Ninguém gosta de ter problemas na vida e para termos estes problemas nós lutamos, trabalhamos para evitar as situações de adversidade. O envolvimento no evangelismo e no serviço de missões transculturais é andar por um caminho de espinhos cheio de problemas, adversidades, necessidades e perseguições. Não é que um evangelista ou um missionário no campo transcultural deve ser um sofredor, porque senão não é um verdadeiro missionário, mas com certeza vai sofrer alguns problemas, ou muitos problemas pelo simples fato do trabalho que é feito. A Palavra de Deus diz: “Aquele que transporta pedras, será maltratado por elas, e o que racha lenha expõe-se ao perigo.” (Eclesiastes 10:9)
Na minha concepção um missionário que desenvolve um projeto no campo transcultural deveria ser bem recebido em qualquer lugar, deveria ter o reconhecimento da liderança, apoio dos seus parentes, obter as documentações do país onde está desenvolvendo o trabalho de missões de forma mais facilitada, deveria ser bem acatado por todos e não atacado. Mas, muitas vezes, tudo acontece ao contrário. Deus fala ao teu coração para fazer algo em algum lugar deste grande a vasto mundo perdido e você não é compreendido e não tem reconhecimento de seus parentes, amigos e irmãos da igreja e, de forma geral, os países de destino dificulta muito a entrada de missionário, o desenvolvimento legal das atividades internas e em tudo você não é bem acatado, mas muito bem atacado por tudo e por todos.
“Deus, eu estou aqui para cumprir tua vontade, o que está havendo?” – clama o coração do enviado. Em Mateus 5:11 o Senhor Jesus explica: “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” Alguma vez você sofreu perseguição, foi insultado ou caluniado por fazer o que Deus tem te mandado fazer? Então, bem-vindo ao time!

Meus pais quando iniciavam o trabalho no Paraguai
No mês de janeiro de 1995 nós chegamos na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, cidade de Ponta Porã, Mato Grosso do Sul e Pedro Juan Caballero, Paraguai. Lembro de dormir no chão na casa de um amigo do meu pai e como a casa era bem pequena meu colchão ficava praticamente debaixo da pia da cozinha. Nós literalmente não tínhamos nada, apenas algumas roupas que levamos dentro de umas bolsas que pareciam umas salsichas que meu pai havia feito. Na época dessa aventura eu havia completado 15 anos de idade e não podia fazer muita coisa, apenas viver o momento que Deus nos dava.
Todos os gastos normais de uma casa deveriam ser cumpridos quanto a pagamento de aluguel, escola e material escolar, café almoço e janta, transporte e outros, mas a associação missionária que nos enviou no primeiro mês simplesmente não mandou o recurso prometido. O que aconteceu para falhassem daquela forma eu não sei dizer, mas lembro muito bem que não tínhamos dinheiro para quase nada. E segundo mês a dose de irresponsabilidade se repetiu e novamente não recebemos nada da associação missionária que trabalhava apenas para levantar recursos e enviar o combinado ao missionário no campo. Tudo que eles faziam na vida era visitar igrejas, líderes das igrejas para arrecadar dinheiro para enviar aos missionários e nós como missionários no campo já estávamos no segundo mês sem nada.
Quando chegou o terceiro mês meu pai ligou para a secretaria buscando uma explicação e mostrar situação que vivíamos de necessidade. Antes de vir ao Paraguai meu pai esteve um mês no Rio de Janeiro saindo com os membros da associação e vendo como levantavam as ofertas para nos ajudar na viagem do Ceará ao Paraguai e o período de chegada. Aquelas ofertas nós nunca recebemos. Mas, ao entrar em contato com a liderança meu pai recebeu uma dura resposta como se o errado na história fosse meu pai. Três meses no campo de missões sem receber nada e nós éramos o errado na história por pedir os recursos prometido. E depois deste primeiro contato eles enviaram apenas a metade do valor combinada de um mês. Ou seja, três meses de atraso e quando enviam chega apenas a metade do valor de um mês.
