Diferente do mundo corporativo, onde trocamos tempo, esforço e conhecimento por um salário, a obra de missões se baseia em visão e participação. O dinheiro doado não é uma compra de serviço, mas uma forma de se tornar parte do trabalho missionário. A doação é uma participação consciente, e não um ato impulsionado apenas pela emoção.
Por isso, um missionário se sustenta e mantém o projeto lhe foi confiado pelo Senhor Jesus ao envolver pessoas na sua visão. O apoio vem daqueles que, movidos por Deus, compreendem o propósito do trabalho e se tornam parceiros. Essa dinâmica exige um equilíbrio constante: o missionário deve manter o foco na visão do projeto, evitando o “mercenarismo”, enquanto o doador precisa continuar conectado com a visão e o projeto para não perder o interesse e a oportunidade de ser parte em missões.
Concluimos que a sustentabilidade da obra é um sistema de fé, onde o missionário compartilha sua visão e o mantenedor se envolve obtendo a visão, participando do projeto. Essa parceria é a verdadeira fonte de sustento, mostrando que a obra missionária é mantida pelo Senhor Jesus, que toca nos corações para garantir o apoio necessário.
Nossos vídeos sobre Missões
Hoje postei um video falando sobre finança em missões, mas periodicamente estou trazendo vídeo sobre a vida prática em missões em nosso canal no Youtube. Se você quiser acessar a playlist completa basta CLICAR AQUI
É com grande alegria que começo este dia, escrevendo diretamente para você que sempre acompanha as minhas postagens. Hoje, quero falar um pouco sobre o nosso canal no YouTube e compartilhar um pouco de nossa visão de utilizar os vídeos para falar de missões.
Peniel e Mina
Os desafios de gravar vídeos
Desde que cheguei ao Paraguai em Janeiro de 2022, a rotina de trabalho no campo de missões mudou bastante. Na Bolívia, eu costumava gravar na rua, aproveitando as idas ao centro para resolver alguma coisa, ir ao banco ou levar material para algum evangelista. Sair de casa era algo frequente, o que me dava muitas oportunidades de gravar pelas ruas de Santa Cruz de la Sierra.
Aqui em Pedro Juan Caballero, a cidade é menor e não precisamos sair tanto para resolver as coisas. O meu momento de maior disponibilidade para gravar são os trajetos para levar e buscar meus filhos na escola.
Gravando vídeos dentro do carro
Por isso, a maioria dos meus vídeos de meditação e até os informativos são gravados dentro do meu carro nesses curtos espaços de tempo levando meus filhos a escola. É o tempo que tenho e tenho procurado aproveitar ao máximo.
Vivência Missionária: o que aprendemos juntos
Eu tenho coletado situações vividas no campo e experiências em missões de outros missionários e as que nós mesmo temos passado. Estou sempre em contato com irmãos ligado ao Programa de Apoio Evangelístico e com outros missionários de diversas partes do mundo. Eles compartilham suas dificuldades e aprendizados, e essa troca de ideias se torna uma fonte inesgotável de assuntos para os vídeos.
Com isso, podemos refletir sobre a vida no campo missionário, expondo situações reais sem citar nomes de ninguém ou igrejas. Compartilhamos tanto os acertos quanto os erros, inclusive os nossos. Errar faz parte da jornada, especialmente em missões transculturais, e é importante falar sobre isso.
Desta forma, criei uma playlist chamada Vivência Missionária que é dedicada a essas reflexões sobre a vida prática em missões. Se você se interessa sobre Vivência Missionária acesse através do botão logo abaixo.
Também temos a playlist chamada Informativo Missionário, que não recebe vídeos com tanta frequência, mas é muito importante para a comunicação do projeto.
Nesta playlist compartilho sobre o desenvolvimento do trabalho, orientações sobre o projeto, nossa visão e informações práticas sobre as regiões em que atuamos através do Programa de Apoio Evangelístico.
