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Você está preparado para lutar?

PREPARADO PARA LUTAR

O desejo de fazer a vontade de Deus toma conta de nosso coração, mas para chegar ao lugar da benção existe um preço. Se somos guerreiros é pelo simples fato de que somos preparados para lutar. O guerreiro não faz sua própria vontade, mas buscar fazer a vontade dAquele que o alistou. A Palavra de Deus expressa assim: “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” ( 2 Timóteo 2:4). Você quer ter vitória? Então você terá luta. Você quer ser um guerreiro de Deus? Então você terá muitas lutas, pois o guerreiro foi feito para lutar. O seu lugar não será em palácios, roupas finas, noites bem dormidas, nada disso. Você terá que exercitar a autodisciplina, doar-se a causa, focalizar na vontade do seu Mestre. A causa do Mestre é a sua causa, pois você é guerreiro do Mestre. Jesus Cristo é o nosso Mestre e ELE tem uma causa e nós, como guerreiros do Mestre, aceitamos Sua causa e não viver para nós mesmos.

A vida com Deus não consiste em colocar uma espada na mão. A escritura diz que “não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”( Efésios 6:12) Lutamos contra espíritos malignos, lutamos contra a nossa própria natureza descaída, lutamos contra o mundo, lutamos contra as circunstancias contrárias que nos impedem chegar ao alvo. A vida proporciona lutas e nós somos guerreiros de Deus para vencer. A vida naturalmente proporciona muitos problemas e você terá muitos outros quando propuser seu coração a fazer algo no Reino de Deus. Levante-se a realizar um trabalho na área evangelística, levante-se a fazer algo pela Obra Missionária e você verá a guerra sendo travada.

Em I Samuel 1:9-27 encontramos a história de uma mulher que não podia ter filhos. Era amada de seu marido Elcana, mas não tinha filhos. Ana decidiu lutar como uma guerreira em oração por um filho; lutou e venceu. Para cada situação existe uma resposta. Mas não quero te desanimar, apenas digo para nem sempre você terá uma resposta para as interrogações da vida, mesmo existindo uma resposta. Mesmo sem ter uma resposta imediata, querido irmão guerreiro de Deus, lute, pois ao menos você terá uma solução que glorifique ao Senhor. O porquê de Ana ser estéril, eu não sei te dizer, mas sabemos que ela como guerreira lutou em oração e alcançou o seu Samuel.  Ana não teve que travar guerra apenas com a esterilidade, mas com outra mulher que estava em seu caminho, uma rival. Guerreiros necessitam de rivais para serem guerreiros. Guerreiros sem rivais são apenas homens ou mulheres vestidos de guerreiros. Qualquer um pode vestir-se de guerreiro, mas ser guerreiro é ter um rival a sua frente. O Senhor deu uma rival para Ana para mostrar ao mundo, e hoje aprendemos uma vez mais, que existe guerreiros que a espada não volta vazia a bainha.

O trabalho missionário exige do homem de Deus um coração de guerreiro. Fazer missão é vencer lutas, enfrentar oposições, dizer não a si mesmo, muito trabalho olhando para a causa do Mestre. Quantos homens e mulheres vestem uma roupa de guerreiro, de missionário, evangelistas, mas apenas estão vestidos e nada mais. Qualquer um pode vestir uma roupa de soldado, mas ser um soldado é outra coisa. Esses frequentam conferências missionárias vestidos com roupas típicas. Que legal! Tudo muito bonito, mas muitas vezes não passa de um teatro. Eu prefiro ver a vida, as ações, as obras do guerreiro que me admirar com roupas típicas do campo. Eu prefiro ser guerreiro que animador de festas. Tenho encontrado muita gente que vive, respira esses momentos. Dão qualquer coisa para ser o foco das atenções em cultos de missões, conferencias missionárias, mas que não sabem travar guerra no campo missionário.  E se de um lado tem os que gostam de fazer teatro, do outro lado temos os que adoram assistir teatro. Não faz muito tempo um amigo que faz o trabalho missionário pela America Latina visitou uma igreja de seu próprio ministério no Brasil. Ele chegou com sua roupa comum, quem sabe calça jeans e tênis, na igreja que tinha familiaridade. Quando foi falar com alguns irmãos o povo disse que havia uns “missionários” no culto. Logo começou a apresentação. Entram vários sujeitos vestidos com roupas peruanas, roupas indígenas, tocando samponha, charango e quena, típicos instrumentos andinos. Depois da apresentação, das danças e das músicas, falaram muito da região, região que meu amigo missionário conhece muito bem. Exageraram de todos os lados até que tiraram uma boa oferta para um gerador de energia e foram embora para nunca mais voltar. A “plateia” estava abismada com toda aquela apresentação, músicas, danças e histórias. Mas será que alguém se preocupou de buscar procedências? Bem, na realidade, para a “plateia” o que importa são os momentos de diversão sob o tema missões. Aquele jovem missionário que eu conheço e que faz um bonito trabalho pela Argentina, Peru, Chile, Bolívia e outros países sentou entre a “plateia” e se levantou despercebido. Claro, um jovem vestindo calça jeans e de tênis não chama a atenção mesmo de ninguém. Não sou contrário a que vistam roupas típicas, cantem músicas regiões e etc, mas prefiro conhecer com maior detalhe as ações e ser motivado por alguém que realmente vive uma vida como guerreiro do Senhor.

Missão Bolívia VLOG MISSÕES
De Cochabamba a Santa Cruz pela antiga estrada

No campo missionário devem-se derramar lágrimas por gerar filhos espirituais. Quem não se derrama na presença do Senhor não gera filhos. Além de Ana, a mulher guerreira com a qual começamos nossa meditação, temos o exemplo de outra mulher que foi ao extremo para obter descendência. Raquel disse a Jacó: “Dá-me filhos, senão morro” ( Gn 30:1). Os guerreiros de Deus se derramam diante do Senhor, lutam diante do Senhor por uma solução. No verso 22 a Palavra diz: “E lembrou-se Deus de Raquel; e Deus a ouviu, e abriu a sua madre” (Gênesis 30:22). Ter uma vida de oração te leva a vitória. Mas, você deve ter o seu momento com Deus. Ou você só sabe orar em grupo, lá na igreja, nas reuniões de oração? Se você não sabe ter uma vida a sós com o Senhor você vai passar maus momentos sozinho. No livro de Jó tem uma advertência aos guerreiros do Senhor: “E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus”(Jó 15:4) e em Eclesiastes 8:3 diz: “Não te apresses a sair da presença dele”. Querido irmão, as grandes vitorias nós alcançamos de joelhos na presença do Senhor. São resultados que só a eternidade poderá revelar, pois você entra na batalha na dimensão espiritual e não humana.

