Arquivo da tag: oração e missões

Intercessão Espiritual: A Chave para Missões Frutíferas

Você já sentiu que, às vezes, parece que está pregando para as paredes ou que suas orações batem no teto e voltam? Não é impressão sua: existe um ‘bloqueio de sinal’ espiritual tentando te parar. Mas a boa notícia é que a estratégia para vencer esse jogo já foi revelada.

No texto de hoje, vou expor — com base em algumas experiências reais que tivemos na Bolívia e, o mais importante, no que diz as Escrituras sobre o assunto e quero usar o que o profeta Daniel declarou.

Querido missionário, saiba que a oração é o seu maior trunfo para fazer missões e é o maio eficiênte para quebrar as barreiras que impedem o agir de Deus no campo de missões.

Pastor Peniel e Mina

O Poder da Intercessão e a Oposição Espiritual

Satanás se opõe às orações do povo de Deus mais do que a qualquer outra prática espiritual, pois conhece o poder e os resultados que se manifestam quando a Igreja decide clamar de forma unida por uma causa específica.

O apóstolo Paulo deixa claro que nossa luta não é meramente humana, mas espiritual, travada contra forças malignas que atuam nas regiões espirituais (Efésios 6:12). Por isso, a oração perseverante torna-se uma arma essencial na batalha espiritual, fortalecendo a Igreja e abrindo caminhos para a ação de Deus.

No campo missionário, ao entrar em um novo ambiente cultural, o obreiro frequentemente se depara com pessoas que vivem debaixo de opressões espirituais e influências malignas. Praticamente todo o ambiente está viciado pela influência maligna justamente pela falta da presença da Palavra de Deus.

Nessas realidades, o inimigo fará todo o possível para proteger suas fortalezas espirituais e manter vidas presas à cegueira espiritual, conforme Paulo afirma que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos (2 Coríntios 4:4).

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Contudo, o missionário representa uma ameaça real às forças das trevas, pois não atua em sua própria autoridade, mas na autoridade que lhe foi concedida por Deus. Em Cristo, ele foi capacitado para triunfar sobre todo poder inimigo. A autoridade espiritual do missionário está firmada na vitória de Cristo sobre os principados e potestades (Colossenses 2:15).

Assim, o missionário no campo transcultural atua como um verdadeiro embaixador do Reino de Deus, chamado para cumprir fielmente as ordens do Rei. Paulo descreve essa missão ao afirmar: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2 Coríntios 5:20).

Algum tempo atrás eu estava lendo um livro do Irmão André, observei que ele realizava as chamadas “viagens de reconhecimento”. Antes de atuar em uma localidade, ele a visitava para observar a movimentação do povo, as barreiras e as influências espirituais. Somente após retornar à base é que ele passava à etapa seguinte: orar especificamente pelos problemas que havia presenciado.

Estátua da Virgen de Socavon em Oruro – Bolívia

Experiência em Oruro, Bolívia

Eu mesmo apliquei essa estratégia pela primeira vez no ano de 2010 quando fomos visitar a cidade de Oruro, na Bolívia. Nas duas primeiras visitas, notei que o povo não reagia à exposição da Palavra. Ninguém pedia oração quando estávamos nas ruas pregando, não solicitava folhetos ou sequer reclamava do som do nosso megafone. A impressão era de que estávamos invisíveis.

Em três situações diferentes, obreiros de igrejas distintas me repetiram exatamente a mesma frase: “Pastor Peniel, ajude-nos, pois estamos cansados.” Era a mesma expressão, dita com o mesmo tom de voz. Quando ouvi essa frase pela terceira vez, meu coração bateu mais forte, e o Espírito de Deus me sinalizou que algo profundo e sério estava acontecendo no meio da igreja local da cidade de Oruro independente da denominação.

