11:40 da manhã…
Hoje, segunda feira é o nosso dia de descanso. Geralmente minha ocupação é estar com minha família. Mesmo que hoje está sendo um pouco diferente, pois às 8:00 horas enquanto eu orava o jovem David veio buscar as caixas de folhetos para o trabalho de evangelismo nos micros que ele faz ( o bom que já ficou orando comigo..rs.), tenho que agir documentações na FELCC para levar a imigração, alguns probleminhas no encanamento da casa e etc. O dia hoje está bem diferente. Mas seguimos na meta de ser nosso dia de descanso.
Mina está na cozinha preparando o almoço e estou aqui escrevendo….
12:00 da manhã…
– Culinária e missões
Bem, comida é um tema interessante. Em Bolívia cada lugar tem suas comidas típicas. Cochabamba tem seus pratos, La Paz tem seus pratos e Santa Cruz de la Sierra também tem seus pratos. Na última viagem que fizemos fomos a Potosí comprávamos o que nos foi dito que, em tudo se põe pimenta. Eu não gosto de pimenta e não adianta dizer que você não come para o povo de Potosí, porque vão servir assim mesmo.
Mas, onde andamos em Santa Cruz encontramos restaurante que vendem pollo ( frango ). Você entra e o prato é o mesmo em todos os lugares. E os demais restaurantes eu acredito que por ser algo cultural os pratos são bem parecidos: Chicharon de chancho, picante de pollo, marradito e …. pollo. A sopa de amendoim é uma delícia…aprendi a gostar. Quando vier a Bolívia diga: SOPA DE MANÍ ( ..rs..). Te garanto, é muito bom!
O almoço completo é servido, primeiro a sopa e depois a comida, chamada de “segundo”. Se você disser que quer um almoço completo eles vão servir “Sopa e segundo”, quer dizer, a sopa e depois vem a comida.
Como brasileiro gosto muito do nosso arrozinho, soltinho, com alho; também daquele indispensável feijão e salada. Se você quiser comer uma comida assim terá que fazer em casa, ou ir a um restaurante brasileiro, pois em outro lugar não vai encontrar. É tempo de abacate (em espanhol Palta ) e aqui se come o abacate com sal, olho picado e serve como salada. Também aprendi a comer o nosso abacate assim.
E os salgados? Já rodamos em todas as feiras, mercados e não se vê os nossos salgados. Na realidade eles são nossos, mesmo que abrasileiramos uns árabes, outros americanos, mas pelo menos é abrasileirados. (..rs..). Uma vez, eu e Mina estávamos em uma feira e encontramos uma jovem vendendo salgado. Ela gritava: Coxinha brasileira!!! O tom do português e a frase coxinha brasileira já nos faz imaginar a coxinha que encontramos no Brasil. Mas, quando chegamos a moça vendia uma coxinha brasileira a moda boliviana. O recheio era de batata, frango e um molho. Parecia recheio de um salgado bem vendido aqui, a saltenha. A moça disse que se tenta vender como é feito no Brasil o povo não compra. Ela nas disse também que se quisermos como é feito no Brasil eles também fazem. Em outras palavras: A coisa deveria ser encomenda…
Quando você vem ao campo missionário você começa encontrar muita coisa diferente. Os carros nas ruas são diferente ( quase não se vê os nossos, pelo menos aqui ), leis diferentes, fisionomia diferente, cultura diferente, música diferente ( e sobre isso poderia até escrever depois, pois gera uma confusão no meio evangélico) e, entre as muitas, culinária diferente. Você junta tudo e quando a saudade do nosso “comum” bate, o stress pelas tensões e outras problemas, às vezes uma sopa em sua mesa feita de amendoim com frango poderá ser a gota d´água pra você tomar a decisão de abandonar o campo missionário.
Isso não é exagero. Pense nisso e se prepare…
17:00 da tarde…..
Escrever para alguns irmãos falando da nossa luta com as documentações. Infelizmente não conseguimos entregar todos os documentos e nós teremos que adiar a data do Evangelismo em Oruro. Estamos tramitando o visto, Residência Indefinida e eu estava certo que entregaria os documentos até quinta feira passada, mas realmente não foi possível. Fomos à imigração e foi pedido novos documentos e apenas terça feira dia 10 de maio entregaremos o restante.
