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O Desafio da Obediência no Chamado

Sabe aquela pergunta que sempre volta quando alguém sente o coração arder por missões? “Mas… e o dinheiro?” Pois é. Hoje vamos conversar justamente sobre isso. De forma simples, direta e verdadeira — como quem senta na sala com você, olha nos olhos e diz: “Eu já passei por aí também.”

Deus tem colocado uma visão no nosso coração — e é lindo ver que essa mesma visão tem alcançado o seu. O desejo de ver a obra avançar não nasce em nós mesmo, mas nasce no coração de Deus. E por isso peço: continue orando por nós.

Pastor Peniel apresentando o projeto em São Luis do Maranhão (2025)

Hoje enquanto levava os meninos ao colégio e faculdade, pensei em escrever sobre um assunto que vira e mexe chega até mim: a questão financeira no chamado missionário.
A pergunta costuma ser sempre a mesma: “Pastor, eu quero fazer missões… mas quem vai manter? Quem vai pagar as contas?

1. A Primeira Prova do Chamado

Deus sempre prova uma pessoa antes de colocá-la na obra missionária. Eu olho para a Bíblia e vejo isso e se você está na obra de missões e não passou por nenhuma prova algo está errado. Mas sabe porque o Senhor Jesus prova? Sabe quem deve saber o resultado? Não é o seu pastor. Não é o pai, a mãe, o esposo ou a esposa. Não, querido irmão. A prova vem para mostrar a você quem quem foi ou não foi aprovado. Você é o alvo do prova.

É você quem Deus trata, molda, confronta e convence: “Eu estou aqui porque Deus me chamou — e não pelo dinheiro.” Da mesma forma é você saberá com todas as letras que você foi reprovado por causa do dinheiro.

A maioria das pessoas olha para o trabalho missionário com a mentalidade comum do mundo: trabalha-se para ganhar, e quanto maior a oportunidade, maior o ganho. Então, quando alguém vê um missionário deixando emprego, estabilidade e oportunidades, imagina: “Ele deve ter encontrado uma forma melhor de viver.

Pastor Peniel Dourado

Você já viu alguém simplesmente deixar um emprego para ganhar cinco vezes menos por nada? Alguém faz isso? Não. As pessoas mudam até de cidade por um emprego que dará uma renda melhor. Este é o natural da vida e não estou dizendo que é errado. As coisas funcionam assim mesmo.

Mas na obra de missões a frequencia é diferente. Geralmente existe uma perca gigandesca por se entregar ao serviço de missões. A reda cai, o padrão de vida vai lá pra baixo, o churrasco do final de semana desaparece e o carro é trocado por uma biscicleta.

E não quero dizer que será sempre assim e nesta mesma ordem, mas as provas virão.

2. Quando Deus Chama, Ele Prova

É como com Abraão. Deus deu a ele uma promessa — e depois provou essa promessa por 25 anos. Chamado funciona do mesmo jeito. Deus chama, fala, confirma… mas o recurso não aparece. E então você precisa decidir: Vou obedecer mesmo sem ver? Vou dar o passo mesmo sem ter?

Abaão recebeu a promessa de Deus que teria um filho quando tinha 75 anos de idade (Gênesis 12:4). O nascimento do filho da promessa veio quando Abraão tinha 100 anos de idade (Gênesis 21:5). Foram 25 anos esperando Deus cumprir o que havia prometido. Você já parou para pensar o que passou Abraão nesses 25 anos?

Recebendo materiais em Bolívia (julho 2025)

Querido irmão, muita gente não entra na obra porque olha para o chamado e pergunta: “Quem vai manter?” E quando não vê a resposta imediatamente, volta para trás. Mas não se engane: o reino de Deus não para porque alguém disse “não”. Uma palavra poderosa que o Senhor Jesus tem ministrado ao meu coração nos últimos anos é que para cada pessoa que recusa o chamado, Deus tem “sete mil” prontas — e normalmente melhores preparadas do que nós.

Eu uso este “cálculo” com base no texto de 1 Reis 19:18 onde o Deus diz a Elias “conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal e toda boca que não o beijou.” Se você acho que é grande coisa e que o Reino de Deus vai parar porque você diz não, saiba que existe sete mil na fila.