Peniel Dourado e Mina
Abordamos temas como dificuldades de importação e documentação, o andamento e o crescimento do trabalho. Essa playlist é ideal para quem quer entender os bastidores e os desafios logísticos da obra missionária. Você também pode acessar através do botão que está logo abaixo
Outra playlist que amo é o Vlog Missões. Nela, registro o nosso dia a dia, os lugares por onde vamos e o que estamos fazendo no campo de missões. Nos últimos tempos, tenho feito muitos vlogs das viagens, seja para a Missão Por Compaixão onde atendemos cada mês, assim como para a Bolívia ou, mais recentemente, para o Nordeste do Brasil.
O meu objetivo com os vlogs é mostrar o campo de missões como ele realmente é, sem romantismos. Por muito tempo, as pessoas viam a obra missionária apenas por meio de fotos e vídeos que exploravam a pobreza local. Sempre existe uma ideia de sencibilizar aqueles que estão vendo.
Eu sempre evitei esse tipo de abordagem em nossos vídeos. Acredito que mostrar apenas a miséria distorce a visão do projeto, do campo localo e, o mais importante, prejudica o relacionamento com os nativos. Em minhas gravações, mostro a realidade, as praças, os bairros, vou em lugares bonitos no campo de missões e trago a vida no campo missionário como ela é, com suas belezas e desafios.
Passando por Jacuacuara, Bahia (2024)
O alvo sempre é enfatizar o trabalho que fazemos e não usar as imagens para tocar o emocional do povo. Ou seja, se você quiser realmente apoiar o trabalho que fazemos apoie pelo resultado do trabalho que eu faço com o desejo de ser parte e não porque eu vendo uma imagem de miséria para você.
Todos os nossos vlogs desde 2016 estão disponíveis em uma página que você pode acessar pelo link na descrição de cada vídeo. Se você gosta desse formato, convido você a conferir. E se você quiser acessar a playlist Vlog Missões 2025 basta clicar no botão logo abaixo.
Quero lembrar que a playlist Vlog Missões 2025 inicia com nossos vídeos com a viagem que fizemos em janeiro deste ano de 2025 do Paraguai ao Ceará. Se você quiser acompanhar nossa os vídeos da viagem é só acessar a playlist.
Interagindo com nossos leitores
Para manter essa troca de ideias, eu interajo com os inscritos do nosso canal e com quem assina o nosso blog. Muitas vezes, envio e-mails perguntando se eles têm alguma dúvida e procuro responder aqui no blog e no canal.
Se você ainda não assina, procure o botão “Assine” em nosso blog. Basta inserir seu nome e e-mail para receber nossas postagens mais recentes. Ter essa interação e responder às perguntas de vocês é algo que me aproxima e fortalece nosso relacionamento.
E eu sou grato por sua participação aqui em nosso blog ajudando a compartilhar nossos posts, assim como a interação lá no canal no Youtube. Mantemos o foco de trazer conteúdo sobre a vida em missões e trazer você para mais parto de nossa realidade no campo de missões
A Realidade do Campo Missionário
É impressionante como tem muita gente que nem mesmo gosta de ver a realidade do campo. Ela idealiza um conceito do que é ser missionário e quando você expõe a verdade até se frustram.
Amado irmão, a obra missionária não é um conto de fadas, mas uma vivência real e desafiadora, cheia de erros e acertos. O nosso chamado é não para mascará-la, mas para vivê-la com os pés no chão, vivendo a realidade do campo, confiando em Deus sempre em cada passo que tomamos.
Trazer essa realidade em vídeo e aqui em nosso blog tem sido nosso desejo. Que de alguma forma as instruções que passamos cada dia possam ser ferramentas de benção para aqueles que se preparam para o campo de missões.
“Portanto, meus amados irmãos, sejam fortes e inabaláveis. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil.” (1 Coríntios 15:58)
Quero falar sobre algo que está no coração de Deus e, se você está lendo isso, provavelmente no seu também: o que realmente significa ser missionário?
