“Pastor, ninguém acredita em meu chamado para missões”. Já tenho escutado muitas vezes esta mesma frase de pessoas que um dia estiveram super animadas para fazer a obra missionária, mas que deixaram perder esse ânimo, o amor por missões pela falta de crédito dos que estão ao redor em sua igreja local.
Primeiramente é importante lembrar que se você tem um chamado para missões você depende de Deus e não da aprovação de outros. Quem te chama, envia, guia, sustenta é Deus e por que se preocupar com a aprovação de outros?
É certo que essa aprovação contem o envio por parte da igreja ao campo. E neste ponto, discordando com muitos (sei disso), você novamente não precisa de sua igreja para ir ao campo. A questão aqui não é ser insubmisso as autoridades eclesiásticas, mas devemos lembrar novamente que quem envia é o Senhor Deus e ELE usa a igreja para cumprir os Seus objetivo e não ao contrário.
Também conheço muitos casos de missionários que estão no campo e não foram enviados formalmente por uma igreja, associação missionária, agencia e etc. E neste grupo eu me incluo.
Mas, se você tem convicção do chamado e está como peixe fora d`agua o que fazer? Existe algo que se pode fazer neste período que, de certo modo, já é o período preparatório ao campo de missões?
Bem, se você tem verdadeiramente um chamado de Deus, se você tem a plena convicção que o Senhor falou contigo sobra a Obra Missionária, então editei um vídeo com uma mensagem bem direta para você.
A foto ao lado foi no ano de 2009 próximo a cidade de San José de Chiquitos, Bolívia. Esta foi a primeira experiência que tivemos em bloqueio na Bolívia. Eu e Mina estramos pela primeira vez em território boliviano depois de um bom período na região de fronteira agindo problemas pessoais e documentos.
A estrada da fronteira até Santa Cruz de la Sierra era de areia, muita pedra e bem conhecida por estourar pneus. Eu não sabia e mesmo fazendo perguntas ninguém me informou que a estrada é praticamente desprovida de postos de gasolina ou borracharia. Na época quase todos viajavam de trem e dificilmente alguém colocava um carro naquela estrada.
Chegamos próximo a cidade de San José de Chiquitos a uns 250 km da fronteira e tivemos problemas com o carro. Ficamos cinco dias hospedados na igreja Assembleia de Deus enquanto nosso veículo estava na oficina. Quando conseguimos nos livrar da oficina mecânica lembro de sair da cidade de San José de Chiquito e tudo que queríamos era voltar à região de fronteira. Não tínhamos roupas, o dinheiro estava quase acabando, assim como a paciência diante tanta tribulação. Andamos cerca de duas horas na estrada e nos deparamos com o bloqueio.
PELA PRIMEIRA VEZ EM UM BLOQUEIO
Parei o carro e vi uma fila enorme de ônibus parados. Mulheres, crianças, pessoas idosas se abrigavam do sol forte, mesmo estando muito frio. Eu fiquei sabendo que algumas pessoas já não tinham água e provavelmente muitos não tinham o que comer. E as crianças? E aquelas crianças sem água e sem alimento na estrada? Alguém chegou e disse que às vezes os bloqueios levam dias e a situação passa a ser caótica.
Sinceramente a experiência do bloqueio em San José parecia um pesadelo e eu acreditava ser algo único em minha caminhada como missionário em Bolívia. Aquelas situações desastrosas no campo de missões que passamos, tiramos algumas fotos e depois contamos o resto da vida nos púlpitos dos cultos de missões. A questão é que não viemos à Bolívia em uma viagem missionária a curto prazo, mas nós viemos para ficar. As problemáticas de Bolívia agora também nos pertenciam.
POR QUE AS ADVERSIDADES?
Para um missionário existe um importante motivo de se viver e suportar as adversidades. Sim, viver e suportar e não ser destruído, pois as adversidades vêm para construção na vida do missionário e não destruição.