Esta foi a “festinha” de bem-vindo ao campo missionário que prepararam para nós no campo missionário. Não deveria ser diferente para quem levava toda a família ao campo missionário? Não deveria ser diferente para quem havia deixado tudo para trás e entregar-se a terras estrangeiras para levar o evangelho? Não deveria ser diferente? Se o problema não vem de um lado virá de outro, mas fique certo que os problemas virão.
Eu, um adolescente de 15 anos, estava vendo Mateus 5:11 se cumprindo na vida dos meus pais. Infelizmente os líderes daquela associação não amavam o Senhor Jesus, não amavam missões, não amavam as almas e a Palavra fala de tais pessoas como “cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas.” (Filipenses 3:19). Sofremos nas mãos daquelas pessoas? Com certeza que sim, mas não era para haver aquele sofrimento se tivéssemos líderes naquela associação trabalhando realmente por missões. Pouco tempo depois aquela associação missionária foi desfeita
No ano de 2006 eu e Mina vendíamos tudo o que tínhamos para obedecer a voz do Senhor e fazer missões na Bolívia. No mês de julho de 2006 nós chegamos à cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul, fronteira com Bolívia. Minha esposa estava grávida de dois meses e na ocasião nós só tínhamos algumas mochilas com roupas e a Voz do Senhor nos dando a orientação para ir à Bolívia desenvolver um trabalho que, sinceramente, ainda não estava claro para nós. O que tínhamos dentro das mochilas não tinha muito valor, mas a Voz do Senhor era nosso tesouro, era nossa riqueza. Agora nós éramos os missionários, o pai de família era eu, a esposa do missionário agora era Mina e nós deveríamos beber o cálice de Mateus 5:11. Volto a dizer que nem todo missionário deve beber desse cálice e o que eu puder fazer para que um missionário não beba dele eu vou fazer, mas chega o determinado momento que é quase inevitável.
Terminei de ler recentemente a história do Irmão Yun, o livro intitulado O Homem do Céu. É a história de um pastor chinês que passou por muitas perseguições e sofrimentos. Na realidade é a segunda vez que leio o livro e foi impactado por duas vezes. Na China ser um cristão é sofrer perseguições e passar por muitos sofrimentos, mas ser um líder cristão é sofrer muitas perseguições e passar por muitos sofrimentos. Li sobre outro irmão que havia fugido da China e foi para os Estados Unidos e na América alguém lhe perguntou o ele sentia por ser perseguido por crer em Jesus Cristo. Ele respondeu: “Bem, eu achava que aquela era a vida normal de um cristão”.
Nossa cultura ocidental cristã moldada e adaptada pela liberdade nos leva a pensar que alguma coisa está errada quando sabemos que alguém está sendo perseguido e sofrendo por causa de Cristo. Prontamente pensamos no fanatismo religioso e que este vem a ser o ponto chave das outras pessoas perseguirem e o maltratar. Mas nem sempre é assim. A Bíblia não fala da isenção das aflições neste mundo, mas Jesus deixa claro: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo “. (Jo16:13) Jesus falou diretamente aos seus discípulos sobre as adversidades que padeceriam e não houve rodeios, pois, o Mestre não ocultou dos discípulos e continua não ocultando. Jesus nos deixou claro que ouvir sua voz e fazer sua vontade nos levaria ao caminho da abnegação, do levar a cruz, porque apagar as palavras abnegação e cruz do vocabulário cristão é perder o sentido de ser um verdadeiro cristão. Jesus disse: “E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:27)
Mas, qual o segredo de suportar toda essa adversidade em missões ou em qualquer outro lugar onde o Senhor te colocar? Em nossos dias existem pessoas dentro igreja que não acredita que alguém possa sofrer tanto por amor a Cristo. Em uma ocasião eu visitava um pastor e ele começou me perguntar sobre como estava o trabalho missionário na Bolívia. Depois deixou claro que estava contrariado com muitos missionários que falam de sofrimento e lutas. Começou a contar que escutou um missionário falar de suas experiências de missões no Peru e que atendia o campo sobre um cavalo.
