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Não Abandone Seu Chamado: Missão é Compromisso de Vida

Que alegria iniciar o dia compartilhando mais uma Reflexão Missionária!

Aqui no blog, você acompanha de perto nossa vida de missões, o mover de Deus e as direções que Ele tem nos dado no campo transcultural. Se você não quer perder nenhum artigo — e nem o que está por vir —, tenho um convite:

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Peniel N Dourado

A LUTA POR UMA DIREÇÃO CLARA

Atualmente, aqui no Paraguai, estamos no período da Semana de Oração que antecede a Santa Ceia. É um tempo poderoso onde suspendemos outras atividades noturnas para nos reunir, orar e buscar intensamente a presença de Deus.

Esta semana, em especial, meu foco tem sido orar por uma direção clara para o nosso trabalho, principalmente em relação ao Programa de Apoio Evangelístico. (Quem nos acompanha sabe o peso que sentimos e a importância desse projeto!).

Continue lendo para entender o que Deus tem falado conosco neste período de busca…”

Visitando a Missão por Compaixão no Paraguai

Em 2004, eu já estava no Paraguai, e meu desejo era fazer missões aqui mesmo, pois víamos a necessidade e a Missão Siloé estava em crescimento. Eu queria ganhar almas aqui no Paraguai e participar no crescimento da igreja. Mas foi nesse período que Deus começou a nos falar que deveríamos sair do Paraguai e ir para a Bolívia.

A palavra que Deus nos deu foi que Ele nos levaria a outra nação e colocaria uma obra em nossas mãos. Posteriormente, Deus começou a falar muitas coisas sobre esse projeto, sobre crescimento e expansão, dizendo que iríamos desenvolvê-lo em toda a Bolívia, e é o que estamos fazendo agora. O Senhor também falou que iríamos desenvolver esse projeto em outras nações, e estamos nesse processo.

Sou sincero em dizer que muitas vezes tentei parar este trabalho. Desanimei com a falta de apoio, pois você sabe que o Programa de Apoio Evangelístico tem como alvo ajudar os evangelistas, conseguir e entregar literatura nas mãos de quem está trabalhando: irmãos que vão para hospitais, presídios, ruas e praças. E, sinceramente, falando com toda a franqueza a você que lê este blog, pouca gente se importa com os evangelistas dentro das igrejas.

Com o irmão Nigel Mercado em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Tenho notado algo preocupante no contato com algumas lideranças (e é fundamental frisar que este não é um comportamento generalizado): A solicitação de nossos materiais acontece, mas, em muitos casos, o objetivo não é o evangelismo em si, nem o apoio genuíno aos evangelistas.

Percebemos que o foco se desvia. O material, que deveria ser uma ferramenta de expansão do Reino, torna-se, muitas vezes, um instrumento para ‘política interna’ ou autopromoção. Essa postura demonstra uma profunda irresponsabilidade com a obra que é do Senhor Jesus, e é algo que nos causa grande tristeza.

Nos muitos anos de trabalho, passei por isso várias vezes: líderes que entram em contato, mas não estão preocupados com os evangelistas. Nisso, você acha que é fácil manter um projeto como este? Acha que é fácil conseguir recursos para pagar o frete? Acha que é fácil conseguir recurso para manter as nossas viagens? Não, não é fácil. Digo isso com toda a propriedade.

Mas, enquanto as dificuldades continuavam nos passos que dávamos em Bolívia, o projeto também continuava crescendo. Os dias iam passando, o número de evangelistas na Bolívia crescia, o número de pessoas necessitadas de apoio, e a gente via essas pessoas com o coração ardendo pelo desejo de fazer um trabalho evangelístico.

Posso dizer isso porque trabalhei muitos anos ao lado desses evangelistas. São pessoas que têm um coração realmente queimando pela obra de Deus e o desejo de ganhar almas.

vangelista recebendo a Palavra de Deus escrita em Bolívia

Conheci pessoas que usaram o dinheiro do mês para investir no trabalho evangelístico. Eu não faria isso e não aconselho ninguém, mas sei que essa pessoa o fez porque o próprio Senhor a orientou. E Deus fez milagres para mantê-la durante aquele mês.

Conheci um pastor com um coração entregue ao evangelismo. Ele tinha um veículo e o vendeu para fazer um trabalho de impacto na região onde nasceu, na Bolívia, onde não havia muitas igrejas. O desejo dele era dar oportunidade àquele povo de ouvir o evangelho. O nível de evangelismo de que estou falando é um nível de entrega.

Diante da dificuldade de conseguir recursos para manter todo este trabalho, o número de evangelistas crescia, e eu me desanimava. Eu orava ao Senhor: “Senhor, o que eu faço? Dá-me uma revelação. Mostra o que Tu queres que eu faça.” Essa era a minha oração.

Muitas vezes, entrei no meu quarto para buscar uma revelação do Senhor, uma palavra de Deus em relação ao projeto. Mas confesso que eu queria ouvir uma voz de Deus, queria ouvir Deus falando que o tempo daquele projeto havia terminado.

Líder do Ponto de Apoio em Potosi, Bolívia

O problema é que, quando eu entrava no meu quarto e começava a clamar a Deus, o Espírito Santo falava ao meu coração: “Vá e faça o que eu te mandei fazer“. Parece até estranho eu dizer que era um problema, mas a realidade era que eu queria ouvir outra coisas do Senhor Jesus.

Nestes dias que tem passado aqui no Paraguai durante a semana de oração na Missão Siloé eu tenho feito a mesma oração: “Senhor, dá-me uma revelação.” Então, eu estava na igreja orando e fiz essa oração. Eu orei, saí da igreja, vim para casa e fomos dormir.

Quando o relógio tocou pela manhã e levantei cedo, assim que abri os olhos, o Senhor me deu novamente uma palavra que havia falado comigo a muitos anos atrás. O Senhor me mostra a situação de Maria. Quando o anjo Gabriel falou com Maria, deu uma palavra específica para o que ela deveria fazer. O anjo disse que ela ficaria grávida e que a criança que nasceria seria o Salvador. A tarefa dela era ser mãe.

Neto (centro) é o baterista da Missão Siloé. E na ponta direita Samuel

Qual a diferença da missão de Maria para a missão das outras mulheres? A missão dela era ser mãe do Salvador. O anjo disse: “Você será a mãe do Salvador”. Sabemos que ela não teve relação com José para engravidar, mas ela seria mãe. A diferença de Maria para as outras mulheres que engravidaram foi nenhuma, mas o peso de ser mão do Salvador do mundo era gigante.

Maria passou pelas mesmas que todas as mulheres que ficam grávidas. O ventre de Maria cresceu, e a criança desenvolvia da mesma forma que as demais pessoas. Quando a criança nasceu, nasceu do mesmo modo que todas as crianças vieram a este mundo. O menino Jesus teve que tomar o leite do seio de Maria, assim como todas as crianças precisam se alimentar do leite materno.

Algo específico, porém, tinha Maria: a palavra de Deus dada a ela lá atrás. O anjo veio, falou que ela ficaria grávida e depois não voltou para dizer o óbvio. O anjo não voltou para dizer que a criança cresceria no ventre. O anjo não voltou quando o menino Jesus estava sujo porque fez suas necessidades.

Essa é muitas vezes a palavra que Deus me dá. O Espírito Santo tem me dito: “Não é porque você não está recebendo uma palavra específica neste momento da minha parte para a missão que confiei em suas mãos, que você não sabe da responsabilidade que tem.”

Final do culto na Missão Siloé, Paraguai

Eu fico imaginando se Maria simplesmente levantasse um dia e dissesse: “Deus, esse filho é Teu e eu não quero mais cuidar dessa criança. Arranja agora outra mulher para que possa cuidar dela“. Por mais que sabemos que Jesus é Filho de Deus, mas como homem continuava sendo filho de Maria e ela sua mãe.

Eu poderia dizer que Maria seria uma mãe louca se simplesmente se levantasse e falasse que não ia mais cuidar daquela criança. Sei que existem muitas mães loucas, assim como existem muitos pastores, missionários, evangelístas loucos que abandonam “a criança” que o Senhor os confiou.

Na Missão por Compaixão, ouvimos tantas histórias, algumas bem tristes. Histórias de mulheres que, prestes a dar à luz, queriam abortar de todas as formas. São “mães loucas” que encontramos em todos os lugares, em países ricos e pobres, na Bolívia, no Brasil, no Paraguai, no mundo inteiro.

Mas esse não era o caso de Maria, pois até o último momento, estava ao pé da cruz, vendo a situação do seu Senhor. E da mesma forma compreendemos que um projeto nasce no coração do missionário assim como uma criança nasce no ventre de uma mãe. E quando vejo um projeto em andamento, passando lutas e dificuldades, sendo abandonado por aquele que o gerou, o que estou vendo são “mães loucas”, missionários, abandonando seus filhos espirituais.

