O relato da viagem a Corumbá vai além de um simples deslocamento geográfico; ele revela a importância estratégica das cidades de fronteira para o avanço da obra missionária. Corumbá, situada na divisa com a Bolívia, aparece como um ponto-chave tanto para questões documentais quanto para a logística do trabalho evangelístico transcultural.
Ao longo do vídeo, fica evidente como a cidade serviu, durante muitos anos, como base de apoio para missões na Bolívia. Foi ali que materiais evangelísticos vindos do exterior — inclusive em grandes quantidades e toneladas — puderam ser recebidos com menor custo, armazenados temporariamente e, depois, levados ao campo missionário. Essa prática demonstra como soluções criativas e estratégicas são fundamentais para sustentar a obra quando os recursos são limitados.
Outro ponto central é o papel das relações pessoais no avanço missionário. Contatos locais, como irmãos que ofereciam galpões, casas ou apoio logístico, foram essenciais para viabilizar a distribuição de literatura e materiais bíblicos. A perda desses contatos, seja por falecimento ou mudanças de contexto, mostra a necessidade constante de levantar novas parcerias e confiar na provisão de Deus para a continuidade da missão.
Neste vídeo eu também resgato a memória espiritual de Corumbá como um centro relevante de ensino bíblico e mobilização missionária. No passado, a cidade sediava grandes eventos de Escola Bíblica, atraindo ensinadores reconhecidos nacionalmente e formando obreiros preparados. Esse legado revela como cidades de fronteira podem se tornar polos de treinamento, envio e sustentação missionária.
A narrativa destaca ainda os desafios burocráticos enfrentados pelos missionários, especialmente no passado, quando documentação, vistos e legalizações exigiam longas viagens e dependência direta do apoio das igrejas. Mesmo hoje, a burocracia continua sendo um obstáculo real, exigindo planejamento, paciência e estrutura de apoio.
Por fim, a forte presença de bolivianos em Corumbá reforça o caráter intercultural da região. A convivência cotidiana entre povos diferentes evidencia oportunidades constantes para o testemunho cristão, o acolhimento e o alcance de vidas antes mesmo da travessia da fronteira. Assim, no video eu reafirmo que missões não começam apenas no campo distante, mas nas cidades estratégicas que servem como portas de entrada para as nações.
Você já sentiu que, às vezes, parece que está pregando para as paredes ou que suas orações batem no teto e voltam? Não é impressão sua: existe um ‘bloqueio de sinal’ espiritual tentando te parar. Mas a boa notícia é que a estratégia para vencer esse jogo já foi revelada.
No texto de hoje, vou expor — com base em algumas experiências reais que tivemos na Bolívia e, o mais importante, no que diz as Escrituras sobre o assunto e quero usar o que o profeta Daniel declarou.
Querido missionário, saiba que a oração é o seu maior trunfo para fazer missões e é o maio eficiênte para quebrar as barreiras que impedem o agir de Deus no campo de missões.
Pastor Peniel e Mina
O Poder da Intercessão e a Oposição Espiritual
Satanás se opõe às orações do povo de Deus mais do que a qualquer outra prática espiritual, pois conhece o poder e os resultados que se manifestam quando a Igreja decide clamar de forma unida por uma causa específica.
O apóstolo Paulo deixa claro que nossa luta não é meramente humana, mas espiritual, travada contra forças malignas que atuam nas regiões espirituais (Efésios 6:12). Por isso, a oração perseverante torna-se uma arma essencial na batalha espiritual, fortalecendo a Igreja e abrindo caminhos para a ação de Deus.
No campo missionário, ao entrar em um novo ambiente cultural, o obreiro frequentemente se depara com pessoas que vivem debaixo de opressões espirituais e influências malignas. Praticamente todo o ambiente está viciado pela influência maligna justamente pela falta da presença da Palavra de Deus.
Nessas realidades, o inimigo fará todo o possível para proteger suas fortalezas espirituais e manter vidas presas à cegueira espiritual, conforme Paulo afirma que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos (2 Coríntios 4:4).
Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)
Contudo, o missionário representa uma ameaça real às forças das trevas, pois não atua em sua própria autoridade, mas na autoridade que lhe foi concedida por Deus. Em Cristo, ele foi capacitado para triunfar sobre todo poder inimigo. A autoridade espiritual do missionário está firmada na vitória de Cristo sobre os principados e potestades (Colossenses 2:15).
Assim, o missionário no campo transcultural atua como um verdadeiro embaixador do Reino de Deus, chamado para cumprir fielmente as ordens do Rei. Paulo descreve essa missão ao afirmar: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (2 Coríntios 5:20).
Algum tempo atrás eu estava lendo um livro do Irmão André, observei que ele realizava as chamadas “viagens de reconhecimento”. Antes de atuar em uma localidade, ele a visitava para observar a movimentação do povo, as barreiras e as influências espirituais. Somente após retornar à base é que ele passava à etapa seguinte: orar especificamente pelos problemas que havia presenciado.
Estátua da Virgen de Socavon em Oruro – Bolívia
Experiência em Oruro, Bolívia
Eu mesmo apliquei essa estratégia pela primeira vez no ano de 2010 quando fomos visitar a cidade de Oruro, na Bolívia. Nas duas primeiras visitas, notei que o povo não reagia à exposição da Palavra. Ninguém pedia oração quando estávamos nas ruas pregando, não solicitava folhetos ou sequer reclamava do som do nosso megafone. A impressão era de que estávamos invisíveis.
Em três situações diferentes, obreiros de igrejas distintas me repetiram exatamente a mesma frase: “Pastor Peniel, ajude-nos, pois estamos cansados.” Era a mesma expressão, dita com o mesmo tom de voz. Quando ouvi essa frase pela terceira vez, meu coração bateu mais forte, e o Espírito de Deus me sinalizou que algo profundo e sério estava acontecendo no meio da igreja local da cidade de Oruro independente da denominação.
Fernando Sanches pregando na cidade de Oruro – Bolívia (2010)
Diante disso, retornei a Santa Cruz de la Sierra e entrei em contato com diversos líderes de grupos de intercessão na Bolívia, no Brasil e na Argentina. Alguns nomes já estavam em meu coração, e compartilhei com cada um deles a situação espiritual que a cidade de Oruro enfrentava. Nós mesmos nos entregamos à oração por aquela região, conscientes de que desejávamos ver resultados, mas sabendo que a batalha espiritual não seria fácil e que o inimigo não cederia terreno sem resistência.
Eram verdadeiros guerreiros de oração, que passaram a clamar por nossas vidas, pelo avanço do evangelismo e pelos habitantes de Oruro. E o resultado foi marcante: no terceiro trabalho de impacto que realizamos, mal conseguíamos pregar nas praças, pois as pessoas se formavam em filas pedindo oração. Muitos entregaram suas vidas a Cristo, enquanto outros se reconciliaram com o Senhor. Foi, sem dúvida, uma experiência impressionante e profundamente transformadora.
O Exemplo do Profeta Daniel
No livro do profeta Daniel, vemos claramente essa oposição maligna ao agir de Deus. O Espírito Santo deseja operar e transformar vidas, mas haverá resistência espiritual. Daniel ainda era jovem quando foi levado cativo para a Babilônia, em 605 a.C., mas Deus transformou o cativeiro em uma oportunidade para que ele ocupasse uma posição-chave no maior império da época.
Assim, Daniel foi usado por Deus por meio do dom de interpretação de sonhos, dom esse que, mais tarde, se manifestaria também em visões tão detalhadas sobre o futuro que muitos chegaram a questionar a autenticidade de seu livro. Ainda assim, a precisão dessas revelações confirma a ação soberana de Deus ao longo da história.