Esteja orando por nós
23:20……. UM TESTEMUNHO DE LIVRAMENTO
Dias atrás recebi uma ligação do irmão Elvis, um jovem boliviano que mora na cidade de Cochabamba. Elvis e Oswaldo estão sempre conosco nos trabalhos evangelísticos. Mas, me ligou pedindo oração, porque eles estavam saindo ao evangelismo em um povoado no departamento de Cochabamba. Segundo ele, lá não há igrejas, não tem missionário e o povo é bem hostil. Eles pediram oração e foram sinceros ao ponto de me dizer que estavam com medo, mas que queriam fazer o trabalho.
Bem, eu disse que estaríamos orando. O objetivo era pregar na praça da cidade com o megafone que eles tem, fazer a distribuição do material evangelístico que eu havia dado.
Mas, quando eles começaram a pregar no povoado ( ele ainda não me disse o nome do povoado ) juntou um grupo de pessoas que começaram a insultar os irmãos. Eles saíram dali e foram mais adiante. Continuaram a fazer a distribuição e a pregar. Novamente junta um número de pessoas e vieram com agressões. Começaram a empurrar, bater e cada vez mais juntava gente ao redor do irmão Elvis e Oswaldo.
Alguns começaram a gritar para linchar. E isso aqui na Bolívia não é brincadeira, pois eles fazem mesmo. Começaram a dizer que iam colocar fogo neles…. os irmãos só clamavam ao Senhor pedindo misericórdia.
Perto de onde estavam estava a alcadia ( prefeitura no Brasil ). No mesmo instante sai algumas autoridades e convence o povo a liberar os irmãos. Eles foram botados a chutes e ponta pés daquele povoado e por pouco não foram linchados.
É bom lembrar que principalmente na região andina os povos indígenas celebram uma festa chamada Tinku. Uma hora vou fazer uma melhor pesquisa, mas estou falando o que vi e ouvi na televisão. Povoados se organizam e vão para uma cidade próximo a Potosí, chamada Tinka Macha. Lá é organizada brigas no meio das ruas. Faz-se uma roda, geralmente como “juiz” tem um policial, e duas pessoas brigam até sair sangue. Entra na roda mulher contra mulher, jovem contra jovem, homem contra homem e assim por diante. No ano passado houve mortes e este ano aumentaram o efetivo policial. Diante das câmeras, o povo do nada começava a brigar, socos, pauladas, ponta pés eram dado ao hermo. A polícia usou gás lagrimogênico para controlar a turba.
A festa pagã é para a Pachamama, que em quéchua quer dizer, mãe terra. A crença é que o derramamento de sangue alimenta a pachamama. Então, existe sacrifício humano, brigas organizadas pelas autoridades e outras organizadas pelos próprios demônios.
O Governo da Bolivia tem lutado contra os linchamentos, mas é difícil, pois quando é pego um ladrão junta milhares de pessoas e começa como um ritual de sacrifício. Acredito que os demônios que moviam todo uma comunidade para o sacrifício humano hoje usa o linchamento sob o pretexto da justiça pelas mãos próprias. Mas, o interessante que não apenas os envolvidos no problema participam, mas toda a comunidade. Quer dizer, os demônios movem toda comunidade para participar do sacrifício. E o sangue é derramado para alimentar a entidade adorada. Sabemos que são demônios por trás de tudo isso.
Bem, o inimigo quis destruir a vida do nosso irmão Elvis e Oswaldo, mas o Senhor não permitiu. Sei que tudo isto é resultado da intercessão do povo de Deus. Quando pedimos oração não estamos brincando.
Pedimos oração por esta nação. Ore para Deus promover o livramento, a salvação, libertação e que muitos venham ao conhecimento da verdade.
A baixo coloco uma foto dos nossos queridos guerreiros. Esteja orando por eles, pois se Deus quiser estarão juntamente conosco no trabalho em Oruro.

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Deus vos abencoe