
Acredito que você, assim como eu, está bem familiarizado com as pregações nas igrejas e os pregadores nos púlpitos das igrejas. Mas a pregação nas ruas, assim como seus pregadores, em nada assemelham-se com os tradicionais púlpitos congregacionais que conhecemos. Desde quando chegamos em Bolívia temos trabalhado nas ruas e com os obreiros que realizam atividades evangelísticas nas ruas de Bolívia e de forma interdenominacional. Antes trabalhei em feiras e mercados, pregando nas praças, mas nesses últimos anos temos trabalhado de forma mais intensa nas ruas e com os evangelistas que quase todos os dias estão pregando a Palavra de Deus ruas.
Eu tenho aprendido e continuo aprendendo, pois na rua o nosso púlpito, ou melhor, o local de pregação, tudo é bem diferente. Pregando a Palavra de Deus nas ruas você não tem um público que tem tempo para você, mas estão te escutando. Mas vale frases curtas, objetivas e simplificadas que os sermões bem elaborados. Em geral você não prega apenas meia hora ou quarenta minutos como em uma igreja, mas um pregador de rua muitas vezes chega a pregar de duas a três horas de forma contínua. Quanto a este tema cada evangelista tem sua forma própria de levar a Palavra ao povo. Uns colocam músicas, outros não. Alguns além de pregar também colocam a Bíblia em áudio. Eu pelo menos nunca trabalhei assim. O certo é que a Palavra chegue ao povo. Neste ponto todos estão em comum acordo.
O povo não se importa com sua roupa, seu sapato, se você está com um elegante traje social, ou a cor da sua gravata. Seu timbre de voz ou sua retórica não são importante para o povo, pois o foco maior está no que você diz. Nas ruas ninguém pede sua credencial, pergunta se você é diácono, presbítero, pastor ou bispo. Eles nem mesmo sabem o que é tudo isso. Nem vão te perguntar que igreja você é membro, pois o povo só faz diferenciação de católicos e protestantes; aliás, só quem me pergunta por igreja são os crentes ou os desviados. Em síntese, amado irmão, a pregação de rua é bem diferente do que encontramos nas igrejas.
Há muitos que gostam de aplausos e reconhecimento. Com certeza esses não acham nenhum sentido realizar o trabalho entre o povo, nas feiras e mercados. Lá no meio do povão, como falamos, não há aplausos e nem aquele brado de glória impulsionado pela intensidade da voz do pregador (não criticando). Agora, encontramos algo muito interessante e eu gosto muito disso: O pecador, tocado pela Palavra, muitas vezes apenas se aproxima com um olhar de quem foi impactado com a mensagem. Isso é muito genuíno, muito natural. Muitos aproximam-se com um olhar de agonia, outras vezes de espanto promovido pelo operar do Espírito através da exposição da Palavra. Outros estão profundamente tocado pelo Espírito e por tamanha alegria nos traz qualquer coisa: Comida, suco, água, refrigerantes e até roupas já recebemos durante o evangelismo. E, amados, eu falo aqui de pessoas não convertidas. E com certeza muitos tem xingam, mandam calar a boca e muitas vezes se aproximam afrontando.

A exposição da Palavra de Deus gera fé. A Palavra de Deus diz: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir a palavra de Deus” (Romanos 10:17). Enquanto pregamos em muitas ocasiões o Espírito de Deus nos tem levado a anunciar a cura divina. Temos visto o operar de Deus de forma surpreendente ao chegar em um povoado pregando a Palavra, assim como o mesmo Deus operou por mãos de Felipe em Samaria. A Palavra diz: “E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. E havia grande alegria naquela cidade” (Atos 8:5-8). Nosso Deus é o mesmo Deus de Felipe. Em muitas ocasiões não conseguíamos continuar a pregação, pois juntava tanta gente ao nosso redor para orarmos por elas; e nós oramos, repreendemos as enfermidades e o SENHOR tem curado. Muitos posteriormente nos envia uma mensagem no celular ou nos liga para dizer que foram curados. Louvamos a Deus por tudo isso. E em certa ocasião, na praça Arenales de Santa Cruz de la Sierra, pregávamos com um grupo de missionários de várias igrejas e se aproximou um jovem. Ele pediu oração pelo pai que estava saindo do hospital com câncer em estado terminal. Nós nos juntamos e oramos por ele. Alguns dias depois o mesmo jovem nos ligou dizendo que fizeram vários outros exames e os médicos não encontraram mais o câncer. Glória a Deus!! Mas, isso acontece sempre, pastor? Você me perguntar. Querido irmão, é claro que não. Nem muito menos nós saímos às ruas como curandeiros ambulantes. Saímos às ruas para pregar o Evangelho e Deus é quem faz como e quando ELE quer.
E falando sobre este assunto, lembro de um pastor que insistiu que deveríamos ter como resultado cura divina e salvação de almas. Eu não discuti com ele, mas sinceramente orei ao SENHOR sobre o assunto. Dias depois fui despertado ao amanhecer com uma forte voz dentro do meu quarto a qual repetiu três vezes, dizendo: “O MAIOR RESULTADO QUE VOCÊ PODE TER É O EVANGELHO NO CORAÇÃO DO PECADOR“. Glória a Deus! Eu pulei da cama escutando a Voz e olhava para minha esposa para ver se ele também acordaria, pois era muito forte e três vezes repetiu a mesma frase. Deus tem sua resposta. O meu trabalho é pregar o Evangelho e o trabalho do Espírito de Deus é convencer o pecador.