Com meu irmão Tiago (esquerda), o pastor Davi Dayan (centro) e um dos casais mais antigos da Misión Siloé, irmã Sonia e irmão Diogo

Para um missionário, um projeto de missões é como um filho que nasce no mais profundo do seu ser. Não é apenas uma ideia: é uma semente plantada pelo Espírito Santo em seu coração.

Foi assim que nasceu a visão do Programa de Apoio Evangelístico. Deus nos deu uma Palavra, prometendo colocar esta obra em nossas mãos quando ainda estávamos no Paraguai. Naquela época, o nome ainda não existia; havia apenas a clareza do trabalho que precisava ser feito.

E essa clareza nos guia até hoje. Cuidamos intensamente de um ponto fundamental: manter o foco na visão do projeto, e não na criação de uma instituição. Não temos a intenção de transformar o Programa de Apoio Evangelístico em uma empresa ou entidade burocrática; nosso único alvo é fazer prosperar a visão de trabalho que o Senhor nos confiou.

Não somos contra a organização legal ou a constituição de uma missão que cumpra os requisitos da lei. No entanto, quando tratamos a obra de Deus—seja o projeto missionário ou a igreja— apenas no nível de uma empresa, corremos o risco de agir como ‘mães loucas’ com o verdadeiro filho que nos foi confiado.

E voltando ao período de oração onde eu buscava uma resposta do Senhor Jesus, o Espírito de Deus me disse:”Eu já te dei a palavra. Eu já te disse o que você tem que fazer. Vá fazendo aquilo que você deve fazer neste exato momento“. Amém?

Espero que você que está no campo de missões e está lendo este post, não seja uma “mãe louca”. Pode ser que chegará o momento em que Deus vai te tirar da frente desse projeto e te levar para outro lugar. Isso muitas vezes acontece.

Mas assim como um pai e uma mãe têm que abrir a porta para que o seu filho saia de casa, esse momento vai acontecer em que o seu filho terá capacidade suficiente de se manter, de ter a maturidade suficiente de estar longe de você e de manter a visão que você deu a ele. Não seja como uma mãe louca que abandona seu filho antes dele ter condições de andar sozinho.

Nigel, nosso atual coordenador geral de Bolívia e no centro o irmão Norman que ajuda a transportar os materiais

A visão que Deus te deu, você deve passar para este seu “filho espiritual”. E o “filho” aqui é o seu projeto missionário em desenvolvimento. Se você deixar sozinho antes do tempo outros virão com visões carnais para distanciar do propósito pelo qual foi criado.

No tempo certo o seu “filho” terá a maturidade suficiente de manter a visão que Deus te deu, dará condições para que esse projeto possa se distanciar de você de forma madura e se manter na visão que você mesmo recebeu.

Sabe, querido missionário, pode ser que o anjo de Deus não venha novamente para te falar sobre o trabalho que você está fazendo, você não terá mais visitações sobrenaturais para te mostrar detalhes do trabalho, mas fique certo de que a responsabilidade que foi dada a você já foi colocada sobre a sua vida e sobre este trabalho o Senhor pedirá conta.

Deus te abençoe e até o nosso próximo post aqui em nosso Diário Missionário.

Nossos Videos Sobre Missões

CLIQUE AQUI para acessar vídeos onde eu falo sobre a vida prática do campo de missões. Os temas dos vídeos muitas vezes são tirado das conversas com outros missionários ou de situações vividas no campo de missões. O objetivo é trazer a vida prática do campo missionário a você

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A Mão de Deus nas Pequenas Coisas: Nossas Bases de Missão na Bolívia

É sempre uma alegria imensa compartilhar com vocês tudo que Deus tem feito através das nossas vidas. Mas, sabe, existe algo maravilhoso na vida com Deus: ver a Sua mão não só nas grandes conquistas, mas também nos pequenos detalhes da vida.

Não me refiro apenas às grandes vitórias na vida missionária, mas também nas pequenas escolhas e diante dos passos mais simples que damos. E é sobre isso que quero falar hoje, contando os primeiros alugueis na Bolívia. Algo simples, mas em tudo a mão de Deus.

Peniel e Mina em Bolívia

Quem se importa com aluguel de casa, certo? A maioria das histórias simplesmente diz: “Fomos para tal cidade e alugamos uma casa.” Ninguém fala como foi o processo de conseguir a casa. Não é interessante. Mas o segredo, amados, está em anotar cada dificuldade e cada ação de Deus na nossa vida. Eu sou daqueles que gosta de anotar o agir de Deus para não esquecer dos detalhes do agir de Deus.

Hoje, quando eu olho para trás, eu vejo a simplicidade de alugar uma casa, mas, acima de tudo, eu posso ver a mão de Deus cuidando de nós.


Deus da Revelação

Antes de partirmos do Paraguai para a Bolívia, mergulhamos em um intenso período de oração. Primeiro, buscamos a orientação divina sobre a nação. Deus havia nos dito que sairíamos do Paraguai para outro país, mas não qual.

Mina e eu nos trancávamos, orávamos juntos, clamando ao Senhor por uma palavra específica. Durante esse tempo, o Senhor nos mostrou a Bolívia. Foi uma revelação muito forte, não havia como duvidar. Se Ele havia falado sobre o país, com certeza também falaria sobre a cidade, afinal, a Bolívia tem muitas!

Não queríamos ser levados pela “circunstância” ou pelo “vento das circunstâncias”, mas sim caminhar na direção exata de Deus. Continuamos orando, e o Senhor nos revelou: Santa Cruz de la Sierra.

Mesmo sem conhecer a cidade — eu não fazia ideia do seu tamanho, da sua formação ou dimensão, só sabia que muitos jovens iam para lá estudar Medicina —, eu disse à Mina: “Se Deus revelou a nação e a cidade, Ele pode revelar onde está a nossa casa!”

No meio da oração, o Espírito de Deus falou claramente ao meu coração: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” Guardamos essa palavra. Ela seria nosso mapa para as decisões futuras.

Peniel e Mina

O Desvio em Quijarro: Confiança x Aconselhamento

Tomamos a decisão de ir para Santa Cruz. Mas, nesse período, Mina descobriu que estava grávida de dois meses. Por uma questão de segurança e facilidade com médicos e hospitais, meu pai e minha sogra nos aconselharam a ficar na região de fronteira com o Brasil por um tempo.

Aceitamos o conselho para tranquilizá-los e fomos para Quijarro, na fronteira boliviana. Fomos muito bem recebidos pelo Pastor Roberto da Igreja Quadrangular da cidade de Quijarro, que nos deu um quarto enquanto buscávamos nossa própria casa.

O pastor Roberto estava fazendo missões na Bolívia a quatro anos. Eu o conhecia da região de fronteira com o Paraguai desde 1996 quando tivemos os primeiros anos no Paraguai. E encontrar o pastor Roberto em Quijarro foi realmente uma grande benção a nossas vidas.

Região de fronteira entre o Brasil e Bolívia (2006)

Mas, os dias de busca por uma casa foram exaustivos. O calor era extremo, chegando a 47 graus, com muita poeira e mosquitos. Muitas das casas pareciam “fornos” sem nenhuma sombra. Quijarro está na região do Pantanal Boliviano e é uma fronteira extremamente quente.

Um dia, exaustos de tanto andar, paramos o carro debaixo de uma árvore em frente a uma praça em Quijarro. Estávamos tomando tereré gelado para refrescar e estávamos nitidamente desanimados. Foi quando lembramos de um pequeno detalhe: não havíamos orado sobre a nossa nova casa!

Eu disse à Mina: “Saímos do Paraguai por revelação, e prometemos a Deus que tudo o que conquistássemos seria por meio da oração. Vamos orar por esta casa agora mesmo!”

Eu e Mina na cidade de Puerto Suarez, Bolívia

Ali, debaixo daquela árvore, começamos a orar e a detalhar tudo o que desejávamos: uma casa com muita sombra, cercada por árvores, com uma boa varanda, que fosse fresca, segura, com um proprietário tranquilo e, claro, que tivéssemos condições de pagar sem dificuldade.

Seria pedir muito? Temos o direito de orar e pedir o que quisermos? Nosso Deus é poderoso para nos atender? Minha Bíblia garante: “Tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22). Sendo assim, essas eram as características do nosso futuro lar, e nós, sob a sombra daquela árvore, clamávamos ao Senhor Jesus.


O Milagre da Primeira Casa

Depois de orarmos veio ao nosso coração buscar também em Puerto Suárez, que fica a cerca de 10 km de Quijarro. Entrando na cidade, parei em frente a um estúdio fotográfico e perguntei ao proprietário se ele sabia de alguma casa para alugar.

Ele olhou para mim e disse: “Eu tenho uma casa para alugar. Se quiser, posso te mostrar.”

Ficamos animados e fomos ver. Não era longe: apenas três quadras. Quando chegamos, a casa tinha varanda, várias árvores ao redor, era fresca e o aluguel era o valor que podíamos pagar.

