É fácil cair na ilusão de que a Grande Comissão está quase cumprida, especialmente quando observamos a realidade de nossas grandes cidades no Brasil. Embora tenhamos igrejas em cada esquina e uma abundância de recursos, a verdade é que existem cidades inteiras, e vastas regiões, onde o Evangelho mal chegou ou não chegou de maneira efetiva.
Olhe para a sua igreja: talvez ela esteja repleta de líderes talentosos, evangelistas fervorosos, ensinadores da Palavra e pastores dedicados. Isso é uma grande bênção! Contudo, precisamos lembrar que, em muitas outras regiões aqui mesmo na América do sul, eu posso falar do Paraguai e da Bolívia, não há obreiros suficientes, e a colheita está se perdendo.
Jesus nos alertou: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mateus 9:37-38). Saber disso não queima o seu coração?
Sim, ao nosso redor pode haver muitos trabalhos locais abençoados, projetos sociais maravilhosos e programas evangelísticos bem-sucedidos. Mas não podemos parar aí. Devemos ampliar nossa visão missionária.
Enquanto desfrutamos da luz, ainda há povos na Terra onde o nome de Jesus jamais foi mencionado. São milhões de pessoas que nunca tiveram a chance de ouvir a mensagem de salvação.
A Bíblia nos questiona diretamente sobre essa urgência: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Romanos 10:14).
Nosso conforto não pode ser a nossa fronteira. Somos chamados a sair. Que a visão da Missão Inacabada nos mobilize para que o nome de Cristo seja conhecido por todos os povos, cumprindo a profecia de que Ele será a luz dos gentios: “Eu o farei luz para os gentios, para que você leve a minha salvação até aos confins da terra” (Isaías 49:6). O Senhor conta conosco!
E a Palavra de Deus é cristalina: a missão continua e é urgente. O próprio Jesus fez uma declaração que define o cronograma escatológico da Igreja:
“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. E então virá o fim.” (Mateus 24:14)
Isso significa que a volta gloriosa de Cristo está diretamente ligada à pregação eficaz do Evangelho entre todos os povos, tribos e línguas. Não podemos ficar parados.

O cumprimento da profecia depende da nossa ação! Que essa urgência nos mova a cumprir nossa parte na história da redenção.
Deus ama todas as culturas
A diversidade humana que vemos no mundo — as diferentes raças, culturas e línguas — não é um acidente do acaso. Pelo contrário, ela é uma parte essencial e gloriosa do plano divino para alcançar o homem perdido.
As Escrituras afirmam claramente a origem dessa unidade na diversidade: “De um só fez toda a raça dos homens para habitar sobre toda a face da terra” (Atos 17:26). Deus é o Criador de cada grupo étnico e Se alegra em cada expressão cultural.
A missão não visa apagar essas diferenças, mas redimi-las. Nossa visão final, prometida em Apocalipse, é poderosa: no céu, veremos “povos, tribos, línguas e nações” adorando juntos (Apocalipse 5:9). Deus não deseja uma uniformidade cultural; Ele anseia por uma adoração multicolorida, multilinguística e multicultural.
Nosso trabalho missionário é, portanto, buscar a glória de Cristo em cada sotaque e em cada tradição, para que a Igreja se torne a imagem completa dessa riqueza celestial. É uma festa de diversidade que honra o Criador!
Unidade espiritual — missão transcultural
A verdadeira força da Igreja reside em sua unidade, mas é crucial entender onde essa união não é fundamentada em uma só cultura. Nossa igreja não é unida por hábitos, roupas ou estilo musical; esses são apenas traços culturais. A nossa unidade é forjada no essencial: no Espírito Santo, como afirma a Palavra: “Há um só corpo e um só Espírito” (Efésios 4:4).
Essa unidade espiritual, porém, não nos permite ficar parados. Pelo contrário, ela nos impele a cruzar barreiras e ir em direção ao mundo. O modelo para essa travessia é o próprio Cristo.
Ele cruzou a maior barreira que existia: a distância entre o Criador e a criatura. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Jesus esvaziou-Se, adotou nossa fragilidade e falou nossa língua. Se Jesus, sendo Deus, se fez homem para nos alcançar, nós, a Sua Igreja, devemos seguir Seu exemplo, atravessando as fronteiras culturais, sociais e geográficas para levar a Sua mensagem. somos chamados a sair de nossas zonas de conforto para alcançar outros.
Missão é por povos — não só por países
Jesus foi específico em Seu mandato missionário. Ele não disse apenas “países”, mas sim “fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19), e a palavra original utilizada foi ethne: grupos étnicos e culturais. Isso muda tudo em nosso planejamento!
Precisamos entender que a Missão Inacabada não está apenas em lugares distantes; existem povos e grupos étnicos não alcançados até mesmo dentro de países de maioria cristã, inclusive no Brasil.
Nossa tarefa não se limita a cidades ou fronteiras políticas, mas à etnia, para que o Reino de Deus seja manifestado em “toda tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse 5:9). O ethne é o alvo de Deus.
A distância cultural importa
Não se engane: quanto maior a diferença cultural entre o missionário e o povo que ele deseja alcançar, maior e mais complexo é o desafio. Ir para outro país, com um idioma e uma visão de mundo totalmente distintos, exige mais do que paixão; exige uma renúncia profunda.
É por isso que o Apóstolo Paulo nos deu o modelo definitivo de adaptação missionária, declarando: “Fiz-me tudo para com todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9:22). Missões de verdade exigem humildade para ouvir, disposição para aprender, serviço genuíno e um amor incondicional.
A urgência é imensa. A Palavra de Deus questiona nossa inação: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14). Deus continua, sim, levantando homens e mulheres para serem missionários transculturais — pessoas dispostas a abandonar o conforto e a cruzar essas distâncias em obediência. A questão é: estamos dispostos a enviá-los e sustentá-los, para que a mensagem chegue? também apoiadores, mantenedores, enviadores e intercessores.
Conclusão
A missão não terminou. Há povos sem Bíblia, sem igreja e sem esperança. Nós somos parte da resposta de Deus.
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
(João 20:21)
Que nossa resposta seja: Eis-me aqui, envia-me.