O irmão Nigel Mercado, um jovem de 24 anos (aprox), estava pregando a Palavra de Deus na região central de Cochabamba. As ruas apertadas e muita gente transitando; ele buscou um local mais alto para pregar. Bem à frente havia um latão de lixo e Nigel usou como púlpito para anunciar Cristo ao povo. O nosso amado irmão evangelista começou a dizer que Jesus é o salvador e se alguém crer em Cristo Jesus poderia ser curado ali mesmo pelo poder do Espírito de Deus. Alguns policiais vieram e ordenaram Nigel a sair do local, mas na mesma hora um homem veio gritando dizendo que Jesus Cristo havia curado, pois havia anos que não podia mover o braço e nem mesmo levantar e agora movia normalmente. O homem gritava e louvava ao SENHOR Jesus diante de todos.
Amados, testemunhos assim estamos constantemente ouvindo por parte desses guerreiros de Cristo quando vêm a nossa Base de Apoio buscar material. Como eu já disse, são pregadores do evangelho que não estão buscando oferta, aplausos ou fama. Nas ruas você pode receber um copo de suco como expressão de gratidão, assim como uma chuva de verduras podres. Na região do Abasto, em Santa Cruz de la Sierra, eu pregava com meu megafone e não observei que chovia verduras podres sobre mim. Minha sorte é que não acertaram nenhuma e só fui observar quando outro evangelista que estava comigo me disse: “Pastor Peniel, hoje o povo te recebeu com flores!” E quando olhei ao meu redor havia tomate podre, batata, cebola…. dava até para fazer uma boa sopa.

Na cidade de Cochabamba uma jovem pregava nas ruas a Palavra de Deus. Irmã Gladys ( 23 anos), como é o seu nome, enquanto pregava a Palavra de Deus na região central de Cochabamba sentiu alguém abrindo sua mochila. Um rapaz acostumado a roubar tentava tirar seus pertences. Irmã Gladys repreendeu em Nome do SENHOR e continuou a pregar a Palavra de Deus. O jovem foi impactado. Começou a chorar sem parar. Depois o mesmo jovem que antes tentava roubar trouxe um suco para a jovem pregadora da Palavra de Deus. Outros jovens, possíveis ladrões, também juntaram-se para escutar a Palavra de Deus e todos estavam profundamente movidos pelo poder do Espírito de Deus. Era o Espírito de Deus quebrantando corações endurecidos pelo pecado. Homens entregados ao roubo, às drogas, a prostituição agora choram quebrantados ouvindo a mensagem do evangelho que sai da boca de uma jovem disposta ir às ruas sob o mover do Espírito de Deus à pregar a Palavra de salvação. Até hoje nosso projeto, faz o apoio com materiais impresso ao trabalho que a irmã Gladys realiza nas ruas. Sempre que os materiais são solicitados nós colocamos a disposição dessa jovem guerreira. Você acha que Gladys tem como alvo pregar em grandes templos? Ou que se preocupa com sua roupa, seu sapato para a próxima conferencia ou reunião