Grupo de evangelismo em Bolívia. Na foto, sainde de Cochabamba a Oruro (2010)
No primeiro ano do governo de Dario, Daniel compreendeu, pelas Escrituras do profeta Jeremias, uma revelação específica a respeito do tempo determinado para Jerusalém (Jeremias 25:13). Ao discernir as implicações espirituais dessa palavra, ele iniciou sua conhecida oração de intercessão. Daniel começou confessando seus próprios pecados — mesmo sendo reconhecido como um homem fiel entre os judeus — e passou a clamar pelo perdão e pela restauração de todo o povo.
“Ó Senhor, segundo todas as tuas justiças, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém […] ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto” (Dn 9:16-17).
Sua súplica tornou-se ainda mais intensa: “Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes…” (v. 19). Aqui aprendendo não apenas que devemos orar, mas como orar por uma determinada região.
Enquanto Daniel permanecia em oração, Deus enviou o anjo Gabriel, que revelou como o reino das trevas se opõe aos santos:
“Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras […] Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me” (Dn 10:12-13).
O anjo Gabriel ainda revelou a Daniel que a batalha espiritual continuaria, agora envolvendo o chamado “príncipe da Grécia”. Ele explica que o “príncipe do reino da Pérsia” não era um governante humano, mas uma força espiritual maligna que atuava por trás daquele império, influenciando seu desenvolvimento, suas decisões e todo o ambiente espiritual da nação (Daniel 10:13; Daniel 10:20).
Essa revelação deixa claro que, por trás dos impérios humanos, existe uma atuação espiritual invisível, mas real. A própria Escritura afirma que nossa luta não é contra pessoas, mas contra principados, potestades e forças espirituais do mal que operam nas regiões celestiais (Efésios 6:12).
Pastor Peniel Dourado fazendo a distribuição da Palavra de Deus escrita em Oruro, Bolívia
Ao olharmos para o cenário político de nossa nação e as demais nações, precisamos compreender que essa realidade espiritual infelizmente não mudou. Os principados continuam atuando, governando e influenciando povos e nações. Maus governos, administrações corruptas, leis perversas e uma sociedade cada vez mais inclinada ao pecado são reflexos dessa influência espiritual maligna. O apóstolo Paulo afirma que o mundo jaz sob influência espiritual contrária a Deus, sendo guiado por poderes que atuam na desobediência (Efésios 2:2).
Além disso, Paulo declara que o “deus deste século” tem cegado o entendimento dos incrédulos, impedindo que percebam a luz do evangelho (2 Coríntios 4:4). Essa cegueira espiritual contribui para a normalização da injustiça, da perversidade e da rejeição aos princípios de Deus, revelando a ação contínua de principados e demônios sobre sistemas, culturas e governos.
A cegueira espiritual faz com que cristãos fracos e sem discernimento aceitem a perversidade exposta por seus governantes. Muitos acabam votando e até defendendo governos corruptos, sem perceber as consequências espirituais de suas escolhas apenas olhando como uma participação cívica.
É importante lembrar que o voto dado pelo cristão deve ser consciênte e não apenas emocional, pois poderá ser usado por Satanás como uma forma de levar crentes enfraquecidos e desinformados a concederem legalidade à sua atuação maligna na região neutralizando suas orações.
Quando um crente vota e passa a apoiar determinado governo que trazem a bandeira satânica, ele acaba, de alguma forma, participando das decisões, da corrupção e das ações demoníacas associadas ao principado que atua naquela região. Essa participação nem sempre é consciente, mas revela falta de discernimento espiritual e de compreensão do conflito invisível que existe por trás das estruturas humanas.
Essa é uma das razões pelas quais muitas autoridades tentam limitar ao máximo a presença de missionários para não gerar influência. O missionário traz uma visão externa, livre de alianças locais, e carrega consigo a intercessão de homens e mulheres comprometidos com a oração. Sua presença atrai um verdadeiro mover de intercessão do povo de Deus, que enfraquece a atuação dos principados espirituais no local onde o trabalho missionário acontece.