Fernando Sanches pregando na cidade de Oruro – Bolívia (2010)

Diante disso, retornei a Santa Cruz de la Sierra e entrei em contato com diversos líderes de grupos de intercessão na Bolívia, no Brasil e na Argentina. Alguns nomes já estavam em meu coração, e compartilhei com cada um deles a situação espiritual que a cidade de Oruro enfrentava. Nós mesmos nos entregamos à oração por aquela região, conscientes de que desejávamos ver resultados, mas sabendo que a batalha espiritual não seria fácil e que o inimigo não cederia terreno sem resistência.

Eram verdadeiros guerreiros de oração, que passaram a clamar por nossas vidas, pelo avanço do evangelismo e pelos habitantes de Oruro. E o resultado foi marcante: no terceiro trabalho de impacto que realizamos, mal conseguíamos pregar nas praças, pois as pessoas se formavam em filas pedindo oração. Muitos entregaram suas vidas a Cristo, enquanto outros se reconciliaram com o Senhor. Foi, sem dúvida, uma experiência impressionante e profundamente transformadora.

O Exemplo do Profeta Daniel

No livro do profeta Daniel, vemos claramente essa oposição maligna ao agir de Deus. O Espírito Santo deseja operar e transformar vidas, mas haverá resistência espiritual. Daniel ainda era jovem quando foi levado cativo para a Babilônia, em 605 a.C., mas Deus transformou o cativeiro em uma oportunidade para que ele ocupasse uma posição-chave no maior império da época.

Assim, Daniel foi usado por Deus por meio do dom de interpretação de sonhos, dom esse que, mais tarde, se manifestaria também em visões tão detalhadas sobre o futuro que muitos chegaram a questionar a autenticidade de seu livro. Ainda assim, a precisão dessas revelações confirma a ação soberana de Deus ao longo da história.

Grupo de evangelismo em Bolívia. Na foto, sainde de Cochabamba a Oruro (2010)

No primeiro ano do governo de Dario, Daniel compreendeu, pelas Escrituras do profeta Jeremias, uma revelação específica a respeito do tempo determinado para Jerusalém (Jeremias 25:13). Ao discernir as implicações espirituais dessa palavra, ele iniciou sua conhecida oração de intercessão. Daniel começou confessando seus próprios pecados — mesmo sendo reconhecido como um homem fiel entre os judeus — e passou a clamar pelo perdão e pela restauração de todo o povo.

“Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém […] ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto” (Dn 9:16-17).

Sua súplica tornou-se ainda mais intensa: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes…” (v. 19). Aqui aprendendo não apenas que devemos orar, mas como orar por uma determinada região.

Enquanto Daniel permanecia em oração, Deus enviou o anjo Gabriel, que revelou como o reino das trevas se opõe aos santos:

“Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras […] Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me” (Dn 10:12-13).

O anjo Gabriel ainda revelou a Daniel que a batalha espiritual continuaria, agora envolvendo o chamado “príncipe da Grécia”. Ele explica que o “príncipe do reino da Pérsia” não era um governante humano, mas uma força espiritual maligna que atuava por trás daquele império, influenciando seu desenvolvimento, suas decisões e todo o ambiente espiritual da nação (Daniel 10:13; Daniel 10:20).

Essa revelação deixa claro que, por trás dos impérios humanos, existe uma atuação espiritual invisível, mas real. A própria Escritura afirma que nossa luta não é contra pessoas, mas contra principados, potestades e forças espirituais do mal que operam nas regiões celestiais (Efésios 6:12).

Pastor Peniel Dourado fazendo a distribuição da Palavra de Deus escrita em Oruro, Bolívia

Ao olharmos para o cenário político de nossa nação e as demais nações, precisamos compreender que essa realidade espiritual infelizmente não mudou. Os principados continuam atuando, governando e influenciando povos e nações. Maus governos, administrações corruptas, leis perversas e uma sociedade cada vez mais inclinada ao pecado são reflexos dessa influência espiritual maligna. O apóstolo Paulo afirma que o mundo jaz sob influência espiritual contrária a Deus, sendo guiado por poderes que atuam na desobediência (Efésios 2:2).

