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Não Abandone Seu Chamado: Missão é Compromisso de Vida

Que alegria iniciar o dia compartilhando mais uma Reflexão Missionária!

Aqui no blog, você acompanha de perto nossa vida de missões, o mover de Deus e as direções que Ele tem nos dado no campo transcultural. Se você não quer perder nenhum artigo — e nem o que está por vir —, tenho um convite:

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Peniel N Dourado

A LUTA POR UMA DIREÇÃO CLARA

Atualmente, aqui no Paraguai, estamos no período da Semana de Oração que antecede a Santa Ceia. É um tempo poderoso onde suspendemos outras atividades noturnas para nos reunir, orar e buscar intensamente a presença de Deus.

Esta semana, em especial, meu foco tem sido orar por uma direção clara para o nosso trabalho, principalmente em relação ao Programa de Apoio Evangelístico. (Quem nos acompanha sabe o peso que sentimos e a importância desse projeto!).

Continue lendo para entender o que Deus tem falado conosco neste período de busca…”

Visitando a Missão por Compaixão no Paraguai

Em 2004, eu já estava no Paraguai, e meu desejo era fazer missões aqui mesmo, pois víamos a necessidade e a Missão Siloé estava em crescimento. Eu queria ganhar almas aqui no Paraguai e participar no crescimento da igreja. Mas foi nesse período que Deus começou a nos falar que deveríamos sair do Paraguai e ir para a Bolívia.

A palavra que Deus nos deu foi que Ele nos levaria a outra nação e colocaria uma obra em nossas mãos. Posteriormente, Deus começou a falar muitas coisas sobre esse projeto, sobre crescimento e expansão, dizendo que iríamos desenvolvê-lo em toda a Bolívia, e é o que estamos fazendo agora. O Senhor também falou que iríamos desenvolver esse projeto em outras nações, e estamos nesse processo.

Sou sincero em dizer que muitas vezes tentei parar este trabalho. Desanimei com a falta de apoio, pois você sabe que o Programa de Apoio Evangelístico tem como alvo ajudar os evangelistas, conseguir e entregar literatura nas mãos de quem está trabalhando: irmãos que vão para hospitais, presídios, ruas e praças. E, sinceramente, falando com toda a franqueza a você que lê este blog, pouca gente se importa com os evangelistas dentro das igrejas.

Com o irmão Nigel Mercado em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Tenho notado algo preocupante no contato com algumas lideranças (e é fundamental frisar que este não é um comportamento generalizado): A solicitação de nossos materiais acontece, mas, em muitos casos, o objetivo não é o evangelismo em si, nem o apoio genuíno aos evangelistas.

Percebemos que o foco se desvia. O material, que deveria ser uma ferramenta de expansão do Reino, torna-se, muitas vezes, um instrumento para ‘política interna’ ou autopromoção. Essa postura demonstra uma profunda irresponsabilidade com a obra que é do Senhor Jesus, e é algo que nos causa grande tristeza.

Nos muitos anos de trabalho, passei por isso várias vezes: líderes que entram em contato, mas não estão preocupados com os evangelistas. Nisso, você acha que é fácil manter um projeto como este? Acha que é fácil conseguir recursos para pagar o frete? Acha que é fácil conseguir recurso para manter as nossas viagens? Não, não é fácil. Digo isso com toda a propriedade.

Mas, enquanto as dificuldades continuavam nos passos que dávamos em Bolívia, o projeto também continuava crescendo. Os dias iam passando, o número de evangelistas na Bolívia crescia, o número de pessoas necessitadas de apoio, e a gente via essas pessoas com o coração ardendo pelo desejo de fazer um trabalho evangelístico.

Posso dizer isso porque trabalhei muitos anos ao lado desses evangelistas. São pessoas que têm um coração realmente queimando pela obra de Deus e o desejo de ganhar almas.

vangelista recebendo a Palavra de Deus escrita em Bolívia

Conheci pessoas que usaram o dinheiro do mês para investir no trabalho evangelístico. Eu não faria isso e não aconselho ninguém, mas sei que essa pessoa o fez porque o próprio Senhor a orientou. E Deus fez milagres para mantê-la durante aquele mês.

Conheci um pastor com um coração entregue ao evangelismo. Ele tinha um veículo e o vendeu para fazer um trabalho de impacto na região onde nasceu, na Bolívia, onde não havia muitas igrejas. O desejo dele era dar oportunidade àquele povo de ouvir o evangelho. O nível de evangelismo de que estou falando é um nível de entrega.

Diante da dificuldade de conseguir recursos para manter todo este trabalho, o número de evangelistas crescia, e eu me desanimava. Eu orava ao Senhor: “Senhor, o que eu faço? Dá-me uma revelação. Mostra o que Tu queres que eu faça.” Essa era a minha oração.

Muitas vezes, entrei no meu quarto para buscar uma revelação do Senhor, uma palavra de Deus em relação ao projeto. Mas confesso que eu queria ouvir uma voz de Deus, queria ouvir Deus falando que o tempo daquele projeto havia terminado.

Líder do Ponto de Apoio em Potosi, Bolívia

O problema é que, quando eu entrava no meu quarto e começava a clamar a Deus, o Espírito Santo falava ao meu coração: “Vá e faça o que eu te mandei fazer“. Parece até estranho eu dizer que era um problema, mas a realidade era que eu queria ouvir outra coisas do Senhor Jesus.

Nestes dias que tem passado aqui no Paraguai durante a semana de oração na Missão Siloé eu tenho feito a mesma oração: “Senhor, dá-me uma revelação.” Então, eu estava na igreja orando e fiz essa oração. Eu orei, saí da igreja, vim para casa e fomos dormir.

Quando o relógio tocou pela manhã e levantei cedo, assim que abri os olhos, o Senhor me deu novamente uma palavra que havia falado comigo a muitos anos atrás. O Senhor me mostra a situação de Maria. Quando o anjo Gabriel falou com Maria, deu uma palavra específica para o que ela deveria fazer. O anjo disse que ela ficaria grávida e que a criança que nasceria seria o Salvador. A tarefa dela era ser mãe.

Neto (centro) é o baterista da Missão Siloé. E na ponta direita Samuel

Qual a diferença da missão de Maria para a missão das outras mulheres? A missão dela era ser mãe do Salvador. O anjo disse: “Você será a mãe do Salvador”. Sabemos que ela não teve relação com José para engravidar, mas ela seria mãe. A diferença de Maria para as outras mulheres que engravidaram foi nenhuma, mas o peso de ser mão do Salvador do mundo era gigante.