Nossa primeira casa em Bolívia – Puerto Suarez

Amados, depois de orarmos ao Senhor, a primeira pessoa que abordamos em Puerto Suárez nos apresentou a casa que alugaríamos e onde ficamos por um ano. O Senhor Jesus nos deu a casa na primeira tentativa! A residência era exatamente como havíamos clamado em oração.

Nosso coração foi inundado pelo amor de Deus. Vimos o cuidado do Senhor Jesus com nossas vidas, pois oramos e as portas se abriram naquele mesmo instante. Apresentamos nossa necessidade a Deus, e Ele nos atendeu prontamente.

O mais importante em tudo isso não é apenas obter a solução para um problema, mas sim ver Deus resolvendo-o. Quando você vê Deus à frente, você está vendo o Provedor que cuida de cada detalhe.


A Casa em Santa Cruz

O tempo passou. Débora nasceu, e chegou a hora de ir para Santa Cruz de la Sierra. Peguei um trem e fui à cidade, hospedando-me na casa do Pastor Gessé de Oliveira, um missionário da igreja Quadrangular que já vivia em Bolívia a mais de dez anos.

Pastor Peniel, Mina e Deborah no trem indo de Puerto Suarez a Santa Cruz de la Sierra – 16 horas de viagem

O Pastor Gessé me aconselhou a buscar casa na periferia da cidade, como no Plan 3000 ou El Quior, pois, segundo ele, o lugar que eu queria — o Segundo Anel — era muito caro. Ele estava certo: as casas eram caríssimas. Mas eu tinha uma Palavra de Deus.

Para quem não sabe, Santa Cruz é organizada por anéis: avenidas circulares. O Primeiro Anel é central, o Segundo é logo depois. Quanto maior o número, mais periférico. O Segundo Anel era, sim, na região central.

Ainda que o Pastor Gesse, com boas intenções, me levasse para a periferia, eu decidi buscar a palavra de Deus. O Senhor havia dito Segundo Anel!

A cidade anilhada de Santa Cruz de la Sierra

Procurei em jornais e andei pela região. Os aluguéis eram altíssimos. Encontrei uma casa próxima ao Terceiro Anel, com um proprietário cristão. Ele ficou feliz por eu ser missionário, me deu a chave e disse que a casa era minha. Tentei pagar adiantado, mas ele recusou. Eu confiei naquele homem e em sua palavra. Então eu voltei para a fronteira e preparei a mudança.

Dias depois, quando chegamos em Santa Cruz, com Débora de 4 meses, a nossa mudança ainda no vagão do trem, liguei para o proprietário da casa. Ele me disse que não alugaria mais, pois havia vendido a casa naquele mesmo dia.

Naquele momento, olhando para Mina e para a pequena Débora, o desespero bateu, mas a voz do Senhor me veio à mente: “Sua casa está próxima ao Segundo Anel.” O Senhor me disse segundo anel e o que eu estava fazendo no terceiro anel? Eu havia me metido em um problema por desobediencia.


A Casa de Dois Andares

Deixei Mina na casa do Pastor Gessé de Oliveira e saí em busca de uma casa. Desta vez, resoluto por seguir o que o Senhor Jesus havia mostrado, circulei no jornal apenas os anúncios próximos ao Segundo Anel.

Lembrei-me de que, enquanto procurávamos, Mina me disse: “Peniel, e se Deus nos der uma casa de dois andares? Queria fazer culto embaixo e morarmos em cima, com nosso quarto independente.” Eu ri, falando que seria um milagre pelo preço, mas que acreditava em Deus.

Eu só poderia pagar no máximo 150 dólares e o preço das casas era de 450 dólares. Um casa onde o quarto fosse em cima custaria algo como 750 dólares por mês. Os preços dos alugueis em Santa Cruz de la Sierra são em dólares e muito alto. É impressionante isso!

Mas Deus nos deu a casa. Entrei em contato com a proprietária, e quando ela me apresentou o lugar, era exatamente uma casa de dois andares! Na parte de cima, o quarto com banheiro, e na parte de baixo, um espaço amplo que usamos para os cultos e o trabalho que o Senhor nos havia confiado.

Moramos ali por sete anos. Foi um lugar estratégico e central para o início do serviço de missões e, posteriormente, para o programa de apoio evangelístico.

Culto na varanda de nossa casa com os jovens da Misión Siloé (2009)

A Terceira Casa: Um Endereço Revelado

Sete anos depois, Mina queria outra casa. Ela estava grávida do Samuel e estava preocupada em nascer o bebê e ter que subir e descer as escadas pelo lado de fora da casa. Os ventos fortes e frios de Santa Cruz são bem complicados e pensávamos em todos esses detalhes.

Assim, o alvo era uma casa mais segura e com a escada de acesso ao quarto por dentro. Mas nós não tínhamos recursos para a mudança, então, começamos a orar.

Deus comeceu agir poderosamente e nós sem esperar começamos a receber ofertas de várias igrejas. Guardei o dinheiro e disse à Mina: “Se é hora de mudar, é agora, com o recurso que temos.”

Família Missionária na Base de Apoio do 8 anel, Remanso

Dias de busca se passaram sem sucesso. Lembrei-me dos milagres anteriores e decidi parar e clamar. Entrei no quarto e fui orar ao Senhor por uma saída. Então o Senhor me disse de forma fortíssima: A sua casa está na mesma avenida onde você mora, a Avenida Banzer, no Oitavo Anel, do lado esquerdo.” Não havia dúvida. Estava buscando uma palavra e o Senhor nos deu sua palavra naquela momento em oração.

Então eu pedi uma confirmação do Senhor quanto aquela orientação. Pedi a Deus que fosse Mina que encontrasse aquela casa e não eu. Fiquei quieto, não disse nada para Mina quanto a palavra que o Senhor me deu e guardei a palavra. Não queria ser soprado pela circunstancia, mas viver o agir de Deus e queria ver a mão de Deus.

Dias depois, Mina abriu o computador na sala de nossa casa e disse: “Peniel, estou vendo uma casa com o valor que podemos pagar, e que tem o que oramos!” Ela me mostrou as fotos: casa nova, piso lindo, tubulações e elétrica novas. Eram exatamente os detalhes que orávamos!

Perguntei: “Onde fica?” Ela respondeu: “No Oitavo Anel, lado esquerdo, no bairro Remanso.”

Mina, Deborah e Samuel na praça do Ramanso, Santa Cruz de la Sierra – Bolívia

Era a região exata que Deus havia mostrado! “Coincidentemente”, tempos antes, Mina havia olhado para o Remanso, ao visitarmos um amigo que morava naquele bairro, e dito: “Que lugar lindo! Imagina Deus nos dar uma casa aqui?” Andamos pela praça daquele lugar com muito desejo de um dia morar naquele bairro.

Fechamos o contrato rapidamente. Essa foi nossa segunda base em Santa Cruz, onde moramos por mais de sete anos. Um lugar de descanso e estratégico até nossa saída da Bolívia.

O Deus que Ouve as Orações

A casa anterior era muito velha. O piso era ruim, o encanamento e a fiação da casa eram velhos. Tivemos muitos problemas nos batanheiros tanto do quato de cima quanto no quarto de baixo e tivemos que refazer muita coisa.

Além de tudo isso a proprietária era bem complicada de lidar. Eu pagava adiantado, mas mesmo assim sempre que podia ela vinha nos pertubar por qualquer coisa.

Oramos ao Senhor não apenas pela escada que fosse dentro de nossa casa, mas que a casa fosse nova. Também oramos para que o Senhor colocasse uma proprietária que não pertubasse nossa vida. Amados, o Senhor Jesus nos deu justamente como pedíamos.

Eu vi a proprietária daquela casa apenas algumas vezes. A primeira quando tive que assinar o contrato, depois ela veio para ver alguns problemas que tinha no teto e no final apenas vi a proprietária para entregar a casa. Até nisso nós vimos a mão de Deus


O Deus das Pequenas Coisas

Amados, é muito fácil contar testemunhos de grandes vitórias, mas o mais lindo é ver a mão de Deus nas pequenas coisas. Deus é o Deus que está presente em cada detalhe de nossa vida e o glorificamos.

Se você parar, analisar o seu dia a dia e permitir que Ele participe das suas escolhas, verá a provisão d’Ele até mesmo no momento de alugar uma casa. Ele se importa com a sua vida, suas necessidades e até com o seu endereço.

“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” – Salmos 23:1

Se o nosso Pastor é o Deus Todo-Poderoso, por que duvidar que Ele suprirá a necessidade do nosso lar? Confie na Palavra d’Ele, mesmo quando o conselho dos mais experientes sugere o contrário!

Um abraço, Deus abençoe, e até o nosso próximo Diário Missionário.

