Tive uma experiência muito especial alguns anos atrás e quero compartilhar com você. Deus me levou a um tempo intenso de oração. Depois daquela direção do Senhor, meu mundo passou a ser a oração.
Naquela época, eu tinha as manhãs livres. Então, saía de casa bem cedo e ia para a igreja, onde sabia que ninguém me interromperia. Lembro que não sentia vontade de comer, nem de estar com outras pessoas. Tudo o que eu queria era orar, ler a Bíblia e meditar na presença de Deus.
Durante esse período, o Senhor me deu revelações preciosas, respostas de oração que até hoje impactam minha vida. Foi um tempo de comunhão tão profunda que me levou a tomar decisões sérias, com base na direção de Deus.
Sou grato ao Senhor por esses momentos. Eles foram fundamentais para meu crescimento. Mas também compreendo que, como ministros de Cristo — e aqui não falo de um cargo eclesiástico, como pastor ou evangelista, mas no sentido real de “servo de Cristo” —, não podemos viver sempre trancados, desfrutando apenas da presença do Senhor. Fomos chamados para servir.
Acredito, porém, que esses tempos de separação com Deus nos capacitam para o serviço. É na intimidade com o Senhor que somos fortalecidos para enfrentar os desafios do ministério e da vida.
Deus operou algo marcante em meu coração: passei a ver o mundo material sob a perspectiva espiritual. Um dia, ao andar pelas ruas, observei os rostos das pessoas e não as via mais como ricas ou pobres, belas ou comuns — mas como salvas ou perdidas. Aquela percepção me trouxe grande angústia.
Via multidões ocupadas com as coisas terrenas, enquanto uma voz interior gritava: “Falta pouco tempo. Será que já ouviram falar de Cristo?” (João 4:35). A cena me lembrava os guetos dos tempos de guerra, com pessoas tentando viver normalmente, sem saber que estavam às portas da morte eterna.
Enquanto eu observava pais levando seus filhos pelas mãos, meu coração se apertava. Pensava: “Estão ensinando a viver no pecado. Logo, esses pequenos terão seus corações corrompidos.” Jesus falou sobre essa realidade espiritual ao dizer: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito, e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós” (Mateus 23:15).
A Realidade Espiritual Que Ignoramos
A Igreja de Cristo tem perdido sua sintonia com o céu. Cada vez mais parecida com o mundo, ela esquece que somos seres espirituais habitando um corpo passageiro (2 Coríntios 4:18). O mundo material vai passar (1 João 2:17), mas o espiritual é eterno.
Muitos de nós nos esquecemos de que nosso vizinho educado, ou aquela boa mãe de família, pode estar caminhando para o inferno, se não conhecem a Cristo (João 3:18–19).
Um jovem convertido compartilhou comigo um sonho que revela essa realidade: em meio a um evangelismo, ele viu as pessoas ardendo em chamas, gritando, pedindo socorro — e tudo parecia tão real quanto uma feira de domingo. O que ele viu no sonho era o reflexo do que muitos não querem mais pregar: o inferno é real (Lucas 16:28).
Um Sonho Profético: “Isso Não É Brincadeira!”
Tive também um sonho impactante. Estava num cemitério, vendo corpos fora das covas, jogados, empilhados. Um deles se levantou e me disse com raiva: “Você pensa que isso é uma brincadeira? Isso não é uma brincadeira!”. Fugi dali e ouvi uma voz: “Peniel, não brinque, isso é sério!”
Dias depois, em um evangelismo na feira, enquanto distribuía folhetos, ouvi novamente a mesma voz. Diante de mim estavam pessoas vivas, mas espiritualmente mortas, caminhando para o inferno. “Filho do homem, poderão estes ossos reviver?” (Ezequiel 37:3).
Evangelizar não é opção — é missão! “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). O Evangelho é o único antídoto para a morte eterna.
Evangelismo: Por Que Você Faz?
Muitos evangelizam por motivos errados: atrair pessoas para suas igrejas, aliviar a consciência, criar movimentos… Mas a razão principal deve ser porque “o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16).
Ouvi um “missionário” zombar de quem evangeliza em outras cidades. Mas lembro do ladrão na cruz. Talvez, segundo esse missionário, alguém teria “perdido tempo” pregando a ele. Mas Jesus disse: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). Ele creu e foi salvo, sem ter sido batizado, sem frequentar uma igreja, sem status — apenas pela fé (Efésios 2:8-9).
A Urgência É Real
Milhares entram no inferno todos os dias — sem retorno (Mateus 7:13-14). “O inferno […] é o lugar onde o verme não morre e o fogo nunca se apaga” (Marcos 9:44, 46, 48). “Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13:50). “E serão atormentados dia e noite, para todo o sempre” (Apocalipse 20:10).
Deus tem pressa. A eternidade está em jogo. O Espírito Santo clama: “Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo” (2 Timóteo 4:2). Você não precisa de métodos complexos. Precisa de fé no poder do Evangelho.
Conclusão
Não ignore a realidade do céu e do inferno. O Evangelho é a única ponte entre a perdição e a salvação. Deus te chama hoje a despertar, a viver com urgência e a pregar com paixão. Como Paulo declarou:
“Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21).
Será que você pode dizer o mesmo?
Pastor Peniel Nogueira Dourado