Muitos pensam que ser missionário é apenas arrumar as malas e ir para um país distante, mas é muito mais que isso. O chamado missionário não é só um destino geográfico; é uma postura de vida, uma entrega ao chamado de Deus. É viver diariamente com um coração voltado para a Grande Comissão de Jesus no lugar específico que o Senhor tem direcionado.
Ser missionário é se tornar uma ponte entre a mensagem do evangelho e um povo que ainda não a conhece. É abrir mão do conforto para levar a esperança. É ter o coração quebrado por aquilo que quebra o coração de Deus.
E o que diferencia um missionário de um evangelista local é que o missionário deixa seu ambiente cultural, entra em outra ambiente de cultural para pregar o evangelho. Este processo pode acontecer tanto dentro do Brasil como os que vão para fora do Brasil.
Já vi, em minhas experiências, que esse chamado não exige superpoderes, mas sim um coração disposto e obediente. É uma jornada de fé, onde cada passo é guiado pela confiança em Deus. E a melhor parte? Ele nos capacita para cada desafio.
Talvez você sinta esse chamado, mas ainda tem dúvidas. Lembre-se, o nosso Deus não nos chama para o impossível sem nos dar as ferramentas necessárias. Ele nos dá a Palavra, a oração e, claro, o apoio uns dos outros.
Para um mergulho ainda mais profundo no universo das missões, preparei algo especial para você. O vídeo acima eu exponho um pouco mais sobre o que é ser um missionário. Assista e nos ajude compartilhando
Quando pensamos em missões, a primeira imagem que vem à mente é de paisagens exóticas, culturas diferentes e a alegria de ver almas se convertendo depois de um culto maravilhoso. É claro que essa é uma parte linda da jornada, mas a vida missionária tem um lado que poucos conhecem: os desafios silenciosos e as dores que são enfrentadas no campo missionário.
Pastor Peniel N Dourado
Solidão e Saudades: As Emoções do Campo
Servir a Deus em outra cultura é um privilégio imenso, mas a solidão é uma companheira constante na vida de muitos que estão longe de sua igreja e familiares. Sabe, a gente sente falta do nosso bairro, da nossa casa, da comida, dos nossos amigos e dos irmãos.
E não é só a distância física. Às vezes, a maior solidão é a cultural, a sensação de não ser totalmente compreendido, mesmo estando cercado de pessoas. A saudade pode pesar muito no coração, e é aí que a nossa fé é testada de uma forma única.
Outro ponto é o cansaço emocional. Lidar com a pobreza, a injustiça, o sofrimento e, muitas vezes, a perseguição, é algo que desgasta. O missionário precisa de um lugar para conversar, de alguém que o ouça e entenda suas lutas. É neste ponto que o contato com outros missionários brasileiros no campo transcultural fora do país é tão importante.
A urgência da missão é real, mas ela exige que o missionário esteja forte em todas as áreas, inclusive na mental e emocional. Se não há força o impacto do choque cultural será brutal ao ponto de derrubar o missionário. Muitos simplesmente voltam ao Brasil dando uma desculpa qualquer, mas foram derrubados pelo choque cultural.
Enfrentando Problemas Práticos Longe de Casa
Além dos desafios emocionais, há os problemas práticos. Eu já vivi situações em que o dinheiro não chegava, a saúde fragilizava e a adaptação parecia impossível. A burocracia para entrar e se manter em um país, as dificuldades com o idioma, e a necessidade de se reajustar a um novo modo de vida são obstáculos diários.
Essas lutas não diminuem o chamado, pelo contrário, elas o fortalecem. Mas para que um missionário não desista, ele precisa de suporte. O apoio não é apenas financeiro, mas emocional.
Você já enviou uma mensagem ao missionário que você intercede e apoio financeiramente? No período de ano novo e natal você entra em contato com o missionário?
A Urgência da Missão e a Necessidade de Apoio
A Grande Comissão nos chama a ir, e a cada dia que passa, mais e mais pessoas precisam ouvir a mensagem de salvação. Mas para que o missionário permaneça firme e cumpra sua missão, ele precisa de uma retaguarda forte. E a força dos que estão à retaguarda não é apenas o envio do dinheiro, mas olhar para a alma daquele que está no campo.
