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A Missão Siloé Cresce, o Apoio Evangelístico Avança

Sabe aquela pergunta que insiste em bater à porta? Pois é, outro dia me perguntaram de novo: “Por que você não para com o trabalho do Programa de Apoio Evangelístico e foca só na igreja?

Essa não é a primeira vez que recebo esta pergunta. Mas eu sinto que é importante trazer uma resposta para para quem acompanha nosso trabalho através de nossos informativos e trazer um pouco do nosso dia a dia aqui no campo de missões e, claro, dar a resposta para essa e outras dúvidas. Afinal, vocês estão sempre “na sala” conosco, e a transparência é fundamental!

Misión Siloé – Paraguai

Para quem nos acompanha há mais tempo, sabe que estamos no Paraguai desde janeiro de 2022. Assumimos o pastorado da Missão Siloé em um estado, digamos, desafiador. A igreja estava praticamente falida, com um número muito reduzido de membros: apenas seis a oito pessoas reunidas em círculo para adorar em um templo que tem cerca de 8×20 metros!

Era triste ver um trabalho grande em andamento, de onde sairam missionários e iniciou-se vários projetos de missões ter agora apenas menos de 10 pessoas reunidas. Era como ver um árvore que foi cortada e que precisava agora crescer.

A igreja, que chegou a quase zero em 2020, está voltando à sua normalidade e crescendo a cada dia. Isso nos leva novamente a receber àquela pergunta crucial: “Por que não parar com o Programa de Apoio Evangelístico e dedicar exclusivamente a Missão Siloé no Paraguai?

Batismo na Missão Siloé – 19/10/2025

Eu já escrevi várias vezes sobre isso, mas não custa repetir: em 2004, eu auxiliava meus pais no pastoreio desta mesma igreja no Paraguai. O trabalho crescia, mas Deus me chamou para a Bolívia, e foi lá que o Programa de Apoio Evangelístico nasceu. Deus supriu com outros

Embora o trabalho local de igreja seja mais visível, muito mais fácil de se impolgar, o Programa de Apoio Evangelístico não tem tanta visibilidade local, mas nos permite avançar na Bolívia, em vários pontos do Brasil e, estrategicamente, abrir portas na Venezuela, Guianas, Argentina e Uruguai levando a Palavra de Deus além do ambiente que estamos.

Você pode se perguntar: “Mas, como vocês conseguem?” A verdade é que não é pelo nosso esforço ou capacidade! É porque o próprio Deus falou que faríamos. Se estamos transportando toneladas de material dos Estados Unidos e da Irlanda para o Nordeste, Norte e Sul do Brasil, e se estamos alcançando a Bolívia e a América do Sul inteira, é porque o Senhor mandou!

Evangelistas sendo apoiados em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia

Você precisa conhecer as histórias reais por trás desse trabalho. Elas são a razão mais profunda pela qual não podemos parar.

No batismo neste final de semana, recebemos a visita de um evangelista de Campo Grande (Brasil) que recebe nosso material. Pense nisso: este homem que é mestre de obras, que logicamente precisa sustenta a esposa e duas filhas, gasta cerca de R$600,00 para imprimir 5 mil folhetos. Ele tira esse dinheiro do seu pouco recurso para imprimir os materiais e evangelizar em hospitais, praças e feiras.

Outros, como um evangelista da Bolívia (a quem entregamos materiais até hoje), jejuavam contantemente para comprar os folhetos. Ele e a esposa guardavam o dinheiro do café da manhã, do almoço e do jantar para comprar literatura evangelística. Ele me disse: “Pastor, quando o trabalho começou a crescer, tivemos que jejuar mais vezes para juntar mais dinheiro e alcançar mais gente!”

Quando o encontramos, meu coração se encheu de alegria em dizer a ele: “Irmão, continue jejuando, mas a partir de hoje, não jejue mais para juntar dinheiro para comprar literatura! Nós vamos fornecer tudo gratuitamente.”

Eu poderia contar centenas de histórias de sacrifícios: pessoas que vendem o único carro que têm (como um pastor em Santa Cruz fez, ficando com uma pequena moto para levar a família na chuva e no frio), tudo para levar a Palavra.

Muitos entram neste serviço por lucro, e a Bíblia é clara ao dizer que tais pessoas “têm o seu ventre por deus” (Filipenses 3:19). Mas nosso foco é outro: é no amor e na dedicação desses homens e mulheres que dão a vida para cumprir o Ide de Jesus!