Em nossos dias existem pessoas dentro das igrejas que não acreditam que alguém possa sofrer situações adversas por amor a Cristo. Como alguém pode está no campo missionário, longe da família, longe dos amigos, longe da igreja, passar tantas dificuldades, enfrentar tantas adversidades e suportar pelo Chamado? E não estou falando apenas dos que estão no campo missionário, mas de qualquer cristão verdadeiro, pois esta palavra é para todo aquele que é cristão, todo aquele que deseja viver uma vida piedosa, pois “todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12). Você poderá ser perseguido por pessoas ou por circunstancias adversas. Mas, qual o segredo para suportar?
Aos que desejam fazer missões devem colocar os valores da eternidade em mira. Quando as pressões das adversidades oprimem o crente olha para mais além da adversidade. A falência é real, a falta de dinheiro, a perda do emprego é real, mas Jesus disse: Eu sou… a verdade (João 14:6). A perseguição da família, a perseguição dos governos humanos, a perseguição imposta pelos homens é real, mas Jesus é a verdade. A fome é real, a falta de água é real, não ter um lugar para morar é real, mas Jesus é a verdade. O crente verdadeiro tem seus olhos na verdade que é Jesus Cristo, pois Cristo, e somente Jesus Cristo é a verdade e a verdade te leva à eternidade com Deus.
Isso tudo parece muita teoria, não é? Sinceramente, eu não gosto de muita teoria e muito menos de teorias quanto à missões. Mas isso não são meras teorias; vivemos justamente isso cada dia. No campo de missões ou você coloca seus olhos na Palavra de Deus e vive pela Palavra, ou você não faz absolutamente nada. Os dias passam, os anos, e você não constrói nada para a eternidade.
A adversidade vem justamente para provar a Palavra que um dia foi dado àquele que se diz enviado por Deus. Quando olhamos para a Palavra cremos e investimos nela. Assim, e só assim, a vitória certamente vem.
VLOG SOBRE O ASSUNTO
Editei um vlog em julho de 2017 onde mostrei um pouco de nossa rotina no serviço de apoio em Bolívia, assim como a cidade de Santa Cruz de la Sierra. Neste vlog também falei sobre a importância de se viver a Palavra de Deus no serviço de missões. Quando você tiver tempo não deixe de assistir, pois certamente você será edificado.
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PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO
Se me permite, quero finalizar falando um pouco sobre o Programa de Participação. Além de nos dedicarmos ao ensino sobre o serviço de missões através dos vídeos, dos posts em nosso blog, o projeto missionário que lideramos, o Programa de Apoio Evangelístico, segue em frente alcançando milhares de vidas com a Palavra de Deus. E se estamos aqui no campo com certeza existe um exército levantado por Deus de homens e mulheres que amam missões e estão conosco através do Programa de Participação.
Família missionária….. ( Mina, Deborah Yuiko, Samuel Yuuki e Pr Peniel Dourado )
Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o Programa de Participação é só clicar no link ao lado onde colocamos mais informações e um vídeo com maiores detalhes – CLIQUE AQUI
O desejo de fazer a vontade de Deus toma conta de nosso coração, mas para chegar ao lugar da benção existe um preço. Se somos guerreiros é pelo simples fato de que somos preparados para lutar. O guerreiro não faz sua própria vontade, mas buscar fazer a vontade dAquele que o alistou. A Palavra de Deus expressa assim: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” ( 2 Timóteo 2:4). Você quer ter vitória? Então você terá luta. Você quer ser um guerreiro de Deus? Então você terá muitas lutas, pois o guerreiro foi feito para lutar. O seu lugar não será em palácios, roupas finas, noites bem dormidas, nada disso. Você terá que exercitar a autodisciplina, doar-se a causa, focalizar na vontade do seu Mestre. A causa do Mestre é a sua causa, pois você é guerreiro do Mestre. Jesus Cristo é o nosso Mestre e ELE tem uma causa e nós, como guerreiros do Mestre, aceitamos Sua causa e não viver para nós mesmos.
A vida com Deus não consiste em colocar uma espada na mão. A escritura diz que “não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”( Efésios 6:12) Lutamos contra espíritos malignos, lutamos contra a nossa própria natureza descaída, lutamos contra o mundo, lutamos contra as circunstancias contrárias que nos impedem chegar ao alvo. A vida proporciona lutas e nós somos guerreiros de Deus para vencer. A vida naturalmente proporciona muitos problemas e você terá muitos outros quando propuser seu coração a fazer algo no Reino de Deus. Levante-se a realizar um trabalho na área evangelística, levante-se a fazer algo pela Obra Missionária e você verá a guerra sendo travada.