de mulheres? Quando tenho oportunidade de falar pessoalmente com nossa irmã Gladys eu pergunto: “Irmã, onde a irmã estará trabalhando neste mês?” A irmã Gladys sempre me responde:” Pastor, quero ir para onde o Espírito de Deus me levar”. Uau!!!
Infelizmente é feito certo show com pessoas possuídas por demônios. Realizar esses shows nas ruas com certeza será algo complicado. Você não tem um público de maioria consciente da situação. Mas com certeza é quase que inevitável ter situações assim nas ruas. Em uma determinada praça da região central de Santa Cruz de la Sierra começamos a pregar e fazer a distribuição da Palavra de Deus escrita. Eu observei que alguns jovens faziam a distribuição de folhetos com temas anti-cristãos. Os folhetos supostamente davam prova da falta de veracidade da Palavra de Deus, que havia muitos erros e etc. Bem, nós não nos importamos e continuamos a pregar. Um dos jovens fica possesso e vem gritando em nossa direção. Eu pensei que ele queria atacar o irmão que estava no megafone; e na realidade acredito que essa era a intensão. Mas ao aproximar gritando o jovem desviou e saiu gritando e desapareceu no meio do povo. Por duas situações endemoninhados vieram ao meu encontro com facões e facas. O homem que veio com um facão me ameaçou e movimentava o facão dizendo que arrancaria minha cabeça. No final ele baixou o facão e foi embora. O outro veio com a faca e quando chegou menos de dois metros o SENHOR nos deu tamanha autoridade para repreender. Eu ordenei em Nome de Jesus que me desse a faca e ele me entregou. Eu e o irmão Joel Apodaca repreendemos o demônio daquele homem e o SENHOR o libertou. ( CLIQUE AQUI para ler o testemunho completo)
Com certeza não tem nada de show nessas situações. Não há plateia te olhando, nada disso. Nesses momentos só está você e Deus para te ajudar. E para terminar conto o que aconteceu com o missionário Gabriel Janeir quando pregava com o jovem Bruno Miranda na cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira entre Brasil e Paraguai. Gabriel pregava com o megafone e o jovem Bruno fazia a distribuição da Palavra de Deus escrita. De repente um homem aproxima-se com um pau. O missionário Gabriel continua pregando e quando o homem chega bem perto Gabriel se vira e repreende os demônios que estavam naquele homem. O possesso dá um pulo para trás e cai no chão contorcendo-se. Aquele homem dias atrás gritava para o missionário Gabriel não pregar mais e o ameaçou. E com certeza ao ver o missionário pregando novamente os demônios o impulsionou a agredir o missionário.

Bem, essas são algumas experiências que nós temos passado nas ruas, assim como de companheiros que conhecemos de muito perto. Poderia continuar contando muitos outros testemunhos e creio que em uma outra oportunidade poderei fazer. Mas, quero expressar o mais importante: As vidas estão tendo acesso a Palavra de Deus. A realidade de Bolívia é diferente do nosso Brasil, pois no Brasil há muitas igrejas em cada bairro. Aqui na Bolívia, assim como Peru, Equador, norte chileno e norte argentino, esta não é a realidade. Não há muitas igrejas e as igrejas existentes estão cada dia mais centrando suas atividades dentro das quatro paredes. Outras eliminam por completo as atividades externas e, assim, o povo fica sem a oportunidade do encontro com a Palavra. Cada evangelista nas ruas pregando com um megafone ou uma caixa de som, fazendo a distribuição da Palavra de Deus escrita dá oportunidade a milhares de vidas de ao menos ter o encontro com a Palavra de Deus e, assim, poder ter a oportunidade de salvação. Este é o maior resultado que temos!

Minha oração é que o SENHOR levante muitos outros pregadores da Palavra não apenas aqui em Bolívia, mas em todos os lugares. Que o SENHOR levante Homens e mulheres que amem as almas e compreendam que só existe uma mensagem que pode conduzir o pecador à salvação; e esta mensagem é o Evangelho de Salvação.
Que o SENHOR multiplique seus guerreiros!
Pastor Peniel Nogueira Dourado
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VÍDEOS COM ALGUMAS IMAGENS DO TRABALHO QUE REALIZAMOS NAS RUAS
1 – ) Com minha famíla pregando a Palavra de Deus
Acredito ser de suma importância que o missionário, o evangelista envolva sua família nas atividades evangelística. Os filhos devem crescer na maravilhoso ambiente de evangelismo, entre os evangelistas, amando a Obra do SENHOR. Agradeço a Deus pela esposa que tenho que muito me ajuda na Obra missionária.
2 – ) Trabalho realizado em um mercado de Santa Cruz chamado Nueva Feria.
Aqui mostramos um pouco de nossa rotina de trabalho. A ordem tem sido e continua sendo a mesma: A PALAVRA DEVE CHEGAR AO PECADOR!!
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Pastor Peniel N. Dourado