Maria passou pelas mesmas que todas as mulheres que ficam grávidas. O ventre de Maria cresceu, e a criança desenvolvia da mesma forma que as demais pessoas. Quando a criança nasceu, nasceu do mesmo modo que todas as crianças vieram a este mundo. O menino Jesus teve que tomar o leite do seio de Maria, assim como todas as crianças precisam se alimentar do leite materno.

Algo específico, porém, tinha Maria: a palavra de Deus dada a ela lá atrás. O anjo veio, falou que ela ficaria grávida e depois não voltou para dizer o óbvio. O anjo não voltou para dizer que a criança cresceria no ventre. O anjo não voltou quando o menino Jesus estava sujo porque fez suas necessidades.

Essa é muitas vezes a palavra que Deus me dá. O Espírito Santo tem me dito: “Não é porque você não está recebendo uma palavra específica neste momento da minha parte para a missão que confiei em suas mãos, que você não sabe da responsabilidade que tem.”

Final do culto na Missão Siloé, Paraguai

Eu fico imaginando se Maria simplesmente levantasse um dia e dissesse: “Deus, esse filho é Teu e eu não quero mais cuidar dessa criança. Arranja agora outra mulher para que possa cuidar dela“. Por mais que sabemos que Jesus é Filho de Deus, mas como homem continuava sendo filho de Maria e ela sua mãe.

Eu poderia dizer que Maria seria uma mãe louca se simplesmente se levantasse e falasse que não ia mais cuidar daquela criança. Sei que existem muitas mães loucas, assim como existem muitos pastores, missionários, evangelístas loucos que abandonam “a criança” que o Senhor os confiou.

Na Missão por Compaixão, ouvimos tantas histórias, algumas bem tristes. Histórias de mulheres que, prestes a dar à luz, queriam abortar de todas as formas. São “mães loucas” que encontramos em todos os lugares, em países ricos e pobres, na Bolívia, no Brasil, no Paraguai, no mundo inteiro.

Mas esse não era o caso de Maria, pois até o último momento, estava ao pé da cruz, vendo a situação do seu Senhor. E da mesma forma compreendemos que um projeto nasce no coração do missionário assim como uma criança nasce no ventre de uma mãe. E quando vejo um projeto em andamento, passando lutas e dificuldades, sendo abandonado por aquele que o gerou, o que estou vendo são “mães loucas”, missionários, abandonando seus filhos espirituais.

Com meu irmão Tiago (esquerda), o pastor Davi Dayan (centro) e um dos casais mais antigos da Misión Siloé, irmã Sonia e irmão Diogo

Para um missionário, um projeto de missões é como um filho que nasce no mais profundo do seu ser. Não é apenas uma ideia: é uma semente plantada pelo Espírito Santo em seu coração.

Foi assim que nasceu a visão do Programa de Apoio Evangelístico. Deus nos deu uma Palavra, prometendo colocar esta obra em nossas mãos quando ainda estávamos no Paraguai. Naquela época, o nome ainda não existia; havia apenas a clareza do trabalho que precisava ser feito.

E essa clareza nos guia até hoje. Cuidamos intensamente de um ponto fundamental: manter o foco na visão do projeto, e não na criação de uma instituição. Não temos a intenção de transformar o Programa de Apoio Evangelístico em uma empresa ou entidade burocrática; nosso único alvo é fazer prosperar a visão de trabalho que o Senhor nos confiou.

Não somos contra a organização legal ou a constituição de uma missão que cumpra os requisitos da lei. No entanto, quando tratamos a obra de Deus—seja o projeto missionário ou a igreja— apenas no nível de uma empresa, corremos o risco de agir como ‘mães loucas’ com o verdadeiro filho que nos foi confiado.

E voltando ao período de oração onde eu buscava uma resposta do Senhor Jesus, o Espírito de Deus me disse:”Eu já te dei a palavra. Eu já te disse o que você tem que fazer. Vá fazendo aquilo que você deve fazer neste exato momento“. Amém?

Espero que você que está no campo de missões e está lendo este post, não seja uma “mãe louca”. Pode ser que chegará o momento em que Deus vai te tirar da frente desse projeto e te levar para outro lugar. Isso muitas vezes acontece.

Mas assim como um pai e uma mãe têm que abrir a porta para que o seu filho saia de casa, esse momento vai acontecer em que o seu filho terá capacidade suficiente de se manter, de ter a maturidade suficiente de estar longe de você e de manter a visão que você deu a ele. Não seja como uma mãe louca que abandona seu filho antes dele ter condições de andar sozinho.

Nigel, nosso atual coordenador geral de Bolívia e no centro o irmão Norman que ajuda a transportar os materiais

A visão que Deus te deu, você deve passar para este seu “filho espiritual”. E o “filho” aqui é o seu projeto missionário em desenvolvimento. Se você deixar sozinho antes do tempo outros virão com visões carnais para distanciar do propósito pelo qual foi criado.

No tempo certo o seu “filho” terá a maturidade suficiente de manter a visão que Deus te deu, dará condições para que esse projeto possa se distanciar de você de forma madura e se manter na visão que você mesmo recebeu.

Sabe, querido missionário, pode ser que o anjo de Deus não venha novamente para te falar sobre o trabalho que você está fazendo, você não terá mais visitações sobrenaturais para te mostrar detalhes do trabalho, mas fique certo de que a responsabilidade que foi dada a você já foi colocada sobre a sua vida e sobre este trabalho o Senhor pedirá conta.

Deus te abençoe e até o nosso próximo post aqui em nosso Diário Missionário.

Nossos Videos Sobre Missões

CLIQUE AQUI para acessar vídeos onde eu falo sobre a vida prática do campo de missões. Os temas dos vídeos muitas vezes são tirado das conversas com outros missionários ou de situações vividas no campo de missões. O objetivo é trazer a vida prática do campo missionário a você

CLIQUE AQUI para acessar vídeos com informativos em vídeos relacionado ao Programa de Apoio Evangelístico, mostro o andamento do trabalho nas regiões onde estamos atuando e outros.

CLIQUE AQUI para acessar nossos Vlogs Missões. Os vlogs são vídeos gravados do nosso dia a dia. Muitas vezes eu simplesmente gravo o nosso dia no campo, ou uma viagem em missões ou qualquer outra situação de forma aleatória. Mas sempre queremos que você possa aprender um pouco mais sobre a vida em missões também através de nossos vlogs.