Quero concluir esta meditação voltando a nossa guerreira Ana. No texto de I Samuel 1:10 diz: “Ela, pois, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente”. Por causa da situação Ana estava profundamente amargurada, mas seguia orando ao Senhor. Perseverar é fator chave para a batalha. A profunda tristeza fere nossa alma e geralmente requer soluções imediatas. Mas a vitoria está com aqueles que mesmo amargurados persevera em oração. “E sucedeu que, perseverando ela em orar perante o Senhor…” (1 Samuel 1:12) Perseverar é o segredo para dar fruto ao Senhor. Se o Senhor te mandou fazer algo para ELE, então faça até ELE mesmo mandar você parar. Não pare no meio do caminho, não olhe para trás, não fite os olhos nos obstáculos, mas seja firme naquilo que o Senhor tem te orientado.  É importante não apenas manter a posição firme em realizar a Obra, mas seguir em oração para que a visão siga firme. Observamos a atitude de alguns missionários que durante o tempo em que preparam-se para vir ao campo estão sempre orando e alimentando a visão, fortalecendo o alvo de trabalho que o Senhor tem dado para uma área específica. Mas quando chegam ao campo missionário problemas vêm de todos os lados e aos poucos tudo começa se encaixar e acomodar. Mas a visão que Deus deu deve ser firme ao ponto de modificar o ambiente e não ao contrário. Isso ocorre porque a visão não foi fortalecida através da oração e com o passar do tempo foi acomodando-se ao ambiente que deveria sofrer modificações. Um exemplo que podemos dar é a triste situação de muitos pisarem o campo missionário o coração explodindo por alcançar aqueles que ainda não foram alcançados pela Palavra. O tempo passa e encontramos o missionário com uma série de atividades com um pequeno grupo de convertidos dentro de quatro paredes e no final de tudo, o campo missionário prossegui com as mesmas necessidades. Para evitar tal situação deve-se medita no trabalho que o Senhor tem confiado, orando com perseverança para que o Senhor dê o fortalecimento a visão.

Com certeza não podemos falar de guerra e de vitoria sem falar de oração. Sem oração não há vitória. Aponte-me um herói na fé que o vamos distinguir por sua vida de oração. As ações são de suma importância, mas já são resultados do que alcançamos aos pés do Senhor. A guerra foi vencida muito antes, de joelhos, no lugar secreto. Além de orar sozinho, também temos o nosso grupo de oração. São os irmãos que saem conosco ao evangelismo e nós nos reunimos para buscar ao Senhor.

parceria missionariaTambém buscar ter contato com grupos de intercessão, irmãos que estão sabendo dos detalhes do que se passa no campo e estão ao nosso lado em oração. Quantas vezes ao obter uma vitoria o Senhor me diz que é resultado da oração do povo de Deus. Sei disso, pois o próprio Espírito nos comunica. Certo é que, somos guerreiros, fomos chamados para lutar e a nossa batalha vencemos primeiramente de joelhos diante do Senhor, pois é ELE mesmo que nos dá a vitoria.

Pastor Peniel Nogueira Dourado

OBS.: Escrito em 3 de abril de 2012  –  Santa Cruz de La Sierra, Bolívia

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Missões nas Alturas: Realidade, Desafios e o Poder do Evangelho nas Regiões Andinas

Entramos em um micro-ônibus que faz viagens regulares à região de fronteira entre Bolívia e Peru. O céu estava azul, o sol brilhava intensamente, mas o frio era cortante. O rosto das crianças estava marcado por manchas avermelhadas causadas pela exposição constante ao sol e ao vento gelado. Essa combinação climática castiga a pele com dureza.

As casas ao longo da estrada e das montanhas andinas são feitas de adobe — um tijolo rústico de barro misturado com um capim resistente encontrado nas altitudes dos Andes. Por toda parte vemos manadas de llamas, animais típicos da região andina. Além da carne, sua pele é usada na confecção de roupas e cobertas. Em geral, são as mulheres e crianças que cuidam dos rebanhos. As cercas dos campos são construídas com as pedras que os próprios moradores retiram da terra para evitar que machuquem os animais. Essas pedras são empilhadas com precisão, formando cercas e pequenas construções para abrigo do sol.

Peniel Dourado em Potosi, Bolívia

Pouco se vê de plantações, pois o terreno é desértico. No entanto, nas encostas das montanhas, onde há umidade ou presença de pequenos riachos, os moradores irrigam seus cultivos. No verão, é preciso aproveitar bem essa água, pois no inverno os riachos costumam congelar. A variedade de produtos agrícolas é limitada pelo frio e pela altitude, mas a batata é cultivada em quase todo campo. Não nos surpreende, portanto, que nas feiras a batata inglesa — que ali é chamada de batata andina — seja vendida em abundância. Muitos afirmam que foi justamente naquela região que a cultura da batata teve início.

Eu realmente me impressiono com a forma como esse povo vive em um deserto nas alturas, enfrentando um clima extremamente rigoroso. Mas olhar apenas para a beleza da natureza, como o Lago Titicaca — localizado a 3.820 metros de altitude — ou o majestoso Illimani, cartão-postal da cidade de La Paz, é se encantar com a criação e esquecer o Criador.

O Senhor criou o Illimani para que pudéssemos admirar e louvar Sua grandeza (Salmos 19:1). Tenho uma bela foto daquela montanha de mais de 6.000 metros de altura, mas meu coração se volta para algo maior: aos pés daquele gigante, vivem mais de um milhão de pessoas pelas quais Jesus deu sua vida na cruz (João 3:16).

Na região do altiplano de Bolívia

Voltando à realidade do campo, você já parou para pensar na necessidade dessas regiões? Quantas famílias vivem isoladas à beira da estrada ou no sopé das montanhas? Certa vez, viajando com um missionário, conversávamos sobre como alcançar essas vidas. Passamos por vilas, povoados e pensávamos nas muitas pessoas que moram no fim das montanhas. Quem irá por elas?

Muitos desses moradores vão à cidade apenas para comprar e vender e depois retornam aos seus povoados remotos. Disse ao missionário: “Não temos veículo nem pessoal para atender essa região”. Mesmo assim, Deus nos direcionou a levar Sua Palavra às feiras e mercados, pregando com megafones e distribuindo em abundância folhetos bíblicos, em espanhol, quéchua e aymara. Este tem sido nosso foco. Nosso compromisso não está preso ao método, mas sim à mensagem (1 Coríntios 9:22-23).

Sempre me perguntam: “Qual sua maior necessidade?” Poderia citar dinheiro, veículo, mais megafones — e a lista continuaria. Mas o que realmente falta são obreiros. Se tivermos homens e mulheres cheios do Espírito Santo e com amor pelas almas, podemos fazer muito, mesmo com poucos recursos (Lucas 10:2). Se não há carro, usamos ônibus, carona ou bicicleta. O essencial é cumprir a missão.

Próximo a cidade de Cochabamba, Bolívia

No Paraguai, atendíamos uma aldeia indígena chamada Pysyry, a 70 km de Pedro Juan Caballero. O acesso era precário. Usávamos um Chevette velho, levávamos bicicletas no porta-malas e todo o material da escola. A 20 km da aldeia, deixávamos o carro e seguíamos pedalando. Um dia, sob chuva forte, o barro impedia as rodas de girarem.

Chegamos à pequena igreja de sapé à noite, molhados e famintos. Enquanto os irmãos colhiam mandioca para nos alimentar, fomos ao riacho tomar banho. A água parecia limpa, mas ao sair, estávamos cobertos de lama. Mesmo assim, cumprimos a missão. Quando há visão e disposição, a obra avança (2 Coríntios 12:15).

Voltando à fronteira Bolívia-Peru, vi uma família ajoelhada sobre um monte, voltada para o sol, com as mãos erguidas. Eles buscavam a bênção do astro, pois acreditam em sua divindade. Em outras regiões, adoram a “Pacha Mama”, a mãe-terra. Muitos vivem imersos no paganismo, presos à cultura ancestral. Em cidades como Santa Cruz de la Sierra, com mais de dois milhões de habitantes, ainda se encontra quem não fale espanhol, apenas a língua indígena.