Nossos Vídeos Missionários

Eu tenho alguns vídeos onde mostro a primiera casa alugada em Santa Cruz e a segunda. Os links eu deixo abaixo

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro a primeira casa. É um vlog gravado em 2017 e eu fala de nossa chegada em Santa Cruz de la Sierra, pois na época já havia se passado 10 anos que fazíamos missões em Bolívia

CLIQUE AQUI para assistir o vídeo onde eu mostro nossa segunda casa. Desta vez o vídeo foi gravado em 2021 e eu estava entregando a casa ao proprietário

CLIQUE AQUI para assistir um vídeo gravado em 2025 quando novamente voltei a nossa antiga Base de Apoio. A pedido dos meus filhos eu retornei ao bairro Remanso para gravar a antiga praça, a casa e o bairro

Contêineres com literaturas evangelísticas

Vamos com um pouco mais do Diário Missionário? Hoje eu quero compartilhar uma forte mudança no meu trabalho em missões. Por muito tempo o nosso trabalho era estar na linha de frente, no calor da rua, contato direto com outros evangelistas, mas o Senhor tinha algo muito diferente planejado para mim e desejo compartilhar este processo com você.


O Evangelismo e o Serviço de Apoio

Por muito tempo, eu fazia o pedido de material e ele vinha por meio da missão chamada Vetome na Bolívia. Os irmãos de lá cuidavam de toda a documentação, armazenamento e solicitação do material. Eles sempre me mantinham informado: “Peniel, o container está para chegar”, “A documentação já foi dada entrada”. E assim nós trabalhávamos de forma conjunta.

Material evangelístico chegando em Bolívia (2012)

Inicialmente, uma pequena quantidade do material vinha para o nosso trabalho. Depois ampliamos para um terço do contêiner e com o tempo, ampliamos nosso projeto e a solicitação, passando a receber a metade do container de 40 pés. O trabalho de apoio naquela época estava crescendo rapidamente.

Foi aí que comecei a ter alguns problemas com os irmãos da Vetome. Na prática, eles estavam fazendo a importação e todo o processo, mas a quantidade de importação começou a aumentar. Antes eles importavam a cada dois ou três anos e agora tinha que fazer toda ano e em algumas ocasições tiveram que fazer duas importações anuais.

Enquanto isso, o número de evangelistas que apoiávamos só crescia. Na época eu estava orando ao Senhor para continuar com o trabalho de rua, que eu realizava diariamente com o grupo de evangelismo. Todos os dias eu pegava meu megafone, minha mochila e saía com alguns irmãos para o trabalho de impacto pelas feiras de Santa Cruz de la Sierra.

Peniel, missionário Welder e Deborah na região do Los Pozos, Santa Cruz – Bolívia

Muitas vezes, eu conseguia recursos para pagar a passagem, a alimentação dos evangelistas e, em vários casos, até o alojamento desses irmãos quanto íamos a outras cidades ou em outros departamento. O trabalho era praticamente diário e o único dia que não estávamos nas ruas era aos domingos.

Fiz esse trabalho por vários anos. Era muito impactante! A gente via o mover de Deus, e eu, no serviço evangelístico, tinha o contato direto com as pessoas nas ruas. Era algo que me empolgava muito e não tinha desejo algum de parar com este serviço.

Grupo de evangelismo na região da Ramada de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Os contêineres em meu Caminho

Um dia, porém, o Senhor começou a falar comigo para que eu parasse com o trabalho de rua e me dedicasse integralmente ao serviço de apoio. Sinceramente, eu não queria parar. Eu achava que daria para continuar com os trabalhos de impacto e, ao mesmo tempo, realizar o apoio.

O que eu não estava entendendo era que o Senhor estava me entregando um trabalho com uma escala muito maior quanto a quantidade de material e evangelistas, assim eu precisaria dedicar muito mais tempo a este novo trabalho.

Um dia, depois de fazer compras em um mercado, eu estava na avenida esperando meu ônibus, e passou bem ao meu lado uma carreta com um container de 40 pés. Fiquei olhando para aquela imensa caixa de ferro e algo ardeu no meu coração. Pensei: “E se você começar a trazer containers e mais containers como este para o serviço de apoio, como vai ficar o trabalho de evangelismo?”

Contêiner de 40 pés chegando em Bolívia

Enquanto a carreta passava, eu não conseguia esconder a emoção. Enquanto eu pensava na possibilidade de dedicar mais tempo ao apoio o Espírito de Deus começou falar em meu coração, dizendo: “Chegará o tempo em que você estará trazendo trazendo containers com materiais impressos para o evangelismo. Você precisa dedicar-se a este trabalho.”

Eu, por natureza, queria fazer o trabalho rápido, alcançar vidas, ver o resultado imediato, distribuir a literatura e estar presente em todo o processo. O grande problema é que isso não é escalável. Se você vai trabalhar com uma pequena quantidade de material, tudo bem, mas se você pretende ampliar o apoio, alcançando e sustentando muito mais evangelistas, você precisa concentrar sua atenção.


A Plantadeira Gigante

Era justamente isso que Deus estava me dizendo: “Peniel, concentre-se no apoio. Aquela palavra era muito forte. O Senhor Jesus começou a mostrar que colocaria esse trabalho em minhas mãos e que seria escalável. Eu lembrei de quando o Senhor havia falado dentro do meu quarto anos atrás que colocaria muito material impresso em minhas mãos. Eu estava vivendo um verdadeiro turbilhão do agir de Deus.

Na época, eu não tinha ideia de como isso aconteceria. Eu não tinha conhecimento em importação, não sabia como lidar com as empresas, nem de onde conseguir recursos para pagar fretes e documentações. Era Deus falando comigo no meio da rua, ministrando ao meu coração, e eu sem ter a mínima noção da logística e de como fazer o trabalho

Peniel Dourado distribuindo a Palavra de Deus escrita em uma feira de roupas (2010)

Em outro dia, passei em frente a uma loja de materiais agrícolas e vi uma plantadeira enorme no pátio. Pensei: “Como aquela máquina trabalha tão devagar, sem velocidade, mas consegue plantar uma quantidade imensa de sementes em uma área enorme em poucas horas?”

O Espírito Santo começou a falar ao meu coração, dizendo: “Peniel, seu trabalho será como essa plantadeira. Você vai trabalhar de modo mais lento, mas serão milhares e milhares de vidas alcançadas.” Eu não via beleza na máquina, mas ela é uma ferramenta poderosa para plantar muitas sementes em uma área gigantesca.

Peniel Dourado e um contêiner de 40 pés, Bolívia

O Espírito Santo continuava: “Seu trabalho será como essa plantadeira. Você andará devagar, mas a quantidade de sementes alcançada será enorme.”

Obs.: Se você quiser saber o que é uma plantadeira clique aqui


A Expansão Atual do Projeto

Hoje, nosso trabalho mudou drasticamente. Saímos de Santa Cruz de la Sierra — onde minha casa era nossa base de apoio na Bolívia — e fomos em janeiro de 2021 a Corumbá, região de fronteira com Bolívia, onde ficamos um ano, dedicando-me a abrir pontos de apoio em outras regiões, como o Paraguai e o Brasil.

Obs.: Se você tiver interesse de assistir os vídeos gravados em 2021 quando estivemos na região de fronteira, nossa viagem ao Acre, Paraguai, Bahia, Pernambuco, as primeiras viagem a Aracaju clique aqui

Em janeiro de 2022, chegamos ao Paraguai, assumindo a Missão Siloé, um trabalho missionário aberto pelos meus pais. Atualmente, o trabalho local que eu faço é mais pastoral (cultos, discipulado, Escola Bíblica Dominical). No entanto, em relação com o Programa de Apoio Evangelístico, nosso foco agora é justamente abrirBases de Apoio na América do Sul.

Liderança da região nordeste do Brasil

Fazemos a solicitação dos materiais que chegam à Bolívia em quantidades enormes. Da mesma forma, estamos trabalhando na solicitação de materiais para a nossa Base de Apoio no Nordeste do Brasil e para a segunda Base de Apoio em São Luís do Maranhão.

Sei que o trabalho não vai parar. Precisamos avançar ao norte do Brasil, ter uma base na região centro-oeste e também no sul do Brasil. Em cada região, precisamos de um ponto para receber esse grande volume de material e facilitar a distribuição pelos irmãos locais.


Expandindo o Apoio Evangelístico

Continuamos trabalhando na expansão para outras nações da América do Sul, mantendo o alvo de avançar ao Uruguai, à Argentina, ao Peru e aos demais países.

Peço que você ore por nós, para que Deus coloque bons obreiros em nosso caminho. Com eles, teremos um alcance gigantesco da Palavra de Deus. E que Ele nos dê sabedoria para identificar os maus obreiros — aqueles que, pela arrogância e coração endurecido, tentam frear o desenvolvimento do trabalho.

Contêineres chegando na Base de Apoio em Aracaju

Nosso objetivo é inundar a América do Sul com a Palavra de Deus. Eu creio no agir do nosso Deus e que Ele continuará abrindo as portas! Nós temos uma ordem e devemos obedecer.

Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. – Marcos 16:15

Participe:

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Deus te abençoe

Um Chamado à Provisão Divina

Nossa jornada em missões sempre foi guiada por um chamado claro, mas nem sempre por um caminho óbvio. Casamos em 2002 e começamos a trabalhar no Paraguai com aldeias indígenas. Depois o Senhor nos levou ao serviço de rápido, presidio, atender as famílias que vivem em fazendo e outros trabalhos.

Posteriormente veio o chamado para fazer missões em Bolívia e meu foco era um só: abrir igrejas. Eu e minha esposa, Mina, estávamos em Bolívia com esse único projeto. Deus, porém, tinha outros planos para nossas vidas. Ele nos mostrou a necessidade do serviço de apoio a evangelistas. O grande detalhe é que naquele momento, eu não tinha dinheiro nem para comprar leite e pão.

Pastor Peniel, Mina e Deborah no trem indo de Puerto Suarez a Santa Cruz de la Sierra – 16 horas de viagem

Deus me deu a Palavra do alvo, mas eu estava apreensivo. Lembro-me de contar moedas que estavam sobre a mesa, tentando juntar o suficiente para a nossa alimentação do dia. Nós estávamos passando por uma grande necessidade financeira e buscávamos a direção de Deus para o serviço. Tudo o que sabíamos era que Deus nos havia enviado e deveríamos ficar ali.

Uma noite, enquanto orava, Deus me falou muito forte sobre o trabalho de apoio. Ele começou a me revelar os alvos que tinha e como eu deveria seguir. No dia seguinte, mesmo diante das muitas dificuldades financeiras, eu disse à Mina que Deus havia falado que iríamos trabalhar com Apoio Evangelístico. Eu traria o material de São Paulo, passaria pela fronteira e começaríamos a distribuir gratuitamente aos evangelistas locais.

Que brilhante ideia! Mas, onde conseguiríamos dinheiro para manter? Quem quer ajudar um projeto missionário assim? Mina estendia as roupas e me fazia muitas perguntas e eu não tinha resposta.

Mina e Deborah – Bandeira de Santa Cruz de la Sierra

Então Mina me fez mais uma pergunta: “Se a gente não tem dinheiro para comer, como vamos sustentar um projeto tão caro?” Querido irmão, ela não estava sem fé, era uma questão de lógica e sei que minha esposa tinha razão. Um projeto como esse envolve um custo altíssimo com frete, viagens e documentações. Você sabe quanto eu gasto para fazer minhas viagens para atender o trabalho? Sabe quanto custo para entrar apenas um contêiner desse em um país?

E, além disso, outra pergunta que era do meu coração me atormentava: “Quem se importa com o evangelista? Quem se preocupa se ele tem um folheto para pregar?” Você acha que eu não pensava isso? Sim, eu pensava e até hoje penso sobre este assunto.

A realidade é que pouquíssima gente se importa com o serviço evangelístico. Pouca gente valoriza o trabalho de quem vai para as ruas, hospitais e presídios, e não enxerga o resultado da literatura impressa, a Palavra de Deus escrita nas mãos do povo. Como eu apresentaria um projeto assim a uma igreja, aos secretários de missões?

A Primeira Grande Preocupação

Essa foi a nossa maior preocupação no início: como manter este trabalho. E Deus nos ensinou, de um jeito prático, a amar esse serviço. Ele nos mostrou primeiro o quanto Ele ama e também nos ensinou a amar. Por mais de três anos, eu, minha esposa e nossa filha Deborah, que ainda era um bebê, estivemos nas ruas de Santa Cruz de la Sierra, distribuindo literatura em praças, universidades e feiras. Colocávamos a Débora no carrinho e enchíamos as mochilas de folhetos.

Deborah e os primeiros materiais da Gospel Sunrise

Mais tarde, começamos a identificar evangelistas que precisavam de material e passamos a distribuí-los para eles. Deus nos ensinou a amar o serviço evangelístico e a ter a carga de ir às ruas. Ele nos mostrou que, da mesma forma que Ele nos deu o desejo de fazer esse trabalho, também levantaria pessoas que amam este obra e nos ajudar a manter este trabalho.

A nossa primeira preocupação foi ‘como vamos manter?’, mas o Senhor nos ensinou que, da mesma forma que Ele colocou essa carga em nossos corações, Ele levantaria pessoas para nos ajudar.

A maior lição que aprendemos foi: não é sobre como eu vou fazer ou como eu vou manter, mas sim, sobre como Ele vai providenciar. Deus nos mostrou, em cada necessidade suprida e em cada barreira vencida, que a obra é d’Ele e, assim como Ele nos chamou, Ele mesmo irá sustentá-la

Eu em Mina em nossa primeira base de apoio em Bolívia recebendo materiais da Irlanda (2011)

“E, quando faltar a vocês alguma coisa, Deus, que me dá tudo o que é necessário por meio das riquezas de Cristo Jesus, lhes dará o que precisam.” – Filipenses 4:19

Pedido de Oração:

Ore pelo Programa de Apoio Evangelístico para as portas continuem sendo abertas em toda América do Sul.

Ore pelo desenvolvimento da Base de Apoio na Bolívia, o coordenador nacional, irmão Nigel Mercado e por todos os líderes dos Pontos de Apoio em Bolívia.

Ore pela Base de Apoio em Aracaju que está sob liderança do presbítero Assis e que atualmente atende praticamente todo o nordeste Brasileiro.

Ore por nossa nova Base de Apoio que está sendo aberta na cidade de São Luis do Maranhão com o irmão Rogerio.

Quase fomos esfaqueados pregando nas ruas da Bolívia

Eu realmente estou gostando muito da idéia de colocar nossas experiências de missões aqui em nosso blog. Abri uma categoria chamada Diário Missionário onde eu vou buscar postar pela manhã daquilo que temos vivido e vivemos no campo missionário.

Eu quero agradecer a participação dos assinantes do nosso blog fazendo perguntas, enviando sugestões sobre o que escrever. Muito obrigado mesmo pela participação de vocês.

Peniel e Mina

Ele queria me esfaquear

Alguns dias atrás, alguém me perguntou sobre as minhas experiências pregando nas ruas, especialmente na Bolívia, e se eu já tinha enfrentado algum problema com pessoas violentas.

A verdade é que sim, já tive algumas dificuldades, mas elas foram insignificantes perto dos grandes momentos em que vi pessoas sendo tocadas pela Palavra de Deus e entregando seu coração a Ele.

Mas, minha primeira experiência foi em Santa Cruz de la Sierra. Eu estava com o irmão Joel Apodaca, um jovem paraguaio que foi à Bolívia para me ajudar no trabalho. Eu não lembro bem a data de quando Joel nos visitou pela primeira vez, mas creio que foi em 2012. E naquele tempo passamos muito tempo evangelizando em feiras, praças e na frente de universidades, distribuindo literatura e pregando a Palavra.

Na foto eu estou com Mina, Deborah e Joel Apodaca em 11 de Maio de 2012 – SCZ, Bolívia

Havia um local que gostávamos de frequentar: uma passarela sobre a linha férrea, em frente a um grande mercado chamado Nova Feira do bairro Lindo próximo ao quarto anel. Subíamos na passarela e a usávamos como nosso púlpito. Enquanto um de nós pregava usando um megafone, o outro distribuía literatura.

Como eu disse, o número de pessoas impactadas pela Palavra de Deus ali foi tão grande que não se compara aos incidentes que tivemos. As pessoas raramente param para ouvir, mas eu sei que elas escutam enquanto caminham apressadas de um lado para o outro. Muitas vezes vidas impactadas pelas Palavra saiam entre a multidão em lágrimas e nós orávamos por elas.

Pregando na passarela na Nueva Feria do Bairro Lindo

Certo dia, enquanto eu pregava, olhei para a multidão e vi um homem que me observava atentamente. O olhar dele não era de quem estava sendo tocado pela Palavra. Eu vi ódio em seus olhos. Ele estava com muita raiva de nós. Acredito que ele percebeu que eu o notei. Ele se afastou, retornou, e ficava me encarando, rangendo os dentes. Sua atitude não era normal; era uma opressão maligna.

Continuei pregando, enquanto Joel distribuía os folhetos. Pessoas se aproximavam, faziam perguntas e pediam oração. Então eu decidi trocar de posição com Joel: ele pegou o megafone e eu desci para a escadaria da passarela para distribuir a literatura. Foi então que vi o homem lá embaixo. Ele subia a escada e vinha em minha direção, rangendo os dentes, com ódio no olhar. Era literal, não um exagero.

Enquanto ele subia, eu me mantive calmo, pois não havia medo em meu coração. Eu sabia que a glória de Senhor Jesus estava ali. Quando ele se aproximou, levantou a camisa e puxou uma faca. Eu o encarei e perguntei: “Jovem, o que você está fazendo com essa faca?”. Ele me olhou, rangendo os dentes, e era nítido que aquele homem estava cheio de demônios. Então, estendi a mão e ordenei: “Em nome de Jesus, me dá essa faca.”

