). Usar bem os meios modernos é redimir o tempo.

Quando cheguei à Bolívia, trouxe comigo um pequeno grupo de intercessores. Mas o Senhor me desafiou a expandir essa rede. Precisamos de igrejas e irmãos intercedendo, não só por mim, mas por todos os obreiros e pela salvação da nação boliviana. A Palavra nos exorta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Em uma terra onde o paganismo ainda domina, a oração é nossa arma.

Recentemente, irmãos que trabalham conosco em Impactos Evangelísticos pediram oração antes de irem a um povoado sem igreja. Ali, a adoração à “Pachamama” é forte, e muitos acreditam que o derramamento de sangue alimenta a deusa.

Essa crença diabólica sustenta linchamentos, sacrifícios e violência. Durante a pregação, nossos irmãos Elvis e Oswaldo foram ameaçados de morte. A população gritava queimar os jovens. Graças a Deus, as autoridades intervieram e eles foram expulsos, mas saíram com vida. Quantos já não tiveram esse final?

Pastor Peniel e Mina

Durante uma pregação em Punata, no departamento de Cochabamba, um homem com facão veio até mim gritando para que eu parasse de falar. Ameaçou cortar minha cabeça. Fiquei firme, repreendi no nome de Jesus e, sem explicação, ele foi embora. Em momentos como esse, quando não há nenhuma autoridade por perto, o que nos sustenta? A intercessão dos santos (2 Coríntios 1:11).

Se o missionário não comunica essas realidades, como os irmãos saberão como orar? Como sustentarão em oração a obra missionária se não souberem dos desafios enfrentados? O próprio apóstolo Paulo pedia orações e mantinha contato com as igrejas por cartas (Romanos 15:30-31).

Cada missionário que chega à Bolívia traz, mesmo que invisivelmente, um grupo de intercessores. Eles são como colunas espirituais que sustentam o avanço do Evangelho. Eu vejo no rosto dos jovens que caminham pelas ruas, deixando seus sonhos e profissões do outro lado da fronteira, o amor de Deus por esta nação.

Com o tempo, o missionário que era carregado por uma pequena maleta, agora precisa de um caminhão – não de bagagem, mas de contatos! Cada novo intercessor é um guerreiro na batalha espiritual. Quem é sábio sabe ampliar esse exército. Como diz Provérbios 11:14: “Na multidão de conselheiros há segurança”.

Por isso, deixo meu conselho a quem se prepara para o campo: aprenda a usar os meios de comunicação. Use-os com sabedoria. Amplie sua rede de oração. Compartilhe o que Deus está fazendo. Não esconda o milagre. A comunicação não é apenas ferramenta – é parte do chamado missionário.

Peniel N Dourado

Como Não Se Perder no Campo Missionário

Podemos nos perder em meio à missão que o Senhor nos confiou, a ponto de olhar para o céu e não ver nem o sol nem as estrelas, e caminhar à deriva sem saber para onde ir. Certa vez, o apóstolo Paulo viveu uma situação parecida. O evangelista Lucas escreveu em Atos dos Apóstolos:
“E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos” (Atos 27:20).

Não seria essa a realidade de muitos missionários hoje? Ignorar as tempestades espirituais e as dificuldades do ministério é imprudente, pois, assim como um barco é construído para suportar as adversidades do mar, devemos estar preparados para enfrentar as dificuldades no campo missionário. As tempestades, por vezes, nos levam a perder o rumo e a sentir que estamos à deriva.

Pastor Peniel e Mina

Se você está no campo missionário, é importante tomar cuidado. Não basta apenas Deus ter te enviado; você pode, sim, se perder. Por exemplo, José recebeu a ordem de seu pai para verificar a situação de seus irmãos, mas “andava errante pelo campo” (Gênesis 37:15). O que pode fazer um missionário se desviar da missão que Deus confiou? Existem muitos motivos.

Aqui, em Santa Cruz de La Sierra, noto que a facilidade para os brasileiros cursarem medicina atrai muitos missionários, homens e mulheres que vieram com o coração focado na salvação das almas, mas se perdem em meio à busca por um diploma barato.

Em poucos anos, já vi missionários voltando ao Brasil porque a faculdade passou a ser a prioridade, e não a obra do Senhor. Outros continuam, porém já sem tempo para o trabalho missionário, que fica em segundo plano. Essa prioridade invertida tem causado problemas conjugais e familiares, com ministérios desfeitos e casamentos arruinados.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Alguém pode me perguntar: “Então você é contra que o missionário estude?” De modo algum. Este é apenas um exemplo de algo que acontece aqui com frequência. Eu defendo que o que Deus nos confiou deve ter primazia (Mateus 6:33). Já encontrei missionários perdidos no campo por diversas razões: distância da família e da igreja, solidão, problemas financeiros, falta de supervisão pastoral, conflitos ministeriais, e outros. A lista poderia ser maior. Mas o certo é que, se você é missionário, foi chamado pelo Senhor, e ELE mesmo lhe deu uma missão — não a perca de vista.

