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Um Chamado à Provisão Divina

Nossa jornada em missões sempre foi guiada por um chamado claro, mas nem sempre por um caminho óbvio. Casamos em 2002 e começamos a trabalhar no Paraguai com aldeias indígenas. Depois o Senhor nos levou ao serviço de rápido, presidio, atender as famílias que vivem em fazendo e outros trabalhos.

Posteriormente veio o chamado para fazer missões em Bolívia e meu foco era um só: abrir igrejas. Eu e minha esposa, Mina, estávamos em Bolívia com esse único projeto. Deus, porém, tinha outros planos para nossas vidas. Ele nos mostrou a necessidade do serviço de apoio a evangelistas. O grande detalhe é que naquele momento, eu não tinha dinheiro nem para comprar leite e pão.

Pastor Peniel, Mina e Deborah no trem indo de Puerto Suarez a Santa Cruz de la Sierra – 16 horas de viagem

Deus me deu a Palavra do alvo, mas eu estava apreensivo. Lembro-me de contar moedas que estavam sobre a mesa, tentando juntar o suficiente para a nossa alimentação do dia. Nós estávamos passando por uma grande necessidade financeira e buscávamos a direção de Deus para o serviço. Tudo o que sabíamos era que Deus nos havia enviado e deveríamos ficar ali.

Uma noite, enquanto orava, Deus me falou muito forte sobre o trabalho de apoio. Ele começou a me revelar os alvos que tinha e como eu deveria seguir. No dia seguinte, mesmo diante das muitas dificuldades financeiras, eu disse à Mina que Deus havia falado que iríamos trabalhar com Apoio Evangelístico. Eu traria o material de São Paulo, passaria pela fronteira e começaríamos a distribuir gratuitamente aos evangelistas locais.

Que brilhante ideia! Mas, onde conseguiríamos dinheiro para manter? Quem quer ajudar um projeto missionário assim? Mina estendia as roupas e me fazia muitas perguntas e eu não tinha resposta.

Mina e Deborah – Bandeira de Santa Cruz de la Sierra

Então Mina me fez mais uma pergunta: “Se a gente não tem dinheiro para comer, como vamos sustentar um projeto tão caro?” Querido irmão, ela não estava sem fé, era uma questão de lógica e sei que minha esposa tinha razão. Um projeto como esse envolve um custo altíssimo com frete, viagens e documentações. Você sabe quanto eu gasto para fazer minhas viagens para atender o trabalho? Sabe quanto custo para entrar apenas um contêiner desse em um país?

E, além disso, outra pergunta que era do meu coração me atormentava: “Quem se importa com o evangelista? Quem se preocupa se ele tem um folheto para pregar?” Você acha que eu não pensava isso? Sim, eu pensava e até hoje penso sobre este assunto.

A realidade é que pouquíssima gente se importa com o serviço evangelístico. Pouca gente valoriza o trabalho de quem vai para as ruas, hospitais e presídios, e não enxerga o resultado da literatura impressa, a Palavra de Deus escrita nas mãos do povo. Como eu apresentaria um projeto assim a uma igreja, aos secretários de missões?

A Primeira Grande Preocupação

Essa foi a nossa maior preocupação no início: como manter este trabalho. E Deus nos ensinou, de um jeito prático, a amar esse serviço. Ele nos mostrou primeiro o quanto Ele ama e também nos ensinou a amar. Por mais de três anos, eu, minha esposa e nossa filha Deborah, que ainda era um bebê, estivemos nas ruas de Santa Cruz de la Sierra, distribuindo literatura em praças, universidades e feiras. Colocávamos a Débora no carrinho e enchíamos as mochilas de folhetos.

Deborah e os primeiros materiais da Gospel Sunrise

Mais tarde, começamos a identificar evangelistas que precisavam de material e passamos a distribuí-los para eles. Deus nos ensinou a amar o serviço evangelístico e a ter a carga de ir às ruas. Ele nos mostrou que, da mesma forma que Ele nos deu o desejo de fazer esse trabalho, também levantaria pessoas que amam este obra e nos ajudar a manter este trabalho.

A nossa primeira preocupação foi ‘como vamos manter?’, mas o Senhor nos ensinou que, da mesma forma que Ele colocou essa carga em nossos corações, Ele levantaria pessoas para nos ajudar.