E por que eu digo que os sete mil são melhores que você? A base que temos é de 1 Co 1:27-28, que diz: “(27)Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. (28) Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo e as desprezadas, as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se glorie diante dele

Evangelismo em San Julian, Bolívia (2014)

Assim, Deus escolheu você sem nenhum conhecimento, o fraco entre muitos, o insignificante da turma, o que não era nada para que você não se glorie pelo que o Espírito de Deus vai fazer através de você.

3. Deus Escolhe Diferente do Mundo

O mundo, em sua lógica humana e corporativa, escolhe o melhor, o mais capacitado, o mais experiente. A sociedade valoriza o currículo impecável, o histórico de sucessos comprovados e a autossuficiência.

Deus faz o contrário, e essa é a essência revolucionária do Evangelho. Ele escolhe o menor, o improvável, o que não tem condição nenhuma — justamente para mostrar que o poder é d’Ele e que a glória pertence somente a Ele.

O Apóstolo Paulo sintetiza essa estratégia divina de forma poderosa:

“Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.” (1 Coríntios 1:27)

Deus usa os vasos de barro, os imperfeitos, os humildes, para que, ao manifestar-se o poder, fique claro que a “excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7). A escolha não se baseia na nossa capacidade, mas na fidelidade do Senhor Jesus a sua própria Palavra.

Eu e minha família no campo de missões (2015)

Apesar da generosidade e paciência de Deus, o chamado exige uma resposta. Se a pessoa inicialmente chamada se recusa ou se sente indigna e se esquiva persistentemente (como fez Moisés inicialmente), Deus, em Sua soberania, tem mais sete mil.

Essa perspectiva nos leva à humildade, reconhecendo que sim, sempre haverá alguém melhor que nós aos olhos do mundo. No entanto, o que importa é estarmos disponíveis e dependermos Daquele que garante: A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)

4. O Segundo Estágio: A Prova da Renúncia

Ao nos engajarmos na obra de Deus e testemunharmos as portas se abrindo, uma prova crucial se apresenta: a necessidade de abrir mão daquilo que Deus mesmo nos deu.

Veja o exemplo de Filipe, o Evangelista. Ele estava em Samaria, no meio de um grande avivamento, onde milagres e salvação aconteciam por todos os lados. É o sonho de qualquer evangelista! Contudo, o anjo do Senhor chega com uma ordem inesperada: “Levanta-te, e vai para o caminho que desce de Jerusalém para Gaza; este é deserto” (Atos 8:26).

Tem algum sentido isso? Não fazia sentido. Por que abandonar um sucesso evidente por um deserto isolado? A resposta é que missão não é sobre sentido; é sobre obediência. Muitos falham neste estágio. Quando Deus diz “deixa isso”, muitos respondem “não”. E, novamente, Deus levanta outro para prosseguir.

E se você estivesse no lugar de Abraão? Após 25 anos de espera, quando finalmente tinha Isaque, o filho da promessa, o Senhor o testa com a ordem mais dolorosa: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto” (Gênesis 22:2). Abrir mão da promessa, do futuro, é um sacrifício imenso.

Peniel N Dourado, Oruro – Bolívia (2013)

Não seria essa resistência em entregar o “nosso Isaque” o motivo pelo qual o campo missionário tem tão poucos obreiros? Acredito que a seleção divina é realmente dura e poucos a superam.

Muitos dizem “não” ao Senhor e ao chamado por causa de um relacionamento amoroso, ou por não quererem abrir mão da casa que levou anos para ser conquistada, pela vaga no emprego, faculdade; Já encontrei quem se recusou a ir ao campo por ter lutado anos para alcançar o pastorado, argumentando que, no campo, qualquer um é chamado de missionário — um cooperador, um diácono, e assim por diante. Essa vaidade de título se torna uma barreira.

Desta forma, a seleção divina avança. Os homens dizem “não”, mas a Obra de Deus não para. A fila dos dispostos caminha, pois, como em Israel, sempre haverá um remanescente fiel:

“Mas deixarei ficar em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou.” (1 Reis 19:18)

O propósito do Senhor se cumpre, independentemente dos nossos “nãos”.