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Como superar o choque cultural e o desânimo no Campo Missionário

Você já passou por situações em que tudo parecia estar contra você? Frio intenso, ruas vazias e a sensação de que ninguém está disposto a ouvir? Pois é, hoje quero compartilhar um pouco dessa realidade missionária no Sul, onde o clima e a cultura testam nossa perseverança.


A realidade do frio no campo missionário

Aqui no Sul, diferente do Nordeste onde cresci, a vida acontece de outra forma. No Nordeste era comum fazermos cultos ao ar livre, em praças cheias de gente. Mas aqui, no frio, as ruas ficam desertas. As pessoas se recolhem em suas casas e não há como repetir os métodos que deram certo em outros lugares.

O missionário precisa aprender a se adaptar. Não adianta romantizar o campo. O frio é real, o vento corta, a chuva desanima e, se não houver preparo, o resultado pode ser a paralisia ministerial.

A minha pergunta é: Como realizar o trabalho de evangelismo nesta região onde o frio expulsa as pessoas das ruas e praças?


O perigo do desânimo

No campo missionário, o desânimo pode surgir de várias formas:

  • Falta de resultados visíveis.
  • Choque cultural.
  • Diferença no estilo de vida das pessoas locais.
  • Barreiras climáticas que limitam a ação evangelística.

Muitas vezes, a frieza não é só do clima, mas também das próprias pessoas, que são mais reservadas. Isso contrasta com o calor humano do Nordeste, onde todos querem estar juntos o tempo todo. No Sul ou em países frios, como Bolívia, Estados Unidos e regiões da Europa, a reserva cultural pode trazer solidão e desânimo ao missionário.


A necessidade de adaptação

Quando vi que os cultos de rua não funcionavam, busquei alternativas. Passamos a realizar reuniões dentro das casas. Um grupo pequeno, uma oração simples, um louvor com violão — e ali o coração das pessoas se abria. Esse método deu muito certo e até hoje continua sendo usado, porque aproxima as pessoas e quebra barreiras culturais.

Aprendi que o segredo é não desistir, mas adaptar. O missionário não pode ficar preso a métodos, mas precisa estar atento ao ambiente, ao clima e à cultura para alcançar vidas.


Um alerta contra a romantização

Muitos chegam ao campo missionário com uma visão romantizada:
“Vai ser lindo, vou pregar em praças lotadas, todos vão me ouvir.”
Mas a realidade é outra. O campo exige preparo, pés no chão e coragem para enfrentar frustrações. O romantismo sem preparo pode gerar desistência rápida.

Até Elias, um grande profeta, desanimou e pediu para morrer (1 Reis 19:4). Mas Deus o renovou, mostrando que o desânimo é humano, e que a perseverança vem da dependência do Senhor.


Conclusão

O apóstolo Paulo nos lembra:

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gálatas 6:9).

Se Deus nos chama para lugares difíceis, Ele mesmo nos capacita a permanecer. O segredo é adaptar, perseverar e não desistir. Que possamos seguir firmes, sem romantizar o campo, mas vivendo pela fé e confiando que, no tempo certo, a colheita virá.

Nossos Videos sobre Missões

Eu gravei um video onde eu falo um pouco mais sobre este assunto. Eu vou colocar o vídeo logo abaixo e te animo a assistir

Quero te animar a se inscrever no canal onde falamos sobre a vida prática em missões

Equilíbrio quanto a prosperidade no campo missionário

Uma questão que sempre surge é a falta de equilíbrio na igreja, especialmente em relação à prosperidade financeira. E a situação agrava quando falamos de prosperidade financeira missionária.

Muitas pessoas dão ênfase excessiva a um único ponto. Para mim, a prosperidade de um projeto missionário não se mede pela abundância de recursos financeiros e bens. Em Lucas 12:15 diz: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” Então, se a vida do homem não consiste na quantidade de bens, por que mediríamos o tabalho de missões?

Um projeto pode ter muito dinheiro, mas ser pobre em visão, em propósito e em ação. Quando falta visão de Deus, o trabalho se torna uma empresa, atraindo pessoas por interesse financeiro, não por vocação. O resultado é um trabalho pobre, mesmo que tenha dinheiro.

O própria Cristo disse de uma igreja que acreditava ser rica porque ela dizia ser rica aos seus próprios olhos: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17)

Por isso, quero deixar bem claro: a verdadeira prosperidade de um projeto missionário é viver o propósito de Deus. É cumprir a vontade do Senhor, independentemente da condição financeira. Tem recursos ou nao tem, o ponto é: Está cumprindo o propósito?

Existe um grande desequilíbrio quando se trata da vida financeira de um missionário. De um lado, há quem acredite que um missionário “de verdade” é aquele que vive na necessidade, sempre pedindo ajuda. Essa mentalidade cria o erro de julgar quem tem recursos para fazer a obra de missões.

Lembro-me de uma vez que viajei de avião para cumprir um compromisso e fui criticado por isso. A pessoa que me criticou pensou que um missionário deveria viajar de ônibus ou até mesmo de jumento para fazer missões, mas nunca de avião. Essa pessoa ficou tão irritada que não entrou mais em contato comigo. Mas tempos depois eu o vi entrando em um aviaõ “para fazer missões”. Não é um pouco contraditório?

Querido irmão, essa visão é equivocada. Deus pode abrir portas e prover de maneiras inesperadas, e não devemos limitar Sua forma de agir. E não temos condições financeiras para fazer a obra de uma forma melhor, fazemos da mesma forma com as condições que temos.

Do outro lado, estão aqueles que acreditam que ser abençoado é sinônimo de ter uma alta entrada de dinheiro. Isso também não é verdade. Um projeto não é melhor que o outro apenas por ter mais recursos.

A prosperidade, como já disse, está em viver o propósito de Deus. Pense em João Batista; ele viveu de forma simples, mas cumpriu seu propósito plenamente. A Bíblia diz que não houve nascido de mulher maior do que ele.

Precisamos encontrar um equilíbrio. Não podemos criar nossos próprios padrões e julgar os outros com base neles. O padrão do crente é a Palavra de Deus e a Palavra nos dá equilíbrio e nos ensina a considerar os momentos de dificuldade e não exaltar no momento de abundância.

Espero que estas palavras sirvam como uma orientação para você que está no campo de batalha das missões.