A Bíblia nos ensina que a nossa luta é em equipe (Eclesiastes 4:9-12). Ninguém milita por sua própria conta e faz tudo sozinho. Se você tentar certamente perceberá que as dificuldades são maiores e sua força não vai alcançar.
Não pense que apenas os “heróis” são chamados para missões. Deus não busca homens e com uma capa de superman para fazer missões, mas Ele usa homens e mulheres comuns. Compreendemos isso, conluimos que todos podemos ser parceiros nesse trabalho em missões transculturais.
Seja orando, divulgando a obra que o missionário faz, contribuindo financeiramente e apoiando emocionalmente. Sua participação em missões é fundamental para que o missionário não se sinta só e consiga superar os momentos difíceis no campo transcultural.
Adicionei um vídeo logo abaixo onde compartilho um pouco mais sobre este assunto. Convido você a se inscrever no canal e acompanhar nossas postagens no YouTube.
Eu espero que você tire tempo para assistir e também nos ajudar a divulgar nossas postagens. Nosso alvo é transmitir a realidade da vida no campo de missões como ela é e não de forma romantizada.
Creio que cada vídeo, nossas postagens serão ferramantas para aqueles que desejam um dia está no campo transcultural e comprir o chamado.
Iniciamos nossa atividade em Vacaria, no Rio Grande do Sul, com o apoio do evangelista Moisés. Confesso que eu não tinha muitas informações sobre a necessidade do evangelho nessa região. Pesquisando, descobri dados que me surpreenderam.
Porto Alegre é a capital com o menor número de evangélicos no Brasil. Em segundo lugar está Florianópolis. Para se ter uma ideia, essas capitais, apesar de grandes, têm um número muito pequeno evangélicos e igrejas. A cidade de Porto Alegre tem 11% e Florianópolis tem um pouco mais de 12% de evangélicos. Isso me fez pensar: se as capitais têm essa realidade, o que dizer dos municípios menores?
Peniel Dourado e Ev Moisés
Aprofundando a pesquisa, encontrei um grande número de municípios no Rio Grande do Sul com menos de 2% de evangélicos. Esse dado é alarmante, pois remete à compreensão de que uma região é “não alcançada” pelo evangelho. Se vários municípios vizinhos têm essa porcentagem, significa que toda uma região está carente da presença do evangelho.
Assim, eu posso dizer que, o sul do Brasil é o lugar no país com a maior necessidade da presença do evangelho sem ter barreiras geográficas que dificultam o avanço da Palavra. Existem lugares na região norte com muita barreira geográfica e mesmo assim o avanço na pregação, abertura de novas igrejas é constante.
Outro dado importante são os municipios com uma porcentagem de 5% de evangéicos. Segundo especialistas, uma região com essa porcentagem pode ter um crescimento rápido. Já uma região que se mantém nos 2% por muito tempo, provavelmente precisa de apoio externo para avançar, pois mostrar pela quantidade e falta de avanço que a igreja local não está conseguindo avançar sozinha. Atualmente, cerca de 24 municípios no Rio Grande do Sul têm menos de 5% de evangélicos e 13 municípios com 2% da população declarada evangélica.
A conclusão é clara: a região sul do Brasil é carente da Palavra de Deus e precisa urgente da atenção do serviço de missões.
No entanto, tenho notado que a Igreja brasileira não tem uma visão voltada para o sul. É raro ver igrejas de outras regiões, como Sudeste ou Nordeste, enviando missionários para lá. Muitos vão para trabalhar, mas poucos para ganhar almas, abrir igrejas e somar com a igreja local.
Visita do Ev Moisés a Misión Siloé no Paraguai (2024)
A falta de obreiros é um dos maiores desafios que se enfrenta. Observando o trabalho do evangelista Moisés, foi enviando uma grande quantidade de materiais impressos, houve apoio para a distribuição, mas a barreira maior foi encontrar evangelistas com o coração realmente entregue à obra de evangelismo de forma constante. Muitos começam, mas param depois de poucos meses.