Vendo os sacrifícios desses evangelistas, que trabalham no sol, na chuva, no frio, na escassez, sem roupa apropriada, você acha que eu trataria um trabalho como esse com leviandade? Você acredita que eu pararia de forma irresponsável algo que foi ordenado por Deus?

Claro que não!

Nós trabalhamos nos bastidores: eu lido com pedidos, importadoras, fretes, logística e orientações de distribuição. Os irmãos nos Estados Unidos e na Irlanda imprimem e enviam os materiais com seriedade e amor. O Senhor nos deu a tarefa de amenizar a carga desses evangelistas, colocando a Palavra de Deus em suas mãos de forma gratuita.

Evangelista recebendo o apoio em Oruro, Bolívia

Louvo a Deus pelo trabalho que Ele nos confiou. Aqui no Paraguai, a Missão Siloé tem um novo ritmo: um ambiente de amor, serviço e paixão por missões. Deus tem nos dado vitórias e eu creio que vai continuar dando o crescimento ao trabalho.

E também vamos continuar com o Programa de Apoio Evangelístico, sempre com a visão de expansão para alcançar mais vidas para Jesus.

Não somos grandes empresários ou pastores de megaigrejas. Somos simples missionários que entregam a vida. Para continuar, contamos com você!

Se você é um apoiador financeiro, saiba que sua doação a esta obra missionária é essencial. Deus levanta parceiros para que a obra avance. Meu muito obrigado de coração, e que Deus te abençoe! Continue orando por nós.

REFLEXÃO MISSIONÁRIA

Ao ver o sacrifício genuíno dos nossos evangelistas e o crescimento que Deus tem nos dado, somos lembrados de um desafio eterno: o serviço ao próximo e a missão de levar a Palavra exigem perseverança.

Que esta verdade fique marcada no seu coração:

“E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos.” (Gálatas 6:9)

O trabalho que você faz pelo Senhor, seja no campo, na logística, ou no apoio, jamais é em vão! Mantenha-se firme.

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Até o nosso próximo informativo!

Peniel N Dourado

Base de Apoio no Maranhão

Hoje eu quero falar um pouco do desenvolvimento da nossa Base de Apoio em São Luis do Maranhão. O irmão Rogério, que lidera o ponto de apoio em São Luís, tem feito um trabalho maravilhoso, apoiando os evangelistas locais. Fui apresentado a ele pela diretora da Interlink Brasil, e o principal objetivo do Rogério é conseguir literatura para apoiar a evangelização em seu estado.

Uma coisa que observei no serviço de missões é que o apoio à evangelização com material impresso funciona muito bem quando trabalhamos com alguém que já tem essa visão de apoiar outros. Existem pessoas que assimilam a nossa visão de trabalho e se desenvolvem, mas é muito mais produtivo quando a pessoa já tem a visão e a desenvolve de forma autônoma.

Evangelista recebendo materiais em São Luis do Maranhão

Foi o que aconteceu com o irmão Assis em Aracaju. Ele já liderava um grupo de evangelismo e buscava ativamente conseguir literatura para munir os irmãos com material impresso. Há uma grande diferença entre trabalhar por pelo material impresso somente para seu próprio trabalho e lutar por para munir outros irmãos que também evangelizam.

Assim como o irmão Assis, temos o Rogério em São Luís. Conversamos sobre a nossa visão, nossos objetivos e como trabalhamos através do programa de apoio. Ao longo dos meses, compartilhei com ele um pouco da nossa experiência. Louvo a Deus, pois temos percebido que o irmão Rogério está disposto a desenvolver o serviço de apoio também naquela região.

Objetivo com o Maranhão

Nosso principal objetivo em abrir uma Base de Apoio no Maranhão é atender o estado e expandir a região norte. Se Deus quiser, o contêiner chegará pelo porto de Suape no Ceará e será direcionado para São Luís. Em janeiro deste ano, estivemos no Ceará para fazer contatos com empresas, entender os processos de importação e buscar meios de viabilizar a entrada desse material por aquela região.

Evangelista durante o trabalho no terminal de ônibus urbano em São Luis, MA

Depois de finalizarmos essa etapa, orientamos o irmão Rogério sobre a documentação necessária para a importação. Graças a Deus, ele já está com o CNPJ e as condições necessárias para darmos prosseguimento ao processo de importação.

Assim, o alvo primário é estabelecer uma Base de Apoio que atenda ao próprio estado e, partir daí, a meta é usar essa base para atender também o Piauí e o Pará.