Assista o vídeo que eu coloquei logo abaixo onde eu falo um pouco mais sobre o assunto.

Quase fomos esfaqueados pregando nas ruas da Bolívia

Eu realmente estou gostando muito da idéia de colocar nossas experiências de missões aqui em nosso blog. Abri uma categoria chamada Diário Missionário onde eu vou buscar postar pela manhã daquilo que temos vivido e vivemos no campo missionário.

Eu quero agradecer a participação dos assinantes do nosso blog fazendo perguntas, enviando sugestões sobre o que escrever. Muito obrigado mesmo pela participação de vocês.

Peniel e Mina

Ele queria me esfaquear

Alguns dias atrás, alguém me perguntou sobre as minhas experiências pregando nas ruas, especialmente na Bolívia, e se eu já tinha enfrentado algum problema com pessoas violentas.

A verdade é que sim, já tive algumas dificuldades, mas elas foram insignificantes perto dos grandes momentos em que vi pessoas sendo tocadas pela Palavra de Deus e entregando seu coração a Ele.

Mas, minha primeira experiência foi em Santa Cruz de la Sierra. Eu estava com o irmão Joel Apodaca, um jovem paraguaio que foi à Bolívia para me ajudar no trabalho. Eu não lembro bem a data de quando Joel nos visitou pela primeira vez, mas creio que foi em 2012. E naquele tempo passamos muito tempo evangelizando em feiras, praças e na frente de universidades, distribuindo literatura e pregando a Palavra.

Na foto eu estou com Mina, Deborah e Joel Apodaca em 11 de Maio de 2012 – SCZ, Bolívia

Havia um local que gostávamos de frequentar: uma passarela sobre a linha férrea, em frente a um grande mercado chamado Nova Feira do bairro Lindo próximo ao quarto anel. Subíamos na passarela e a usávamos como nosso púlpito. Enquanto um de nós pregava usando um megafone, o outro distribuía literatura.

Como eu disse, o número de pessoas impactadas pela Palavra de Deus ali foi tão grande que não se compara aos incidentes que tivemos. As pessoas raramente param para ouvir, mas eu sei que elas escutam enquanto caminham apressadas de um lado para o outro. Muitas vezes vidas impactadas pelas Palavra saiam entre a multidão em lágrimas e nós orávamos por elas.

Pregando na passarela na Nueva Feria do Bairro Lindo

Certo dia, enquanto eu pregava, olhei para a multidão e vi um homem que me observava atentamente. O olhar dele não era de quem estava sendo tocado pela Palavra. Eu vi ódio em seus olhos. Ele estava com muita raiva de nós. Acredito que ele percebeu que eu o notei. Ele se afastou, retornou, e ficava me encarando, rangendo os dentes. Sua atitude não era normal; era uma opressão maligna.

Continuei pregando, enquanto Joel distribuía os folhetos. Pessoas se aproximavam, faziam perguntas e pediam oração. Então eu decidi trocar de posição com Joel: ele pegou o megafone e eu desci para a escadaria da passarela para distribuir a literatura. Foi então que vi o homem lá embaixo. Ele subia a escada e vinha em minha direção, rangendo os dentes, com ódio no olhar. Era literal, não um exagero.

Enquanto ele subia, eu me mantive calmo, pois não havia medo em meu coração. Eu sabia que a glória de Senhor Jesus estava ali. Quando ele se aproximou, levantou a camisa e puxou uma faca. Eu o encarei e perguntei: “Jovem, o que você está fazendo com essa faca?”. Ele me olhou, rangendo os dentes, e era nítido que aquele homem estava cheio de demônios. Então, estendi a mão e ordenei: “Em nome de Jesus, me dá essa faca.”

Então, ele tirou a faca que estava dentro de sua calça e me entregou o cabo da faca. Ao pegá-la, notei que havia sangue na lâmina, como se tivesse sido usada recentemente. Coloquei a faca para trás e, com a outra mão, toquei o peito daquele jovem e disse: “Em nome de Jesus, espírito maligno, sai dele!”

Naquele mesmo instante, o jovem caiu de joelhos na escada, como se as forças de suas pernas tivessem sumido. Começamos a repreender os demônios em Nome de Jesus, e os demônos falavam: “Viemos de um inferno do outro lado“. Eu ouvi que o jovem repetia esta frase várias vezes.

Depois de repreendermos, o jovem voltou a si. O olhar já não era de possesso e me respondia normalmente. Perguntei seu nome para anotá-lo em nosso caderno de oração, pois eu queria visita-lo posteriormente, mas ele se levantou, disse que precisava ir, porque uma moça do outro lado da passarela o chamava. Eu olhei e realmente uma mulher gritava seu nome. Então ele se levantou e foi embora com aquela moça. Nunca mais o vi.

Nós seguimos pregando a evangelho no mesmo lugar e no final daquele dia, tirei uma foto com a faca (foto abaixo). Levamos ela para casa e a enterramos no quintal, pois não queríamos ficar com aquela faca suja de sangue.

A faca que tomamos do jovem durante o evangelismo

Não conto esta história para dizer que somos melhores que ninguém. Aprouve a Deus nos livrar e também nos dar tamanha ousadia para não ter medo, pois realmente eu não tive medo naquela ocasião. Eu sei que foi o mover de Deus em nossas vidas.


O Livramento Divino na Feira de Punata

Outra situação que passei foi na cidade de Punata, uma pequena cidade próximo a Cochabamba, Bolívia. Estávamos com um grupo de evangelistas, em uma praça onde acontecia uma feira. Havia muitas pessoas, e nós escolhemos um ponto estratégico para pregar. Enquanto um de nós pregava, os outros distribuíam literatura.

Pregamos a manhã toda, e foi uma bênção. Muitas pessoas pediram oração e entregaram suas vidas a Jesus. No meio-dia, fomos almoçar. Depois, resolvi voltar para a feira, pois sabia que nesse horário, entre meio-dia e duas da tarde, os compradores diminuíam e ficavam mais os vendedores com suas famílias, um ótimo momento para evangelizar.

Praça em Punata, Bolívia, onde fizemos o evangelismo

Liguei o megafone, coloquei uma música e comecei a pregar. No meio da multidão, vi um homem vindo em nossa direção com um olhar de ódio. Ele tirou um facão e começou a bramir, como se estivesse cortando o ar. As pessoas ao redor pararam para ver o que estava acontecendo.