A região sul tem muitas barreiras culturais e religiosas. Eu até a comparo com a Europa, onde as igrejas também evitam enviar missionários por causa da cultura e do poder aquisitivo das pessoas. No Brasil, essa mentalidade impede o avanço no Sul.
Irmã Angelina da cidade de Santa Maria, RS, durante o evangelismo
Apesar de tudo isso, eu tenho visto que as igrejas evangélicas do sul sendo uma das mais animadas quanto ao serviço de missões transculturais. Mesmo trabalhando em uma região tão difícil para o crescimento de igreja e alcance de novas regiões no próprio sul do Brasil as igrejas locais são fortemente envolvidas no serviço de missões enviando e apoiando missionários dentro e fora do Brasil.
Sobre o Apoio Evangelístico
Quanto ao desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico, desde o início, sabíamos que não seria fácil. Trabalhamos para levar as primeiras remessas de materiais, iniciamos o processo da identificação de evangelistas que fazem o trabalho de forma constante. Tivemos o apoio de irmãos que trabalham no transporte, mas a resistência tem sido gigante.
Um dos maiores problemas que nós temos tido é a falta de evangelistas que fazem o trabalho de forma constante. Normalmente o trabalho é feito por três meses ou seis meses e logo param. Não digo que não tenha evangelista, mas o número comparado a outras regiões do Brasil é baixíssimo.
Continuamos a orar e a buscar a Deus para que Ele levante pregadores para alcançar essa região. Eu creio que chegará o tempo que vamos ter um resultado maior na região sul. O que precisamos fazer e seguir trabalhando, orando e deixar que as portas sejam abertas pelo próprio Deus
Ore Conosco!
O desafio é grande, mas a promessa de Deus é ainda maior. Jesus disse: “Vejam! Eu lhes digo: levantem os olhos e vejam os campos para a colheita, pois já estão brancos!” (João 4:35). O sul do Brasil é um desses campos que está maduro e clama por ceifeiros. A necessidade de pregadores do evangelho é extrema.
Que possamos ter essa visão, orar e agir para que a Palavra de Deus chegue a cada coração nessa região.
Nossos Vídeos
Eu tenho alguns vídeos gravados com nossas viagens ao sul, chegada de material na cidade de Vacaria e vídeos que falo sobre o desenvolvimento do trabalho. O link eu deixo logo abaixo
Uma questão que sempre surge é a falta de equilíbrio na igreja, especialmente em relação à prosperidade financeira. E a situação agrava quando falamos de prosperidade financeira missionária.
Muitas pessoas dão ênfase excessiva a um único ponto. Para mim, a prosperidade de um projeto missionário não se mede pela abundância de recursos financeiros e bens. Em Lucas 12:15 diz: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” Então, se a vida do homem não consiste na quantidade de bens, por que mediríamos o tabalho de missões?
Um projeto pode ter muito dinheiro, mas ser pobre em visão, em propósito e em ação. Quando falta visão de Deus, o trabalho se torna uma empresa, atraindo pessoas por interesse financeiro, não por vocação. O resultado é um trabalho pobre, mesmo que tenha dinheiro.
O própria Cristo disse de uma igreja que acreditava ser rica porque ela dizia ser rica aos seus próprios olhos: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3:17)
Por isso, quero deixar bem claro: a verdadeira prosperidade de um projeto missionário é viver o propósito de Deus. É cumprir a vontade do Senhor, independentemente da condição financeira. Tem recursos ou nao tem, o ponto é: Está cumprindo o propósito?
Existe um grande desequilíbrio quando se trata da vida financeira de um missionário. De um lado, há quem acredite que um missionário “de verdade” é aquele que vive na necessidade, sempre pedindo ajuda. Essa mentalidade cria o erro de julgar quem tem recursos para fazer a obra de missões.
