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COMUNICAÇÃO E INTERCESSÃO NA MISSÃO

A comunicação é uma ferramenta essencial para o serviço missionário. É preocupante quando encontramos missionários que não sabem usar ferramentas básicas como e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Isso não significa que sejam menos espirituais, mas mostra a necessidade urgente de se atualizarem. A tecnologia é uma aliada poderosa na expansão do Reino de Deus.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Antigamente, as Secretarias de Missões recebiam cartas com algumas fotos, preparando informativos que eram impressos e enviados a milhares de irmãos. Foram dias valiosos. Eu mesmo fui edificado por esses boletins. Mas hoje, com a internet, podemos alcançar muito mais pessoas com muito menos custo. Basta saber usar os meios disponíveis.

As agências missionárias estão informatizadas. Muitas secretarias apenas fazem download de imagens postadas em redes sociais ou recebem os informativos por e-mail e repassam à igreja. Porém, se o missionário não sabe sequer ligar um computador, tudo isso se torna inútil. A Bíblia nos encoraja a sermos sábios no uso das oportunidades (Efésios 5:15-16). Usar bem os meios modernos é redimir o tempo.

Quando cheguei à Bolívia, trouxe comigo um pequeno grupo de intercessores. Mas o Senhor me desafiou a expandir essa rede. Precisamos de igrejas e irmãos intercedendo, não só por mim, mas por todos os obreiros e pela salvação da nação boliviana. A Palavra nos exorta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Em uma terra onde o paganismo ainda domina, a oração é nossa arma.

Recentemente, irmãos que trabalham conosco em Impactos Evangelísticos pediram oração antes de irem a um povoado sem igreja. Ali, a adoração à “Pachamama” é forte, e muitos acreditam que o derramamento de sangue alimenta a deusa.

Essa crença diabólica sustenta linchamentos, sacrifícios e violência. Durante a pregação, nossos irmãos Elvis e Oswaldo foram ameaçados de morte. A população gritava queimar os jovens. Graças a Deus, as autoridades intervieram e eles foram expulsos, mas saíram com vida. Quantos já não tiveram esse final?

Pastor Peniel e Mina

Durante uma pregação em Punata, no departamento de Cochabamba, um homem com facão veio até mim gritando para que eu parasse de falar. Ameaçou cortar minha cabeça. Fiquei firme, repreendi no nome de Jesus e, sem explicação, ele foi embora. Em momentos como esse, quando não há nenhuma autoridade por perto, o que nos sustenta? A intercessão dos santos (2 Coríntios 1:11).

Se o missionário não comunica essas realidades, como os irmãos saberão como orar? Como sustentarão em oração a obra missionária se não souberem dos desafios enfrentados? O próprio apóstolo Paulo pedia orações e mantinha contato com as igrejas por cartas (Romanos 15:30-31).

Cada missionário que chega à Bolívia traz, mesmo que invisivelmente, um grupo de intercessores. Eles são como colunas espirituais que sustentam o avanço do Evangelho. Eu vejo no rosto dos jovens que caminham pelas ruas, deixando seus sonhos e profissões do outro lado da fronteira, o amor de Deus por esta nação.

Com o tempo, o missionário que era carregado por uma pequena maleta, agora precisa de um caminhão – não de bagagem, mas de contatos! Cada novo intercessor é um guerreiro na batalha espiritual. Quem é sábio sabe ampliar esse exército. Como diz Provérbios 11:14: “Na multidão de conselheiros há segurança”.

Por isso, deixo meu conselho a quem se prepara para o campo: aprenda a usar os meios de comunicação. Use-os com sabedoria. Amplie sua rede de oração. Compartilhe o que Deus está fazendo. Não esconda o milagre. A comunicação não é apenas ferramenta – é parte do chamado missionário.