Então, ele tirou a faca que estava dentro de sua calça e me entregou o cabo da faca. Ao pegá-la, notei que havia sangue na lâmina, como se tivesse sido usada recentemente. Coloquei a faca para trás e, com a outra mão, toquei o peito daquele jovem e disse: “Em nome de Jesus, espírito maligno, sai dele!”

Naquele mesmo instante, o jovem caiu de joelhos na escada, como se as forças de suas pernas tivessem sumido. Começamos a repreender os demônios em Nome de Jesus, e os demônos falavam: “Viemos de um inferno do outro lado“. Eu ouvi que o jovem repetia esta frase várias vezes.

Depois de repreendermos, o jovem voltou a si. O olhar já não era de possesso e me respondia normalmente. Perguntei seu nome para anotá-lo em nosso caderno de oração, pois eu queria visita-lo posteriormente, mas ele se levantou, disse que precisava ir, porque uma moça do outro lado da passarela o chamava. Eu olhei e realmente uma mulher gritava seu nome. Então ele se levantou e foi embora com aquela moça. Nunca mais o vi.

Nós seguimos pregando a evangelho no mesmo lugar e no final daquele dia, tirei uma foto com a faca (foto abaixo). Levamos ela para casa e a enterramos no quintal, pois não queríamos ficar com aquela faca suja de sangue.

A faca que tomamos do jovem durante o evangelismo

Não conto esta história para dizer que somos melhores que ninguém. Aprouve a Deus nos livrar e também nos dar tamanha ousadia para não ter medo, pois realmente eu não tive medo naquela ocasião. Eu sei que foi o mover de Deus em nossas vidas.


O Livramento Divino na Feira de Punata

Outra situação que passei foi na cidade de Punata, uma pequena cidade próximo a Cochabamba, Bolívia. Estávamos com um grupo de evangelistas, em uma praça onde acontecia uma feira. Havia muitas pessoas, e nós escolhemos um ponto estratégico para pregar. Enquanto um de nós pregava, os outros distribuíam literatura.

Pregamos a manhã toda, e foi uma bênção. Muitas pessoas pediram oração e entregaram suas vidas a Jesus. No meio-dia, fomos almoçar. Depois, resolvi voltar para a feira, pois sabia que nesse horário, entre meio-dia e duas da tarde, os compradores diminuíam e ficavam mais os vendedores com suas famílias, um ótimo momento para evangelizar.

Praça em Punata, Bolívia, onde fizemos o evangelismo

Liguei o megafone, coloquei uma música e comecei a pregar. No meio da multidão, vi um homem vindo em nossa direção com um olhar de ódio. Ele tirou um facão e começou a bramir, como se estivesse cortando o ar. As pessoas ao redor pararam para ver o que estava acontecendo.

Quando ele chegou a uns 30 metros de mim, parei de pregar e apenas coloquei a música. Ele continuou se aproximando, e quando estava a cerca de 10 metros, gritou: “Eu vou arrancar a sua cabeça! Hoje eu vou te matar!“.

Eu me mantive no mesmo lugar com o megafone na mão e olhava aquele homem. Por um momento, olhei ao redor para ver se os irmãos não estavam por perto, pois eles tinham ido lavar as mãos do outro lado da praça.

Então, eu me vi sozinho naquele momento, mas não senti medo. Mais uma vez eu posso dizer que foi o poder do Senhor que agiu e não algo natural para não temer naquele momento.

Olhei para o homem e comecei a repreender. Eu dizia: “Eu te repreendo em nome do Senhor Jesus” Quando ele chegou a uns 3 metros de mim, o homem parou, baixou o facão, olhou para mim por um tempo, e simplesmente virou e foi embora no meio da multidão.

Os irmãos chegaram correndo e me perguntaram o que havia acontecido. Eles queriam ir atrás do homem, mas eu disse para continuarmos nosso trabalho.

Aqui alguns da nossa equipe de trabalho: Russel (centro), Fernando à direita e quem tirou a foto foi o irmão Max Arapa

A Importância de Servir a Deus

Já passei por outras situações parecidas, mas eu creio que as duas situações acima foram as mais impactantes. Mas também passamos por ameaças de indígenas guaranís no Paraguai que estavam armados com revolveres que disseram que nos atacariam à noite.

Nós estávamos ali para realizar um culto na aldeia guaraní no Paraguai, mas havia uma briga entre indígenas locais com outros indígenas de outras aldeias por madeira.

No meio daquela confusão eles nos ameaçaram. Nós estávamos com um grupo da Jocum da base de Porto Velho e faziam muito frio. Como já era noite, decidimos ficar até o outro dia, mas eu posso dizer que aquela noite foi muito longa.

Nós fizemos uma fogueira, cantamos, oramos e forçadamente fizemos uma vigilha até o amanhecer, pois ninguém queria dormir com medo de levar um tiro.

E novamente em Bolívia, eu passei por outra situação, mas foi com um irmão que estava conosco pregando. Ele foi confrontado por um grupo de mais de 15 homens que se dispersaram após ele repreendê-los no nome do Senhor.

Eram pessoas que lidavam com feitiçaria em um pequeno povoado na região dos Andes de Bolívia, mas quando viram em nossa direção o irmão que pregava repreendeu em nome do Senhor Jesus e todos foram dispersados. Em todas essas ocasiões, Deus nos deu graça e misericórdia, e fomos livrados.

Mas é importante entender que, se você está em missões, pode enfrentar adversidades. Se o nosso mestre, Jesus, foi crucificado, e se o apóstolo Paulo foi preso e açoitado, nós também poderemos sofrer e isso não é porque estamos fora de diração de Deus.

A Palavra de Deus diz que devemos completar o sofrimento de Cristo. Em Colossenses 1:24 o apóstolo Paulo diz:“Regozijo-me agora no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja.” Eu sei que as pessoas não gostam muito de pensar sobre esses assuntos, mas fazem parte da nossa vida Cristã.

Por amor de Cristo, somos loucos, mas vocês são sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados. Até agora, estamos famintos, sedentos, mal vestidos, esbofeteados e sem-teto. Nós nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo.” (1 Coríntios 4:10-13)

Bem, quero finalizar meu Diário Missionário de hoje. Para mim é uma benção recordar o que o Senhor fez e continua fazendo. Digo a você que é por amor a Cristo que suportamos todas as coisas, pois o nosso trabalho não é em vão. Nos livramentos, ou não, nas muitas dificuldades, ou não, o que realmente importa é que o propósito de Cristo em nós seja cumprido.

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Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Peniel N Dourado

O poder de escrever e lembrar os feitos de Deus

Gratidão por sua presença aqui no blog

Eu quero agradecer a você que está sempre acompanhando as nossas postagens aqui no blog. Para mim é uma bênção, eu realmente fico muito feliz com a sua presença. Tenho dedicado muito tempo aos vídeos desde 2016, mas antes mesmo disso já tínhamos este blog.

Aqui era o espaço onde compartilhávamos o que acontecia no campo missionário: nossos pensamentos, milagres, lutas, dificuldades e até oposições.

Peniel N Dourado

O início da escrita missionária

Não lembro exatamente o ano em que começamos, se foi 2008, 2009 ou 2010. Mas sei que tudo começou em Santa Cruz de la Sierra. Desde antes do blog eu já registrava em cadernos, e a ideia nasceu a partir de um conselho da minha avó materna, que já está com o Senhor.

Ela herdou de seu pai, que era pastor da Igreja Batista, o hábito de escrever diários. Lembro dela me mostrando um caderno antigo e dizendo:

“Escreva aquilo que você pensa, aquilo que sente, o que Deus está falando com você. Isso será bênção para você, para seus filhos e também para outras pessoas.”

Foi assim que em 2002 comprei meu primeiro caderno de capa dura e comecei a registrar os milagres e experiências com Deus.

Dos cadernos às orações pela Bolívia

Com o tempo, fui detalhando cada experiência: as cidades por onde passávamos, o clima, os milagres, as promessas de Deus. Infelizmente, perdi meu primeiro caderno, mas logo comecei outro — que guardo até hoje.

Nesse segundo caderno escrevi muito sobre a Bolívia. Sem internet em casa, eu olhava mapas em livros e orava cidade por cidade, pedindo ao Senhor que nos usasse para alcançar aquela nação.

Foi também nesse tempo que recebemos uma palavra profética confirmando que nossa obra não seria apenas em uma igreja, mas em várias cidades. E tudo isso eu registrei no meu diário.

“Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo” (Habacuque 2:2).

O blog como diário missionário aberto

Com o passar dos anos, os registros dos cadernos começaram a se transformar em textos publicados no blog. Este espaço se tornou uma forma de testemunhar para muitas pessoas aquilo que Deus estava fazendo em nossas vidas.