Lembro-me de uma vez que viajei de avião para cumprir um compromisso e fui criticado por isso. A pessoa que me criticou pensou que um missionário deveria viajar de ônibus ou até mesmo de jumento para fazer missões, mas nunca de avião. Essa pessoa ficou tão irritada que não entrou mais em contato comigo. Mas tempos depois eu o vi entrando em um aviaõ “para fazer missões”. Não é um pouco contraditório?
Querido irmão, essa visão é equivocada. Deus pode abrir portas e prover de maneiras inesperadas, e não devemos limitar Sua forma de agir. E não temos condições financeiras para fazer a obra de uma forma melhor, fazemos da mesma forma com as condições que temos.
Do outro lado, estão aqueles que acreditam que ser abençoado é sinônimo de ter uma alta entrada de dinheiro. Isso também não é verdade. Um projeto não é melhor que o outro apenas por ter mais recursos.
A prosperidade, como já disse, está em viver o propósito de Deus. Pense em João Batista; ele viveu de forma simples, mas cumpriu seu propósito plenamente. A Bíblia diz que não houve nascido de mulher maior do que ele.
Precisamos encontrar um equilíbrio. Não podemos criar nossos próprios padrões e julgar os outros com base neles. O padrão do crente é a Palavra de Deus e a Palavra nos dá equilíbrio e nos ensina a considerar os momentos de dificuldade e não exaltar no momento de abundância.
Espero que estas palavras sirvam como uma orientação para você que está no campo de batalha das missões.
Assista o vídeo que eu coloquei logo abaixo onde eu falo um pouco mais sobre o assunto.
O que gera expectativa? Em missões, é muito comum as pessoas criarem expectativas erradas. Lembro de um irmão que veio de São Paulo. Ele tinha visto uma reportagem sobre nosso trabalho com os indígenas e estava muito empolgado. Chegamos no caminhão que ia para a aldeia, e logo vimos a realidade. Tinha um indígena bêbado que começou a nos acusar de roubar madeira. A confusão foi tão grande que ele puxou uma faca! O caminhão parou, nós pulamos e saímos correndo.
O irmão ficou assustado, morrendo de medo dos indígenas. Acabou que ele não quis mais voltar e nós tivemos que seguir o trabalho sozinhos. O que aconteceu com ele? Ele criou uma expectativa errada, a de um mochileiro que ia tirar fotos e viver uma aventura legal. Mas o campo missionário não é assim.
Outra vez, estávamos na Bolívia, indo para o Peru. A gente passou um perrengue enorme: passamos fome, tivemos problemas com a imigração e quase perdemos o ônibus. Um irmão que estava com a gente perguntou como eu aguentava passar por aquilo calado. Eu respondi: “A gente tem que focar na missão, ir lá e resolver”.
Seja realista. Não espere que o deserto seja um lugar legal; vai ser calor e não terá água. Não se iluda com lugares frios achando que é igual aos filmes. Frio é frio, e muitos missionários não saem nem de casa quando chegam nesses lugares porque a expectativa era falsa.
A primeira dica que eu dou para você é: não crie uma expectativa irreal. Você vai se frustrar. Você está colocando o pé no campo do inimigo, e tudo pode acontecer.
Dependência de Deus, não do Homem
Outra coisa que leva à frustração é a dependência excessiva de outras pessoas, a confiança exagerada no homem. Vejo muitos missionários no campo que confiam 100% em seu pastor ou em uma agência para a manutenção do projeto. Minha pergunta é: e se o seu pastor começar a falhar no envio do recurso? Isso pode acontecer, e você precisa estar preparado.
Se você recebeu o chamado de Deus, a responsabilidade do trabalho é sua. Você pode receber apoio da sua igreja, mas não pode colocar toda a sua confiança nisso. Os homens falham. A manutenção de um projeto tem que estar nas suas mãos, em sua responsabilidade. Eu, por exemplo, sempre busco ter três ou quatro alternativas de apoio, pois sou o responsável pelo trabalho que o Senhor colocou em minhas mãos.