O missionário precisa respeitar a cultura local, mas jamais negociar os princípios da fé cristã. Jesus foi claro ao declarar: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Isso não é intolerância — é fidelidade. Eu chamo de “Radicalismo Cristão”: manter-se firme no único caminho que conduz à vida eterna (Atos 4:12).

Onde estão os que vão resgatar essas vidas? Onde estão as igrejas dispostas a enviar os mensageiros da verdade? Estamos em meio a uma guerra espiritual, mas Satanás tem atacado a retaguarda — falta manutenção, suprimento e obreiros. Ainda assim, a Obra não falhará, pois ela é do Senhor (Mateus 16:18), e não de líderes comprometidos apenas com conforto e visibilidade.

Nosso trabalho é simples: pregamos nas feiras com megafones, em espanhol, quéchua, aymara ou guarani — sempre que encontramos alguém que domine a língua local. O impacto é visível. Em países como Bolívia, Peru e Paraguai, é raro ver cultos ao ar livre como no Brasil.

Quando chegamos a Santa Cruz, não víamos ninguém pregando nas feiras. Hoje, isso mudou. Com três ou quatro megafones, dividimos os evangelistas em pontos estratégicos, proclamando a Palavra e distribuindo folhetos. O objetivo, no entanto, não é causar alarde, mas anunciar com ousadia o evangelho de Cristo (Romanos 1:16).

Trabalhamos em parceria com as igrejas locais. Enviamos material evangelístico, incentivamos os irmãos a colocarem seus carimbos e se envolverem no trabalho. Queremos mais do que realizar eventos: desejamos plantar no coração dos irmãos locais um fervor missionário. Nem todos farão o que fazemos, mas se cada um fizer algo, já teremos cumprido um papel crucial na expansão do Reino.

Amado, encerro com as palavras de Jesus: “A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros” (Mateus 9:37). Oramos para que o Senhor levante obreiros, tanto locais quanto enviados de longe. Sabemos que os tempos são difíceis, mas ainda há aqueles que mantêm o coração puro diante do Senhor e estão dispostos a ir onde for necessário (Isaías 6:8).

Peniel N Dourado

Criando Filhos na Missão sem Perder a Família

A decisão de trabalhar na Obra, Mina e eu tomamos juntos. Nos primeiros dias de casados, sentamos à mesa e discutimos seriamente sobre o assunto, embora, mesmo antes do casamento, ainda no namoro, esse já fosse nosso tema principal.

Sentados à mesa da pequena sala da nossa primeira casa, falamos com seriedade sobre viver uma vida comum ou entregar-nos completamente ao trabalho do Senhor. Mina me disse que sempre foi seu desejo servir ao Senhor, e eu concordei, agradeci e encerramos o assunto.

Lembro que falei de casamento com Mina durante uma viagem, sobre a carroceria de uma caminhonete Ford F-14. Estávamos voltando de uma aldeia indígena no interior do Paraguai. A caminhonete corria por uma estrada de chão, cheia de poeira e buracos, quando eu disse que aquela era minha vida.

Se ela queria casar comigo, teria de saber que eu não tinha planos de buscar uma vida de luxo, nem de viver em um país rico. Eu iria apenas para onde o Senhor me enviasse. Mina aceitou o desafio, mesmo morando na época em Tóquio, Japão, com um bom emprego.

Suas férias eram passadas visitando países como Coreia do Sul ou Austrália, mas ali estava ela, sobre a carroceria de um caminhão, saltando como pipoca, tomando uma das decisões mais importantes da sua vida: viver o resto da vida ao lado de um missionário que não ganhava nem 5% do seu salário no Japão, e que falava em viver no Paraguai, visitando aldeias indígenas.

Deborah

Quando nos casamos, renovamos esse propósito diante do Senhor, sentados à mesa da nossa primeira casa. Vivemos para a Obra de Deus, porque decidimos com seriedade viver assim. Determinamos fazer a vontade do Senhor, onde Ele nos enviasse, fazendo o que Ele nos designasse.

Mas, como é natural no casamento, vieram os filhos. Quando estava grávida, Mina se preocupava com a criação deles, com a responsabilidade de trazer ao mundo inocentes que participariam de uma vida que nós escolhemos viver, não eles.

Atualmente temos apenas nossa pequena Deborah Yuiko, que este ano completou cinco anos. Ela nasceu no Paraguai, cresceu na Bolívia, mas vive como uma autêntica brasileira. Em novembro de 2011, estive com o missionário Timothy, que trabalhou por muito tempo na Bolívia e hoje serve ao Senhor na Índia.

Conversamos muito sobre criar filhos no campo missionário. Timothy tem duas filhas casadas que foram criadas em vários países do campo. Ele não é um teórico; viveu o que ensinava.

Um filho de missionário não tem fronteiras. Não se sente plenamente brasileiro, pois nasceu em outro país. Não se sente paraguaio, porque não foi criado lá. Não se considera boliviano, porque não é. Essa foi a experiência de Timothy, e agora é também a nossa.

Acredito que toda família deve ser guiada sob os cuidados do Senhor, seja ela de missionários ou não. Precisamos aprender a dizer “não”, marcar a diferença na vida dos nossos filhos e ser exemplo como servos de Deus. Em minha casa, meu pai sempre nos envolveu na Obra. Ele não era um profissional da religião.

Era pastor, e sabia da necessidade de pastorear sua própria casa. Cresci em casas pastorais, acompanhando meu pai no trabalho da igreja, participando de vigílias, orações, estudos bíblicos, escola dominical, cultos na igreja e nas ruas. O trabalho não era só dele. Era nosso.

Certa vez, um missionário me disse que levava sempre os filhos com ele nas atividades. Ele não queria que os filhos pensassem que aquele trabalho era apenas dele. O mundo pode nos ridicularizar, mas devemos ensinar aos nossos filhos que loucura é viver longe de Deus.

Meu pai dizia que fazia a Obra visando a salvação da própria família. Noé entrou com sua família na arca e foi salvo com ela (Gênesis 7:7). Lá fora havia apenas perdição. Diante da família, não valem teorias nem pregações eloquentes. O que vale são ações diárias, coerentes. É preciso colocar os filhos na arca e fechar a porta, para que não sejam atraídos pelas tentações e saiam do lugar seguro.

Quantos pais estão preocupados com a Obra de Deus, mas negligenciam seus filhos? Em Lucas 11:5-7, aprendemos com o pai de família que, ao ser procurado por um amigo à meia-noite, responde: “A porta está fechada, e meus filhos estão comigo na cama”. Que cuidado! Porta fechada, filhos em casa, deitados. Nenhum deles do lado de fora, expostos ao mundo.

Hoje, tantos jovens estão em festinhas “gospel” com quem não conhecemos, fazendo o que não sabemos. O missionário pode ver o campo como algo extraordinário, mas para os filhos, aquilo logo se torna rotina. Eles se adaptam rapidamente e, se não houver vigilância, se envolvem com o mundo. O pai precisa fechar a porta e saber onde está seu filho.

Em 2008, Deborah mal sabia andar, mas já nos acompanhava no evangelismo. A Bíblia continua sendo nosso manual, mesmo diante da modernidade. Podemos ser grandes ganhadores de almas e ainda assim perder nossa própria casa. Seremos reprovados diante do Senhor, pois a Escritura diz que o bispo deve governar bem sua casa e ter os filhos em sujeição, com toda honestidade (1Tm 3:4).