As Barreiras no Pará

Falar em atender o Pará é fácil; o difícil é colocar em prática. O Pará é o terceiro maior estado do Brasil, com grandes barreiras geográficas. Existem lugares com estradas precárias, rios que precisam ser atravessados e um sistema de transporte caro e complicado. As cidades, mesmo as maiores, são distantes umas das outras, o que complica e encarece a logística de transporte do material evangelístico.

Esses são desafios que o irmão Rogério certamente enfrentará. Estaremos com ele, dando orientação e orando para que as portas se abram e ele possa avançar no apoio à região do Pará. Além disso, através da base no Maranhão, temos o objetivo de fazer contato para entrar na região amazônica. A porta de entrada para essa área é Belém, com seu porto na entrada do rio Amazonas. Através dele, o material pode ser enviado para o Amazonas e até mesmo para o Amapá.

Já estamos em contato com evangelistas em Belém. São pessoas bem envolvidas e com conhecimento de campo e bem envolvidos com outros irmãos que trabalham no evangelismo na região. Nosso objetivo é envolver todos esses irmãos, somando forças para expandir o serviço evangelístico.

O Crescimento de uma Base de Apoio

Você pode observar todo o processo de trabalho: sabemos o caminho para o crescimento de uma base em uma região específica. O período atual é de documentação e importação. Assim que o material entrar e chegar à base, iniciaremos a fase de desenvolvimento, que é o envolvimento de empresários, igrejas e pessoas em geral para ajudar com o transporte e a logística.

A forma como trabalhamos se baseia no envolvimento de todos. Se a responsabilidade pelo custo do transporte recair sobre o evangelista, o trabalho se esgota. O evangelista terá um limite de recursos e não conseguirá avançar. Por isso, a nossa visão é que o evangelista deve se concentrar em evangelizar. Nós nos envolvemos com outras pessoas para conseguir ajuda com o transporte.

Evangelista levando a Palavra de Deus escrita em São Luis, MA

Quando esse processo acontece, o projeto cresce muito em uma determinada região. Aprendemos e aplicamos esse processo na Bolívia, e deu certo. Depois, tivemos o mesmo resultado em Aracaju, no Nordeste do Brasil. Muitos diziam que essa forma de trabalho não funcionava no Brasil, mas os resultados provam o contrário. O que se exige de quem está à frente é o desejo de fazer o trabalho da forma que o estamos desenvolvendo.

Observamos se o líder de uma base está disposto a seguir as orientações que passamos. Trabalhamos há muito tempo, vendo erros que se repetem. É preciso cortar esses erros para que o trabalho se desenvolva. Essa experiência, com acertos e erros, é o que compartilhamos com os novos irmãos que liderarão uma base.

Esse é o nosso objetivo para o estado do Pará. Já tentamos diversas formas de entrar na região Norte do Brasil — pela região Central, que é mais cara, pelo Mato Grosso, Acre e Rondônia e até mesmo importando diretamente para Manaus. O grande problema que sempre encontramos foi a falta de obreiros que realmente quisessem fazer o trabalho na região.

Aprendi que, se tentamos e a porta não se abre, precisamos parar e deixar Deus agir. E, ao longo de muitos meses tentando, temos visto a porta fechada. O desenvolvimento do trabalho, no entanto, está acontecendo através do Maranhão. Portanto, vamos investir onde Deus está abrindo as portas.

Uma Tonelada de Material Evangelístico

A primeira remessa de material já chegou à Base de Apoio de São Luís, vinda de Aracaju. Foram enviados exatamente 1.350 quilos de material impresso, com o objetivo de permitir que o irmão Rogério inicie os contatos com evangelistas e comece a desenvolver o trabalho na região.

A próxima remessa na qual estamos trabalhando e será enviada diretamente dos Estados Unidos, totaliza 10 toneladas de material evangelístico em português. Uma pequena quantidade em espanhol, inglês, alemão e francês também foi solicitada para atender aos turistas que visitam a região.

Finalizo pedindo a sua oração por essa nova base. Como mencionei, o irmão Rogério já providenciou a documentação necessária, e a impressão do material foi realizada pela missão americana. Agora, estamos na fase de finalização da documentação, aluguel de contêiner e outros detalhes para que a importação seja concluída e o material chegue a São Luís.

Contamos com suas orações.

Peniel N. Dourado

📦 Quando Deus Paga o Frete: Milagres na Logística Missionária

Eu estava vendo minhas fotos antigas e relembrando mais uma situação que passamos onde vimos a mãos de Deus no desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico. E este testemunho eu quero registrar em nosso Diário Missionário de hoje.