Tenho 45 anos e me lancei no serviço de missões aos 19. Uma coisa que aprendi é que os projetos estão sempre crescendo, e eu gasto uma boa parte do meu tempo buscando novas parcerias e divulgando o trabalho. Por que? Porque a obra cresce, e preciso envolver mais gente. Não confie em uma única pessoa ou igreja. Isso cria uma expectativa falsa e leva à frustração.
A Comunicação é Essencial
Por fim, a terceira causa de frustração é a falta de comunicação. Às vezes, o mantenedor pensa que você está trabalhando com um projeto, mas você está em outro. A falta de comunicação pode gerar mal-entendidos e levar ao fim do apoio.
Eu procuro ser muito claro sobre o meu trabalho. Digo que sou pastor de uma igreja no Paraguai e que meu trabalho é esse e aquele. Digo que estou à frente do Programa de Apoio Evangelístico, e mostro o que fazemos. Essa comunicação clara e constante evita problemas.
O missionário, quando está no campo, fica concentrado em fazer o trabalho e, muitas vezes, esquece que precisa munir os mantenedores na retaguarda com informações. Se você não fizer isso, o apoio vai parar. A maioria das pessoas para de ajudar depois de três meses, no máximo seis. Depois de um ano, você está sozinho. A comunicação em missões é vital.
“O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.” (Provérbios 16:9)
Nossa jornada é cheia de incertezas, mas a certeza de que Deus nos guia é o que nos sustenta. Seja realista, confie em Deus e comunique-se de forma clara. Esses três pilares vão te manter firme no campo, mesmo quando as expectativas se chocam com a dura realidade.
É uma alegria poder compartilhar com vocês o que Deus está fazendo através da Base de Apoio em Aracaju, Sergipe. O líder local é o presbítero Assis e tem feito um trabalho maravilhoso. Conheci o irmão Assis de uma forma que só posso descrever como providencia de Deus para o desenvolvimento deste trabalho de apoio.
Peniel Dourado e Assis
Bem, é uma bênção ver o trabalho que o irmão Assis está fazendo em Aracaju, Sergipe. Hoje, é ali que temos o que chamamos no Programa de Apoio Evangelístico como Base de Apoio, que é o ponto central que atende praticamente toda a região Nordeste do Brasil. O trabalho começou na cidade de Aracaju, com os primeiros Pontos de Apoio, e depois foi se expandindo para outras cidades do estado.
Minhas primeiras viagens a Aracaju foram em 2021. quando tive o privilégio de conhecer o irmão Assis pessoalmente depois de um tempo tendo contato apenas pelo Whatsapp. E expressou o desejo de apoiar outros com os materaisi e iss tocou meu coração, pois ná é fácil encontrar evangelistas que tenham esta visão
Desta forma, para mim, foi uma surpresa encontrar alguém com essa visão, mas ao mesmo tempo foi uma resposta de Deus. Encontrar pessoas que compartilham o mesmo objetivo, o de apoiar outros evangelistas com material, foi muito gratificante. Começamos a dar as orientações necessárias para o trabalho e, como já disse, o projeto cresceu em Aracaju e se expandiu para outras cidades sergipanas.
Logo depois, Deus abriu uma grande porta para levar o material à Bahia. Através do irmão Panta, ele é distribuído em praticamente todo o estado.O Panta tem uma empresa de distribuição de verduras e legumes. Ele colocou à disposição seus vários caminhões para criarmos uma cadeia de distribuição. O material chega na nossa base em Aracaju, é direcionado para a cidade de Jaguaquara, onde o Panta tem sua empresa, e de lá é enviado para as demais cidades baianas.
Peniel, Panta e Assis
Este ano, aumentamos a quantidade de material com 10 toneladas a mais com o objetivo de atender somente a Bahia, devido ao grande número de evangelistas solicitando e à abertura de novos pontos de apoio.
Mas a visão não parou por aí. Comecei a conversar com o irmão Assis para que ele ore e busque em Deus contatos, na esperança de que o mesmo resultado que tivemos na Bahia possa se repetir em outros estados, como Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e o restante do Nordeste.