Quando ele chegou a uns 30 metros de mim, parei de pregar e apenas coloquei a música. Ele continuou se aproximando, e quando estava a cerca de 10 metros, gritou: “Eu vou arrancar a sua cabeça! Hoje eu vou te matar!“.

Eu me mantive no mesmo lugar com o megafone na mão e olhava aquele homem. Por um momento, olhei ao redor para ver se os irmãos não estavam por perto, pois eles tinham ido lavar as mãos do outro lado da praça.

Então, eu me vi sozinho naquele momento, mas não senti medo. Mais uma vez eu posso dizer que foi o poder do Senhor que agiu e não algo natural para não temer naquele momento.

Olhei para o homem e comecei a repreender. Eu dizia: “Eu te repreendo em nome do Senhor Jesus” Quando ele chegou a uns 3 metros de mim, o homem parou, baixou o facão, olhou para mim por um tempo, e simplesmente virou e foi embora no meio da multidão.

Os irmãos chegaram correndo e me perguntaram o que havia acontecido. Eles queriam ir atrás do homem, mas eu disse para continuarmos nosso trabalho.

Aqui alguns da nossa equipe de trabalho: Russel (centro), Fernando à direita e quem tirou a foto foi o irmão Max Arapa

A Importância de Servir a Deus

Já passei por outras situações parecidas, mas eu creio que as duas situações acima foram as mais impactantes. Mas também passamos por ameaças de indígenas guaranís no Paraguai que estavam armados com revolveres que disseram que nos atacariam à noite.

Nós estávamos ali para realizar um culto na aldeia guaraní no Paraguai, mas havia uma briga entre indígenas locais com outros indígenas de outras aldeias por madeira.

No meio daquela confusão eles nos ameaçaram. Nós estávamos com um grupo da Jocum da base de Porto Velho e faziam muito frio. Como já era noite, decidimos ficar até o outro dia, mas eu posso dizer que aquela noite foi muito longa.

Nós fizemos uma fogueira, cantamos, oramos e forçadamente fizemos uma vigilha até o amanhecer, pois ninguém queria dormir com medo de levar um tiro.

E novamente em Bolívia, eu passei por outra situação, mas foi com um irmão que estava conosco pregando. Ele foi confrontado por um grupo de mais de 15 homens que se dispersaram após ele repreendê-los no nome do Senhor.

Eram pessoas que lidavam com feitiçaria em um pequeno povoado na região dos Andes de Bolívia, mas quando viram em nossa direção o irmão que pregava repreendeu em nome do Senhor Jesus e todos foram dispersados. Em todas essas ocasiões, Deus nos deu graça e misericórdia, e fomos livrados.

Mas é importante entender que, se você está em missões, pode enfrentar adversidades. Se o nosso mestre, Jesus, foi crucificado, e se o apóstolo Paulo foi preso e açoitado, nós também poderemos sofrer e isso não é porque estamos fora de diração de Deus.

A Palavra de Deus diz que devemos completar o sofrimento de Cristo. Em Colossenses 1:24 o apóstolo Paulo diz:“Regozijo-me agora no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja.” Eu sei que as pessoas não gostam muito de pensar sobre esses assuntos, mas fazem parte da nossa vida Cristã.

Por amor de Cristo, somos loucos, mas vocês são sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados. Até agora, estamos famintos, sedentos, mal vestidos, esbofeteados e sem-teto. Nós nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.” (1 Coríntios 4:10-13)

Bem, quero finalizar meu Diário Missionário de hoje. Para mim é uma benção recordar o que o Senhor fez e continua fazendo. Digo a você que é por amor a Cristo que suportamos todas as coisas, pois o nosso trabalho não é em vão. Nos livramentos, ou não, nas muitas dificuldades, ou não, o que realmente importa é que o propósito de Cristo em nós seja cumprido.

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Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Peniel N Dourado

Como ser um missionário evangélico?

O desejo de servir a Deus em tempo integral, especialmente como missionário, é uma das maiores expressões de fé. O chamado missionário, porém, é um passo de grande magnitude, que exige mais do que apenas uma decisão. É um compromisso profundo com a missão de compartilhar o evangelho de Cristo e transformar vidas, como nos instrui o próprio Senhor em Marcos 16:15. Se você sente que esta é a sua vocação, este guia foi feito para você.

Peniel N Dourado

O que é um missionário evangélico?

Sob a perspectiva do “Ide” de Mateus 28:19, todo cristão é um missionário. Temos a responsabilidade de levar o evangelho aos perdidos e fazer discípulos em todas as nações. Deus tem uma missão e Ele inclui todo verdadeiro servo em sua missão de trazer de volta o pecador.

Embora o chamado seja para todos os cristãos, alguns recebem a vocação especial de se dedicar integralmente às missões transculturais, indo a outros ambientes culturais dentro de um país ou além de suas fronteiras políticas para compartilhar a mensagem, assim como nos mostra a vida e obra do apóstolo Paulo, o apóstolo dos gentios.

Um missionário evangélico é alguém que dedica sua vida a compartilhar Jesus. Seu papel vai além da pregação; ele busca transformar vidas e comunidades com o amor de Deus, contribuindo para o crescimento espiritual e social das pessoas que alcança, conforme o exemplo de Cristo que veio para servir e dar a sua vida (Filipenses 2:7).

Peniel N Dourado

Eu e minha esposa Mina, vivemos essa realidade. Ao invés de focar em apeas abrir igrejas, como era o plano inicial, Deus nos direcionou para o serviço de apoio a evangelistas na Bolívia e posteriormente a outras nações. Entendemos que a missão é equipar outros a cumprirem o chamado de evangelizar.

Quer ser um missionário? Descubra o que é preciso!

O desejo de servir a Deus em tempo integral, especialmente como missionário, é uma das maiores expressões de fé. O chamado missionário, porém, é um passo de grande magnitude, que exige mais do que apenas uma decisão. É um compromisso profundo com a missão de compartilhar o evangelho de Cristo e transformar vidas, como nos instrui o próprio Senhor em Marcos 16:15. Se você sente que esta é a sua vocação, este guia foi feito para você.


O que é um missionário evangélico?

Sob a perspectiva do “Ide” de Mateus 28:19, todo cristão é um missionário. Temos a responsabilidade de levar o evangelho aos perdidos e fazer discípulos em todas as nações. Embora o chamado seja para todos os cristãos, alguns recebem a vocação especial de se dedicar integralmente às missões transculturais, indo além de suas fronteiras para compartilhar a mensagem em outras culturas, assim como nos mostra a vida e obra de Paulo, o apóstolo dos gentios.

