
No poste anterior colocamos alguns testemunhos sobre finança no campo missionário – nossas experiências propriamente dita. Nem todos os testemunhos estão em ordem. Creio que deveria ter colocado, mas não fiz. Mas o que verdadeiramente importa é que seguimos no mesmo propósito de dizer que felizes são aqueles que confiam no Senhor. O desejo ardente do meu coração é seguir neste alvo.
06 setembro de 2006 – Puerto Suarez
(resumo)
Queria muito comprar algumas cadeiras para as reuniões. Três dias atrás fizemos nossa primeira Santa Ceia aqui em Bolívia. Tínhamos apenas duas cadeiras, uma para mim e outra para Mina. Usamos de mesa uma caixa de isopor que era nossa geladeira provisória. Ficamos vários dias sem geladeira e não era fácil todos os dias comprar gelo para manter nossa pequena caixa de isopor . Mas agora a caixa de isopor é nossa mesa para a Santa Ceia. Sobre nossa mesa improvisada coloquei os dois copos, esses de extrato de tomate. Dentro de uma bandeja coloquei duas rodelas de pão. As duas cadeiras ao redor da caixa de isopor, os dois cálices ( copo que vem os extratos de tomate) e as duas rodelas de pão. Mina olhou e começou a ri daquela Santa Ceia um tanto não convencional. É, não é fácil. Domingo, dia 03 de setembro nossa igreja no Paraguai reúne-se quase duzentas pessoas. Aqui mesmo as igrejas tão cheias e nós aqui com apenas dois participantes.
Escutei de outros missionária que a falta maior não é da família no campo missionário, pois se você é casado sua família no campo te completa e os parentes tem seu lugar, mas o missionário sofre muito pela ausência da igreja. Aprendi que você deve ter sua vida familiar estando no campo ou não. Casou, deve viver a vida com marido, esposa e filhos. Não estou falando de isolar os demais parentes, nada disso, mas buscar completar-se com a família que você está estruturando e é responsável. Acredito ser a coisa mais ridícula um missionário (a) casado (a) abandonar o campo com saudade do papai ou da mamãe.
Mas, ali nós éramos a igreja. Eu e Mina, a igreja de Cristo. Propusemos assumir o trabalho em todas as formas e tragar todas as copas amargas que oferecia. E vou dizer uma coisa: Fazer uma Santa Ceia para dois não é nada gostoso, pois sempre pensamos na “casa cheia” o grande dia de Santa Ceia em nossa igrejas, mas no nosso caso era eu e Mina. Decidimos fazer nossas reuniões e não chamar ninguém de outra igreja. Ao encontrar algum irmão não fazíamos convites para nossas reuniões de oração. Decidimos não visitar nenhuma igreja se não fossemos chamados. E diante de um convite nunca desmarcar a importante reunião de nossa pequena igreja ( eu e Mina ) para atender um convite de outra igreja, nem que me esperasse mil membros.
Eu e Mina tomamos a decisão de beber do cálice amargo que o campo missionário oferecia. Eu vi muitos missionários chegarem querendo abrir uma igreja e não querer beber desse cálice. O primeiro passo que tomam é visitar igrejas, fazer reuniões com membros de outros igrejas e etc. Depois de ganhar confiança sair convidando. E vou falar uma coisa, tivemos até instrução de “pastores experientes” a fazer isso mesmo. Que ridículo! Mas o Senhor dará a cada um segunda as suas obras.
Mas, tivemos o grande desejo de comprar mais cadeiras, mesmo que sabemos que não vamos ficar aqui em Puerto Suarez. Eu não tinha dinheiro para comprar e novamente nós nos entregamos a oração por cadeiras. Dias depois fomos à internet e recebemos uma oferta para comprar uma 30 cadeiras. Glória a Deus! Nós glorificamos ao Senhor porque vemos a mão dEle em todas as coisas.
24 de janeiro de 2007 – Pedro Juan Caballero – Paraguay
Nasce nossa filha DEBORAH YUIKO ASHIZAWA NOGUEIRA. Meus pais e minha sogra ficaram preocupados por ser nossa primeira

filha e resolveram nos buscar. A principio não queria ir e estávamos nos acostumando com a ideia de ser boliviana, mas consideramos a situação, o fato de sermos marinheiros de primeira viagem, a preocupação dos nossos parentes e etc. Bem, dia 15 de janeiro meu pai fez uma viagem de 700 quilômetros de Pedro Juan Caballero até Puerto Suarez onde morávamos.