Peniel N Dourado

O Preço da Missão: Injustiças, Provações e a Fidelidade à Chamada

Quem deseja fazer missões precisa estar preparado para enfrentar adversidades. Em muitos casos, ao sair do seu país, o missionário passa a viver como estrangeiro em terras que não são suas. A Palavra de Deus nos orienta: “Não oprimirás o estrangeiro; pois vós conheceis o coração do estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9). No entanto, o mundo que não conhece a Deus, também não conhece esse mandamento.

No campo missionário, sentimos na pele a acepção, o preconceito, o desprezo e a injustiça. Muitas vezes, direitos se tornam concessões e pedir justiça parece clamar no deserto. Lembro-me bem de quando cheguei a Santa Cruz de La Sierra. Peguei um táxi no terminal de ônibus até a casa de um irmão. O motorista, ao perceber que eu era brasileiro, me cobrou quatro vezes o valor normal. Como no Brasil o táxi é caro, achei o preço justo. Mas ao contar ao irmão anfitrião, ele ficou perplexo. Foi meu primeiro choque com a realidade de ser estrangeiro.

No Paraguai, quando dávamos entrada no visto de permanência, os funcionários da migração retinham os passaportes e pediam dinheiro constantemente, alegando diversos motivos, sem nunca finalizarem o processo. Já na Bolívia, recebíamos uma lista de documentos, mas sem endereços. Quando procurávamos informações, éramos direcionados de um lugar a outro e, por fim, nos cobravam até 10 dólares apenas por informar o caminho. Nessas horas, a única saída era orar: “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Salmos 55:22).

No entanto, mais difícil do que as injustiças do mundo são aquelas que vêm dos que se dizem cristãos. A obra missionária desperta emoções, move igrejas e estimula contribuições. Mas também se torna, infelizmente, um ambiente fértil para injustiças. Quando nossa família saiu do Ceará, em 1995, rumo ao Paraguai, vendemos tudo e fomos buscar apoio em igrejas. Algumas nos acolheram bem, outras, infelizmente, abusaram da confiança. Em campanhas de missões, os valores ofertados pelos irmãos nem sempre chegavam em nossas mãos. Certa vez, recebemos apenas R$ 50,00 de oferta. Um irmão nos abordou e disse que ele mesmo havia doado R$ 300,00 naquela noite. “A falsa balança é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (Provérbios 11:1).

Também fomos testados em nossa integridade. Enquanto buscávamos uma casa para morar, ficamos hospedados na casa de um pastor. Após nos mudarmos, ele nos visitou e disse que havíamos sido observados, pois alguns visitantes causavam confusões e até semeavam divisão. Ele nos parabenizou e disse que sua igreja sempre estaria de portas abertas para nós. Por outro lado, em outra igreja, a esposa de um pastor reagiu com receio ao saber que alugaríamos uma casa perto da congregação. Temia que fôssemos “roubar” seus membros. Dói ser julgado sem sequer ter agido. Mas a Palavra nos ensina: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (João 7:24).

Fazer missões exige preparo para enfrentar o pior. O missionário é a ponta de uma grande estrutura: igrejas, secretarias, associações e agências. Mas muitas vezes essa estrutura está comprometida. Igrejas perdem o foco missionário, agências se tornam fraudulentas, e missionários acabam dependendo de contratos, como quem precisa da justiça dos homens para garantir o sustento. Isso é triste. O evangelho deve ser motivado pelo amor, não por cláusulas contratuais.

“Vi debaixo do sol que no lugar do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniqüidade” (Eclesiastes 3:16). O chamado de Deus é sublime: levar a salvação aos perdidos, alcançar os que vivem sem esperança. Isso vale qualquer sacrifício. Mas enfrentar injustiças dentro da própria casa de fé pode ser o golpe mais doloroso. Missionários fiéis, que largaram tudo, enfrentam calúnias e abandono. Já vi homens e mulheres com potencial extraordinário serem vencidos pela dor da injustiça e voltarem atrás.