Pastor Peniel Dourado e alguns dos evangelistas na cidade de Oruro, Bolívia
Voltando ao exemplo do profeta Daniel, vemos que anjos caídos resistiram ao mensageiro de Deus, o anjo Gabriel, porque Satanás não queria que a oração de Daniel fosse respondida. Foi necessário que o arcanjo Miguel viesse em auxílio de Gabriel. Daniel permaneceu em jejum e oração por vinte e um dias — exatamente o tempo da batalha espiritual necessária para que as forças de Deus prevalecessem.
Você percebe que uma verdadeira guerra por território espiritual foi desencadeada por causa da oração de um homem de Deus? Se Daniel tivesse se levantado para fazer política ou tentado mudar aquela realidade usando apenas armas humanas, que resultado teria alcançado? Provavelmente muito pouco.
Em vez disso, ele fez aquilo que todo homem e toda mulher de Deus podem fazer para gerar transformação real: orou, buscou a Deus e confiou na ação divina, que é a única capaz de produzir resultados verdadeiros no ambiente em que estamos inseridos.
Antes de Ir ao Campo, Dobre os Joelhos
Diante de tudo isso, entendemos que o verdadeiro campo de batalha das missões não começa nas ruas, mas no secreto da oração. Antes de estratégias e planos, existe um confronto invisível que só é vencido por homens e mulheres dispostos a dobrar os joelhos diante de Deus.
Daniel nos ensina que uma pessoa comprometida com jejum, oração e humilhação pode mover realidades espirituais e impactar cidades inteiras. A resposta divina pode parecer tardia aos olhos humanos, mas nunca chega atrasada. Desde o primeiro dia, Deus ouve o clamor sincero.
O desafio permanece: temos confiado apenas em métodos ou sustentado o avanço do Reino com intercessão perseverante? Se desejamos territórios transformados, igrejas fortalecidas e vidas restauradas, precisamos começar onde Daniel começou.
Video Sobre Missões
Eu vou colocar logo abaixo um vídeo onde eu conto sobre nossa experiência na cidade de Oruro. Assista e não deixe de compartilhar
Eu espero que você assista o video que eu coloquei logo acima. E também tenho uma playlist com vários outros testemunhos sobre a vida em missões. Se você quiser acessar a playlist CLIQUE AQUI
Deus te abençoe e continue orando por nossas vidas
O choque cultural é um tema conhecido entre missionários que saem do seu país de origem para servir em outra cultura. O que muitos não sabem — ou quase não ouvem falar — é sobre o choque cultural reverso, que acontece quando o missionário retorna ao seu país depois de anos vivendo em outro contexto cultural.
Ao chegar ao campo missionário, é comum viver a chamada “lua de mel”. Tudo parece novo, empolgante e cheio de propósito. A língua, a comida, o povo e a cultura despertam entusiasmo. Porém, com o passar do tempo, surgem os desafios reais: documentação, imigração, burocracia, dificuldades financeiras e choques de valores culturais. Muitos missionários desistem exatamente nesse ponto, quando a emoção inicial acaba e a realidade aparece.
🔹 O impacto emocional do choque cultural
Com o tempo, o missionário começa a sentir o peso do distanciamento cultural. A falta do idioma materno, da convivência familiar e de referências conhecidas pode gerar confusão emocional. Em alguns casos, isso evolui para tristeza profunda e até depressão. Infelizmente, esse processo ainda é pouco falado e pouco ensinado nas igrejas e secretarias de missões.
🔹 O choque cultural reverso: quando voltar também dói
O choque cultural reverso acontece quando o missionário retorna ao seu país de origem e percebe que já não se sente totalmente pertencente àquela realidade. Depois de anos vivendo outra cultura, o retorno não é simples. O ambiente, os costumes, a forma de pensar e até o ritmo de vida causam estranhamento.