Havia preocupação em relação a pagar o parto, pois no Paraguai tudo é pago. Eu tinha que pagar hospital e outros gastos mais. Eu havia reservado um dinheiro, mas também era o dinheiro do nosso aluguel e gastos por uns três meses na Bolívia. Mas, fazer o que? Deborah nasceu, peguei tudo o que tinha e dei na secretaria do hospital San Lucas em Pedro Juan Caballero. Eu havia gastado com hospital e outros gastos mais, mais ou menos uns R$ 1300 Reais. Na tarde que tínhamos que sair do hospital veio um irmão e nos deu R$50 reais. Outro nos deu 150 reais. Meu cunhado me deu um fardo tão grande de fraudas que achei ser exagero, mas ele disse que sabia bem o que estava me dando, pois o filho dele havia nascido a pouco tempo. E seguimos recebendo ofertas e eu só coloca em meu bolso. Nem olhava para direito para o dinheiro que recebia. Bem, quando chegamos em casa fui ver quanto havia recebido. Eu tinha R$ 1300 reais!!!! Deus me deu novamente a mesma quantia que havia gastado. Glória a Deus!
Diante de nós estava o desafio de ir a Bolívia com tão pouco recurso, sem apoio, sem uma garantia, mas situações como esta nos fortalece, nos impulsiona com nos lançar e confiar no Senhor.
06 de maio de 2007 – Santa Cruz de la Sierra

No dia 27 de abril de 2007 embarcamos no trem em direção a Santa Cruz de la Sierra. Deixamos para trás a cidade de Puerto Suarez onde ficamos por oito meses. Nós estivemos sete meses orando por uma casa em Santa Cruz de la Sierra. Assim como Deus nos deu a casa de Puerto Suarez também clamamos ao Senhor por uma casa em Santa Cruz.
Quando senti que deveria ir a Santa Cruz de la Sierra deixei Mina com Deborah em Puerto Suarez e fui a Santa Cruz em busca de uma casa. Não era fácil andar na cidade sem ter ninguém para ajudar. Errava os ônibus urbanos, não entendia o formato da cidade que é em forma circular, e isso passei muito tempo sem entender. Andando perto de um mercado que está no 3º anel, o mercado Mutualista, vi muitas casas para vender. Peguei o número de várias casas e explicava minha situação. Que ao menos alugasse a casa por três meses até conseguir outra. Bem, em meio as ligações conhecer um senhor que se dizia cristão, membro de uma igreja evangélica chamada Maranata. Ele me disse que a casa estava em venda e que só ia entregar a casa três meses depois e que tranquilamente me alugaria. Ele se mostrava alegre e dizia que estava feliz por ajudar um missionário e que também eu estaria ajudando ele.
Diante de tamanha alegria eu fiquei convicto que realmente era aquela casa. Perguntei se ele queria o dinheiro, mas ele me disse pra pagar quando chegasse com a mudança. Desta forma, voltei para Puerto Suarez, coloquei tudo que tinha em caixas, entreguei a casa em que morávamos e viemos para Santa Cruz de la Sierra. Chegamos no conhecido Bimodal de Santa Cruz de la Sierra, terminal de trem e de ônibus, exaustos da viagem. Mina estava com Deborah no colo com apenas três meses e três dias. Queria muito chegar em nossa casa, montar nossa cama e dormir, mas quando liguei para o proprietário pedindo a chave ele me disse que não ia mais me entregar a casa porque resolveu fazer negócio com ela. A casa não tinha documento, mas alguem resolveu comprar assim mesmo. Eu fiquei sem saber o que fazer. Olhava para Mina, Deborah e, o que fazer? Não tínhamos conhecidos em Santa Cruz. Olhava para a multidão andando de um lado para outro e só vinha a pergunta: O que fazer? – “ Meu senhor, não seja irresponsável. Estou com minha filha de três meses e toda minha mudança no três, não faça isso!.” A resposta que tive daquele suposto cristão foi: “No me conviene.” ( Não me convem )
Aquilo parecia um pesadelo. Buscamos um banco, sentamos e tentamos ver o que fazer. Lembrei do pastor Gesser, um missionário da Igreja Quadrangular que havia conhecido na fronteira quando estávamos na casa do pastor Roberto Peralta. Expliquei minha situação e ele me disse eu poderia ir para sua casa, mas que não havia lugar para minhas coisas, pois a casa era muito apertada. Bem, essa foi a solução para o momento.