Mina e eu decidimos trabalhar para o Senhor. Para conduzir nossos filhos nesse mesmo caminho, precisamos mais do que boa vontade — precisamos da sabedoria de Deus. É triste ver homens e mulheres de Deus, com uma trajetória marcada por bênçãos, mas com filhos afastados. Embora cada um tenha seu tempo de decisão, devemos ser canais de bênção para ajudá-los a fechar as portas ao mundo.

Meu pai nunca me incentivou a buscar bens materiais, conquistar status ou correr atrás de carro novo. Sempre incentivou a servir ao Senhor. Uma vez, perguntei por que ele parecia tão apático quanto às conquistas seculares. Ele respondeu que o mundo já exerce influência suficiente por si só; ele precisava fazer o trabalho que o mundo não faria: incentivar seus filhos na Obra de Deus.

Dos cinco filhos, três ajudam meu pai no trabalho missionário no Paraguai — um é evangelista, outro diácono e minha irmãzinha, com apenas nove anos, participa cantando e apoiando. Eu e Rebeca, os dois mais velhos, somos missionários — eu na Bolívia e Rebeca, com o marido, na Bélgica, liderando uma igreja.

Você que serve a Deus — missionário, obreiro, pastor, evangelista — luta para ganhar o mundo, enquanto o inimigo tenta destruir sua casa. Felipe pregava com poder. Deus operava maravilhas por meio dele (Atos 8), mas em Atos 21:8-9, vemos que ele tinha quatro filhas que profetizavam. Ele soube fechar a porta do mundo e guardar suas filhas. Hemã, em 1 Crônicas 25:4-6, também tinha quatorze filhos e três filhas que ministravam com ele. Uma família que servia unida na música e na adoração. Isso é fechar a porta e colocar os filhos na cama.

Concluo com uma frase triste de Raquel e Leia em Gênesis 31:14: “…pois nosso pai nos vendeu…”. Embora o contexto tenha resultado em bênção, as palavras refletem dor. Quantos pais hoje não estão “vendendo” seus filhos ao mundo? Mães que orientam suas filhas a casar com homens ímpios por causa de dinheiro; pastores que incentivam todas as carreiras, menos a Obra de Deus; missionários que alimentam seus filhos com o materialismo dentro de casa. O ministério é visto como fardo, algo de que seus filhos devem ser poupados.

Mas quero ser, na minha casa, uma ferramenta de Deus. Quero incentivar minha filha Deborah a trilhar o maior caminho que alguém pode escolher: fazer a Obra do Senhor. Saímos para evangelizar juntos. Às vezes ela não pode ir, por causa do clima ou das condições, mas minha prioridade é sempre manter minha família sob meus olhos.

Certa vez, alguém disse que minha filha deveria se casar com alguém de boas condições, um empresário, para ter uma vida melhor. Respondi: minha filha vai se casar com um missionário, ainda que enfrente dificuldades muito maiores que as minhas. Isso não é um fardo — é um privilégio.

E mesmo que seja ela a tomar essa decisão no futuro, quero ser um instrumento de Deus para apontar o caminho da verdadeira glória, aquele que tem peso eterno. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17).

Peniel Nogueira Dourado

Hora de avançar ou hora de conquistar em Missões?

Moisés recebeu a ordem do Senhor: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede. Assim passamos o ribeiro de Zerede” (Deuteronômio 2:13). O povo estava organizado dentro de suas divisões tribais, com cada um em sua tenda, e o tabernáculo bem posicionado no centro do acampamento — o lugar de adoração, onde o culto ao Senhor deveria ser constante (Êxodo 40:34-38).

Por onde caminhavam, a presença de Deus os guiava através da nuvem, e quando ela parava, eles acampavam, montavam suas tendas e erigiam o tabernáculo. Havia ordem, havia rotina. Mas também havia o perigo de se acomodar na dificuldade. Como nós, Israel se acostumou à travessia árdua e às limitações impostas por Deus, como comprar água e alimento ao invés de tomar posse das terras (Deuteronômio 2:6).

Peniel N Dourado

De repente, a voz do Senhor irrompe novamente: “Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede.” Mais de três milhões de pessoas, entre homens, mulheres e crianças, tiveram de deixar sua zona de conforto. Deus estava mais uma vez interrompendo a rotina. Ele é um Deus que se move, e nos chama a nos mover segundo o propósito d’Ele (Números 9:15-23).

Ainda que o povo desejasse conquistar terras, a ordem naquele momento era apenas atravessar. Eles estavam em trânsito, não em conquista. Em outras palavras, Deus os estava levando a avançar, mesmo sem tomar posse. A lição aqui é clara: nem todo avanço é sinônimo de conquista imediata. O crescimento espiritual também passa por estágios de transição, onde aprendemos, amadurecemos e nos fortalecemos para os dias de luta.

Situações como essas podem gerar frustração. Mas é necessário entender que atravessar terras sem conquistar nada ainda é avanço. Estar em movimento na direção do propósito de Deus é melhor do que estacionar fora do tempo. Experiência e crescimento exigem investimento pessoal, sacrifício e fé (Romanos 5:3-4).

Avançando e conquistando em missões

Recentemente, passamos por uma experiência semelhante. Deixamos o Paraguai com forte desejo de realizar a obra que Deus havia nos confiado. No entanto, ficamos por oito meses na fronteira, sem conseguir iniciar efetivamente o trabalho missionário. Agora em Santa Cruz de la Sierra, cruzamos novos limites e ansiamos pela conquista. Mas o sentimento ainda é de preparação, de avanço sem posse.

Então, mais uma vez, a ordem divina se faz ouvir: “Levantai-vos, parti e passai o ribeiro de Arnom” (Deuteronômio 2:24). A diferença dessa nova direção está na promessa: “Eis que entreguei nas tuas mãos a Seom, rei dos amorreus, e a sua terra; começa a possuí-la, e entra em guerra com ele.” Aqui não se trata apenas de caminhar, mas de tomar posse. Deus anuncia o tempo da batalha e da conquista.

Discernir entre o tempo de avançar e o tempo de conquistar é crucial para não repetir os erros da geração anterior. Trinta e oito anos antes, Deus havia dado a ordem de tomar posse da terra: “Eis que o Senhor teu Deus te deu esta terra; sobe e possui-a, como te falou o Senhor Deus de teus pais; não temas, nem te assustes” (Deuteronômio 1:21).

Mas naquela ocasião, o povo vacilou. Após dois anos de milagres e provisão no deserto, preferiram enviar espias. O relatório dos espias, embora começasse com boas notícias, foi contaminado pelo medo: “Maior e mais alto é este povo do que nós, as cidades são grandes e fortificadas até aos céus; e também vimos ali filhos dos gigantes” (Deuteronômio 1:28). O resultado? Quarenta anos de deserto e a morte de uma geração inteira (Deuteronômio 2:14).

Se não discernimos os tempos, corremos o risco de perder o momento da conquista. Arnom representa essa virada espiritual: o tempo da espada, do escudo, do confronto com os gigantes. Mas é também o tempo de promessas sendo cumpridas, de inimigos sendo entregues nas nossas mãos. Afinal, não há vitórias sem lutas. Foi diante de Golias que Davi deixou de ser um simples pastor para se tornar herói nacional (1 Samuel 17:45-51).