Em I Samuel 1:9-27 encontramos a história de uma mulher que não podia ter filhos. Era amada de seu marido Elcana, mas não tinha filhos. Ana decidiu lutar como uma guerreira em oração por um filho; lutou e venceu. Para cada situação existe uma resposta. Mas não quero te desanimar, apenas digo para nem sempre você terá uma resposta para as interrogações da vida, mesmo existindo uma resposta. Mesmo sem ter uma resposta imediata, querido irmão guerreiro de Deus, lute, pois ao menos você terá uma solução que glorifique ao Senhor. O porquê de Ana ser estéril, eu não sei te dizer, mas sabemos que ela como guerreira lutou em oração e alcançou o seu Samuel. Ana não teve que travar guerra apenas com a esterilidade, mas com outra mulher que estava em seu caminho, uma rival. Guerreiros necessitam de rivais para serem guerreiros. Guerreiros sem rivais são apenas homens ou mulheres vestidos de guerreiros. Qualquer um pode vestir-se de guerreiro, mas ser guerreiro é ter um rival a sua frente. O Senhor deu uma rival para Ana para mostrar ao mundo, e hoje aprendemos uma vez mais, que existe guerreiros que a espada não volta vazia a bainha.
O trabalho missionário exige do homem de Deus um coração de guerreiro. Fazer missão é vencer lutas, enfrentar oposições, dizer não a si mesmo, muito trabalho olhando para a causa do Mestre. Quantos homens e mulheres vestem uma roupa de guerreiro, de missionário, evangelistas, mas apenas estão vestidos e nada mais. Qualquer um pode vestir uma roupa de soldado, mas ser um soldado é outra coisa. Esses frequentam conferências missionárias vestidos com roupas típicas. Que legal! Tudo muito bonito, mas muitas vezes não passa de um teatro. Eu prefiro ver a vida, as ações, as obras do guerreiro que me admirar com roupas típicas do campo. Eu prefiro ser guerreiro que animador de festas. Tenho encontrado muita gente que vive, respira esses momentos. Dão qualquer coisa para ser o foco das atenções em cultos de missões, conferencias missionárias, mas que não sabem travar guerra no campo missionário. E se de um lado tem os que gostam de fazer teatro, do outro lado temos os que adoram assistir teatro. Não faz muito tempo um amigo que faz o trabalho missionário pela America Latina visitou uma igreja de seu próprio ministério no Brasil. Ele chegou com sua roupa comum, quem sabe calça jeans e tênis, na igreja que tinha familiaridade. Quando foi falar com alguns irmãos o povo disse que havia uns “missionários” no culto. Logo começou a apresentação. Entram vários sujeitos vestidos com roupas peruanas, roupas indígenas, tocando samponha, charango e quena, típicos instrumentos andinos. Depois da apresentação, das danças e das músicas, falaram muito da região, região que meu amigo missionário conhece muito bem. Exageraram de todos os lados até que tiraram uma boa oferta para um gerador de energia e foram embora para nunca mais voltar. A “plateia” estava abismada com toda aquela apresentação, músicas, danças e histórias. Mas será que alguém se preocupou de buscar procedências? Bem, na realidade, para a “plateia” o que importa são os momentos de diversão sob o tema missões. Aquele jovem missionário que eu conheço e que faz um bonito trabalho pela Argentina, Peru, Chile, Bolívia e outros países sentou entre a “plateia” e se levantou despercebido. Claro, um jovem vestindo calça jeans e de tênis não chama a atenção mesmo de ninguém. Não sou contrário a que vistam roupas típicas, cantem músicas regiões e etc, mas prefiro conhecer com maior detalhe as ações e ser motivado por alguém que realmente vive uma vida como guerreiro do Senhor.