Aquele pastor continuou: “Ele disse que em certa ocasião passou tanta luta que teve que comer o cavalo com a família.” E vi aquele pastor contrariado com as histórias de missões, sofrimento, lutas que ouviu do missionário. Aquele pastor era mais um dos que não acreditavam do alto preço que muita gente paga por fazer missões. E não falo de algo preço por fazer missões no Peru, mas em todo lugar. Você pode fazer missões na Europa e poderá pagar um alto preço. Missionários americanos têm pago um alto preço fazendo missões no Brasil e assim vai por diante. O fato de você estar fora do seu ambiente de cultura para levar o evangelho você poderá sofrer bastante por esta decisão.
Eu não disse nada ao pastor, mas conheço pessoalmente o missionário que passou as dificuldades, ouvi muitas outras histórias de missões dele e sei que é verdade. A realidade é que aquele missionário com sua família sofreu muito mais por causa de Cristo, por se lançar ao serviço no campo de missões e para muita gente que não sai do seu perímetro da vida de conforte nem mesmo sabe que tais situações existem.
Eu fico agora com a pergunta: Qual o segredo a suportar? Como alguém pode estar no campo missionário transcultural, longe da família, longe dos amigos, longe da igreja, passar tantas dificuldades, enfrentar tantas adversidades e suportar? E não falamos apenas dos que estão no campo missionário, mas de qualquer cristão verdadeiro, pois esta palavra é para todo aquele que é cristão, todo aquele que deseja viver uma vida piedosa, pois “todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12). A realidade é que todos nós sofremos por seguir a Cristo, mas dou minha ênfase a quem vai ao campo de missões transcultural, pois as situações de adversidade se agravam. Qual o segredo para suportar e vencer?
Seja quem estar no campo de missões ou não sabemos que o verdadeiro cristão tem seus verdadeiros valores postos na eternidade. Quantos chegam a perder a boa convivência com a família e amigos porque entregaram sua vida a Cristo Jesus. Quando as pressões das adversidades oprimem o crente olha para a eternidade. Quando as lutas da vida apertam o servo do Senhor entra no nível do amor de Deus.
A falência é real, a falta de dinheiro, a perda do emprego é real, mas Jesus disse: Eu sou… a verdade (João 14:6). A perseguição da família, a perseguição dos governos humanos, a perseguição imposta pelos homens é real, mas Jesus é a verdade. A fome é real, a falta de água é real, não ter um lugar para morar é real, mas Jesus é a verdade. O crente verdadeiro tem seus olhos em Jesus Cristo, pois Cristo é a verdade e a verdade te leva à eternidade. Em Romanos 8:35-39 está escrito “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Aqui temos uma palavra forte e o segredo de suportar as adversidades.
Aquele que tira os olhos da eternidade, tira os olhos de Cristo, do amor de Cristo afunda. Pedro andou sobre as águas porque recebeu uma palavra do Mestre específica. Os demais discípulos não receberam a mesma Palavra e por esta razão ficaram dentro do barco, mas Pedro escutou a voz do Senhor, dizendo: “Vem” (Mateus 14:29) Mas quando Pedro tirou os olhos do Mestre para ver o vento, a tempestade ele afundou. Em Mateus 14:30 diz: “Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Você prestou a atenção que o Pedro pisou sobre as águas e começou a andar sobre as águas mesmo com a presença da tempestade? Ele não pediu para parar a tempestade para começar a andar, mas andou sobre as águas mesmo na tempestade. Deus te deu uma Palavra? Você tem uma orientação específica do Senhor Jesus? Você tem uma Palavra específica de Deus para sua vida? Então você vai andar sobre as águas mesmo com ondas fortes e ventos impetuosos. Fique certo que no tempo de Deus a tempestade vai passar, pois tudo está no controle dEle, mas se você tirar os olhos da Palavra que o Mestre te deu você vai afundar, assim como Pedro afundou.