Lutas não são sinais de fracasso, mas sim de avanço. O próprio Senhor nos prepara para a batalha: “Neste dia começarei a pôr o teu terror e o teu temor sobre os povos que estão debaixo de todo o céu” (Deuteronômio 2:25).

Considere, portanto, esses dois momentos distintos que o Senhor nos permite viver. O primeiro é o tempo de Zerede — quando apenas avançamos, mesmo sem tomar posse. O segundo é o tempo de Arnom — onde conquistamos, lutamos e herdamos o que o Senhor prometeu.

Discernir entre esses tempos é viver com sabedoria, fé e obediência. E viver assim é alcançar vitória.

Peniel N Dourado

Vídeos sobre Missões

Eu tenho em meu canal uma série de vídeos com reflexões sobre missões falando da vida prática no campo. Se você quiser acessar nossos vídeos CLIQUE AQUI

O Encontro com Deus: Renúncia, Chamado e o Verdadeiro Privilégio de Servi-Lo

Deus é poderoso para agir a nosso favor. Somos tocados profundamente quando presenciamos Sua mão operando em nossas vidas. Jacó teve um encontro transformador com Deus em Betel, onde recebeu promessas, ouviu a voz divina, teve seu nome mudado e seu futuro redirecionado. Está escrito: “O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome.

E chamou-lhe Israel” (Gênesis 35:10). Assim como aconteceu com Jacó, também nós, em nossa caminhada com Deus, passamos por momentos marcantes em que Ele se revela, chama e nos mostra que nosso futuro está nas mãos do Todo-Poderoso.

Peniel N Dourado

Se você deseja ser usado por Deus, ser instrumento nas mãos do Senhor e ir onde Ele quiser te enviar, saiba que haverá o “momento do encontro” — aquele instante em que Deus assume o controle da sua vida. Trabalhar para o Senhor Jesus é o maior privilégio que um ser humano pode ter, e esse chamado não é concedido com base em critérios humanos. “Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses, o Senhor dos senhores, Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas” (Deuteronômio 10:17). Deus não te escolhe por tua linhagem pastoral, por graus acadêmicos ou posição social — Ele chama e usa quem se entrega com sinceridade.

Infelizmente, em muitas igrejas há pessoas inativas, sem função no Corpo de Cristo, por não discernirem o tempo da visitação divina. Contudo, nunca é tarde para recomeçar. O apóstolo Pedro declarou: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). Se um dia você entregou sua vida a Cristo, o Espírito Santo habita em você e certamente te conduzirá ao serviço, conforme o propósito dEle. Nem todos exercerão o mesmo ministério, mas todos são chamados a serem ferramentas úteis em Suas mãos (2 Timóteo 2:21).

Encontre um verdadeiro missionário, pastor ou evangelista, e encontrará alguém que foi impactado por esse chamado. A renúncia é uma marca registrada dos servos de Deus. Vivemos tempos de teologia centrada no homem e seus desejos. Muitos dizem que “Deus não destrói sonhos” — e de fato, não destrói os sonhos que são dEle.

Mas o Senhor não patrocina projetos egoístas, ainda que espiritualmente disfarçados. Quando Deus diz “não”, é não! (Isaías 55:8-9). Guerreiros do Reino sabem renunciar seus próprios desejos para obedecer ao chamado divino.

Falo por experiência. Deus começou a falar conosco sobre sair do Paraguai ainda em 2004, o que me parecia inaceitável, pois havia tantas necessidades ministeriais ali. Mas em 2006 iniciamos nossa jornada missionária rumo à Bolívia.

Muitos nos disseram que ainda havia muito a ser feito no Paraguai — e realmente havia. Porém, o Senhor nos direcionou, e obedecemos. Oramos pelo Paraguai, ainda que não estejamos lá fisicamente. Quando entregamos nossas vidas ao Senhor, aprendemos que as rédeas não nos pertencem mais (Provérbios 3:5-6).

No campo missionário encontrei muitos homens e mulheres que deixaram empregos estáveis e carreiras promissoras para seguir a Cristo. Médicos, enfermeiros, concursados — gente que largou tudo para servir. E vale lembrar: em muitos países, missionários não podem legalmente trabalhar. Dependem de apoio financeiro enviado por igrejas e parceiros de fé. A resposta à chamada é renúncia.

Deus quer te usar, mas o nível da sua entrega determinará a medida da operação divina em sua vida. Davi era apenas um pastor de ovelhas, mas foi ungido por Samuel. A Palavra afirma: “Desde aquele dia em diante, o Espírito do Senhor se apoderou de Davi” (1 Samuel 16:13). Ele não apenas disse que cria — ele viveu conforme sua fé.

Quando enfrentou o leão e o urso, sabia que venceria, pois havia uma promessa. Quando encarou Golias, sua segurança estava na certeza do seu chamado (1 Samuel 17:36-37, 45). E mesmo sendo perseguido por Saul, Davi escreveu: “O Senhor dá grandes vitórias ao seu rei escolhido; Ele me mostra a sua bondade e continuará mostrando essa mesma bondade aos meus filhos e netos” (Salmo 18:50, Bíblia Viva).

Mesmo antes de ocupar formalmente o trono, Davi se via como rei, pois cria no que Deus havia prometido. Esse é o poder da fé em uma palavra recebida do Senhor.

Prepare-se para mudanças. Prepare-se para deixar planos pessoais para trás. Aprenda o valor da palavra “abnegação” (Mateus 16:24). Se você escolheu servir ao Senhor Jesus, sua vida pertence a Ele. Que Deus te abençoe por discernir esse tesouro invisível, mas eterno.

Pr. Peniel N Dourado

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Fé e obediência: quando a Palavra te alcança

Fazer missões é enfrentar situações fora do comum. Para permanecer, é necessário ter uma força também fora do comum. Essa força vem da fé que nasce ao ouvirmos a voz de Deus. É pela Palavra que somos fortalecidos e capacitados para obedecer ao chamado, vencer as barreiras e cumprir o que nos foi ordenado (Isaías 40:29-31).

Como está escrito: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10:17). Sem fé, não se pode agradar a Deus, nem realizar nada no campo missionário (Hebreus 11:6). Em momentos de pressão e lutas, minha oração é simples: “Senhor Jesus, estou aqui porque tua Palavra me alcançou. Ajuda-me!”. E repito isso muitas vezes, porque a Palavra que nos envia é também a que nos sustenta (João 15:5).

Peniel Dourado e Mina

Só fé explica por que um irmão permanece anos pregando em presídios. Só fé explica por que alguém deixa o conforto urbano para viver entre ribeirinhos da Amazônia ou nos Andes bolivianos. Quando a Palavra nos alcança, a fé é gerada, e por essa fé vivemos: “O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

Nós estamos na Bolívia porque a Palavra nos alcançou e cremos nela. Tudo começou em 2004, quando recebi alguns pastores que estavam se mudando de São Paulo. Não eram da minha denominação, mas os ajudei. Um deles, certo dia, nos chamou à mesa, leu um texto profético e orou. Deus o usou para nos dizer que não deveríamos criar raízes no Paraguai, pois Ele nos levaria para outra nação.

Reagi com incredulidade. Meu julgamento foi que a profecia era carnal. Mas, pouco tempo depois, outro jovem evangelista confirmou a mesma palavra. E novamente rejeitei. Não por falta de fé, mas porque não queria sair do Paraguai, onde estava envolvido com evangelismo, rádio e presídios desde 1995.