Toda nossa mudança ficou no depósito do trem e isso me deixava preocupado. Na realidade resolvi apagar isso da minha mente e resolver um problema de cada vez. Meu primeiro problema agora era ter uma casa e depois resolveria o segundo problema que era retirar minha mudança. Mina ficava na casa do pastor Gesse enquanto eu buscava casa todo dia. Era uma loucura buscar casa sem conhecer nada. Me perdia pela cidade, errava os ônibus, era uma benção! Além disso, eu não tinha dinheiro suficiente para alugar uma casa independente. Eu tinha U$ 100 dólares para o aluguel, mas este valor é para um pequeno quarto. Sai várias vezes com o pastor Gesse e ele me mostrou o que eu poderia alugar com 100 dólares. Meu Jesus! Era desastroso. Pelo menos o pastor Gesse era mais realista que eu.

Os dias passaram e buscando no jornal encontrei uma casa pelo jornal. Na realidade não era uma casa, era uma edícula. Pelo menos era numa região central, a duas quadras do 2º anel. Entramos naquele lugar que estava bem sujo, desprotegido e não cabiam nossas coisas. As cadeiras e algumas caixas ficavam do lado de fora e eu orava para não chover e molhar tudo. O banheiro estava tudo entupido, vaso e pia. Quando Mina abriu o chuveiro para colocar água na banheira e dar um banho na Deborah e saiu uma água preta, tinha mais terra que água. Parece exagero, meu querido, mas não é. Acho os canos estavam completamente enferrujados. A única pia para lavar roupa e louça ficava do lado de fora numa situação precária. Bem, este era o lugar que eu podia pagar, mas pelo menos era o nosso lugar.
Perturbados com a situação? Negativo. Não foi fácil, mas havia paz em nosso coração. Deus agia anestesiando nossos nervos e não deixando ver a situação presente como algo desanimador, mas derramava paz em nosso coração. Um dia, indo a um mercado perto de nossa casa Mina me disse que queria uma casa onde nosso quarto fosse em cima e pudéssemos fazer as reuniões em baixo. Eu disse que seria um pouco difícil, pois uma casa assim custa uns 400 dólares e eu só tinha 100 dólares para dar em um aluguel.
Bem, sabendo que não tinha condições de ficar naquela casa começamos a orar pedindo a Deus uma casa onde realmente podíamos morar e fazer o trabalho. Encontrei uma desocupada que estava a venda. Perguntei se não alugava temporalmente, mas a proprietária disse que já estava negociada, mas que tinha outra. Ela veio onde eu estava e me levou para mostrar. Era uma casa de dois andares, com um quarto em cima e um lugar muito bom para reunirmos em baixo. Do lado, um quintal muito bom com um abacateiro frondoso. Eu fiquei quieto, mas para mim o aluguel seria uns 300 dolares. Eu virei para a proprietária e perguntei o preço. Ele me disse que alugava por 120 dolares. Eu me controlei, não mostrei interesse, olhei para as paredes que precisavam ser pintadas e disse: Mas, é preciso pagar a garantia? A mulher me disse que não. Era só pagar os 120 dolares e entrar. Fechei negocio na hora!!!
Já havia pagado o aluguel da outra casa. Gastei 100 dólares para entrar naqueles dois quartinhos sujos e sem condições de uso. [Coloquei uma foto acima e até parece em bom estado..rs..] Mas você acha que vou reclamar? Eu não!! E nem perdi tempo em ir atrás porque sabia que não iam me devolver.

Uma vez dentro da casa nova nós agradecemos ao Senhor. Lembramos de um detalhe muito especial A proprietária nos disse que a casa estava sete meses fechada e que ele não conseguia alugar. E nós estávamos com sete meses orando por uma casa. Bem, passamos pelas lutas, mas a nossa casa estava guardada pelo Senhor. Gloria a Deus!!!!
Dezembro de 2008 – Santa Cruz de la Sierra
(resumo)
No dia 24 de dezembro passou algo muito interessante. Meu cunhado Ebenezer e minha irmã Rebeca vieram para nos ajudar por alguns dias no trabalho. Trouxeram o irmão Marcos da cidade de Pedro Juan Caballero. No dia 24 nós não tínhamos dinheiro para comprar nem um quilo de arroz. Marcos que cozinha muito bem foi até nossa cozinha olha o que poderia fazer e, realmente, não tínhamos nada.