Deus mandou você ir ao campo e disse que seria o teu provedor? Então creia na Palavra de Deus. A Palavra de Deus é Jesus Cristo. Jesus Cristo é a Palavra de Deus. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1) Quando Deus fala com você é o próprio Cristo em sua vida e crê agindo segundo a Palavra de Jesus Cristo é viver uma vida de vitória nEle mesmo com a presença das tempestades.
Estou trazendo aqui neste exato momento um grande segredo de suportar as adversidades e minha oração é que o Espírito de Deus traga luz ao teu espírito. Quando olhamos para Cristo nós vemos além das nossas forças, capacidade, da nossa vida presente, passageira, material. Cristo Jesus nos leva à vida nEle e não em nossas forças. Uma pessoa não pode ver tamanha riqueza se não nascer de novo. Não há como viver este nível de vida sem nascer de novo. O que nasce da água e do Espírito pode entrar e participar dessa classe de vida vitoriosa que Jesus dá. O texto de Romanos 5:3 diz: “Nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação PRODUZ…”. A tribulação para o homem natural é parar no tempo, a regredir muitas vezes, mas o apóstolo Paulo ensina que a tribulação “produz”. Mesmo na tribulação você anda sobre as águas e ainda tira proveito da situação.
O cristão verdadeiro tem os olhos em Jesus Cristo e pode crescer nas tribulações. A tribulação produz perseverança (gr.: upomone). É a capacidade de suportar em baixo. A tribulação aperta, mas se o crente fica adquire a capacidade de suportar – perseverar. Uma vez que o cristão persevera ele chega a experiência. Ter experiência não quer dizer ter muitas histórias para contar, passaporte com muitos selos e histórias de viagens missionárias a curto prazo. Outra tradução que nos dá uma melhor compreensão nos diz: “a perseverança produz um caráter aprovado;” (Romanos 5:4). Não é porque o seu passaporte está cheio de selos da aduana de vários países que você é um missionário experiente. O missionário experiente é aquele que cresceu com as tribulações que o campo apresenta alcançando a paciência, ou seja, permanecendo mesmo diante da circunstancia contrária; e mediante a sua permanência adquire caráter aprovado. E quem tem caráter aprovado tem a verdadeira esperança no coração movida pelo Espírito de Deus e não por frases infrutíferas baseadas no positivismo.
Jesus Cristo ensinou que não devemos perder nossa confiança por causa das adversidades, das perseguições, das tribulações. Pelo contrário, devemos contar como um favor e uma benção. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” (Mateus 5:11-12)
As declarações do apóstolo Paulo contrariam a linha de pensamento atual. Ele diz: “Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte. (2 Coríntios 12:10) O qual o segredo que Paulo tinha? O que lhe dava tanta força? As dificuldades que Paulo passou em seu ministério foram reais, mas ele tinha os olhos em Jesus Cristo. “Estou crucificado com Cristo; logo já não sou eu, o que vivo, mas é Cristo que vive em mim. “Aquela vida que agora vivo na carne, vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gálatas 2:20)
Aqueles que não afastam sua vista dos céus são motivados pelo Espírito de Deus a seguir adiante. Quando a glória celestial é mais real para nós, quando vivemos menos para nossa vida material e mais para a realidade eterna, quando temos nossos olhos fitos na Palavra que nos foi dada, uma vida com os olhos em Cristo, ficamos menos perturbados diante das tribulações da vida presente e este é um grande segredo para vencer mesmo as grandes adversidades.
Pastor Peniel Nogueira Dourado
Escrito em: Santa Cruz de la Sierra, 08 de dezembro de 2012
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Pastor Peniel N. Dourado


