No relato, esse choque foi vivido pela esposa e pela filha após anos convivendo diariamente com a cultura boliviana. A ausência do idioma espanhol, da convivência com o povo local e do ambiente missionário gerou isolamento e tristeza. O retorno não foi férias, mas uma transição profunda e desafiadora.
🔹 Como lidar com esse processo
Uma das formas de enfrentar o choque cultural reverso é não ignorar os sinais. Isolamento, desânimo e dificuldade de adaptação precisam ser observados com cuidado. Atividades simples, como sair de casa, caminhar, visitar familiares e manter contato com a cultura anterior, ajudam no processo de readaptação.
Um ponto importante foi a transição gradual vivida no passado: antes de assumir definitivamente o campo boliviano, houve um período de adaptação na fronteira, o que facilitou o processo. Da mesma forma, o retorno ao Brasil exigiu tempo, paciência e compreensão.
🔹 Um alerta à igreja e aos líderes
Pouco se fala sobre o choque cultural reverso. Muitos missionários retornam depois de 20 ou 30 anos no campo e encontram igrejas despreparadas para acolhê-los emocionalmente. O missionário não perde sua fé, mas precisa de apoio para se reorganizar internamente.
Falar sobre esse tema é essencial para preparar melhor aqueles que vão, os que permanecem e os que um dia voltarão do campo missionário.
Vlog pela cidade de Corumbá, região de fronteira com Bolívia. Neste vídeo eu mostro um pouco a região do porto da cidade de Corumbá e conto alguns testemunhos de quando nós fomos a Bolívia em 2006.
Espero que você assista e nos ajude compartilhando. Não esqueça de deixar seu like em nosso video
Mais um vídeo da nossa jornada missionária! Desta vez, registro nossa ligeira passagem pela Serra da Bodoquena até a chegada em Corumbá.
Ao chegar em Corumbá, aproveitei o início da manhã, com o clima fresco e as ruas tranquilas, para buscar o pão para o cafe da manhã e compartilhar algumas reflexões. Como alguém que nasceu aqui, mas vive fora, conto como vejo a realidade atual da cidade de Corumbá.
Corumbá é um ponto estratégico para o trabalho de missões e para tantos irmãos que seguem em direção à Bolívia, Chile e Peru. Espero que você goste de conhecer um pouco mais dessa região tão importante para o nosso propósito no serviço de missões.
Nossos estudos sobre missões têm edificado sua vida? É difícil encontrar clareza sobre o cotidiano missionário em sermões ou literaturas convencionais, mas este é nosso alvo através das postagens em nosso blog.
Assim, priorizamos expor a realidade da vida em missões com seriedade e transparência. Torne-se um multiplicador dessa causa!
Encaminhe nosso material para aquele irmão que deseja servir ao Senhor e apresente a ele nossas postagens e o canal no Youtube Peniel Dourado. Vamos expandir esse alcance juntos?
Sabe por que muitos projetos morrem cedo? Pela barreira da centralização. Começar com o que você tem é louvável, mas querer fazer tudo sozinho é limitar o Reino. Quando o trabalho cresce, os custos sobem e a demanda aperta. Se o missionário não tiver parceiros, ele esgota e para.
Para um projeto ser saudável, ele precisa de duas “pernas”: o desenvolvimento do trabalho (o campo) e a manutenção (o suporte). Se você espera que um empresário rico caia do céu ou que seu pastor resolva tudo, você já colocou um limite na sua missão. O segredo do Rogério foi abrir o jogo com a igreja, mostrar o que já estava sendo feito no pouco e convidar outros para somarem forças.
Assista o vídeo que coloquei acima onde o irmão Rogério conta sua experiência e como o trabalho de apoio aos evangelistas tem sido desenvolvido
O amanhecer no coração do Pantanal é uma experiência que nos mostra como o Criador é grande. Em uma árvore cheia de folhas, perto da casa onde estamos, muitos pássaros cantam juntos.
Esse verdadeiro coral da natureza é o nosso despertador nesta região linda que é o Pantanal do Mato Grosso do Sul. E lembramos que Deus sustenta tudo o que existe, pois, como o apóstolo Paulo escreveu: “Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Colossenses 1:17).