Além disso, Paulo declara que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos, impedindo que percebam a luz do evangelho (2 Coríntios 4:4). Essa cegueira espiritual contribui para a normalização da injustiça, da perversidade e da rejeição aos princípios de Deus, revelando a ação contínua de principados e demônios sobre sistemas, culturas e governos.

A cegueira espiritual faz com que cristãos fracos e sem discernimento aceitem a perversidade exposta por seus governantes. Muitos acabam votando e até defendendo governos corruptos, sem perceber as consequências espirituais de suas escolhas apenas olhando como uma participação cívica.

É importante lembrar que o voto dado pelo cristão deve ser consciênte e não apenas emocional, pois poderá ser usado por Satanás como uma forma de levar crentes enfraquecidos e desinformados a concederem legalidade à sua atuação maligna na região neutralizando suas orações.

Quando um crente vota e passa a apoiar determinado governo que trazem a bandeira satânica, ele acaba, de alguma forma, participando das decisões, da corrupção e das ações demoníacas associadas ao principado que atua naquela região. Essa participação nem sempre é consciente, mas revela falta de discernimento espiritual e de compreensão do conflito invisível que existe por trás das estruturas humanas.

Essa é uma das razões pelas quais muitas autoridades tentam limitar ao máximo a presença de missionários para não gerar influência. O missionário traz uma visão externa, livre de alianças locais, e carrega consigo a intercessão de homens e mulheres comprometidos com a oração. Sua presença atrai um verdadeiro mover de intercessão do povo de Deus, que enfraquece a atuação dos principados espirituais no local onde o trabalho missionário acontece.

Pastor Peniel Dourado e alguns dos evangelistas na cidade de Oruro, Bolívia

Voltando ao exemplo do profeta Daniel, vemos que anjos caídos resistiram ao mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, porque Satanás não queria que a oração de Daniel fosse respondida. Foi necessário que o arcanjo Miguel viesse em auxílio de Gabriel. Daniel permaneceu em jejum e oração por vinte e um dias — exatamente o tempo da batalha espiritual necessária para que as forças de Deus prevalecessem.

Você percebe que uma verdadeira guerra por território espiritual foi desencadeada por causa da oração de um homem de Deus? Se Daniel tivesse se levantado para fazer política ou tentado mudar aquela realidade usando apenas armas humanas, que resultado teria alcançado? Provavelmente muito pouco.

Em vez disso, ele fez aquilo que todo homem e toda mulher de Deus podem fazer para gerar transformação real: orou, buscou a Deus e confiou na ação divina, que é a única capaz de produzir resultados verdadeiros no ambiente em que estamos inseridos.

Antes de Ir ao Campo, Dobre os Joelhos

Diante de tudo isso, entendemos que o verdadeiro campo de batalha das missões não começa nas ruas, mas no secreto da oração. Antes de estratégias e planos, existe um confronto invisível que só é vencido por homens e mulheres dispostos a dobrar os joelhos diante de Deus.

Daniel nos ensina que uma pessoa comprometida com jejum, oração e humilhação pode mover realidades espirituais e impactar cidades inteiras. A resposta divina pode parecer tardia aos olhos humanos, mas nunca chega atrasada. Desde o primeiro dia, Deus ouve o clamor sincero.

O desafio permanece: temos confiado apenas em métodos ou sustentado o avanço do Reino com intercessão perseverante? Se desejamos territórios transformados, igrejas fortalecidas e vidas restauradas, precisamos começar onde Daniel começou.