Descubra o guia definitivo para iniciar sua jornada missionária! Aprenda os passos essenciais para responder ao chamado de Deus com excelência e transformar vidas.
Pastor Peniel na cidade de Charagua, Bolívia

Eu, Peniel Dourado, e minha esposa, Mina, vivemos essa realidade. Ao invés de focar em abrir igrejas, como era o nosso plano inicial, Deus nos direcionou para o serviço de apoio a evangelistas na Bolívia. Nós entendemos que a nossa missão era equipar outros a cumprirem o chamado de evangelizar.


Quatro passos essenciais para ser um missionário evangélico

  1. Confirmação do Chamado: O primeiro passo é ter certeza de que Deus o está chamando para a obra missionária. A confirmação pode vir por meio de oração, leitura da Bíblia ou do conselho de líderes espirituais, pois o Senhor fala de muitas maneiras (Hebreus 1:1). Relato que, em meio a dificuldades financeiras, Deus falou muito forte ao meu coração sobre o trabalho de apoio, confirmando a nova direção para a minha vida.
  2. Estudo da Palavra de Deus: Um missionário precisa ter um conhecimento sólido da Bíblia para compartilhar a mensagem com clareza. O estudo regular das Escrituras é indispensável para fortalecer a sua fé e a sua mensagem, pois a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hebreus 4:12).
  3. Formação Teológica: Embora não seja obrigatória, o conhecimento teológico pode ser um grande diferencial, pois um obreiro que maneja bem a Palavra não tem de que se envergonhar (2 Timóteo 2:15). Ela te dará uma base sólida para enfrentar os desafios do campo missionário.
  4. Desenvolvimento de Habilidades Práticas: Além do preparo espiritual, um missionário deve desenvolver habilidades práticas, como comunicação intercultural, ensino bíblico e liderança de comunidades. O evangelho de Cristo, por sua vez, nos dá o poder para todas as coisas (Filipenses 4:13).

Por que você deve fazer missões?

O maior encargo que o Senhor deu ao seu povo é o de compartilhar o evangelho. Os missionários tiram as pessoas das trevas do mundo e as conduzem para a luz do evangelho de Jesus Cristo (Colossenses 1:13).

Eles encontram, ensinam, batizam e discipulam aqueles que nunca dedicaram suas vidas a Cristo. Se você conhece o propósito da vida em Cristo, é sua responsabilidade levar o evangelho a quem não conhece.


“Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” – Romanos 14:17

Desafio prático: Considere qual habilidade ou paixão que você tem pode ser usada para o Reino de Deus. Seja um professor, um ciclista ou um artista, Deus pode usá-lo para levar o evangelho, pois somos a Sua obra prima, criados para as boas obras que Ele preparou de antemão (Efésios 2:10).


Cada Um no Seu Chamado Missionário

Existe um problema silencioso que tem feito barulho dentro das missões: a comparação. É como se houvesse um padrão invisível que diz como o missionário deve ser, agir e manter a obra de missões que desenvolve. Mas deixa eu te lembrar das palavras do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12:15: “Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?”

Meu irmão, minha irmã… se você não faz como o outro faz, isso não quer dizer que está errado. Deus não chamou todo mundo pra ser mão. Alguém tem que ser pé, coração, olho. Cada um no seu chamado. E isso é lindo!

A sociedade gira em torno do dinheiro. Trocam de cidade, de emprego, de tudo… por dinheiro. E o missionário? Ele vive de quê? A resposta é simples: o missionário vive pela vontade de Deus. Sim, precisa de sustento, precisa pagar contas, mas não vive para buscar dinheiro. E aí começam os olhares tortos: “Ah, se ele não corre atrás de dinheiro, está errado… ou está mentindo.”

É aí que muitos julgam injustamente a vida missionária. Pensam que, se você não se encaixa no modelo padrão, algo está fora do lugar. Mas eu repito: o modelo certo é o de Deus, não o da cultura ao nosso redor.

Outro ponto delicado é o conflito dentro da própria igreja. Um pastor acha que o evangelista não quer “pegar no pesado”. O evangelista acha que o pastor se esconde atrás do púlpito. O que trabalha com obra social acha que os outros estão “deixando o caído à beira do caminho”, como o sacerdote e o levita da parábola (Lucas 10:30-37). E mais uma vez, ecoa a pergunta de Paulo: “Porque não sou mão, não sou do corpo?”

Cuidado com a arrogância espiritual. Ela se disfarça de zelo, mas machuca o Corpo de Cristo. Deus não nos chamou para competir, mas para cooperar. Não importa se você está nas praças, nas prisões, nos hospitais ou nos bastidores cuidando de papelada e logística… se está onde Deus te colocou, você está no centro da vontade Dele.

Meu conselho? Guarde o teu coração. Sirva com humildade. E quando alguém julgar o teu jeito de servir, apenas sorria e diga: “Eu sou do Corpo.”

Continue orando por nós. Se este texto falou com você, compartilhe. Vamos espalhar esta mensagem e fortalecer nossos irmãos de caminhada.

Juntos na missão,
Pr. Peniel N. Dourado

O que é ser missionário e pastor? Existe diferença entre os dois?

Essa é uma dúvida comum: pastores podem ser missionários? E quem faz missões, está também pastoreando? À primeira vista, pode parecer que são a mesma coisa, mas há distinções importantes.

O pastor é chamado por Deus para cuidar do rebanho local, alimentar espiritualmente a igreja e guiar o povo com sabedoria. Ele permanece em uma comunidade, oferecendo ensino, consolo e direção espiritual contínua (Efésios 4:11-12).

Já o missionário é enviado a lugares onde o evangelho ainda não chegou ou é pouco conhecido. Seu papel é abrir caminhos, formar discípulos e, muitas vezes, iniciar uma nova igreja (Romanos 10:14-15).

O missionário atua de forma mais pioneira, saindo de seu ambiente cultural indo a outro ambiente de cultura cumprindo o mandamento de Jesus em Marcos 16:15: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”

Contudo, um pastor pode sim ser missionário, e muitos missionários também exercem o pastoreio, especialmente quando fundam igrejas. A diferença está mais na função do momento do que no chamado.