Mas disse ao Senhor que, se uma terceira pessoa falasse a mesma coisa, eu consideraria. Em 2006, Deus enviou a terceira, a quarta, a quinta… Comecei a ouvir a mesma Palavra em diferentes lugares. Fui vencido. O peso espiritual se intensificou. Não conseguia mais evangelizar, pregar na rádio ou continuar com as atividades ministeriais. Entrei no quarto para orar, e ali permaneci por dias, talvez mais de um mês. Gemia. Não havia palavras, apenas sede da voz de Deus.

Peniel e Mina próximo a Chochis, Bolívia

E um dia, no secreto, o Espírito Santo falou: “Bolívia”. Nunca tinha pesquisado sobre o país. Apenas conhecia a fronteira em Corumbá (MS). Não tivemos tempo para planos, nem para saber custos ou condições econômicas. Diante de Deus, respondemos: “Sim”.

Senti um peso insuportável antes da resposta. Tudo parecia perder o sentido: a rádio, os cultos, a igreja. Lia livros e devocionais sem conseguir pregar. Meu único alimento era a oração e o clamor. Mas quando ouvi “Bolívia”, respondi “Sim”. E minha esposa, grávida, também disse “Sim”. Então oramos, e Deus revelou: Santa Cruz de la Sierra.

A Palavra nos alcançou. A fé veio. A certeza era tão profunda que sabíamos que não havia lugar mais seguro para estar. E entendemos: fé também é fidelidade (Tiago 2:17). Deus disse para irmos à Bolívia, então ser fiel significava permanecer. Muitos abandonam o campo não por falta de poder, mas por falta de fidelidade à Palavra.

Alguns repetem: “Deus me enviou”. Mas estão mais interessados em conforto do que em obedecer. Querem “comer o melhor da terra” (Isaías 1:19) esquecendo que esse versículo tem condição: obediência. Se você quiser vencer, mantenha os olhos fixos na Palavra. Pedro afundou quando tirou os olhos de Jesus (Mateus 14:30).

Por causa da Palavra que nos alcançou, vendemos tudo. Vendi meu carro. Antes de vendê-lo, tentei ir à Santa Cruz, mas o motor fundiu. Vendemos móveis para consertar. Depois, vendemos o carro para seguir viagem. Chegamos em Santa Cruz e alugamos uma casa. Tínhamos apenas um colchão, um fogão, um botijão e algumas malas. Mas tínhamos a Palavra.

Houve oposição da família. Era esperado: país desconhecido, gravidez, nenhuma estrutura. Mas a Palavra era nossa rocha. Como em Daniel 3:17-18, aprendemos a dizer: “Se Deus nos livrar, amém. Se não, também não negaremos”. Fé autêntica não depende do resultado. É fidelidade à voz que nos alcançou.

Se você diz ter fé, saiba que será provado. Como os que enfrentaram a cova dos leões, a fornalha, ou as arenas romanas (Hebreus 11:36-38). A Palavra que te chamou é soberana. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10).

Finalizo com um encorajamento: você que serve ao Senhor onde quer que esteja, saiba que foi Jesus quem te colocou aí. Não despreze o chamado. “Em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus” (Atos 20:24). Que a Palavra que te alcançou seja sua motivação todos os dias.

Peniel N Dourado

COMUNICAÇÃO E INTERCESSÃO NA MISSÃO

A comunicação é uma ferramenta essencial para o serviço missionário. É preocupante quando encontramos missionários que não sabem usar ferramentas básicas como e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Isso não significa que sejam menos espirituais, mas mostra a necessidade urgente de se atualizarem. A tecnologia é uma aliada poderosa na expansão do Reino de Deus.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Antigamente, as Secretarias de Missões recebiam cartas com algumas fotos, preparando informativos que eram impressos e enviados a milhares de irmãos. Foram dias valiosos. Eu mesmo fui edificado por esses boletins. Mas hoje, com a internet, podemos alcançar muito mais pessoas com muito menos custo. Basta saber usar os meios disponíveis.

As agências missionárias estão informatizadas. Muitas secretarias apenas fazem download de imagens postadas em redes sociais ou recebem os informativos por e-mail e repassam à igreja. Porém, se o missionário não sabe sequer ligar um computador, tudo isso se torna inútil. A Bíblia nos encoraja a sermos sábios no uso das oportunidades (Efésios 5:15-16). Usar bem os meios modernos é redimir o tempo.

Quando cheguei à Bolívia, trouxe comigo um pequeno grupo de intercessores. Mas o Senhor me desafiou a expandir essa rede. Precisamos de igrejas e irmãos intercedendo, não só por mim, mas por todos os obreiros e pela salvação da nação boliviana. A Palavra nos exorta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Em uma terra onde o paganismo ainda domina, a oração é nossa arma.

Recentemente, irmãos que trabalham conosco em Impactos Evangelísticos pediram oração antes de irem a um povoado sem igreja. Ali, a adoração à “Pachamama” é forte, e muitos acreditam que o derramamento de sangue alimenta a deusa.

Essa crença diabólica sustenta linchamentos, sacrifícios e violência. Durante a pregação, nossos irmãos Elvis e Oswaldo foram ameaçados de morte. A população gritava queimar os jovens. Graças a Deus, as autoridades intervieram e eles foram expulsos, mas saíram com vida. Quantos já não tiveram esse final?

Pastor Peniel e Mina

Durante uma pregação em Punata, no departamento de Cochabamba, um homem com facão veio até mim gritando para que eu parasse de falar. Ameaçou cortar minha cabeça. Fiquei firme, repreendi no nome de Jesus e, sem explicação, ele foi embora. Em momentos como esse, quando não há nenhuma autoridade por perto, o que nos sustenta? A intercessão dos santos (2 Coríntios 1:11).

Se o missionário não comunica essas realidades, como os irmãos saberão como orar? Como sustentarão em oração a obra missionária se não souberem dos desafios enfrentados? O próprio apóstolo Paulo pedia orações e mantinha contato com as igrejas por cartas (Romanos 15:30-31).

Cada missionário que chega à Bolívia traz, mesmo que invisivelmente, um grupo de intercessores. Eles são como colunas espirituais que sustentam o avanço do Evangelho. Eu vejo no rosto dos jovens que caminham pelas ruas, deixando seus sonhos e profissões do outro lado da fronteira, o amor de Deus por esta nação.

Com o tempo, o missionário que era carregado por uma pequena maleta, agora precisa de um caminhão – não de bagagem, mas de contatos! Cada novo intercessor é um guerreiro na batalha espiritual. Quem é sábio sabe ampliar esse exército. Como diz Provérbios 11:14: “Na multidão de conselheiros há segurança”.

Por isso, deixo meu conselho a quem se prepara para o campo: aprenda a usar os meios de comunicação. Use-os com sabedoria. Amplie sua rede de oração. Compartilhe o que Deus está fazendo. Não esconda o milagre. A comunicação não é apenas ferramenta – é parte do chamado missionário.

Peniel N Dourado

Como Não Se Perder no Campo Missionário

Podemos nos perder em meio à missão que o Senhor nos confiou, a ponto de olhar para o céu e não ver nem o sol nem as estrelas, e caminhar à deriva sem saber para onde ir. Certa vez, o apóstolo Paulo viveu uma situação parecida. O evangelista Lucas escreveu em Atos dos Apóstolos:
“E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos” (Atos 27:20).