5. O Estágio da Maturidade

A caminhada de fé nos ensina que, à medida que avançamos na jornada e no serviço, o padrão de exigência de Deus se eleva. Veja o exemplo de Abraão. Depois de tantos anos caminhando com Deus, já em idade avançada, o Senhor lhe faz uma demanda crucial: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1). Por quê?

Porque, ao atingirmos essa fase de maturidade espiritual e de serviço, há muitas pessoas observando: filhos, netos, novos obreiros e os irmãos da igreja. Um único erro de quem deveria ser exemplo terá um impacto grande demais, com consequências difíceis de corrigir posteriormente.

É como um navio em manobra final para atracar no porto: qualquer erro de cálculo no fim da jornada causa um acidente enorme. Assim, de quem já tem um bom tempo de serviço missionário ou na Obra de Deus, é exigido o “sê perfeito”.

Observamos que muitos são cortados precocemente das fileiras de liderança para que o raio de sua influência não cresça o suficiente a ponto de gerar um estrago maior ao Reino.

As Escrituras estão repletas de exemplos onde a desobediência, mesmo em atos aparentemente pequenos, resultou na perda de grandes promessas ou posições:

  • Esaú foi cortado por menosprezar seu direito de primogenitura, vendendo-o por um simples prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34).
  • Moisés bateu na rocha em vez de apenas falar com ela, conforme a ordem divina, e por essa razão não pôde entrar na Terra Prometida (Números 20:10-12).
  • Sansão perdeu sua força sobrenatural por quebrar seu voto de nazireado, permitindo que seu cabelo fosse cortado (Juízes 16:17-21).
  • Saul perdeu seu trono e sua dinastia por oferecer um holocausto que não lhe cabia e por não destruir totalmente os amalequitas, sendo desobediente à voz de Deus (1 Samuel 13:13-14).

Às vezes, refletimos sobre a dureza de Deus. Aos nossos olhos, Ele poderia ter deixado passar o “pequeno escorregão” de Moisés, considerando tudo o que ele já havia feito. Mas, quais seriam as consequências de fechar os olhos e permitir que um líder de tamanha importância estabelecesse um precedente de desobediência? E como ficaria a figura de Cristo naquela rocha? O padrão divino é sempre a santidade e a obediência completa.

No período da maturidade, nossa voz mais forte são nossas ações e nosso exemplo. A palavra de Deus para nós hoje é a mesma que Ele deu ao ancião Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1).


Pense nisso:

O chamado para a missão nunca começa com a garantia de recursos; ele começa com a fidelidade ao Senhor.

Quando nossa vida se mantém firme e obediente a Deus, os recursos vêm, pois o próprio Deus é o Fiel a sua Palavra e o Mantenedor de Sua obra. A provisão divina segue a obediência.

Esta verdade nos traz segurança, conforme prometido em Sua Palavra: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Tessalonicenses 5:24).

Sabemos que a vida em missões é desafiadora, e talvez você tenha sido confrontado por este texto hoje. Mas confie: se Deus chamou você, Ele mesmo cuidará de cada passo do caminho, garantindo que Sua obra seja cumprida.

O Desafio da Obediência no Chamado

Eu tenho um vídeo em nosso canal no Youtube onde fiz um vlog mostrando meu dia a dia no campo de missões e fala sobre este assunto. Se você estiver interessado poderá assistir clicando no link – CLIQUE AQUI

Capa do vídeo no Youtube

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Deus te abençoe

Quando Deus muda o rumo da missão: lições do campo

Em nossa Base de Apoio, costumo levantar às 5h40 da manhã. Geralmente preparo um café, mas como estamos em um período mais frio, gosto de tomar um chimarrão — isso, claro, quando tenho erva, já que aqui em Santa Cruz de la Sierra nem sempre encontramos com facilidade.

Hoje pela manhã, abri minha Bíblia e me deparei com a história de Saulo, a caminho de Damasco (Atos 9). Essa passagem me fez refletir sobre como Deus age em nossas vidas no campo missionário. Essa experiência é válida também para quem não está no campo, mas quero aplicá-la diretamente à realidade missionária, pois é o ambiente em que vivo e sirvo.