Espero que este vídeo tenha edificado sua vida.
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Deus te abençoe poderosamente

Quando Deus muda o rumo da missão: lições do campo

Em nossa Base de Apoio, costumo levantar às 5h40 da manhã. Geralmente preparo um café, mas como estamos em um período mais frio, gosto de tomar um chimarrão — isso, claro, quando tenho erva, já que aqui em Santa Cruz de la Sierra nem sempre encontramos com facilidade.

Hoje pela manhã, abri minha Bíblia e me deparei com a história de Saulo, a caminho de Damasco (Atos 9). Essa passagem me fez refletir sobre como Deus age em nossas vidas no campo missionário. Essa experiência é válida também para quem não está no campo, mas quero aplicá-la diretamente à realidade missionária, pois é o ambiente em que vivo e sirvo.

Saulo tinha tudo: o apoio do sumo sacerdote, soldados ao seu lado, e os recursos necessários para “cumprir” sua missão. Ele acreditava estar fazendo a vontade de Deus, mas na verdade estava completamente equivocado. Saulo se via como um representante legítimo do Deus de Israel, um tipo de “missionário” enviado por líderes religiosos. Estava tão certo de si, que ignorava a direção real do Espírito. A Palavra diz:

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para Damasco…” (Atos 9:1-2)

Olhando para esse quadro, fico triste em pensar quantos hoje têm cartas nas mãos, apoio institucional e estrutura, mas seguem caminhos que apenas satisfazem os desejos humanos. Agem sob ordens eclesiásticas, mas longe da direção do Espírito Santo. Vivem a fé como um projeto humano, não como resposta ao chamado divino. Jesus foi claro ao dizer:

“Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).

O fim daquela jornada foi marcante: Saulo entrou em Damasco cego e humilhado, e saiu dali dentro de um cesto (Atos 9:25). Perdeu tudo — apoio, autoridade, recursos — mas saiu com algo que nunca tivera antes: uma verdadeira missão dada por Deus.

Deus sabe mudar o rumo da missão. Ele fez isso com Saulo e também com o profeta Elias. Elias, após ser ameaçado por Jezabel, fugiu para o deserto, onde pediu a morte (1 Reis 19:4). O mesmo homem que enfrentou os profetas de Baal agora se escondia, desanimado. Mas Deus, em sua graça, enviou um anjo que lhe trouxe pão e água, e com a força daquela comida, Elias caminhou quarenta dias até encontrar o Senhor novamente na caverna (1 Reis 19:5-9). Diferente de Saulo, Elias precisava ser restaurado. E Deus o restaurou.

São esses encontros que mudam trajetórias, reacendem a fé e nos realinham com os céus.

Lembro-me de quando chegamos à Bolívia e enfrentamos a necessidade de pagar 1.500 dólares pelos vistos. Não tínhamos ninguém por nós, nenhum contato ou apoio, e um dia antes eu contava moedas para comprar pão e leite. Como pagar 1.500 dólares?

Na madrugada, fui para a sala e comecei a orar. Durante aquele momento, cada palavra que Deus havia liberado sobre nossa vinda à Bolívia começou a vir ao meu coração. Então ouvi:

“Repreende a escassez.”
Comecei a declarar em oração que a provisão já havia sido enviada. Isso não tem a ver com pensamento positivo, nem com fórmulas humanas. Eu apenas obedeci à direção do Espírito. A paz veio ao meu coração e fui dormir.

Sem que ninguém soubesse da nossa situação, nos dias seguintes começaram a chegar ofertas de vários lados. Em pouco tempo, tínhamos o valor exato. Foi o próprio Deus provendo.

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Salmo 23:1).

Muitos de nós nos acostumamos com os padrões de nossas congregações, com os canais tradicionais de ouvir a voz de Deus. Mas no campo missionário, vivemos realidades novas. Às vezes Deus usa caminhos tão diferentes que ficamos assustados — mas ainda é Deus falando.

Veja o caso de Balaão. O profeta aceitou uma missão com motivações financeiras. Quem o enviava não tinha compromisso com Deus, e ele mesmo estava longe da vontade divina. Mas Deus, em sua misericórdia, falou com ele de forma surpreendente:

“E a jumenta disse a Balaão: […] acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo?” (Números 22:30)
“Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor…” (Números 22:31)

Profetas estão acostumados a falar, mas aqui foi a jumenta que falou. Balaão dialoga com ela como se fosse algo normal. Seu coração estava dominado pela avareza. O fim de Balaão foi a morte (Números 31:8), pois rejeitou a correção divina.

Deus não negocia seus planos. Ele tem propósitos para nossas vidas, e eles devem ser cumpridos. Ou vivemos os planos de Deus, mesmo que isso exija mudar completamente nossos próprios caminhos, ou corremos o risco de sermos deixados de lado.

“Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá” (Provérbios 19:21).

Não há perda em fazer a vontade de Deus. O Senhor é o dono da obra missionária, e Ele tem poder para sustentar, corrigir, e redirecionar. Que Ele continue moldando nossos passos, mesmo quando for necessário começar do zero.

Peniel N Dourado

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Onde estão os jovens missionários?

jovem

Hoje pela manhã, ao analisar o Analytics do meu canal no YouTube, percebi um dado que me chamou a atenção: a maioria dos visitantes, tanto homens quanto mulheres, têm acima de 25 anos. O público entre 13 e 24 anos representa menos de 10% dos acessos totais.

Ao ver essa estatística, comentei com minha esposa: onde estão os jovens missionários? Falo assim porque o conteúdo do canal é voltado a orientar e inspirar pessoas que desejam servir a Deus em missões. Mas, sinceramente, onde estão aqueles que desejam entregar suas vidas ao Senhor Jesus e dedicar sua juventude ao campo missionário?

Dou graças a Deus pela oportunidade que Ele me deu de viver esse chamado. Considero isso um privilégio. Entretanto, é triste reconhecer que, em nossos dias, missões têm sido como um vaso desprezado (cf. 2 Coríntios 4:7). Quando participo de cursos missionários ou viagens evangelísticas, a maioria dos participantes já passou dos 40 anos. Muitos deles foram influenciados por livros que marcaram gerações, como “O Contrabandista de Deus” ou “O Segredo de Hudson Taylor”. Mas os jovens de hoje sequer conhecem esses nomes ou histórias que incendiaram corações no passado.