Sempre que releio esses registros, lembro-me do que está escrito:

“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios” (Salmo 103:2).

E vejo que a palavra da minha avó se cumpriu: tudo isso tem sido bênção para mim, para minha família e para tantos que acompanham nossa caminhada missionária.

Um convite para você também escrever

Quero animar você que está lendo: registre os feitos de Deus na sua vida. Pode ser em um caderno, em um blog ou até em notas no celular. Isso se tornará um memorial da fidelidade do Senhor.

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade, que eu sou Deus, e não há outro” (Isaías 46:9).

Testemunhos escritos não morrem. Eles edificam sua fé, fortalecem sua vida e inspiram outras pessoas.

Gratidão e parceria

Quero agradecer novamente a você por estar aqui. Cada leitura sua, cada comentário e cada oração são parte dessa caminhada. Se puder, deixe uma mensagem aqui no blog — será um grande incentivo.

Que Deus abençoe a sua vida e o fortaleça no caminho do Senhor.

Amém? Um abraço!

Em casa!! – 27 de Fevereiro

Já inicio este blog dizendo que cheguei muito bem na fronteira e já estou com a família. Desde já agradeço as orações dos amados

Bem, tivemos uma noite bem fora do comum no bloqueio vindo à fronteira com o Brasil

Como eu tenho dito nos outros posts, os bloqueios de estrada em Bolívia são comuns e fazem parte do dia a dia de quem viaja. Eu sei que no Brasil muito gente não sabe nem que isso existe e o maior impacto é participar do primeiro

Assim, se você vem por terra à nação de Bolívia a minha dica é você perguntar antes de comprar a passagem se há bloqueio, porque se você não perguntar eles vão vender da mesmo forma sabendo que a estrada esta bloqueada. Você vai entrar no ônibus e vai ficar trancado na estrada. É claro que tem os conscientes nesta história, mas excessão.

Também pergunte aos policiais na rodoviária. E por favor, não me faça esta pergunta apenas para um policial. Procure uns três ou quatros policiais e busque informações da estrada

Você também pode pesquisar na internet nos sites dos jornais locais. Eles também vão dar informações se há bloqueios na estrada ou não

Bem, recebi mensagens dos irmãos dizendo que agora vou ficar livre dos bloqueios, pois estarei na fronteira. Eu até queria, mas na realidade minha situação ficar um pouco pior, pois vou ter que viajar mais estando na fronteira.

Em Santa Cruz eu tinha dor de cabeça com os bloqueios quando eu tinha materiais que enviar. Os irmãos solicitavam, eu fazia os pacotes e quando chegava no terminal não podia enviar por causa dos bloqueios. Então eu voltava para casa e avisava que não poderia ser enviado por causa dos bloqueios

Agora eu terei que fazer minhas viagens uma ou mais vezes durante o mês e com certeza tenho que cuidar bastante sobre tudo isso

Mas, como foi minha noite no ônibus? Chegamos às 1:20 da manhã no ponto de bloqueio. O motorista anunciou nossa chegada e falou que estaria esperando os bloqueadores abrirem para que passem os ônibus

O ar condicionado do ônibus foi desligado e logo depois o motor. Todo mundo começou a transpirar e havia umas crianças que começaram a chorar. As mães falaram com o motorista para ligar o ar e ele disse que periodicamente estaria ligando. Ainda bem que foi sensível a situação, pois geralmente não ligam

Então uns abençoados resolveram sair para “visitar o mato”, pois o banheiro é só para o “serviço 1” e nada mais. E graças a Deus que deixaram o banheiro para o “serviço 1”, porque geralmente fecham o banheiro

Mas quando desceram havia muito mosquito e começaram a entrar no ônibus. Que tribulação! Depois do calor insuportável veio os mosquitos para ajudar

Me dava muito pena das criancinhas, os bebês dentro do ônibus. E criança não compreende nada e começam a chorar. Todas ao mesmo tempo. Todos ficavam calados escutando as mães tentarem acalmar seus filhos

Não lembro o horário da madrugada, mas escutei que alguns ônibus começaram a buzinar pressionando os bloqueadores. O problema é que ninguém conseguia dormir com a zuada

Começamos a ver o dia raiar. Escutei o motorista falar pelo rádio com o outro ônibus, creio que da mesma empresa, que deveriam aproximar ao máximo do ponto de bloqueio, pois os bloqueadores abriam por um tempo apenas e depois fechavam. E eles só estavam abrindo no período da manhã. Quem não passasse deveria ficar para o outro dia

Assim nosso ônibus começou a se deslocar e buscar um espaço e outro para aproximar da barreira. Mas quando ficou mais claro observei que estávamos uns dois ou três quilômetros do bloqueio. Olhei para minha mochila e lembrei que só tinha trazido uma garrafa de água de meio litro e nada mais.

Olhei ao redor e não vi casa, vila, nada! Sabe aquele momento que você fecha os olhos e faz aquela oração rápida: “Jesus Cristo, onde vou comprar água e comida aqui neste lugar?”

Ao raiar o dia os bloqueadores abriram a passagem e os ônibus e caminhões começaram a passar. A fila de veículos tanto dos que iam quanto dos que vinham era quilométrica. Mas como chegamos cedo estávamos perto e logo passamos do bloqueio

Eu vou deixar um vídeo de outro bloqueio que gravei a uns 3 anos atrás. Nosso ônibus chegou no ponto de bloqueio e o motorista não quis passar, pois estavam quebrando os vídeos dos ônibus que passavam. Ficamos no ônibus até amanhecer e depois tive que seguir a pé passando o bloqueio para que do outro lado conseguisse um carro e seguir viagem

Bem, o vídeo eu deixo logo abaixo. Mas aqui no blog, logo abaixo, tem um espaço de mensagens. Eu queria saber o que você esta achando do nosso Diário Missionário. Você prefere os vlog (nosso dia a dia em vídeo) ou por escrito? Por favor, deixe sua mensagem

Forte abraço e continue orando por nossas vidas

Dias complicados em Santa Cruz de la Sierra

Estamos com alguns dias observando as notícias dia a dia para tomar decisões simples de ir ao centro da cidade, banco ou ao mercado. Todos os dias os grupos cívicos falam de paralisação, bloquear tudo e as decisões das autoridades não são constante

Ontem vi a notícia que haveria bloqueio quinta e sexta feira desta semana. Eu até cheguei falar com Mina sobre o assunto, pois ela precisa comprar algumas coisas para um trabalho de costura que esta fazendo e eu enviar materiais aos irmãos. Depois surgiu outro vídeo dizendo que a paralisação começaria hoje

Eu pergunto aos irmãos e estão todos iguais a mim sem ter muita notícia das coisas. É uma graça tudo isso

Mas, seguimos em frente. Estamos sempre em oração e buscamos do Senhor fortaleza para seguir no propósito que Ele tem para nossas vidas

Este ano de 2020 tem sido de muita tensão. Mas qual o segredo para seguir em frente e vencer cumprindo o propósito? O grande segredo é olhar para a Palavra que nos foi dada e viver esta Palavra. Cada dia lembramos de tudo o que o Senhor nos tem orientado, as promesas de Deus e vivemos a Palavra e em direção à Palavra que nos foi dada

Abaixo vou deixar um video, como sempre eu faço, onde eu falo sobre viver a vontade do Senhor.

Esteja orando por Bolívia, pelo projeto que desenvolvemos e por nossas vidas

Forte abraço

Missionários Baratas

Em meus primeiros dias em Bolívia encontrei irmãos bolivianos bem incomodados com alguns missionários que estavam já um bom tempo no campo missionário. A reclamação feita era que os missionários brasileiros só mostravam e falavam dos pontos negativos da região, só mostravam lugares pobres, a miséria, as dificuldades. Muitos no campo viviam uma vida e transmitiam em suas Redes Sociais outra coisa.

Um dos incomodados com a situação foi um pastor e me senti na liberdade de explicar que muitos missionários fazem isso porque a igreja brasileira esta condicionada, ou podemos dizer, viciada a ofertar para missões quando se fala de problemas, miséria, pobreza, sofrimento e etc. Infelizmente são poucos os interessados no desenvolvimento de um projeto no campo

Bem, aquela conversa não foi a única. Em meus 14 anos de Bolívia meu contato maior tem sido com nativos e, assim, já encontrei muita gente ressentida com missionários brasileiros por esta mal postura no campo de missões. E com a maior presença das redes sociais em todos os lugares e situação tem agravado.

Em certa ocasião encontrei um pastor dizendo que recebia os grupos dos Brasil, mas não permitia que tirassem e fizessem vídeos do trabalho. Ele me explicou que um grupo chegou, fez um trabalho de dois dias visitando as casas e depois postaram nas redes sociais as casas, as crianças e falavam mal do povo. Exploravam que era sujos, mostraram crianças sujas e diziam que era uma miséria. O povo local viu as postagens (hoje todo mundo tem Facebook) e o pastor local ficou com um problema gigante para resolver. Assim decidiu continuar recebendo os grupos, mas nada de fotos e vídeos.