Um exemplo marcante foi o de um missionário do Espírito Santo, que veio com sua família para a Bolívia. A secretaria de sua igreja não calculou os custos, e o visto custava mil dólares. Ele foi acusado de superfaturamento. Chorava ao contar a história. “Maldito aquele que fizer injustiça ao estrangeiro, ao órfão e à viúva” (Deuteronômio 27:19).

A força para suportar tudo isso está em manter os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé (Hebreus 12:2). A justiça verdadeira virá do Senhor, que conhece os corações. E um dia Ele dirá: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mateus 25:23).

Por  –  Peniel N Dourado

A Guerra Invisível: Discernindo a Batalha Espiritual nas Missões

A vida, dia após dia, nos apresenta desafios que tentam nos prender aos pensamentos negativos. E se isso já é verdade na rotina comum, imagina no campo missionário? Quem serve em missões sabe: as lutas são ainda maiores. Mas Deus não nos chamou para sermos derrotados. Ele nos deu armas espirituais poderosas para vencer! (2 Coríntios 10:4).

Pastor Peniel N Dourado

Essa capacitação espiritual não é apenas para quem está em outra nação, mas também para aquele irmão que, com fidelidade, serve em sua igreja local. O apóstolo Paulo nos lembra que “não temos que lutar contra carne e sangue, mas contra principados e potestades” (Efésios 6:12). Nossa guerra é espiritual, invisível, mas real.

As histórias do Antigo Testamento não são fábulas. São relatos reais de homens e mulheres que venceram pela fé (Hebreus 11). O inimigo, ontem como hoje, tem como alvo roubar, matar e destruir (João 10:10). Por isso, precisamos discernir suas ações e resistir com autoridade espiritual.

O profeta Eliseu enxergou além das aparências. Ao olhar para Hazael, viu destruição (2 Reis 8:12). De forma parecida, missionários precisam desenvolver sensibilidade espiritual. É fácil se impressionar com culturas ricas ou lugares belos, mas o servo de Deus não se guia pelo que vê, e sim pelo que o Espírito revela (1 Coríntios 2:14-16).

Pastor Peniel pregando nas ruas de Bolívia

Um missionário brasileiro testemunhou isso ao caminhar pelas ruas da Suíça. Encantado com a organização e a beleza, logo discerniu o peso espiritual daquele lugar: um espírito de suicídio pairava sobre o povo. A aparência era de paraíso, mas havia um inferno escondido na alma das pessoas.

O inimigo não age só aos sábados à noite. De segunda a domingo, ele continua destruindo vidas. Satanás não respeita status, cor ou classe social. Mesmo nas nações desenvolvidas, muitos estão perecendo sem nunca ouvir o Evangelho.

O Dr. Francisco Gamelim, da Missão Filadélfia, entendia isso. Em suas férias, evangelizava em países da Europa, onde muitos rejeitavam o evangelho. Mesmo sendo advertido por guardas, ele voltava com novos materiais e continuava a missão. Um dia, diante do trono de Deus, essas pessoas saberão que alguém teve coragem de levar-lhes a Palavra da Verdade.

É fato: estamos em guerra. Mas não estamos desamparados. O Salmo 23 nos garante que o Senhor nos conduz a pastos verdejantes. E em Mateus 28:18, Jesus afirma: “Todo poder me é dado no céu e na terra.” Ele já venceu! Na cruz, Cristo despojou os principados e potestades (Colossenses 2:14-15). Agora, somos mais que vencedores (Romanos 8:37).

Se você está calado, temendo represálias ou distraído com o mundo, desperte! Deus não nos chamou para esconder a luz debaixo da cama (Mateus 5:15), mas para brilhar em meio às trevas.

A autoridade está sobre você. A vitória é do Senhor. Levante-se e lute! Seja sensível ao mover espiritual ao seu redor. Enxergue como Eliseu, combata como Paulo, insista como Dr. Gamelim. O Espírito Santo está contigo!