Saulo tinha tudo: o apoio do sumo sacerdote, soldados ao seu lado, e os recursos necessários para “cumprir” sua missão. Ele acreditava estar fazendo a vontade de Deus, mas na verdade estava completamente equivocado. Saulo se via como um representante legítimo do Deus de Israel, um tipo de “missionário” enviado por líderes religiosos. Estava tão certo de si, que ignorava a direção real do Espírito. A Palavra diz:

“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para Damasco…” (Atos 9:1-2)

Olhando para esse quadro, fico triste em pensar quantos hoje têm cartas nas mãos, apoio institucional e estrutura, mas seguem caminhos que apenas satisfazem os desejos humanos. Agem sob ordens eclesiásticas, mas longe da direção do Espírito Santo. Vivem a fé como um projeto humano, não como resposta ao chamado divino. Jesus foi claro ao dizer:

“Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).

O fim daquela jornada foi marcante: Saulo entrou em Damasco cego e humilhado, e saiu dali dentro de um cesto (Atos 9:25). Perdeu tudo — apoio, autoridade, recursos — mas saiu com algo que nunca tivera antes: uma verdadeira missão dada por Deus.

Deus sabe mudar o rumo da missão. Ele fez isso com Saulo e também com o profeta Elias. Elias, após ser ameaçado por Jezabel, fugiu para o deserto, onde pediu a morte (1 Reis 19:4). O mesmo homem que enfrentou os profetas de Baal agora se escondia, desanimado. Mas Deus, em sua graça, enviou um anjo que lhe trouxe pão e água, e com a força daquela comida, Elias caminhou quarenta dias até encontrar o Senhor novamente na caverna (1 Reis 19:5-9). Diferente de Saulo, Elias precisava ser restaurado. E Deus o restaurou.

São esses encontros que mudam trajetórias, reacendem a fé e nos realinham com os céus.

Lembro-me de quando chegamos à Bolívia e enfrentamos a necessidade de pagar 1.500 dólares pelos vistos. Não tínhamos ninguém por nós, nenhum contato ou apoio, e um dia antes eu contava moedas para comprar pão e leite. Como pagar 1.500 dólares?

Na madrugada, fui para a sala e comecei a orar. Durante aquele momento, cada palavra que Deus havia liberado sobre nossa vinda à Bolívia começou a vir ao meu coração. Então ouvi:

“Repreende a escassez.”
Comecei a declarar em oração que a provisão já havia sido enviada. Isso não tem a ver com pensamento positivo, nem com fórmulas humanas. Eu apenas obedeci à direção do Espírito. A paz veio ao meu coração e fui dormir.

Sem que ninguém soubesse da nossa situação, nos dias seguintes começaram a chegar ofertas de vários lados. Em pouco tempo, tínhamos o valor exato. Foi o próprio Deus provendo.

“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Salmo 23:1).

Muitos de nós nos acostumamos com os padrões de nossas congregações, com os canais tradicionais de ouvir a voz de Deus. Mas no campo missionário, vivemos realidades novas. Às vezes Deus usa caminhos tão diferentes que ficamos assustados — mas ainda é Deus falando.

Veja o caso de Balaão. O profeta aceitou uma missão com motivações financeiras. Quem o enviava não tinha compromisso com Deus, e ele mesmo estava longe da vontade divina. Mas Deus, em sua misericórdia, falou com ele de forma surpreendente:

“E a jumenta disse a Balaão: […] acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo?” (Números 22:30)
“Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor…” (Números 22:31)

Profetas estão acostumados a falar, mas aqui foi a jumenta que falou. Balaão dialoga com ela como se fosse algo normal. Seu coração estava dominado pela avareza. O fim de Balaão foi a morte (Números 31:8), pois rejeitou a correção divina.

Deus não negocia seus planos. Ele tem propósitos para nossas vidas, e eles devem ser cumpridos. Ou vivemos os planos de Deus, mesmo que isso exija mudar completamente nossos próprios caminhos, ou corremos o risco de sermos deixados de lado.

“Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá” (Provérbios 19:21).

Não há perda em fazer a vontade de Deus. O Senhor é o dono da obra missionária, e Ele tem poder para sustentar, corrigir, e redirecionar. Que Ele continue moldando nossos passos, mesmo quando for necessário começar do zero.

Peniel N Dourado

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