Na realidade, havia um pouco de arroz, umas batatas, mas comer arroz com batata na véspera de natal é complicado. Longe de mim reclamar do arrozinho com batata e sabendo da perícia do irmão Marcos na cozinha até penso que ele faria proezas com aquele arroz e batata. Mas, eu estava para receber algum dinheiro naqueles dias, Ebenezer também, mas a questão é que precisávamos para aquele dia, para aquele momento e não tínhamos. Contas de bancos foram revisadas, e-mails na esperança de alguém na última hora enviar alguma ajuda, bolsos foram revistados, mas nada.
Aprendi na prática o que havia ouvido algumas vezes por outros missionários, que o final de ano é o tempo mais difícil para missionário. Todo mundo pensa em gastar, vestir-se muito bem, comer do melhor e quase ninguém pensa em enviar aquela oferta missionária. A mais dura realidade é que aqueles que nos ajudam periodicamente justo nesta época resolve falhar. Afinal de contas, fim de ano sempre vem com muito gastos. Mas tudo bem. Agradeço a Deus por aqueles que o Senhor tem colocado em nosso caminho e tem tomado esta Obra como sua.
Mas, no memento nós ríamos da situação. Ninguém estava triste, de forma alguma. Sentamos nas cadeiras e ficamos pensando no que fazer. A ideia era sair ao evangelismo e a noite fazer aquele prato de arroz com batata. (…rs…)
Ainda estávamos pensando como seria nossa janta para o dia 24 de dezembro quando alguém bateu em nossa porta. Um irmão que trabalha numa fábrica de abater frango veio com um frango nas mãos. O irmão entregou, nós agradecemos e ele foi embora. Ficamos olhando para aquele frango e realmente não pensei que ia valorizar tanto um frango assim. Era um Big frango!!
Mais tarde o irmão Marvin ligou e perguntou se podia jantar conosco. Bem, a noite ele trouxe alguns complementos, refrigerante e nossa janta do dia 24 de dezembro foi bem completa. Marcos fez aquele franco com batata… e arroz. Nós mais uma vez agradecemos a Deus pela provisão.
Parece tão simples, em tudo vemos a mãos do Senhor agindo ao nosso favor. Glória a Deus!!!
01 janeiro de 2009 – Santa Cruz de la Sierra
(resumo)
Estava chegando a noite e fui olhar se havia leite para Deborah. Quando abri a lata vi que não tinha mais nada de leite. O pior que não tinha mais nada de dinheiro e nem tinha previsão de receber de lugar algum. Fiquei olhando para aquela lada e eu disse ao Senhor naquele momento que a provisão já havia sido enviada, eu sabia que já, mas quem estava com a provisão estava retendo. Esta foi a confiança que veio ao meu coração. Na realidade, era o Senhor falando ao meu coração.
São situações como esta que abate tua fé. Alguém pode dizer que não, e realmente não é pra abater, mas te abate. Quando Deus faz tanta maravilhas ao seu favor, quando você se move em confiança e um belo dia você se ver sem saída. Antes de vir ao campo missionário muitas vezes em seu trabalho, aquele dinheiro seguro, o emprego e etc, e agora você não tem nada disso e dependo do mover de Deus e chega o momento da necessidade. Voce diz: Deus, socorre-me! Mas, naquele momento você não tem resposta.
Sabe o que sustenta? É você ter a plena confiança que Deus te trouxe a este lugar. É saber que eu estou aqui porque Deus me colocou aqui. É ter a consciência que pela causa de Cristo outros morreram e você agora passa necessidade. Voce pensa em tudo isso e busca força.
É bem fácil escrever depois de uma tormenta. Descrever a tormenta…. mas viver a tormenta e sobreviver para escrever algo depois é que é difícil. Eu não podia colocar culpa em ninguém. Não podia colocar culta na minha igreja, no pastor, na Secretaria de Missão, em ninguém pelo simples fato de nenhuma dessas ter me enviado a Bolívia. Eu vim aqui porque Deus me trouxe aqui. Deus disse: VAI! E eu decidi obedecer. Fiz, faço e vou continuar fazendo a Sua vontade em Nome de Jesus. Sabe, tenho agradecido a Deus por estar nessa situação e não estar jogando culpa de um lado para outro nem sobre ninguém.