Pessoalmente tenho pensado muito sobre o assunto. Se eu tivesse no lugar dessas pessoas gostaria que fizesse comigo? Se eu recebesse um estrangeiro em minha casa, colocasse algo para comer gostaria de encontrar as fotos de minha casa no Facebook dele dizendo que minha comida é insuportável? O que eu pensaria se ele tirasse uma foto do meu filho todo sujo no quintal de minha casa e colocasse nas Redes Sociais explorando o estada de miséria da criança?

Eu não quero falar sobre o ponto de colocar em Redes Sociais ou não. Eu quero falar do sentimento, da motivação de se fazer tal ação? Por que fazer isso? Por que usar a imagem de outras pessoas para ganhar em cima? Esperamos tais atitudes de políticos, mas não são missionários? Qual é o objetivo de está no campo de missões?

Muitos ofertam para missões como é dado esmola aos pedintes na rua. Quanto maior a miséria exposta, a ferida aberta, a criança que chora por não ter o que comer é a capacidade de se receber ofertas. Quem levanta ofertas sobre miséria exposta, seja dele ou de outros, é um pedinte e não um missionário!

Por muito tempo uma pergunta tem ficado em minha mente: “Por que alguém ofertaria em nosso projeto? Por que alguém tiraria parte de seu salário e depositaria em minha conta bancária?” E lembro a você que sou filho de pastor e missionário e sei muito bem o que é ofertar. Mas, por que ofertariam? Seria pelo quadro de miséria que eu passo, ou pelo trabalho que eu faço? Estariam emocionados com miséria que eu transmito ou têm o desejo de participação?

Alguém ofertaria em nosso projeto porque sou um quase “superman” enfrentando situações no Reino de Deus quase que invencíveis, ou seria um missionário Indiana Jones em Bolívia?

Observe a foto ao lado. Esta foto foi tirada na cidade de Lequepalca em 2010 próximo a cidade de Oruro. Por esta foto e outras que postei na época recebi convites para pregar em igrejas, pessoas começaram a enviar suas ofertas e etc. É impressionante o que pode fazer uma foto no Facebook!!

Mas Bolívia não se resume a montanhas andinas, casas feitas de pedra, lugares pobres e miseráveis, crianças sujas nas montanhas dos Andes sem um chinelo. E o trabalho que eu faço não está diretamente ligado ao serviço social.

Não faz muito tempo um grupo queria vir do Brasil para realizar o trabalho missionário a curto prazo. Eles me pediram para entrar em contato com pastores e líderes da região central. Amados, que vergonha! Ninguém queria receber. Todos diziam que tais grupos veem, atraem o povo que doações, as crianças com brinquedos e depois colocam fotos no Facebook falando mal do povo. Amados, hoje todo mundo tem um celular e uma conta no Facebook. Tome muito cuidado com suas postagens!

Na realidade, eu nem deveria está falando sobre este assunto, pois só em pensar em fazer já é ridículo; mas tenho que falar, pois fizeram e continuam fazendo!

EXPULSE AS BARATAS
Mas, qual o remédio para essa doença? Eu creio que o missionário deve trabalhar com pessoas interessadas no trabalho que ele faz. Ele não deve se preocupar com os “missionários baratas” se só estão presente se houver sujeira, mas por missionários que têm o mesmo chamado. Pois assim como eu tive um chamado de Deus para está nesta ponta da corda Deus também chama outros para estarem na outra ponta da corda que é o lado do sustento.

Um missionário deve ter um projeto, um alvo de trabalho, um norte no campo missionário. Ele deve ser empolgado com o que faz, amar o que faz e ter o prazer de transmitir o que faz. Ele deve juntar pessoas no apoio que compreendem o que ele está fazendo e que amem as almas e valorize o trabalho que é feito. Quanto menos “baratas” na base de mantenedores menos gente deixará de ajudar porque uma foto foi postada em um shopping.

Você que faz parte do Programa de Participação está presente neste projeto pelo trabalho que é feito, pelo impacto que gera no campo, pelo serviço desenvolvido no campo de missões. Acredito que nenhum irmão que é presente no trabalho missionário que nós desenvolvemos faz porque um dia emocionamos com um vídeo ou uma fotos. E se existe segundo a experiência que tenho eles ajudam uma ou duas vezes.

Se eu trabalhar divulgando o projeto missionário mostrando o que fazemos, o impacto que gera no campo, os resultados do desenvolvimento do serviço que Deus nos deu para fazer eu vou atrair pessoas responsáveis, amantes de missões, gente que quer ver resultado e isso é um verdadeiro “anti baratas” de missões e não me gera problemas com nativos.

Eu poderia falar muito mais, mas este último ponto é importante: Não ter problemas com o nativo não existe preço. Eles estão olhando meus vídeos, vendo minhas postagens, observando o que estou fazendo. Mostro pontos positivos e negativos. E o mais importante é que a intenção é percebida a longo prazo. Se houver intenção de atrair a atenção ao projeto por postagens “baratas” esta será percebida pelos nativos que estão observando o que você faz a longo prazo

Eu vou deixar um vídeo logo a baixo de um vlog mostrando no rotina de vida no campo de missões e onde eu falo um pouco mais sobre o assunto.

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Evangelismo na região Andina de Bolívia


Onde nossos pés estão indo? Até onde estamos indo sob a ordem do Mestre de levar a Palavra de Deus às vidas? Quanto de esforço estamos colocando para que A Comissão seja cumprida?

Alguns anos atrás fui convidado a uma base missionária aqui em Santa Cruz de la Sierra para falar de missões a um grupo de missionários que vieram do Brasil. Ao terminar de trazer a palavra uma irmão se aproximou e disse que queria orar por mim.

Ela pediu para eu me ajoelhar. No mesmo instante me ajoelhei e aquela irmã com os demais irmãos oraram por mim. De repente aquela irmã disse: “Assim diz o SENHOR para sua vida: Você vai continuar fazendo este trabalho e você fará a Palavra chegar a lugares que você nem mesmo imagina. No tempo este trabalho alcançará outras nações. NÃO TE PREOCUPES com os recursos….abre tuas mãos!”  – ela me disse. Então eu abri minhas mãos. “… não te preocupes com os recursos, pois o Senhor coloca os recursos em tuas mãos como ouro em pó

Alguns dias depois veio um pastor em minha casa buscar material para o evangelismo. Eu dei os materiais e ele disse que queria orar por minha vida agradecendo a Deus por ter os materiais gratuitamente.

No meio da oração aquele pastor disse: “Assim diz o SENHOR para sua vida: Você vai continuar fazendo este trabalho e você fará a Palavra chegar a lugares que você nem mesmo imagina. No tempo este trabalho alcançará outras nações. NÃO TE PREOCUPES com os recursos….abre tuas mãos!”  – disse o pastor. Então na mesma hora eu abri minhas mãos. “… não te preocupes com os recursos, pois o Senhor coloca os recursos em tuas mãos como pedras preciosas

Amado, você sabe quanto custa manter um projeto como este? Quanto custa viabilizar materiais a toda nação, enviar para regiões de fronteira com Argentina, Brasil, Peru e Paraguai?

Os custos são altos e são poucos querendo participar, apoiar este projeto. Como estamos trabalhando com toneladas é comum as pessoas pensarem que nós recebemos dinheiro dessas missões que enviam os materiais, ou que grandes igrejas venham apoiar o projeto. Pelo menos até a presente data esta não é uma realidade.

Você sabe quantos começam ajudar o projeto e em três meses param? Sim, poucos apoiam e muita gente para de ajudar entre os três a cinco meses. Mas o projeto continua e deve continuar.

Estou escrevendo esta carta apenas para dizer onde eu tenho colocado mãos pés. Eu coloquei meus pés neste trabalho não por emoção, não por oportunidade de dinheiro, viver melhor, ou qualquer outros objetivo. Um dia Deus nos chamou, nos mandou está aqui e fazer o que fazemos.

Agora os pés desses evangelistas são os mãos pés, as mãos deles são minhas mãos, o tempo dado, o suor derramado são também os mãos. Eu estou em pleno cumprimento do que o Senhor nos disse anos atrás que faríamos a Palavra chegar a lugares que não imaginamos e alcançaríamos milhares de vidas com a Palavra de Deus.

Quero dizer a você que pertence ao Programa de Participação, que tem somado forças conosco, que tem estado juntamente conosco neste projeto não por emoção, não por querer ganhar algo, não por viver melhor, mas porque Deus te mandou somar forças neste projeto: As mãos desses evangelistas são as tuas mãos, os pés deles são os teus pés e estão indo a lugares inimagináveis; o teu suor é derramado nesta terra, o teu tempo é gastado nesta terra e o resultado de tudo que é feito também é teu.

Obrigado por sua presença. O galardão é nosso!

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