Recentemente, o irmão Assis me informou sobre bons contatos de irmãos que viajam frequentemente para Recife. Isso nos dá a oportunidade de iniciar um ponto de apoio lá, e quem sabe, expandir o trabalho para outras cidades de Pernambuco.
O objetivo do nosso Programa de Apoio Evangelístico continua sendo focar em apoiar quem está trabalhando de forma constante e, para isso, nosso material é dado gratuitamente aos evangelistas, sem custo algum. Para movimentar esse material, temos nossos custos, e como os cobrimos? Através do envolvimento de irmãos que trabalham com transporte ou viajam por meio de seus trabalhos seculares.
Evangelismo no nordeste do Brasil
Procuramos passar a visão a essas pessoas, mostrando que ao apoiarem o projeto e levarem o material, elas também estão participando do serviço evangelístico.
Não é um trabalho fácil. É uma tarefa árdua, com muitas barreiras e pouco apoio. Observamos que é necessário viajar para abrir novos pontos de apoio, e essas viagens requerem recursos para passagens, hospedagem e alimentação. A grande barreira que enfrentamos é que muita gente pensa que somos pagos por essas missões ou que há uma grande missão internacional bancando todos os custos.
Eu preciso ser bem claro: isso não é verdade. Nem eu nem o irmão Assis e nenhum outro irmão deste projeto recebe recursos de nenhuma missão para fazer esse trabalho. Tudo é feito através das ofertas e da ajuda voluntária daqueles que acreditam nesse propósito. Esta é a maneira que temos mantido este trabalho deste o começo.
Acreditamos que, aquele que apoiar financeiramente é um participante do trabalho e tem parte direta no resultado do serviço. Este é a razão porque repito muitas vezes que “estamos” evangelizando o nordeste mesmo meus pés e mãos não estão na região nordeste do Brasil.
Assim, aquele que apoia o trabalho do irmão Assis na expensão do projeto, seja com uma passagem ou um recurso para uma hospedagem e alimentação durante a viagem, o resultado será grandioso na expansão do serviço de apoio aos evangelistas no Nordeste e também receberá o mesmo galardão diante do Senhor Jesus pelo resultado feito. Este é o grande princípio da participação em missões.
Em 2005, tive várias viagens marcadas que, infelizmente, não pude fazer. Uma delas era para a cidade de Boa Vista. Tentamos levantar o recurso, mas não tivemos o apoio necessário para cobrir o alto custo das passagens e da viagem. Eu compartilho essa realidade porque sei que também é a realidade do irmão Assis, que muitas vezes é limitado pela falta de apoio.
Presbítero Assis (direita) e parte da equipe da Base de Apoio em Aracaju, Sergipe
Para finalizar, a última informação que o irmão Assis me deu é que já estamos alcançando mais de 100 cidades na região Nordeste. O apoio é feito de forma constante através dos mais de 12 Pontos de Apoio espalhados pela região nordeste e que estão sob a liderança do presbítero Assis.
Nós trouxemos no começo deste ano de 2025 um contêiner de 40 pés e outro de 20. Como eu já disse, o contêiner de 20 pés foi solicitado de forma exclusiva para atender o estado da Bahia e o contêiner de 40 pés os demais estados do nordeste. São mais de 30 toneladas de material impresso para o evangelismo.
Já estamos conversando com a liderança da missão americana que faz a impressão dos materiais sobre o crescimento do apoio e a possibilidade de termos que trazer três contêineres para a região com 60 toneladas de materiais impressos apenas a Base de Apoio do nordeste. Vamos continuar orando e trabalhando para este objetivo
Louvo a Deus pela vida do nosso querido irmão Assis, o evangelista Claudio que é o contador local e todos os irmãos que somam forças neste serviço. Que Deus continue abençoando, prosperando e sustentando o trabalho que a Base de Apoio em Aracaju os quais têm feito um grande trabalho.
“E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra.” – 2 Coríntios 9:8.
Continue orando por nossas vidas e pelo desenvolvimento do Programa de Apoio Evangelístico em toda América do Sul