Mas, eu saí de casa com Mina pra ver se havia algo na minha conta. Fomos num caixa eletrônico perto de casa e não havia nada. Quando cheguei em nossa casa Mina me disse que andava de cabeça baixa na esperança de achar alguém dinheiro perdido, alguma nota pelo chão. Fiquei olhando e pensando na simplicidade da Mina, pois afinal de contas de algum lugar deveria vir nosso dinheiro, nem que fosse de alguém que o tenha perdido. Creio que isso pode acontecer e já aconteceu comigo, mas não foi dessa vez.
Fomos a geladeira, havia um pouco de leite. Completamos com água, fervemos e colocamos na mamadeira. Nossa filha tinha um ano e nove meses e ainda tomava aquela mamadeira para dormir. E se não toma começa a chorar até o leite sair de algum lugar. Quem é pai sabe bem o que é isso.
Naquele dia Deborah tomou o último resto de leite que tinha na geladeira. E não era só leita que faltava, mas nós não tínhamos mais nada pra comer. Parece que quando algo falta tudo resolve faltar ao mesmo tempo. No outro dia eu recebo uma mensagem. Meu irmão Tiago me diz que um determinado irmão de nossa igreja no Paraguai deu uma quantia de oferta para a construção da igreja no Paraguai e meu pai enviaria o dízimo. Na realidade, meu pai já estava com o dinheiro, mas surgiu alguns problemas e não fez o deposito. Eu corri na internet e mandei a mensagem – “Avisa para mandar o quanto antes a benção, porque o último ovo nós comemos ontem!”.
Bem, naquele dia retirei de minha conta mais de B$ 2000 Pesos Bolivianos ( aprox. U$ 280 dólares). Quando volto para casa lembrei do que o Senhor havia falado ao meu coração – “Alguém está com o recurso, mas esta retendo”. Essas são as provas que passamos e seguimos glorificando o Senhor.
— de março de 2009 – Santa Cruz de la Sierra
Desde o começo deste ano tenho estado preocupado com nossas documentações. Precisava no mínimo 1500 dólares para pagar o meu visto e da Mina; o valor do visto, das documentações e das multas. Sabe o que é olhar para a finança e ver que até o pão estamos comendo com dificuldade e ter que conseguir 1500 dólares para dar para Migração? Realmente era desanimador e desesperante a situação.
O antídoto que temei contra o veneno foi inundar meu coração com o fato de que Deus nos trouxe a este lugar. Começava a meditar sobre isso e falava com minha esposa. Pensava no fato de ser pai e nunca deixaria minha filha estar chorando de fome se a hora da comida chegou sem que a desse algo para comer. Realmente, eu nuca faria isso! Alguém seria capaz de fazer isso? Mas, relembrar o que Deus já havia feito, as promessas, as orientações e tudo mais nos dava fortalecimento.
Um dia levantei pela madrugada. Estava muito preocupado. Entreguei minha causa ao Senhor. Repreendi o que impedia a benção.

Isso mesmo que comecei a fazer, repreender aquela situação adversa. Veio ao meu coração uma paz muito grande. Um verdadeiro calmante dos céus. Quando foi a internet uma irmã de Brasília me escreve dizendo que havia depositado 500 Reais para me ajudar com o documento. Depois ela escreve novamente dizendo que sua irmã também mandou 300 Reais. Outra irmã me escreveu pedindo oração dizendo que se vendesse um terreno me enviaria 1000 Reais de oferta. Bem, eu e Mina começamos a orar e tempos depois estavam os 1000 reais em nossa conta. Meu cunhado, o pastor Ebenezer, passando por uma pequena cidade no Brasil durante uma viagem viu alguns doces. Teve a ideia de comprar e vender para amigos e irmãos da igreja. Ele comprou cada vazo de doce por R$10,00 Reais e vendia a R$30,00 e R$ 40,00 Reais, dependendo do freguês. Claro, o pessoal sabia que era para ajudar a missão. Bem, dias depois Ebenezer estava depositando em minha conta mais de R$1000 Reais para nos ajudar. E seguimos recebendo ofertas. Parentes enviaram ofertas, irmãos enviando quantias diversas. Isso aconteceu tudo em poucos dias e nisso eu vi a mão provedora do Senhor.