Hoje à tarde, revisitei o Analytics e notei que alguém assistiu, pelo menos três vezes, um vídeo onde conto sobre minha entrega ao chamado missionário na juventude. Não era um inscrito do canal, mas pude ver que voltou ao vídeo várias vezes. Isso tocou profundamente meu coração. Pensei: quem seria essa pessoa? Talvez um jovem! Sim, alguém impactado por esse testemunho, despertado pelo Espírito Santo para entregar sua juventude ao Senhor.

Lembro-me bem de quando o chamado missionário começou a arder em mim. Eu era apenas um adolescente. Ainda não tinha conquistado nada, não era casado, nem possuía recursos financeiros. Mas havia uma chama queimando dentro de mim. Foi nesse tempo que ouvi o Senhor me dizer: “Peniel, Eu quero a tua vida, quero a tua juventude.” E, com temor e alegria, respondi: “Eis-me aqui, Senhor!” (Isaías 6:8).

Que Deus desperte essa nova geração. Que muitos jovens digam como o salmista: “Fiz menção do teu nome, ó Senhor, desde a minha mocidade” (Salmo 71:17). Que se levantem adolescentes e jovens apaixonados por Jesus, dispostos a renunciar ao conforto para levar o Evangelho aos lugares esquecidos. Pois, como está escrito: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).

Continue orando por nós e pelo Programa de Apoio Evangelístico. Que o Senhor levante uma geração missionária apaixonada por Sua obra.

Peniel N. Dourado

VIDEO  –  Clique no videos abaixo para assistir

https://youtu.be/EgMfkkPoqg4

Fé e obediência: quando a Palavra te alcança

Fazer missões é enfrentar situações fora do comum. Para permanecer, é necessário ter uma força também fora do comum. Essa força vem da fé que nasce ao ouvirmos a voz de Deus. É pela Palavra que somos fortalecidos e capacitados para obedecer ao chamado, vencer as barreiras e cumprir o que nos foi ordenado (Isaías 40:29-31).

Como está escrito: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10:17). Sem fé, não se pode agradar a Deus, nem realizar nada no campo missionário (Hebreus 11:6). Em momentos de pressão e lutas, minha oração é simples: “Senhor Jesus, estou aqui porque tua Palavra me alcançou. Ajuda-me!”. E repito isso muitas vezes, porque a Palavra que nos envia é também a que nos sustenta (João 15:5).

Peniel Dourado e Mina

Só fé explica por que um irmão permanece anos pregando em presídios. Só fé explica por que alguém deixa o conforto urbano para viver entre ribeirinhos da Amazônia ou nos Andes bolivianos. Quando a Palavra nos alcança, a fé é gerada, e por essa fé vivemos: “O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

Nós estamos na Bolívia porque a Palavra nos alcançou e cremos nela. Tudo começou em 2004, quando recebi alguns pastores que estavam se mudando de São Paulo. Não eram da minha denominação, mas os ajudei. Um deles, certo dia, nos chamou à mesa, leu um texto profético e orou. Deus o usou para nos dizer que não deveríamos criar raízes no Paraguai, pois Ele nos levaria para outra nação.

Reagi com incredulidade. Meu julgamento foi que a profecia era carnal. Mas, pouco tempo depois, outro jovem evangelista confirmou a mesma palavra. E novamente rejeitei. Não por falta de fé, mas porque não queria sair do Paraguai, onde estava envolvido com evangelismo, rádio e presídios desde 1995.

Mas disse ao Senhor que, se uma terceira pessoa falasse a mesma coisa, eu consideraria. Em 2006, Deus enviou a terceira, a quarta, a quinta… Comecei a ouvir a mesma Palavra em diferentes lugares. Fui vencido. O peso espiritual se intensificou. Não conseguia mais evangelizar, pregar na rádio ou continuar com as atividades ministeriais. Entrei no quarto para orar, e ali permaneci por dias, talvez mais de um mês. Gemia. Não havia palavras, apenas sede da voz de Deus.

Peniel e Mina próximo a Chochis, Bolívia

E um dia, no secreto, o Espírito Santo falou: “Bolívia”. Nunca tinha pesquisado sobre o país. Apenas conhecia a fronteira em Corumbá (MS). Não tivemos tempo para planos, nem para saber custos ou condições econômicas. Diante de Deus, respondemos: “Sim”.

Senti um peso insuportável antes da resposta. Tudo parecia perder o sentido: a rádio, os cultos, a igreja. Lia livros e devocionais sem conseguir pregar. Meu único alimento era a oração e o clamor. Mas quando ouvi “Bolívia”, respondi “Sim”. E minha esposa, grávida, também disse “Sim”. Então oramos, e Deus revelou: Santa Cruz de la Sierra.

A Palavra nos alcançou. A fé veio. A certeza era tão profunda que sabíamos que não havia lugar mais seguro para estar. E entendemos: fé também é fidelidade (Tiago 2:17). Deus disse para irmos à Bolívia, então ser fiel significava permanecer. Muitos abandonam o campo não por falta de poder, mas por falta de fidelidade à Palavra.

Alguns repetem: “Deus me enviou”. Mas estão mais interessados em conforto do que em obedecer. Querem “comer o melhor da terra” (Isaías 1:19) esquecendo que esse versículo tem condição: obediência. Se você quiser vencer, mantenha os olhos fixos na Palavra. Pedro afundou quando tirou os olhos de Jesus (Mateus 14:30).

Por causa da Palavra que nos alcançou, vendemos tudo. Vendi meu carro. Antes de vendê-lo, tentei ir à Santa Cruz, mas o motor fundiu. Vendemos móveis para consertar. Depois, vendemos o carro para seguir viagem. Chegamos em Santa Cruz e alugamos uma casa. Tínhamos apenas um colchão, um fogão, um botijão e algumas malas. Mas tínhamos a Palavra.

Houve oposição da família. Era esperado: país desconhecido, gravidez, nenhuma estrutura. Mas a Palavra era nossa rocha. Como em Daniel 3:17-18, aprendemos a dizer: “Se Deus nos livrar, amém. Se não, também não negaremos”. Fé autêntica não depende do resultado. É fidelidade à voz que nos alcançou.

Se você diz ter fé, saiba que será provado. Como os que enfrentaram a cova dos leões, a fornalha, ou as arenas romanas (Hebreus 11:36-38). A Palavra que te chamou é soberana. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).

Finalizo com um encorajamento: você que serve ao Senhor onde quer que esteja, saiba que foi Jesus quem te colocou aí. Não despreze o chamado. “Em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus” (Atos 20:24). Que a Palavra que te alcançou seja sua motivação todos os dias.

Peniel N Dourado