Pastor Peniel e Mina no porto fluvial de Corumbá
Aproveitamos esses dias em Corumbá para levar nossos filhos a lugares que foram muito importantes para nós. São lugares cheios de lembranças no trabalho missionário, onde cada canto ensina uma lição e nos faz recordar orientações específicas dadas por Deus ao serviço que realizamos.
Ao olhar para trás, entendemos que até os momentos difíceis serviram para o bem, que aprendemos, crescemos, como o apóstolo explicou: “Quero que saibam, irmãos, que o que me aconteceu ajudou, na verdade, a espalhar o evangelho” (Filipenses 1:12).
Sim, tivemos vários momentos difíceis nesta fronteira, mas aprendemos muito na vivência da dependência do Senhor Jesus. Uma coisa é a teoria e outra é você viver o que você aprendeu. E nesta fronteira tivemos muitas experiências.
Sim, querido irmã, a fronteira entre Brasil e Bolívia guarda lembranças fortes em nossas vidas e marcou nossa caminhada em missões. É maravilhoso lembrar o que o Senhor Jesus fez e as revelações que Ele nos deu, que nos direcionam e fortalece até hoje.
Assim, a caminhada continua, pois temos esta promessa: “Estou convencido de que aquele que começou a boa obra em vocês vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6). Tudo vem a ser uma crescente progressão na revelação do plano de Deus a nossas vidas.
Porto de Corumbá
O motivo de nossa vinda tem sido resolver documentos em cartórios e consulados. Confesso que lidar com papelada é cansativo e chato. Mas o Senhor nos ensina que até a paciência em uma fila é um jeito de aprender com Ele.
Afinal, a Bíblia diz: “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para as pessoas” (Colossenses 3:23). Até preencher papéis, agir documentações, tradução e legalizações de documentações faz parte do trabalho de Deus em missões.
Mas agora nosso alvo é a cidade de Campo Grande, MS. O objetivo é visitar irmãos antes de voltar ao Paraguai. O ano de 2026 já começou com grandes desafios na Missão Siloé e no Programa de Apoio Evangelístico.
Sabemos que a caminhada é pesada, mas não confiamos na nossa própria força para fazer missões, pois “não que possamos reivindicar qualquer coisa como se viesse de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus” (2 Coríntios 3:5). São muitos os desafios, precisamos de capacidade e esta vem do Senhor Jesus.
E você, tem orado por nós? Pedimos que nos apresente a Deus em oração, assim como Paulo pedia às igrejas: “Orem também por mim, para que, quando eu falar, me seja dada a mensagem certa, para que eu possa contar com coragem o segredo do evangelho” (Efésios 6:19). Eu conto com suas orações por nossas vidas.
Fique por dentro da Missão! Quer acompanhar de perto cada passo dessa jornada em missões e ver com seus próprios olhos o que Deus tem feito e continua fazendo?
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Um forte abraço e que o Senhor Jesus te abençoe poderosamente
Estamos novamente na cidade de Corumbá, região de fronteira com a Bolívia. Ainda na estrada, ao nos aproximarmos da fronteira, algo começou a arder forte em meu coração: as lembranças da primeira vez que fizemos esse caminho, vindo do Paraguai para a Bolívia em julho de 2006.
Naquele tempo, deixávamos um campo missionário onde estávamos a dez anos trabalhando para assumir outro completamente diferente. Não era apenas uma mudança geográfica, mas uma nova missão.
Ao olhar as montanhas próximas a Corumbá, lembro-me do sentimento que nos acompanhava: esperança de algo novo por vir. Um novo campo de missões, novos desafios e a certeza de que o Senhor tinha algo novo preparado para nós.
Ainda no Paraguai, o Senhor Jesus nos entregou a palavra de que poria uma nova obra em nossas mãos. Não fazíamos ideia do que seria, mas tínhamos a convicção de que seria algo totalmente inédito para nós.