As fotos em murais das igrejas, com bandeiras estrangeiras e imagens de trabalhos evangelísticos e sociais, muitas vezes emocionam a igreja local. Quantas vezes olhei essas fotos e me emocionei com esses heróis de nossos dias, que cruzam fronteiras para buscar as almas perdidas. No entanto, por trás dessas imagens bonitas, há muitos missionários perdidos, à deriva, que não sabem para onde ir ou o que fazer.

Existe uma orientação clara para quem vai ao campo:
“Filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás” (Rute 2:8).

Esse texto fala da situação de Rute, viúva, que tinha o direito pela Lei de colher nos campos o que sobrava, mas recebeu uma orientação específica para permanecer fiel a um lugar. Mais tarde, a sogra Noemi reafirmou essa sabedoria:
“E disse Noemi a sua nora: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que noutro campo não te encontrem” (Rute 2:22).

Material evangelístico chegando em Bolívia (2012)

Na minha juventude, tomei a decisão firme de buscar ao Senhor e valorizar apenas aquilo que me edificava. Tudo que não trazia edificação eu descartava — essa foi uma orientação importante para minha vida. Quando tinha 18 anos, Deus me falou fortemente sobre trabalhar na obra, e comecei a traçar minhas decisões nesse sentido. Muitas oportunidades surgiram depois, mas descartei todas que não alinhavam com a missão.

Ao buscar esposa, procurava aquelas com coração para a obra, e evitava as que tinham sonhos distantes da missão. Após casar, eu e minha esposa Mina decidimos dedicar nossas vidas ao Reino de Deus. Nosso alvo não é acumular bens, carro ou casa — embora creiamos que Deus pode nos dar tudo isso —, mas a obra do Senhor é nossa primazia. Muitas vezes surgem oportunidades que tentam nos afastar desse foco, mas nós temos escolhido permanecer firmes.

Quer evitar ser um missionário perdido no campo que Deus lhe deu? Então não perca a missão que ELE confiou a você. Não é sábio agir movido apenas pelas emoções, pois:
“Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece” (Provérbios 24:3).

Quando Israel caminhava pelo deserto, não andava sem direção, mas sob ordem e liderança. No momento de atravessar o rio Jordão, os oficiais deram instruções precisas:
“Quando virdes a arca da aliança do SENHOR vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, partireis vós também do vosso lugar, e seguireis. Haja contudo, entre vós e ela, uma distância de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes” (Josué 3:3-4).

Aqui vemos a importância da orientação e da atenção constante. O povo não podia chegar perto da arca, mas não podia perdê-la de vista. Assim, havia uma progressão na caminhada sob a direção do Senhor.

Conheci um missionário usado por Deus em muitos ministérios, inclusive cura e profecia. Porém, ele enfrentou muitos problemas ministeriais e injustiças. Mudou de país buscando melhores condições, alcançou maior prosperidade, passou a trabalhar por conta própria, e a abundância o afastou do foco que Deus lhe dera.

Ele deixou de ser aquela ferramenta poderosa, passou a trabalhar relaxadamente, e o ministério sofreu. Essa situação é triste e desanimadora. É um exemplo claro do que acontece quando se perde a presença do Senhor, representada pela arca, e a orientação divina. O fim desse homem foi a ruína moral, incluindo adultério.

Quero voltar a Atos 27, onde Paulo enfrentou um naufrágio. Paulo não estava fora da direção de Deus, mas o barco que tinha uma missão terminou destruído no fundo do mar. Será que um missionário não pode afundar? Na verdade, não deveria, assim como um barco não é feito para afundar, mas sem a orientação correta, o final será ruína. Em Atos 27:15 está escrito:
“E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa.”

A palavra missionário vem de missão, e quem tem uma missão não pode simplesmente “deixar-se ir à toa”. Perdemos a direção quando saímos da rota que o Senhor estabeleceu para nossas vidas. A missão não é buscar objetivos próprios, mas cumprir o propósito daquele que nos chamou:
“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2:4).

Quando saímos da rota, caímos na inércia espiritual. A Bíblia também nos mostra Jonas, um missionário desorientado, dormindo no barco enquanto a tempestade ameaçava afundar tudo:
“E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco?” (Jonas 1:6).

Como alguém pode dormir quando a missão está em risco? Deus deu a Jonas a missão de pregar a mensagem a Nínive, e ainda assim ele falhou em estar atento ao chamado. Jonas só respondeu após muita pressão dos marinheiros. Eles chegaram a jogá-lo ao mar por sua desobediência (Jonas 1:8-15). Melhor do que ser repreendido pelos outros, é fazer uma autoanálise, buscar a Deus e mudar de atitude.

Davi também enfrentou momentos difíceis e concluiu:
“Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu” (2 Samuel 24:14).

Missionário, que esta seja sua postura: esteja atento, mantenha o foco, e confie nas misericórdias e direção do Senhor.


Pastor Peniel Nogueira Dourado