No final das contas, recebemos mais que suficiente para pagar o visto. Levei o dinheiro a Migração Boliviana e paguei o visto, e sobrou dinheiro. Claro que o nome sobrar é muito forte, pois na realidade, eu paguei o visto e se eu tivesse recebido apenas o 1500 dólares ficaria sem nada para me manter, mas Deus mandou para o aluguel, a água, a luz, a comida e etc. Deus estava no controle de tudo!
— julho de 2009 – Santa Cruz de la Sierra

No começo deste ano eu estive conversando com Mina sobre trabalharmos com mais força no que é o evangelismo. Temos visto a necessidade e é muito grande. Falei com Mina em trazermos mais materiais em Bolívia para suprir nossos projetos de trabalho e ajudar outros missionários. Mina estava estendendo as roupas no varal e escutava o que eu dizia. Ela parou e me disse que seria um pouco complicado, pois nós estávamos passando dificuldades financeiras sem nos mover muito, imagino se começasse a trabalhar com literatura. Tudo é dinheiro e não tínhamos de onde tirar. Eu disse que se fosse da vontade do Senhor ele supriria nossa necessidade e enviaria pessoas dentro de nossa casa para manter o trabalho. Parecia algo ousado, mas resolvemos fazer. Pensava no gasto com frete, viagem e, a realidade que tudo é dinheiro, mas olhávamos para o que Deus nos impulsionava e nossa decisão era confiar no Senhor.
Como resposta e sem demorar muito, Deus envia a nossa casa do pastor Clebes, pastor da Assembleia de Deus Missão na cidade de Dourados – MS. Pastor Clebes veio com o pastor Ebenezer, meu cunhado e minha irmã Rebeca que sempre estão nos ajudando aqui em Bolívia. Eles me avisaram que estavam chegando e eu queria ir na ferroviária espera-los, mas realmente não tinha dinheiro. Olhei na geladeira e não tinha nada pra servir no café da manhã. Busquei as moedas para comprar algum pão e nada. Então, fiquei na minha sala pensando nessa situação. Visita chegando em minha casa e eu não tinha nem pra mim, quanto mais para eles. Bateram na porta e era Ebenezer com os demais fazendo a maior bagunça, sempre em ritmo de festa. Entraram, oramos agradecendo a viagem e já falaram no café. Eu não tinha o que dizer e fiquei balbuciando pelos cantos. Ebenezer abriu minha geladeira e disse: Senhor! Isso aqui está parecendo uma piscina – só tem água! Então ele virou e me deu uma oferta. Veio o pastor Clebes e me deu mais uma oferta. Bem, tudo chegava aos R$ 500 reais. Glória a Deus! Fomos no mercado, compramos pão, leite e o que era necessário para o café e para o almoço.
Pastor Clebes ficou conosco alguns dias, saiu ao evangelismo, conheceu um pouco da Santa Cruz de la Sierra. Dias antes de sair ele me disse que o Senhor estava incomodando ele já alguns dias para nos ajudar. A partir daquele mês sua igreja seria contribuinte no trabalho que fazemos em Bolívia.
Pastor Clebes voltou ao Brasil e dias depois a irmã Neide veio a nossa casa. Ela trabalhava com uma dentista que é boliviana residente

na cidade de Cárceres, MT. A filha da dentista precisou de tratamento e eles vieram a Santa Cruz de la Sierra. A irmã Neide como nos conhecia a muito tempo e sabendo que estávamos aqui hospedou-se em minha casa. De igual forma saiu ao evangelismo conosco, foi até Cochabamba fazer um trabalho nas feiras. Dias antes de sair disse que estaria nos ajudando no trabalho, que podíamos contar com sua oferta mensamente.
Eu lembrei a Mina o que havíamos dito no começo do ano, que Deus enviaria mantenedores para o trabalho aqui mesmo, dentro de nossa casa. E ELE fez! O Senhor é o nosso provedor.
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Ao ler seu testemunho isto me deixa muito emocionado,e no mesmo tempo envergonhado ,pois temos tudo em nosso pais e temos feito tao pouco ao senhor da seara,sabemos que vamos responder pelo sanque desta geraçao,se nao fizermos nada,,
Glorifico deus pela vossas vidas e pela vossa coragem como missionario que deus vos abençoe.obs me diga como posso ajudar.um grande abraço…..
A paz do Senhor Jesus amado.
Obrigado por sua mensagem.