Mesmo diante da ausência de recursos, possuíamos a Promessa que o Senhor Jesus nos havia dado de forma específica. Não dispúnhamos de finanças, tampouco de garantias humanas; contudo, carregávamos conosco a infalível Palavra de Deus.
Confiávamos plenamente no agir do Senhor Jesus, que prometeu estar presente em cada passo de nossa jornada. Como diz a Palavra: “Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Coríntios 5:7). Era nessa certeza, e não em circunstâncias terrenas, que depositávamos nossa esperança.
Assim, a presença do Senhor era nossa segurança, e Sua Palavra, nosso sustento na missão. Aprendemos naquele momento que missão não se faz com abundância de recursos, mas com obediência e fé na palavra que nos foi dada. Não foi Ele que disse que faria? Então, Ele vai fazer.
Desta forma, olhando para a Bolívia à beira do Rio Paraguai e tentando entender os planos de Deus chegamos em julho de 2006 para assumir o novo campo de missões. Foi realmente algo maravilhoso.
Hoje, enquanto eu e Mina estávamos sentados à beira do Rio Paraguai, aquelas memórias voltaram com força. Lembrei-me do tempo em que olhávamos para o lado boliviano tentando compreender o que Deus estava fazendo.
Querido irmão, nós não entendíamos muito do que Deus estava fazendo. Não víamos o quadro completo. Mas havia uma convicção clara em nosso coração: Deus estava agindo. Sob a orientação específica nós dávamos nossos passos
Mesmo quando achávamos que estávamos sozinhos na caminhada, o Senhor Jesus sempre levantava alguém para nos encorajar. Uma palavra, uma visita, um gesto simples… Deus sempre encontrava uma forma de renovar nosso ânimo no campo missionário.
Agora, 20 anos depois, estamos novamente aqui, sentados à beira do mesmo rio. O cenário é parecido, mas nós não somos os mesmos. Hoje conseguimos enxergar um pouco mais daquilo que antes não entendíamos. Detalhes da missão que o Senhor foi revelando ao longo da caminhada e testemunhos vivos de tudo o que Jesus tem feito.
O que antes era incerteza, hoje vivemos em gratidão e com compromisso. O que antes eram perguntas, hoje são muitos testemunho do que Deus tem feito.
Deus não nos conduz novamente a lugares assim sem um propósito definido. Retornar a Corumbá, na fronteira com a Bolívia, fala profundamente ao nosso coração. É a confirmação do Senhor de que Seus planos eram perfeitos, revelando-nos que Ele havia reservado o melhor para este tempo.
Neste momento, nossa missão é resolver documentações e fazer contatos importantes para o Programa de Apoio Evangelístico. Eu creio que levaremos um ou dois dias agindo assuntos burocráticos
Estou registrando toda essa jornada em video (o que foi possível) e, se Deus quiser, em breve compartilharei tudo em nosso canal no YouTube, para que você possa acompanhar nossa jornada pelos vlogs também.
Continue orando por nós e que nossas objetivos neste lugar sejam alcançados
Em 1994, moramos em uma pequena cidade no interior do Ceará. Meu pai havia sido enviado para lá para pastorear uma igreja local e, naquela época, conhecemos uma figura muito interessante: o proprietário de uma fábrica na região. Todos sabiam que ele era um homem de grandes posses, um homem rico. No entanto, ele vivia de uma forma intrigante: dirigia um carro bem velhinho, vestia calças sempre sujas e usava apenas chinelos de dedo muito simples.
Não cabe a mim julgar as motivações dele para viver assim, mas o fato é que ele tinha plena consciência dos recursos que possuía e, simplesmente, decidia não usá-los. Ele tinha a provisão, mas vivia como se não a tivesse.
Família missionária: Pr Peniel, Mina, Deborah (18) e Samuel (10)
Infelizmente, essa é a imagem exata de muitos que fazem missões hoje. Deus nos entregou recursos espirituais, dons e ferramentas para a expansão do Seu Reino, mas muitos decidem não utilizá-los para realizar a obra que lhes foi confiada.