A maior lição que aprendemos foi: não é sobre como eu vou fazer ou como eu vou manter, mas sim, sobre como Ele vai providenciar. Deus nos mostrou, em cada necessidade suprida e em cada barreira vencida, que a obra é d’Ele e, assim como Ele nos chamou, Ele mesmo irá sustentá-la

Eu em Mina em nossa primeira base de apoio em Bolívia recebendo materiais da Irlanda (2011)

“E, quando faltar a vocês alguma coisa, Deus, que me dá tudo o que é necessário por meio das riquezas de Cristo Jesus, lhes dará o que precisam.” – Filipenses 4:19

Pedido de Oração:

Ore pelo Programa de Apoio Evangelístico para as portas continuem sendo abertas em toda América do Sul.

Ore pelo desenvolvimento da Base de Apoio na Bolívia, o coordenador nacional, irmão Nigel Mercado e por todos os líderes dos Pontos de Apoio em Bolívia.

Ore pela Base de Apoio em Aracaju que está sob liderança do presbítero Assis e que atualmente atende praticamente todo o nordeste Brasileiro.

Ore por nossa nova Base de Apoio que está sendo aberta na cidade de São Luis do Maranhão com o irmão Rogerio.

Onde estão os jovens missionários?

jovem

Hoje pela manhã, ao analisar o Analytics do meu canal no YouTube, percebi um dado que me chamou a atenção: a maioria dos visitantes, tanto homens quanto mulheres, têm acima de 25 anos. O público entre 13 e 24 anos representa menos de 10% dos acessos totais.

Ao ver essa estatística, comentei com minha esposa: onde estão os jovens missionários? Falo assim porque o conteúdo do canal é voltado a orientar e inspirar pessoas que desejam servir a Deus em missões. Mas, sinceramente, onde estão aqueles que desejam entregar suas vidas ao Senhor Jesus e dedicar sua juventude ao campo missionário?

Dou graças a Deus pela oportunidade que Ele me deu de viver esse chamado. Considero isso um privilégio. Entretanto, é triste reconhecer que, em nossos dias, missões têm sido como um vaso desprezado (cf. 2 Coríntios 4:7). Quando participo de cursos missionários ou viagens evangelísticas, a maioria dos participantes já passou dos 40 anos. Muitos deles foram influenciados por livros que marcaram gerações, como “O Contrabandista de Deus” ou “O Segredo de Hudson Taylor”. Mas os jovens de hoje sequer conhecem esses nomes ou histórias que incendiaram corações no passado.

Hoje à tarde, revisitei o Analytics e notei que alguém assistiu, pelo menos três vezes, um vídeo onde conto sobre minha entrega ao chamado missionário na juventude. Não era um inscrito do canal, mas pude ver que voltou ao vídeo várias vezes. Isso tocou profundamente meu coração. Pensei: quem seria essa pessoa? Talvez um jovem! Sim, alguém impactado por esse testemunho, despertado pelo Espírito Santo para entregar sua juventude ao Senhor.

Lembro-me bem de quando o chamado missionário começou a arder em mim. Eu era apenas um adolescente. Ainda não tinha conquistado nada, não era casado, nem possuía recursos financeiros. Mas havia uma chama queimando dentro de mim. Foi nesse tempo que ouvi o Senhor me dizer: “Peniel, Eu quero a tua vida, quero a tua juventude.” E, com temor e alegria, respondi: “Eis-me aqui, Senhor!” (Isaías 6:8).

Que Deus desperte essa nova geração. Que muitos jovens digam como o salmista: “Fiz menção do teu nome, ó Senhor, desde a minha mocidade” (Salmo 71:17). Que se levantem adolescentes e jovens apaixonados por Jesus, dispostos a renunciar ao conforto para levar o Evangelho aos lugares esquecidos. Pois, como está escrito: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).

Continue orando por nós e pelo Programa de Apoio Evangelístico. Que o Senhor levante uma geração missionária apaixonada por Sua obra.

Peniel N. Dourado

VIDEO  –  Clique no videos abaixo para assistir

https://youtu.be/EgMfkkPoqg4