Quero lembrar que você pode assinar o nosso blog para que quando eu tiver um post muito importante estarei enviando o link em seu e-mail para você não perca os assuntos mais interessantes do nosso blog.

No Programa de Apoio enfrentamos muitos desafios para dar andamento ao trabalho. Um dos maiores é o frete. Transportar material da base até os pontos de apoio não é simples nem barato, mas essencial para a continuidade da obra.

Quero compartilhar uma experiência de alguns anos atrás, quando estávamos iniciando o Programa de Apoio Evangelístico na Bolívia. Eu creio que esta situação foi no ano de 2012. O material havia acabado em Bolívia e enfrentávamos dificuldades para receber a segunda remessa fazendo o processo de importação por Bolívia.

Diante disso, fiz pedidos de material pela região de fronteira do Brasil com Bolívia. O Brasil estava recebendo contêineres com frequência, então tivemos a ideia de trazer o material de São Paulo até Corumbá (MS), na fronteira, e depois atravessá-lo para o lado boliviano, conduzindo até Santa Cruz de la Sierra.

O contêiner chegou ao Brasil com quase 3 toneladas de material impresso. Fui até Corumbá e, com a ajuda de lideranças locais, conseguimos um galpão para armazenar tudo. Um pastor, que também era sócio de uma empresa de ônibus e caminhões, cedeu espaço em seu depósito e pallets para não deixarmos o material no chão.

Materiais evangelístico chegando na Base de Apoio em Santa Cruz de la Sierra (2012)

O próximo desafio era passar as caixas para a Bolívia. As autoridades aduaneiras exigiam documentação de importação e exportação, o que dificultava muito, já que se tratava de doação. Alguém nos orientou a transportar aos poucos — 100 ou 150 caixas por vez — o que tornava a travessia possível.

Com a ajuda do irmão Nigel Mercado, coordenador na Bolívia, começamos esse processo. Algumas vezes os policiais compreendiam nossa situação e liberavam a passagem. Em certa ocasião, um deles pediu uma Bíblia. Naquele momento Nigel só tinha livretos, mas depois os irmãos compraram uma Bíblia e entregaram ao policial. Essa atitude abriu portas para continuarmos atravessando o material até completar as 3 toneladas.

Outro obstáculo foi o frete de São Paulo até a fronteira. Eu havia falado com várias empresas e o valor estava muito alto, algo impensável para nós. Oramos, pedimos ajuda a várias igrejas e irmãos, até que Deus moveu o coração de uma pessoa que pagou integralmente esse transporte. Se eu não estou enganado o valor chegada aos R$10.000 Reais, ou mais. Mas graças a Deus que as portas foram abertas.

Ainda faltava levar o material da fronteira até Santa Cruz, uma distância de 580 km. Conversei com caminhoneiros e irmãos da região, mas os custos eram também altos. Uma irmã evangelista se dispôs a ajudar, cobrando apenas 250 dólares. Eu não tinha o valor e levei essa necessidade em oração.

Enquanto orava em meu quarto em Santa Cruz de la Sierra, recebi uma ligação de um irmão do Equador. Ele me enviou exatamente 250 dólares pelo Western Union. Com esse recurso, conseguimos pagar o frete, e o material finalmente chegou a Santa Cruz de la Sierra.

Base de Apoio em Santa Cruz, Bolívia (2012)

Compartilho essa história porque até hoje enfrentamos lutas semelhantes. Às vezes a dificuldade é o frete, outras vezes o recurso para viagens ou para manter a obra em andamento. Os custos no Brasil, por exemplo, são muito altos — pedágios, impostos e transporte interno chegam a ser mais caros do que viajar para fora do país.

Mesmo assim, desde 2021 quando decidimos avançar com o projeto no Brasil o Senhor tem nos sustentado. Hoje temos uma base em Aracaju, atendendo boa parte do Nordeste, e estamos iniciando outra em São Luís do Maranhão. Já enviamos mais de uma tonelada de material para lá e oramos para que logo possamos enviar o primeiro contêiner com 10 toneladas, alcançando também a região Norte do Brasil — onde os desafios são ainda maiores devido às condições precárias das estradas e ao custo do transporte.

Mas cremos que o Deus que nos mandou realizar este trabalho é o mesmo que levanta pessoas para sustentá-lo. Não foi uma ideia nossa, foi o Senhor quem nos chamou, e Ele tem suprido cada necessidade no tempo certo.

Agradeço a cada irmão que tem colaborado e intercedido por este projeto. Seguimos avançando, certos de que tudo acontece no tempo do Senhor.

Amém? Continue orando por nós.

Peniel N Dourado