O apóstolo Paulo nos lembra que não somos desamparados: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4:19). Se Ele é o que supre as necessidades, é para que o trabalho avance segundo as condições do Reino.
Não podemos viver como administradores que escondem as preciosas riquezas do Reino. O apóstolo Paulo foi muito carinhoso, mas firme ao exortar Timóteo: “Não desprezes o dom que há em ti” (1Timóteo 4:14). Essa mesma palavra ecoa para nós hoje! Precisamos de coragem para colocar em uso tudo o que o Senhor depositou em nossas mãos — seja o conhecimento bíblico, nossa influência ou os recursos financeiros. Afinal, tudo isso nos foi dado com um propósito claro: fazer com que o Evangelho alcance lugares onde ainda não chegou.
Eu e minha família no campo de missões (2015)
Jesus nos prometeu que a verdade nos libertaria (João8:32), mas o profeta Oseias nos deixou um alerta sério: o povo de Deus perece quando lhe falta o conhecimento. Entenda, meu irmão, que muitas vezes o sofrimento e a estagnação na obra missionária acontecem apenas porque ignoramos as ferramentas que já possuímos. Seja por falta de instrução ou por hesitação em tomar a decisão de agir, não podemos deixar parado o que Deus já colocou à disposição da Igreja. Vamos usar o que temos para que a missão seja plenamente cumprida!
Ter não é o mesmo que usufruir
Pare e pense: de que adianta o perdão de Deus estar disponível se o pecador ainda não o conhece? Na cruz, Cristo Jesus derramou Seu sangue para quitar nossa dívida de uma vez por todas. A Palavra é clara em Efésios 1:7: “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”.
Paulo vai além em Colossenses 2:13-14, dizendo que Deus cancelou o escrito de dívida que era contra nós, removendo-o inteiramente e encravando-o na cruz. Entenda: a conta foi paga! Mas aqui está a tragédia: de que serve essa bênção se o homem continua vivendo sob o domínio das trevas por pura ignorância ou decisão própria?
Material evangelístico chegando em nossa Base de Apoio em 2013 – Bolívia
Tudo o que o pecador precisa é aceitar e tomar posse dessa nova vida. Mas, para que ele tome posse, ele precisa saber da verdade. E é exatamente aqui que eu e você entramos com o serviço de missões! Em 2 Coríntios 5:19, lemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e — preste atenção nisso — nos confiou a palavra da reconciliação. Ele nos entregou a missão de levar esse recibo de quitação ao mundo.
Da mesma forma, meu querido irmão, o missionário que ignora sua posição espiritual dificilmente viverá a plenitude do Reino. Precisamos entender que Deus nos deu Sua Palavra e levantou ensinadores com um propósito claro: abrir nossos olhos para quem realmente somos e para o que já possuímos em Cristo. Como Paulo escreveu aos Efésios, o Senhor já nos “abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios1:3). A herança já é sua!
Entenda uma coisa: o conhecimento só gera libertação quando se torna consciência e é colocado em prática. Não permita que a obra de Deus pare em suas mãos e não aceite viver abaixo do que Ele planejou por falta de instrução ou por hesitar em dar o passo de fé. Lembre-se do que Paulo ensinou sobre a nossa responsabilidade no campo: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1 Coríntios 3:6). Deus dá o crescimento, mas Ele espera que a gente esteja lá para plantar e regar!
Se Deus disse que vai fazer, Ele cumprirá! Mas Ele espera que você coloque os pés na terra que Ele te deu. Apenas saber que o Senhor quer e pode agir não é o suficiente para ver resultados no campo de missões; é preciso agir com base na palavra que Ele te deu. Lembre-se da recomendação apostólica: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” (Colossenses 3:23). Quando o conhecimento encontra a obediência, o campo missionário floresce!