Video Sobre Missões

Eu vou colocar logo abaixo um vídeo onde eu conto sobre nossa experiência na cidade de Oruro. Assista e não deixe de compartilhar

Eu espero que você assista o video que eu coloquei logo acima. E também tenho uma playlist com vários outros testemunhos sobre a vida em missões. Se você quiser acessar a playlist CLIQUE AQUI

Deus te abençoe e continue orando por nossas vidas

COMUNICAÇÃO E INTERCESSÃO NA MISSÃO

A comunicação é uma ferramenta essencial para o serviço missionário. É preocupante quando encontramos missionários que não sabem usar ferramentas básicas como e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Isso não significa que sejam menos espirituais, mas mostra a necessidade urgente de se atualizarem. A tecnologia é uma aliada poderosa na expansão do Reino de Deus.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Antigamente, as Secretarias de Missões recebiam cartas com algumas fotos, preparando informativos que eram impressos e enviados a milhares de irmãos. Foram dias valiosos. Eu mesmo fui edificado por esses boletins. Mas hoje, com a internet, podemos alcançar muito mais pessoas com muito menos custo. Basta saber usar os meios disponíveis.

As agências missionárias estão informatizadas. Muitas secretarias apenas fazem download de imagens postadas em redes sociais ou recebem os informativos por e-mail e repassam à igreja. Porém, se o missionário não sabe sequer ligar um computador, tudo isso se torna inútil. A Bíblia nos encoraja a sermos sábios no uso das oportunidades (Efésios 5:15-16). Usar bem os meios modernos é redimir o tempo.

Quando cheguei à Bolívia, trouxe comigo um pequeno grupo de intercessores. Mas o Senhor me desafiou a expandir essa rede. Precisamos de igrejas e irmãos intercedendo, não só por mim, mas por todos os obreiros e pela salvação da nação boliviana. A Palavra nos exorta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Em uma terra onde o paganismo ainda domina, a oração é nossa arma.

Recentemente, irmãos que trabalham conosco em Impactos Evangelísticos pediram oração antes de irem a um povoado sem igreja. Ali, a adoração à “Pachamama” é forte, e muitos acreditam que o derramamento de sangue alimenta a deusa.

Essa crença diabólica sustenta linchamentos, sacrifícios e violência. Durante a pregação, nossos irmãos Elvis e Oswaldo foram ameaçados de morte. A população gritava queimar os jovens. Graças a Deus, as autoridades intervieram e eles foram expulsos, mas saíram com vida. Quantos já não tiveram esse final?

Pastor Peniel e Mina

Durante uma pregação em Punata, no departamento de Cochabamba, um homem com facão veio até mim gritando para que eu parasse de falar. Ameaçou cortar minha cabeça. Fiquei firme, repreendi no nome de Jesus e, sem explicação, ele foi embora. Em momentos como esse, quando não há nenhuma autoridade por perto, o que nos sustenta? A intercessão dos santos (2 Coríntios 1:11).

Se o missionário não comunica essas realidades, como os irmãos saberão como orar? Como sustentarão em oração a obra missionária se não souberem dos desafios enfrentados? O próprio apóstolo Paulo pedia orações e mantinha contato com as igrejas por cartas (Romanos 15:30-31).

Cada missionário que chega à Bolívia traz, mesmo que invisivelmente, um grupo de intercessores. Eles são como colunas espirituais que sustentam o avanço do Evangelho. Eu vejo no rosto dos jovens que caminham pelas ruas, deixando seus sonhos e profissões do outro lado da fronteira, o amor de Deus por esta nação.

Com o tempo, o missionário que era carregado por uma pequena maleta, agora precisa de um caminhão – não de bagagem, mas de contatos! Cada novo intercessor é um guerreiro na batalha espiritual. Quem é sábio sabe ampliar esse exército. Como diz Provérbios 11:14: “Na multidão de conselheiros há segurança”.

Por isso, deixo meu conselho a quem se prepara para o campo: aprenda a usar os meios de comunicação. Use-os com sabedoria. Amplie sua rede de oração. Compartilhe o que Deus está fazendo. Não esconda o milagre. A comunicação não é apenas ferramenta – é parte do chamado missionário.

Peniel N Dourado