Não seria essa a realidade de muitos missionários hoje? Ignorar as tempestades espirituais e as dificuldades do ministério é imprudente, pois, assim como um barco é construído para suportar as adversidades do mar, devemos estar preparados para enfrentar as dificuldades no campo missionário. As tempestades, por vezes, nos levam a perder o rumo e a sentir que estamos à deriva.

Pastor Peniel e Mina

Se você está no campo missionário, é importante tomar cuidado. Não basta apenas Deus ter te enviado; você pode, sim, se perder. Por exemplo, José recebeu a ordem de seu pai para verificar a situação de seus irmãos, mas “andava errante pelo campo” (Gênesis 37:15). O que pode fazer um missionário se desviar da missão que Deus confiou? Existem muitos motivos.

Aqui, em Santa Cruz de La Sierra, noto que a facilidade para os brasileiros cursarem medicina atrai muitos missionários, homens e mulheres que vieram com o coração focado na salvação das almas, mas se perdem em meio à busca por um diploma barato.

Em poucos anos, já vi missionários voltando ao Brasil porque a faculdade passou a ser a prioridade, e não a obra do Senhor. Outros continuam, porém já sem tempo para o trabalho missionário, que fica em segundo plano. Essa prioridade invertida tem causado problemas conjugais e familiares, com ministérios desfeitos e casamentos arruinados.

Pastor Peniel, Mina e Deborah yuiko

Alguém pode me perguntar: “Então você é contra que o missionário estude?” De modo algum. Este é apenas um exemplo de algo que acontece aqui com frequência. Eu defendo que o que Deus nos confiou deve ter primazia (Mateus 6:33). Já encontrei missionários perdidos no campo por diversas razões: distância da família e da igreja, solidão, problemas financeiros, falta de supervisão pastoral, conflitos ministeriais, e outros. A lista poderia ser maior. Mas o certo é que, se você é missionário, foi chamado pelo Senhor, e ELE mesmo lhe deu uma missão — não a perca de vista.

As fotos em murais das igrejas, com bandeiras estrangeiras e imagens de trabalhos evangelísticos e sociais, muitas vezes emocionam a igreja local. Quantas vezes olhei essas fotos e me emocionei com esses heróis de nossos dias, que cruzam fronteiras para buscar as almas perdidas. No entanto, por trás dessas imagens bonitas, há muitos missionários perdidos, à deriva, que não sabem para onde ir ou o que fazer.

Existe uma orientação clara para quem vai ao campo:
“Filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui ficarás” (Rute 2:8).

Esse texto fala da situação de Rute, viúva, que tinha o direito pela Lei de colher nos campos o que sobrava, mas recebeu uma orientação específica para permanecer fiel a um lugar. Mais tarde, a sogra Noemi reafirmou essa sabedoria:
“E disse Noemi a sua nora: Melhor é, filha minha, que saias com as suas moças, para que noutro campo não te encontrem” (Rute 2:22).

Material evangelístico chegando em Bolívia (2012)

Na minha juventude, tomei a decisão firme de buscar ao Senhor e valorizar apenas aquilo que me edificava. Tudo que não trazia edificação eu descartava — essa foi uma orientação importante para minha vida. Quando tinha 18 anos, Deus me falou fortemente sobre trabalhar na obra, e comecei a traçar minhas decisões nesse sentido. Muitas oportunidades surgiram depois, mas descartei todas que não alinhavam com a missão.

Ao buscar esposa, procurava aquelas com coração para a obra, e evitava as que tinham sonhos distantes da missão. Após casar, eu e minha esposa Mina decidimos dedicar nossas vidas ao Reino de Deus. Nosso alvo não é acumular bens, carro ou casa — embora creiamos que Deus pode nos dar tudo isso —, mas a obra do Senhor é nossa primazia. Muitas vezes surgem oportunidades que tentam nos afastar desse foco, mas nós temos escolhido permanecer firmes.

Quer evitar ser um missionário perdido no campo que Deus lhe deu? Então não perca a missão que ELE confiou a você. Não é sábio agir movido apenas pelas emoções, pois:
“Com a sabedoria se edifica a casa, e com o entendimento ela se estabelece” (Provérbios 24:3).

Quando Israel caminhava pelo deserto, não andava sem direção, mas sob ordem e liderança. No momento de atravessar o rio Jordão, os oficiais deram instruções precisas:
“Quando virdes a arca da aliança do SENHOR vosso Deus, e que os sacerdotes levitas a levam, partireis vós também do vosso lugar, e seguireis. Haja contudo, entre vós e ela, uma distância de dois mil côvados; e não vos chegueis a ela, para que saibais o caminho pelo qual haveis de ir; porquanto por este caminho nunca passastes antes” (Josué 3:3-4).

Aqui vemos a importância da orientação e da atenção constante. O povo não podia chegar perto da arca, mas não podia perdê-la de vista. Assim, havia uma progressão na caminhada sob a direção do Senhor.

Conheci um missionário usado por Deus em muitos ministérios, inclusive cura e profecia. Porém, ele enfrentou muitos problemas ministeriais e injustiças. Mudou de país buscando melhores condições, alcançou maior prosperidade, passou a trabalhar por conta própria, e a abundância o afastou do foco que Deus lhe dera.

Ele deixou de ser aquela ferramenta poderosa, passou a trabalhar relaxadamente, e o ministério sofreu. Essa situação é triste e desanimadora. É um exemplo claro do que acontece quando se perde a presença do Senhor, representada pela arca, e a orientação divina. O fim desse homem foi a ruína moral, incluindo adultério.

Quero voltar a Atos 27, onde Paulo enfrentou um naufrágio. Paulo não estava fora da direção de Deus, mas o barco que tinha uma missão terminou destruído no fundo do mar. Será que um missionário não pode afundar? Na verdade, não deveria, assim como um barco não é feito para afundar, mas sem a orientação correta, o final será ruína. Em Atos 27:15 está escrito:
“E, sendo o navio arrebatado, e não podendo navegar contra o vento, dando de mão a tudo, nos deixamos ir à toa.”

A palavra missionário vem de missão, e quem tem uma missão não pode simplesmente “deixar-se ir à toa”. Perdemos a direção quando saímos da rota que o Senhor estabeleceu para nossas vidas. A missão não é buscar objetivos próprios, mas cumprir o propósito daquele que nos chamou:
“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2:4).

Quando saímos da rota, caímos na inércia espiritual. A Bíblia também nos mostra Jonas, um missionário desorientado, dormindo no barco enquanto a tempestade ameaçava afundar tudo:
“E o mestre do navio chegou-se a ele, e disse-lhe: Que tens, dorminhoco?” (Jonas 1:6).

Como alguém pode dormir quando a missão está em risco? Deus deu a Jonas a missão de pregar a mensagem a Nínive, e ainda assim ele falhou em estar atento ao chamado. Jonas só respondeu após muita pressão dos marinheiros. Eles chegaram a jogá-lo ao mar por sua desobediência (Jonas 1:8-15). Melhor do que ser repreendido pelos outros, é fazer uma autoanálise, buscar a Deus e mudar de atitude.

Davi também enfrentou momentos difíceis e concluiu:
“Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu” (2 Samuel 24:14).

Missionário, que esta seja sua postura: esteja atento, mantenha o foco, e confie nas misericórdias e direção do Senhor.


Pastor Peniel Nogueira Dourado

Como Fazer a Obra de Deus com Sabedoria e Temor

Fazer a Obra do Senhor exige sabedoria, temor e orientação de Deus. Quando se trata de liderar uma igreja local, é importante entender que há uma diferença entre ser o pastor e substituir temporariamente o pastor. Quem assume interinamente não deve ter como objetivo mudar estruturas ou práticas da igreja, mas sim manter o bom andamento da obra (1 Coríntios 14:40).