De Cochabamba a Santa Cruz pela antiga estrada
No campo missionário devem-se derramar lágrimas por gerar filhos espirituais. Quem não se derrama na presença do Senhor não gera filhos. Além de Ana, a mulher guerreira com a qual começamos nossa meditação, temos o exemplo de outra mulher que foi ao extremo para obter descendência. Raquel disse a Jacó: “Dá-me filhos, senão morro” ( Gn 30:1). Os guerreiros de Deus se derramam diante do Senhor, lutam diante do Senhor por uma solução. No verso 22 a Palavra diz: “E lembrou-se Deus de Raquel; e Deus a ouviu, e abriu a sua madre” (Gênesis 30:22). Ter uma vida de oração te leva a vitória. Mas, você deve ter o seu momento com Deus. Ou você só sabe orar em grupo, lá na igreja, nas reuniões de oração? Se você não sabe ter uma vida a sós com o Senhor você vai passar maus momentos sozinho. No livro de Jó tem uma advertência aos guerreiros do Senhor: “E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus”(Jó 15:4) e em Eclesiastes 8:3 diz: “Não te apresses a sair da presença dele”. Querido irmão, as grandes vitorias nós alcançamos de joelhos na presença do Senhor. São resultados que só a eternidade poderá revelar, pois você entra na batalha na dimensão espiritual e não humana.
Quero concluir esta meditação voltando a nossa guerreira Ana. No texto de I Samuel 1:10 diz: “Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente”. Por causa da situação Ana estava profundamente amargurada, mas seguia orando ao Senhor. Perseverar é fator chave para a batalha. A profunda tristeza fere nossa alma e geralmente requer soluções imediatas. Mas a vitoria está com aqueles que mesmo amargurados persevera em oração. “E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o Senhor…” (1 Samuel 1:12) Perseverar é o segredo para dar fruto ao Senhor. Se o Senhor te mandou fazer algo para ELE, então faça até ELE mesmo mandar você parar. Não pare no meio do caminho, não olhe para trás, não fite os olhos nos obstáculos, mas seja firme naquilo que o Senhor tem te orientado. É importante não apenas manter a posição firme em realizar a Obra, mas seguir em oração para que a visão siga firme. Observamos a atitude de alguns missionários que durante o tempo em que preparam-se para vir ao campo estão sempre orando e alimentando a visão, fortalecendo o alvo de trabalho que o Senhor tem dado para uma área específica. Mas quando chegam ao campo missionário problemas vêm de todos os lados e aos poucos tudo começa se encaixar e acomodar. Mas a visão que Deus deu deve ser firme ao ponto de modificar o ambiente e não ao contrário. Isso ocorre porque a visão não foi fortalecida através da oração e com o passar do tempo foi acomodando-se ao ambiente que deveria sofrer modificações. Um exemplo que podemos dar é a triste situação de muitos pisarem o campo missionário o coração explodindo por alcançar aqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. O tempo passa e encontramos o missionário com uma série de atividades com um pequeno grupo de convertidos dentro de quatro paredes e no final de tudo, o campo missionário prossegui com as mesmas necessidades. Para evitar tal situação deve-se medita no trabalho que o Senhor tem confiado, orando com perseverança para que o Senhor dê o fortalecimento a visão.
Com certeza não podemos falar de guerra e de vitoria sem falar de oração. Sem oração não há vitória. Aponte-me um herói na fé que o vamos distinguir por sua vida de oração. As ações são de suma importância, mas já são resultados do que alcançamos aos pés do Senhor. A guerra foi vencida muito antes, de joelhos, no lugar secreto. Além de orar sozinho, também temos o nosso grupo de oração. São os irmãos que saem conosco ao evangelismo e nós nos reunimos para buscar ao Senhor.
Também buscar ter contato com grupos de intercessão, irmãos que estão sabendo dos detalhes do que se passa no campo e estão ao nosso lado em oração. Quantas vezes ao obter uma vitoria o Senhor me diz que é resultado da oração do povo de Deus. Sei disso, pois o próprio Espírito nos comunica. Certo é que, somos guerreiros, fomos chamados para lutar e a nossa batalha vencemos primeiramente de joelhos diante do Senhor, pois é ELE mesmo que nos dá a vitoria.
Pastor Peniel Nogueira Dourado
OBS.: Escrito em 3 de abril de 2012 – Santa Cruz de La Sierra, Bolívia