Esse princípio vale também para qualquer função no Reino: dirigente de congregação, líder de missões, evangelismo ou jovens. O maior cuidado de um líder é preparar substitutos fiéis e humildes (2 Timóteo 2:2). Quando isso não acontece, a ausência de um líder pode gerar caos espiritual.

Na secretaria de missões, por exemplo, é necessário compreender que ela é uma ponte entre a igreja e o campo missionário. Se estiver desconectada da realidade do missionário, torna-se uma estrutura vazia. Por isso, a palavra-chave para atuar em qualquer área missionária é visão. E não apenas uma visão física, mas espiritual — ver com os olhos e com o coração (Efésios 1:18).

A Bíblia nos dá exemplos de líderes que agiram com sabedoria. Neemias, ao chegar a Jerusalém para reconstruir os muros, não saiu impondo mudanças. Ele esperou, observou e buscou o tempo certo para agir (Neemias 2:11-13). Jesus também agiu com prudência. Antes de purificar o templo, Ele primeiro entrou, observou tudo e apenas no dia seguinte tomou atitudes (Marcos 11:11,15-17). Isso nos ensina que nem todo início deve ser marcado por mudanças radicais. Esperar o tempo de Deus é sinal de sabedoria (Eclesiastes 3:1).

Lembre-se: a Obra não é nossa, é do Senhor, e um dia prestaremos contas (Romanos 14:12). Por isso, o zelo e a prudência são essenciais. Neemias não contou imediatamente o que Deus havia colocado em seu coração. Ele foi discreto, pois sabia que falar fora do tempo pode atrair oposição antes da hora certa (Neemias 2:12). Nem tudo precisa ser revelado de imediato. Há momentos em que até o silêncio é uma estratégia divina (Miquéias 7:5).

Uma palavra de Deus é como uma semente. Ela precisa de tempo para germinar, crescer e frutificar (Marcos 4:26-29). A precipitação pode destruir um plano divino antes mesmo que ele amadureça. Quando Deus nos fala, é preciso discernir o momento certo de compartilhar ou agir.

Compartilho aqui uma experiência pessoal: em 2006, em Puerto Suárez (Bolívia), o Senhor me deu uma palavra clara sobre campanhas evangelísticas. No entanto, comentei antecipadamente com pessoas, fiz planos antes do tempo, e isso gerou frustrações. A obra de Deus se cumpriu, mas não da forma que eu imaginava. Aprendi que a humildade e o tempo são essenciais para que a semente cresça no tempo certo de Deus.

Neemias saiu à noite pela “porta do vale” (Neemias 2:13). Isso fala de humildade. Prefiro um trabalho constante e duradouro a um início com “fogos de artifício” que não dura. Muitos missionários chegam ao campo cheios de alarde, mas em pouco tempo estão de volta, frustrados. A sabedoria está em começar com humildade e perseverança (Provérbios 16:18).

Certa vez, um pastor visitou nossa base missionária e, após uma semana conosco, decidiu apoiar nosso trabalho. Ele havia recebido a direção de Deus três meses antes, mas esperou, orou e agiu com sabedoria. Diferente de muitos que prometem apoio, mas não vêm pela “porta do vale” — vêm com promessas vazias e depois desaparecem sem sequer demonstrar arrependimento.

A grande pergunta é: como temos feito a Obra do Senhor? Com sabedoria? Com visão? Com temor? A Palavra nos lembra: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10). É esse temor que nos guia a tomar decisões com prudência e que garante que nossa obra seja aceita por Deus.

Sigamos construindo o Reino com temor, visão e sabedoria, lembrando que a Obra é do Senhor, e a Ele prestaremos contas.

Peniel N Dourado

Do impossível ao milagre: quando Deus nos leva além

É natural reconhecermos que somos limitados. Há situações em que lutamos com todas as forças, mas ainda assim não conseguimos vencer. Somos humanos, e a limitação faz parte da nossa natureza (Salmos 103:14). Porém, o que é impossível para nós, é possível para Deus (Lucas 18:27).

O Senhor não se limita ao natural. Ele opera no sobrenatural. Quando andamos com Deus, Ele nos tira da fraqueza e nos leva à força (2 Coríntios 12:9-10), da escassez à abundância (Filipenses 4:19), do impossível ao possível. O segredo está em deixar de viver pelos nossos recursos e passar a depender dos recursos do céu.

Peniel Dourado e evangelistas em Bolívia (2012)

No evangelho de Marcos, capítulo 9, encontramos um pai aflito. Seu filho estava possuído por um espírito maligno. Ele já tinha tentado de tudo: médicos, religiosos, orações tradicionais. Mas nada funcionava. A dor daquela família era constante e o sofrimento, insuportável.

Diante de Jesus, ele suplica: “Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (Marcos 9:22). A resposta de Jesus é direta: “Se podes crer, tudo é possível ao que crê” (Marcos 9:23). Jesus estava tirando aquele homem do campo do natural e levando-o ao sobrenatural.

Quantos de nós estamos tentando conviver com problemas como se fossem normais? Às vezes, adaptamo-nos à dor, como se não houvesse solução. Mas Jesus nos convida a crer. Não é uma fé cega, é uma fé direcionada a Ele, o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2).

Lembro-me de um episódio marcante em minha infância, na cidade de Santana, no estado do Amapá. Eu tinha doze anos quando vi uma menina de sete anos possuída por um espírito maligno. Ela tinha uma força sobrenatural, e seus irmãos não conseguiam segurá-la. Foi assustador. A presença demoníaca era real. Mas ali também vimos o poder de Jesus se manifestar. Com fé e oração, aquela criança foi liberta.

Peniel, Mina e Deborah (2012)

Naquele momento, aprendi que o mundo espiritual é real. Ver uma criança endemoninhada não é algo que se esquece. Mas mais impactante foi ver o poder de Jesus libertando e restaurando. Isso confirmou em meu coração que Cristo é mais forte do que qualquer força do mal (1 João 4:4).

Voltando à história bíblica, após ouvir Jesus, o pai do menino clamou: “Eu creio! Ajuda a minha incredulidade!” (Marcos 9:24). Essa sinceridade tocou o coração de Jesus. Reconhecer a fraqueza é o primeiro passo para receber o milagre. Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4:6).

Talvez você esteja se sentindo como esse pai. Limitado. Sem forças. Tentando conviver com um problema que parece sem solução. Mas Jesus está ao seu lado, pronto para agir. Ele só espera uma atitude: fé. Mesmo que pequena como um grão de mostarda, se for sincera, ela move montanhas (Mateus 17:20).

Peniel N Dourado

A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que, mesmo em desespero, foram ao encontro de Cristo e encontraram socorro. O cego Bartimeu, a mulher do fluxo de sangue, o paralítico levado por quatro amigos. Todos eles tinham algo em comum: fé.

Não precisamos esperar o fundo do poço para buscar a Deus. Mas se já chegamos lá, ainda há esperança. Ele nos toma pela mão e nos levanta (Isaías 41:13). Ele é o Emanuel, Deus conosco (Mateus 1:23), e continua operando maravilhas.

Creia. Clame. Confie. Cristo continua dizendo: “Tudo é possível ao que crê.”

Peniel N Dourado